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Reportagem AS61 – Um tributo a António Sérgio – Lisboa
Jan 15th
Sem fronteiras, sempre com qualidade
António Sérgio é um daqueles nomes que viverá para sempre no legado que deixou para trás. Nas bandas que descobriu (Xutos & Pontapés, entre outros), na geração que marcou, nos amantes de música que criou. Símbolo de uma era em que se gravavam em cassete os programas de rádio, em que se juntava dinheiro para comprar aquele disco, em que só fazia música quem realmente tinha alma para a fazer e não quem tinha um computador e um programa de edição. Símbolo de um passado que já foi, mas que muito influenciou o presente.
A noite de homenagem que se viveu no São Jorge, num serão de concertos de todos os géneros e gerações, foi a melhor forma possível de o homenagear. Colocar aquelas bandas, umas jovens outras veteranas, umas dum género outras de outro, no mesmo palco foi a homenagem ideal para um homem que sempre lutou pela quebra de fronteiras entre géneros, que sempre lutou pelo direito à diferença. O que se viu não foi, afinal de contas, apenas uma noite de belos concertos (uns melhores que outros, claro): foi também o ideal de vida e a alma de um homem que deixou para sempre uma forte e feliz marca na vida musical do nosso país.
Foram, portanto, vários concertos, todos eles diferentes, todos eles bons à sua maneira. Seis bandas: Dead Combo, Os Golpes, Linda Martini, Peste e Sida, Moonspell e Xutos & Pontapés, com esta mesma ordem de entrada. Cerca de quatro horas de boa música, com o melhor do que se faz (ou já se fez) por cá no mesmo palco, num São Jorge previsivelmente esgotado.
Os primeiros foram, então os Dead Combo, que em apenas meia-hora (o tempo dado a cada banda) mostraram o porquê de serem hoje em dia das bandas mais interessantes por cá. Numa selecção óptima, tocaram um alinhamento consistente e que representa todo o seu estilo. Começaram com uma cover fenomenal, feita de propósito para aquela noite, de I Feel Love, de Donna Summer, e de seguida continuaram passando por tais temas como Pacheco e a espectacular Temptation, de Tom Waits. No início, Tó Trips leu um lindíssimo texto da banda escrito de homenagem a António Sérgio, nome que seria evocado regularmente ao longo da noite. Deram meia-hora de excelente música, que certamente terá criado a curiosidade em quem antes não os conhecia, e saíram do palco com o dever mais que cumprido. Fenomenais, como sempre.
De seguida, vieram Os Golpes. Concerto agradável, mas longe de fazer jus ao que a banda é capaz. Quem já antes os tinha visto sabe bem que são capazes de muito, muito melhor, e o alinhamento em si não foi do melhor (faltaram canções do grande Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco). O novo disco parece bom, sem dúvida, e canções como A Brasileira ou Vá Lá Senhora resultam bem, mas estão bem longe daquilo que a banda é capaz. Foi bom, mas poderia ter sido muito melhor. Mesmo com tão pouco tempo…
Os Linda Martini foram os que entraram a seguir, e o que fizeram foi um pequeno milagre. Meia-hora de guitarras ao poder, com grande parte do público de pé após o apelo da banda para que abandonassem as cadeiras, com um rock como só eles conseguem fazer. Num alinhamento que se ficou pelo último álbum, Casa Ocupada, a banda provou o quão bem resultam ao vivo as novas canções (algo que não deverá ter surpreendido quem os viu num dos últimos concertos que deram cá na capital). Conseguiram em pouco tempo criar uma onda de energia que varreu o São Jorge, com canções como Juventude Sónica (épica) ou Nós os Outros a fazer tremer (literalmente) as cadeiras da sala. Terminaram com uma grande cover de Sémen, a canção intemporal dos Xutos & Pontapés, que mais tarde voltaria a ser ouvida, com um São Jorge de pé em estado transcendente. Grandes, como sempre.
Os Peste e Sida entraram a seguir, naquele que foi nada mais nada menos que um puro regresso ao passado. Num alinhamento maioritariamente de clássicos, todos os quarentões da sala e não só levantaram-se para saudar a banda que marcou uma geração de ouvintes. Punk-rock puro, como raramente se fez por cá, tocado por um grupo que ainda está em forma. Canções como Chuta Chavalo e Vamos ao Trabalho (esta já dos anos noventa) são verdadeiros hinos, e quando o concerto terminou em pura apoteose com a grande Sol da Caparica (claro!), o impacto que a banda teve e o legado que tem tornou-se inegável. Belo concerto, tanto para os mais velhos como para os mais novos.
Os Moonspell, banda que se seguiu, já não têm nada a provar a ninguém. Atingiram já sucesso internacional, são dentro do género das maiores bandas da nossa história, e no São Jorge confirmaram bem toda essa energia e qualidade. Puro metal, com headbanging da banda e dos presentes, com aquele tão usado símbolo feito pelas mãos no ar, num concerto curto mas energético. Fernando Ribeiro tem carisma, e fala com uma sabedoria inegável, quer se goste quer não. Quando falou da forma como esta noite se barreiras, com tantos géneros representados numa única noite, era a melhor forma de homenagear António Sérgio, foi impossível não concordar. Terminaram com Alma Mater, dedicada ao guru da rádio que infelizmente nos deixou, e no final fica-se com vontade de ouvir mais. Quer se goste quer não, como eles por cá não há mais ninguém.
De seguida veio a última banda, o grande nome da noite e de todo o rock do passado, presente e futuro da música nacional, e a noite foi deles. Os Xutos & Pontapés, que estiveram em palco esta noite não foram os Xutos domados e comerciais que hoje em dia enchem estádios; foram os Xutos dos anos 80, com alma e garra, que António Sérgio descobriu. Pegaram em 78/82, espantoso (não há outra palavra) primeiro disco da banda, e interpretaram alguns dos seus maiores temas (que, simplesmente, hoje em dia já não tocam), com outros grandes clássicos dessa época de irreverência e testosterona.
Nada de casinhas, nada de contentores, nada de corações que se partem. Os Xutos que ali estiveram foram os de há décadas atrás; e os Xutos de há decadas atrás foram, simplesmente, os maiores. Começaram com Som da Frente e Esquadrão, grandes canções que foram um verdadeiro luxo de ouvir. Estilo energético, letras audazes e atrevidas, rock em todo o seu esplendor. 1º de Agosto não tardou a vir, e foi simplesmente um momento único. E quando pouco depois pegaram no seu primeiro álbum, foi como se subitamente os Xutos do passado tivessem regressado. O que dizer de canções como Viuvinha ou Dantes? Ou a grandiosa Mãe, provavelmente das melhores canções alguma vez feita em toda a nossa música? Ou a épica e arrebatadora Avé Maria, que ainda (muito) ocasionalmente tocam em concertos? Foi um concerto que certamente ficará na memória dos que ali estiveram, dos que tiveram o luxo e a sorte de ver a banda a tocar ao vivo mais uma vez os seus melhores temas que, infelizmente, hoje em dia estão renegados, postos de lado perante êxitos como Contentoresou Ai Se Ele Cai. Foi provavelmente a primeira e última vez que muitos ouviram aquelas canções ao vivo, e foi nada abaixo de memorável.
Por uma noite, os Xutos & Pontapés do passado regressaram. E provaram porque é que foram dos melhores de sempre. Sémen, claro, foi a canção que pôs um ponto final na noite, e não o poderia ter feito de melhor forma. Quando sairam do palco, ficou-se com a certeza de ter estado presente num evento único, num regresso a um passado glorioso de uma banda que já foi gloriosa. A noite foi deles, tal como já foi todo o nosso rock.
Seis concertos, todos eles bons ainda que curtos, um deles verdadeiramente único e memorável. António Sérgio pode já nos ter deixado, mas o seu legado está mais que vivo.
O que se viu em palco foi do melhor que se faz (ou do que se fez) em música portuguesa, e um sinal do impacto que o radialista deixou. Seis boas bandas, seis bons concertos que, sem ele, provavelmente não teriam existido.
O homem deixou-nos, mas a sua obra continua. Se assim não fosse, sabe-se lá o que seria de nós e da música que fazemos.
Reportagem Super Bock em Stock 2010
Dec 5th
Festival Super Bock em Stock - Fotos
Apesar de o frio ser muito, a adesão não ficou àquem das expectativas, movendo-se as massas lisboetas para ver hoje nomes como Owen Pallett, Kele, Zola Jesus ou mesmo Wavves.
Jorge Palma é um dos artistas que iniciam a noite de espectáculos, actuando na estação de metro do Marquês de Pombal. O poeta português, de cigarro na boca, não foi recebido por uma grande audiência, talvez por ainda ser cedo, no entanto, não deixa de entretê-la com alguns dos grandes temas da sua carreira, como Lobo Malvado, Frágil e O Bairro do Amor. É um rock de intérprete simpático e eloquente, do qual ninguém se poderá queixar.
À superfície, o BES recebeu Tiago Bettencourt em Fuga pelas 21h00. O espaço enchia perante um palco onde se ouviram temas como A Chaga dos Ornatos Violeta e Sentir o que Eu Senti. O artista confessou ter esperado que o público estivesse sentado em cadeiras e por tal não se ter concretizado, os seus planos teriam de ser reajustados.
Seguiram-se temas como O Jogo e o local quase apinhado presenciava um constante “entrar e sair” de pessoas, comum a todos os concertos deste festival peculiar.
Entretanto, na sala 2 do São Jorge, os The Shoes davam início a um dos concertos com mais energia do festival. Os franceses encheram a sala com o seu humor, aliado aos seus ritmos viciantes, perante um público entusiasmado e pronto para dançar. Temas como Stay the Same fizeram o espaço tremer mas o auge da festa estava guardado para os últimos dois temas: People Movin’ e Amerloque.
A banda tem vindo a ganhar mais e mais protagonismo e ficou registada por todos como uma banda a seguir, sem dúvida alguma.
Com o cancelamento dos franceses Adam Kesher, o Maxime era todo dos Pinto Ferreira. Essa apropriação de espaço foi tomada literalmente, a dupla “Pinto” e “Ferreira” – assim indicavam as suas identificações - apresentou-se ao balcão do bar do Maxime, de guitarra e assobio em riste, rodeados por uma casa bem apresentada, à medida que se iam deslocando para o palco-estrado onde se encontrava o terceiro membro (à bateria), do trio que de nome parece ser uno. Os três, em conjunto com o público que trocou, pelo menos, o início de Owen Pallet umas salas mais acima, fizeram soar Violino no Telhado, primeiro single dos lisboetas.
Já no Tivoli, o acanhado Owen Pallett dá ares da sua graça. O espectáculo do canadiano é um autêntico one man show: é de admirar como um só homem articula o violino, o teclado e os pedais com uma perícia e cronometragem formidáveis, quase fazendo esquecer que é apenas um e não algo como um quarteto de cordas. Ao público português isto certamente não escapa, pois o canadiano é prontamente aplaudido em todos os devidos momentos, deliciando com o rodopio harmonioso dos seus instrumentos.
Abrindo com The CN Tower Belongs to the Dead, Pallett não hesita e não gasta tempo, lançando-se num coeso e variado set que incluía tanto temas de “Heartland” (2010), como Midnight Directives e Lewis Takes off His Shirt, tal como do novo EP “A Swedish Love Story”, como Don’t Stop e A Man With No Ankles. No entanto, o intérprete não esqueceu temas do projecto Final Fantasy: a fantástica This is the Dream of Win and Régine, inspirada nos músicos de Arcade Fire, e This Lamb Sells Condos, talvez um dos temas mais célebres do artista. No ambiente intimista do Tivoli, Owen Pallett soube encher tanto a sala como as expectativas, mostrando, novamente, que, acima de tudo, é um grande compositor.
Enquanto que a sedutora Adriana entretém os lisboetas com sonoridades pop, jazz e bossa nova, é o autor do ‘folque(lore)erudito’ que enche a Sala 1 do São Jorge. B (fachada), B de Bernardo, é talvez um dos intérpretes portugueses que maior ascensão tem tido nos últimos tempos, algo espelhado na aderência entusiasta do público lisboeta. O multi-instrumentalista artista é brincalhão e transborda de auto-confiança, trazendo um cunho muito próprio às suas músicas calmas, quase choradas por vezes, de letras num português pouco ortodoxo.
Apesar de acompanhado por contra-baixista e baterista, é na participação de Sérgio Godinho que o concerto de B (fachada) ficou a ganhar. O peso pesado da música nacional portuguesa empresta a voz e algumas músicas a B (fachada), como Lisboa que Amanhece e Etelvina, e é na união da dupla que ressalta a harmonia de dois talentos que não têm assim tanto de diferente. Tirando colaborações, é na apresentação de alguns dos temas do novo esforço "B Fachada é Pra Meninos" que o público pede por mais. O português atendeu a pedidos e garantiu um concerto agradável.
A subir a avenida, podíamos ouvir o autocarro onde os Kumpania Algazarra faziam jus ao seu nome enquanto faziam descer a festa.
A fechar o BES Arte para esta noite, Hollywood, Mon Amour (a julgar pelo repertório apresentado, baseados nos Duran Duran), foram os espanhóis escolhidos. As interpretações em modo mais romântico de clássicos como Cat People de David Bowie, Eye of the Tiger, When Doves Cry de Prince (que a banda esperou ouvir do lado do público), Deep Dish, e Vangelis e Ghost Busters para o encore, deixaram a avenida bem impressionada, apesar da dificuldade no sing-along. Com trajes e expressões corporais mais ou menos provocantes, demonstraram uma simpatia a que não estamos muito habituados por parte dos nossos vizinhos. As duas vocalistas vieram suportadas por uma banda bem treinada. Trancou-se assim a porta do BES até ao dia seguinte.
Quem se atrasou para o S. Jorge, já dificilmente conseguiria entrar em qualquer uma das salas. Para Lars & The Hands of Light fazia-se fila como se fosse sala principal, e ia-se sustituindo o público enquanto aqueles cuja curiosidade já estava satisfeita, iam saindo da Sala 2. A sala foi dançando por entre Keep My Feet Tagging Along, Me Me Me – sobre mim, sobre ti, sobre nós e os outros – e Three to the Floor. Os dinamarqueses souberam justificar o porquê de terem deixado pessoas à porta, e também eles fecharam a da Sala 2, enquanto os Spokes começavam a dar os primeiros acordes, uma sala acima.
No terraço do Hotel Tivoli, espera-nos uma pequena surpresa com os Spokes, banda inglesa que se dedica ao post-rock. Belas harmonias dedilhadas por guitarras eléctricas, em crescendo até finais apoteóticos e, por vezes, apesar da maior parte do seu material ser instrumental, letras meio cantadas por vozes emotivas. Com o segundo álbum quase a sair, "Everyone I Ever Met", os Spokes dão um concerto agradável, apesar de encafuados no canto da sala do terraço do hotel. É certo que pouco ou nada acrescentam a um género musical que já há muito estagnou, mas não deixam de ser algo encantadores.
Para fechar o Tivoli, o escolhido foi Kele. Apresentações dispensadas, o britânico trouxe boa-disposição e o seu primeiro álbum a solo, “The Boxer”. A sala estava apinhada e as cadeiras eram dispensadas. A festa durou o concerto todo e temas como os Everything You Wanted, On the Lam e Tenderoni (com o cantor a percorrer o corredor da sala de uma ponta à outra) foram alguns dos temas predilectos do público. Os fãs ainda tiveram direito a um medley de Bloc Party, remisturado por Kele, composto pelos temas Blue Light, The Prayer e One More Chance.
Flux, também de Bloc Party, antecedeu o encore, onde não se ouviram mais temas do artista. Tivemos antes direito a uma belíssima cover de Goodbye Horses de Q Lazzarus, que lhe valeu um elogio de Owen Pallett via twitter, artista que Kele também elogiou durante o concerto pela sua actuação. Para o fim ficou um dos temas mais marcantes da sua anterior banda, This Modern Love. Palavras não chegam para descrever o que se sentiu naquela sala durante aquele momento.
A quem não agradassem os primeiros 15 minutos da brilhante actuação do vocalista dos Bloc Party, podiam atravessar a rua até ao S. Jorge, onde Zola Jesus actuava. Praticamente sozinha no palco, para além do seu companheiro nas teclas/sintetizadores, a pequena e loira artista tem espaço para dar alma ao seu material sombrio de electropop. É realmente incrível reparar na voz imensa que Nika Roza Danilova tem, forte, poderosa e reverberante, que, acompanhada pelas batidas electrónicas dos sintetizadores, lançam um ambiente estranho na sala de espectáculos.
Normalmente associada a artistas como Fever Ray e The XX, a artista americana de apenas 21 anos veio apresentar o álbum “Stridulum II”, deste ano, e lança-se num set mais curto do que o esperado (cerca de 40 minutos, em vez da hora prevista), com destaques em Sea Talk e Night. Apesar do claro entusiasmo dos fãs nas filas dianteiras, é de notar que este projecto de Zola Jesus funciona bem melhor em disco, onde a voz de Danilova não está desprovida de efeitos sonoros e, portanto, onde a atmosfera etérea e sombria dos Zola Jesus tem mais espaço para se afirmar.
Mais um nome de electrónica no primeiro dia do Super Bock em Stock: desta vez foram os The Hundred in the Hands a inaugurar o palco do parque de estacionamento do Marquês de Pombal. Munidos de electropop contagiante, Jason Friedman, na guitarra eléctrica, e Eleanore Everdell, nas teclas, põem os que se arriscam a chegar à frente a mexer-se, num concerto que não foi memorável, mas soube antecipar bem a chegada dos Wavves. O primeiro esforço, homónimo, já serve de plataforma para esta dupla que, apesar de carismática em palco, mostra alguma falta de substância.
A terminar um grande dia, o calor tórrido da Garagem Vodafone acolhia agora Wavves. Poucos foram os que de lá saíram, até porque os californianos foram a banda escolhida para encerrar o dia. A longa fila fazia-se desaparecer no chão, enquanto se descia pelo pequeno corredor até ao piso -1.
Ainda Nathan ajustava os últimos pormenores, e já o público cantava. “Isto é apenas o soundcheck, ainda não é o concerto”, dizia ele. Pouco lhe adiantava tratar do som, porque só quem conseguiu ficar minimamente em frente ao palco conseguiu ter uma boa percepção do que se cantava, a juntar ao eco utilizado pelo vocalista, o som perdia-se a meio da garagem. Não foi impedimento para um bom espectáculo.
To the Dregs deu início à loucura, e como King of the Beach vinha no bolso das sweat pants de Nathan, foi a música homónima e Idiots deixaram o álbum recém-saído já introduzido. Post Acid era mais que pedida já a esta altura, mas ainda estava para vir. Quem os viu na Galeria Zé dos Bois mais ou menos por esta altura do ano passado gritava “Satan”, à memória de brincadeiras lançadas pelo baterista que não os acompanhou neste concerto, Jacob Cooper dos The Mae Shi. Wavves pos fim ao gozo de que até a banda se lembrava. Seguiu-se Friends Were Gone, enquanto o baixista que acompanhou Jay Reatard parecia levar socos invisíveis. No Hope Kids e Super Soaker fizeram uma boa combinação. Pelo meio, ao contrário do ano passado em que eram requisitadas substâncias ilícitas, pedia-se um cinto para o tour manager. Beach Demon e Linus Spacehead fecharam a primeira parte. Insatisfeitos pela falta de Post Acid, ninguém arredou pé, até voltarem os três em palco para um fim de noite brilhante. So Bored e Post Acid – evidentemente – foram as duas malhas escolhidas para abandonar aquele calor de verão que se sentia no subsolo. A banda que já contou com Zach Hill na bateria e cujos desentendimentos e re-formações são mais que conhecidos mostrou-se agradada com o fim da sua tour em Lisboa. Espera-se que em menos de um ano voltem a terás lusas.
Acaba em festa o primeiro dia de um dos únicos festivais de Inverno, num recinto peculiar. Cansados, os lisboetas (e tantos outros que rumaram de outras cidades) encolhiam-se perante um frio gélido.
Mais uma noite de concertos no Festival Super Bock em Stock. Neste segundo dia, os festivaleiros foram um pouco mais infelizes com o tempo, sendo confrontados com chuva, por vezes intensa, da noite de Inverno lisboeta. Porém, nada os demoveu de se deslocarem livremente para verem nomes como Junip, Linda Martini e a grande cabeça de cartaz desta noite, Janelle Monáe.
Mais uma vez, começamos a viagem na estação de Metro do Marquês de Pombal, pelas 21h, com Márcia a actuar. A cantora trouxe os seus doces temas ao subsolo e encantou com a sua voz. Uma das mais recentes revelações do panorama musical, Márcia fez valer o seu lugar na edição deste ano do festival.
Pela mesma hora, o BES acolhia Vicente Palma e todo o público que continuava a encher o espaço. Temas como “Véu” e “Névoa” foram tocados e a música nacional mostrou que ainda tem muito talento para dar.
Seguimos a ronda do festival com um fado muito especial: Lula Pena, de guitarra nos braços e copo de vinho no chão, deu uma actuação intimista e envolvente no terraço do Hotel Tivoli. Cantando maioritariamente em português (às vezes até com sotaque brasileiro), Pena embalou os muitos lisboetas sentados com canções tristes e sombrias, ‘phados’ acústicos de um cunho muito próprio. Foi, certamente, um dos destaques deste segundo dia.
Nuno Prata, ex-membro dos míticos Ornatos Violeta, tomou conta do palco do Maxime antes de o caos lá se instalar, mas lá para o fim da noite. Num concerto com músicos competentes e bem ritmados, ficou apresentado o recém-lançado “Deve Haver” a uma sala recheada de público que não os trocou por Lula Pena. As músicas quase de carrossel deixaram o glamoroso espaço de sorriso na cara.
Numa onda musical semelhante à que se sentia no Tivoli, passamos para a Sala 2 do Cinema São Jorge, onde os Domingo No Quarto actuam. Constituídos pelos multi-instrumentalistas Manuel Dordio e Mariana Ricardo, os Domingo no Quarto dedicam-se à música samba acústica e cantada de forma suave. Homenageando desde Chico Buarque até Cartola, os portugueses deram um concerto agradável aos que faziam tempo para ver Junip.
Um dos nomes mais esperados deste festival, Junip, preparava-se para actuar no São Jorge. Mais conhecidos pelo seu vocalista, José González, a banda sueca regressou em 2010 com um álbum novo, Fields, quase cinco anos depois do lançamento do primeiro EP. Este novo esforço foi tema principal de um concerto lotado, onde o folk sereno e a influência da música electrónica se juntaram para formar uma harmonia distinta e interessante, enchendo os ouvidos de um público arrebatado.
Os cinco elementos, muito aplaudidos, distribuem-se pelo palco do cinema São Jorge, mas é em González, tímido e subtil intérprete, que recai o foco das atenções. É notável a influência que o próprio artista tem sobre o trabalho da sua banda, uma vez que esta não se afasta muito da sonoridade do seu repertório a solo. No entanto, é nos seus companheiros de banda que se estabelece a profundidade de um som que, não sendo espectacular, é único. ‘Tide’, ‘Always’ e ‘Sweet and Bitter’ foram alguns dos temas que provocaram considerável entusiasmo nos portugueses, tanto que, face ao pedido, a banda volta para tocar ‘Without You’, já no encore. Para relembrar.
Ao mesmo tempo, do outro lado da estrada, a noite ia a meio, e o Tivoli encheu-se de ritmos africanos quando os Batida pisaram o palco. Poucos foram os que conseguiram resistir à boa disposição espalhada pela banda de Luanda, que teve em palco uma bailarina que mostrou a todos a alegria das danças africanas. Houve apitos em palco e por entre a multidão, que não pararam de tocar durante a actuação, a pedido da banda.
Após várias aparições em palco para fazer soundcheck, Eliot Sumner, mais conhecida como I Blame Coco, entra em palco por volta das 22h45 perante um público desde curioso a fãs devotos. O seu set não passou muito para além do normal, tocando algumas canções que muitos desejavam ouvir tais como ‘Please Rewind’ ou ‘In Spirit Golden’. “This is our last show of the year, thank you so much!”, diz num tom rouco, característico da sua voz, dando continuidade ao seu set. A cantora presenteou os lisboetas com uma cover de Fleetwood Mac, tocando ‘The Chain’, seguido do grande momento da noite, ‘Ceasar’, sem contando com a presença de Robyn. Foi, decerto, um momento bem passado, ao som de etéreos sintetizadores e guitarras que muitos não esquecerão.
Pouco depois de Jono McCleery encantar com a sua mistura de folk e soul no terraço do Hotel Tivoli, chega a altura do concerto da noite. Num Tivoli completamente lotado, com muitos festivaleiros a ocuparem todos os espaços livres, a antecipação já era muita, até que, pouco depois da meia-noite, as luzes apagam-se. Entra um porta-voz da banda, um senhor que, com discurso grandioso na ponta da língua e muita técnica de show business, afirmou que ‘Tonight, we’re going to make history!’. Podemos dizer que o que se passou nos 75 minutos seguintes certamente ficarão na memória de quem assistiu ao concerto da miss Monáe.
Entretanto, Marcos Valle deixava muitos ansiosos à porta da Sala 2 do S. Jorge, com um ligeiro atraso que não demoveu quem por amor estava à espera do brasileiro quase dono da Bossa Nova.
No autocarro, as placas que liam “É obrigatório todos os passageiros viajarem sentados” não fazia sentido. Tão pouco o fazia o sinal luminoso de STOP. Os Youthless tomaram conta de um palco que pareceu perfeito para eles. A banda dona de Good Hunters, filmada dentro de uma carrinha, revivem agora a experiência, mas desta vez com cerca de 50 pessoas dentro de um autocarro cuja suspensão deve ter gritado avenida abaixo. Incentivados por Alex, quem entrou no autocarro era obrigado a mexer-se, a saltar e a fazer inveja a quem estava lá fora ao frio. Quatro sets ao longo da noite, demasiado curtos, podíamos ter dado a volta à cidade aos saltos e seria pouco. Monsta é sem dúvida das músicas mais divertidas, e a mais requisitada (pelo menos na viagem que fizemos). A banda teve direito a Bus Surfing e a pessoas penduradas no tecto. Sem dúvida um dos melhores da noite.
Para quem apenas se lançou no mundo da música há três anos, Janelle Monáe tem o seu espectáculo ao vivo pensado até ao ínfimo pormenor, desde a indumentária aos confettis, balões e até pintura de quadros. Em ‘Overture’, passa um vídeo introdutório que explica o conceito por detrás de The ArchAndroid, o seu primeiro álbum datado do ano presente, que envolve um cenário futurista de opressão de andróides. ‘Dance or Die’ anuncia a entrada da artista e de um grande número de dançarinos, todos vestidos de preto e branco, que se bamboleiam ao ritmo da música – evocando um quase delírio do público, que é incitado prontamente a dançar e a saltar. A festa está feita: ‘Faster’ and ‘Lock Inside’, tocadas quase imediatamente a seguir, demonstram a versatilidade de Monáe e dos músicos que a acompanham, passando por energéticos temas de r&b, soul e funk, pautados pela fantástica voz da norte-americana.
Apesar de um grande leque de influências clássicas, como James Brown, Michael Jackson, David Bowie e Stevie Wonder, o repertório de Monáe é bastante coeso e actual, demarcando-se no universo do hip hop e r&b. São músicas como ‘Wondaland’, onde o pop é a força maior, e ‘Mushromm & Roses’, onde o rock psicadélico à la Beatles domina, que mostram o ecletismo de uma artista que, ao juntar uma miscelânea de estilos, constrói o dela de forma assumida e confiante. É, então, a qualidade musical aliada à forte presença em palco que tornam o espectáculo de Janelle Monáe em algo digno de ser visto e revisto.
Apesar de pouco comunicativa, a norte-americana nunca deixa de incitar o público, que prontamente atende a todos os pedidos. É em êxtase que todos ficam após a junção dos explosivos ‘Cold War’ e ‘Tightrope’, os grandes singles da carreira da artista. Quase já no fim, é com ‘Come Alive (War of the Roses)’ que Monáe se despede, irrompendo pela apertada multidão para sussurrar os seus versos. Arrebatadora e fascinante, é como se pode descrever uma artista que já tem mais do que pés para andar.
Dado o cancelamento dos britânicos Fujiya & Miyagi, para muita pena nossa, seguimos para o penúltimo concerto da noite, o dos portugueses Linda Martini. Começando fenómenos de culto, passando para um sucesso que raramente se vê em bandas portuguesas, os Linda Martini são, decerto, ídolos da juventude. Era com muita antecipação e entusiasmo que dezenas de jovens se debatiam nas filas dianteiras, à espera dos rockeiros que vêem em Sonic Youth a sua maior influência.
O início da explosão sónica deu-se com ‘Elevador’ e ‘Mulher a Dias’, temas do segundo álbum, Casa Ocupada (2010), que vê uns Linda Martini mais sombrios e etéreos. André Henriques, vocalista e front man da banda, vocifera as letras de maneira emotiva, apenas para as ter espelhadas nas bocas do público, com tamanha adoração que o ambiente da garagem do Marquês de Pombal se torna electrizante. Intercalados com os temas novidade, vêm as pérolas de Olhos de Mongol que todos conhecem de uma ponta à outra: a sequência de ‘Efémera’, ‘Dá-me a tua Melhor Faca’ e ‘Cronófago’ levam o público ao rubro, no entanto, é na choruda ‘Amor Combate’ que se ouvem os choros de um público arrebatado e apaixonado.
Saúda-se o crescimento instrumental evidenciado nas novas ‘Juventude Sónica’ e ‘Amigos Mortais’, mas ainda se lamenta algumas escolhas líricas algo duvidosas: em ‘Cem Metros Sereia’, a banda transforma ‘foder é perto de te amar, se eu não ficar perto’ em hino vociferado pelos devotos e pelos amigos da banda, como Joaquim Albergaria, colega do baterista Hélio Morais nos PAUS (que umas horas antes se juntavam aos Dead Combo num festival paralelo no Teatro S. Luiz), Braúlio dos Adorno ou Rui Mata ex-The Vicious Five, que entretanto irrompem pelo palco.
No fim, ainda há tempo para ‘Este Mar’, um dos temas mais antigos do conjunto, e é na despedida que os fãs se exaltam e pedem mais. A noite aproximava-se do fim, mas o autêntico culto que se faz de um dos maiores fenómenos musicais nacionais estará longe de acabar.
A Arthouse Big Band teve direito às honras de encerramento da Sala 1 do S. Jorge. A banda que consiste num cruzamento entre diferentes artistas da mesma agência (Arthouse), também esteve presente no Super Bock em Stock. O projecto consistiu numa interpretação de várias músicas de cada artista, por todos eles, dando ênfase à diversidade dos convidados. Alguns dos convidados eram Afonso Rodrigues (dos Sean Riley and The Slowriders), Fernando Ribeiro (dos Moonspell), Ronaldo (dos peixe:avião) e mesmo Virgul (dos Nu Soul Family e também dos Da Weasel). Uma boa iniciativa que cativou muitos curiosos e surpreendeu pela positiva todos os presentes.
A fechar o festival esteve Marina Gasolina no Maxime. A ex-vocalista dos Bonde do Rolê trouxe uma energia invejável ao local, e a banda cativou o público do princípio ao fim, com o guitarrista a passear constantemente pelo público. O espaço enchia à medida que a chuva intensificava e outros concertos terminavam. A boa disposição da pequena cantora também convidava a entrar e chegar mais à frente, naquele que seria o último concerto da edição deste ano do festival.
O balanço foi positivo, com muitas boas surpresas e acima de tudo, boa música a protagonizar o evento. Para o ano há mais!
Reportagem Super Bock Em Stock – Dia 5
Dec 6th
O desfecho da segunda edição do festival Super Bock em Stock prometia grandes concertos nas seis salas de espectáculos da Avenida da Liberdade. Beach House, Little Joy, Patrick Watson e Kap Bambino eram os nomes mais aguardados da noite por parte dos milhares de fãs (e caras conhecidas) que percorreram ontem o passeio lisboeta, apesar da ameaça da chuva e do tempo apertado. Aliado, então, a boas condições climatéricas, o Stock convenceu e desafiou consecutivamente os amantes da música leve a comprovarem a qualidade das diversas bandas actuantes, dando muitas vezes azo a surpresas.
Coube a João Só e Abandonados cortar as fitas e a uma distância de poucos metros, é Mocky, Dominic Salole e banda que embalam os (bastantes) espectadores com versões jazz e electrónicas de canções conhecidas por todos nós no Cabaret Maxime, mostrando um grande entusiasmo especialmente na escolha do guarda-roupa.
Já na sala principal do São Jorge, Os Golpes aquecem a noite que se adivinhava atribulada por tamanhas trocas de passeio da Avenida. Lançados pela Amor Fúria, a sua estética musical faz lembrar tanto os trejeitos nacionais de Heróis do Mar, como o instrumental aguçado dos The Strokes, e os artistas vão agradando a um público paciente com temas de Cruz Vermelha sobre Fundo Branco, disco de estreia. Como afirmavam numa das suas músicas, “Não sou uma ausência / sou um corpo inteiro” – os Golpes mostraram ter estilo e substância.
É pouco depois que se dá a entrada dos Beach House no palco do Tivoli. A dupla formada por Victoria Legrand e Alex Scally já tinha passado por terras lusas no ano passado e marcaram presença no festival de inverno para apresentar os novos temas de Teen Dream, que será lançado em 2010. Os americanos envolvem os expectantes espectadores num lo-fi sonhador, que resulta bem no ambiente intimista do Tivoli, porém, se a nível técnico pouco temos a apontar, a performance dos Beach House pareceu estar um pouco aquém do esperado, talvez por cansaço dos artistas que só mais para o final aqueceram e pouco comunicaram. A voz grave de Victoria e as ternas melodias dedilhadas não deixam de ser cativantes e deixaram as hostes satisfeitas, já prontas para seguir em frente.
De seguida, uma pequena pausa para decidir novas direcções. Os que deram um salto ao São Jorge para ver o rock pintado de new wave e electrónica dos The Invisible, não saíram com as expectativas defraudadas, no entanto, se a espera pelo próximo nome de algum relevo era mal suportável, as cadeiras do Tivoli ofereciam descanso aos que preferiram os Little Joy. Curiosamente, a banda constituída por Rodrigo Amarante, dos brasileiros Los Hermanos, Fabrizio Moretti, dos largamente aclamados The Strokes e a multi-instrumentista Binki Shapiro, volta ao local de origem, uma vez que os dois músicos cruzaram caminhos em Lisboa no ano de 2006, e assim, trocaram ideias que resultariam na génese dos “pequena alegria”. A simpatia dos Little Joy é contagiante e é impossível não se deixar levar pelos sons acalorados de “The Next Time Around” e “Unattainable”, onde se destaca a tímida Shapiro, que valeram várias rondas de aplausos. Nota para os gracejos com o público e os elogios a Beach House, num jeito completamente envolvente e fascinante.
“Românticos, inovadores e audaciosos”, os britânicos Piano Magic criaram uma pequena bolha post-rock/indie/electrónica na sala 2 do São Jorge, onde os fãs abanavam a cabeça e os curiosos olhavam atentamente.
“Não vos vou mentir”, comentava Patrick Watson, algo entre o espantado e o divertido, “este foi um dos concertos mais estranhos que já demos.” Não é por menos: não se registam quatro falhas de som e uma ida cómica e proclamada aos lavabos em qualquer evento musical. De facto, o concerto do Canadiano pouco teve de vulgar, pois a sua entrega e improviso despreocupado face às peripécias já mencionadas ajudaram à materialização de um concerto único e impressionante, no conforto familiar do cinema lisboeta. De início, Watson começa por encantar as massas com as melodias suaves tocadas em piano e os falsettos estrondosos que arrepiam a espinha (fazendo lembrar um Jeff Buckley e até um Andrew Bird na teatralidade carismática), apoiado pelos Wooden Arms em devaneios caóticos instrumentais que integram este indie folk de autor mais do que competente. Assim, passam por alguns dos temas do recentemente editado Wooden Arms, como “Fireweed” e “Big Bird in a Small Cage”, e é no tema homónimo que Watson, ao perder o som, toca em acústico e canta por megafone – o público esforça-se por não fazer barulho, tanto é o encanto. Fenómeno repete-se na rendição irrepreensível de “Man Under The Sea”, mergulhado no calor da multidão. Os que presenciaram a tamanha grandeza do prodigioso músico não se inibem na demonstração de afecto, obrigando-o a voltar para dois encores, num dos quais arrisca uma cómica performance soul de “Shame” em jeito de retribuição. Os convertidos e os conversores agradecem.
Preparados para motim electrónico roçando a histeria? São os Kap Bambino que lhe dão vida no Parque de Estacionamento do Marquês do Pombal, num concerto frenético e a rebentar pelas costuras, cheio de sons distorcidos com laivos de 8-bit. Embora logo de início se apresentasse bem composto, à medida que a noite prosseguiu, foi notável o caos liderado por Caroline Martial que se instalou no espaço reduzido. “Dead Lazers”, “Save”, “Hey!” e “Neutral” foram alguns dos êxitos dos franceses que foram celebrados por um público fiel e devoto em puro êxtase.
Ainda no Marquês de Pombal, Dr. Ramos e Zé Pedro DJ dão o remate ao festival de Inverno, brindando os inabaláveis com a música electrónica até as altas horas da noite.
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