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Reportagem PJ Harvey – Aula Magna
May 28th
Por duas noite, Polly Jean apresentou-se aos lisboetas, na Aula Magna. Duas noites lotadas e justificada pelo espectáculo incrível da britânica, agora mais amadurecida e aparentemente mais calma.
Deu entrada no palco escuro, encortinada num vestido rosa que foi uma das peças mais evidentes no ambiente quase poético do palco. Sempre distanciada fisicamente do resto da banda, PJ Harvey dedilhava a sua cítara, iluminada por uma foco directo de luz que lhe encandeava meio corpo. Com ela, trouxe o último Let England Shake, apesar de o seu repertório ter ficado bem representado ao longo das duas noites.
Durante The Devil, era inevitável a pele de galinha enquanto PJ se passeava pelo palco exibindo uma voz como nenhuma outra. Momentos como este iam-se repetindo ao longo do concerto, como de resto acontece com a audição dos albuns.
The Sky Lit Up e Let England Shake deixaram-na mostrar os seus dotes de guitarra, enquanto durante The Pocket Knife acompanhava a banda – invejável, diga-se - com o bater dos pés e a deambulação pelo palco. Sempre à esquerda, nunca se chegando aos companheiros de viagem, ou enteragindo com o público (apesar dos pedidos), tudo isto deu solidez à actuação, e evidenciou a sua maneira de estar num palco.
Bitter Branches deu espaço a que uma das vozes masculinas do trio acompanhasse a voz doce de Polly, cujos agudos atingiram o pico durante On the Battleship Hill. O ambiente quase teatral, com os armários a suportarem os teclados e a fazerem cenário (descompensado pelo fundo) teve outro alento durante Down by the Water, com os coros e ecos da banda.
A cítara voltou a entrar em cena para C'mon Billy e despedem-se com Colour of the Earth, aplaudidos por uma plateia em pé, mais que composta e bastante paciente. O encore demorou, mas chegou em força e voltou a ser o momento mais bonito da noite. PJ regressa ao palco arrastando o seu vestido de forma elegante e dá início a The Piano, seguida de Angelene, bem encorpadas, mas nada como Silence para terminar um concerto em tudo perfeito, e os arrepios voltavam.
Será que é possível não ficar com lágrimas nos olhos durante esta performance?
Duas noites pareceram pouco para o que queríamos ouvir.
She definetly let us shake.
Reportagem Sum 41 – Lisboa
Feb 18th
Após oito anos desde a primeira atuação em terras lusas, os Sum 41 voltam em nome próprio para um concerto explosivo num quase lotado Coliseu dos Recreios. Nostalgia é a palavra de ordem para os eternos adolescentes, que aproveitam para apresentar o seu novo esforço musical, Screaming Bloody Murder, com data de lançamento para este ano, aos fãs devotos do punk rock açucarado.
Porém, antes de isso coube aos Fitacola abrir a noite do espetáculo. Oriundos de Coimbra, os portugueses souberam entreter um público sedento de música, apesar das claras deficiências tanto da composição das suas criações, como da execução das mesmas. Os Fitacola são constituídos por 4 elementos, presos no género há mais que estagnado do pop punk com “ambições” – e se à plateia recheada de jovens tudo lhes agrada, para os mais graúdos fica clara a falta de originalidade da bagagem musical destes artistas. Estes não apresentam nada que não se tenha ouvido vezes sem conta, nem compensam, infelizmente, com o brio técnico do manuseamento dos instrumentos, falhando várias vezes nos solos de guitarra emotivos de uma juventude perdida. “Nós só queremos tocar”, afirmava o vocalista - fica para uma próxima oportunidade.
Entre os clássicos do hard rock, como os de AC/DC, e os gritos apaixonados dos fãs entusiastas, dá-se a entrada dramática da banda canadiana. Liderados pelo pequeno em estatura, mas grande em chefia da hoste, Deryck Whibley, os Sum 41 não hesitaram em abrir um concerto impetuoso com poucas pausas para respirar. A divertida ‘My Direction’ foi a escolhida para começar, seguindo-se de um tema novo, intitulado de ‘Skumfuk’, e a agressiva ‘We’re All To Blame’, temas que agitaram prontamente os inúmeros jovens que se faziam apertar nas filas dianteiras. Tamanha é a sede de tudo o que tenha a ver com os seus ‘heróis’ que os fãs não são capazes de conter o seu entusiasmo quando Whibley escolhe alguns sortudos para assistirem ao concerto no palco.
Porém, um defeito que podemos apontar à música dos canadianos é a inconsistência na abordagem da sua sonoridade. Aparecendo no panorama musical comercial americano no início dos anos 0, os Sum 41 destacavam-se de uns Green Day ou uns Blink 182 por um charme característico de serem incapazes de se levarem a sério, o charme de quatro miúdos patetas que adoravam a música metal. A partir do momento em que largaram esta abordagem e decidiram enveredar pelos caminhos sinuosos de um pop punk mais agressivo, acompanhados por uma ‘integridade’ musical, o conjunto deixou à vista as carências musicais de um género que se tornou célebre não pela competência e qualidade musical, mas sim pela possibilidade de identificação com a imagem de jovens incompreendidos e rebeldes. Ora, despidos de carisma, é possível ver que os Sum 41 são pouco memoráveis, apesar de eficazes a animar e entreter. ‘Walking Disaster’, ‘Over My Head’ e a recente ‘Screaming Bloody Murder’ são alguns exemplos de temas explosivos e bem executados tecnicamente, mas que não têm muita substância.
Apesar de alguns clichés na performance dos artistas, nomeadamente nos pedidos de um entusiasmo ainda maior dos fãs, e do pequeno interregno metal (‘Metal Mayhem’) que viu o mostruário das habilidades do guitarrista Tom Thacker na interpretação de temas de Metallica e Iron Maiden, o concerto decorreu com fluidez, passando por vários dos maiores hits da banda, como ‘Underclass Hero’ e ‘Still Waiting’. No entanto, é em ‘In Too Deep’ que os portugueses se agitam de forma notória, saltando, esbracejando e vociferando em plenos pulmões as letras de um tema com quem todos se identificam, certamente.
Não é de estranhar, então, que quando se dá a pausa do encore, os admiradores portugueses entoem o nome da banda, com uma ansiedade contagiante pelo retorno dos artistas. Whibley volta, então, pouco depois, para interpretar a emocional ‘Pieces’ – talvez o tema mais Coldplay do seu repertório. O momento alto da noite ficou-se por ‘Fat Lip’, um dos hinos mais ouvidos do pop punk do início do século, que mostrou sobreviver ao teste do tempo pela adesão com todo o coração de quem a ouvia. Por último, os Sum 41 ficaram-se por ‘Pain for Pleasure’, um tema que serve de paródia aos temas clássicos de metal dos anos 80, cantado pelo baterista Steve ‘Stevo32’ Jocz.
Foi, então, um concerto animado dos canadianos que, apesar de já estarem quase na casa dos trinta, se mostram tão jovens como os adolescentes que ainda os idolatram.
Reportagem Skunk Anansie – Lisboa
Feb 9th
Sete meses depois da presença estonteante no Optimus Alive!, os Skunk Anansie voltaram para dois concertos em Portugal. Lisboa seguiu-se ao Porto e o local escolhido foi o bom velho Coliseu.
O recinto – mais que esgotado - rapidamente pareceu pequeno demais para albergar todos os que iam entrando enquanto os britânicos The Virginmarys já tocavam. A banda, que ganhou o título de “Best New Rock Artist” do iTunes, apresentou o seu rock cativante que abriu o apetite. Temas como “Bang Bang Bang” e “Just Arrived” aqueceram uma multidão já de si irrequieta.
Assim que a banda terminou e saiu, um pano tapou o palco, deixando todos curiosos. Quando finalmente as luzes se apagaram, foi projectada uma imagem da capa do novo álbum dos Skunk Anansie, “Wonderlustre”, editado quase 12 anos após o seu antecessor “Post Orgasmic Chill”.
Quando a intro começou, luzes vermelhas projectaram as silhuetas de Skin, do baixista Cass e do guitarrista Ace. A loucura estava prestes a começar. Sempre de fatos extravagantes, desta feita eram ombreiras ornadas com penas que emolduravam o rosto de Skin. “Yes, It’s Fucking Political”, retirada de “Stoosh”, fez as honras. De microfone apontado ao público, Skin deixou desde o início bem claro que para o concerto contava com a participação de todos. A audiência não desiludiu e a voz possante e inconfundível da cantora britânica também não. Riffs de guitarra deliciaram os fãs e após um entusiástico “Hello!” por parte da vocalista, uma favorita do público entra em cena: “Charlie Big Potatoe”, do penúltimo álbum de estúdio da banda, serviu de novo para mostrar os dotes da multidão enquanto coro perfeitamente sintonizado.
Skin dançava e fazia seu um palco que a recebeu de braços abertos. Temas do novo álbum, como “God Loves Only You” provou ter já conquistado os fãs. Apesar disso, ninguém resistia a temas mais antigos, tais como “100 Ways to Be a Good Girl” ou “Secretly”, de longe uma das mais esperadas e acarinhadas pelo público, que lhe valeu um sentido «Obrigado» de Skin.
“Over the Love”, “The Sweetest Thing” e “My Love Will Fall”, todas retiradas de “Wonderlustre”, revelaram algumas diferenças no som habitual da banda, mas nem por isso foram menos bem recebidas. Ainda que temas como “Because of You” ou “I Can Dream” tenham mostrado estar bem presentes na memória de todos, pôde perceber-se que o mais recente trabalho da banda agrada a muitos seguidores, dos mais velhos aos mais novos.
A vocalista fez questão de visitar o público várias vezes durante o concerto, “andando” inclusive sobre a multidão, com a ajuda de fãs. Por isso mesmo, “Brazen (Weep)” foi dedicada a um desses fãs em especial. Aquele que foi o tema que mais sucesso teve para a banda foi outro dos momentos da noite, onde se contou ainda com um riff da “Intellectualise My Blackness”, do albúm “Paranoid & Sunburnt”.
Antes da esperada “Twisted (Everyday Hurts)”, o pedido da vocalista foi simples: “Jump!”. E assim obedeceu quase a totalidade do recinto, bancadas e camarotes incluídos. “Feeling the Itch” e “My Ugly Boy” fazem lembrar uns Skunk Anansie ainda nos anos 90, agradando a fãs mais antigos. Por seu lado, “Tear the Place Up”, já de 2009 (tirada de “Smashes & Trashes”, o álbum de greatest hits da banda) conseguiu de facto quase trazer o Coliseu abaixo. “Skank Heads” antecedeu o encore, que durou o suficiente para uma multidão ávida mostrar a força dos seus pulmões.
A banda voltou a entrar em palco e foi com outra das preferidas do público que o fim do concerto teve início – “Hedonism (Just Because You Feel Good)” não falhou a ninguém, entoada com distinção. A vocalista agradeceu a todos os presentes, a todos os que apoiam a banda e os «faziam sentir bem» neste país. Seguiu-se o que será o próximo single da banda, “You Saved Me”.
Foi então tempo de apresentar a banda, membro a membro, com uma Skin sempre bem-humorada e a espalhar a sua boa-disposição, como já havia feito no Optimus Alive!. “Querem mais?” – a resposta é óbvia; por muitos, aquilo durava a noite toda. “Little Baby Swastikkka”, o primeiríssimo single da banda irrompeu pelas colunas e alimentou-se da energia que pairava na atmosfera e teimava em perder forças. Era hora da despedida e a banda abandonou o palco, assim como muitos dos espectadores. No entanto, as luzes permaneceram apagadas e o público não cessou em chamar pela banda… que voltou!
De novo desmanchada em agradecimentos a um público carinhoso que «estabeleceu expectativas muito altas para os próximos espectáculos da tour», Skin expressou a sua gratidão com um último tema. “You’ll Follow Me Down”, bem conhecida de todos, fez as delícias e foi uma despedida perfeita. Uma vénia final e eis que o fim chegava mesmo.
Após quase 17 anos, é de notar a empatia e cumplicidade que existe numa banda que, apesar do “intervalo” de 10 anos, se mantém unida e a tocar gerações distintas que se juntam em prol da boa música e de espectáculos que ficam gravados na memória para sempre.
Reportagem Optimus Alive!10 – 10 de Julho
Jul 11th
Dia 10 de Julho, último dia do Optimus Alive!10. O calor permanece e desta feita traz consigo um vento desagradável que espalha poeira pelo ar. A quantidade de pessoas que acorrem a Algés é inimaginável; só quem testemunha acredita no que vê. Ainda há quem se dirija de propósito ao local na esperança de adquirir um bilhete de última hora.
Pelas 17 horas, já o palco Super Bock estava quase cheio – a maior parte, sentada, descontraía e abrigava-se do calor e do vento intensos. Alguns fãs entusiastas de Girls acolhem a banda com um caloroso aplauso. Apesar disso, a actuação não cativou. Mesmo o animado single Lust for Life (embora tal animação não provenha, de todo, da letra) parece perder força ao vivo. O público bem se esforçou por tornar o concerto mais fogoso, mas a festa só esteve presente desse lado das grades. A pouca interacção com o público foi uma mistura de timidez e frieza. O final, com Morning Light, foi um pouco mais enérgico.
Pouco passava das seis da tarde quando Sean Riley "e os seus" Slowriders subiram ao Palco Super Bock. Com muito muito ritmo Sean Riley liderou com distinção os músicos que o acompanham, surpreendendo pela positiva aqueles que ainda não estavam familiarizados com o rock desta banda portuguesa. Durante o simpático concerto da banda de Coimbra foi possível apreciar as vastas influências na sua música. Buffalo Turnpike foi um dos momentos altos do concerto, com a interpretação irrepreensível do single retirado de Only Time Will Tell. Sean Riley aproveitou também para mostrar no Optimus Alive o seu mais recente single com os Slowriders, Talk Tonight. Um concerto muito agradável, onde a actuação ao vivo faz jus ao bom trabalho de estúdio da banda.
Em dia de lotação esgotada, coube aos ingleses Gomez abrir o Palco Optimus, com o álbum A New Tide para apresentar. Já lá vão mais de dez anos desde que Bring It On e Liquid Skin catapultaram a banda de Ian Ball para um outro patamar, mas desde então têm sido iguais a si mesmos. Músicas muito bem conseguidas e com uma excelente construção, e acima de tudo bem executadas ao vivo. Do inicio ao fim, os Gomez entreteram o público presente no Passeio Marítimo de Algés, que aproveitou os tons suaves dos britânicos para relaxar e aproveitar as últimas horas de sol.
O recinto do palco alternativo continuava abastado, apesar de cada vez mais pessoas se dirigirem ao palco Optimus a fim de marcar lugar para Pearl Jam. No entanto, ainda havia muito tempo para as outras bandas. Era agora a vez de Miike Snow, banda sueca que se encontra em ascensão. Na mala vinha o álbum homónimo, que foi apresentado perante um público repleto de fãs estrangeiros.
De máscaras brancas, a banda pisou o palco, enquanto mais gente se reunia no recinto e muitos se levantavam a fim de dançar ao som electropop da banda. Burial fez sucesso, antes de Black and Blue, tocada com potência que resultou num dos momentos altos da actuação. As máscaras caíram e a festa começara oficialmente. Com muitas partes instrumentais, temas como A Horse Is Not a Home e Silvia mostraram variedade e proporcionaram momentos mais calmos. A primeira parte teve mais força que a segunda, mas o single Animal, reservado para o final, trouxe de novo muita dança e saltos.
Era chegada a hora para a festa, no verdadeiro sentido da palavra. Os americanos Dropkick Murphys com o seu punk céltico, entraram para arrasar no Palco Optimus com The State Of Massachussetts. É incrível como nesta banda há toda uma sintonia na qual nem parece haver um verdadeiro líder tal é a harmonia que parece existir dentro da banda apesar das mudanças de formação. A mistura que estes norte-americanos fazem de acordes e batidas punk com gaita de foles, flauta e banjo é um autêntico grito de revolta contra o tédio. Músicas como Johnny, I Hardly Knew Ya levam-nos à era dos piratas e da cerveja caseira em canecas de madeira, numa autêntica comunhão de eras. Forever foi aproveitada para puxar pelas vozes do público, que cantou em uníssono com Ken Casey. Só ficou mesmo a faltar o clássico Boys On The Docks num concerto que terminou com a conhecidíssima Shipping Up To Boston, resultando numa enorme explosão de alegria e saltos.
Seguiu-se então The Big Pink, duo electro-rock de Inglaterra, no Palco Super Bock. Apesar de o recinto estar mais vazio, aqui e ali viam-se fãs da banda, que cantaram as letras a plenos pulmões. Guitarradas potentes e incentivos de ambos os membros da banda contribuíram para tornar o concerto mais intenso, enquanto temas como Velvet, Tonight e Dominos puseram a audiência ao rubro.
Desde o concerto dos Gogol Bordello em Paredes de Coura em 2007, a banda de New York foi angariando fãs no nosso país exponencialmente, e isso nota-se na recepção que o público dá ao colectivo de Eugene Hütz. Depois dos Dropkick Murphys era garantido que a festa iria continuar com os Gogol Bordello, e não podia ter continuado de melhor forma com este concerto que teve inicio com Not A Crime. Parece que foi ontem que os norte-americanos vieram a Portugal como meros desconhecidos, e hoje é notório que os portugueses reconhecem a maioria dos temas dos Gogol Bordello. Nem mesmo os temas do recém-lançado álbum Trans-Continental Hustle, como My Companjera passaram despercebidos, e quem os ouvisse neste concerto diria que são as suas músicas de sempre. A festa continuou e os Gogol Bordello não deixaram para trás êxitos como Start Wearing Purple. Foi a segunda vez da banda no Optimus Alive, e pelo que têm deixado no festival espera-se que não seja a última.
Eram 22h05 e o palco Super Bock estava cheio até metade. Mas aos primeiros sons da intro de Peaches, mais gente se juntou aos já presentes em frente ao palco. Poucos mas bons descreveu bem o público que passou por aquele palco neste dia. Original, como sempre, a cantora de origem canadiana vestia um fato enorme composto por fitas que a tapava por completo. Mud começou e a temperatura no recinto ia subindo. A encenação feita por duas personagens – uma masculina e uma feminina – cujos cabelos exagerados lhes tapava o rosto complementava Talk to Me. No entanto, o auge estaria reservado para Billionaire e Take You On. Durante a primeira, a cantora passeou em pé pelas grades, atirando-se de seguida para o público, que a fez navegar entre cabeças. Agarrou num copo de um fã e, bem servida, voltou à grade. Pediu então ao público que guardasse todos os telemóveis e câmaras, porque estariam prestes a fazer parte de algo cujas dimensões seriam mais que um «momento Twitter». «Jesus andou na água, mas Peaches anda em vocês», exclamou, antes de dar início à música. Enquanto cantava, equilibrava-se de pé em mãos de membros do público. Um momento arrepiante, onde vimos a cantora de braços no ar, apenas com as pernas seguras por fãs. Por entre espargatas, roupas despidas e vestidas, efeitos de luz e projecções na própria roupa, Peaches proporcionou mais de uma hora de fascínios, boa-disposição e muito atrevimento. Shake Yer Dix e Boys Wanna Be Her arrancaram danças e saltos enérgicos e Fuck the Pain Away estaria reservada para o final de mais uma actuação, no mínimo, excitante.
Depois da festa dos Dropkick Murphys e Gogol Bordello, estava na hora da banda mais esperada da noite, e provavelmente a banda que levou este último dia do Optimus Alive a esgotar, os Pearl Jam. Desde logo uma declaração bombástica de Eddie Vedder, que confessou ao público que este será um dos últimos concertos dos próximos tempos, fazendo saber que a banda vai fazer um hiato por tempo indefinido. Mas o que interessava era que a mítica banda do movimento grunge estava a tocar para o seu público, e começou a actuação com a última faixa do álbum de estreia Ten, Release. Um início suave que teve continuidade com Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town. Mas as coisas mudaram de figura com Animal e Given To Fly, passando para uma fase mais mexida do concerto, onde ficou demonstrada a fidelidade do público português para com os Pearl Jam. Unthought Known foi a primeira faixa de Backspacer que o grupo de Seattle tocou, e até foi bem recebida. Seguiram-se Nothingman, Daughter e Even Flow enquanto o tempo ia voando. Depois de Black e Why Go, os Pearl Jam abandonam o palco pela primeira vez, para que depois regressassem para encore. Para este encore Eddie Vedder acompanhado da sua garrafa de vinho e da habitual boa disposição reservou The End, The Fixer e uma versão dos Public Image Ltd. de Public Image. Pelo meio uma música inteiramente dedicada a Portugal, enquanto um elemento da banda ia segurando a letra para que Eddie Vedder não cometesse erro algum. Após a belíssima Better Man, acompanhada de um coro vindo do público, novo recolher dos norte-americanos aos backstage. Recolher esse que não duraria muito, pois os Pearl Jam regressariam uma última vez para tocar Smile com Jeff Ament na guitarra e Stone Gossard no baixo. Ainda antes do final, tempo para um final de luxo com Once, Alive e Yellow Ledbetter, e uma nota também para Boom Gaspar que arrancou muitos aplausos por trazer vestida uma camisola da selecção portuguesa. Ficará para sempre na memória este dia em que Eddie Vedder anuncia a paragem de uma das bandas de culto em Portugal, com um concerto cheio de empenho e algum virtuosismo a espaços do guitarrista Mike McCready. Até um dia destes, o público português ficará à espera.
O projecto house Simian Mobile Disco, muito popular em Portugal, foi recebido no palco Super Bock por um público escasso mas com muito vigor. A festa de final da noite começava com o grupo britânico e temas como It’s the Beat incitaram à dança.
Crookers, o duo italiano, eram quem se lhes seguia. Enquanto o recinto enchia aos poucos, o som subia e os corpos perdiam o controlo para as batidas possantes que enchiam o espaço.
Enquanto a imensa e infindável multidão que viera para ver Pearl Jam se dispersou o suficiente para deixar passar pessoas na direcção oposta, havia quem se dirigisse para ver LCD Soundsystem a fechar o palco Optimus de mais um Optimus Alive!’10. A banda entrou em palco e o recinto voltava a encher, depois de energias repostas e estômagos saciados. James Murphy entrou para cantar Us v Them, antes de Drunk Girls, o mais recente single do que é último álbum da banda, This Is Happening. Os temas estimulavam a dança e Pow Pow antecedeu a esperada Daft Punk Is Playing at My House. All My Friends adequa-se sempre a um festival de Verão e a emoção que os instrumentos, os ritmos e as batidas do single espalham apalpava-se no ar. Um convite de James Murphy para tomar um copo a seguir ao concerto ficou no ar, antes da emotiva I Can Change.
Tribulations e Yeah exaltaram os ânimos de novo, numa explosão de dança, saltos e palmas. Uma autêntica festa para o encerrar do palco principal. Contudo, quando todos queriam mais, James despede-se com um súbito e inesperado «vemo-nos mais tarde este ano», que valeu à banda um coro de assobios e apupos, enquanto saía de palco. Uma actuação que careceu de mais vigor que, quando começava a dar de si, foi interrompido pelo final que ninguém previa.
Sem tenções de dar por finalizada a noite, grande parte do público dirigiu-se ao palco Super Bock, onde Boys Noize – nome artístico do alemão Alexander Ridha – já tocava. A festa ficou assegurada pelo projecto electrónico, que passou tanto temas mais antigos, como mais recentes. A multidão delirava e a festa alongou-se noite adentro.
Foi o fim de mais um Optimus Alive!’10. Esgotadíssimo no último dia, o evento presenciou a passagem de milhares de pessoas, actuações de cortar a respiração, momentos de surpresa e até mesmo algumas decepções nos três dias que durou. Para o ano, realizar-se-á nos dias 7, 8 e 9 de Julho. Esperamos ver mais recuperado o lado artístico do festival para a próxima edição, já que em relação às bandas, a qualidade dos nomes que constam no cartaz ano após ano é irrefutável.
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Reportagem Optimus Alive!10 - 8 de Julho |
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Reportagem Optimus Alive!10 - 9 de Julho |
Reportagem Sonic Youth – Porto
Apr 24th
Quase 30 anos de carreira volvidos, dois Coliseus praticamente esgotados e o 15º registo de originais na bagagem. Foi este o cartão-de-visita dos nova iorquinos Sonic Youth, na passada noite de 23 de Abril.
O frenesim e a ânsia tornaram-se palpáveis com o aproximar das 22 horas, algo que culminou com a entrada da banda em palco, que prontamente se lançou a cerca de uma hora de temas quase exclusivamente centrados no mais recente "The Eternal".
Esta é uma atitude bastante comum por parte deste quinteto e que não deve ser encarada como um frete, pois demonstra a sua vitalidade criativa, que culmina com o lançamento quase constante de registos extremamente sólidos ao longo de uma carreira que de curta já nada tem.
Passando por temas como Sacred Trickster, What We Know e Massage The History, o novo álbum foi apresentado de forma irrepreensível e que fez justiça à qualidade do mesmo.
Contudo, o auge da noite sentiu-se na segunda metade do concerto, já num duplo encore. Uma visita a clássicos e pérolas, que com a idade só tem ganho novos contornos, quase intemporais, algo comprovável pelo elevado número de faixas etárias representadas no público. Passando por temas como Cross The Breeze e Death Valley 69, Thurston Moore, Kim Gordon, Lee Ranaldo, Steve Shelley e Mark Ibold comprovaram também a sua vitalidade física. Um mar de suor e sorrisos, foi o que sobrou depois deste concerto intenso.
Convém também salientar a abertura da noite por Manuel Mota, uma escolha bastante peculiar por parte da organização. Um aquecimento das hostes que se revelou completamente amelódico, perdido em deambulações demasiado aleatórias para ser possível tecer grandes elogios. Uma banda do calibre dos Sonic Youth merecia algo com mais pés e cabeça, talvez.
Reportagem The Australian Pink Floyd
Feb 19th
Noite de nostalgia e saudosismo em Lisboa, com o Campo Pequeno lotado, e apenas com lugares sentados.
É certo que esta não é a banda que deu nome ao rock progressivo, e que inspirou gerações, mas a possibilidade de saborear um pouco daquilo que os britânicos deram à música. Qualidade de som acima da média e reproduções fiéis dos maiores êxitos do colectivo de Cambridge foram as principais armas dos australianos. Ainda não havia ninguém em cima do palco e numa forma circular surgia projectado um video no qual o público poderia saber que album ia ser recordado. Inicio de luxo com as quatro primeiras faixas de The Dark Side Of The Moon e Shine On Crazy Diamond(Part I-V).
Com muitas luzes e lasers à mistura, os Australian Pink Floyd foram encantando uma multidão entusiasta, participativa com palmas e coro.
Welcome To The Machine, Another Brick In The Wall, entre outras fizeram as delicias dos lisboetas, mas o momento alto da noite viria a ser Wish You Were Here. O público português quase conseguiu calar Steve Mac e companhia, cantando o clássico com toda a força.
Após muito tempo sem se dirigirem ao público (exceptuando os agradecimentos habituais), os Australian Pink Floyd mostraram-se muito satisfeitos com
o público e abandonaram o palco, regressando pouco depois para encore duplo. Primeiro encore reservou a esperada Comfortably Numb, com um javali insuflável e de olhos vermelhos a surgir na lateral do palco.
Aplausos longos, fortes e sentidos nos quais plateia, bancadas e galerias viram as cadeira inutilizadas, quando já toda a gente acreditava que o concerto tinha terminado. A verdade é que já muitas pessoas tinham abandonado o recinto e os Australian Pink Floyd brindaram uma última vez ao público português, com Run Like Hell.
Reportagem Muse @ Pavilhão Atlântico
Nov 30th
Depois da passagem pelo Rock in Rio que contou com muitos fãs, os Muse vieram esgotar o Pavilhão Atlântico em nome próprio e com todos os seus brinquedos. Ainda antes de começar o concerto da banda de abertura, já podíamos contemplar três prédios feitos de pano sobre um palco redondo e mais pequeno do que aquele a que o Pavilhão Atlântico está habituado, fanzedo adivinhar muitas surpresas para o concerto de apresentação do seu novo álbum, The Resistance.
De álbum novo na bagagem vinham também os Biffy Clyro. Após a passagem por Paredes de Coura do ano passado, entraram em palco e mostraram o porquê de terem cancelado o concerto marcado para 12 de Dezembro deste ano: é demasiada energia para um espaço tão curto de tempo. Simon Neil entra em palco de tronco nu e agarra na guitarra para dar início ao que se viria a revelar um espectáculo de cordas a apresentar Only Revolutions. Avançam com a explosiva “That Golden Rule” que conseguiu arrancar alguma energia do público que aguardava pela banda da noite. Se por um lado Dom se viria a referir a Portugal como o melhor público da tour, os Biffy Clyro com certeza viajam para a próxima paragem com uma opinião diferente. “Living is a problem ‘cause everything dies” e “Who’s got a match? “ de álbuns anteriores não pareciam causar impacto apesar de Simon arranhar furiosamente a guitarra. As novas “Bubbles”, “The Captain” e “God and Satan” causavam igual reacção. Um público apático ia preenchendo o que restava da sala, engolindo grades, a mesa de merchandising, e os outros quase ignorando o abuso que se passava no pequeno palco. “Glitter and Trauma”, no entanto, pareceu agitar as massas. Infinity Land aparentou ser um álbum mais “comestível” que o recém lançado Only Revolutions. Despedem-se com “Mountains”, num português não tão desajeitado como o da maioria e que não mostrava ressentimentos pela quietude dos lusitanos.
Ao intervalo, era já impossível penetrar a imensa multidão que desde cedo se ia aglomerando no Pavilhão Atlântico. As luzes ainda não estavam apagadas e enquanto o público se entretinha a fazer “ondas” que moveram balcões e plateia, dentro dos prédios viam-se pequenas luzes verdes. Eles estavam lá dentro, já tínhamos percebido.
Começam a surgir silhuetas brancas que subiam e desciam escadas projectadas. Com um cair repentino do pano, Matt Bellamy usa um CD para projectar lasers para o público que se encontrava literalmente a seus pés. Ouve-se “Uprising” acompanhada de letra delineada na plataforma do baterista Dominic Howard. O público gritava em histeria, acompanhando os agudos da guitarra de Bellamy enquanto se via projectada audiência e banda nos paralelepípedos gigantes que sobrevoavam os músicos. Um começo surpreendentemente bom, para as considerações que se têm feito acerca do The Resistance. E na onda de novidade continuam com “Resistance”, transformados em “bit” por cima das suas próprias cabeças, até começarem a descer das plataformas para “New Born” que exigia deslizes pelo chão brilhante e lasers que enchiam o Pavilhão de estrelas verdes.
O público parecia diferente do que tinha assistido ao concerto de abertura. Não havia ninguém que não saltasse e não gritasse. O mesmo durante “Map of the Problematique” e “Supermassive Black Hole”, os clássicos pareciam despertar os fãs que voltaram a acalmar por momentos durante “MK Ultra”. O novo The Resistance não é tão cativante como nenhum dos álbuns anteriores e o público parecia algo descontente e aborrecido durante as músicas saídas do álbum-novidade. Servia, no entanto, de descanso.
“Hysteria” foi isso mesmo - durante a música, e durante o deslizar do piano para a plataforma que iria voltar a subir para “United States of Eurasia”. Viam-se projecções de mapas enquanto Matt exibia os seus dotes nas teclas e seguiu-se “Feeling Good”, que encerrava o recital de piano por hoje. Enquanto Bellamy trocava de equipamento, Dominic e Christopher faziam-se rodar e subir na plataforma central, para “Helsinki Jam” que levou o público ao rubro. Mas mais uma vez a acalmia abateu-se logo de seguida com “Undisclosed Desires”. Em “Starlight” e “Plug in Baby”, Matt deixou que fossem os portugueses a cantar numa união arrepiante. Nesta última entram os já típicos balões brancos que fazem chover papéis por cima dos portugueses. Os gritos não param com os primeiros acordes de “Time is Running Out” e com “Unnatural Selection”. Era o sprint final, a noite já ia longa.
Os três saem do palco, os ajustes do costume são feitos, e voltam para o derradeiro final, iniciado com “Exogenesis: Symphony, Part 1” que encerrava a mostra do álbum homónimo da tour. “Stockholm Syndrome” e “Knights of Cydonia” foram as músicas escolhidas para a despedida. Acabou como começou – com um estoiro de som, com gritos e algumas lágrimas.
De épico, teve tudo. Desaparecem por entre o fumo, um adeus até ao próximo ano e com grandes agradecimentos do baterista, que afirmou sermos o melhor público da tour.
Reportagem Rammstein @ Pav. Atlântico
Nov 9th
O Pavilhão Atlântico vestiu-se a rigor para rever os alemães Rammstein, já bem conhecidos do público português. Os noruegueses Combichrist ficaram encarregados de abrir o concerto e não desiludiram. Inicio com notas quase circenses para uma explosão repentina de luz e música ao som de "All Pain Is Gone", do mais recente álbum "Today We Are All Demons".
Com um arranque assim, os Combichrist não podiam parar, e assim foi. Pé no acelerador até ao final aproveitando para apresentar mais temas do último álbum, com êxitos anteriores à mistura. O tempo escasseava, mas antes imponha-se uma pergunta: "What The Fuck Is Wrong With You People?" foi a musica escolhida para fechar. Nota muito positiva para os Combichrist que deixaram o público de água na boca.
A tour de apresentação do novo e já polémico "Liebe Ist Für Alle Da" ia começar. 20 anos após a queda do muro de Berlim, são os Rammstein a quebrar um em Lisboa para que os lisboetas pudessem assistir a um concerto dos germânicos. Feixes de luz saídos das brechas feitas pelas guitarras de Richard Kruspe e Paul Landers, contrastavam com todo um fundo negro, que rapidamente se desfez, para que Till Lindemann quebrasse o centro do muro com um maçarico e cantasse "Rammlied", em tons de oração. Tema de abertura escolhido a rigor.
A aposta no novo álbum continuou com "B******** " e "Waidmanns Heil", e teve boa aceitação. Em noite fria, não faltou pirotecnia para aquecer o Atlântico e seguiram-se alguns temas de álbuns anteriores com destaque para "Feuer Frei". Em forma de sátira surgiram em palco Nenucos pendurados em ganchos.
Seguiu-se "Frühling In Paris", entoada fortemente pelo devoto público, que teve direito à graditão do vocalista bávaro. Num concerto à velocidade da luz, nem esta balada conseguiu travar o poderio da música dos Rammstein. Enquanto o teclista Christian Lorenz era espancado e quase queimado numa banheira onde Till despejou faíscas do cimo de uma plataforma em palco, ouviu-se "Links 2 3 4" e o clássico "Du Hast", que tiveram o condão de pôr o publico português especialmente participativo, novamente com o vocalista a agradecer. Durante "Links 2 3 4" Till e os dois guitarristas enfocinharam-se de um lança-chamas e literalmente dispararam fogo das suas bocas, o que levou até à presença de uma autêntica tocha humana.
Faltava a música mais polémica do último mês, e antes de recolher ao backstage, a banda acedeu ao pedido e tocou "Pussy", durante a qual Till controlou um canhão disparando espuma sobre as primeiras filas, aludindo claramente à letra do tema e assemelhando-se com os ornamentos no microfone. Os Rammstein presentearam ainda os portugueses com dois encores, em que dispararam quatro clássicos ansiados pelo público, aproveitando para mais um tema novo pelo meio. "Sonne", "Ich Will", "Seemann" e "Engel" fizeram as delícias dos presentes, que cantando (como aliás fizeram durante todo o espectáculo), se despediram categoricamente da banda. A banda de Berlim trouxe toda a bagagem consigo abrindoa tour em força, com um concerto que ficará na memória dos portugueses, não só pela música, mas pelos fogos e explosões ensurdecedoras e até por algum teatro feito ocasionalmente.
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Tudo encaixou na perfeição e os Rammstein provaram mais uma vez porque são uma das melhores bandas ao vivo do momento.
Reportagem Super Bock Surf Fest
Aug 16th
Nos dias 13 e 14 de Agosto, Sagres encheu-se de muitas pulseiras azuis vindas do Sudoeste TMN acabado na semana passada para assistir a mais um evento Música no Coração.
Dia 13 de Agosto
Para provar que este ano só a cerveja é que mudou, os portugueses Kumpania Algazarra pisam o palco à (quase) beira-mar plantado, pouco antes das 19 horas. Com o ritmo contagiante a que nos têm habituado, animaram um recinto ainda vazio. A expressão “poucos mas bons” encaixa perfeitamente na actuação da banda de Sintra – os poucos espectadores dançaram até ao último minuto. A pedido do público, o último tema a ser tocado foi “Wild Zone”, para deleite da multidão que se começava, então, a formar.
Os franceses Babylon Circus entram em palco com um pôr-do-sol magnífico que serviu na perfeição como pano de fundo à música que o grupo trouxe ao Algarve.
Com expressões em português à mistura, foram apelando ao público que explorava o pequeno recinto que se juntassem à enérgica festa. Alguns fãs tiveram o privilégio de subir ao palco em “Envol” e dançar com os membros da banda, enquanto Biloul e David pediam que o público os seguisse, juntando-se dois a dois. A energia dos vocalistas e a boa disposição da banda em geral garantiram uma actuação animada com temas sobre o amor, a amizade e as oportunidades da vida, de entre as quais, “Perdu”, “J’aurai Bien Voulu” e “Sur la Tete”. O franceses saíram do palco com um público que os aplaudia, cada vez mais efusivo.
É chegada a hora dos Asian Dub Foundation, a trazerem a multiculturaliedade à Praia do Tonel e ao palco do Surf Fest. O público presente era já bastante e dançou durante a actuação enérgica que começou com “Rise to the challenge” e “Take back the Power”. O som, reminiscente de Prodigy com reggae à mistura proporcionou uma hora de dança com “Speed of Light”, “Flyover” (esta conhecida dos fãs de Blasted Mechanism) e “Super Power” entre outras. Os londrinos deixam, agora, um recinto cheio de vontade de continuar a mexer.
Contudo, é a calma e boa onda de Gentleman que ocupa o palco, abrindo em grande com o single “Superior”. Num festival de peace & love, era agora complicado chegar-se à primeira fila. Os fãs de Gentleman entoavam “Pursuit of Happiness”, “Runaway”, “Leave us Alone” e, claro, “Intoxication”, do fundo dos pulmões ao mesmo tempo que o espírito de Bob Marley pairava pelo ar. O alemão despediu-se, deixando o recinto pronto para o último concerto da noite.
O aclamado Nitin Sawhney, produtor e compositor, ocupou a fácil tarefa de encerrar o primeiro de dois dias do Super Bock Surf Fest. Nitin senta-se à guitarra e ouve-se “Sunset”. O microfone é de Natacha Atlas, colaboradora regular nos concertos de Nitin Sawhney.
A encerrar a primeira noite, ficam, na tenda electrónica, João Maria e João Araújo, a dar música aos que não queriam voltar ao acampamento.
Dia 14 de Agosto
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Fotos: Raquel Silva





























