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Reportagem Festival Náice
Nov 21st
Festival Náice - Fotos
19 de Novembro, dia de início da cimeira da NATO em Lisboa. Nada melhor que pôr-me de lá para fora assim que possível - eram isto cinco e meia da tarde, num comboio, sem exagero, com 20 carruagens, para compensar a deficiência no resto dos transportes. Assim, com um tempo de meter medo e que fazia esquecer o calor de Verão que hoje à noite esperávamos voltar a sentir, pés ao caminho do Porto, em direcção ao NÁICE!.
O propósito do festival é simples, não deixar esquecer aqueles três dias [ainda] inexplicáveis que se viveram em Barcelos em Julho que passou. À entrada, para os mais sortudos (acho que fomos todos), as sobras das t-shirts do Milhões de Festa eram distribuídas gratuitamente assim que éramos carimbados com o bonito logótipo da nova iniciativa da Lovers & Lollypops, para minutos depois se transformar num borrão azul.
O Plano B, local escolhido para o evento, ia-se compondo, nunca ficando totalmente lotado. Se os Fucked Up em Lisboa tiveram uma sala aconchegada, o Porto deu-lhes espaço, mas um companheirismo característico do norte. Áqueles que se atreveram a apontar simplesmente o aspecto de “Pink Eyes”, ponham os olhos no resto da banda – moços bem-apessoados e uma baixista a dar toques de português. Deu-se início à música com algum atraso e small talk pelo meio. Son the Father deu o tiro de partida para uma noite de punk simpático, de pessoas a voar e – surpreendam-se – cowdsurfs do robusto vocalista. Na setlist não ficou esquecida Black Albino Bones, Twice Born, nem Crooked Head. Os acontecimentos em Lisboa trouxeram também problemas aos canadianos: ao aterrar em Lisboa, foram encaminhados para a sala de segurança do aeroporto por terem um ar “diferente”. Nem os seguranças perceberam porque é que os Arcade Fire os tinham escolhido para a abertura do concerto que, para mal ou para bem dos nossos pecados, acabou por ser cancelado. Justifica-se tão simplesmente com bom gosto.
Três guitarras em palco – de aparência pacata e muito sossegados por comparação -, uma máquina atrás da bateria, um baixo desenrascado e um vocalista carismático foram a receita para uma noite de festa, enquanto Damian se passeava pelo meio do público, gritando na nossa cara e carregando uns quantos inocentes ao ombro. As roupas foram ficando pelo caminho, para desnudarem a tatuagem de Down que ostenta ao peito.
Num teste de escolha múltipla, os nortenhos decidiram não optar entre Nirvana ou Ramones, e escolher livremente Black Flag para um quase fecho daquilo a que realmente se pode chamar de punk nos dias de hoje. “Nervous Breakdown” foi a música que a banda escolheu.
A terminar um concerto “f*dido” poesia declamada pelo peso pesado do Canadá, “peace or anihilation” em resumo. Dão então início à tour com os Arcade Fire, que ainda não conhecem nem sabem como abordar.
Depois disto, as cortinas da Sala 1 fecharam-se para a montagem do cenário dos Throes. Duo que se julgava em coma desde Julho e que reapareceu para um revival, de pés no chão e rodeados de um público, agora, tímido. Além do singular EP Dirty Glitter ter sido tocado na integra com algumas alterações na extra Killing Tomatoes, deu-se ainda espaço a dois temas novos, “We Die in Texas” a abrir e uma africanísse chamada “Pink Dracula”, possível causadora de surpresas que viriam a surgir ao longo da noite.
Na Sala Cubo, tocam agora os The Shine, também ex-hóspedes do palco da piscina no Milhões. Hardcore e Kuduro numa noite, não é para quem pode (já dizia Damian dos Fucked Up), é para quem vê as duas faces da moeda. Dançou-se, com Diron e André do Poster que também se misturavam com o público. Breakdance antes de haver vidros partidos no chão, deixaram o terreno do Cubo bem apalpado para o francês exótico que se lhes seguiria.
Ao mesmo tempo, Lovers & Lollypops Soundsystem, agora estilizados L&L SS, faziam a sua cena na sala ao lado, havendo uma divisão equilibrada no que diz respeito a mancha gráfica de público. Durante boa parte da noite, até ao fim, na verdade, Nuno Dias e aparições ocasionais de Joaquim Durães (o patrão de todas estas coisas que acontecem) foram dizendo adeus a quem já mal aguentava esta noitada depois de uma semana de trabalho.
Myd, francês cujo bigode encaixa perfeitamente nas descrições de Conan O’Brien, assumiu o topo dos televisores e o ritmo manteve-se. Uma tropicália de sons que gradualmente foi perdendo ouvintes, mesmo depois de Train to Bamako ter sido tão publicitada.
Não sabemos ao certo o que aconteceu aos Sun-Explosion. Já não estávamos lá para ver, porque também a nós nos dá o cansaço (parecendo que não), mas conclui-se que a noite foi das boas.
Ainda não se desvendou nada sobre o próximo Milhões de Festa (sabemos que há, no entanto), ou sobre o próximo NÁICE!.
Sabemos que queremos estar lá outra vez.
Reportagem Três Cantos @ Coliseu do Porto
Nov 5th
Depois de duas noites completamente esgotadas no Campo Pequeno em Lisboa, foi a vez de os "Três Cantos" chegarem ao Coliseu do Porto para dois concertos igualmente esgotados. E foi assim, num ambiente de enorme expectativa que se aproximou a hora de apagarem as luzes da sala e por momentos se sentir no silêncio da sala uma inquietação prestes a ser saciada.
Os 22 músicos que os acompanham nesta aventura entram em palco e começa "Guerra e Paz", de Sérgio Godinho. É então chegada a hora de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias entrarem juntos e cada um anunciar a sua chegada recebida em plena apoteose. Muita emoção num público sedento de boa Música Portuguesa e para quem este concerto tinha logo à partida um significado muito especial pela força da reunião dos três mestres, também eles emocionados.
Emoção foi aliás uma das palavra-chaves deste concerto que há já muitos anos tinham vontade de realizar e que desde Maio prepararam com todo o cuidado este espectáculo único. Todo este tempo de preparação resultou numa actuação coesa em que os espaços deixados para os momentos a solo de cada um dos protagonistas ou para os duetos não fossem de forma nenhuma sentidos como forçados. O próprio alinhamento foi capaz de conduzir o público por uma viagem inevitavelmente saudosista, mas de forma nenhuma preso num passado distante, muito pelo contrário, pretende-se deste encontro revisitar o passado sim, mas sempre de olhos postos no que há-de vir.
Zé Mário é o primeiro a ficar sozinho e a dirigir-se ao público, salientando a unidade da diferença de cada um e deixando o aviso "contem com isto de nós, para cantar e para o resto". Pouco depois era Fausto a pedir atenção à actualidade de temas escritos há já alguns anos mas que parecem fazer cada vez mais sentido, como por exemplo "Eis Aqui o Agiota". Por fim, Sérgio Godinho, protagonizou um dos momentos da noite com "O Primeiro Dia" na voz de um Coliseu repleto.
Ao contrário do que muitos esperariam, o público não era de forma nenhuma homogéneo. Não eram pessoas de meia-idade, que ali procuravam o reviver de tempos onde o termo "intervenção" aparecia ligado a estes autores, fosse pelas suas composições ou pelas suas acções. Muita gente jovem, de idade e de espírito encheu o coliseu e de todas as idades, de todas as motivações e das mais variadas expectativas, o Coliseu ganhou uma voz uníssona em quase todas as músicas. Temas como "Cuidado Com as Imitações", "Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades", "Maré Alta", "Inquietação", "Adeus Orelhas de Abano", "Que Força é Essa", "Se tu fores ver o mar (Rosalinda)", "Onofre", "A Nova Brigada dos Coronéis" e "Ser Solidário" fizeram as delícias de um público que no fim, comentando a falta deste ou daquele tema que gostava de ter ouvido, se mostrava satisfeito e nada desiludido.
E não podia de facto estar desiludido. Momentos como "Não Canto Porque Sonho", cantada numa magnifica versão a 3 vozes, fazendo inevitavelmente lembrar a já de si belíssima versão gravada com Fausto e Zeca Afonso em 1974. Zeca que "não podia deixar de estar presente" numa homenagem com a interpretação de "De Não Saber o que me Espera" num dos momentos a trio.
Houve ainda espaço para um prometido inédito intitulado "Faz Parte" ou se preferirmos "O Retorno das Audácias". Ainda a 3 vozes, ouvimos "Charlatão" com Fausto a protagonizar um momento divertido, demonstrando a sua alegria de vitória sobre o kazoo que mostrou já praticamente dominar (ou mais ou menos).
Para terminar, e porque tinha mesmo que acabar, tivemos direito a dois encores, o último dos quais com todos os músicos na frente de palco de bombos, adufes e baquetas para uma interpretação de "Na ponta do cabo" que fechou definitivamente a noite.
Foi uma noite mágica, carregada de emoção e que certamente ficará na memória de todos os presentes. Para ajudar a manter essa memória viva foi gravado um DVD e CD que já pode ser comprado em pré-venda na FNAC e estará disponível a partir de 10 de Dezembro.
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Se dúvidas houvesse, a música e os músicos portugueses têm público e estarão cá ainda por muito tempo "para cantar e para o resto".
Reportagem Três Cantos @ Coliseu do Porto
Nov 5th
Depois de duas noites completamente esgotadas no Campo Pequeno em Lisboa, foi a vez de os "Três Cantos" chegarem ao Coliseu do Porto para dois concertos igualmente esgotados. E foi assim, num ambiente de enorme expectativa que se aproximou a hora de apagarem as luzes da sala e por momentos se sentir no silêncio da sala uma inquietação prestes a ser saciada.
Os 22 músicos que os acompanham nesta aventura entram em palco e começa "Guerra e Paz", de Sérgio Godinho. É então chegada a hora de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias entrarem juntos e cada um anunciar a sua chegada recebida em plena apoteose. Muita emoção num público sedento de boa Música Portuguesa e para quem este concerto tinha logo à partida um significado muito especial pela força da reunião dos três mestres, também eles emocionados.
Emoção foi aliás uma das palavra-chaves deste concerto que há já muitos anos tinham vontade de realizar e que desde Maio prepararam com todo o cuidado este espectáculo único. Todo este tempo de preparação resultou numa actuação coesa em que os espaços deixados para os momentos a solo de cada um dos protagonistas ou para os duetos não fossem de forma nenhuma sentidos como forçados. O próprio alinhamento foi capaz de conduzir o público por uma viagem inevitavelmente saudosista, mas de forma nenhuma preso num passado distante, muito pelo contrário, pretende-se deste encontro revisitar o passado sim, mas sempre de olhos postos no que há-de vir.
Zé Mário é o primeiro a ficar sozinho e a dirigir-se ao público, salientando a unidade da diferença de cada um e deixando o aviso "contem com isto de nós, para cantar e para o resto". Pouco depois era Fausto a pedir atenção à actualidade de temas escritos há já alguns anos mas que parecem fazer cada vez mais sentido, como por exemplo "Eis Aqui o Agiota". Por fim, Sérgio Godinho, protagonizou um dos momentos da noite com "O Primeiro Dia" na voz de um Coliseu repleto.
Ao contrário do que muitos esperariam, o público não era de forma nenhuma homogéneo. Não eram pessoas de meia-idade, que ali procuravam o reviver de tempos onde o termo "intervenção" aparecia ligado a estes autores, fosse pelas suas composições ou pelas suas acções. Muita gente jovem, de idade e de espírito encheu o coliseu e de todas as idades, de todas as motivações e das mais variadas expectativas, o Coliseu ganhou uma voz uníssona em quase todas as músicas. Temas como "Cuidado Com as Imitações", "Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades", "Maré Alta", "Inquietação", "Adeus Orelhas de Abano", "Que Força é Essa", "Se tu fores ver o mar (Rosalinda)", "Onofre", "A Nova Brigada dos Coronéis" e "Ser Solidário" fizeram as delícias de um público que no fim, comentando a falta deste ou daquele tema que gostava de ter ouvido, se mostrava satisfeito e nada desiludido.
E não podia de facto estar desiludido. Momentos como "Não Canto Porque Sonho", cantada numa magnifica versão a 3 vozes, fazendo inevitavelmente lembrar a já de si belíssima versão gravada com Fausto e Zeca Afonso em 1974. Zeca que "não podia deixar de estar presente" numa homenagem com a interpretação de "De Não Saber o que me Espera" num dos momentos a trio.
Houve ainda espaço para um prometido inédito intitulado "Faz Parte" ou se preferirmos "O Retorno das Audácias". Ainda a 3 vozes, ouvimos "Charlatão" com Fausto a protagonizar um momento divertido, demonstrando a sua alegria de vitória sobre o kazoo que mostrou já praticamente dominar (ou mais ou menos).
Para terminar, e porque tinha mesmo que acabar, tivemos direito a dois encores, o último dos quais com todos os músicos na frente de palco de bombos, adufes e baquetas para uma interpretação de "Na ponta do cabo" que fechou definitivamente a noite.
Foi uma noite mágica, carregada de emoção e que certamente ficará na memória de todos os presentes. Para ajudar a manter essa memória viva foi gravado um DVD e CD que já pode ser comprado em pré-venda na FNAC e estará disponível a partir de 10 de Dezembro.
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Se dúvidas houvesse, a música e os músicos portugueses têm público e estarão cá ainda por muito tempo "para cantar e para o resto".















