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Reportagem The Australian Pink Floyd
Feb 19th
Noite de nostalgia e saudosismo em Lisboa, com o Campo Pequeno lotado, e apenas com lugares sentados.
É certo que esta não é a banda que deu nome ao rock progressivo, e que inspirou gerações, mas a possibilidade de saborear um pouco daquilo que os britânicos deram à música. Qualidade de som acima da média e reproduções fiéis dos maiores êxitos do colectivo de Cambridge foram as principais armas dos australianos. Ainda não havia ninguém em cima do palco e numa forma circular surgia projectado um video no qual o público poderia saber que album ia ser recordado. Inicio de luxo com as quatro primeiras faixas de The Dark Side Of The Moon e Shine On Crazy Diamond(Part I-V).
Com muitas luzes e lasers à mistura, os Australian Pink Floyd foram encantando uma multidão entusiasta, participativa com palmas e coro.
Welcome To The Machine, Another Brick In The Wall, entre outras fizeram as delicias dos lisboetas, mas o momento alto da noite viria a ser Wish You Were Here. O público português quase conseguiu calar Steve Mac e companhia, cantando o clássico com toda a força.
Após muito tempo sem se dirigirem ao público (exceptuando os agradecimentos habituais), os Australian Pink Floyd mostraram-se muito satisfeitos com
o público e abandonaram o palco, regressando pouco depois para encore duplo. Primeiro encore reservou a esperada Comfortably Numb, com um javali insuflável e de olhos vermelhos a surgir na lateral do palco.
Aplausos longos, fortes e sentidos nos quais plateia, bancadas e galerias viram as cadeira inutilizadas, quando já toda a gente acreditava que o concerto tinha terminado. A verdade é que já muitas pessoas tinham abandonado o recinto e os Australian Pink Floyd brindaram uma última vez ao público português, com Run Like Hell.
Reportagem Três Cantos @ Coliseu do Porto
Nov 5th
Depois de duas noites completamente esgotadas no Campo Pequeno em Lisboa, foi a vez de os "Três Cantos" chegarem ao Coliseu do Porto para dois concertos igualmente esgotados. E foi assim, num ambiente de enorme expectativa que se aproximou a hora de apagarem as luzes da sala e por momentos se sentir no silêncio da sala uma inquietação prestes a ser saciada.
Os 22 músicos que os acompanham nesta aventura entram em palco e começa "Guerra e Paz", de Sérgio Godinho. É então chegada a hora de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias entrarem juntos e cada um anunciar a sua chegada recebida em plena apoteose. Muita emoção num público sedento de boa Música Portuguesa e para quem este concerto tinha logo à partida um significado muito especial pela força da reunião dos três mestres, também eles emocionados.
Emoção foi aliás uma das palavra-chaves deste concerto que há já muitos anos tinham vontade de realizar e que desde Maio prepararam com todo o cuidado este espectáculo único. Todo este tempo de preparação resultou numa actuação coesa em que os espaços deixados para os momentos a solo de cada um dos protagonistas ou para os duetos não fossem de forma nenhuma sentidos como forçados. O próprio alinhamento foi capaz de conduzir o público por uma viagem inevitavelmente saudosista, mas de forma nenhuma preso num passado distante, muito pelo contrário, pretende-se deste encontro revisitar o passado sim, mas sempre de olhos postos no que há-de vir.
Zé Mário é o primeiro a ficar sozinho e a dirigir-se ao público, salientando a unidade da diferença de cada um e deixando o aviso "contem com isto de nós, para cantar e para o resto". Pouco depois era Fausto a pedir atenção à actualidade de temas escritos há já alguns anos mas que parecem fazer cada vez mais sentido, como por exemplo "Eis Aqui o Agiota". Por fim, Sérgio Godinho, protagonizou um dos momentos da noite com "O Primeiro Dia" na voz de um Coliseu repleto.
Ao contrário do que muitos esperariam, o público não era de forma nenhuma homogéneo. Não eram pessoas de meia-idade, que ali procuravam o reviver de tempos onde o termo "intervenção" aparecia ligado a estes autores, fosse pelas suas composições ou pelas suas acções. Muita gente jovem, de idade e de espírito encheu o coliseu e de todas as idades, de todas as motivações e das mais variadas expectativas, o Coliseu ganhou uma voz uníssona em quase todas as músicas. Temas como "Cuidado Com as Imitações", "Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades", "Maré Alta", "Inquietação", "Adeus Orelhas de Abano", "Que Força é Essa", "Se tu fores ver o mar (Rosalinda)", "Onofre", "A Nova Brigada dos Coronéis" e "Ser Solidário" fizeram as delícias de um público que no fim, comentando a falta deste ou daquele tema que gostava de ter ouvido, se mostrava satisfeito e nada desiludido.
E não podia de facto estar desiludido. Momentos como "Não Canto Porque Sonho", cantada numa magnifica versão a 3 vozes, fazendo inevitavelmente lembrar a já de si belíssima versão gravada com Fausto e Zeca Afonso em 1974. Zeca que "não podia deixar de estar presente" numa homenagem com a interpretação de "De Não Saber o que me Espera" num dos momentos a trio.
Houve ainda espaço para um prometido inédito intitulado "Faz Parte" ou se preferirmos "O Retorno das Audácias". Ainda a 3 vozes, ouvimos "Charlatão" com Fausto a protagonizar um momento divertido, demonstrando a sua alegria de vitória sobre o kazoo que mostrou já praticamente dominar (ou mais ou menos).
Para terminar, e porque tinha mesmo que acabar, tivemos direito a dois encores, o último dos quais com todos os músicos na frente de palco de bombos, adufes e baquetas para uma interpretação de "Na ponta do cabo" que fechou definitivamente a noite.
Foi uma noite mágica, carregada de emoção e que certamente ficará na memória de todos os presentes. Para ajudar a manter essa memória viva foi gravado um DVD e CD que já pode ser comprado em pré-venda na FNAC e estará disponível a partir de 10 de Dezembro.
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Se dúvidas houvesse, a música e os músicos portugueses têm público e estarão cá ainda por muito tempo "para cantar e para o resto".
Reportagem Três Cantos @ Coliseu do Porto
Nov 5th
Depois de duas noites completamente esgotadas no Campo Pequeno em Lisboa, foi a vez de os "Três Cantos" chegarem ao Coliseu do Porto para dois concertos igualmente esgotados. E foi assim, num ambiente de enorme expectativa que se aproximou a hora de apagarem as luzes da sala e por momentos se sentir no silêncio da sala uma inquietação prestes a ser saciada.
Os 22 músicos que os acompanham nesta aventura entram em palco e começa "Guerra e Paz", de Sérgio Godinho. É então chegada a hora de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias entrarem juntos e cada um anunciar a sua chegada recebida em plena apoteose. Muita emoção num público sedento de boa Música Portuguesa e para quem este concerto tinha logo à partida um significado muito especial pela força da reunião dos três mestres, também eles emocionados.
Emoção foi aliás uma das palavra-chaves deste concerto que há já muitos anos tinham vontade de realizar e que desde Maio prepararam com todo o cuidado este espectáculo único. Todo este tempo de preparação resultou numa actuação coesa em que os espaços deixados para os momentos a solo de cada um dos protagonistas ou para os duetos não fossem de forma nenhuma sentidos como forçados. O próprio alinhamento foi capaz de conduzir o público por uma viagem inevitavelmente saudosista, mas de forma nenhuma preso num passado distante, muito pelo contrário, pretende-se deste encontro revisitar o passado sim, mas sempre de olhos postos no que há-de vir.
Zé Mário é o primeiro a ficar sozinho e a dirigir-se ao público, salientando a unidade da diferença de cada um e deixando o aviso "contem com isto de nós, para cantar e para o resto". Pouco depois era Fausto a pedir atenção à actualidade de temas escritos há já alguns anos mas que parecem fazer cada vez mais sentido, como por exemplo "Eis Aqui o Agiota". Por fim, Sérgio Godinho, protagonizou um dos momentos da noite com "O Primeiro Dia" na voz de um Coliseu repleto.
Ao contrário do que muitos esperariam, o público não era de forma nenhuma homogéneo. Não eram pessoas de meia-idade, que ali procuravam o reviver de tempos onde o termo "intervenção" aparecia ligado a estes autores, fosse pelas suas composições ou pelas suas acções. Muita gente jovem, de idade e de espírito encheu o coliseu e de todas as idades, de todas as motivações e das mais variadas expectativas, o Coliseu ganhou uma voz uníssona em quase todas as músicas. Temas como "Cuidado Com as Imitações", "Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades", "Maré Alta", "Inquietação", "Adeus Orelhas de Abano", "Que Força é Essa", "Se tu fores ver o mar (Rosalinda)", "Onofre", "A Nova Brigada dos Coronéis" e "Ser Solidário" fizeram as delícias de um público que no fim, comentando a falta deste ou daquele tema que gostava de ter ouvido, se mostrava satisfeito e nada desiludido.
E não podia de facto estar desiludido. Momentos como "Não Canto Porque Sonho", cantada numa magnifica versão a 3 vozes, fazendo inevitavelmente lembrar a já de si belíssima versão gravada com Fausto e Zeca Afonso em 1974. Zeca que "não podia deixar de estar presente" numa homenagem com a interpretação de "De Não Saber o que me Espera" num dos momentos a trio.
Houve ainda espaço para um prometido inédito intitulado "Faz Parte" ou se preferirmos "O Retorno das Audácias". Ainda a 3 vozes, ouvimos "Charlatão" com Fausto a protagonizar um momento divertido, demonstrando a sua alegria de vitória sobre o kazoo que mostrou já praticamente dominar (ou mais ou menos).
Para terminar, e porque tinha mesmo que acabar, tivemos direito a dois encores, o último dos quais com todos os músicos na frente de palco de bombos, adufes e baquetas para uma interpretação de "Na ponta do cabo" que fechou definitivamente a noite.
Foi uma noite mágica, carregada de emoção e que certamente ficará na memória de todos os presentes. Para ajudar a manter essa memória viva foi gravado um DVD e CD que já pode ser comprado em pré-venda na FNAC e estará disponível a partir de 10 de Dezembro.
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Se dúvidas houvesse, a música e os músicos portugueses têm público e estarão cá ainda por muito tempo "para cantar e para o resto".
Review Jazz em Agosto
Aug 10th
O Jazz em Agosto é daqueles eventos incomparáveis por mais que tentemos. Os artistas de renome internacional, o espaço da Fundação Calouste Gulbenkian e o sabor musico-cultural que nos aguça o paladar auditivo assim que chegamos a um concerto deste evento é sem dúvida inigualável.
Chegamos cedo à entrada da Gulbenkian e a fila já era longa. Não que se tenha notado muito porque a entrada foi simples, rápida e organizada, escoando os presentes para as cadeiras do Anfiteatro numa questão de minutos. Chegar cedo a este local é sem dúvida um privilégio. A movimentação das pessoas na busca do melhor lugar possível, a vegetação circundante e a iluminação do palco ainda vazio, criam um ambiente invulgarmente íntimo.
O dia 06 de Agosto apresentou-nos o concerto de Dave Douglas & Brass Ecstasy. Pouco depois das 21h30, hora definida no programa para o início do espectáculo, os músicos entram em palco e não perdendo tempo algum, começam de imediato a deixar o Anfiteatro da Gulbenkian com os olhos e ouvidos presos ao palco. Estive durante todo o dia a ouvir jazz de forma a chegar ao Jardins da Gulbenkian com os meus ouvidos treinados e o ultimo álbum que ouvi, foi precisamente de Dave Douglas. O início deste concerto parecia tudo menos o que eu tinha ouvido poucas horas antes. O primeiro tema que Douglas ofereceu ao público teve inicio com um swing totalmente soul que fez com que muitas pessoas começassem de imediato a bater o pé. Com o desenrolar do tema ia-mos notando cada vez mais um aproximar ao que se ouve deste compositor em álbum. De uma forma repentina, o bater de pé do comum mortal começa a ficar descoordenado com a velocidade rítmica que estes músicos imprimem em algumas das suas peças.
Douglas e os Brass Ecstasy funcionam de tal forma em equipa que a dada altura, devido ao vento que se fazia sentir nesta noite, houve um trabalho de grupo em busca de partituras que teimavam em voar como que a fugir do palco com medo da multidão. Estamos de qualquer forma a falar de uma banda fantástica com elementos que até na aparência mostram que são músico de jazz. Vincent Chancey, homem da trompa, parecia que tinha acabado de sair de um bar de jazz norte-americano ainda nos anos 50, ou o próprio Dave Douglas. Douglas é sem dúvida uma figura incontornável do jazz internacional, e consegue coordenar os restantes músicos quando estes já estão de tal forma livres a tocar que alguém tem que dizer “basta” ou então o mesmo tema duraria até que todos se fartassem de estar naquela espécie de transe musical improvisado. Como em qualquer equipa aqui sentimo-nos no dever de dar destaque a um elemento em especial. Nasheet Waits, baterista do colectivo, é inquestionavelmente um músico excelente, mas não corremos risco nenhum em dizer o que ele realmente é, um fora de série. Waits teve momentos de liberdade tal que chegou a parecer que estava em sua casa sozinho simplesmente a tocar sem qualquer pressão ou preconceito.
Tecnicamente perfeito e com uma destreza rítmica que o separou sem margem para dúvidas dos restantes membros, não tirando qualidade a nenhum deles. Como qualquer fora de série Nasheet Waits revelou ser, ele sim, merecedor de uma transferência superior a 95 milhões de euros no mundo do jazz. Juntamente com Waits outro destaque deve ir para o tubista Marcus Rojas. Depois de ter ficado sem a sua tuba que ficou retida no aeroporto de Munique, Rojas a tocar com uma tuba emprestada, mostrou que quem sabe não tem preferências sobre o instrumento que lhe cai nas mãos e toca o que sabe com o que pode. Quando uma tuba preenche na perfeição a secção rítmica de uma banda podemos dizer que o propósito está cumprido, mas quando esta tuba nos brinda com rasgos sonoros a fazer lembrar, baixo, contrabaixo ou até dijiridoo (instrumento tribal australiano) tem que ser destacada.
Se a tudo isto juntarmos as dezenas e dezenas de cabeças fixas no sentido do palco sem emitir um som ou fazer um gesto, as fotos que respeitaram o pedido inicial da não utilização de flash ou os telemóveis que em nenhuma altura se ouviram, de forma a não distrair os músicos, temos o prazer de dizer que tivemos na presença de um concerto fabuloso e cheio de significado sobre o que é o jazz e as sensações que nos provoca. Podemos simplesmente concluir com o seguinte: um final de concerto com os 5 elementos a agradecer uma ovação de pé de quase todas as pessoas presentes na Gulbenkian. Para recordar.
Sexta-feira dia 7 de Agosto tivemos um dia repleto de experimentalismo. Penso que é justo dizermos que no jazz há experimentalismo e experimentalismo. Um músico de jazz da qualidade dos que vimos neste festival, a dada altura da sua carreira não consegue ficar unicamente pelas “simples” notas, escalas e tudo aquilo que lhe é ensinado durante os anos de instrução. Este músicos chegam a uma altura das suas carreiras e têm que pensar que há algo mais para criar do que aquilo que aprenderam. É nesse momento que se definem os mestres do jazz. Com esse objectivo o experimentalismo não só é (bem) aceite como bem-vindo.
Buffalo Collision foi a banda que nos deu o que analisar no palco do Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Calouste Gulbenkian neste dia de 7 de Agosto. Experiência atrás de experiência, o concerto de Tim Berne e seus pares pecou unicamente pelo excesso. Poucos foram os momentos em que se sentiu a banda actuar como um todo e a singularidade foi sobressaindo ao longo da actuação. Individualidades algo impressionantes como o violoncelista Hank Roberts que parece descobrir novos sons no violoncelo a cada segundo que passa. Roberts fosse a tocar com arco, com os dedos ou utilizando os pedais de efeitos que tinha ao seu dispor no chão, desencantou sons de um violoncelo que alguns músicos mais conservadores de jazz teriam classificado como pecado. Facto é que funcionou e Roberts foi dando um toque de equilíbrio aos Buffalo Collision. De assinalar também o baterista Dave King que só pela expressão corporal ganha um espaço de destaque. Num estilo misto entre o tosco e a constante procura de sons diferentes, Dave King foi abafando o som estridentes dos pratos, fez uso de contratempos inesperados e mostrou o porquê de pertencer a este projecto.
Chegamos a Domingo dia 9 e à actuação final do Jazz em Agosto com Bill Dixon e a Exploding Star Orchestra. Voltando um pouco ao dia anterior este apontamento tem que ser feito. Quem disse um dia que o jazz experimental é somente entendido pelos apaixonados, pelos técnicos e pelos próprios músicos enganou-se. Dixon, ainda que seja uma figura com peso no mundo do jazz é alguém que já não demonstra o vigor de outras épocas é claro. Estamos a falar de um trompetista com 84 anos que mantém a presença mas deixa as despesas musicais para a Orquestra que o acompanha. Note-se que não estamos a falar de um trio, quarteto nem sequer de uma Big Band, estamos a falar de uma Orquestra que tem momentos de experimentalismo hipnóticos que culminam ao fim de alguns minutos numa convergência total em uníssono e totalmente enquadrados como se estivessem a tocar o mesmo tema há horas. Vimos muito daquilo que pode ser feito com uma banda desta craveira. Não só pelos solos de alguns dos músicos do colectivo mas também por algumas vozes que se iam ouvindo da parte de Nicole Mitchell, dona da flauta transversal e de Damon Locks que nos mostra que a poesia é conjugável com o jazz. Num recital de palavras com histórias do submundo do boxe por alturas de Cassius Clay, Locks leva-nos numa viagem no tempo em breves instantes só por intermédio das suas palavras. Mostra de igual forma ao público que um rasgo de groove intenso da Exploding Star Orchestra pode ser aproveitado para um momento de diversão, dançando vibrantemente com os sons que por ali se iam ouvindo. Temos também que colocar uma luz sobre a cabeça de Jason Adasewicz que aos comandos do vibrafone foi debitando sons que não só preenchiam muitas das músicas como em algumas alturas lhes dava significado. Como se não bastasse, também integrou a precursão a dada altura, quando já existiam dois bateristas e um percussionista, e conseguiu dar mais um toque de ritmo sem nunca destoar.
Numa análise global a este concerto podemos seguramente dizer que Dixon, dá origem a um projecto com músicos fabulosos e que a sua presença e os seus dotes de compositor fazem a diferença, mas temos que ser justos e dar destaque aos outros doze elementos que se encontravam em palco coordenados pelo trompetista e também compositor Rob Mazurek que nos proporcionaram um final de luxo neste Jazz em Agosto 2009.
Mais uma vez os olhos dos espectadores presentes no Anfiteatro da Gulbenkian estiveram fixos no palco de forma constante. Ainda que não possamos dizer que a ovação foi igual à que Dave Douglas e os Brass Ecstasy tiveram direito, podemos seguramente dizer, que houve pessoas de pé a aplaudir Dixon e seus pares e os comentários de agrado à saída não se fizeram esperar, e passamos a citar: “muito bom, espectáculos assim deviam acontecer mais vezes não só nestes eventos”. Concordamos e gostaríamos de ver mais artistas desta qualidade, mas o facto de estarmos um ano a aguardar um evento destes faz com que o Jazz em Agosto continue a ser um acontecimento ímpar.
Texto: Bruno Farinha
Reportagem Marés Vivas 2009 (3º Dia)
Jul 20th
Entretanto, já eram muitas as pessoa que se juntavam no Palco Principal à espera dos concertos da noite com o cartaz mais consistente desta edição do Marés Vivas, que se comprovou pela extraordinária plateia que assistiu e vibrou com todos os concertos.
Primeiro Gabriela Cilmi, que com alguns problemas técnicos rapidamente resolvidos, correspondeu ao que a trouxe à margem do rio Douro. Foi uma actuação simples mas nem por isso menos boa, como aliás o muito público o fez sentir cantando e acompanhando a cantora durante todo o concerto.
Para dar continuação aos concertos, era agora a vez de Colbie Caillat que sem grandes extravagâncias, simples e simpática, fez algumas confidências sobre o medo que tinha dos palcos e das multidões. Conquistou o público não só com as músicas que todos esperavam ouvir como “Realize" ou "Oxygen”, mas muito também graças à grande interacção e cumplicidade entre a banda e o público. Já no final, um dos momentos do concerto, com o público a assumir o papel principal numa versão de "Killing Me Softly". O público estava já rendido e a noite ainda ia a meio!
E foi com o público já completamente embalado e extasiado que Jason Mraz entrou em palco e apresentou um espectáculo que fez vibrar a multidão que enchia completamente o recinto. Com uma sonoridade simples e cativante, não só não desiludiu o público como o levou a um nível de histeria ao som de “I’m Yours” deixando todos deliciados e a dançar ao seu ritmo.
Para fechar a edição de 2009 do Festival Marés Vivas, os Keane subiram a palco, para brindar o público com um grande espectáculo que certamente superou as expectativas de muitos dos presentes e onde não faltaram temas como “Crystal Ball”, “Nothing In My Way”, e “You Don’t See Me” que dedicou a todos os presentes. No último encore, “Under Pressure”, dos Queen, fez as delícias do público que certamente terá vontade de voltar para a edição de 2010 deste festival com uma vista privilegiada sobre a cidade do Porto.
De referir ainda, de igual importância, a acção social deste festival que se juntou à Associação Inês Botelho, que se dedica ao acompanhamento e apoio a crianças com leucemia e seus familiares e amigos. O Hard Rock Café ofereceu a guitarra, a Porto Eventos fez com que fosse assinada por todos os artistas presentes no festival para que seja leiloada e todo o dinheiro conseguido possa reverter para a ajuda na promoção da qualidade de vida de muitas crianças.
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