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Reportagem Super Bock Em Stock – Dia 5
Dec 6th
O desfecho da segunda edição do festival Super Bock em Stock prometia grandes concertos nas seis salas de espectáculos da Avenida da Liberdade. Beach House, Little Joy, Patrick Watson e Kap Bambino eram os nomes mais aguardados da noite por parte dos milhares de fãs (e caras conhecidas) que percorreram ontem o passeio lisboeta, apesar da ameaça da chuva e do tempo apertado. Aliado, então, a boas condições climatéricas, o Stock convenceu e desafiou consecutivamente os amantes da música leve a comprovarem a qualidade das diversas bandas actuantes, dando muitas vezes azo a surpresas.
Coube a João Só e Abandonados cortar as fitas e a uma distância de poucos metros, é Mocky, Dominic Salole e banda que embalam os (bastantes) espectadores com versões jazz e electrónicas de canções conhecidas por todos nós no Cabaret Maxime, mostrando um grande entusiasmo especialmente na escolha do guarda-roupa.
Já na sala principal do São Jorge, Os Golpes aquecem a noite que se adivinhava atribulada por tamanhas trocas de passeio da Avenida. Lançados pela Amor Fúria, a sua estética musical faz lembrar tanto os trejeitos nacionais de Heróis do Mar, como o instrumental aguçado dos The Strokes, e os artistas vão agradando a um público paciente com temas de Cruz Vermelha sobre Fundo Branco, disco de estreia. Como afirmavam numa das suas músicas, “Não sou uma ausência / sou um corpo inteiro” – os Golpes mostraram ter estilo e substância.
É pouco depois que se dá a entrada dos Beach House no palco do Tivoli. A dupla formada por Victoria Legrand e Alex Scally já tinha passado por terras lusas no ano passado e marcaram presença no festival de inverno para apresentar os novos temas de Teen Dream, que será lançado em 2010. Os americanos envolvem os expectantes espectadores num lo-fi sonhador, que resulta bem no ambiente intimista do Tivoli, porém, se a nível técnico pouco temos a apontar, a performance dos Beach House pareceu estar um pouco aquém do esperado, talvez por cansaço dos artistas que só mais para o final aqueceram e pouco comunicaram. A voz grave de Victoria e as ternas melodias dedilhadas não deixam de ser cativantes e deixaram as hostes satisfeitas, já prontas para seguir em frente.
De seguida, uma pequena pausa para decidir novas direcções. Os que deram um salto ao São Jorge para ver o rock pintado de new wave e electrónica dos The Invisible, não saíram com as expectativas defraudadas, no entanto, se a espera pelo próximo nome de algum relevo era mal suportável, as cadeiras do Tivoli ofereciam descanso aos que preferiram os Little Joy. Curiosamente, a banda constituída por Rodrigo Amarante, dos brasileiros Los Hermanos, Fabrizio Moretti, dos largamente aclamados The Strokes e a multi-instrumentista Binki Shapiro, volta ao local de origem, uma vez que os dois músicos cruzaram caminhos em Lisboa no ano de 2006, e assim, trocaram ideias que resultariam na génese dos “pequena alegria”. A simpatia dos Little Joy é contagiante e é impossível não se deixar levar pelos sons acalorados de “The Next Time Around” e “Unattainable”, onde se destaca a tímida Shapiro, que valeram várias rondas de aplausos. Nota para os gracejos com o público e os elogios a Beach House, num jeito completamente envolvente e fascinante.
“Românticos, inovadores e audaciosos”, os britânicos Piano Magic criaram uma pequena bolha post-rock/indie/electrónica na sala 2 do São Jorge, onde os fãs abanavam a cabeça e os curiosos olhavam atentamente.
“Não vos vou mentir”, comentava Patrick Watson, algo entre o espantado e o divertido, “este foi um dos concertos mais estranhos que já demos.” Não é por menos: não se registam quatro falhas de som e uma ida cómica e proclamada aos lavabos em qualquer evento musical. De facto, o concerto do Canadiano pouco teve de vulgar, pois a sua entrega e improviso despreocupado face às peripécias já mencionadas ajudaram à materialização de um concerto único e impressionante, no conforto familiar do cinema lisboeta. De início, Watson começa por encantar as massas com as melodias suaves tocadas em piano e os falsettos estrondosos que arrepiam a espinha (fazendo lembrar um Jeff Buckley e até um Andrew Bird na teatralidade carismática), apoiado pelos Wooden Arms em devaneios caóticos instrumentais que integram este indie folk de autor mais do que competente. Assim, passam por alguns dos temas do recentemente editado Wooden Arms, como “Fireweed” e “Big Bird in a Small Cage”, e é no tema homónimo que Watson, ao perder o som, toca em acústico e canta por megafone – o público esforça-se por não fazer barulho, tanto é o encanto. Fenómeno repete-se na rendição irrepreensível de “Man Under The Sea”, mergulhado no calor da multidão. Os que presenciaram a tamanha grandeza do prodigioso músico não se inibem na demonstração de afecto, obrigando-o a voltar para dois encores, num dos quais arrisca uma cómica performance soul de “Shame” em jeito de retribuição. Os convertidos e os conversores agradecem.
Preparados para motim electrónico roçando a histeria? São os Kap Bambino que lhe dão vida no Parque de Estacionamento do Marquês do Pombal, num concerto frenético e a rebentar pelas costuras, cheio de sons distorcidos com laivos de 8-bit. Embora logo de início se apresentasse bem composto, à medida que a noite prosseguiu, foi notável o caos liderado por Caroline Martial que se instalou no espaço reduzido. “Dead Lazers”, “Save”, “Hey!” e “Neutral” foram alguns dos êxitos dos franceses que foram celebrados por um público fiel e devoto em puro êxtase.
Ainda no Marquês de Pombal, Dr. Ramos e Zé Pedro DJ dão o remate ao festival de Inverno, brindando os inabaláveis com a música electrónica até as altas horas da noite.
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Reportagem Super Bock em Stock – Dia 4
Dec 5th
A 2ª edição do festival Super Bock em Stock teve início esta noite, final de semana encurtada pelo feriado. Registando a adição de vários locais de espectáculo, como o La Caffé e Parque de Estacionamento do Marquês de Pombal, o evento repete a fórmula do ano passado, convidando os lisboetas a passearem pela Avenida da Liberdade, saltando de casa em casa. Voxtrot, Wild Beasts, Ebony Bones e Wave Machine eram os nomes mais esperados deste primeiro dia, tendo como The Legendary Tigerman, Samuel Úria e Blacklist, entre outros, as alternativas aos curiosos.
Os Bass-Off deram início ao festival, actuando na sala 2 do cinema São Jorge. Vencedores do Festival Termómetro, os caldenses apresentaram alguns temas do seu primeiro álbum Ohmónimo, envolvendo os poucos aventurados no seu rock experimental. No Maxime, é Anaquim que toca folk que revisita alguns êxitos portugueses, apresentando também o seu ep de estreia Prólogo. Prova que a organização do festival aposta fortemente em novos projectos.
Os aguardados Wild Beasts tomaram lugar no São Jorge, recebidos de sala cheia. Os ingleses deram um dos melhores concertos da noite, dando a conhecer algumas das músicas do recém-lançado Two Dancers, como "We Still Got The Taste Dancing On Our Tongues" e "Hooting & Howling". Inicialmente recebidos de forma pouco entusiasta pelos adeptos do SBES, a banda fascinou com os seus falsettos teatrais e o instrumental etéreo, mostrando que são uma das bandas do momento mais interessantes.
No entanto, no Tivoli, a espera por Ebony Bones, a artista, produtora e actriz irreverente, já totalizava os 30 minutos, mas os fãs ansiosos dão luta. Ao entrar o furacão de cor, ritmo e música da banda de suporte e da própria, estão todos de pé, prontos a aplaudir este fenómeno, considerado pelo festival South by Southwest uma das melhores contribuições de 2009. A África psicadélica é o tema: com o seu electrónico tribal, com cheirinho a funk e pós-punk, entre muitos outros, Ebony Thomas, de nascença, não fica indiferente a ninguém e não pára até estar tudo a mexer. Quase sem pausas, quase sem fôlego, Ebony apresenta alguns temas do Bone of My Bones (2009) de estreia, com tempo ainda de convidar uma rapariga ao palco para substituir uma das suas cantoras, impossibilitada de visitar o país devido a problemas com o seu visto. Versão extravagante de Another Brick in The Wall, de Pink Floyd, também não falta. Ao mesmo tempo, são os Wave Machines que, segundo relatos, surpreendem os admiradores com o electrónico minimalista no Cabaret Maxime - faz falta uma máquina do tempo!
No São Jorge, Mikkel Solnado e Gabriel Flies vêm da Dinamarca para acolher o público tímido com a característica forma intimista. Em gestos e sorrisos "tu cá, tu lá", o produtor/cantor/compositor português Mikkel (para os curiosos, filho do actor Raul Solnado) brinca e encanta ao som de um bonito e melodioso pop-rock, em temas como "We Fell".
Outro dos nomes mais aguardados da primeira etapa do Stock são os Voxtrot. Banda de Austin, Texas e liderada por Ramesh Srivastava, já totaliza 3 eps e um álbum de estreia, apresentado em 2007, ora, de certa forma não podem ser considerados iniciantes. De entrada pouco efusiva, quase despreocupada, os artistas mergulharam logo no indie pop dançável , contagiante e de bom humor - brinca-se com a falta do português e o encanto pelo país lusitano. Tanto com "Mothers, Sisters, Daughters and Wives" como com "Firecracker", os Voxtrot ganham a simpatia da plateia do São Jorge, quer com a sua sinceridade deprimente, quer pelo ar de quem não faz mal a uma mosca. No entanto, se, aos que desconheciam os laivos twee e ternos da banda da guarda Pitchfork, apenas provocavam simpatia, o set dos texanos parecia quase unicamente dirigido aos fãs, poucos mas interessados, marcando presença. Srivastava não deixa de saltar pelo palco com o entusiasmo de quem recebeu uma guitarra pela primeira vez. A novidade dá lugar ao cansaço e o formato dos Voxtrot acaba por cansar pela repetição, porém, marca para "Steven", onde se trocam as guitarras pelas teclas e para os pedidos de casamento do líder da banda, aceitando qualquer habitante luso.
É precisamente um nome português que faz furor do outro lado da Avenida - Paulo Furtado, mais conhecido como The Legendary Tigerman, espalha os blues num Tivoli lotado. One-man band exigente, mostra primo e rigor na exibição dos novos temas de Femina, acompanhados por videoclipes que o festivaleiro podia visionar em dois ecrãs no palco. Femina dedica-se ao homem que adora as mulheres e que se aproxima delas através da música, ora, Furtado é acompanhado de várias convidadas especiais. Precisamente, Rita Redshoes, Phoebe Killdeer (repetente no Stock) e Claudia Efe foram sedutoras na partilha do foco de luz com o membro integrante dos Wraygunn e animam as massas na falta de Maria de Medeiros, que também entra no último esforço do artista. Os êxitos anteriores não são esquecidos e o público é presenteado com "Honey, You're Too Much", na voz de um Paulo Furtado carismático, mas também imprevisível. O Homem tigre toca sozinho, como já dito, na tradição dos blues men do Mississipi que tocavam e encantavam sozinhos. Pena que no meio de tanta função e instrumento, o nosso Conimbricense seja sempre atropelado por problemas técnicos e que pouca paciência tenha para os mesmos - foco para o arremessar da guitarra, à semelhança da edição do Super Bock Super Rock, em 2007, em pleno palco secundário.
Quase no encerrar da noite, ainda há tempo para visitar os Easyway, que na segunda sala do São Jorge apresentam o novo álbum e filme Laudamus Vita. Uma ideia interessante celebrada pelos rockeiros, que, numa onda DIY (do it yourself), escreveram o guião, produziram, filmaram e editaram o projecto cinematográfico. Se este pouco nos cabe comentar, resta dizer que o punk rock melódico apresentado pouco ou nada tem de novo, num estilo estagnado e pouco inovativo.
Por fim, num Parque de Estacionamento algo macabro a horas avançadas da noite, os Orelha Negra apresentavam versões conhecidas em formato groove, jazz e hip hop, acompanhadas por banda, aos poucos resistentes. Marcelinho da Lua encerrou o primeiro dia deste festival.
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