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Preços do Boom Festival 2012
Jan 6th
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Os preços para o Festival Boom Festival 2012 já são públicos mas existem algumas particularidades que são importantes para o conhecimento dos festivaleiros.
O Boom Festival tem diferentes preços para permitir que todos os festivaleiros participem neste festival que decorre de 28 de julho a 4 de agosto em Idanha-a-Nova.
A primeira fase da venda de bilhetes para o Boom Festival decorre online até dia 9 de janeiro de 2012 e o passe normal fica por 120 Euros. Este preço de 120 euros estende-se para todos aqueles que vêm de países em desenvolvimento até dia 3 de Julho de 2012.
Existe ainda um "preço social" que foi criado para a segunda e terceira fases de venda de bilhetes (125 Euros e 145 Euros respectivamente) para festivaleiros de Portugal, Grécia, Itália e Espanha.
Para os desempregados ou empregados mas com o salário minimo existe uma opção na qual podem oferecer a sua arte em troca de um bilhete para o festival ficando com um bilhete participativo - "Participatory Ticket". Para este tipo de bilhetes deverá contactar a organização do festival.
A segunda fase da venda online decorre de 10 de janeiro a 6 de abril de 2012 na qual o passe normal custará 140 Euros.
As pessoas originárias da Guatemala e do México têm direito a entrada livre pois o festival homenageia este ano Maia.
Somos mais de 45.000!
Dec 3rd
A maior comunidade festivaleira nacional não pára de crescer, se ainda não nos segues, talvez seja tempo disso. Aproveitamos também a oportunidade para agradecer a todos os que fazem parte desta comunidade.
Optimus Alive! e Milhões de Festa em competição europeia
Oct 31st
Decorre até dia 6 de Dezembro, a votação Festival Awards Europe 2011, para eleger o melhor festival da europa nas mais diversas categorias. 
Portugal faz-se representar pelo Optimus Alive! (Everything is New) na categoria de Melhor Grande Festival, e o Milhões de Festa (Lovers & Lollypops), na categoria e Melhor Pequeno Festival.
Os eleitores habilitam-se ainda a ganhar dois bilhetes para todos os festivais vencedores, a serem conhecidos a 11 de Janeiro.
ASA no Delta Tejo 2011
Mar 23rd

Ao que o "Festivais de Verão" apurou, ASA irá actuar no dia 2 de Julho no Festival Delta Tejo 2011 no Alto da Ajuda em Monsanto (Lisboa).
A sensação nigeriana Born Bukola Elemide - ASA (asha) - regressa a Portugal com a sua boa disposição, grande à vontade em palco para apresentar o seu segundo álbum intitulado "Beautiful Imperfection" lançado no dia 25 de Outubro de 2010.
A edição de 2011 não tem até ao momento qualquer confirmação, mas a luso-canadiana Nelly Furtado já anunciou via twitter que irá marcar presença no Delta Tejo a 2 de Julho.
A organização do Delta Tejo (Música no Coração) promete revelar todos os nomes do Palco Principal (Palco Delta) para esta edição em conferência de imprensa no próximo dia 29 de Março.
O Festival Delta Tejo realiza-se nos dias 1,2 e 3 de Julho de 2011 em Lisboa e o preço dos bilhetes são até ao momento desconhecidos.
Vagos Open Air 2011 com novas confirmações
Mar 1st

A organização do Vagos Open Air 2011, revela mais nomes para a edição deste ano do festival. Assim aos já confirmados Opeth, Tiamat, Morbid Angel e Kalmah, juntam-se agora:
Essence, Crushing Sun, Revolution Within, Ihsahn, Malevolence e We Are the Damned.
Os dinamarqueses Essence são considerados como a "esperança do trash europeu" e apesar de serem jovens, prometem incendiar os palcos por onde passam.
O norueguês Ihsahn mostra também que a idade não é um problema. Depois de, aos 17 anos, ter editado "In the Nightside Eclipse", vem agora a Portugal mostrar o seu trabalho, "After", a todos aqueles que queiram ouvir um dos seus registos mais ambiciosos de sempre.
Como a tradição é para manter, o festival aposta também em grupos nacionais, como é o caso de Crushing Sun, Revolution Within, Malevolence e We Are the Damned, prometendo assim um cartaz diverso disposto a agradar a todos os apreciadores de musica pesada.
O Festival Vagos Open Air 2011 realiza-se nos dias 5 e 6 de Agosto de 2011 em Vagos, na Lagoa do Calvão. O preço dos bilhetes diário tem o preço de 30 Euros e o Passe para os dias de 50 Euros.
Reportagem Skunk Anansie – Lisboa
Feb 9th
Sete meses depois da presença estonteante no Optimus Alive!, os Skunk Anansie voltaram para dois concertos em Portugal. Lisboa seguiu-se ao Porto e o local escolhido foi o bom velho Coliseu.
O recinto – mais que esgotado - rapidamente pareceu pequeno demais para albergar todos os que iam entrando enquanto os britânicos The Virginmarys já tocavam. A banda, que ganhou o título de “Best New Rock Artist” do iTunes, apresentou o seu rock cativante que abriu o apetite. Temas como “Bang Bang Bang” e “Just Arrived” aqueceram uma multidão já de si irrequieta.
Assim que a banda terminou e saiu, um pano tapou o palco, deixando todos curiosos. Quando finalmente as luzes se apagaram, foi projectada uma imagem da capa do novo álbum dos Skunk Anansie, “Wonderlustre”, editado quase 12 anos após o seu antecessor “Post Orgasmic Chill”.
Quando a intro começou, luzes vermelhas projectaram as silhuetas de Skin, do baixista Cass e do guitarrista Ace. A loucura estava prestes a começar. Sempre de fatos extravagantes, desta feita eram ombreiras ornadas com penas que emolduravam o rosto de Skin. “Yes, It’s Fucking Political”, retirada de “Stoosh”, fez as honras. De microfone apontado ao público, Skin deixou desde o início bem claro que para o concerto contava com a participação de todos. A audiência não desiludiu e a voz possante e inconfundível da cantora britânica também não. Riffs de guitarra deliciaram os fãs e após um entusiástico “Hello!” por parte da vocalista, uma favorita do público entra em cena: “Charlie Big Potatoe”, do penúltimo álbum de estúdio da banda, serviu de novo para mostrar os dotes da multidão enquanto coro perfeitamente sintonizado.
Skin dançava e fazia seu um palco que a recebeu de braços abertos. Temas do novo álbum, como “God Loves Only You” provou ter já conquistado os fãs. Apesar disso, ninguém resistia a temas mais antigos, tais como “100 Ways to Be a Good Girl” ou “Secretly”, de longe uma das mais esperadas e acarinhadas pelo público, que lhe valeu um sentido «Obrigado» de Skin.
“Over the Love”, “The Sweetest Thing” e “My Love Will Fall”, todas retiradas de “Wonderlustre”, revelaram algumas diferenças no som habitual da banda, mas nem por isso foram menos bem recebidas. Ainda que temas como “Because of You” ou “I Can Dream” tenham mostrado estar bem presentes na memória de todos, pôde perceber-se que o mais recente trabalho da banda agrada a muitos seguidores, dos mais velhos aos mais novos.
A vocalista fez questão de visitar o público várias vezes durante o concerto, “andando” inclusive sobre a multidão, com a ajuda de fãs. Por isso mesmo, “Brazen (Weep)” foi dedicada a um desses fãs em especial. Aquele que foi o tema que mais sucesso teve para a banda foi outro dos momentos da noite, onde se contou ainda com um riff da “Intellectualise My Blackness”, do albúm “Paranoid & Sunburnt”.
Antes da esperada “Twisted (Everyday Hurts)”, o pedido da vocalista foi simples: “Jump!”. E assim obedeceu quase a totalidade do recinto, bancadas e camarotes incluídos. “Feeling the Itch” e “My Ugly Boy” fazem lembrar uns Skunk Anansie ainda nos anos 90, agradando a fãs mais antigos. Por seu lado, “Tear the Place Up”, já de 2009 (tirada de “Smashes & Trashes”, o álbum de greatest hits da banda) conseguiu de facto quase trazer o Coliseu abaixo. “Skank Heads” antecedeu o encore, que durou o suficiente para uma multidão ávida mostrar a força dos seus pulmões.
A banda voltou a entrar em palco e foi com outra das preferidas do público que o fim do concerto teve início – “Hedonism (Just Because You Feel Good)” não falhou a ninguém, entoada com distinção. A vocalista agradeceu a todos os presentes, a todos os que apoiam a banda e os «faziam sentir bem» neste país. Seguiu-se o que será o próximo single da banda, “You Saved Me”.
Foi então tempo de apresentar a banda, membro a membro, com uma Skin sempre bem-humorada e a espalhar a sua boa-disposição, como já havia feito no Optimus Alive!. “Querem mais?” – a resposta é óbvia; por muitos, aquilo durava a noite toda. “Little Baby Swastikkka”, o primeiríssimo single da banda irrompeu pelas colunas e alimentou-se da energia que pairava na atmosfera e teimava em perder forças. Era hora da despedida e a banda abandonou o palco, assim como muitos dos espectadores. No entanto, as luzes permaneceram apagadas e o público não cessou em chamar pela banda… que voltou!
De novo desmanchada em agradecimentos a um público carinhoso que «estabeleceu expectativas muito altas para os próximos espectáculos da tour», Skin expressou a sua gratidão com um último tema. “You’ll Follow Me Down”, bem conhecida de todos, fez as delícias e foi uma despedida perfeita. Uma vénia final e eis que o fim chegava mesmo.
Após quase 17 anos, é de notar a empatia e cumplicidade que existe numa banda que, apesar do “intervalo” de 10 anos, se mantém unida e a tocar gerações distintas que se juntam em prol da boa música e de espectáculos que ficam gravados na memória para sempre.
Reportagem The Legendary Tigerman – Lisboa
Jan 23rd
Lendário, sem dúvida
Deus nos valha Paulo Furtado. Deus nos valham os Wraygunn, Deus nos valha Legendary Tigerman, Deus nos valham todas aquelas colaborações em que se meteu, todas as bandas-sonoras que já fez (fabuloso, o cine-concerto que deu com Rita Redshoes no MOTELx há dois ou três anos) e tudo o que da sua carreira saiu. Deus nos valha este músico que influenciou toda uma nova geração de música Portuguesa deixando-se influenciar pela geração que lhe precedeu e até pela que viveu. O concerto que se viu no Coliseu foi o reflexo perfeito da impressionante carreira de Paulo Furtado: grandioso e inesquecível. Puxou de todos os cordelinhos, foi a toda a sua carreira a solo ou em grupo e pôs em palco todo o seu percurso musical num espectáculo cuidado e pensado, que foi basicamente mais de duas horas de uma sucessão constante de grandes momentos.
Uma lista de excelentes convidados, alguma grandes surpresas e o grande músico com as grandes canções do costume. Num óptimo e longo alinhamento, Tigerman percorreu todos os seus álbuns a solo (dando, claro, destaque a Femina), na pose e estilo já conhecidos de um público fiel que esgotou o Coliseu de Lisboa. Sempre informal, sempre espontâneo, sempre a incentivar à festa (pediu ao público para se pôr de pé e ele acedeu, brincando com as queixas no livro de reclamações que tal pedido gerou na noite anterior, no Coliseu do Porto) e com um palco cuidado onde as projecções de vídeo tão adoradas pelo músico foram uma constante, Paulo Furtado deu um concerto memorável, naquela que custa a chamar de noite de consagração apenas porque, com tanto talento e uma carreira que não é curta, uma noite que merecesse tal designação já devia ter chegado antes. Quem já antes o tinha visto ao vivo já sabia, afinal de contas, o que esperar no Coliseu: um grande concerto.
Antes do espectáculo propriamente dito, há que mencionar a primeira parte de Rita Braga. Voz cativante ainda que imperfeita, que canta versões de bom gosto de tais clássicos como Under the Moon ou Dream a Little Dream of Me. Competente, sem dúvida e acima de tudo com fortes pontos de contacto com o músico que se seguiria. Percebe-se o porquê da escolha de Paulo Furtado e foi sem dúvida uma primeira parte que criou bem o tom para o que viria a seguir.
E depois duma agradável primeira parte, lá entrou Tigerman em cena, perante uma chuva de aplausos. Guitarra em riste, ecrã gigante por trás numa cortina que iria subindo e descendo ao longo da noite, onde rapidamente surge Asia Argento projectada. My Stomach is the Most Violent of all of Italy abre na perfeição as hostes, com a voz de Argento a ecoar em conjunto com a de Tigerman numa bela canção saída de Femina. Ao final da canção, que proporcionou um belo início, sobe a cortina e surge a bateria já tão conhecida dos fiéis e que em todos coloca um sorriso. Tigerman é one-man-show, é homem a tocar guitarra e bateria ao mesmo tempo, de óculos escuros e voz sussurrante, com aquele som directo e simultaneamente melódico, é ver em palco um homem como não há igual. O Homem Tigre senta-se e surge o primeiro clássico da noite: Walkin’ Downtown.
Grande momento, numa canção que ganha sempre com uma interpretação ao vivo exemplar, que joga tão bem com aquela hesitação no refrão da música. Não tardou muito a chegar Naked Blues, outro clássico, que mais uma vez nos relembrou das belas canções e discos que Furtado já nos dá há uns bons anos. Das grandes canções da sua carreira, faltou apenas Route 66. De resto, estiveram lá todas, interpretadas com a alma de sempre (espectacular, o momento em que dedicou Radio & TV Blues à “merda de rádio e televisão que temos”).
O concerto foi alternando entre momentos a solo e claro, momentos com os convidados, ao longo de mais de duas horas sempre bem ritmados (impressionante, tendo em conta o número de convidados). A primeira a entrar foi logo Lisa Kekaula, que tem talvez a voz mais impressionante de todas as convidadas do disco, sempre com energia e estilo… e aquela voz, meu Deus, aquela voz. Não tardou a entrar Cláudia Efe, com um vestido esvoaçante e (claro) sensual, que com Honey, You’re Too Much proporcionou um dos melhores momentos da noite. Rita Redshoes entraria em palco para mostrar ser a que tem a maior cumplicidade com o músico; aqueles olhares durante Sister Ray, por exemplo, deram uma tensão enorme à interpretação de uma excelente música. E que surpresa que foi quando mais tarde surgiu à bateria, para ajudar Tigerman e Kekaula a tocar Jockey Full of Bourbon, grande canção de Tom Waits que aqui ganhou nova alma com esta baterista, a guitarra de Furtado e a voz de Kekaula.
A participação de Jim Diamond (guitarra) e Mick Collins (bateria) proporcionaram talvez o momento mais rock da noite, com o Homem Tigre a ir buscar Girlse Big Black Rusty Pussyboard (um dos seus melhores temas) ao baú. Duas pérolas para os devotos, que foram banhadas a ouro com aquele belo solo de guitarra de Diamond e as batidas que tão bem assentaram de Collins. Big Black Rusty Pussyboard, em particular, é simplesmente uma canção obrigatória em qualquer concerto de Legendary Tigerman, verdadeiramente espectacular.
E o que dizer da participação dos Dead Combo, que teve o ponto alto em Lusitânia Playboys, música do duo que Tigerman fez questão de levar ao Coliseu? Instrumentalmente perfeito, com a guitarra de Tó Trips e a guitarra de Furtado em diálogo absoluto. Foi um daqueles momentos em que se pensou “Que sorte tenho eu em estar a ver isto”, dada a oportunidade única que é a de ver estes nomes pesados a actuar em conjunto. Já se esperava que fosse tão bom, claro: os Dead Combo são dos projectos musicais de maior valor e qualidade dentro das nossas fronteiras (que concerto arrebatador, o que deram com a orquestra no São Jorge há uns meses) e Tigerman é Tigerman. Foi uma oportunidade única que valeria por si só a noite, a de os podermos ver a tocar juntos. Oportunidade que não desperdiçaram para criar um momento que nos ficará na memória. “O melhor duo de Lisboa”, bem disse Furtado. “E os mais bem-vestidos!”, acrescentou.
Antes do encore (que foi a grande surpresa da noite, mas já lá vamos), foi a vez de JD Nelassassin e DJ Ride entrarem em palco, juntamente com João Doce, dos Wraygunn. Furtado brincou dizendo que chamaria àquele grupo de Quatro e que gravariam quatro canções em quatro dias e que dariam quatro concertos, acabando de seguida. Com aquele resultado, até se espera que não seja a brincar. Quem diria que resultaria tão bem, aquela fusão dos DJs com aquela guitarra ríspida do protagonista da noite? Foi uma verdadeira frente sonora, energia pura e rítmica, que acabou em alta o set principal com Say Hey Hey.
E foi depois, no regresso ao palco, que viria a grande surpresa do espectáculo. O encore começou com o regresso de Argento ao ecrã gigante, para interpretar com Tigerman a lindíssima Life Ain’t Enough For You, single de apresentação de Femina que na altura tanto passou (merecidamente) pelas rádios. E no final deste bonito momento, Furtado apresentou, um a um, os membros dos Wraygunn, que foram entrando em palco para a grande surpresa da noite. Já nos esquecíamos da falta que fazem, da onda de energia que são, das saudades que tínhamos de os ver. Tocam a inevitável She’s a Go Go Dancerque incendiou, como esperado, o Coliseu e de seguida uma canção nova que estará no novo álbum. Mostraram estar na boa forma de sempre e a música nova que se ouviu deixou no ar a promessa de um belo novo álbum. Que voltem o mais depressa possível.
Tigerman e Wraygunn saem e só Tigerman volta a entrar, para um segundo encore com a música que pôe um ponto final na noite da mesma forma que o faz em Femina: com perfeição absoluta. True Love Will Find You In The Endde Daniel Johnston é, diga-se, muito provavelmente das mais bonitas canções alguma vez escritas e a voz de Furtado dá-lhe um sussurro com alma inesperado para quem antes não a tinha ouvido ao vivo. Canta-a na perfeição, após mais de duas horas de um concerto grandioso, com a cortina a levantar-se e as luzes lentamente a serem acesas em todo o Coliseu. Momento indescritivelmente poético e memorável, que acabou por ser o reflexo do próprio Tigerman que é, diga-se, duro por fora mas mole por dentro.
“Muito obrigado por me terem dado uma das melhores noites da minha vida”, diz perante uma ovação feita por um público que se menteve sempre de pé, chamando de seguida todos os convidados para a ele se juntarem numa vénia final. Com um Coliseu esgotado a seus pés, tornou-se óbvia a marca que Furtado já deixou (felizmente!) na nossa música. Sai do palco com um sorriso no rosto e o público abandona o Coliseu da mesma forma.
Grande concerto que foi o puro reflexo de um grande músico. Por mais de duas horas estivemos dentro do universo de Legendary Tigerman; ouvimos a sua música e a música que o influenciou (desde Tom Waits àquela excelente versão de These Boots Are Made For Walking, de Nancy Sinatra), tocada por si e pelos amigos de que tanto gosta e tanto admira. Noite de consagração? Não, noite de mera confirmação. Com os discos que já editou, com os concertos que já deu, o valor de Paulo Furtado já era inegável e a noite vivida foi apenas todo o seu talento em todo o seu esplendor.
O Coliseu esgotado foi um mero sinal de que, felizmente, ainda há muita gente a reconhecer e a gostar de um grande músico quando o ouve. Legendary Tigerman foi ao Coliseu, deu um concerto magnífico, ambicioso como só ele pode dar (tão bem pensado e executado como só Furtado se lembraria de fazer) e arrebatou enquanto deu a constatar um mero facto: a palavra Lendário não está ali só pelo estilo. É já uma mera característica. Dele e desta noite com que nos brindou.
Reportagem AS61 – Um tributo a António Sérgio – Lisboa
Jan 15th
Sem fronteiras, sempre com qualidade
António Sérgio é um daqueles nomes que viverá para sempre no legado que deixou para trás. Nas bandas que descobriu (Xutos & Pontapés, entre outros), na geração que marcou, nos amantes de música que criou. Símbolo de uma era em que se gravavam em cassete os programas de rádio, em que se juntava dinheiro para comprar aquele disco, em que só fazia música quem realmente tinha alma para a fazer e não quem tinha um computador e um programa de edição. Símbolo de um passado que já foi, mas que muito influenciou o presente.
A noite de homenagem que se viveu no São Jorge, num serão de concertos de todos os géneros e gerações, foi a melhor forma possível de o homenagear. Colocar aquelas bandas, umas jovens outras veteranas, umas dum género outras de outro, no mesmo palco foi a homenagem ideal para um homem que sempre lutou pela quebra de fronteiras entre géneros, que sempre lutou pelo direito à diferença. O que se viu não foi, afinal de contas, apenas uma noite de belos concertos (uns melhores que outros, claro): foi também o ideal de vida e a alma de um homem que deixou para sempre uma forte e feliz marca na vida musical do nosso país.
Foram, portanto, vários concertos, todos eles diferentes, todos eles bons à sua maneira. Seis bandas: Dead Combo, Os Golpes, Linda Martini, Peste e Sida, Moonspell e Xutos & Pontapés, com esta mesma ordem de entrada. Cerca de quatro horas de boa música, com o melhor do que se faz (ou já se fez) por cá no mesmo palco, num São Jorge previsivelmente esgotado.
Os primeiros foram, então os Dead Combo, que em apenas meia-hora (o tempo dado a cada banda) mostraram o porquê de serem hoje em dia das bandas mais interessantes por cá. Numa selecção óptima, tocaram um alinhamento consistente e que representa todo o seu estilo. Começaram com uma cover fenomenal, feita de propósito para aquela noite, de I Feel Love, de Donna Summer, e de seguida continuaram passando por tais temas como Pacheco e a espectacular Temptation, de Tom Waits. No início, Tó Trips leu um lindíssimo texto da banda escrito de homenagem a António Sérgio, nome que seria evocado regularmente ao longo da noite. Deram meia-hora de excelente música, que certamente terá criado a curiosidade em quem antes não os conhecia, e saíram do palco com o dever mais que cumprido. Fenomenais, como sempre.
De seguida, vieram Os Golpes. Concerto agradável, mas longe de fazer jus ao que a banda é capaz. Quem já antes os tinha visto sabe bem que são capazes de muito, muito melhor, e o alinhamento em si não foi do melhor (faltaram canções do grande Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco). O novo disco parece bom, sem dúvida, e canções como A Brasileira ou Vá Lá Senhora resultam bem, mas estão bem longe daquilo que a banda é capaz. Foi bom, mas poderia ter sido muito melhor. Mesmo com tão pouco tempo…
Os Linda Martini foram os que entraram a seguir, e o que fizeram foi um pequeno milagre. Meia-hora de guitarras ao poder, com grande parte do público de pé após o apelo da banda para que abandonassem as cadeiras, com um rock como só eles conseguem fazer. Num alinhamento que se ficou pelo último álbum, Casa Ocupada, a banda provou o quão bem resultam ao vivo as novas canções (algo que não deverá ter surpreendido quem os viu num dos últimos concertos que deram cá na capital). Conseguiram em pouco tempo criar uma onda de energia que varreu o São Jorge, com canções como Juventude Sónica (épica) ou Nós os Outros a fazer tremer (literalmente) as cadeiras da sala. Terminaram com uma grande cover de Sémen, a canção intemporal dos Xutos & Pontapés, que mais tarde voltaria a ser ouvida, com um São Jorge de pé em estado transcendente. Grandes, como sempre.
Os Peste e Sida entraram a seguir, naquele que foi nada mais nada menos que um puro regresso ao passado. Num alinhamento maioritariamente de clássicos, todos os quarentões da sala e não só levantaram-se para saudar a banda que marcou uma geração de ouvintes. Punk-rock puro, como raramente se fez por cá, tocado por um grupo que ainda está em forma. Canções como Chuta Chavalo e Vamos ao Trabalho (esta já dos anos noventa) são verdadeiros hinos, e quando o concerto terminou em pura apoteose com a grande Sol da Caparica (claro!), o impacto que a banda teve e o legado que tem tornou-se inegável. Belo concerto, tanto para os mais velhos como para os mais novos.
Os Moonspell, banda que se seguiu, já não têm nada a provar a ninguém. Atingiram já sucesso internacional, são dentro do género das maiores bandas da nossa história, e no São Jorge confirmaram bem toda essa energia e qualidade. Puro metal, com headbanging da banda e dos presentes, com aquele tão usado símbolo feito pelas mãos no ar, num concerto curto mas energético. Fernando Ribeiro tem carisma, e fala com uma sabedoria inegável, quer se goste quer não. Quando falou da forma como esta noite se barreiras, com tantos géneros representados numa única noite, era a melhor forma de homenagear António Sérgio, foi impossível não concordar. Terminaram com Alma Mater, dedicada ao guru da rádio que infelizmente nos deixou, e no final fica-se com vontade de ouvir mais. Quer se goste quer não, como eles por cá não há mais ninguém.
De seguida veio a última banda, o grande nome da noite e de todo o rock do passado, presente e futuro da música nacional, e a noite foi deles. Os Xutos & Pontapés, que estiveram em palco esta noite não foram os Xutos domados e comerciais que hoje em dia enchem estádios; foram os Xutos dos anos 80, com alma e garra, que António Sérgio descobriu. Pegaram em 78/82, espantoso (não há outra palavra) primeiro disco da banda, e interpretaram alguns dos seus maiores temas (que, simplesmente, hoje em dia já não tocam), com outros grandes clássicos dessa época de irreverência e testosterona.
Nada de casinhas, nada de contentores, nada de corações que se partem. Os Xutos que ali estiveram foram os de há décadas atrás; e os Xutos de há decadas atrás foram, simplesmente, os maiores. Começaram com Som da Frente e Esquadrão, grandes canções que foram um verdadeiro luxo de ouvir. Estilo energético, letras audazes e atrevidas, rock em todo o seu esplendor. 1º de Agosto não tardou a vir, e foi simplesmente um momento único. E quando pouco depois pegaram no seu primeiro álbum, foi como se subitamente os Xutos do passado tivessem regressado. O que dizer de canções como Viuvinha ou Dantes? Ou a grandiosa Mãe, provavelmente das melhores canções alguma vez feita em toda a nossa música? Ou a épica e arrebatadora Avé Maria, que ainda (muito) ocasionalmente tocam em concertos? Foi um concerto que certamente ficará na memória dos que ali estiveram, dos que tiveram o luxo e a sorte de ver a banda a tocar ao vivo mais uma vez os seus melhores temas que, infelizmente, hoje em dia estão renegados, postos de lado perante êxitos como Contentoresou Ai Se Ele Cai. Foi provavelmente a primeira e última vez que muitos ouviram aquelas canções ao vivo, e foi nada abaixo de memorável.
Por uma noite, os Xutos & Pontapés do passado regressaram. E provaram porque é que foram dos melhores de sempre. Sémen, claro, foi a canção que pôs um ponto final na noite, e não o poderia ter feito de melhor forma. Quando sairam do palco, ficou-se com a certeza de ter estado presente num evento único, num regresso a um passado glorioso de uma banda que já foi gloriosa. A noite foi deles, tal como já foi todo o nosso rock.
Seis concertos, todos eles bons ainda que curtos, um deles verdadeiramente único e memorável. António Sérgio pode já nos ter deixado, mas o seu legado está mais que vivo.
O que se viu em palco foi do melhor que se faz (ou do que se fez) em música portuguesa, e um sinal do impacto que o radialista deixou. Seis boas bandas, seis bons concertos que, sem ele, provavelmente não teriam existido.
O homem deixou-nos, mas a sua obra continua. Se assim não fosse, sabe-se lá o que seria de nós e da música que fazemos.
Festival Sons de Vez 2011 – Cartaz Completo
Jan 10th
A organização do Festival Sons de Vez deu a conhecer o cartaz final desta 9ª edição. De Fevereiro até Março irão decorrer no Auditório da Casa das Artes em Arcos de Valdevez pelas 23 horas os seguintes concertos: Linda Martini, Dealema, Nuno Prata, Long Way to Alaska, David Fonseca, Dead Combo, Tiguana Bibles e Mazgani.
O Festival Sons de Vez 2011, inicia-se com Linda Martini e o recente trabalho dos mesmos "Casa Ocupada" no dia 5 de Fevereiro. A 12 de Fevereiro, os sons de hip-hop invadem o Auditório da Casa das Artes com Dealema.
Nuno Prata actua no dia 18 de Fevereiro. Os Long Way to Alaska, que abriram o 2º dia do palco principal do Festival Milhões de Festa do ano de 2010, actuam agora no dia 25 de Fevereiro, fechando assim a panóplia de concertos desse mês.
David Fonseca vai actuar no dia 5 de Março, levando consigo todos os seus exitos e certamente o mais recente single "U Know Who I Am". A 12 de Março, podemos também contar com a actuação de Dead Combo e Tiguana Bibles a 18 de Março.
A encerrar a edição deste ano, a banda de Shahryar Mazgani actua no dia 25 de Março.
Uma mostra digna do que de melhor se faz por cá.


















