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Posts tagged Super Bock Super Rock
Incubus no Super Bock Super Rock 2012
Feb 8th

Depois dos norte-americanos Incubus anunciarem, através do seu site oficial, que vão passar por Portugal este ano chega a confirmação por parte da organização do Festival Super Bock Super Rock.
A banda de Brandon Boyd vai actuar no Meco a 5 de Julho, actuação inserida na sua tour europeia.
O grupo vem ao nosso país apresentar o seu mais recente trabalho "If Not Now, When".
O Super Bock Super Rock realiza-se nos dias 5, 6 e 7 de julho.
A juntar a Incubus o festival conta já com as de Pete Doherty, Battles, Apparat a 5 de julho, The Horrors no dia 6 de julho e Little Dragon no dia 7 de julho.
Os bilhetes custam 45 Euros o bilhete diário e o passe de 3 dias (com campismo incluído desde o dia 4 de julho) 80 Euros e já se encontram à venda.
The Kooks no Optimus Alive!
Feb 7th
Os britânicos The Kooks não são novidade ao Passeio Marítimo de Algés. Se da última vez era Konk o ponto de foco, com Junk of the Heart, já mostrado no passado Super Bock Super Rock, espera-se um concerto bem diferente da sua última passagem pelo Optimus Alive!.
A actuação está marcada para o último dia do festival.
O Festival Optimus Alive 2012 realiza-se nos dias 13, 14 e 15 de Julho de 2012 em Oeiras, no Passeio Marítimo de Algés. O pack Fã está à venda nas lojas Fnac por 50 Euros (Bilhete 1 dia) ou 99 Euros (Passe 3 dias)
Cartaz Optimus Alive 2012
Primeiros nomes para o Festival Super Bock Super Rock
Feb 6th

Depois de termos avançado as datas do festival Super Bock Super Rock para os dias 5, 6 e 7 de julho bem como o nome Apparat chegaram agora novidades pela organização do festival para o Super Bock Super Rock 2012.
Os nomes anunciados são: Pete Doherty, Battles, Apparat a 5 de julho, The Horrors no dia 6 de julho e Little Dragon no dia 7 de julho.
O Festival decorre na Herdade do Cabeço da Flauta - praia do Meco (Sesimbra) e esta é a sua 18ª edição.
Os bilhetes custam 45 Euros o bilhete diário e o passe de 3 dias (com campismo incluído desde o dia 4 de julho) 80 Euros e já se encontram à venda.
The Stone Roses no Optimus Alive 2012
Dec 14th
O regresso dos The Stone Roses foi, sem dúvida, um respirar de alívio para os fãs do género. Ian Brown veio recordar o país no passado Super Bock Super Rock, mas é com o seu quarteto, nascido nos anos 80 que sobe ao palco do Optimus Alive!12 no dia 13 de Julho. O anúncio foi feito pela banda através das suas redes oficiais
Será uma actuação inevitavelmente cheia de clássicos.
O Festival Optimus Alive 2012 realiza-se nos dias 13, 14 e 15 de Julho de 2012 em Oeiras, no Passeio Marítimo de Algés.
Cartaz Optimus Alive 2012
Reportagem Festival Paredes de Coura 2011
Aug 26th
Há magia em Paredes de Coura. Há magia no parque de campismo (que só fica atrás do do Milhões de Festa), com a sua paisagem e o seu rio; há magia na vila, que fica não muito longe, perfeita para almoçar e relaxar um pouco (e tem piscina municipal e tudo); e há, claro, muita magia nos palcos, naquele que foi, de todos os festivais principais (Delta Tejo, Optimus Alive, Super Bock Super Rock, Sudoeste TMN e Milhões de Festa) o que teve, no geral, os melhores concertos, onde poucos desiludiram.
Após ter feito o percurso de festivais, haveria melhor forma de terminar que não esta? Paredes de Coura foi, pelo menos este ano, efectivamente o melhor festival. Organização exemplar (poucas filas, concertos com poucos ou nenhuns atrasos, etc), e dias com alinhamentos bem pensados e fortes. Acredito que possam ter havido roubos, contudo não vi ninguém a queixar-se, e até mesmo o último dia (onde costuma ser mais fácil entrar no campismo) teve segurança. Enchentes? Não houve.
Parece que cerca de mais de vinte mil visitaram diariamente o festival e o recinto aguentou com todos na perfeição. As filas para comer ou ir à casa-de-banho nunca eram exageradas e era sempre possível ver os concertos no palco principal (que se localiza ao fundo de uma colina, proporcionando tanto uma visão privilegiada como um som espectacular) ou de pé ou sentado, tal como era fácil chegar bem perto do palco em qualquer altura. Afinal de contas, em que outro festival é que poderia ter chegado à segunda fila quinze minutos antes do início de Pulp?
Foram dias de concertos, foram dias de férias, foram dias em que se vivem e se guardam memórias para os anos vindouros. Se um festival quer, efectivamente, ser bem-sucedido, Paredes é o modelo a seguir. Em termos de ambiente, é apenas comparável ao Milhões de Festa; em termos de concertos e da forma como estes podem ser vistos (e das condições com que isso acontece), mais ninguém chega lá perto. Organização exemplar, num festival que foi, afinal de contas, uma verdadeira experiência.
Showcase da Lovers & Lollypops
Vale a pena falar do showcase da editora portuguesa que tem no seu catálogo nomes como, por exemplo, os grandes Black Bombaim, e que decorreu um dia antes do início propriamente dito do festival. Em palco (o secundáro) iriam estar os já mencionados Black Bombaim, e ainda os Larkin e Mr. Miyagi.
O público era já algum, algo que se esperava tendo em conta que já há mais de uma semana que era possível ir para o parque de campismo, e parte dele obviamente conhecedor do que aí vinha. É bom ver este pequeno culto a pequenas bandas nacionais, que merecem uma maior divulgação e iniciativas destas, que lhes permitem chegar a mais público. Tendo em conta que muitos estavam já a acampar há vários dias (efectivamente, quem chegasse neste dia não arranjaria lugar facilmente), fazer este pré-aquecimento foi uma belíssima ideia.
E se é verdade que nem os Larkin nem os Mr. Miyagi impressionaram particularmente, já os Black Bombaim deram um concerto notável do início ao fim, impressionante pela energia daquele stoner tão rock que estica as canções até ao infinito, transformando-as em ondas de som que vão envolvendo e, eventualmente, rebentando. Guitarra, baixo e bateria em comunhão perfeita (e que potente que vai ficando a bateria, ao longo de cada canção), e um concerto que envergonha muitos cabeças-de-cartaz que passaram por outros festivais. Nunca abriram a boca (é música instrumental, afinal de contas), e nunca precisaram de o fazer: o baixo e a guitarra diziam mais que o necessário. Agora é rezar para que cresçam e conquistem o mundo.
Os Larkin praticam um rock curioso, bem pensado, feito e, ao vivo, tocado, mas pecam, acima de tudo, por um factor que acaba por minar, em muito, os concertos do grupo: a voz do vocalista. É verdade que canta com atitude, e é de louvar a entrega e a forma como demonstra tão honestamente o quanto está a gostar de estar em palco, mas ao ouvi-lo a falar e depois a cantar fica-se com a impressão de que tenta manipular a voz para ser algo que não é. E, da forma que o faz, acaba por soar genérico e por vezes irritante. Custa dizer isto sobre uma banda jovem, ainda em crescimento, e na qual há, sem sombra de dúvida, talento em todos os membros (e custa dizer mal da voz de um vocalista que faz tudo desde atirar-se ao público a trepar colunas); mas é exactamente por essa mesma razão que se torna necessário reportar sobre esta falha. Afinal de contas, há ali muito potencial inexplorado e para tal é necessário que o vocalista tente, apenas, de mudar de registo. Resta esperar agora isso; que melhorem o que não é mau, mas que pode ser muito, muito melhor. Quem não ouviu o disco, que oiça.
Nos Mr. Miyagi, atitude é algo que não falta - mais um vocalista que se atira, e bem, ao público, e que até o insulta quando lhe roubam a fita que leva à cabeça - faria o mesmo. Mas tudo o resto soa a algo que já ouvimos milhares de vezes antes, e muito mais conexo e bem feito. Musicalmente, as músicas soam caóticas, sem propósito, mero barulho. Viu-se crowdsurfing, muitos saltos por parte do público, e muitos sorrisos; para muitos, foi uma festa. Para mim, nada mais foi que uma desilusão. Dão ocasionalmente vontade de bater o pé, mas não muito mais.
17 de Agosto – Recepção ao Campista:
Dia de Quarteto de Bolso, Omar Souleyman, Wild Beasts e, claro, Crystal Castles, os mais esperados da noite. O espaço do palco secundário era pouco para tanta gente, e era já uma grande multidão a que esperava os concertos ainda antes de Omar entrar em palco. Seria a primeira e última vez que haveria neste aspecto; o resto do recinto não estava ainda aberto nesta altura, por isso o espaço para circular era menor.
Omar Souleyman foi… bem, foi o Omar Souleyman. Um músico da Síria, com turbante e óculos escuros, que não fala inglês (teve alguém em palco a apresentá-lo no início do concerto e alguém a despedir-se por ele no fim), canta numa língua que ninguém percebe, mas que é uma figura tão caricata que acaba por ser tudo francamente divertido. A música, essa, é também bastante divertida, pop made in Síria, com ritmos energéticos que, ainda assim, acabam por se tornar repetitivos em alturas (o entusiasmo do concerto diminuiu a meio do concerto). Muitos saltos, muita festa, e o senhor Omar a interagir gritando “PORTUGAAAAALLL!”, batendo palmas de forma mecânica, e erguendo os braços no ar e mexendo as mãos como quem diz “Come on, show me what you’ve got”. Claro que não diz, porque só diz mesmo “PORTUGAAAAL!” e não sabe inglês, mas… Caricato, divertido e por vezes francamente cómico. Foi, portanto, uma bela festa.
Os Wild Beasts lançaram este ano o excelente Smother, e foi com esse pretexto que regressaram, mais uma vez, ao nosso país. O som podia ter estado melhor, mas isso em nada impediu o grupo de dar um concerto mais que sólido do início ao fim, com um alinhamento bem pensado e uma energia que contagiou do início ao fim. Além disso, havia genuidade nas palavras simpáticas que iam lançando ao público, dizendo que não esperavam ter tanta gente à sua espera. Hayden Thorpe tem uma voz excelente, profunda e com um timbre bastante único, e é bom ver que ao vivo impressiona tanto quanto em disco. O momento alto? Provavelmente "Hooting & Howling", o single que os lançou. Já está na altura de alguém os trazer cá a solo.
De seguida, vieram a dupla (que em palco é trio, com baterista), que todos queriam: os Crystal Castles. Presença assídua já no nosso país, e com um culto cada vez maior. Culto esse que muitos partilham, e tantos outros desprezam, compreensivelmente; afinal de contas, é música bastante única esta que nos trazem, electrónica diferente da maior parte do que se ouve por aí. Mas, em palco, torna-se inegável que, quer se goste quer não, há ali qualquer coisa de especial. Este concerto não se comparou ao espectacular dado no Coliseu, mas deu ainda assim para ver bem o talento da dupla. Alice Glass (que nome irónico, tendo em conta a energia e agressividade que demonstra em palco) não se atirou tanto ao público como seria de esperar, nem fez crowdsurfing, mas saltou e gritou como poucos fazem, e foi, mais uma vez, um concerto onde os moches e afins apareceram naturalmente. Tudo isso aliado a um bom jogo de luz e um parceiro que sabe bem o que faz (veja-se "Crimewave", que ao vivo é manuseada na perfeição nos teclados e afins, ganhando uma potência que não tem em disco), e tem-se um belo concerto, onde ficar quieto foi complicado.
Afinal de contas, tocar "Baptism" logo perto do início é mesmo pedir “Saltem como se não houvesse amanhã”, e terminar com "Yes No", já em encore (pouco mais de uma hora de concerto) é saber bem o que se faz. Já os vimos em melhor forma, mas Crystal Castles é Crystal Castles. São únicos em disco, únicos ao vivo, e quer se goste quer não, é impossível negar que há, de facto, ali qualquer coisa de especial.
18 de Agosto:
E aqui começou o festival a sério, com concertos nos dois palcos, o recinto todo aberto, e os grandes cabeças-de-cartaz que trouxeram tanta gente ao Norte (horas e horas de viagem a partir de Lisboa, Deus nos ajude). A grande atracção do dia eram, claro, os regressados Pulp, mas até lá seriam muitos os bons nomes que passariam pelos três palcos; afinal de contas, é preciso não esquecer o palco JN.
E é mesmo aí que começa o dia, com os The Kanguru Project. Rock agradável de uma banda a começar, num palco com esse mesmo propósito: mostrar ao público bandas novas. E os Kanguru Project são novos, ainda não sairam bem da bolsa, mas já conseguem saltar, e bem alto. Os membros tocam bem (boa coordenação entre todos, notando-se apenas algum nervosismo… normal, claro), e nunca caem no cliché nem se agarram a referências óbvias (rock normal e puro, sim, mas que não copia). Um concerto agradável de um projecto a acompanhar.
As coisas começaram mais a sério com os Crystal Stilts, no palco principal, e começaram bem. Toques de lo-fi num rock onde o baixo, acima de tudo, se assume como rei e senhor, e já algum público para os ver. Não há-de ter ficado na memória de ninguém, mas canções como "Departure", por exemplo, resultam muito bem ao vivo, tornando impossível não bater o pé. Lembram por vezes uns Crocodiles, que passaram este ano por cá no Alive, e o saldo no final do concerto é francamento positivo. Um agradável fim-de-tarde.
Twin Shadow, uma das revelações deste ano, veio a seguir, naquele que foi o seu terceiro concerto no nosso país (passou em Maio por Lisboa e Vila do Conde), e deu um concerto que, ainda que longe de ter sido um dos melhores do festival, confirmou tudo o que de bem se tem dito sobre o seu primeiro disco, "Forget". Ao vivo, ouve-se mais guitarradas que sintetizadores, e isso acaba por ajudar as canções a crescerem e a ganharam um impacto diferente. Veja-se "Slow" ou "Forget", que ganham fortes contornos rock ao vivo, muito mais potentes que em disco. Um belíssimo concerto, catchy do início ao fim (tal como o disco), e que confirmou George Lewis Jr. Como uma das revelações do ano. Em Setembro, regressa a Lisboa, tocando no Clube Ferroviário. Será mais um belo concerto, sem dúvida.
As Warpaint são, também, uma das revelações do ano, e foram e belíssima dose de rock suave e experimental do dia. Naquele que foi, muito possivelmente, um dos melhores concertos do festival, o quarteto feminino mostrou uma impressionante excelência musical em palco, tocando com uma mestria surpreendente as canções do magnífico "Exquisite Corpse". Algumas canções são alongadas, outras tornam-se mais complexas, e vê-se em palco um cuidado, um empenho e, também, um prazer enorme naquilo que fazem.
Veja-se aquela guitarra em "Elephants", que ao vivo ganha um poder inesperado, e aquela voz daquela vocalista (Emily, a principal), que em palco canta com uma fragilidade que tem tanto de vidro quanto de ouro. Consistente do início ao fim, e francamente impressionante tendo em conta a curta carreira da banda. Um dos melhores do festival, muito provavelmente.
O mesmo, infelizmente, não se pode dizer sobre o concerto dos Blonde Redhead. Frio e austero, a banda tocou na perfeição um alinhamento que não foi nada mau ("The Dress", "Falling Man"…), mas faltou, não querendo soar a cliché, alma ao que se ouvia. As músicas, mesmo lindíssimas em disco, não tardaram a tornar-se monótonas, e nem a dança deslizante de Kazu Makino e a sua voz de cristal (era, aliás, a única do trio que parecia estar a gostar realmente de ali estar) conseguiram salvar o concerto de uma austeridade que se instalou do início ao fim.
Teve momentos aborrecidos, teve momentos magníficos (sim, 23 é mesmo uma canção espantosa), e no geral fica uma mescla de canções e momentos inconsistentes. O público, frio do início ao fim, pareceu não estar particularmente para ali virado ao longo da actuação. Talvez a solo resulte melhor.
Tudo voltou a seu melhor nível com os grandes nomes do dia, e talvez de todo o festival: os Pulp. Parados desde 2002, o grupo de Jarvis Cocker regressou este ano para uma digressão que, graças a Deus, os trouxe ao melhor festival que temos. O resultado foi o que se esperava: um concerto magnífico, ora apoteótico ora francamente divertido, sempre liderado por um vocalista brincalhão e comunicativo.
Um concerto fenomenal, começado com um pano sobre o palco e um pequeno jogo de luz onde eram projectadas frases que iam suscitando a atenção do público até ao começo do espectáculo (que começou com algum atraso), onde nem um golfinho (“Would you like to see a dolphin? Well… would you?”) faltou, e num palco bem enfeitado com o nome da banda escrito em gigantes letras de neon e algum jogo de lasers; é simples, mas eficaz. Mas o verdadeiro espectáculo foi, claro, Jarvis Cocker, que logo de início (com a grande "Do You Remember the First Time?") mostrou bem estar ali para interagir, divertir e agradar. Poucos parecem gostar tanto do que fazem, e poucos conseguem ter tanto carisma e tanta presença em palco. Até falou com Piruças, o cão amarelo insuflável de Paredes que já lá anda desde 2008. “É melhor pedires a alguém para agarrar o cão por ti, ainda ficas cansado!”.
Um alinhamento em modo best of ("This is Hardcore", "Mis-hapes", os êxitos estiveram quase todos lá), uma banda a tocar na perfeição e um público que estava ali para a festa (foi, talvez, a maior enchente que aquele palco viu) foram os restantes ingredientes, além de Jarvis, que ajudaram a tornar este regresso dos Pulp num sucesso absoluto. Fossem todas as reuniões assim, e seriam muito mais bem-vistas. O final, com a inevitável "Common People", foi um dos momentos do festival e, provavelmente, um dos finais mais apoteóticos que muitos viram até hoje num concerto. Memorável.
19 de Agosto:
Foi, talvez, o dia mais forte do festival, em que todos os concertos foram espectaculares ou lá perto (bem… quase todos, pelo menos). O dia volta a começar, mais uma vez, no palco JN, com Erro. Não foi mau ao ponto de se querer fazer piadas com o nome, mas também não convenceu particularmente. Instrumentalmente tudo parece estar no sítio certo, mas o vocalista e as suas letras aleatórias e que acabam por cair frequentemente (leia-se, em 90% das vezes que abre a boca) no cómico acabam por "minar" tudo. Teve os seus momentos interessantes, mas no geral…
Por outro lado, os Meu e Teu demonstram em palco um à vontade e tocam um rock bem feitinho que conquistou facilmente os (poucos) presentes. Um vocalista que pede palmas, saltos e afins, um rock agradável e catchy (e com arranjos francamente bem pensados), e um concerto que foi dos melhores que passou por aquele palco (senão mesmo o melhor). São novos, ainda são recentes, e nota-se em palco a testosterona toda de ainda estar a dar os primeiros concertos; com tempo tudo há-de ficar mais arranjado e mais bem tocado. Por agora, no entanto, são já uma boa promessa.
De seguida, o primeiro grande concerto do dia veio logo com os You Can’t Win, Charlie Brown no palco secundário. A mega-banda portuguesa, que tem sabe-se lá quantos membros em palco, está mais confiante e bem oleada que nunca. Vão trocando de instrumentos com rapidez e sem falhas, tocam em palco como se não quisessem estar a fazer outra coisa, e as canções, que já em disco são óptimas, ao vivo crescem imenso e resultam na perfeição. "Green Grass" é um exemplo claro disso, tal como a grande "I’ve Been Lost". Um excelente concerto que, não fossem os grandes que se seguiriam, teria sido facilmente dos melhores do dia. São, sem dúvida, um dos nomes mais entusiasmantes da música nacional da actualidade
Quando se chega ao outro palco, já os Joy Formidable começaram. Rock das entranhas, feito com três em palco mas parecem ser mais, dada a potência e energia do que se ouve. Canções como "Whirring" ou "The Greatest Light is the Greatest Shade" ao vivo perdem o seu toque lo-fi mas ganham um poder surpreendente, entregue sempre com honestidade e simpatia (disseram que estavam contentes por ali estar, e pareceram estar a dizer a verdade). Aquele final, quase apoteótico, com todos em volta da bateria, foi talvez um dos momentos de todo o festival, e terminou um belo concerto da melhor forma possível. Concerto a solo, requisita-se.
De seguida, um verdadeiro nome de culto, que certamente levou muita gente a comprar o passe: …And You Will Know Us By The Trail of Dead. Sim, já se sabia que iam tocar pouco tempo e que seriam logo os segundos (tinham de apanhar um avião, parece), mas isso em nada minou o entusiasmo dos presentes, ainda assim não tantos quanto seria de esperar. Seis músicas apenas, mas mais que suficiente para aqueles que terá sido, para muitos, um dos melhores do dia (e isso não é dizer pouco, tendo em conta o dia que foi).
À segunda canção, o quarteto jé está completamente aquecido, já se vivem momentos de uma intensidade a que muitos concertos nunca chegam, e tudo é já um triunfo absoluto (ainda que triste… afinal de contas, é realmente pena que não tenham tocado mais). Vão trocando de instrumentos entre si, da guitarra para a bateria, revelando uma mestria que torna tudo mais interessante, e canções como "Gargoyle Waiting" ou a fenomenal "Will You Smile Again?", no final, deram os momentos mais puros de rock que o festival viu. Curto (pouco mais de quarenta minutos, creio), mas muito, muito bom (e note-se que eu, pessoalmente, nem era fã). Resta agora esperar que regressem, num concerto com uma duração mais digna do que merecem (eles e nós, diga-se).
No entanto, a banda que viria a seguir conseguiria fazer ainda melhor. Num dia fortíssimo, o concerto do dia (e, de muito longe, um dos melhores de todo o festival) seria dos Battles, que se estrearam finalmente no nosso país. E, meu Deus, que estreia.
Apoteose do início ao fim, tudo muito bem construído, num jogo de camadas e sons que viria apenas a ser igualado por uma certa e incrível banda de post-rock que viria a actuar naquele palco no dia seguinte.
Tocam com energia e, diga-se, carisma (que figura curiosa que é, o guitarrista e o seu bigode), e nenhuma das canções desilude ao vivo. Uma fusão de sons, desde dance music ao mais puro rock, que faz com que seja rigorosamente impossível estar parado no mesmo sítio. Muito do público estava lá por eles, e isso viu-se: devoção e respeito por parte de uma plateia conquistada logo aos primeiros minutos. E, sim, "Atlas" foi mesmo um dos momentos do festival (mas "Ice Cream", diga-se, também foi genial).
Ao início faz alguma comichão vê-los a usar samples e afins, mas tendo em conta que são apenas três, e que os samples são eles mesmos que os vão inserindo (mais uma vez, é preciso ter cabeça para saber encaixar aquilo tudo), tudo acaba por pintar um quadro onde estão retratados três grandes, grandes músicos. No final, o baixista agradeceu e disse que estava ansioso por nos voltar a ver “muito, muito em breve”. Concerto a solo marcado? Esperamos que nós. Por agora, no entanto, uma coisa podemos dizer: os Battles partiram tudo quando actuaram pela primeira vez no nosso país, e nós estivemos lá para ver na primeira fila.
Os Deerhunter, ao vivo, impressionam. "Halcyon Digest" é, sem sombra de dúvida, francamente bom, mas encontra-se longe da genialidade de um "Microcastle", por exemplo. No entanto, ao vivo tudo faz mais sentido, e tanto as novas como as antigas ganham um poder à base de guitarra que espanta quem, como eu, nunca os tinha visto ao vivo. Bastou logo o início, com a bela "Wash Off", para surpreender pela positiva; e o mote seria, exactamente, esse.
Tudo tocado com impacto e poder, e sempre com um Bradford Cox simpático e comunicativo (diz que adora tocar em Portugal (mais um que se enganou e pensava estar no Porto…) porque somos um país muito assombrado… "yap", faz sentido), e uma banda em perfeira harmonia. Sofreram do mesmo problema que os Trail of Dead: concerto demasiado curto, com apenas oito canções. Mas mais que suficiente para darem aquele que foi, sem dúvida, um grande concerto. No final, um pequeno golpe de génio, quando terminam com aquela que é, diga-se, a sua melhor música, e talvez mesmo uma das canções da década: "Nothing Ever Happened", esticada, alongada, apoteótica e de ir às lágrimas. Genial.
Já diziam os Monty Python: "...and now, for something completely different". E foi isso mesmo. Os Kings of Convenience, dois tipos com guitarras acústicas, chegaram ao palco e foi impossível não sentir, de imediato, uma diferença depois de toda a energia que se sentiu ao longo da tarde. Passámos, de repente, do rock para os Simon & Garfunkel. E foi bonito, sim; agradável, simpático. Nunca chegou a mais que isso, já que esta não era, afinal, a "praia" deles.
O público ouviu, sempre calado e respeitoso, e isso é de louvar, mas só na zona mais perto do palco se viam realmente demonstrações de devoção em canções como "Rule My World" ou, claro, a inevitável "I’d Rather Dance With You". Eventualmente trazem mais dois músicos ao palco, mas isso não ajuda muito; continua tudo muito calmo, bonito, sim, mas por vezes monótono.
Mas sou suspeito: gosto muito de Simon & Garfunkel, e os Kings of Convenience, infelizmente, transpiram Simon & Garfunkel por todos os lados. Nas guitarras, nas letras, em tudo. Em disco isso não se nota tanto, dados os arranjos que dão às canções, mas ao vivo…
Enfim, um concerto simpático e agradável, que proporcionou uma noite bonita, mas nada mais que isso. E, sejamos honestos, Erlend Øyé é provavelmente um dos músicos mais "cromos" que alguma vez passaram pelos nossos palcos.
As coisas não mudaram muito com Marina & The Diamonds. Concerto agradável, com uma pop energética cantada por uma vocalista que, provavelmente, passou toda a sua vida a ouvir Madonna e Blondie. Simpática, obviamente contente por ali estar, e com uma energia contagiante, Marina cantou canções como "Girls" ou "Shampain" para uma plateia reduzida que, infelizmente, não estava realmente ali para ela, e em que só os mais próximos do palco reagiram ao seu claro entusiasmo. Divertido, agradável e pop catchy cantada a boa voz.
20 de Agosto:
Mais um dia forte, e com aquele que viria a ser o melhor concerto do festival (leia-se: dos concertos que vi).
O dia começou com um nome conhecido de todos: Linda Martini. Já tinham passado por aquele mesmo palco em 2007, num concerto que muitos afirmam ter sido espectacular, e regressaram… para repetir a proeza. Foi a sexta vez que os vi, e uma das melhores (e muito, muito melhor que o concerto no Alive). Isso deve-se não só à banda e ao público, ambos ali de coração e alma, mas também ao excelente som do palco; raramente se ouviu a camada de guitarras de "Este Mar", logo a primeira, assim tão bem, por exemplo.
O quarteto tocava com carinho cada acorde, e o público recebia com esse mesmo carinho cada som. Moche carinhosa, crowdsurfing feito como se fosse entre familiares, e canções que já todos sabemos do início ao fim ("Amor Combate", a incrível "Dá-me a Tua Melhor Faca"… hinos de uma geração). Até Hélio se atirou ao público e fez crowdsurfing, já no fim do concerto. Grandes, como sempre. Tocam como ninguém, e fazem-no com um amor que só lhes fica bem. Por este andar, nunca nos havemos de fartar.
“Os que vierem a seguir estão lixados se não forem bons”, dizia-me um amigo meu no final. E tinha razão: depois de um concerto como o dos Linda Martini, era difícil igualar. E não foi isso que Maika Makovski, espanhola que canta num inglês perfeito, e a sua banda, repescados à última hora para substituir Foster the People após estes terem cancelado toda a sua digressão europeia, fez. Mas também esteve longe, bem longe, de envergonhar alguém.
Naquele que foi um bom concerto de rock com toques de blues, com uma Maika a lembrar por várias vezes uma PJ Harvey (mas, por outro lado, não lembram todas?), o dia continuou bastante bem, com um nível que se viria a manter ao longo de todo o dia e noite. Maika foi simpática, comunicativa, falando em espanhol e inglês, e foi pena que o público, na sua maioria sentado e a ignorar o que se passava em palco, nem lhe tenha dado grande hipótese. Tarefa ingrata, esta de substituir músicos. Mas cumpriu-a, e muito bem.
A seguir, o concerto mais assustador do festival. Os Two Door Cinema Club, a banda mais genérica que passou por todo o festival, chegou e divertiu com o seu pop-rock tão… bem, tão catchy e igual a tanto outro pop-rock que anda por aí. Mas foi assustador ver o público, aquela legião de milhares de fãs, a cantar tudo do início ao fim, a fazer moche (?!) e crowdsurfing (?!?!) numa banda que, simplesmente, não tem uma sonoridade para isso. Sim, cançõe como "I Can Talk ou Sleep Alone" dão vontade de saltar e mexer o corpo, mas… moche? Crowdsurfing? Assustador ver mais disso neste concerto que em Linda Martini ou Trail of Dead, por exemplo (agora que penso bem, é mesmo assustador). Enfim, é o que faz uma faixa etária na sua maioria abaixo dos 18, com as hormonas aos saltos. Ver tudo aquilo acabou por tornar o concerto francamente estranho em vários momentos, e não é de espantar que, com a recepção excitada que tiveram, não foi de estranhar quando o vocalista disse, no final, que “Isto foi completamente ridículo”, dizia-o no bom sentido, claro, mas dá vontade de o dizer também no mau, ou pelo menos no estranho. O concerto propriamente dito foi giro, divertido, energético e inconsequente. Se alguém se lembrará deles daqui a um ano? Provavelmente não, mas, ao vivo, conseguem entreter. Mas… meu Deus… moche naquilo? Que coisa bizarra.
Foi mais um bom concerto, no meio de tantos outros bons ou grandiosos. Por esta altura, era altura de fazer balanços, e era difícil escolher apenas um grande concerto, um que se comseguisse destacar de entre todos, dado equilíbrio do que se viu até àquela altura. Escolher um concerto como o melhor afirmava-se impossível. Até terem chegado os Mogwai.
Podemos dizer que, dentro do post-rock, há dois grandes deuses: os Mogwai e os Godspeed You! Black Emperor. Podemos dizer mais nomes, claro, desde uns Mono a uns inevitáveis Explosions in the Sky ou uns God is na Astronaut, mas a verdade é que foi destes dois que tudo surgiu; sem um "Young Team" e sem um "Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven", o género simplesmente não seria o que é hoje.
O que os Mogwai, que pisaram aquele palco em 1999, dizendo Stuart Braithwaite que desta vez “Foi muito mais divertido" mostraram neste concerto, tal como já tinham feito na Aula Magna, o que se esperava: poder. Puro poder em todos os aspectos: sonoro, emocional, musical, tudo isso e mais. Em cerca de uma hora e quinze minutos, os escoceses defenderam com perfeição absoluta um legado que se apresenta tanto passado como presente e futuro. "Hardcore Will Never Die But You Will" está bem longe de um "Rock Action" ou de um "Young Team", mas a verdade é que ao vivo tudo isso desaparece. Canções como "White Noise" (um início de ir às lágrimas, literalmente), "San Pedro" ou "Mexican Grand Prix" ganham um poder, uma potência que as elevam ao estatuto em que estão os grandes clássicos do grupo.
Em disco, podem soar a canções óptimas, mas abaixo das grandes de antigamente; ao vivo, estão bem lá em cima com os hinos do grupo. Um concerto transcendente, que se viveu na pele e na alma, de olhos por vezes abertos e por vezes molhados, por vezes secos e por vezes humedecidos (emocionalmente falando, o post-rock pode ser um género poderosíssimo; os Mogwai, tal como os Godspeed You! Black Emperor, demonstram bem isso). Um bom jogo de luz, uma tela que ia passando algumas imagens, e um quinteto em palco vestido como se estivesse em casa, que poucas vezes falou; afinal de contas, porque precisariam de o fazer? A música diz tudo o que há a dizer, sem palavras.
Num alinhamento que nem foi assim tão curto (onze músicas… e tendo em conta que não são músicas pequenas) e que teve pequenos golpes de génio (ahh, quem diria que iam tocar a "Two Rights, One Wrong?"), o grupo concentrou-se, como seria de esperar, no seu último disco, defendendo-o, e muito bem, em palco. "Rano Pano", "San Pedro"… momentos grandiosos, impressionantes. São, realmente, uma banda que ao vivo funciona de forma incrível, transpondo para o palco com uma mestria inigualável canções complexas que, ao vivo, não perdem essa complexidade mas atingem de forma mais directa que nunca. Nisso, o som ajudou: foi possível distinguir todos os pequenos pormenores, todas as pequenas mudanças de ritmo, todos os pequenos sons. Aquela muralha de guitarras como só eles fazem tanto emocionou como intimidou, e os efeitos criados no vocoder soaram perfeitos ("Hunted by a Freak", já perto do fim, foi arrepiante, como sempre).
E foram eles que nos trouxeram o grande momento de todo o festival: "Mogwai Fear Satan", aquela epifania de mais de dez minutos, que vai construindo aquela muralha de guitarras que emociona, agarra, depois nos rebenta na cara após acalmar (ingénuos, os que bateram palmas achando que a música estava a terminar, quando na realidade ainda faltava o clímax), e depois nos volta a emocionar. Absolutamente incrível. O final, com "Batcat" (ainda não foi desta que nos brindaram com a "Glasgow Mega-Snake") foi do mais épico possível, e houveram momentos em que parecia que, de facto, o mundo estava a acabar. Ruído, explosões de luz e fumo. O mundo não acabou, mas se tivesse acabado, teríamos todos certamente morrido com um sorriso no rosto. Concerto do festival, um dos concertos do ano, e eles continuam a ser o sempre foram: um dos maiores de sempre.
No palco principal, tudo terminou como começou: com uma reunião. Foram os Pulp no primeiro dia, e foram os Death From Above 1979 no último. E se os primeiros foram magníficos, dos segundos podemos dizer também o mesmo. Num alinhamento onde tocaram… bem, tudo, já que só têm um disco e um EP, a dupla mostrou ter em palco uma energia contagiante, que facilmente desabrochou em moche e crowdsurfing por toda a plateia. Punk como poucos fazem, puro e directo ao osso, onde um baixo e uma bateria bastam (e muito bem!) para criar o caos.
É impossível ficar parado, é impossível não ficar com um sorriso no rosto, e é ainda mais impossível não gostar. Testosterona pura, entregue por um simpático Sebastien Grainger (que até disse que ia lá abaixo à plateia violar quem fizesse mal às raparigas… simpático e com valores!) que toca bateria como se estivesse ligado a uma ficha eléctrica e canta da mesma forma e um Jesse F. Keeler (sintetizador, backing vocals e, acima de tudo, baixo) concentrado mas perfeito no que faz, a dupla não desiludiu os que ansiavam por ver, finalmente, os Death From Above 1979 ao vivo.
Grainger bem brincou com o facto de serem cabeças de cartaz, dizendi que era uma posição difícil de defender com apenas um disco e um EP… e é, realmente, curioso vê-los agora como cabeças-de-cartaz. Quem se lembra de quando passaram por este mesmo festival em 2005, no mesmo dia que os Foo Fighters (na mesma edição onde tocaram os Pixies, os Arcade Fire, os Queens of the Stone Age, os The National, os…), e foram recebidos com monotonia? Entretanto ganharam mais fãs, regressaram, e o resultado está à vista: uma plateia devota e conquistada. E ainda bem, que eles bem mereceram. Foi mais um grande concerto.
Foi o fim de um grande festival que foi, diga-se, o melhor do ano. Sim, o campismo não é tão bom quanto o do Milhões (bem, se eles cobrissem tudo de relva…), mas os concertos e, tal como já foi dito, a paisagem compensam tudo isso. Um rio ali ao pé para quem se quiser refrescar, um público que em todo o festival se portou bastante bem (sempre respeitoso, mesmo com nomes que obviamente não conhecia), um ambiente como só Paredes consegue… e concertos, muitos e grandes concertos, que vão ficar na memória dos presentes. Foi o local ideal, com o cartaz ideal, com as condições ideais.
Se um festival de Verão deve, de facto, ser uma experiência… então a experiência que deve ser é realmente esta. Sem falhas.
As memórias, essas, vão perdurar por anos e anos; as saudades, felizmente, só até ao próximo Verão.
Uma relação com Paredes de Coura é, afinal, uma daquelas que dura para a vida.
E no próximo ano lá estaremos todos, para mais umas quantas noites de núpcias.
Palco Super Bock Super Rock no Sudoeste TMN 2011
Jul 22nd
No Festival Sudoeste TMN a música começa mais cedo. A partir do dia 30 de Julho o campismo abre e a animação está garantida graças ao palco Super Bock Super Rock.
No dia 30 de Julho sobe ao Palco Super Bock Super Rock A Revolta do Vinil (Ricardo Guerra), a 31 de Julho e 1 de Agosto é a vez Kumpania Algazarra e a 2 de Agosto ouves Cidade FM (Yes We Groove) e Filipe Pinto.
Esta 15ª edição do SWtmn será servida por um supermercado do Grupo Os Mosqueteiros. Com cerca de 300m2, o Intermarché Contact irá assim disponibilizar produtos essenciais para quem faz da Herdade da Casa Branca a sua morada durante esta semana, como pão, gelo, frescos (desde fruta a saladas), enlatados, champô, entre muitos outros.
Para os que além de nutritivos querem também ser ecológicos e se deslocam de transportes públicos para o festival, o Intermarché colocará à disposição dos festivaleiros transporte para bagagens desde a paragem do autocarro até ao parque de campismo.
O Festival Sudoeste TMN 2011 realiza-se nos dias 3, 4, 5,6 e 7 de Agosto de 2011 na Zambujeira do Mar, na Herdade da Casa Branca. O preço dos bilhetes é de 90 Euros para o Passe e 48 Euros para o bilhete diário.
Reportagem Super Bock Super Rock 2011
Jul 18th
A 17ª edição do festival Super Bock Super Rock teve, de novo, lugar na Herdade do Cabeço da Flauta. O slogan devia ser “Meco, Pó e Rock n’ Roll”. Este ano, pouca gente deixou o lenço de pescoço em casa e o número de máscaras aumentou comparativamente ao ano passado. Na verdade, se ultrapassarmos o pesadelo que é chegar ao recinto e o pesadelo maior que é estar, de facto, lá, vemos que o festival tem tudo para ser um dos acontecimentos do ano: cabeças de cartaz enormes e um palco alternativo recheado de apostas em artistas novos e artistas que já provaram ter algo a dizer que merece realmente ser ouvido.
No entanto, o recinto em si é a pedra no sapato de toda a gente. A quantidade de pó não deixa de surpreender e o espaço não é suficiente para albergar o número de passes que foram postos à venda este ano. As condições de som também não permitem este número absurdo de pessoas, tendo em conta que mais de metade dos espectadores do palco principal não ouviram quase nada de todos os concertos que ali se passaram. As melhorias não o são, na verdade: o chão em frente ao palco principal é inacreditável. Não há quem não tenha passado a maior parte dos concertos a raspar o chão e afastar troncos de madeira de tamanho considerável de modo a conseguir ter ambos os pés à mesma altura.
Mas as pessoas estão lá pela música. E a música, apesar de tudo o resto, é boa.
Coube aos Sean Riley & The Slowriders as honras de inauguração do palco principal (e de todo o festival). O trânsito não nos deixou chegar a tempo de avaliar a prestação da banda de Leiria, mas soubemos que “It’s Been a Long Night” ficou muito bem representado, apesar das falhas de som que levou a banda a oferecer abraços pelo público.
À nossa chegada - com uma pequena corridinha para chegar a tempo - estavam também os The Glockenwise a entrar em palco. Vindos directamente de Barcelos, têm-se mostrado um pouco por todo o pais. O cheirinho a Milhões de Festa (festival que o vocalista Nuno Rodrigues fez questão de publicitar, sem papas na língua) sentia-se um pouco no ar mal os víssemos a eles e a El Guincho em cartaz. Building Waves ainda tem cartas para dar. Por mais apresentado que esteja um disco, uma coisa que puxa ao mexer de pés como este puxa, não é coisa para se deixar na gaveta (como insistem em deixa o EP de estreia).
O concerto teve início com “It’s Not a Dead End But It Most Certainly Looks Like One”, música que termina o primeiro longa duração do quarteto. “Local Song for Local People” e “Stay Irresponsible” foram as responsáveis por o espaço em frente ao palco se começar a compor, a última foi a responsável pela guitarra do Rafa desistir (como viria a acontecer pelo menos mais três vezes durante o concerto – tudo culpa da correia).
Curiosos e fãs (vindos de Barroselas e de Barcelos) enchiam um recinto que se iria tornando cada vez mais pequeno. Uma banda já de si muito simpática, agradeceu a toda a gente por os ter ido ver, confessando não esperar um público tão grande. Até o mosh teve espaço, em “Columbine (Out of this Town)” ou “Scumbag”. Sem lhes tirar o mérito devido, o público teve certamente um papel fulcral na boa prestação dos barcelenses que pisavam pela primeira vez um festival “grande”.
Pelas 20h20, entram em palco os The Walkmen. Os norte-americanos estavam felizes por regressar e por ter tanta gente a assistir ao espectáculo. «We love it here, we named our álbum after the place!», grita o vocalista Hamilton Leithauser mencionando o álbum Lisbon da banda. A abrir, “On the Water”. O público já estava rendido e os fãs eram muitos. “Woe Is Me” seguiu-se-lhe enquanto mais e mais gente se reunia para ver a banda. Os fãs sabiam as letras e “In the New Year” mostrou isso mesmo.
A banda equilibrou temas antigos e temas recentes. Tocaram uma música nova, composta há semanas, ainda sem nome, que foi bem recebida pelos espectadores. Logo a seguir, a primeira música escrita pela banda – “We’ve Been Had” – bem conhecida de todos. Para o fim, depois da apresentação da banda, ficou “The Rat”, a favorita do público. A letra não falhou a ninguém e as palmas acompanhavam a bateria efervescente de Matt Barrick. A fechar o concerto esteve “All Hands and the Cook”.
Há quem diga que John Lennon voltou, e que lançou um disco na Austrália. Ouvindo Innespeaker, percebemos porquê. Era chegada a vez de “uma das melhores bandas do mundo” (segundo o Nuno dos The Glockenwise). Os Tame Impala chegam-nos directamente da terra dos cangurus com um disco ainda fresco apesar de ter mais de um ano, a estrear o palco EDP de nomes internacionais. Largamente aplaudidos à chegada, entram timidamente com “Why Won’t You Make Up Your Mind?”, com alguns problemas de som.
É que nem todo o palco está pronto para este tipo de psicadelismo, com guitarras a soar a plástico e no entanto tão perfeitamente arranhadas. Durante “Solitude is Bliss”, uma multidão bem feita entoava baixinho as letras do single. “It Is Not Meant to Be” preparava-nos para “Alter Ego”, o momento mais dançável do concerto - para alguns, houve bem quem não parasse durante “Desire Be Desire Go” em versão extended. "É de lamentar que ainda haja público a achar que tem piada apontar lasers aos músicos": Se não teve piada nenhuma durante Iggy Pop no Alive!, durante “Island Walking” teve ainda menos. Os australianos despedem-se com “Half Full Glass of Wine”, esperemos que para voltar em breve.
Dois anos depois, The Kooks estavam de volta a Portugal. Na bagagem vinham temas novos do álbum ainda por lançar Junk of the Heart. Uma multidão sem fim reunia-se pelo recinto do palco principal para ver a banda de Brighton. Temas como “She Moves in Her Own Way”, retirada do primeiro álbum da banda e conhecida de todos, ou “Seaside” mostraram como as letras estavam ainda na memória dos fãs.
Todos os álbuns foram corridos e equilibrados com os temas ainda por vir do último trabalho da banda. “Junk of the Heart” e “Is it Me” (tocada pela primeira vez na rádio inglesa BBC Radio 1 nessa mesma tarde) foram acolhidas pelos espectadores e havia quem já soubesse as letras, inclusive. Dançava-se por toda a parte ao som de “Naive” e “Stormy Weather” e o vocalista Luke Pritchard passeava pelo palco de guitarra às costas notavelmente feliz por estar de volta.
Há alguém que ainda não saiba o que esperar dos espanhóis El Guincho? Já pudemos vê-los pelo menos três vezes a fazer o que fazem melhor, uma tropicália de sons, em ambiente mais que perfeito. A esta hora, já tínhamos os pés cheios de areia, e até soube bem. Os problemas de som mantinham-se no palco EDP e quase que aconselhávamos o Pablo a ir fazer o próprio som. “Kalise” não teve, de todo, a recepção que merecia. Grande parte do público parecia não saber como se mexer ao som da música (que pouco se ouvia, pelo menos algo mais alem do baixo) e ficámos todos a gravitar no espaço durante um bocado, até “Ghetto Facil” e “Soca del Eclipse”, do último Pop Negro.
O espírito Milhões de Festa instalou-se em “Palmitos Park”, sob uma lua cheia que iluminava o espaço – foi o próprio Díaz-Reixa a admiti-lo. Um festival que deixa marcas ao ponto de ser falado duas vezes no mesmo palco, só pode ser boa coisa. “Novias” e “Bombay” já estavam a deixar toda a gente treinada para os paços de dança obrigatórios – a nuvem de pó levantou-se e já não baixou. O adeus nunca feito com “Antillas” gerou o caos no EDP e não deixava vontade de que acabasse, mas ainda havia Lykke Li para encerrar o espaço. Os espanhóis despedem-se, elogiando o país de onde, pelos vistos, gostam de regressar vezes sem conta.
A anteceder os cabeças-de-cartaz, esteve Beirut. Zach Condon e a sua banda regressaram a Portugal para um concerto que encantou os fãs mas não fascinou o público do Meco. Com algumas palavras proferidas em português, o jovem músico apresentou temas dos seus trabalhos Gulag Orkestar e The Flying Club Cup, juntamente com temas já incluídos no seu último trabalho, The Rip Tide, com data de lançamento prevista para 30 de Agosto, como foi o caso de “Vagabond” e “Santa Fe”.
Longe do rock n’ roll, mas com uma variedade de sons e instrumentos admirável, foram temas como “Elephant Gun”, “Postcards from Italy” e “My Night With the Prostitute From Marseille” que fizeram as delícias dos fãs presentes. O som não chegou a todos, havia sítios onde se ouvia melhor a música das bancas da Sic Radical e afins. O músico mostrou a sua alegria em ter voltado e agradeceu a presença e apoio dos fãs, que entoaram as letras sem falhas.
O palco EDP encheu-se de luzes e panos pretos do chão à altura dos holofotes. O cenário estava pronto e o público aguardava a entrada da sueca Lykke Li em palco. Esperava-se um concerto com muita energia, como a cantora nos tem vindo a habituar, mas todos estavam de pé atrás por causa do tom mais calmo que o seu último trabalho, Wounded Rhymes, tinha adquirido.
Para dar início, ouviu-se “Jerome”, do último álbum, um belo tema. De véu preto, que tirava e colocava durante os temas para os dramatizar a seu bel-prazer, Lykke Li empunhava a sua baqueta e dava vida à sua percussão (menos vezes que o que se esperava ver, no entanto). O recinto enchia e acolheu com furor “I’m Good, I’m Gone”. Não foi suficiente, no entanto, já que se ouviu a sueca gritar «you’ve got to give me more than that!» no final do tema.
A sua vontade foi feita e uma multidão eufórica recebeu “Sadness is a Blessing”, um dos singles retirados de Wounded Rhymes. No alinhamento, constaram duas covers: “Silent Shout”, de The Knife e “Until We Bleed”, de Kleerup. “Little Bit”, a habitual favorita, foi recebida com entusiasmo e para o fim ficou a explosão de “Get Some”. Apesar do receio de que este fosse um concerto menos espectacular da sueca, a verdade é que a cantora conseguiu conferir força ao seu último álbum, deixando todos com vontade de um espectáculo em nome próprio por terras lusas.
Em posição de cabeças de cartaz, os ingleses Arctic Monkeys regressam a estas bandas para mostrarem Suck it and See, álbum que deixa algumas reservas em casa, mas que em concerto se traduz nos clássicos macacos. Entraram em palco ainda antes da hora prevista, com “Library Pictures” e um jogo de luzes do qual as outras bandas não gozaram.
E se Suck it and See vinha como assunto principal, houve bastante espaço para temas mais antigos, “Brianstorm” e “This House is a Circus” os primeiros desse grupo a serem entregues a um público devoto que não deixava nada nem ninguém passar-lhes à frente. “Still Take You Home” ainda levou Alex ao chão, esperneando-se com a sua guitarra até voltarmos a assuntos sérios:
“Don’t Sit Down Cause I’ve Moved the Chair” e “Pretty Visitors”, dos dois últimos álbuns. Para os momentos de maior festa e danças por todo o recinto, serviram o clássico “I Bet You Look Good on the Dancefloor” e “When the Sun Goes Down”, antes do encore. A terminar este fantástico concerto, ouviram-se “Suck it and See”, seguida de “Fluorescent Adolescent”, culminando na fantástica “505”. Puro rock n’ roll.
Tivemos poucas oportunidades de passar pelo Palco @Meco, mas o que vimos chegou para perceber que Nicolas Jaar com banda e Tiago Miranda mantinham a tenda no mesmo nível de animação que o restante festival. O fim da noite ficou por conta de James Murphy, dono dos agora defuntos LCD Soundsystem e que levou o maior número de pessoas à tenda, ganhando para muitos o lugar de homem da noite no @Meco.
15 de Julho de 2011
Mais um dia de concertos no festival Super Bock Super Rock, marcado por temperaturas altas e música para todos os públicos, porém, a continuação de más condições. tanto nos acessos como no recinto. O pó e a sobrelotação do acampamento levou a que muitos festivaleiros se sentissem mal no decorrer do evento, no entanto, a vontade de ver as bandas adoradas como Arcade Fire e Portishead é maior do que o desconforto e tenta-se suportar tudo (ou quase tudo). Por volta das quatro horas da tarde, à hora da abertura do recinto, já podiam ser vistas inúmeras pessoas, quer sentadas à sombra das árvores, quer a marcar lugar na grade – pois avistavam-se dois grandes concertos que, certamente, ninguém queria perder.
Foi ao projecto Noiserv, de David Santos, que coube a honra de abrir o palco principal e, apesar de ter tido um público numeroso e ansioso por o ver tocar, não somos capazes de deixar de estranhar este início de alinhamento, uma vez que o cantor e intérprete certamente beneficiaria um palco menor com um ambiente mais intimista.
David Santos não se intimida, no entanto, e, com o seu arsenal de instrumentos e maquinarias, tal como com Diana Mascarenhas, encarregue dos desenhos a preto e branco que iam sendo projectados em metades opostas do palco, encantou um público que o recebeu de braços abertos, a si e aos seus temas acústico-electrónicos suaves. Parecem canções de embalar, mas revelam-se mais profundas que isso: ‘Melody Pops’ e ‘Consolation Prizes’ têm histórias por detrás que são reveladas por uma voz introvertida atrás de uma guitarra. O público encanta-se e o artista sai satisfeito.
Era a altura da actuação dos L.A. no canto oposto do recinto arenoso, um concerto que terá feito a delícia dos muitos espanhóis que se misturavam entre o público, no entanto, a nossa atenção esteve focada em
Rodrigo Leão. Acompanhado pelos Dark Jazz Ensemble, este ofereceu ao público um concerto que terá agradado em maior parte a um público mais adulto, conhecedor quer dos talentos quer do material do artista, mas que não deixou de ser agradável. O multifacetado Leão prima tanto pela construção instrumental elaborada como pela infusão de estilos muito diferentes, mas que nunca chegam a parecer distintos, e é um deleite especial ouvi-lo quando acompanhado pela voz fantástica de Ana Vieira. ‘Vida Tão Estranha’ todos reconhecem, já ‘A Corda’ e o novo tema ‘A Dor Mente’ passa mais ao lado e o concerto culmina em ‘Pasión’ - é com muitos aplausos que se despedem os versáteis músicos.
No palco secundário, é B Fachada que entretém as massas. Uma espécie de ave rara na cena musical portuguesa, é decerto que não agradará a toda a gente, mas transborda de auto-confiança e carisma de tal ponto que os seus concertos acabam por ter graça. Acompanhado por três músicos na sua banda, B Fachada passou por alguns dos temas que já são sua marca, como ‘Estar à Espera ou Procurar’ e mesmo ‘Zé’, muito pedida pelo público.
Este combina a voz teatral em Português às guitarradas acústicas de cantautor, lembrando Sérgio Godinho com um twist moderno, desdobrando-se em personagens nas suas letras quase como Fernando Pessoa. Já não é desconhecido do público português, relembramos que no festival Super Bock em Stock do ano passado também actuou para um São Jorge lotado, e é com toda a naturalidade que se juntaram muitas pessoas para assistir ao miúdo maravilha de língua afiada, mas de talento peculiar a transbordar.
Já o concerto de Paulo Furtado ou Legendary Tigerman, no palco secundário, não tivemos oportunidade de presenciar (são estes os pontos menos bons de um festival centrado em dois palcos), decidindo apanhar os The Gift, no palco principal, juntando-nos aos muitos que já marcavam lugar para lá ficar o resto da noite. No entanto, se todos estavam à espera de um best of da banda portuguesa na hora e pouco em que actuaram, os
The Gift decidiram trocar as voltas ao público e apresentaram, na sua grande parte, temas do novo álbum Explode. Evitam-se os grandes êxitos (menos os inevitáveis, como ‘Driving You Slow’) da grande carreira dos portugueses e entra-se num universo mais agitado, mais entusiasta, com um ligeiro desvio musical, do novo material.
Sónia Tavares e Nuno Gonçalves de tudo tentam para agitar a hoste, incitando-a, correndo pelo palco, no entanto, fica a impressão que os temas de Explode, como ‘RGB’ e ‘Made For You’ não têm o impacto nem a qualidade desejadas. De facto, é com uma certa despreocupação que se assistiu a este concerto, que nem aqueceu, nem arrefeceu.
Mudança mais anti-climática dificilmente houve nesta edição do Super Bock Super Rock, o que nos levou a questionar, novamente, o alinhamento deste segundo dia: chegou a altura dos Portishead tocarem no palco principal, num dos concertos que se afigurou como inesquecível para todos os presentes. Os ingredientes principais desta fórmula (quase) imbatível?
Em primeiro lugar, a estética assombrosa dos efeitos em loop das câmaras que filmavam a banda em palco, que tanto nos transportavam para os anos 80, como nos proporcionavam arrepios na espinha. Em segundo lugar, a voz belíssima de Beth Gibbons, que tem de doce e aterrador em doses iguais, e que é como o estandarte da imensa qualidade musical dos Portishead. É esta voz que nos leva de ‘Silence’, tema que abriu o concerto, para a muito aplaudida ‘Glory Box’ de Dummy (1994), através de um encanto tão grande que parece fantasia.
Por último, é a grande capacidade técnica, não só de execução como de mestria do som, dos restantes membros da banda, que os temas mais mecânicos como ‘Machine Gun’ e ‘The Rip’ são entregues ao público na perfeição. Teme-se o quebrar do feitiço, que à luz da lua parece mais forte do que nunca, no entanto, o público português não hesita em acompanhar Gibbons em temas como ‘Roads’ e ‘Wandering Star’. Foi ‘Over’ o momento alto da noite, num concerto de excelente qualidade, que serviu como um primeiro KO deste segundo dia do festival.
Chega, por fim, o final da noite, e sente-se no ar a ansiedade dos fãs portugueses, que já esperavam pelos Arcade Fire desde Novembro do ano passado. O cenário da banda canadiana envolve a tela de uma sala de cinema e é precisamente assim que começa o concerto, com a exibição de uma sequência de trailers retro e de uma pequena apresentação de Scenes from the Suburbs, o filme de curta metragem da sua autoria, realizado por Spike Jonze. Lançam-se as bases para a completa histeria do público português, exacerbada pela entrada dos músicos em palco e por uma ‘Ready to Start’ que se pronta imediatamente a irromper pela Herdade do Cabeço da Flauta.
Se os Arcade Fire já tinham um certo estatuto de banda de culto entre os portugueses, foi com esta terceira vez em Portugal (já tinham passado precisamente pelo festival Super Bock Super Rock, em 2007) que estes consolidaram uma base de fãs que roça o impressionante. Em ‘Keep the Car Running’ e ‘Neighbourhood #2 (Laika)’, o público não hesita em saltar, esbracejar e cantarolar, tanto as letras, como as próprias melodias, tanto que recebem de Win Butler, porta-voz e líder da banda, o enorme de elogio de lhes lembrarem porque actuam ao vivo. Ora, tamanha devoção a artistas não é rara, mas de uma dimensão tão grande é um ode à qualidade desta banda, que reúne tudo o que uma banda rock moderna deve ser e que se espalha por todos, sem nunca perder o que tem de único: a ligação com quem os ouve.
É, de facto, uma ligação muito especial que estabelecem com os seus fãs, quase espiritual, muito pautada por temas nostálgicos de uma juventude eterna que é bela, e nunca barata. ‘Neighhourhood #1 (Tunnels)’ e ‘The Suburbs’, do homónimo esforço musical lançado ainda este ano, são excelentes exemplos, tal como a universal ‘Crown of Love’ e a adorável ‘Haiti’, interpretada pela mágica e colorida Regine Chassagne, a outra metade da dupla que encabeça esta revolução sonora.
Em palco, estão quase uma dúzia de músicos, que nunca descansam e dão tudo de si, numa despejo de energia incomparável sem nunca se descuidarem tecnicamente. ‘Month of May’ foi um dos momentos que incendiaram por completo o recinto do festival num rodopio frenético sonoro, que quase põe um pézinho no punk, seguida da estrondosa ‘Rebellion (Lies)’, que todos têm na ponta da língua. Este foi, seguramente, um dos momentos da noite e, vindo-se pelo sorriso de orelha a orelha de Win Butler, este não passou despercebido.
Claro que um concerto desta magnitude nunca poderia acabar sem bang e, já no encore, ‘Wake Up’ foi prontamente aplaudida por um público com ânsia de catarse emocional, que atingiu o extremo no tema emblemático dos canadianos. Levantam-se os braços, brada-se aos céus com uma comoção que desassossega e emociona – é este o fenómeno que inunda a Herdade do Cabeço da Flauta e abafa os próprios músicos, é este o abalo delirante que é provocado pelo espírito de um movimento que é maior do que os seus criadores. ‘Sprawl II’ encerra um dos melhores concertos que este festival já viu – para muito agrado de quem tudo suportou para o poder presenciar.
Por fim, uma vez mais, os Arcade Fire provam que já são pesos pesados no panorama musical internacional, mas mais que isso: são uma banda que, além de estilo, têm coração e espírito a transbordar.
16 de Julho de 2011
Foi com concertos como o dos nova-iorquinos The Strokes e Slash que foi encerrada esta 17ª edição do Festival Super Bock Super Rock, na Herdade do Cabeço da Flauta. A segunda edição do festival lisboeta no Meco foi um grande sucesso aparentemente. Apesar de esgotados os bilhetes para a maior parte dos dias o festival conta ainda com algumas deficiências estruturais, tanto a nível do recinto em si, como no acampamento. O pó parece ser uma das maiores queixas, algo a que os organizadores têm de tomar atenção, para não dissuadir os possíveis e futuros festivaleiros que terão reservas em respirar a poeira levantada.
Neste último dia foram os X-Wife, os já muito conhecidos músicos portugueses, que estrearam o palco principal por volta das sete da tarde. Apesar do público ser menor e as condições climatéricas não estarem a favor (tanto em termos de calor como de vento), os portuenses proporcionaram um agradável concerto, repleto de energia e boa-disposição. Junta-se o estilo descontraído dos artistas ao indie rock electrónico e tem-se a receita dos portuenses: temas eficazes como “OntheRadio” e “I Keep On Dancing” conseguiram incitar as massas a abanar as ancas, naquela que foi uma oportunidade de apresentação do novo esforço Infectious Affectional. Considerem-nos convencidos.
Pouco depois, eram os PAUS que faziam furor no palco secundário. A super banda, constituída por nomes como o de Hélio Morais (Linda Martini e If Lucy Fell), Joaquim Albergaria (The Vicious Five) e de Makoto Yagyu (If Lucy Fell), levou os amantes de música por uma viagem tribal e espacial mirabolante ao longo de quase uma hora. Considerado como um dos novos e mais entusiasmantes projectos que se desenrolam em Portugal, os PAUS aliam o inabitual
(tanto na bateria a dobrar como na multiplicidade de influências sonoras) ao empiricamente provado (principalmente os coros) numa comunhão feliz e de inegável qualidade. Ao vivo, mostram uma enorme mestria técnica nos temas do EP É Uma Água – ‘Mudo e Surdo’ é o ponto alto do concerto, sem dúvida - e também nos do disco por lançar em Outubro, que mostram uma vertente ainda mais experimental dos heróis do público português. Um concerto vertiginoso que encheu as medidas.
Novamente no palco principal, era Brandon Flowers que dava ares da sua graça. Sem os The Killers, o músico americano apresentou-se bem disposto e comunicativo na apresentação do seu álbum de estreia, Flamingo, ao público português. Menos chamativo que o trabalho com os restantes membros da banda, os temas do seu álbum de estreia não mostram um grande desvio da sonoridade chave dos The Killers, nem são particularmente originais. No entanto, ‘Jilted Lovers’ e ‘Only The Young’ foram algumas das músicas que mais agitaram os jovens, que os receberam de braços abertos, mas que apenas vibraram nas versões de ‘Mr. Brightside’ e ‘Read My Mind’. Refrões chorudos e pé no electrónico marcam o passo e Brandon Flowers pode, com certeza, ter razões para sorrir com a sua recepção em Portugal a solo.
Já os Junip, no palco secundário, também foram bem recebidos, talvez por um público que ansiava um ambiente mais calmo e uma fuga ao frenesim que caracteriza os festivais de verão. Mais conhecidos pelo seu vocalista, José González, a banda sueca proporcionou um concerto calmo, mas repleto de interesse, naquele que foi o regresso a Portugal desde a actuação no festival Super Bock em Stock, em Dezembro do ano passado.
O receptivo público ouvia com atenção do folk suave, dedilhado em guitarra acústica pelas hábeis mãos de González, claro mestre e maestro dos Junip: mostra-se um tímido e subtil intérprete, mas o sueco sabe quase que hipnotizar os festivaleiros com a sua voz amena, deliciando os ouvidos de quem estava presente. ‘Always’, ‘Rope and Summit’ e ‘Without You’ foram alguns dos temas tocados de Fields(2010), demonstrando uma sonoridade harmoniosa que, não sendo espectacular, é única.
Se os Junip gozaram de um público bastante acolhedor, no palco principal eram os Elbow que se esforçavam por manter os festivaleiros bem despertos. É decerto que os ingleses não criam o rock alternativo mais barulhento, sendo talvez demasiado emotivo e etéreo para reunir um entusiasmo maior do público, mas não se poderá dizer que não têm qualidade.
Vencedores do Mercury Prize pelo álbum SeldomSeen Kid, os Elbow demonstram uma enorme sensibilidade musical na construção de temas belíssimos como ‘LippyKids’, que têm uma complexidade maior do que a que aparentam à primeira vista (daí que cheguem a um rock progressivo, que não o deixa de ser por ser mais moderado). Na apresentação de Build a RocketBoys!, os britânicos mostraram-se excelentes, com uma performance em palco activa e animada, no entanto, a massa de cabeças que já se alojavam perto do palco principal parecia apenas guardar lugar para concertos maiores. É uma pena.
Fomos impossibilitados de assistir ao concerto de Ian Brown, no entanto, permanecemos para testemunhar a presença do mítico Slash, ex-guitarrista dos Guns N’ Roses, no palco português. Rock and roll puro já é de esperar, e foi o que marcou o passo no final do último dia no Meco.
Slash, de cartola na cabeça, continua um inatacável performer ao vivo, deslizando pelo braço da sua guitarra eléctrica como se fosse um próprio membro do seu corpo. A mestria do seu instrumento nunca poderá ser algo que podemos criticar, no entanto, o temas do seu álbum a solo pareciam agradar mais a entusiastas e conhecedores do seu trabalho, permanecendo indiferente para muita gente que assistiam ao artista.
Myles Kennedy emprestou a voz, de forma competente, a temas como ‘Ghost’, ‘Mean Bone’ e ‘Nighttrain’, porém, estes pouco foram capazes de agitar a hoste. O acordar da hipnose (já o cansaço era muito) dos que assistiam só veio com a famosíssima ‘Sweet Child O’ Mine’ e ‘Paradise City’, então sim, entoada pelo recinto e aplaudida como nunca. Velhos êxitos que nunca morrem, por isso pode Slash estar grato.
Messias do indie rock, ídolos de uma geração, chamem-lhe o que quiserem – o fenómeno The Strokes ainda é grande e capaz de atrair um grande público. Os senhores que lançaram uma grande parte do movimento indie, no início do século XXI, apostaram num concerto eficaz, com os melhores momentos da sua carreira, embora tenha pecado por ser curto.
Julian Casablancas e a sua trupe entraram de maneira despreocupada em palco, abrindo de imediato com ‘New York City Cops’, seguindo-se pouco depois por ‘Reptilia’ – e o delírio é universal. Fãs apertam-se, saltam e bradam os versos mais que recordados, tão ansiosos por catarse emocional que é impressionante de ver. Apesar de terem a etiqueta de alternativos, não estão longe do apelidado comercial, com o rock extremamente melódico e harmonioso, repleto de solos, que satisfazem qualquer ouvinte fácil de música.
Sabem que a sua fórmula funciona – basta assistir à sequência ‘Last Nite’, ‘Modern Age’ e ‘Is This It’ para o confirmar, uma vez que, apesar dos ligeiros problemas de som, o público retribui tudo o que lhe é dado, com ânsia de agradar aos seus ídolos. Talvez este culto aos The Strokes tenha sido resultado do pequeno interregno de cinco anos que se seguiu ao lançamento de First Impressions of Earth, em 2006, mas o que é certo é que os fanáticos Strokeanos até o disparo algo ao lado de Angles, lançado neste ano, perdoam. ‘Machu Picchu’ e ‘Under Cover of Darkness’ são belos e agradáveis exemplos deste ligeiro desvio sonoro que deixou a pedir mais, mas que é bem recebido por um público com energia inesgotável.
Ora, se o público brilhou pelo seu apoio incondicional, os performers é que ficaram um pouco a perder. Apesar de comunicativos, o espírito e a quase rebeldia que caracterizava a banda nova-iorquina no início de carreira (e até na passagem por Lisboa, em 2006) parece ter desaparecido, sendo substituído por uma exibição mecânica, embora tecnicamente irrepreensível – Valensi e Hammond, Jr. dedilham as suas guitarras com a mesma pujança de Slash. Já Casablancas passeia pelo palco despreocupado e parece uma sombra de si mesmo – parece estranho quando anteriormente viviam do espírito e da performance ao vivo exuberante e energética.
A lendária ‘Hard to Explain’ antecede a agressiva e energética ‘Juicebox’ e pouco depois é ‘Take It or Leave It’, num fechar explosivo de concerto, mas que não contou com nenhum encore. Os fãs ficam a pedir mais, mas não têm sorte. Fica a memória de uma banda crescida, de um concerto divertido e eficaz, mas também a memória do que já foi.
Passatempo Super Bock Super Rock 2011
Jul 4th

O Festivais de Verão em parceria com a Super Bock tem Passes para te oferecer para o Festival Super Bock Super Rock.
O Festival Super Bock Super Rock realiza-se de 14 a 16 de Julho na Herdade do Cabeço da Flauta, junto à Praia do Meco em Sesimbra.
Este Festival conta com três palcos: Palco Super Bock, Palco EDP e Palco @Meco. Alguns dos mais sonantes que passam por este festival são Arctic Monkeys, Arcade Fire, Brandon Flowers, Slash, The Strokes, Portishead, Lykke Li, The Vaccines, entre muitos outros.
O preço do bilhete diário é de 45 Euros e o passe para os três dias com campismo 80 Euros.
Meco Sol & Rock'n'Roll
O Festival Vodafone Mexe Fest 2011 vem substituir o extinto Super Bock em Stock.