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Reportagem Festival Paredes de Coura 2011
Aug 26th
Há magia em Paredes de Coura. Há magia no parque de campismo (que só fica atrás do do Milhões de Festa), com a sua paisagem e o seu rio; há magia na vila, que fica não muito longe, perfeita para almoçar e relaxar um pouco (e tem piscina municipal e tudo); e há, claro, muita magia nos palcos, naquele que foi, de todos os festivais principais (Delta Tejo, Optimus Alive, Super Bock Super Rock, Sudoeste TMN e Milhões de Festa) o que teve, no geral, os melhores concertos, onde poucos desiludiram.
Após ter feito o percurso de festivais, haveria melhor forma de terminar que não esta? Paredes de Coura foi, pelo menos este ano, efectivamente o melhor festival. Organização exemplar (poucas filas, concertos com poucos ou nenhuns atrasos, etc), e dias com alinhamentos bem pensados e fortes. Acredito que possam ter havido roubos, contudo não vi ninguém a queixar-se, e até mesmo o último dia (onde costuma ser mais fácil entrar no campismo) teve segurança. Enchentes? Não houve.
Parece que cerca de mais de vinte mil visitaram diariamente o festival e o recinto aguentou com todos na perfeição. As filas para comer ou ir à casa-de-banho nunca eram exageradas e era sempre possível ver os concertos no palco principal (que se localiza ao fundo de uma colina, proporcionando tanto uma visão privilegiada como um som espectacular) ou de pé ou sentado, tal como era fácil chegar bem perto do palco em qualquer altura. Afinal de contas, em que outro festival é que poderia ter chegado à segunda fila quinze minutos antes do início de Pulp?
Foram dias de concertos, foram dias de férias, foram dias em que se vivem e se guardam memórias para os anos vindouros. Se um festival quer, efectivamente, ser bem-sucedido, Paredes é o modelo a seguir. Em termos de ambiente, é apenas comparável ao Milhões de Festa; em termos de concertos e da forma como estes podem ser vistos (e das condições com que isso acontece), mais ninguém chega lá perto. Organização exemplar, num festival que foi, afinal de contas, uma verdadeira experiência.
Showcase da Lovers & Lollypops
Vale a pena falar do showcase da editora portuguesa que tem no seu catálogo nomes como, por exemplo, os grandes Black Bombaim, e que decorreu um dia antes do início propriamente dito do festival. Em palco (o secundáro) iriam estar os já mencionados Black Bombaim, e ainda os Larkin e Mr. Miyagi.
O público era já algum, algo que se esperava tendo em conta que já há mais de uma semana que era possível ir para o parque de campismo, e parte dele obviamente conhecedor do que aí vinha. É bom ver este pequeno culto a pequenas bandas nacionais, que merecem uma maior divulgação e iniciativas destas, que lhes permitem chegar a mais público. Tendo em conta que muitos estavam já a acampar há vários dias (efectivamente, quem chegasse neste dia não arranjaria lugar facilmente), fazer este pré-aquecimento foi uma belíssima ideia.
E se é verdade que nem os Larkin nem os Mr. Miyagi impressionaram particularmente, já os Black Bombaim deram um concerto notável do início ao fim, impressionante pela energia daquele stoner tão rock que estica as canções até ao infinito, transformando-as em ondas de som que vão envolvendo e, eventualmente, rebentando. Guitarra, baixo e bateria em comunhão perfeita (e que potente que vai ficando a bateria, ao longo de cada canção), e um concerto que envergonha muitos cabeças-de-cartaz que passaram por outros festivais. Nunca abriram a boca (é música instrumental, afinal de contas), e nunca precisaram de o fazer: o baixo e a guitarra diziam mais que o necessário. Agora é rezar para que cresçam e conquistem o mundo.
Os Larkin praticam um rock curioso, bem pensado, feito e, ao vivo, tocado, mas pecam, acima de tudo, por um factor que acaba por minar, em muito, os concertos do grupo: a voz do vocalista. É verdade que canta com atitude, e é de louvar a entrega e a forma como demonstra tão honestamente o quanto está a gostar de estar em palco, mas ao ouvi-lo a falar e depois a cantar fica-se com a impressão de que tenta manipular a voz para ser algo que não é. E, da forma que o faz, acaba por soar genérico e por vezes irritante. Custa dizer isto sobre uma banda jovem, ainda em crescimento, e na qual há, sem sombra de dúvida, talento em todos os membros (e custa dizer mal da voz de um vocalista que faz tudo desde atirar-se ao público a trepar colunas); mas é exactamente por essa mesma razão que se torna necessário reportar sobre esta falha. Afinal de contas, há ali muito potencial inexplorado e para tal é necessário que o vocalista tente, apenas, de mudar de registo. Resta esperar agora isso; que melhorem o que não é mau, mas que pode ser muito, muito melhor. Quem não ouviu o disco, que oiça.
Nos Mr. Miyagi, atitude é algo que não falta - mais um vocalista que se atira, e bem, ao público, e que até o insulta quando lhe roubam a fita que leva à cabeça - faria o mesmo. Mas tudo o resto soa a algo que já ouvimos milhares de vezes antes, e muito mais conexo e bem feito. Musicalmente, as músicas soam caóticas, sem propósito, mero barulho. Viu-se crowdsurfing, muitos saltos por parte do público, e muitos sorrisos; para muitos, foi uma festa. Para mim, nada mais foi que uma desilusão. Dão ocasionalmente vontade de bater o pé, mas não muito mais.
17 de Agosto – Recepção ao Campista:
Dia de Quarteto de Bolso, Omar Souleyman, Wild Beasts e, claro, Crystal Castles, os mais esperados da noite. O espaço do palco secundário era pouco para tanta gente, e era já uma grande multidão a que esperava os concertos ainda antes de Omar entrar em palco. Seria a primeira e última vez que haveria neste aspecto; o resto do recinto não estava ainda aberto nesta altura, por isso o espaço para circular era menor.
Omar Souleyman foi… bem, foi o Omar Souleyman. Um músico da Síria, com turbante e óculos escuros, que não fala inglês (teve alguém em palco a apresentá-lo no início do concerto e alguém a despedir-se por ele no fim), canta numa língua que ninguém percebe, mas que é uma figura tão caricata que acaba por ser tudo francamente divertido. A música, essa, é também bastante divertida, pop made in Síria, com ritmos energéticos que, ainda assim, acabam por se tornar repetitivos em alturas (o entusiasmo do concerto diminuiu a meio do concerto). Muitos saltos, muita festa, e o senhor Omar a interagir gritando “PORTUGAAAAALLL!”, batendo palmas de forma mecânica, e erguendo os braços no ar e mexendo as mãos como quem diz “Come on, show me what you’ve got”. Claro que não diz, porque só diz mesmo “PORTUGAAAAL!” e não sabe inglês, mas… Caricato, divertido e por vezes francamente cómico. Foi, portanto, uma bela festa.
Os Wild Beasts lançaram este ano o excelente Smother, e foi com esse pretexto que regressaram, mais uma vez, ao nosso país. O som podia ter estado melhor, mas isso em nada impediu o grupo de dar um concerto mais que sólido do início ao fim, com um alinhamento bem pensado e uma energia que contagiou do início ao fim. Além disso, havia genuidade nas palavras simpáticas que iam lançando ao público, dizendo que não esperavam ter tanta gente à sua espera. Hayden Thorpe tem uma voz excelente, profunda e com um timbre bastante único, e é bom ver que ao vivo impressiona tanto quanto em disco. O momento alto? Provavelmente "Hooting & Howling", o single que os lançou. Já está na altura de alguém os trazer cá a solo.
De seguida, vieram a dupla (que em palco é trio, com baterista), que todos queriam: os Crystal Castles. Presença assídua já no nosso país, e com um culto cada vez maior. Culto esse que muitos partilham, e tantos outros desprezam, compreensivelmente; afinal de contas, é música bastante única esta que nos trazem, electrónica diferente da maior parte do que se ouve por aí. Mas, em palco, torna-se inegável que, quer se goste quer não, há ali qualquer coisa de especial. Este concerto não se comparou ao espectacular dado no Coliseu, mas deu ainda assim para ver bem o talento da dupla. Alice Glass (que nome irónico, tendo em conta a energia e agressividade que demonstra em palco) não se atirou tanto ao público como seria de esperar, nem fez crowdsurfing, mas saltou e gritou como poucos fazem, e foi, mais uma vez, um concerto onde os moches e afins apareceram naturalmente. Tudo isso aliado a um bom jogo de luz e um parceiro que sabe bem o que faz (veja-se "Crimewave", que ao vivo é manuseada na perfeição nos teclados e afins, ganhando uma potência que não tem em disco), e tem-se um belo concerto, onde ficar quieto foi complicado.
Afinal de contas, tocar "Baptism" logo perto do início é mesmo pedir “Saltem como se não houvesse amanhã”, e terminar com "Yes No", já em encore (pouco mais de uma hora de concerto) é saber bem o que se faz. Já os vimos em melhor forma, mas Crystal Castles é Crystal Castles. São únicos em disco, únicos ao vivo, e quer se goste quer não, é impossível negar que há, de facto, ali qualquer coisa de especial.
18 de Agosto:
E aqui começou o festival a sério, com concertos nos dois palcos, o recinto todo aberto, e os grandes cabeças-de-cartaz que trouxeram tanta gente ao Norte (horas e horas de viagem a partir de Lisboa, Deus nos ajude). A grande atracção do dia eram, claro, os regressados Pulp, mas até lá seriam muitos os bons nomes que passariam pelos três palcos; afinal de contas, é preciso não esquecer o palco JN.
E é mesmo aí que começa o dia, com os The Kanguru Project. Rock agradável de uma banda a começar, num palco com esse mesmo propósito: mostrar ao público bandas novas. E os Kanguru Project são novos, ainda não sairam bem da bolsa, mas já conseguem saltar, e bem alto. Os membros tocam bem (boa coordenação entre todos, notando-se apenas algum nervosismo… normal, claro), e nunca caem no cliché nem se agarram a referências óbvias (rock normal e puro, sim, mas que não copia). Um concerto agradável de um projecto a acompanhar.
As coisas começaram mais a sério com os Crystal Stilts, no palco principal, e começaram bem. Toques de lo-fi num rock onde o baixo, acima de tudo, se assume como rei e senhor, e já algum público para os ver. Não há-de ter ficado na memória de ninguém, mas canções como "Departure", por exemplo, resultam muito bem ao vivo, tornando impossível não bater o pé. Lembram por vezes uns Crocodiles, que passaram este ano por cá no Alive, e o saldo no final do concerto é francamento positivo. Um agradável fim-de-tarde.
Twin Shadow, uma das revelações deste ano, veio a seguir, naquele que foi o seu terceiro concerto no nosso país (passou em Maio por Lisboa e Vila do Conde), e deu um concerto que, ainda que longe de ter sido um dos melhores do festival, confirmou tudo o que de bem se tem dito sobre o seu primeiro disco, "Forget". Ao vivo, ouve-se mais guitarradas que sintetizadores, e isso acaba por ajudar as canções a crescerem e a ganharam um impacto diferente. Veja-se "Slow" ou "Forget", que ganham fortes contornos rock ao vivo, muito mais potentes que em disco. Um belíssimo concerto, catchy do início ao fim (tal como o disco), e que confirmou George Lewis Jr. Como uma das revelações do ano. Em Setembro, regressa a Lisboa, tocando no Clube Ferroviário. Será mais um belo concerto, sem dúvida.
As Warpaint são, também, uma das revelações do ano, e foram e belíssima dose de rock suave e experimental do dia. Naquele que foi, muito possivelmente, um dos melhores concertos do festival, o quarteto feminino mostrou uma impressionante excelência musical em palco, tocando com uma mestria surpreendente as canções do magnífico "Exquisite Corpse". Algumas canções são alongadas, outras tornam-se mais complexas, e vê-se em palco um cuidado, um empenho e, também, um prazer enorme naquilo que fazem.
Veja-se aquela guitarra em "Elephants", que ao vivo ganha um poder inesperado, e aquela voz daquela vocalista (Emily, a principal), que em palco canta com uma fragilidade que tem tanto de vidro quanto de ouro. Consistente do início ao fim, e francamente impressionante tendo em conta a curta carreira da banda. Um dos melhores do festival, muito provavelmente.
O mesmo, infelizmente, não se pode dizer sobre o concerto dos Blonde Redhead. Frio e austero, a banda tocou na perfeição um alinhamento que não foi nada mau ("The Dress", "Falling Man"…), mas faltou, não querendo soar a cliché, alma ao que se ouvia. As músicas, mesmo lindíssimas em disco, não tardaram a tornar-se monótonas, e nem a dança deslizante de Kazu Makino e a sua voz de cristal (era, aliás, a única do trio que parecia estar a gostar realmente de ali estar) conseguiram salvar o concerto de uma austeridade que se instalou do início ao fim.
Teve momentos aborrecidos, teve momentos magníficos (sim, 23 é mesmo uma canção espantosa), e no geral fica uma mescla de canções e momentos inconsistentes. O público, frio do início ao fim, pareceu não estar particularmente para ali virado ao longo da actuação. Talvez a solo resulte melhor.
Tudo voltou a seu melhor nível com os grandes nomes do dia, e talvez de todo o festival: os Pulp. Parados desde 2002, o grupo de Jarvis Cocker regressou este ano para uma digressão que, graças a Deus, os trouxe ao melhor festival que temos. O resultado foi o que se esperava: um concerto magnífico, ora apoteótico ora francamente divertido, sempre liderado por um vocalista brincalhão e comunicativo.
Um concerto fenomenal, começado com um pano sobre o palco e um pequeno jogo de luz onde eram projectadas frases que iam suscitando a atenção do público até ao começo do espectáculo (que começou com algum atraso), onde nem um golfinho (“Would you like to see a dolphin? Well… would you?”) faltou, e num palco bem enfeitado com o nome da banda escrito em gigantes letras de neon e algum jogo de lasers; é simples, mas eficaz. Mas o verdadeiro espectáculo foi, claro, Jarvis Cocker, que logo de início (com a grande "Do You Remember the First Time?") mostrou bem estar ali para interagir, divertir e agradar. Poucos parecem gostar tanto do que fazem, e poucos conseguem ter tanto carisma e tanta presença em palco. Até falou com Piruças, o cão amarelo insuflável de Paredes que já lá anda desde 2008. “É melhor pedires a alguém para agarrar o cão por ti, ainda ficas cansado!”.
Um alinhamento em modo best of ("This is Hardcore", "Mis-hapes", os êxitos estiveram quase todos lá), uma banda a tocar na perfeição e um público que estava ali para a festa (foi, talvez, a maior enchente que aquele palco viu) foram os restantes ingredientes, além de Jarvis, que ajudaram a tornar este regresso dos Pulp num sucesso absoluto. Fossem todas as reuniões assim, e seriam muito mais bem-vistas. O final, com a inevitável "Common People", foi um dos momentos do festival e, provavelmente, um dos finais mais apoteóticos que muitos viram até hoje num concerto. Memorável.
19 de Agosto:
Foi, talvez, o dia mais forte do festival, em que todos os concertos foram espectaculares ou lá perto (bem… quase todos, pelo menos). O dia volta a começar, mais uma vez, no palco JN, com Erro. Não foi mau ao ponto de se querer fazer piadas com o nome, mas também não convenceu particularmente. Instrumentalmente tudo parece estar no sítio certo, mas o vocalista e as suas letras aleatórias e que acabam por cair frequentemente (leia-se, em 90% das vezes que abre a boca) no cómico acabam por "minar" tudo. Teve os seus momentos interessantes, mas no geral…
Por outro lado, os Meu e Teu demonstram em palco um à vontade e tocam um rock bem feitinho que conquistou facilmente os (poucos) presentes. Um vocalista que pede palmas, saltos e afins, um rock agradável e catchy (e com arranjos francamente bem pensados), e um concerto que foi dos melhores que passou por aquele palco (senão mesmo o melhor). São novos, ainda são recentes, e nota-se em palco a testosterona toda de ainda estar a dar os primeiros concertos; com tempo tudo há-de ficar mais arranjado e mais bem tocado. Por agora, no entanto, são já uma boa promessa.
De seguida, o primeiro grande concerto do dia veio logo com os You Can’t Win, Charlie Brown no palco secundário. A mega-banda portuguesa, que tem sabe-se lá quantos membros em palco, está mais confiante e bem oleada que nunca. Vão trocando de instrumentos com rapidez e sem falhas, tocam em palco como se não quisessem estar a fazer outra coisa, e as canções, que já em disco são óptimas, ao vivo crescem imenso e resultam na perfeição. "Green Grass" é um exemplo claro disso, tal como a grande "I’ve Been Lost". Um excelente concerto que, não fossem os grandes que se seguiriam, teria sido facilmente dos melhores do dia. São, sem dúvida, um dos nomes mais entusiasmantes da música nacional da actualidade
Quando se chega ao outro palco, já os Joy Formidable começaram. Rock das entranhas, feito com três em palco mas parecem ser mais, dada a potência e energia do que se ouve. Canções como "Whirring" ou "The Greatest Light is the Greatest Shade" ao vivo perdem o seu toque lo-fi mas ganham um poder surpreendente, entregue sempre com honestidade e simpatia (disseram que estavam contentes por ali estar, e pareceram estar a dizer a verdade). Aquele final, quase apoteótico, com todos em volta da bateria, foi talvez um dos momentos de todo o festival, e terminou um belo concerto da melhor forma possível. Concerto a solo, requisita-se.
De seguida, um verdadeiro nome de culto, que certamente levou muita gente a comprar o passe: …And You Will Know Us By The Trail of Dead. Sim, já se sabia que iam tocar pouco tempo e que seriam logo os segundos (tinham de apanhar um avião, parece), mas isso em nada minou o entusiasmo dos presentes, ainda assim não tantos quanto seria de esperar. Seis músicas apenas, mas mais que suficiente para aqueles que terá sido, para muitos, um dos melhores do dia (e isso não é dizer pouco, tendo em conta o dia que foi).
À segunda canção, o quarteto jé está completamente aquecido, já se vivem momentos de uma intensidade a que muitos concertos nunca chegam, e tudo é já um triunfo absoluto (ainda que triste… afinal de contas, é realmente pena que não tenham tocado mais). Vão trocando de instrumentos entre si, da guitarra para a bateria, revelando uma mestria que torna tudo mais interessante, e canções como "Gargoyle Waiting" ou a fenomenal "Will You Smile Again?", no final, deram os momentos mais puros de rock que o festival viu. Curto (pouco mais de quarenta minutos, creio), mas muito, muito bom (e note-se que eu, pessoalmente, nem era fã). Resta agora esperar que regressem, num concerto com uma duração mais digna do que merecem (eles e nós, diga-se).
No entanto, a banda que viria a seguir conseguiria fazer ainda melhor. Num dia fortíssimo, o concerto do dia (e, de muito longe, um dos melhores de todo o festival) seria dos Battles, que se estrearam finalmente no nosso país. E, meu Deus, que estreia.
Apoteose do início ao fim, tudo muito bem construído, num jogo de camadas e sons que viria apenas a ser igualado por uma certa e incrível banda de post-rock que viria a actuar naquele palco no dia seguinte.
Tocam com energia e, diga-se, carisma (que figura curiosa que é, o guitarrista e o seu bigode), e nenhuma das canções desilude ao vivo. Uma fusão de sons, desde dance music ao mais puro rock, que faz com que seja rigorosamente impossível estar parado no mesmo sítio. Muito do público estava lá por eles, e isso viu-se: devoção e respeito por parte de uma plateia conquistada logo aos primeiros minutos. E, sim, "Atlas" foi mesmo um dos momentos do festival (mas "Ice Cream", diga-se, também foi genial).
Ao início faz alguma comichão vê-los a usar samples e afins, mas tendo em conta que são apenas três, e que os samples são eles mesmos que os vão inserindo (mais uma vez, é preciso ter cabeça para saber encaixar aquilo tudo), tudo acaba por pintar um quadro onde estão retratados três grandes, grandes músicos. No final, o baixista agradeceu e disse que estava ansioso por nos voltar a ver “muito, muito em breve”. Concerto a solo marcado? Esperamos que nós. Por agora, no entanto, uma coisa podemos dizer: os Battles partiram tudo quando actuaram pela primeira vez no nosso país, e nós estivemos lá para ver na primeira fila.
Os Deerhunter, ao vivo, impressionam. "Halcyon Digest" é, sem sombra de dúvida, francamente bom, mas encontra-se longe da genialidade de um "Microcastle", por exemplo. No entanto, ao vivo tudo faz mais sentido, e tanto as novas como as antigas ganham um poder à base de guitarra que espanta quem, como eu, nunca os tinha visto ao vivo. Bastou logo o início, com a bela "Wash Off", para surpreender pela positiva; e o mote seria, exactamente, esse.
Tudo tocado com impacto e poder, e sempre com um Bradford Cox simpático e comunicativo (diz que adora tocar em Portugal (mais um que se enganou e pensava estar no Porto…) porque somos um país muito assombrado… "yap", faz sentido), e uma banda em perfeira harmonia. Sofreram do mesmo problema que os Trail of Dead: concerto demasiado curto, com apenas oito canções. Mas mais que suficiente para darem aquele que foi, sem dúvida, um grande concerto. No final, um pequeno golpe de génio, quando terminam com aquela que é, diga-se, a sua melhor música, e talvez mesmo uma das canções da década: "Nothing Ever Happened", esticada, alongada, apoteótica e de ir às lágrimas. Genial.
Já diziam os Monty Python: "...and now, for something completely different". E foi isso mesmo. Os Kings of Convenience, dois tipos com guitarras acústicas, chegaram ao palco e foi impossível não sentir, de imediato, uma diferença depois de toda a energia que se sentiu ao longo da tarde. Passámos, de repente, do rock para os Simon & Garfunkel. E foi bonito, sim; agradável, simpático. Nunca chegou a mais que isso, já que esta não era, afinal, a "praia" deles.
O público ouviu, sempre calado e respeitoso, e isso é de louvar, mas só na zona mais perto do palco se viam realmente demonstrações de devoção em canções como "Rule My World" ou, claro, a inevitável "I’d Rather Dance With You". Eventualmente trazem mais dois músicos ao palco, mas isso não ajuda muito; continua tudo muito calmo, bonito, sim, mas por vezes monótono.
Mas sou suspeito: gosto muito de Simon & Garfunkel, e os Kings of Convenience, infelizmente, transpiram Simon & Garfunkel por todos os lados. Nas guitarras, nas letras, em tudo. Em disco isso não se nota tanto, dados os arranjos que dão às canções, mas ao vivo…
Enfim, um concerto simpático e agradável, que proporcionou uma noite bonita, mas nada mais que isso. E, sejamos honestos, Erlend Øyé é provavelmente um dos músicos mais "cromos" que alguma vez passaram pelos nossos palcos.
As coisas não mudaram muito com Marina & The Diamonds. Concerto agradável, com uma pop energética cantada por uma vocalista que, provavelmente, passou toda a sua vida a ouvir Madonna e Blondie. Simpática, obviamente contente por ali estar, e com uma energia contagiante, Marina cantou canções como "Girls" ou "Shampain" para uma plateia reduzida que, infelizmente, não estava realmente ali para ela, e em que só os mais próximos do palco reagiram ao seu claro entusiasmo. Divertido, agradável e pop catchy cantada a boa voz.
20 de Agosto:
Mais um dia forte, e com aquele que viria a ser o melhor concerto do festival (leia-se: dos concertos que vi).
O dia começou com um nome conhecido de todos: Linda Martini. Já tinham passado por aquele mesmo palco em 2007, num concerto que muitos afirmam ter sido espectacular, e regressaram… para repetir a proeza. Foi a sexta vez que os vi, e uma das melhores (e muito, muito melhor que o concerto no Alive). Isso deve-se não só à banda e ao público, ambos ali de coração e alma, mas também ao excelente som do palco; raramente se ouviu a camada de guitarras de "Este Mar", logo a primeira, assim tão bem, por exemplo.
O quarteto tocava com carinho cada acorde, e o público recebia com esse mesmo carinho cada som. Moche carinhosa, crowdsurfing feito como se fosse entre familiares, e canções que já todos sabemos do início ao fim ("Amor Combate", a incrível "Dá-me a Tua Melhor Faca"… hinos de uma geração). Até Hélio se atirou ao público e fez crowdsurfing, já no fim do concerto. Grandes, como sempre. Tocam como ninguém, e fazem-no com um amor que só lhes fica bem. Por este andar, nunca nos havemos de fartar.
“Os que vierem a seguir estão lixados se não forem bons”, dizia-me um amigo meu no final. E tinha razão: depois de um concerto como o dos Linda Martini, era difícil igualar. E não foi isso que Maika Makovski, espanhola que canta num inglês perfeito, e a sua banda, repescados à última hora para substituir Foster the People após estes terem cancelado toda a sua digressão europeia, fez. Mas também esteve longe, bem longe, de envergonhar alguém.
Naquele que foi um bom concerto de rock com toques de blues, com uma Maika a lembrar por várias vezes uma PJ Harvey (mas, por outro lado, não lembram todas?), o dia continuou bastante bem, com um nível que se viria a manter ao longo de todo o dia e noite. Maika foi simpática, comunicativa, falando em espanhol e inglês, e foi pena que o público, na sua maioria sentado e a ignorar o que se passava em palco, nem lhe tenha dado grande hipótese. Tarefa ingrata, esta de substituir músicos. Mas cumpriu-a, e muito bem.
A seguir, o concerto mais assustador do festival. Os Two Door Cinema Club, a banda mais genérica que passou por todo o festival, chegou e divertiu com o seu pop-rock tão… bem, tão catchy e igual a tanto outro pop-rock que anda por aí. Mas foi assustador ver o público, aquela legião de milhares de fãs, a cantar tudo do início ao fim, a fazer moche (?!) e crowdsurfing (?!?!) numa banda que, simplesmente, não tem uma sonoridade para isso. Sim, cançõe como "I Can Talk ou Sleep Alone" dão vontade de saltar e mexer o corpo, mas… moche? Crowdsurfing? Assustador ver mais disso neste concerto que em Linda Martini ou Trail of Dead, por exemplo (agora que penso bem, é mesmo assustador). Enfim, é o que faz uma faixa etária na sua maioria abaixo dos 18, com as hormonas aos saltos. Ver tudo aquilo acabou por tornar o concerto francamente estranho em vários momentos, e não é de espantar que, com a recepção excitada que tiveram, não foi de estranhar quando o vocalista disse, no final, que “Isto foi completamente ridículo”, dizia-o no bom sentido, claro, mas dá vontade de o dizer também no mau, ou pelo menos no estranho. O concerto propriamente dito foi giro, divertido, energético e inconsequente. Se alguém se lembrará deles daqui a um ano? Provavelmente não, mas, ao vivo, conseguem entreter. Mas… meu Deus… moche naquilo? Que coisa bizarra.
Foi mais um bom concerto, no meio de tantos outros bons ou grandiosos. Por esta altura, era altura de fazer balanços, e era difícil escolher apenas um grande concerto, um que se comseguisse destacar de entre todos, dado equilíbrio do que se viu até àquela altura. Escolher um concerto como o melhor afirmava-se impossível. Até terem chegado os Mogwai.
Podemos dizer que, dentro do post-rock, há dois grandes deuses: os Mogwai e os Godspeed You! Black Emperor. Podemos dizer mais nomes, claro, desde uns Mono a uns inevitáveis Explosions in the Sky ou uns God is na Astronaut, mas a verdade é que foi destes dois que tudo surgiu; sem um "Young Team" e sem um "Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven", o género simplesmente não seria o que é hoje.
O que os Mogwai, que pisaram aquele palco em 1999, dizendo Stuart Braithwaite que desta vez “Foi muito mais divertido" mostraram neste concerto, tal como já tinham feito na Aula Magna, o que se esperava: poder. Puro poder em todos os aspectos: sonoro, emocional, musical, tudo isso e mais. Em cerca de uma hora e quinze minutos, os escoceses defenderam com perfeição absoluta um legado que se apresenta tanto passado como presente e futuro. "Hardcore Will Never Die But You Will" está bem longe de um "Rock Action" ou de um "Young Team", mas a verdade é que ao vivo tudo isso desaparece. Canções como "White Noise" (um início de ir às lágrimas, literalmente), "San Pedro" ou "Mexican Grand Prix" ganham um poder, uma potência que as elevam ao estatuto em que estão os grandes clássicos do grupo.
Em disco, podem soar a canções óptimas, mas abaixo das grandes de antigamente; ao vivo, estão bem lá em cima com os hinos do grupo. Um concerto transcendente, que se viveu na pele e na alma, de olhos por vezes abertos e por vezes molhados, por vezes secos e por vezes humedecidos (emocionalmente falando, o post-rock pode ser um género poderosíssimo; os Mogwai, tal como os Godspeed You! Black Emperor, demonstram bem isso). Um bom jogo de luz, uma tela que ia passando algumas imagens, e um quinteto em palco vestido como se estivesse em casa, que poucas vezes falou; afinal de contas, porque precisariam de o fazer? A música diz tudo o que há a dizer, sem palavras.
Num alinhamento que nem foi assim tão curto (onze músicas… e tendo em conta que não são músicas pequenas) e que teve pequenos golpes de génio (ahh, quem diria que iam tocar a "Two Rights, One Wrong?"), o grupo concentrou-se, como seria de esperar, no seu último disco, defendendo-o, e muito bem, em palco. "Rano Pano", "San Pedro"… momentos grandiosos, impressionantes. São, realmente, uma banda que ao vivo funciona de forma incrível, transpondo para o palco com uma mestria inigualável canções complexas que, ao vivo, não perdem essa complexidade mas atingem de forma mais directa que nunca. Nisso, o som ajudou: foi possível distinguir todos os pequenos pormenores, todas as pequenas mudanças de ritmo, todos os pequenos sons. Aquela muralha de guitarras como só eles fazem tanto emocionou como intimidou, e os efeitos criados no vocoder soaram perfeitos ("Hunted by a Freak", já perto do fim, foi arrepiante, como sempre).
E foram eles que nos trouxeram o grande momento de todo o festival: "Mogwai Fear Satan", aquela epifania de mais de dez minutos, que vai construindo aquela muralha de guitarras que emociona, agarra, depois nos rebenta na cara após acalmar (ingénuos, os que bateram palmas achando que a música estava a terminar, quando na realidade ainda faltava o clímax), e depois nos volta a emocionar. Absolutamente incrível. O final, com "Batcat" (ainda não foi desta que nos brindaram com a "Glasgow Mega-Snake") foi do mais épico possível, e houveram momentos em que parecia que, de facto, o mundo estava a acabar. Ruído, explosões de luz e fumo. O mundo não acabou, mas se tivesse acabado, teríamos todos certamente morrido com um sorriso no rosto. Concerto do festival, um dos concertos do ano, e eles continuam a ser o sempre foram: um dos maiores de sempre.
No palco principal, tudo terminou como começou: com uma reunião. Foram os Pulp no primeiro dia, e foram os Death From Above 1979 no último. E se os primeiros foram magníficos, dos segundos podemos dizer também o mesmo. Num alinhamento onde tocaram… bem, tudo, já que só têm um disco e um EP, a dupla mostrou ter em palco uma energia contagiante, que facilmente desabrochou em moche e crowdsurfing por toda a plateia. Punk como poucos fazem, puro e directo ao osso, onde um baixo e uma bateria bastam (e muito bem!) para criar o caos.
É impossível ficar parado, é impossível não ficar com um sorriso no rosto, e é ainda mais impossível não gostar. Testosterona pura, entregue por um simpático Sebastien Grainger (que até disse que ia lá abaixo à plateia violar quem fizesse mal às raparigas… simpático e com valores!) que toca bateria como se estivesse ligado a uma ficha eléctrica e canta da mesma forma e um Jesse F. Keeler (sintetizador, backing vocals e, acima de tudo, baixo) concentrado mas perfeito no que faz, a dupla não desiludiu os que ansiavam por ver, finalmente, os Death From Above 1979 ao vivo.
Grainger bem brincou com o facto de serem cabeças de cartaz, dizendi que era uma posição difícil de defender com apenas um disco e um EP… e é, realmente, curioso vê-los agora como cabeças-de-cartaz. Quem se lembra de quando passaram por este mesmo festival em 2005, no mesmo dia que os Foo Fighters (na mesma edição onde tocaram os Pixies, os Arcade Fire, os Queens of the Stone Age, os The National, os…), e foram recebidos com monotonia? Entretanto ganharam mais fãs, regressaram, e o resultado está à vista: uma plateia devota e conquistada. E ainda bem, que eles bem mereceram. Foi mais um grande concerto.
Foi o fim de um grande festival que foi, diga-se, o melhor do ano. Sim, o campismo não é tão bom quanto o do Milhões (bem, se eles cobrissem tudo de relva…), mas os concertos e, tal como já foi dito, a paisagem compensam tudo isso. Um rio ali ao pé para quem se quiser refrescar, um público que em todo o festival se portou bastante bem (sempre respeitoso, mesmo com nomes que obviamente não conhecia), um ambiente como só Paredes consegue… e concertos, muitos e grandes concertos, que vão ficar na memória dos presentes. Foi o local ideal, com o cartaz ideal, com as condições ideais.
Se um festival de Verão deve, de facto, ser uma experiência… então a experiência que deve ser é realmente esta. Sem falhas.
As memórias, essas, vão perdurar por anos e anos; as saudades, felizmente, só até ao próximo Verão.
Uma relação com Paredes de Coura é, afinal, uma daquelas que dura para a vida.
E no próximo ano lá estaremos todos, para mais umas quantas noites de núpcias.
Passatempo Super Bock Surf Fest – Cartão Jovem
Jul 29th

Como sabemos que queres muito ir ao Super Bock Super Fest temos mais um passatempo para ti, em parceria com o Cartão Jovem temos Passes para te oferecer para o Festival Super Bock Surf Fest.
O Festival Super Bock Surf Fest realiza-se de 12 e 13 de Agosto na Praia do Tonel, em Sagres.
Alguns dos nomes confirmados para o Palco Super Bock são Gentleman, Colbie Caillat, Dub Inc,Kid Cudi, Benny Benassi, Tok, Milow e Frankie Chavez. Na Tenda Electrónica conta com John Dimas, Joe Goddard & Owen Clark DJ Set, Intelectronik e Vahagn.
Os bilhetes têm um preço de 40€ (bilhete diário), 48€ (passe de dois dias sem campismo) e 58€ (passe dois dias com campismo).
O Cartão Jovem dá-te descontos para este festival. Podes comprar assim o passe por 43 euros (passe sem campismo) ou o bilhete diário por 32,5 Euros na bilheteira do festival ou através da ticketline (o número de bilhetes é limitado).
Usa o teu Cartão Jovem!
Passatempo Super Bock Surf Fest 2011
Jul 25th

O Festivais de Verão em parceria com a Super Bock tem passes para te oferecer para o Festival Super Bock Surf Fest, que decorre nos dias 12 e 13 de Agosto, na Vila de Sagres.
Alguns dos nomes confirmados para o Palco Super Bock são Gentleman, Colbie Caillat, Dub Inc,Kid Cudi, Benny Benassi, Tok, Milow e Frankie Chavez.
Na Tenda Electrónica conta com John Dimas, Joe Goddard & Owen Clark DJ Set, Intelectronik e Vahagn.
Os bilhetes têm um preço de 40€ (bilhete diário), 48€ (passe de dois dias sem campismo) e 58€ (passe dois dias com campismo).
Palco Super Bock Super Rock no Sudoeste TMN 2011
Jul 22nd
No Festival Sudoeste TMN a música começa mais cedo. A partir do dia 30 de Julho o campismo abre e a animação está garantida graças ao palco Super Bock Super Rock.
No dia 30 de Julho sobe ao Palco Super Bock Super Rock A Revolta do Vinil (Ricardo Guerra), a 31 de Julho e 1 de Agosto é a vez Kumpania Algazarra e a 2 de Agosto ouves Cidade FM (Yes We Groove) e Filipe Pinto.
Esta 15ª edição do SWtmn será servida por um supermercado do Grupo Os Mosqueteiros. Com cerca de 300m2, o Intermarché Contact irá assim disponibilizar produtos essenciais para quem faz da Herdade da Casa Branca a sua morada durante esta semana, como pão, gelo, frescos (desde fruta a saladas), enlatados, champô, entre muitos outros.
Para os que além de nutritivos querem também ser ecológicos e se deslocam de transportes públicos para o festival, o Intermarché colocará à disposição dos festivaleiros transporte para bagagens desde a paragem do autocarro até ao parque de campismo.
O Festival Sudoeste TMN 2011 realiza-se nos dias 3, 4, 5,6 e 7 de Agosto de 2011 na Zambujeira do Mar, na Herdade da Casa Branca. O preço dos bilhetes é de 90 Euros para o Passe e 48 Euros para o bilhete diário.
Reportagem Festival Marés Vivas 2011
Jul 18th
A abrir o Festival Marés Vivas, presentes no palco MocheTMN, "Pitt Broken" e mais os 5 elementos da sua banda aqueceram o público com “Marés Vivas, Will You Be There for a Change?”. No seu estilo pop-rock, a banda apelou à paz e deu as boas-vindas aos festivaleiros com a versão “Bad Romance” e “Perfect Mirror”, que o público recebeu calorosamente.
O concerto seguinte no palco secundário começa com o tema “Lusíadas”, a banda de Coimbra liderada por José Rebola - Anaquim, provou mais uma vez a qualidade da música nacional. O público, com meia lotação, dançou e cantou os temas habituais, como “Na minha Rua” e “Tom Sawyer”. Na música “O Meu Coração”, originalmente em Dueto com Ana Bacalhau dos Deolinda, o vocalista interpretou a voz da cantora, provocando uma onda de aplausos e assobios na plateia. Em interacção constante com o público, a banda toca “As Vidas dos Outros” encerrando em beleza o concerto que já contava com mais de uma hora de duração.
Os brasileiros Natiruts abriram as honras do palco principal ao anoitecer do primeiro dia do festival. A sua música tranquila e cheia de boas vibrações abraçou os fãs que aguardavam ansiosamente pelos êxitos da banda, desde a abertura do recinto.
Misturando os temas clássicos com os mais recentes temas do álbum “Raçaman”, as mensagens de agradecimento à organização não ficaram esquecidas. A banda sublinhou ainda que “a cultura é investimento para o desenvolvimento” em tempos de crise. Relembrando a primeira actuação em Portugal, em 2005, a banda presenteou o público com o tema bem conhecido “Presente de um Beija-Flor”, que todos acompanharam cantando e balançando os braços bem no alto. Este concerto, com sabor a Verão, encerrou com o tema “Liberdade para Dentro da Cabeça”, para rejúbilo do público.
Os senhores do Rock & Roll Português, Xutos & Pontapés, subiram ao palco do festival Marés Vivas com a mesma força e vitalidade que sempre os caracterizou. Marcado pelo regresso de Zé Pedro, afastado dos palcos por motivos de saúde, o concerto contou com os clássicos “À Minha Maneira”, “Não Sou o Único”, “Homem do Leme”, “Maria”, “Chuva Dissolvente”, “Circo de Feras” e “Contentores”.
Entre os temas "Superjacto" e "Perfeito vazio", ambos do último disco, Zé Pedro aproveita para agradecer o apoio dos fãs, confessando que é no palco que se sente bem. Durante mais de uma hora e meia de concerto, pessoas de todas as idades cantaram com a banda os temas já conhecidos, frutos dos 30 anos de carreira da banda. Para terminar em beleza, o esperado tema “Casinha”.
Noite de lua cheia, já passava mais de trinta minutos da uma da manhã, uma multidão aguardava de braços abertos o mais esperado concerto da primeira noite do festival.
Manu Chao invade o palco com a sua energia e estilo contagiantes, camisa azul e chapéu esverdeado, num modo hiperactivo e com fome de palco, presenteou os fãs com os grandes hits da sua carreira durante um concerto que se prolongou até cerca das 4h00 da manhã. Temas como “Welcome to Tijuana”, “Por la Carretera”, “Bongo Bong”, “Clandestino”, “La Vida Tombola”, “Tà di Bobeira” satisfizeram as expectativas dos festivaleiros que acompanharam o concerto com muita cerveja, moche e drogas ilícitas.
Levando o público a saltar e cantar em uníssono, num modo de genuína diversão, foi o tema “Me Gustas Tu” que mais levou ao rubro a assistência. A festa foi constante, introduzindo pelo meio algumas mensagens políticas que assim tanto os caracterizam, Manu Chao vestiu na perfeição o papel de melhor entertainer da primeira grande noite do festival.
Os DJ´s de serviço, João Dinis e Nuno Cordeiro, animaram a noite dos sobreviventes da noite levada ao limite pelos Mano Chao. No palco secundário, ouviram-se temas de jazz, bossa, samba, reggae, ska, funk, drum&bass e afrobeat pela madrugada dentro.
15 de Julho de 2011
A dar início a mais uma noite de festival, durante cerca de 45 minutos, a banda de Mendes e João Só (bem acompanhado pelo público de Gaia), tocou temas como “Deixa-me ver”, “Sexta-Feira Teresa”, “Jimmy Olsen”, “Todas as noites”, “Documentos de amor” e “Vocês Sabem Lá” (numa versão que surpreendeu pela positiva), terminando com o tema “Sofia”. Realça-se a descontracção da banda durante o concerto, em plena harmonia com o ambiente vivido pela assistência.
A banda de Serafim Borges, Sérgio Silva, Pedro Ferreira e Bruno Macedo marcaram presença no palco principal do festival Marés Vivas, no dia 15 de Julho, ainda iluminados pela luz do dia. Os Classificados começaram o concerto com os temas do seu mais recente álbum, lançado no dia 13 de Junho, “Perdidos e Achados”. Relembraram ainda a sua primeira presença no festival, em 2008, ano em que foram nomeados para o prémio de “Melhor Revelação”. Verificou-se uma crescente ocupação do recinto, até se formar uma pequena multidão motivada pelos temas “Ela, Mudar a Minha Sorte” e “Com Medo de Voar”, este último a encerrar a actuação sob uma chuva de aplausos calorosos.
A abrir o palco principal no segundo dia do festival esteve a banda de Leça da Palmeira, Expensive Soul que, em 2011, tem dado cartas nos palcos nacionais. A comprovar este sucesso, é de referir os milhares de pessoas, principalmente camadas mais jovens, que aguardavam impacientemente o início do concerto. Sempre a puxar pelo público, a dupla Demo e New Max, com mais 11 elementos em palco “Jaguar Band” apelou ininterruptamente ao público com frases feitas:
“Como é que é Gaia?”, “Vocês são o melhor público de sempre”, “Vamos arrebentar com tudo isto”, “Quero ouvir essas palmas e os braços no ar”, conseguindo assim animar a malta com os temas “O Amor é Mágico”,”Dou-te Nada”, “13 Mulheres, “Tem Calma Contigo" e "Deixei de Ser Bandido". O tema “Eu não Sei” foi o encerramento de um concerto certeiro, no tempo previsto e sem direito a encore.
Depois da passagem pelo Coliseu da Invicta na digressão motivada pelo novo disco “Wonderlustre”, Skunk Anansie regressam aos palcos portugueses no segundo dia do Festival Marés Vivas. De fato preto justo e brilhante, juntando a um adorno assemelhando-se a umas asas coloridas e cintilantes, Skin abre as honras com o tema “Yes, It’s Fucking Political”, tema do seu novo álbum. Outras músicas do novo trabalho discográfico marcaram presença no concerto, tais como
“Charlie Big Potato”, “Because of You” e “God Loves Only You”. A música “Secretly” despertou a reacção esperada, levando o público a cantar em uníssono. Com a sua energia inesgotável, fez a temperatura subir na audiência com três “crowd surfing”, com perguntas “Are You Fucking Alive?” e mensagens políticas sobre os países que lutam pela sua liberdade cantando o tema “I’ve Had Enough”. Para todos os presentes, um concerto a recordar.
O início do concerto de Moby foi marcado pela entrada da vocalista da banda entoando “In My Heart” (do álbum “18”, remontando a 2002), elevando a expectativa das cerca de 20.000 pessoas que, nessa noite, assistiam ao espectáculo. Logo de seguida Moby invade o palco de guitarra em punho, introduzindo o tema “Go” que, carinhosamente relembra ser a sua primeira obra. Segue-se “Why Does My Heart Feel So Bad?”, tema que o público fez questão de acompanhar numa só voz.
No final de cada música Moby agradece “thank you, thank you, thank you” e em português, “obrigado” sempre mais do que três vezes. É de realçar o papel incansável de Moby em palco que, para além de cantar, deu cartas na guitarra, percussão e teclados. Cruzou temas como “Natural Blues” ou “Porcelain” com as batidas frenéticas de “Disco Lies”, “Lift Me Up”, “Feeling So Real” e “We Are All Made of Stars” (apresentada como a primeira música disco sonbre macânica quântica).
Este concerto fez a ponte entre as várias fases da carreira de Moby, destacando-se um estilo mais raver que nunca. A pergunta “It’s friday night, one in the morning, who wants a disco party?” não desiludiu quem veio para se divertir. No encore, houve direito a uma versão de "Whole Lotta Love", no início mais bluesy e no final num estilo à Led Zeppelin. O concerto encerra "Feeling So Real", um verdadeiro hino rave.
16 de Julho de 2011
Durante os 30 minutos de actuação, a luso-descendente Mia Rose presenteou o público com o seu charme natural e interpretou versões de temas de Rui Veloso, Maroon 5 e Cee Lo Green. Agradeceu a presença naquele que considera o “maior festival do Norte do País” e proporcionou um concerto relaxado, bem ao estilo do ambiente Marés Vivas.
Os Azeitonas, como seu estilo rock cheio e energia, subiram ao palco moche para protagonizarem um concerto que, apesar de semelhante a actuações anteriores, não deixou de satisfazer a pequena multidão que ocupou o recinto do palco secundário do festival Marés Vivas. Com a “casa cheia”, animaram o público com canções como “Quem és tu Miúda”, “ e “Anda Comigo ver os Aviões”.
Num palco decorado com vários candeeiros e uma carpete vermelha, a portuguesa Áurea e mais oito elementos da sua banda entraram no palco, primando pela pontualidade. Às 20h30 já um público vasto esperava a actuação da artista que, como tema de abertura "The Main Things About Me", seguido de "Waiting, Waiting (For Me)", foi trazendo cada vez mais pessoas para o recinto. Nas paragens entre as músicas a cantora, vestindo uma saia travada preta e top tigresa, e os pés descalços, não se esqueceu de agradecer ao público e à organização do festival.
Os membros da banda vestiam fato preto, gravata e camisa branca. Uma nota para as coreografias discretas do saxofonista e trompetista, com as mãos, acompanhadas habilidosamente por alguns membros do público. O quarto tema, o primeiro single da banda “Busy (For Me)”, encheu as medidas do público. Logo de seguida a cantora anunciou duas surpresas. A primeira revelou-se uma versão, primeiro sensual e depois em alta rotação da música “Kiss” de Prince.
A segunda surpresa foi uma versão de "Don't Ya Say It", de Bryan Adams. O tema "No No No No, (I Don't To Fall In Love With You Baby)" foi amplamente aplaudido e permitiu muita interacção com o público. O final foi feito com a repetição de "Busy (For Me)" , já com o palco completamente molhado.
A banda Tindersticks subiu ao palco principal protagonizando um concerto intimista, com pouca luz em palco e os ecrãs LED’s desligados. Apesar de se ter verificado que algumas pessoas saíram do recinto em busca de abrigo para a chuva, nem o estado meteorológico demoveu grande parte do público resistente do Marés Vivas.
O concerto foi uma verdadeira viagem pelos anos 90 e, apesar da notória desilusão demonstrada pelo Stuart Staples face ao clima que esperava em Portugal (até trouxe um fato de linho branco condizente com o bom tempo tão desejado), a banda cumpriu a sua missão e, sem grandes palavras para com o público, despediu-se de Portugal ao fim de menos de uma hora de concerto.
Para assistir ao concerto da banda irlandesa de rock alternativo, os The Cranberries, estiveram presentes mais de 20.000 pessoas, debaixo de uma chuva persistente. Apesar da paragem da banda entre o ano de 2003 e 2009, a voz inconfundível da vocalista Dolores O’Riordan não perdeu qualidade e presenteou os fãs com os temas "Linger", "Ode to My Family","Just My Imagination", "Salvation" (tema interpretado com penas de índio) e "Zombie" cuja letra foi maioritariamente cantada pelo público. No encore, repetiram-se os temas "Promises" e "Dreams" levando o concerto a terminar num ponto alto, para consolo dos fãs.
O artista Mika, que passou por Portugal na edição 2010 do festival Sudoeste TMN e, em Outubro passado pelas festas académicas de Coimbra, encerrou o palco principal no último dia do Festival Marés Vivas no 16 de Julho. Numa noite marcada pela chuva miudinha até à 3ª música do concerto,
Mika conseguiu motivar cerca de 22 mil pessoas a ficar até ao final do espectáculo que durou cerca de 1h30, debaixo de uma “brisa” cortante. Num palco decorado com falsos quadros antigos, um candelabro de cristal e com a banda vestida a rigor, a banda recebeu no seu “palácio” o calor de um público recheado de fãs incondicionais.
A dar entrada, soou o esperado tema “Relax, Take it Easy”, levando ao rubro a assistência. Sem deixar esmorecer os ânimos, seguiu-se a música “Big Girl (You Are Beautiful)” e “Stuck in the Middle”. Na quarta música Mika sobre para cima do piano, mostrando mais uma vez que com “pouco” faz muito espectáculo. Aproveita para elogiar a multidão e falar pequenas frases em Português, conquistando ainda mais a simpatia do público.
Dividiu o público em duas partes e propôs uma canção ao despique, para introduzir o próximo tema “Blame It On the Girls”. A noite ficou marcada pelos sucessivos êxitos das tabelas de vendas, tais como “We are Golden”, “Rain” (coincidente com o clima da noite), “Grace Kelly” e “Love Me”, “Lollipop” e uma música entoada em língua francesa. Uma noite a recordar.
Reportagem Festival Optimus Alive!11
Jul 11th
Foi nos dias 6, 7, 8 e 9 de Julho que a 5ª edição do festival Optimus Alive! decorreu. O festival, considerado este ano pela revista britânica NME como um dos 12 festivais de Verão a não perder, contava com novidades: um dia a mais que as versões anteriores e os palcos Super Bock e Optimus Clubbing maiores que nunca. Os nomes atraíram milhares de pessoas e nem o vento que se fez sentir durante todos os dias do festival conseguiu demover os espectadores.
6 de Julho de 2011
O primeiro dia, o único a esgotar, juntava fãs e curiosos na fila da frente, alguns mais emotivos que outros. O recinto, este ano aumentado de capacidade, permitiu uma circulação tranquila, ao contrário do que podíamos experienciar no ano anterior, no dia esgotado. Também o percurso entre palcos foi melhorado, tentando minimizar a poeira no ar com carpetes pelo chão na zona de restauração.
A dar início a esta edição, estiveram os neo-zelandeses The Naked and Famous, a abrir o Palco Super Bock. O recinto estava meio cheio e o som revelou problemas de equalização. “All of This” fez as honras e a banda mostrou energia em palco. Os espectadores juntavam-se e contavam-se bastantes fãs entre a multidão. A banda agradeceu a presença de todos e garantiu que nunca se iria esquecer do seu primeiro concerto em Portugal. “Young Blood” fechou o alinhamento, que contou com outros temas como “No Way” e “Girls Like You”.
Seguiu-se a banda californiana Avi Buffalo. O vocalista Avigdor Zahner-Isenberg dirigiu-se logo ao público, apresentou a banda e durante todo o concerto foi falando. O repertório contou com temas novos e antigos. O som continuava longe de bom, com o público a dispor-se no recinto de forma estranha, com vazios enormes em frente de ambas as colunas. “How Come” e a já conhecida “What’s in it for?” foram algumas das músicas que entretiveram o público enquanto o palco Optimus não abria.
Os Twilight Singers inauguraram o palco principal e mostraram ser uma boa ainda que deslocada aposta. Greg Dulli, nome maior do rock, com uma carreira com mais de vinte anos em bandas como os The Afghan Whigs ou estes seus Twilight Singers, deu no ano passado um belíssimo e íntimo concerto no Santiago Alquimista, onde reviveu em arranjos calmos os temas de toda a sua carreira. Foi curioso vê-lo agora num palco grande como aquele, em modo rock de estádio feito sempre com bom gosto, que nunca surpreende mas também nunca desilude. Os Twilight Singers sempre foram uma bela banda e mostraram isso mesmo à multidão curiosa que os esperava ao fim da tarde.
Concerto energético, com um Dulli a quem a idade não pesa, de um rock clássico onde as guitarras imperam com alguns belíssimos toques de violino. Quem não conhecia (todo o público, aparentemente), certamente deverá ter ficado com vontade de ouvir mais; quem já conhecia, dificilmente terá apanhado uma desilusão. Um concerto dado com energia por um frontman exemplar, que faz rock de veia clássica como poucos conseguem. Se deviam estar ou não num palco principal onde mais tarde tocariam nomes sonantes como os Coldplay ou os Blondie, isso já é outra história.
Quando os norte-americanos Mona entraram em palco, mais de metade do recinto do palco Super Bock estava sentado. Antes de iniciar o espectáculo, o vocalista Nick Brown gritou “get up, this is a rock and roll festival!”, que resultou. O público foi aumentando e aproximando-se da frente do palco durante o concerto e a banda conseguiu um bom espectáculo. Contavam-se alguns fãs que entoaram as letras de temas como “Listen to Your Love”, um dos singles da banda.
Os Grouplove, banda indie rock que se viu ali à frente de uma multidão no palco principal daquele que é, para todos os efeitos, o maior festival do país. Soaram durante todo o concerto a algo que ouviríamos no palco Super Bock ou até mesmo no Clubbing, e mostraram em palco a inexperiência de uma banda demasiado jovem para conseguir convencer um público como aquele. Soam iguais a tantos outros, em palco tocam de forma igual a tantos outros, e deram um concerto que dificilmente terá ficado na memória dos presentes, onde as vozes dos vocalistas e os riffs de guitarra soam a algo que já foi ouvido milhares de vezes antes. A isso se junte problemas de som que minaram o início do espectáculo e o resultado não pode ser positivo. Uma aposta sem sentido.
No palco Super Bock, James Blake confirmou um triste facto: há concertos de determinados géneros que não funcionam em tendas ao fim da tarde, com um som que podia ser melhor. Não lhe podemos apontar falhas: a voz é tão bela quanto em disco, e a nível técnico Blake (apoiado por mais dois músicos, incluindo um dos dois membros dos Mount Kimbie, magnífica banda do mesmo género) sabe o que faz, mas tudo soou frio e desconexo, mesmo com o público a mostrar-se conhecedor e muito receptivo ao som do jovem. Ali, naquele local e com um som francamente mau para um dubstep complexo e que vive à base de camadas, a música de Blake perde sentido. Resta esperar que alguém o traga agora a um Lux ou um Musicbox.
Debbie Harry tem 66 anos e, ao contrário de Greg Dulli, Nick Cave, Iggy Pop ou Perry Farrell, a idade pesa, e não é pouco. A voz falha, a presença não é a mesma, e ao início o concerto dos Blondie (que, com a cor de cabelo da vocalista, deviam passar a ser os Whitey) mostrou-se triste e decadente. Felizmente, ter uma boa banda por trás ajuda, e eventualmente as coisas encaminharam-se na direcção certa. Debbie usa os truques do costume para disfarçar as falhas (pede várias vezes ao público para cantar por ela, ou então simplesmente deixa de cantar do nada a meio de um refrão), e apoia-se num bom baterista e um excelente guitarrista para dar ao público o que ele quer: os clássicos de antigamente.
O resultado acaba por ser positivo, ou pelo menos divertido, e como não o poderia ser com canções como “Maria” (que, surpreendentemente, não era tocada há imenso tempo, segundo a vocalista) ou “Call Me?”. Torna-se bom ver Debbie saltar, pedir ao público que cante, mostrando que, aos 66 anos, ainda se diverte com o que faz; e nós, claro, acabamos por gostar também. Teve as suas falhas, e não foram poucas (assassinaram a “Heart of Glass”, com aquele riff de guitarra que apagava os teclados quase por completo), mas foi difícil não gostar. Os clássicos são intemporais, Debbie depois de aquecer ainda está ali para as curvas, e é sempre bom estar no meio de uma multidão a cantar aqueles refrões orelhudos que gerações conhecem. No início temeu-se o pior, mas acabou por valer muito a pena.
O público não era muito, mas contavam-se bastantes fãs que aguardavam a entrada de Anna Calvi no palco Super Bock. A londrina, cujo primeiro álbum data deste ano, reuniu rapidamente admiradores com o seu som original e músicas ricas em arranjos com os mais variados instrumentos. “Rider To The Sea” deu início ao que seria um dos espectáculos mais bem conseguidos do Optimus Alive!. O som apresentou-se consideravelmente melhor durante esta actuação. Temas como “Suzanne and I” e “I’ll Be Your Man” deixaram todos boquiabertos perante aquela voz tão potente. Apesar disso, Anna revelou-se algo timída quando se dirigia ao público, de voz muito baixinha, quase a sussurrar. Houve tempo para uma cover de “Surrender” de Elvis Presley, antes do conhecido single “Desire”. “Love Won’t Be Leaving” encerrou o que, provavelmente, foi O concerto do palco Super Bock do dia 6. Enquanto o palco Optimus enchia a olhos vistos, o palco Super Bock perdia público.
These New Puritans começaram a tocar para poucas pessoas, mas rapidamente ganharam mais espectadores. Detentores de “Hidden”, considerado por muitas revistas de música como o melhor álbum de 2010, há que ter em conta que a vertente conceptual do álbum é bastante pesada e não é das coisas mais fáceis de digerir. Ainda assim, temas como “We Want War” “Three Thousand” ou “Attack Music” fizeram as delícias dos poucos fãs presentes. O vocalista Jack Barnett agradeceu após todos os temas e apresentou uma novidade, “Vibes”.
Os Coldplay foram, indiscutivelmente, o grande nome desta quinta edição do Alive, e isso viu-se nem que fosse pela gigantesca multidão de milhares e milhares que desde o fim da tarde os esperava em frente ao palco. Nos últimos anos ganharam uma dimensão que os meteu a tocar em estádios e a ser cabeças-de-cartaz de alguns dos maiores festivais do mundo e, infelizmente, ao vivo não justificam tal tamanho. Num concerto que foi bom mas que raramente ascendeu acima disso, os Coldplay mostram que ao vivo soam… bem, a Coldplay.
As canções, mesmo com balões gigantes e confettis, não crescem particularmente, e se os clássicos conseguem proporcionar sem dúvida alguns belíssimos momentos (“Clocks”, já em encore, surge logo à cabeça), as canções mais recentes fazem com que o concerto perca fulgor, algo que se viu por um público que apenas se ouviu mais nos singles. Falta a Chris Martin carisma, e as suas intervenções (muitos “Está tudo bem aí em baixo?”) soaram a pura rotina. Não há-de ter sido por nada que o músico disse não se lembrar qual tinha sido a última cidade em que tocaram da última vez que cá estiveram (exactamente a mesma onde estava a tocar enquanto admitia isso). O espectáculo, por si só, também não impressiona particularmente: um bom jogo de luz com lasers à mistura, balões, confettis e, ao fundo do palco, ecrãs gigantes.
Nada que consiga disfarçar um simples facto: os Coldplay, ao vivo, não são nada de mais. Se estas são as grandes bandas da actualidade, estamos com problemas. Concerto agradável e sempre competente, com alguns óptimos momentos (“Yellow”, cantada por milhares em uníssono, e a épica “Viva La Vida”, por exemplo), mas nada mais que isso. E, pelo que se ouvia dizer o público à saída, hora-e-meia acabou por saber a pouco.
A noite acaba com Example, não sem antes de Patrick Wolf piscar o olho ao oalco principal ao começar o concerto com uma bela cover de “Yellow”. O lobo está mais calmo e surge em palco menos extravagante do que se esperava (bem, parece que agora usa mais roupa…), mas mais controlado e talentoso enquanto músico. Parece honesto em todas as vezes que fala com o público, e ainda mais quando vai até ele e beija uma das mãos que o agarra; se há músicos que gostam verdadeiramente de cá vir tocar, ele é um deles. Num alinhamento que tanto contemplou temas de antes (grande, grande The Magic Position, que encerrou o concerto) como os do novo disco, foi notável a qualidade consistente de todo o espectáculo; se é verdade que em disco as canções novas não convencem particularmente, ao vivo crescem e transformam-se em explosões pop, graças a um quinteto que apoia Wolf na perfeição e ao próprio vocalista, que é cada vez melhor no que faz. Quem diria que The City, por exemplo, resultaria assim tão bem ao vivo? O público reagiu de forma efusiva do início ao fim, numa tenda muito bem composta (os Coldplay já tinham acabado), e foi curioso ver fãs do cantor de todas as idades: desde casais nos seus quarenta a jovens nos seus doze (literalmente). Um concerto triunfante e exemplar, que proporcionou um excelente fim para um primeiro dia que não o foi.
7 de Julho de 2011
No segundo dia, tudo começou bem. Os Crocodiles, banda de rock com toques de psicadelismo, tiveram à sua espera uma tenda composta para o início dos concertos do dia no palco Super Bock. Energéticos, com carisma, e com um guitarrista que só não partiu nenhuma corda porque não calhou, a banda justificou as boas críticas que o seu segundo disco, Sleep Forever, recebeu aquando o seu lançamento. Guitarras em modo noise, vocalista dançante e que dedicou uma música a um membro do público (e o rapaz bem merecia, cantou e saltou em todas as músicas), e um concerto onde tudo assentou bem e que proporcionou um auspicioso início para o dia de concertos, com o público sempre convencido com o que ouvia. Agora é esperar um regresso a solo. Momentos mais altos? Provavelmente a faixa que dá o título ao disco, e a bela “Mirrors”.
Reunia-se uma multidão considerável quando os britânicos Everything Everything subiram ao palco de fato-macaco e “Qwerty Finger” deu início ao concerto. O público gostou e muitos dançavam. Os espectadores eram cada vez mais mas a banda não conseguiu dar continuidade à energia do primeiro tema. Foi apenas com os últimos dois temas “MY KZ, UR BF” e “Schoolin’” que o público foi reconquistado e o espectáculo teve, assim, um final melhor que a totalidade do concerto.
A abrir o palco Optimus no dia 7, estiveram os norte-americanos Jimmy Eat World. Embora o recinto estivesse cheio de gente, eram poucos os entusiastas. O tema escolhido para começar foi “Bleed American”, seguido de um repertório curto que incluiu temas como “Big Casino” e “Blister”. “My Best Theory” foi o único tema do mais recente trabalho da banda, “Invented”, sendo também o single de estreia do álbum. Para o fim ficou a favorita “The Middle”, entoada a plenos pulmões pela multidão.
O recinto do palco Super Bock estava cheio quando a banda Bombay Bicycle Club entrou em palco. Os fãs eram muitos e cantaram “Magnet”, que abriu o concerto com fervor. “Dust on the Ground” e “Evening/Morning” foram outras das favoritas. A banda rendeu-se ao afecto dos fãs e revelou ter gostado tanto de Portugal que talvez tirassem as próximas férias no país. Bastante novos ainda, os londrinos são, sem dúvida, uma banda a manter debaixo de olho. Com dois álbuns já editados e tendo formado a banda por volta dos 15 anos, é inegável que estes “miúdos” fazem música de qualidade, com arranjos que não deixam ninguém indiferente. Para o fim ficou “The Hill”, tema cheio de energia e óptima banda sonora para o Verão que ainda agora começou.
Seasick Steve é um senhor de setenta anos que toca em guitarras de três cordas (ou menos), feitas a partir de paus ou caixas de coisas que colecciona. Tem uma barba longa, a energia de quem nem aos cinquenta chegou, uma história de vida como poucos (viveu na rua, teve o Kurt Cobain como amigo, tocou no metro, e não precisou de contar porque sabemos, foi pescado por Jack White, etc. etc.), e um talento como ainda menos possuem. Naquele que foi um dos melhores concertos do dia e talvez um dos melhores de todo o festival, Steven Wold e o seu baterista deram um verdadeiro espectáculo onde o que interessou foi a música e quem a tocava.
A tenda, surpreendentemente cheia, recebeu-o de braços abertos, reagindo a cada palavra, cada acorde, saltando sem fim perante aqueles blues que parecem saídos da alma. “Esta guitarra é uma trampa, nem sei porque é que a toco. Mas alguém tem que o fazer”, diz a certa altura, mostrando a sua guitarra eléctrica que parece tão velha quanto quem a toca. Agradece frequentemente, com palavras honestas mas ditas sempre com a presença de quem viveu mais que qualquer outro na plateia, e chama até uma rapariga ao palco para um momento romântico. Na última canção vai contando a sua história (fugiu de casa porque o padrasto lhe batia), e alonga o refrão e consecutiva explosão até ao infinito. É uma presença única, um músico enormemente talentoso, e deu um concerto que tão cedo não sairá da memória dos presentes.
Os My Chemical Romance ainda estão vivos, mas diferentes. Ou antes, talvez não estejam diferentes, o mundo é que entretanto mudou e eles não. Gerard Way continua espalhafatoso (cabelo vermelho, ui), berra ao microfone como se não houvesse amanhã (se o som do palco estava mau, ainda pior ficou…), e as canções novas não convencem. O público estava, surpreendentemente, apático, face a uma banda que há anos atrás tinha uma geração inteira aos seus pés. Tocaram muito do novo álbum, guardando mais para o fim os clássicos do costume que o público mais à frente recebeu com gritos e saltos (“Helena”, claro, e “Famous Last Words” no topo da lista).
Way salta pelo palco, chama pelo público, com uma energia à qual falta voz e algo a dizer (a sério Gerard, será que tens de gritar tanto?). O seu tempo já passou e vivem apenas das glórias do passado. Glórias essas que, feliz ou infelizmente, começam a desaparecer.
Não eram muitos aqueles que aguardavam a entrada de Kele em cena. Maioritariamente fãs e alguns curiosos que aproveitavam enquanto Foo Fighters não começavam no palco Optimus. No entanto, alguns problemas técnicos atrasaram a entrada do músico, o que provocou o abandono de algum público. Quando Kele finalmente entrou em palco, desejou as boas-vindas aos presentes e apresentou-se, bem-disposto, como sempre. “Walk Tall” fez as honras, seguida de “On the Lam” e “Everything You Wanted”. Os fãs deliciavam-se com os passos de dança do cantor e a energia de sempre. Como já tinha acontecido no Super Bock em Stock, em Dezembro, o britânico trouxe também na bagagem um medley de Bloc Party, que incluiu “Blue Light” e “The Prayer”.
Com Zé Pedro novamente em palco, o concerto de Xutos & Pontapés foi o que se esperava. Os clássicos de sempre, com alguns repescados de antigamento (golpe inspirado, abrir com Sémen), e um público que conhece as letras das canções mais conhecidas, como seria de esperar. As mais recentes, do último disco, não pareceram resultar tão bem, mas no geral foi o que se esperava: mais um momento entre família.
Não há meio termo: Iggy Pop é incrível, deu um concerto magnífico, e foi triste e irritante ver um público que não soube apreciar aquela actuação histórica e sem falhas que lhe era dada de bandeja. Iggy entra em palco com os Stooges já em tronco nu, a saltar e a dançar como se um jovem fosse, e atira-se logo a “Raw Power”, como que a dizer “Adoro-vos, e é isto que vocês querem”. Chama público ao palco, vai várias vezes até ele, acena gritando “Olá! Eu vejo-vos a todos!”, e faz o máximo dos máximos para quebrar aquela barreira que há sempre entre um público tão numeroso e uma banda em concertos de festival (não foi por nada que mandou merecidamente o festival à m****).
Velhos são os trapos, e isto é tão válido para Iggy quanto para toda a banda, que toca com uma energia e um carisma que nos envergonha a nós e a toda a nossa geração. Foi rock como já não se faz, dado por um frontman como já não se fazem (e houve muitos destes, nesta edição do Alive), num alinhamento magnífico (ai ai, aquela “I Wanna be Your Dog” no encore…). A única falha foi, portanto, o público. Parado, sem reagir àquela onda de energia pura, provavelmente a pensar na banda que viria a seguir. Um público provavelmente jovem, com uma educação bastante fraca (não só musicalmente – estamos a falar com vocês, pessoas que apontavam lasers aos músicos) que não soube reconhecer a grandiosidade quando a viu. Iggy Pop foi, é e sempre será grande. E, como tal, deu um grande concerto. Tão simples quanto isso.
A seguir, viria outro ícone (quer se goste quer não): Dave Grohl e os seus Foo Fighters. Multidão enorme, naquele que viria a ser o segundo dia mais cheio do festival, e aquele que viu o público mais devoto… e com razões para isso. Duas horas e meia em que se viu um grandioso espectáculo de rock, daquele épico, que enche estádios e põe multidões a saltar, mas feito sempre com gosto, sem nunca cair no facilitismo, e sempre tocado com a maior da dedicação. Dave Grohl é, provavelmente, um dos grandes frontmans da actualidade: transpira carisma e confiança, emana energia e experiência, e o concerto foi o reflexo disso mesmo.
Dificilmente não se terá gostado de um espectáculo assim, consistente e impressionante ao longo das suas duas horas e meia, com uma banda exemplar em tudo o que fez e tocou. Os singles estiveram lá todos ao longo de um longo alinhamento de mais de vinte músicas, e o público cantou e saltou em todos eles; foi, tal como já aqui se disse, o público mais devoto que o festival viu, o que só ajudou a tornar o concerto a ser ainda melhor. Tudo tocado sem falhas, com pausas a meio de canções para criar expectativa, e interlúdios com Grohl a mostrar que é tão bom na guitarra quanto foi uma vez na bateria, numa certa banda que infelizmente já desapareceu. “Estão aqui para ouvir muitas canções, não é? É isso que esperam, certo? Temos muitos discos, afinal de contas”, disse a certa altura.
Era, e foi o que o público recebeu. Concertos assim em festivais são raros. Dave Grohl defendeu bem toda a legião de fãs que o acompanha (mal tinha uma pinga de suor, no final do concerto), correndo pelo palco, chamando pelo público, e entregando, tal como toda a banda, uma actuação sem falhas. Um concerto da vida de muita gente, sem dúvidas. E um grande concerto para grande parte dos restantes. Digo eu, que nem gostava muito deles mas que saí de lá mais que conquistado, sem uma pinga de aborrecimento ao longo de duas horas e meia…
Pelo Palco Clubbing, passavam até altas horas nomes da editora Enchufada, que o ano passado deixou a sua marca no mesmo local. Desta vez, foram nomes como Buraka Som Sistema e Da Chick e que compensavam a falha redonda do dia anterior.
A encerrar o dia, Teratron no Palco Super Bock exibia um grande balcão auto-publicitário e entretinha os fãs do que se seguia. Os ex-Da Weasel João Nobre e Pedro Quaresma encheram o palco Super Bock com os seus temas, retirados do álbum conceptual “As Cobaias”, que conta a história de várias personagens, criada por Adolfo Luxúria Canibal.
Os The Bloody Beetroots, já repetentes deste palco, chegaram de surpresa na bagagem. Em vez de Steve Aoki (que se iria mostrar no dia a seguir), trouxeram consigo alguém que passa demasiado despercebido para o impacto que já teve noutros tempos. Apesar de Roborama predominar no set, os italianos trouxeram Dennis Lyxzén, vocalista dos Refused, para três temas de entre os quais “New Noise”, da sua defunta banda. A energia do quase quarentão não deixou ninguém indiferente, entre cambalhotas e danças bem ensaiadas ao longo dos três temas em que entrou, a idade não passa por ele. Poucos o saberiam, mas aquela figura já havia pisado aquele mesmo palco, na altura com outro nome, com The (International) Noise Conspiracy. Uma personagem fundamental para o óptimo concerto que os Bloody Betroots reservaram para o final de dia. “Warp 1.9” evidentemente, tratou do delírio de centenas de pessoas que não quiseram deixar de fora um pé de dança.
O terceiro dia adivinhava-se cansativo para os detentores de passe geral. Nós comprovámos.
8 de Julho de 2011
Á chegada do terceiro dia, tudo parecia normal. A corrida clássica dos 100 metros das miúdas que se plantaram na porta do recinto desde cedo, as filas, o fazer tempo para “aquele” concerto.
O concerto dos brasileiros Massay no palco Super Bock decorria sem problemas. A banda não continha em si o entusiasmo que tocar em Portugal – e pela primeira vez fora do Brasil – lhes causava e puxaram pelo público até ao fim. Apesar dos seus temas, tais como “Vagalume”, não terem convencido os espectadores, a cover da “Killing In The Name Of” dos Rage Against the Machine agitou as hostes e reuniu um grupo considerável de pessoas durante o tema.
A aguardar os ingleses Friendly Fires estava um recinto cada vez mais cheio. Os ingleses subiram ao palco e logo se ouviram as primeiras batidas de “Lovesick”. Os movimentos de dança de Ed Macfarlane são ainda mais espectaculares ao vivo e as músicas ganham uma força e uma riqueza de sons admiráveis. O vocalista, de energia invejável, saltou para o meio do público, e rapidamente contagiou todos os presentes com a sua dança. O repertório reuniu temas de ambos os álbuns: “Friendly Fires” de 2008 e “Pala” de 2011. “Live Those Days Tonight”, “Skeleton Boy” e “Hawaiian Air” foram os momentos favoritos, num concerto que deixou todos a querer mais. Para o fim ficaram “Paris” e “Kiss of Life”, ambas magníficas. Ed, incansável, juntou-se aos fãs por diversas vezes e, no final do concerto, ficou claro que o público português surpreendeu pela positiva. A banda agradeceu e terminava assim um dos grandes concertos do festival e um dos melhores do palco Super Bock.
Neste palco, se alguém sabia do que se passava fora daquelas paredes, era porque alguém de fora os teria informado e o rumor se espalhou. Muitos chegaram ao fim do festival sem saber que o palco Optimus teve dificuldades técnicas durante quase todo o dia, que foram cancelados os concertos de Klepht, You and Me at Six e The Pretty Reckless. O público dos palcos era absolutamente distinto, e poucos foram os que se importaram com tais cancelamentos. Enquanto o palco dito principal resolvia os seus problemas, o resto do festival somava e seguia, levando muitos a alargar os seus horizontes, a deixarem de lado a espera pelo menino bonito e irem ver alguma música “suja”.
Os irmãos Angus & Julia Stone seguiram-se e tocaram perante um mar de gente, que rapidamente se rendeu à sua música folk. Havia também muitos fãs da banda que agradeceu a presença de todos na sua estreia em território luso. Foi com “Hold On” que o concerto teve início. Julia tocou vários instrumentos e Angus encantou com a sua voz. A música ligeira agradou aos presentes, enquanto vários arranjos com lâmpadas incandescentes em palco atrás da banda contribuíram para um ambiente relaxante e íntimo. Foram temas como “Big Jet Plane” e “Just a Boy” que permitiram à banda ver o número de fãs presentes e como estes conheciam bem as suas músicas.
Os Fleet Foxes chegaram (finalmente) e confirmaram não ser apenas um hype do momento: ao vivo, revelam-se magníficos, conseguindo fazer com que canções já magníficas em disco cresçam e se transformem, por vezes, em momentos de apoteose ou até de catarse. Veja-se “White Winter Hymnal”, um dos exemplos mais óbvios, que ao vivo ganha ainda maior força. O som estava surpreendentemente bom, e isso ajudou a ver bem cada arranjo, cada pequeno pormenor de uma banda que faz folk-rock (ou seja lá o que for) como poucos. As vozes funcionam na perfeição, a banda tem toda aquele aspecto de gente simpática com barba que só ajuda a que tudo resulte bem (e parecem tão, tão contentes por cá terem chegado finalmente), e no final dão até uma baqueta e uma setlist a um dos membros do público. Passaram tanto pelo primeiro como pelo segundo disco, mostrando bem o quão consistentes são ambos. “Blue Ridge Mountains” foi algo que dificilmente se explica, tal como a grande “Helplessness Blues”. Em disco encantam, e ao vivo não desiludem.
E logo a seguir, chegou um dos mais fortes candidatos a melhor concerto desta edição do Alive. Nick Cave explodiu em palco com os seus Grinderman, numa onda de rock das entranhas como só ele consegue. Com já mais de cinquenta anos, Cave chegou (sem bigode), pegou na guitarra, e mostrou o porquê de ser uma autêntica lenda viva. Atirou-se várias vezes ao público, fê-lo saltar e cantar o refrão de cada música, e soltou cada palavra como se de uma bíblia do rock viessem. Com a classe de sempre, num fato que lhe assenta que nem uma luva, e com o testosterona que faz homens másculos tremer das pernas e fazer juras de amor eterno. Nick Cave é Nick Cave, foi uma honra e uma experiência por si só vê-lo em palco, e não há ninguém como ele. Quem esperava uma postura mais diva, mais fria, certamente apanhou uma grande surpresa.
Cave não pára, vai ao público e canta para ele, e em palco vocifera sempre com os olhos no público, exigindo dele aquilo que dá em palco. E consegue-o. A banda é toda ela espectacular, com destaque, claro, para Warren Ellis, que uiva, atira-se ao chão (quando não o próprio Cave a fazê-lo), e esperneia com uma energia rara (quem diria que é este o homem que faz ocasionalmente arranjos para a PJ Harvey?). Canções como “Heathen Child” ao vivo transformam-se em chapadas de energia, e o final com “Love Bomb”, já em encore, ficará sem dúvida na memória dos presentes por muito, muito tempo. Criminoso, que este tenha sido o seu primeiro concerto por cá.
No palco Clubbing, passava-se então Atari Teenage Riot. Hoje, o palco “do meio” tinha mais uma editora forte, Dim Mak de Steve Aoki que entrou em palco ainda antes da sua actuação, para rebentar com os seus enteados. Foi talvez o momento mais difícil do dia, tentar dividir atenção entre os dois palcos onde actuavam duas bandas de excelências, energéticas de modo distinto e que certamente fizeram com que muitos não ligassem aos problemas do palco principal.
Os Thievery Corporation deram um concerto que fez falta ao Alive. Calmo, relaxante, com aquela mistura toda entre dub, bossa nova e sabe-se lá mais o quê, e uma banda mais que competente. A troca de vocalistas resulta sempre bem, e vê-se uma tenda bem composta, constituída por uma massa que dança de forma uniforme. Lá fora, os 30 Seconds to Mars tinham finalmente começado a tocar. Mas ali, naquele palco, ninguém sabia de nada, e vivia-se uma festa enquanto no outro lado do recinto se tinham vivido lágrimas (e alguns desmaios, parece). Um concerto de cerca de uma hora onde se dançou do início ao fim, sem falhas, quase em transe. Depois do folk dos Fleet Foxes, e da energia do rock puro de Nick Cave, fez falta este momento de relaxamento.
Ao fim de horas de espera e muita lágrima corrida pelas caras dos fãs devotos, foi anunciado que a banda de Jared Leto ainda tocaria. Os Thievery Corporation tiveram aí algum abandono, pelo público da periferia que se apercebia do início do concerto no palco grande. Hora e meia depois do horário previsto, os 30 Seconds to Mars entraram em palco, perante um recinto a abarrotar. O concerto foi curto, mas serviu para satisfazer os fãs que aguardavam desde o início da tarde (alguns desde o início da manhã, nas grades do recinto do festival).
Enquanto “Kings and Queens” decorria, mais e mais gente se juntava para ver a banda norte-americana. Jared Leto, como sempre, desfez-se em elogios ao país e aos fãs portugueses, para delírio da multidão. Com gritos repetidos de ordem para que todos saltassem, o cantor fez questão de anunciar que a banda estava ali para proporcionar um bom bocado a todos os que os tinham ido ver, apesar de todos os “acidentes” com o palco Optimus. “This is War”, “Hurricane” e “The Kill” foram alguns dos pontos altos do concerto, que não deixou de saber a algo muito apressado. Para o fim ficou “Closer to the Edge”, que contou com a presença de três fãs do sexo masculino que tiveram direito a uma foto com o vocalista e o recinto como pano de fundo.
Para receber o músico portuense Slimmy, não havia muita gente, mas isso rapidamente foi mudando. Com o mais recente álbum “Be Someone Else” na mala, a banda tocou também temas do antecessor “Beatsound Loverboy”, tais como “You Should Never Leave Me (Before I Die)”, “Show Girl” e ainda “Set Me on Fire”, durante a qual o músico foi até às grades da plateia. “Beatsound Loverboy” também fez parte do repertório que garantiu festa e dança até a actuação de Digitalism.
Pouco depois, voltava-se à festa no palco Optimus, com os The Chemical Brothers a dar um concerto que foi, em todos os aspectos, um verdadeiro espectáculo. Visualmente bem pensado e executado, com um ecrã gigante a cobrir o fundo, e um apurado jogo de luzes, a dupla transformou o
Alive numa gigantesca discoteca ao ar livre, um espectáculo tanto sonoro como visual, onde êxitos como Hey Boy, Hey Girl puseram todo o público (surpreendentemente numeroso, mesmo depois de todos os adiamentos e do concerto da banda de Jared Leto) a dançar. Um concerto exemplar que os confirma como um dos maiores dentro do género (Duck Sauce, vejam e aprendam), a todos os níveis. Se a nível técnico conseguem impressionar, a nível de espectáculo também o conseguem. Uma rave de pura celebração.
E, para terminar, mais electrónica. Três da manhã, muito cansaço. “Irra, as vossas caras, já todas cansadas”, comenta um fotógrafo, quando nos vê na grade pouco antes do início de Digitalism. Alguns coxeiam, outros queixam-se do frio, e mesmo assim é uma tenda muito bem composta que está ali para os receber. E foi, claro, mais uma festa. Canções como a obrigatória “Pogo” ou “2 Hearts” fazem saltar e dançar um público que, mesmo mostrando sinais evidentes de cansaço, está ali para a festa. Ao vivo, é de salientar o baterista, que ajuda a dar a cada canção uma cobertura mais forte. O vocalista, loiro e franzino, canta frequentemente perto do público, e a banda mostra toda ela uma energia que acaba por passar para um público que por esta altura já tem cinco ou seis concertos em cima. Um belo final para o dia, dado por uma das mais conceituadas do género actualmente.
9 de Julho de 2011
A abrir o palco Super Bock no último dia do festival estiveram os brasileiros Stereopack. Tal como os Massay, aos quais enviaram um grande abraço, também eles estavam muito entusiasmados por tocar pela primeira vez ao vivo fora do Brasil. O público não era muito mas isso não invalidou que a banda se divertisse. O vocalista Antonio Avelar revelou que o primeiro single da banda, “I Don't Wanna Say Goodbye Anymore” foi filmado em Lisboa, que lhes valeu uma valente salva de palmas por parte dos presentes.
Foi-se reunindo mais gente para receber os britânicos WU LYF, cujo vocalista trazia ao pescoço, como lenço, uma pequena bandeira de Portugal. Conhecidos por criarem muito mistério à sua volta e não revelarem muita informação à imprensa, os WU LYF deram a conhecer a sua música aos espectadores curiosos que se iam juntando. A banda mostrou-se bem-disposta e brincalhona, bem como à vontade em palco. Temas como “Heavy Pop” e “Dirt” intrigaram mais do que fascinaram a maior parte dos presentes. Ainda assim, uma boa surpresa para esta edição do palco Super Bock.
Para dar início aos concertos no palco Optimus, foram chamados os vencedores do Optimus Live Act, Lululemon. Oriundos de Vale de Cambra, debitaram temas estritamente instrumentais que agradaram ao público e mostraram que continua a ser feita boa música em solo nacional e que se deve apostar nestas novas bandas. Passaram tanto pelo primeiro EP - Thee Ol’ Reliables como por temas novos que contam com a presença de um membro extra ao – agora-ex-duo. Luís junta-se à guitarra de Pedro Ledo e à bateria de Tiago Sales para um longa duração a sair no final do mês. As fãs femininas pareciam agradadas com os nortenhos e valeu-lhes uma boa recepção.
Os Linda Martini vão estar este ano nuns quantos festivais, e o Alive teve a sorte de ser um deles. Num bom concerto, como dão sempre, faltou um alinhamento mais bem pensado (onde esteve a Dá-me a Tua Melhor Faca?), um som melhor (o baixo em O Amor é Não Haver Polícia mal se ouvia… um crime), e um público que… bem, se mexesse. Faltou empenho da plateia, que tem, como bem disse Hélio, responsabilidade no concerto. Canções como Juventude Sónica pedem que se salte, que se grite, e infelizmente o público, que encheu a tenda e parecia ser conhecedor, não fez nem uma coisa nem outra. Fica a competência do costume, minada pelo local e por quem nele estava.
Quase um ano depois da estreia dos londrinos White Lies por terras lusas, a banda regressou, desta feita já com um novo álbum na bagagem. “Ritual” sucedeu a “To Lose My Life” e conta com vários temas já conhecidos do público. Os fãs eram mais e a banda revelou mais maturidade em palco. O vocalista Harry McVeigh cumprimentou os espectadores com um efusivo “Hello” e rapidamente se começou a ouvir “Fairwell to the Fairground”.
As pessoas iam juntando-se e os fãs cantavam com a banda, de braços no ar. O vocalista puxou pelo público inúmeras vezes, enquanto apresentava as músicas novas, como foi o caso de “Strangers”, um dos singles do último álbum. “Price of Love” foi dedicada aos fãs portugueses, que aplaudiram e entoaram a letra em conjunto com a banda. O concerto perdeu força a meio, mas “Death” conseguiu retomar a energia, como sempre acontece nos concertos dos White Lies. Para o fim ficou a conhecida “Unfinished Business” e o single “Bigger Than Us”.
A estreia dos britânicos Foals em Portugal ficou reservada para o último dia do festival. Criadores de “Antidotes”, um álbum original que chamou à atenção desde o início, produziram também “Total Life Forever”, que se revelou mais como uma surpresa pelo distanciamento do som que lhes tinha garantido um lugar na ribalta. O concerto no Optimus Alive! também seguiu esse caminho. “Blue Blood” foi a primeira, tocada para um recinto cheio e curioso. Não convenceu, mas rapidamente os ânimos mudaram aquando da chegada de “Cassius", retirada do primeiro álbum. Desse álbum, ouviram-se ainda “Red Socks Pugie” e “Electric Bloom”, que encerraram o espectáculo. Tocaram ainda “Spanish Sahara”, primeiro single do último álbum, e outras como “After Glow”.
Os Kaiser Chiefs, depois de uma pausa e de um disco anterior que foi um fracasso, voltaram ao activo e estão, felizmente, ainda em boa forma. Num concerto energético, onde dificilmente se esteve parado, Ricky Wilson saltou, correu, gritou, e fez tudo aquilo a que estamos habituados, perante um público que parecia conhecedor os hinos da banda e que respondeu como se esperava: saltou e gritou de volta. É, acima de tudo, de elogiar o alinhamento bem pensado: singles novos intercalados na perfeição com antigos. As mais conhecidas estiveram lá todas (Ruby, I Predict a Riot), mas houve também tempo para mostrar algumas das novas canções (Little Shocks resulta muito melhor ao vivo). Dificilmente teria havido outra banda melhor para aquecer desta forma o público. São, efectivamente, uma daquelas bandas que, em festivais, fazem todo o sentido. E é bom ver que continuam na boa forma de sempre.
Os TV on the Radio são uma das melhores bandas da actualidade. Não há volta a dar. Num concerto incrível, como já tinha sido o que deram há dois anos atrás no mesmo palco neste mesmo festival, a banda americana voltou a trazer ao palco descargas de energia em forma de um rock com inspirações no soul e sabe-se lá que mais, entregues por uma banda única, com um carisma muito próprio (o facto de terem um ar meio marrão meio geek só ajuda à festa). Tunde Adebimpe é imparável, vagueando pelo palco de microfone na mão enquanto faz com os braços aqueles gestos que só ele sabe, e Kyp Malone é a presença de sempre, com aquela belíssima voz, aquela barba e aqueles olhos que se reviram enquanto canta.
A tragédia atingiu-os quando o seu excelente baixista, Gerard Smith, faleceu de cancro há alguns meses, e isso tornou ainda mais especial vê-los assim em palco, cada vez melhores naquilo que fazem. Arranjaram um baterista novo, ficando o antigo encarregue do baixo e teclas, e tudo resulta melhor que nunca. Se há dois anos foram espantosos, este ano foram-nos ainda mais… e com um álbum menor. A melhoria é simples: estão ainda melhores ao vivo. As canções que em disco soam inferiores ao vivo surpreendem, crescem, e ficam lado a lado com as grandes que antes tinham feito. E o alinhamento parece, por si só, pensado ao pormenor. Começar com Halfway Home, a melhor faixa de Dear Science e que nem tinham tocado há dois anos atrás? De génio.
E tocar logo de seguida Dancing Choose, com Adebimpe a gritar pelo palco e o público a bater palmas naquele segundos que o pedem ao longo da música? De génio, mais uma vez. Sem falhas, iguais a si mesmos, os TV on the Radio deram aquele que para muitos terá sido, e com razão, o melhor concerto de todo o festival (e, diga-se, um dos melhores do ano até agora). As últimas três canções foram absolutamente incríveis, de ficar com o queixo no chão: Staring at the Sun (ainda mais transformada ao vivo nesta digressão, ainda mais apoteótica), Repetition (surpreendente) e, claro, a obrigatória e incrível (sei que já usei muito esta palavra, mas eles bem o merecem) Wolf Like Me, que deu ao concerto um final absolutamente memorável, com o público a cantar a altos berros enquanto saltava, acção partilhada por Malone, que saltava de guitarra em riste perto do microfone.
Das melhores canções de sempre ao vivo, tal como Staring at the Sun? É possível. Quem não os conhecia (ao início do concerto a tenda estava apenas bem composta, mas a meio já estava cheia) terá saído de boca aberta; quem já os conhecia, terá saído com lágrimas nos olhos e um sorriso do tamanho do mundo, ainda com uma certeza maior daquilo que se assume como um puro facto: não há ninguém como eles e, actualmente, são dos melhores. E aquele sorriso de Adebimpe, enquanto saía do palco, vale por mil palavras. Agora, pelo amor de Deus, alguém que os traga cá a solo! E foram, felizmente, talvez a banda que teve o melhor som naquele palco.
Outra estreia em solo nacional, os norte-americanos Paramore traziam na bagagem seis anos de vida quando por fim aterraram em Lisboa. Os fãs eram inúmeros e conheciam bem o trabalho da banda. Hayley Williams entrou em palco sem saber bem o que a esperava mas rapidamente percebeu: um mar de fãs devotos e entusiastas. Foi com “Ignorance” que a banda abriu, seguida de temas que fizeram as delícias dos presentes, tais como “That’s What You Get” ou “Crushcrushcrush”.
Hayley partilhava lições de canto com os fãs e em troca pedia lições de dança. Puxou pelo público, mas nem era preciso muito. A energia e alegria por finalmente verem os Paramore ao vivo sentiam-se por todo o recinto recheado de fãs. Viam-se bandeiras de vários países, como Brasil e Espanha, por entre o público. “Monster”, o mais recente single, que faz parte da banda sonora do filme “Transformers 3”, já estava bem decorado por todos, tal como o single “The Only Exception”. Para o fim, ficou reservada uma surpresa: uma fã foi convidada a subir ao palco, onde lhe emprestaram uma guitarra para que se divertisse com a banda. “Misery Business” entrou em cena enquanto os Paramore saíram de cena sob uma chuva de confetti de todas as cores que o cabelo de Hayley já teve.
Com o cancelamento dos Dizzee Rascal, por problemas no voo do vocalista, foram substituídos pelos portugueses Diabo na Cruz, contratação de última hora, mas bem recebida pelo público do palco Super Bock.
Os Jane’s Addiction são uma banda como já não se faz. Intemporais, iguais a mais ninguém, deram um concerto histórico e inesquecível, de uma potência impressionante com canções que, provavelmente, marcaram as vidas de alguns dos presentes. Perry Farrell está incrível (igual a si mesmo, portanto), com o carisma, a presença, o estilo e a voz (a voz! Meu Deus, parece que não envelheceu!) de sempre, e
Dave Navarro é mesmo aquilo que muitos dizem por aí: um grande guitarrista. Num alinhamento curto de apenas doze canções, e em pouco mais de uma hora de concerto, desfilaram clássicos como a grande Just Because (cantada e altos berros) e a tão conhecida Been Caught Stealing. Hinos intemporais, que soam hoje em dia tão únicos quanto há tantos anos atrás, sinal apenas da genialidade da banda que, em palco, se mostrou em excelente forma. Perry está igual a si mesmo: salta, anda pelo palco sempre próximo do público, pisca o olho a rapazes e a raparigas, e tem na face sempre o sorriso de quem adora o que faz. Bastou aquele magnífico início com Mountain Song para saber o que esperar: um grande concerto.
Possivelmente o melhor que passou pelo palco Optimus em todo o festival, e (repito o que disse em TV on the Radio), talvez um dos melhores do ano. Sem falhas, com o estilo que só eles têm (Dave Navarro e aquele seu chapéu…), foi provavelmente o concerto da vida de muito boa gente, naquela que foi a estreia da banda em solos lusitanos (chocante, dada a carreira do grupo). Impressionaram, nunca desiludiram, e deram um concerto memorável e do qual foi difícil sair (apesar de o encore, com Jane Says, ter sido um momento de perfeição absoluta). E Perry Blake é, simplesmente, um frontman como já não se fazem. Aliás, já não se fazem bandas assim, ponto. Velhos, como se costuma dizer, são os trapos. Histórico, simplesmente.
Para terminar, os Duck Sauce. Pato gigante insuflável em palco, e um concerto irritante, repetitivo e que nem muita vontade de bater o pé deu. Ao que parece, só têm mesmo Barbra Streisand como canção que mereça ser ouvida ao vivo. O potencial parecia estar lá, mas afinal… não. Um final infeliz para o palco principal, numa aposta que parecia ganha mas que, afinal, esteve longe de o estar.
A encerrar o festival, até para o ano, as opções variavam entre esteve Fake Blood, supostamente em formato live que não o foi e A-Trak, ou o palco Clubbing, desta feita representado pela Boys Noize Records, onde ao longo de todo o dia o próprio, Gold Panda ou Spank Rock davam corda aos sapatos. Saltos e dança um pouco por todo o recinto, encerrou a edição deste ano daquele que é talvez o festival mas reconhecido de Portugal.
O balanço geral foi positivo, tendo em conta a crise, os números foram animadores para a organização. O recinto aguentou – apesar dos percalços do terceiro dia – milhares de pés e promete prolongar-se durante os próximos 5 anos, no Passeio Marítimo de Algés.
O próximo ano conta novamente com três dias de festival – de 12 a 14 de Julho.
Passatempo Super Bock Super Rock 2011
Jul 4th

O Festivais de Verão em parceria com a Super Bock tem Passes para te oferecer para o Festival Super Bock Super Rock.
O Festival Super Bock Super Rock realiza-se de 14 a 16 de Julho na Herdade do Cabeço da Flauta, junto à Praia do Meco em Sesimbra.
Este Festival conta com três palcos: Palco Super Bock, Palco EDP e Palco @Meco. Alguns dos mais sonantes que passam por este festival são Arctic Monkeys, Arcade Fire, Brandon Flowers, Slash, The Strokes, Portishead, Lykke Li, The Vaccines, entre muitos outros.
O preço do bilhete diário é de 45 Euros e o passe para os três dias com campismo 80 Euros.
Meco Sol & Rock'n'Roll
Passatempo Super Bock Super Rock 2011
Jul 1st

O Festivais de Verão em parceria com a Super Bock tem Passes para te oferecer para o Festival Super Bock Super Rock.
O Festival Super Bock Super Rock realiza-se de 14 a 16 de Julho na Herdade do Cabeço da Flauta, junto à Praia do Meco em Sesimbra.
Este Festival conta com três palcos: Palco Super Bock, Palco EDP e Palco @Meco. Alguns dos mais sonantes que passam por este festival são Arctic Monkeys, Arcade Fire, Brandon Flowers, Slash, The Strokes, Portishead, Lykke Li, The Vaccines, entre muitos outros.
O preço do bilhete diário é de 45 Euros e o passe para os três dias com campismo 80 Euros.
Meco Sol & Rock'n'Roll
Passatempo Super Bock Super Rock 2011
Jun 28th

O Festivais de Verão em parceria com a Super Bock tem Passes para te oferecer para o Festival Super Bock Super Rock.
O Festival Super Bock Super Rock realiza-se de 14 a 16 de Julho na Herdade do Cabeço da Flauta, junto à Praia do Meco em Sesimbra.
Este Festival conta com três palcos: Palco Super Bock, Palco EDP e Palco @Meco. Alguns dos mais sonantes que passam por este festival são Arctic Monkeys, Arcade Fire, Brandon Flowers, Slash, The Strokes, Portishead, Lykke Li, The Vaccines, entre muitos outros.
O preço do bilhete diário é de 45 Euros e o passe para os três dias com campismo 80 Euros.
Meco Sol & Rock'n'Roll
Snoop Dogg no Sudoeste TMN
Jun 24th
Foi hoje anunciado pela promotora o nome que irá substituir Amy Winehouse: Snoop Dogg.
O rapper norte-americano actua no dia 4 de Agosto, no Palco TMN.
Calvin Cordozar Broadus Jr vem assim apresentar o seu mais recente trabalho, "Doggumentary"
O Festival Sudoeste TMN 2011 realiza-se nos dias 3, 4, 5,6 e 7 de Agosto de 2011 na Zambujeira do Mar, na Herdade da Casa Branca. O preço dos bilhetes é de 90 Euros para o Passe e 48 Euros para o bilhete diário.