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Reportagem Festival Paredes de Coura 2011
Aug 26th
Há magia em Paredes de Coura. Há magia no parque de campismo (que só fica atrás do do Milhões de Festa), com a sua paisagem e o seu rio; há magia na vila, que fica não muito longe, perfeita para almoçar e relaxar um pouco (e tem piscina municipal e tudo); e há, claro, muita magia nos palcos, naquele que foi, de todos os festivais principais (Delta Tejo, Optimus Alive, Super Bock Super Rock, Sudoeste TMN e Milhões de Festa) o que teve, no geral, os melhores concertos, onde poucos desiludiram.
Após ter feito o percurso de festivais, haveria melhor forma de terminar que não esta? Paredes de Coura foi, pelo menos este ano, efectivamente o melhor festival. Organização exemplar (poucas filas, concertos com poucos ou nenhuns atrasos, etc), e dias com alinhamentos bem pensados e fortes. Acredito que possam ter havido roubos, contudo não vi ninguém a queixar-se, e até mesmo o último dia (onde costuma ser mais fácil entrar no campismo) teve segurança. Enchentes? Não houve.
Parece que cerca de mais de vinte mil visitaram diariamente o festival e o recinto aguentou com todos na perfeição. As filas para comer ou ir à casa-de-banho nunca eram exageradas e era sempre possível ver os concertos no palco principal (que se localiza ao fundo de uma colina, proporcionando tanto uma visão privilegiada como um som espectacular) ou de pé ou sentado, tal como era fácil chegar bem perto do palco em qualquer altura. Afinal de contas, em que outro festival é que poderia ter chegado à segunda fila quinze minutos antes do início de Pulp?
Foram dias de concertos, foram dias de férias, foram dias em que se vivem e se guardam memórias para os anos vindouros. Se um festival quer, efectivamente, ser bem-sucedido, Paredes é o modelo a seguir. Em termos de ambiente, é apenas comparável ao Milhões de Festa; em termos de concertos e da forma como estes podem ser vistos (e das condições com que isso acontece), mais ninguém chega lá perto. Organização exemplar, num festival que foi, afinal de contas, uma verdadeira experiência.
Showcase da Lovers & Lollypops
Vale a pena falar do showcase da editora portuguesa que tem no seu catálogo nomes como, por exemplo, os grandes Black Bombaim, e que decorreu um dia antes do início propriamente dito do festival. Em palco (o secundáro) iriam estar os já mencionados Black Bombaim, e ainda os Larkin e Mr. Miyagi.
O público era já algum, algo que se esperava tendo em conta que já há mais de uma semana que era possível ir para o parque de campismo, e parte dele obviamente conhecedor do que aí vinha. É bom ver este pequeno culto a pequenas bandas nacionais, que merecem uma maior divulgação e iniciativas destas, que lhes permitem chegar a mais público. Tendo em conta que muitos estavam já a acampar há vários dias (efectivamente, quem chegasse neste dia não arranjaria lugar facilmente), fazer este pré-aquecimento foi uma belíssima ideia.
E se é verdade que nem os Larkin nem os Mr. Miyagi impressionaram particularmente, já os Black Bombaim deram um concerto notável do início ao fim, impressionante pela energia daquele stoner tão rock que estica as canções até ao infinito, transformando-as em ondas de som que vão envolvendo e, eventualmente, rebentando. Guitarra, baixo e bateria em comunhão perfeita (e que potente que vai ficando a bateria, ao longo de cada canção), e um concerto que envergonha muitos cabeças-de-cartaz que passaram por outros festivais. Nunca abriram a boca (é música instrumental, afinal de contas), e nunca precisaram de o fazer: o baixo e a guitarra diziam mais que o necessário. Agora é rezar para que cresçam e conquistem o mundo.
Os Larkin praticam um rock curioso, bem pensado, feito e, ao vivo, tocado, mas pecam, acima de tudo, por um factor que acaba por minar, em muito, os concertos do grupo: a voz do vocalista. É verdade que canta com atitude, e é de louvar a entrega e a forma como demonstra tão honestamente o quanto está a gostar de estar em palco, mas ao ouvi-lo a falar e depois a cantar fica-se com a impressão de que tenta manipular a voz para ser algo que não é. E, da forma que o faz, acaba por soar genérico e por vezes irritante. Custa dizer isto sobre uma banda jovem, ainda em crescimento, e na qual há, sem sombra de dúvida, talento em todos os membros (e custa dizer mal da voz de um vocalista que faz tudo desde atirar-se ao público a trepar colunas); mas é exactamente por essa mesma razão que se torna necessário reportar sobre esta falha. Afinal de contas, há ali muito potencial inexplorado e para tal é necessário que o vocalista tente, apenas, de mudar de registo. Resta esperar agora isso; que melhorem o que não é mau, mas que pode ser muito, muito melhor. Quem não ouviu o disco, que oiça.
Nos Mr. Miyagi, atitude é algo que não falta - mais um vocalista que se atira, e bem, ao público, e que até o insulta quando lhe roubam a fita que leva à cabeça - faria o mesmo. Mas tudo o resto soa a algo que já ouvimos milhares de vezes antes, e muito mais conexo e bem feito. Musicalmente, as músicas soam caóticas, sem propósito, mero barulho. Viu-se crowdsurfing, muitos saltos por parte do público, e muitos sorrisos; para muitos, foi uma festa. Para mim, nada mais foi que uma desilusão. Dão ocasionalmente vontade de bater o pé, mas não muito mais.
17 de Agosto – Recepção ao Campista:
Dia de Quarteto de Bolso, Omar Souleyman, Wild Beasts e, claro, Crystal Castles, os mais esperados da noite. O espaço do palco secundário era pouco para tanta gente, e era já uma grande multidão a que esperava os concertos ainda antes de Omar entrar em palco. Seria a primeira e última vez que haveria neste aspecto; o resto do recinto não estava ainda aberto nesta altura, por isso o espaço para circular era menor.
Omar Souleyman foi… bem, foi o Omar Souleyman. Um músico da Síria, com turbante e óculos escuros, que não fala inglês (teve alguém em palco a apresentá-lo no início do concerto e alguém a despedir-se por ele no fim), canta numa língua que ninguém percebe, mas que é uma figura tão caricata que acaba por ser tudo francamente divertido. A música, essa, é também bastante divertida, pop made in Síria, com ritmos energéticos que, ainda assim, acabam por se tornar repetitivos em alturas (o entusiasmo do concerto diminuiu a meio do concerto). Muitos saltos, muita festa, e o senhor Omar a interagir gritando “PORTUGAAAAALLL!”, batendo palmas de forma mecânica, e erguendo os braços no ar e mexendo as mãos como quem diz “Come on, show me what you’ve got”. Claro que não diz, porque só diz mesmo “PORTUGAAAAL!” e não sabe inglês, mas… Caricato, divertido e por vezes francamente cómico. Foi, portanto, uma bela festa.
Os Wild Beasts lançaram este ano o excelente Smother, e foi com esse pretexto que regressaram, mais uma vez, ao nosso país. O som podia ter estado melhor, mas isso em nada impediu o grupo de dar um concerto mais que sólido do início ao fim, com um alinhamento bem pensado e uma energia que contagiou do início ao fim. Além disso, havia genuidade nas palavras simpáticas que iam lançando ao público, dizendo que não esperavam ter tanta gente à sua espera. Hayden Thorpe tem uma voz excelente, profunda e com um timbre bastante único, e é bom ver que ao vivo impressiona tanto quanto em disco. O momento alto? Provavelmente "Hooting & Howling", o single que os lançou. Já está na altura de alguém os trazer cá a solo.
De seguida, vieram a dupla (que em palco é trio, com baterista), que todos queriam: os Crystal Castles. Presença assídua já no nosso país, e com um culto cada vez maior. Culto esse que muitos partilham, e tantos outros desprezam, compreensivelmente; afinal de contas, é música bastante única esta que nos trazem, electrónica diferente da maior parte do que se ouve por aí. Mas, em palco, torna-se inegável que, quer se goste quer não, há ali qualquer coisa de especial. Este concerto não se comparou ao espectacular dado no Coliseu, mas deu ainda assim para ver bem o talento da dupla. Alice Glass (que nome irónico, tendo em conta a energia e agressividade que demonstra em palco) não se atirou tanto ao público como seria de esperar, nem fez crowdsurfing, mas saltou e gritou como poucos fazem, e foi, mais uma vez, um concerto onde os moches e afins apareceram naturalmente. Tudo isso aliado a um bom jogo de luz e um parceiro que sabe bem o que faz (veja-se "Crimewave", que ao vivo é manuseada na perfeição nos teclados e afins, ganhando uma potência que não tem em disco), e tem-se um belo concerto, onde ficar quieto foi complicado.
Afinal de contas, tocar "Baptism" logo perto do início é mesmo pedir “Saltem como se não houvesse amanhã”, e terminar com "Yes No", já em encore (pouco mais de uma hora de concerto) é saber bem o que se faz. Já os vimos em melhor forma, mas Crystal Castles é Crystal Castles. São únicos em disco, únicos ao vivo, e quer se goste quer não, é impossível negar que há, de facto, ali qualquer coisa de especial.
18 de Agosto:
E aqui começou o festival a sério, com concertos nos dois palcos, o recinto todo aberto, e os grandes cabeças-de-cartaz que trouxeram tanta gente ao Norte (horas e horas de viagem a partir de Lisboa, Deus nos ajude). A grande atracção do dia eram, claro, os regressados Pulp, mas até lá seriam muitos os bons nomes que passariam pelos três palcos; afinal de contas, é preciso não esquecer o palco JN.
E é mesmo aí que começa o dia, com os The Kanguru Project. Rock agradável de uma banda a começar, num palco com esse mesmo propósito: mostrar ao público bandas novas. E os Kanguru Project são novos, ainda não sairam bem da bolsa, mas já conseguem saltar, e bem alto. Os membros tocam bem (boa coordenação entre todos, notando-se apenas algum nervosismo… normal, claro), e nunca caem no cliché nem se agarram a referências óbvias (rock normal e puro, sim, mas que não copia). Um concerto agradável de um projecto a acompanhar.
As coisas começaram mais a sério com os Crystal Stilts, no palco principal, e começaram bem. Toques de lo-fi num rock onde o baixo, acima de tudo, se assume como rei e senhor, e já algum público para os ver. Não há-de ter ficado na memória de ninguém, mas canções como "Departure", por exemplo, resultam muito bem ao vivo, tornando impossível não bater o pé. Lembram por vezes uns Crocodiles, que passaram este ano por cá no Alive, e o saldo no final do concerto é francamento positivo. Um agradável fim-de-tarde.
Twin Shadow, uma das revelações deste ano, veio a seguir, naquele que foi o seu terceiro concerto no nosso país (passou em Maio por Lisboa e Vila do Conde), e deu um concerto que, ainda que longe de ter sido um dos melhores do festival, confirmou tudo o que de bem se tem dito sobre o seu primeiro disco, "Forget". Ao vivo, ouve-se mais guitarradas que sintetizadores, e isso acaba por ajudar as canções a crescerem e a ganharam um impacto diferente. Veja-se "Slow" ou "Forget", que ganham fortes contornos rock ao vivo, muito mais potentes que em disco. Um belíssimo concerto, catchy do início ao fim (tal como o disco), e que confirmou George Lewis Jr. Como uma das revelações do ano. Em Setembro, regressa a Lisboa, tocando no Clube Ferroviário. Será mais um belo concerto, sem dúvida.
As Warpaint são, também, uma das revelações do ano, e foram e belíssima dose de rock suave e experimental do dia. Naquele que foi, muito possivelmente, um dos melhores concertos do festival, o quarteto feminino mostrou uma impressionante excelência musical em palco, tocando com uma mestria surpreendente as canções do magnífico "Exquisite Corpse". Algumas canções são alongadas, outras tornam-se mais complexas, e vê-se em palco um cuidado, um empenho e, também, um prazer enorme naquilo que fazem.
Veja-se aquela guitarra em "Elephants", que ao vivo ganha um poder inesperado, e aquela voz daquela vocalista (Emily, a principal), que em palco canta com uma fragilidade que tem tanto de vidro quanto de ouro. Consistente do início ao fim, e francamente impressionante tendo em conta a curta carreira da banda. Um dos melhores do festival, muito provavelmente.
O mesmo, infelizmente, não se pode dizer sobre o concerto dos Blonde Redhead. Frio e austero, a banda tocou na perfeição um alinhamento que não foi nada mau ("The Dress", "Falling Man"…), mas faltou, não querendo soar a cliché, alma ao que se ouvia. As músicas, mesmo lindíssimas em disco, não tardaram a tornar-se monótonas, e nem a dança deslizante de Kazu Makino e a sua voz de cristal (era, aliás, a única do trio que parecia estar a gostar realmente de ali estar) conseguiram salvar o concerto de uma austeridade que se instalou do início ao fim.
Teve momentos aborrecidos, teve momentos magníficos (sim, 23 é mesmo uma canção espantosa), e no geral fica uma mescla de canções e momentos inconsistentes. O público, frio do início ao fim, pareceu não estar particularmente para ali virado ao longo da actuação. Talvez a solo resulte melhor.
Tudo voltou a seu melhor nível com os grandes nomes do dia, e talvez de todo o festival: os Pulp. Parados desde 2002, o grupo de Jarvis Cocker regressou este ano para uma digressão que, graças a Deus, os trouxe ao melhor festival que temos. O resultado foi o que se esperava: um concerto magnífico, ora apoteótico ora francamente divertido, sempre liderado por um vocalista brincalhão e comunicativo.
Um concerto fenomenal, começado com um pano sobre o palco e um pequeno jogo de luz onde eram projectadas frases que iam suscitando a atenção do público até ao começo do espectáculo (que começou com algum atraso), onde nem um golfinho (“Would you like to see a dolphin? Well… would you?”) faltou, e num palco bem enfeitado com o nome da banda escrito em gigantes letras de neon e algum jogo de lasers; é simples, mas eficaz. Mas o verdadeiro espectáculo foi, claro, Jarvis Cocker, que logo de início (com a grande "Do You Remember the First Time?") mostrou bem estar ali para interagir, divertir e agradar. Poucos parecem gostar tanto do que fazem, e poucos conseguem ter tanto carisma e tanta presença em palco. Até falou com Piruças, o cão amarelo insuflável de Paredes que já lá anda desde 2008. “É melhor pedires a alguém para agarrar o cão por ti, ainda ficas cansado!”.
Um alinhamento em modo best of ("This is Hardcore", "Mis-hapes", os êxitos estiveram quase todos lá), uma banda a tocar na perfeição e um público que estava ali para a festa (foi, talvez, a maior enchente que aquele palco viu) foram os restantes ingredientes, além de Jarvis, que ajudaram a tornar este regresso dos Pulp num sucesso absoluto. Fossem todas as reuniões assim, e seriam muito mais bem-vistas. O final, com a inevitável "Common People", foi um dos momentos do festival e, provavelmente, um dos finais mais apoteóticos que muitos viram até hoje num concerto. Memorável.
19 de Agosto:
Foi, talvez, o dia mais forte do festival, em que todos os concertos foram espectaculares ou lá perto (bem… quase todos, pelo menos). O dia volta a começar, mais uma vez, no palco JN, com Erro. Não foi mau ao ponto de se querer fazer piadas com o nome, mas também não convenceu particularmente. Instrumentalmente tudo parece estar no sítio certo, mas o vocalista e as suas letras aleatórias e que acabam por cair frequentemente (leia-se, em 90% das vezes que abre a boca) no cómico acabam por "minar" tudo. Teve os seus momentos interessantes, mas no geral…
Por outro lado, os Meu e Teu demonstram em palco um à vontade e tocam um rock bem feitinho que conquistou facilmente os (poucos) presentes. Um vocalista que pede palmas, saltos e afins, um rock agradável e catchy (e com arranjos francamente bem pensados), e um concerto que foi dos melhores que passou por aquele palco (senão mesmo o melhor). São novos, ainda são recentes, e nota-se em palco a testosterona toda de ainda estar a dar os primeiros concertos; com tempo tudo há-de ficar mais arranjado e mais bem tocado. Por agora, no entanto, são já uma boa promessa.
De seguida, o primeiro grande concerto do dia veio logo com os You Can’t Win, Charlie Brown no palco secundário. A mega-banda portuguesa, que tem sabe-se lá quantos membros em palco, está mais confiante e bem oleada que nunca. Vão trocando de instrumentos com rapidez e sem falhas, tocam em palco como se não quisessem estar a fazer outra coisa, e as canções, que já em disco são óptimas, ao vivo crescem imenso e resultam na perfeição. "Green Grass" é um exemplo claro disso, tal como a grande "I’ve Been Lost". Um excelente concerto que, não fossem os grandes que se seguiriam, teria sido facilmente dos melhores do dia. São, sem dúvida, um dos nomes mais entusiasmantes da música nacional da actualidade
Quando se chega ao outro palco, já os Joy Formidable começaram. Rock das entranhas, feito com três em palco mas parecem ser mais, dada a potência e energia do que se ouve. Canções como "Whirring" ou "The Greatest Light is the Greatest Shade" ao vivo perdem o seu toque lo-fi mas ganham um poder surpreendente, entregue sempre com honestidade e simpatia (disseram que estavam contentes por ali estar, e pareceram estar a dizer a verdade). Aquele final, quase apoteótico, com todos em volta da bateria, foi talvez um dos momentos de todo o festival, e terminou um belo concerto da melhor forma possível. Concerto a solo, requisita-se.
De seguida, um verdadeiro nome de culto, que certamente levou muita gente a comprar o passe: …And You Will Know Us By The Trail of Dead. Sim, já se sabia que iam tocar pouco tempo e que seriam logo os segundos (tinham de apanhar um avião, parece), mas isso em nada minou o entusiasmo dos presentes, ainda assim não tantos quanto seria de esperar. Seis músicas apenas, mas mais que suficiente para aqueles que terá sido, para muitos, um dos melhores do dia (e isso não é dizer pouco, tendo em conta o dia que foi).
À segunda canção, o quarteto jé está completamente aquecido, já se vivem momentos de uma intensidade a que muitos concertos nunca chegam, e tudo é já um triunfo absoluto (ainda que triste… afinal de contas, é realmente pena que não tenham tocado mais). Vão trocando de instrumentos entre si, da guitarra para a bateria, revelando uma mestria que torna tudo mais interessante, e canções como "Gargoyle Waiting" ou a fenomenal "Will You Smile Again?", no final, deram os momentos mais puros de rock que o festival viu. Curto (pouco mais de quarenta minutos, creio), mas muito, muito bom (e note-se que eu, pessoalmente, nem era fã). Resta agora esperar que regressem, num concerto com uma duração mais digna do que merecem (eles e nós, diga-se).
No entanto, a banda que viria a seguir conseguiria fazer ainda melhor. Num dia fortíssimo, o concerto do dia (e, de muito longe, um dos melhores de todo o festival) seria dos Battles, que se estrearam finalmente no nosso país. E, meu Deus, que estreia.
Apoteose do início ao fim, tudo muito bem construído, num jogo de camadas e sons que viria apenas a ser igualado por uma certa e incrível banda de post-rock que viria a actuar naquele palco no dia seguinte.
Tocam com energia e, diga-se, carisma (que figura curiosa que é, o guitarrista e o seu bigode), e nenhuma das canções desilude ao vivo. Uma fusão de sons, desde dance music ao mais puro rock, que faz com que seja rigorosamente impossível estar parado no mesmo sítio. Muito do público estava lá por eles, e isso viu-se: devoção e respeito por parte de uma plateia conquistada logo aos primeiros minutos. E, sim, "Atlas" foi mesmo um dos momentos do festival (mas "Ice Cream", diga-se, também foi genial).
Ao início faz alguma comichão vê-los a usar samples e afins, mas tendo em conta que são apenas três, e que os samples são eles mesmos que os vão inserindo (mais uma vez, é preciso ter cabeça para saber encaixar aquilo tudo), tudo acaba por pintar um quadro onde estão retratados três grandes, grandes músicos. No final, o baixista agradeceu e disse que estava ansioso por nos voltar a ver “muito, muito em breve”. Concerto a solo marcado? Esperamos que nós. Por agora, no entanto, uma coisa podemos dizer: os Battles partiram tudo quando actuaram pela primeira vez no nosso país, e nós estivemos lá para ver na primeira fila.
Os Deerhunter, ao vivo, impressionam. "Halcyon Digest" é, sem sombra de dúvida, francamente bom, mas encontra-se longe da genialidade de um "Microcastle", por exemplo. No entanto, ao vivo tudo faz mais sentido, e tanto as novas como as antigas ganham um poder à base de guitarra que espanta quem, como eu, nunca os tinha visto ao vivo. Bastou logo o início, com a bela "Wash Off", para surpreender pela positiva; e o mote seria, exactamente, esse.
Tudo tocado com impacto e poder, e sempre com um Bradford Cox simpático e comunicativo (diz que adora tocar em Portugal (mais um que se enganou e pensava estar no Porto…) porque somos um país muito assombrado… "yap", faz sentido), e uma banda em perfeira harmonia. Sofreram do mesmo problema que os Trail of Dead: concerto demasiado curto, com apenas oito canções. Mas mais que suficiente para darem aquele que foi, sem dúvida, um grande concerto. No final, um pequeno golpe de génio, quando terminam com aquela que é, diga-se, a sua melhor música, e talvez mesmo uma das canções da década: "Nothing Ever Happened", esticada, alongada, apoteótica e de ir às lágrimas. Genial.
Já diziam os Monty Python: "...and now, for something completely different". E foi isso mesmo. Os Kings of Convenience, dois tipos com guitarras acústicas, chegaram ao palco e foi impossível não sentir, de imediato, uma diferença depois de toda a energia que se sentiu ao longo da tarde. Passámos, de repente, do rock para os Simon & Garfunkel. E foi bonito, sim; agradável, simpático. Nunca chegou a mais que isso, já que esta não era, afinal, a "praia" deles.
O público ouviu, sempre calado e respeitoso, e isso é de louvar, mas só na zona mais perto do palco se viam realmente demonstrações de devoção em canções como "Rule My World" ou, claro, a inevitável "I’d Rather Dance With You". Eventualmente trazem mais dois músicos ao palco, mas isso não ajuda muito; continua tudo muito calmo, bonito, sim, mas por vezes monótono.
Mas sou suspeito: gosto muito de Simon & Garfunkel, e os Kings of Convenience, infelizmente, transpiram Simon & Garfunkel por todos os lados. Nas guitarras, nas letras, em tudo. Em disco isso não se nota tanto, dados os arranjos que dão às canções, mas ao vivo…
Enfim, um concerto simpático e agradável, que proporcionou uma noite bonita, mas nada mais que isso. E, sejamos honestos, Erlend Øyé é provavelmente um dos músicos mais "cromos" que alguma vez passaram pelos nossos palcos.
As coisas não mudaram muito com Marina & The Diamonds. Concerto agradável, com uma pop energética cantada por uma vocalista que, provavelmente, passou toda a sua vida a ouvir Madonna e Blondie. Simpática, obviamente contente por ali estar, e com uma energia contagiante, Marina cantou canções como "Girls" ou "Shampain" para uma plateia reduzida que, infelizmente, não estava realmente ali para ela, e em que só os mais próximos do palco reagiram ao seu claro entusiasmo. Divertido, agradável e pop catchy cantada a boa voz.
20 de Agosto:
Mais um dia forte, e com aquele que viria a ser o melhor concerto do festival (leia-se: dos concertos que vi).
O dia começou com um nome conhecido de todos: Linda Martini. Já tinham passado por aquele mesmo palco em 2007, num concerto que muitos afirmam ter sido espectacular, e regressaram… para repetir a proeza. Foi a sexta vez que os vi, e uma das melhores (e muito, muito melhor que o concerto no Alive). Isso deve-se não só à banda e ao público, ambos ali de coração e alma, mas também ao excelente som do palco; raramente se ouviu a camada de guitarras de "Este Mar", logo a primeira, assim tão bem, por exemplo.
O quarteto tocava com carinho cada acorde, e o público recebia com esse mesmo carinho cada som. Moche carinhosa, crowdsurfing feito como se fosse entre familiares, e canções que já todos sabemos do início ao fim ("Amor Combate", a incrível "Dá-me a Tua Melhor Faca"… hinos de uma geração). Até Hélio se atirou ao público e fez crowdsurfing, já no fim do concerto. Grandes, como sempre. Tocam como ninguém, e fazem-no com um amor que só lhes fica bem. Por este andar, nunca nos havemos de fartar.
“Os que vierem a seguir estão lixados se não forem bons”, dizia-me um amigo meu no final. E tinha razão: depois de um concerto como o dos Linda Martini, era difícil igualar. E não foi isso que Maika Makovski, espanhola que canta num inglês perfeito, e a sua banda, repescados à última hora para substituir Foster the People após estes terem cancelado toda a sua digressão europeia, fez. Mas também esteve longe, bem longe, de envergonhar alguém.
Naquele que foi um bom concerto de rock com toques de blues, com uma Maika a lembrar por várias vezes uma PJ Harvey (mas, por outro lado, não lembram todas?), o dia continuou bastante bem, com um nível que se viria a manter ao longo de todo o dia e noite. Maika foi simpática, comunicativa, falando em espanhol e inglês, e foi pena que o público, na sua maioria sentado e a ignorar o que se passava em palco, nem lhe tenha dado grande hipótese. Tarefa ingrata, esta de substituir músicos. Mas cumpriu-a, e muito bem.
A seguir, o concerto mais assustador do festival. Os Two Door Cinema Club, a banda mais genérica que passou por todo o festival, chegou e divertiu com o seu pop-rock tão… bem, tão catchy e igual a tanto outro pop-rock que anda por aí. Mas foi assustador ver o público, aquela legião de milhares de fãs, a cantar tudo do início ao fim, a fazer moche (?!) e crowdsurfing (?!?!) numa banda que, simplesmente, não tem uma sonoridade para isso. Sim, cançõe como "I Can Talk ou Sleep Alone" dão vontade de saltar e mexer o corpo, mas… moche? Crowdsurfing? Assustador ver mais disso neste concerto que em Linda Martini ou Trail of Dead, por exemplo (agora que penso bem, é mesmo assustador). Enfim, é o que faz uma faixa etária na sua maioria abaixo dos 18, com as hormonas aos saltos. Ver tudo aquilo acabou por tornar o concerto francamente estranho em vários momentos, e não é de espantar que, com a recepção excitada que tiveram, não foi de estranhar quando o vocalista disse, no final, que “Isto foi completamente ridículo”, dizia-o no bom sentido, claro, mas dá vontade de o dizer também no mau, ou pelo menos no estranho. O concerto propriamente dito foi giro, divertido, energético e inconsequente. Se alguém se lembrará deles daqui a um ano? Provavelmente não, mas, ao vivo, conseguem entreter. Mas… meu Deus… moche naquilo? Que coisa bizarra.
Foi mais um bom concerto, no meio de tantos outros bons ou grandiosos. Por esta altura, era altura de fazer balanços, e era difícil escolher apenas um grande concerto, um que se comseguisse destacar de entre todos, dado equilíbrio do que se viu até àquela altura. Escolher um concerto como o melhor afirmava-se impossível. Até terem chegado os Mogwai.
Podemos dizer que, dentro do post-rock, há dois grandes deuses: os Mogwai e os Godspeed You! Black Emperor. Podemos dizer mais nomes, claro, desde uns Mono a uns inevitáveis Explosions in the Sky ou uns God is na Astronaut, mas a verdade é que foi destes dois que tudo surgiu; sem um "Young Team" e sem um "Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven", o género simplesmente não seria o que é hoje.
O que os Mogwai, que pisaram aquele palco em 1999, dizendo Stuart Braithwaite que desta vez “Foi muito mais divertido" mostraram neste concerto, tal como já tinham feito na Aula Magna, o que se esperava: poder. Puro poder em todos os aspectos: sonoro, emocional, musical, tudo isso e mais. Em cerca de uma hora e quinze minutos, os escoceses defenderam com perfeição absoluta um legado que se apresenta tanto passado como presente e futuro. "Hardcore Will Never Die But You Will" está bem longe de um "Rock Action" ou de um "Young Team", mas a verdade é que ao vivo tudo isso desaparece. Canções como "White Noise" (um início de ir às lágrimas, literalmente), "San Pedro" ou "Mexican Grand Prix" ganham um poder, uma potência que as elevam ao estatuto em que estão os grandes clássicos do grupo.
Em disco, podem soar a canções óptimas, mas abaixo das grandes de antigamente; ao vivo, estão bem lá em cima com os hinos do grupo. Um concerto transcendente, que se viveu na pele e na alma, de olhos por vezes abertos e por vezes molhados, por vezes secos e por vezes humedecidos (emocionalmente falando, o post-rock pode ser um género poderosíssimo; os Mogwai, tal como os Godspeed You! Black Emperor, demonstram bem isso). Um bom jogo de luz, uma tela que ia passando algumas imagens, e um quinteto em palco vestido como se estivesse em casa, que poucas vezes falou; afinal de contas, porque precisariam de o fazer? A música diz tudo o que há a dizer, sem palavras.
Num alinhamento que nem foi assim tão curto (onze músicas… e tendo em conta que não são músicas pequenas) e que teve pequenos golpes de génio (ahh, quem diria que iam tocar a "Two Rights, One Wrong?"), o grupo concentrou-se, como seria de esperar, no seu último disco, defendendo-o, e muito bem, em palco. "Rano Pano", "San Pedro"… momentos grandiosos, impressionantes. São, realmente, uma banda que ao vivo funciona de forma incrível, transpondo para o palco com uma mestria inigualável canções complexas que, ao vivo, não perdem essa complexidade mas atingem de forma mais directa que nunca. Nisso, o som ajudou: foi possível distinguir todos os pequenos pormenores, todas as pequenas mudanças de ritmo, todos os pequenos sons. Aquela muralha de guitarras como só eles fazem tanto emocionou como intimidou, e os efeitos criados no vocoder soaram perfeitos ("Hunted by a Freak", já perto do fim, foi arrepiante, como sempre).
E foram eles que nos trouxeram o grande momento de todo o festival: "Mogwai Fear Satan", aquela epifania de mais de dez minutos, que vai construindo aquela muralha de guitarras que emociona, agarra, depois nos rebenta na cara após acalmar (ingénuos, os que bateram palmas achando que a música estava a terminar, quando na realidade ainda faltava o clímax), e depois nos volta a emocionar. Absolutamente incrível. O final, com "Batcat" (ainda não foi desta que nos brindaram com a "Glasgow Mega-Snake") foi do mais épico possível, e houveram momentos em que parecia que, de facto, o mundo estava a acabar. Ruído, explosões de luz e fumo. O mundo não acabou, mas se tivesse acabado, teríamos todos certamente morrido com um sorriso no rosto. Concerto do festival, um dos concertos do ano, e eles continuam a ser o sempre foram: um dos maiores de sempre.
No palco principal, tudo terminou como começou: com uma reunião. Foram os Pulp no primeiro dia, e foram os Death From Above 1979 no último. E se os primeiros foram magníficos, dos segundos podemos dizer também o mesmo. Num alinhamento onde tocaram… bem, tudo, já que só têm um disco e um EP, a dupla mostrou ter em palco uma energia contagiante, que facilmente desabrochou em moche e crowdsurfing por toda a plateia. Punk como poucos fazem, puro e directo ao osso, onde um baixo e uma bateria bastam (e muito bem!) para criar o caos.
É impossível ficar parado, é impossível não ficar com um sorriso no rosto, e é ainda mais impossível não gostar. Testosterona pura, entregue por um simpático Sebastien Grainger (que até disse que ia lá abaixo à plateia violar quem fizesse mal às raparigas… simpático e com valores!) que toca bateria como se estivesse ligado a uma ficha eléctrica e canta da mesma forma e um Jesse F. Keeler (sintetizador, backing vocals e, acima de tudo, baixo) concentrado mas perfeito no que faz, a dupla não desiludiu os que ansiavam por ver, finalmente, os Death From Above 1979 ao vivo.
Grainger bem brincou com o facto de serem cabeças de cartaz, dizendi que era uma posição difícil de defender com apenas um disco e um EP… e é, realmente, curioso vê-los agora como cabeças-de-cartaz. Quem se lembra de quando passaram por este mesmo festival em 2005, no mesmo dia que os Foo Fighters (na mesma edição onde tocaram os Pixies, os Arcade Fire, os Queens of the Stone Age, os The National, os…), e foram recebidos com monotonia? Entretanto ganharam mais fãs, regressaram, e o resultado está à vista: uma plateia devota e conquistada. E ainda bem, que eles bem mereceram. Foi mais um grande concerto.
Foi o fim de um grande festival que foi, diga-se, o melhor do ano. Sim, o campismo não é tão bom quanto o do Milhões (bem, se eles cobrissem tudo de relva…), mas os concertos e, tal como já foi dito, a paisagem compensam tudo isso. Um rio ali ao pé para quem se quiser refrescar, um público que em todo o festival se portou bastante bem (sempre respeitoso, mesmo com nomes que obviamente não conhecia), um ambiente como só Paredes consegue… e concertos, muitos e grandes concertos, que vão ficar na memória dos presentes. Foi o local ideal, com o cartaz ideal, com as condições ideais.
Se um festival de Verão deve, de facto, ser uma experiência… então a experiência que deve ser é realmente esta. Sem falhas.
As memórias, essas, vão perdurar por anos e anos; as saudades, felizmente, só até ao próximo Verão.
Uma relação com Paredes de Coura é, afinal, uma daquelas que dura para a vida.
E no próximo ano lá estaremos todos, para mais umas quantas noites de núpcias.
Reportagem Josh Rouse – Santiago Alquimista
May 17th
Mais uma noite de concertos no Santiago Alquimista, palco que recebeu o intérprete americano Josh Rouse, músico que já conta com oito álbuns na sua carreira e que aproveitou a oportunidade para apresentar o seu mais recente esforço musical, ‘El Turista’, de 2010, tal como novos temas. A sonoridade despreocupada e solarenga do seu material serviu de um excelente pretexto para os lisboetas saírem de casa numa noite quente de Domingo e, apesar de não ter enchido a sala de espetáculos, Rouse acabou por dar um concerto intimista a um público que já o conhecia e que o recebeu de braços abertos.
A viver em terras espanholas desde 2005, não foi de espantar que Josh Rouse se fizesse acompanhar por três talentosos músicos espanhóis, que ocuparam prontamente os lugares da bateria, baixo e guitarra acústica. Porém, o foco da atenção do público foi sempre o americano, que encantou com o seu humor seco e boa-disposição – “Ainda bem que vieram hoje, bem sei que ao Domingo há muitos programas bons na televisão” – ao longo de um concerto agradável, se bem que um pouco curto.
Abrindo com ‘I will Live on Islands’, as melodias pop/folk com influências variadíssimas, como bossa nova, jazz e o ‘sabor’ latino que facilmente se detecta, dos trabalhos do artista desde logo envolveram o público num ambiente tão quente como os melhores dias de Verão. Este tema veranil é, de facto, proeminente na maior parte do trabalho de Rouse, tanto em ‘Sunshine’ e ‘Summertime’, de Subtitulo e 1972, respectivamente, como na nova ‘Oh, Look What The Sun Did’ – tanto que não é difícil imaginar o compositor e intérprete americano a tocar guitarra, com uma bebida gelada por perto, ao pé da piscina, em Valência.
E foi mesmo com ‘Valência’ que o público se começou verdadeiramente a manifestar, dançando despreocupadamente ao som da canção suave e aprazível. Rouse, soando a uma mistura de Jeff Tweedy e Paul Simon, foi entretendo a hoste, pedindo que esta cantasse e se aproximasse do palco e no geral, é difícil de dissocia-lo de uns Wilco solarengos do Mediterrâneo ou mesmo de um Devendra Banhart muito mais folk e muito menos freak. De qualquer maneira, é com gosto que se ouve o material de cunho próprio do americano, que cada vez se liberta mais na sua própria pele.
Por volta do primeiro encore, com ‘Summertime’ e ‘Love Vibration’ já todos se levantavam para pedir mais – no entanto, o concerto foi um pouco curto, contando apenas com a doce e calma ‘Life’, no final.
Não é estranho em terras lusas, no entanto, é sempre um prazer tê-lo de volta...
...e esperemos que volte depressa.
- I will live on Islands
- Lemon Tree
- Sweet Elaine
- Las Voces
- Lazy Days
- Sunshine
- Hollywood Bass Player
- His Majesty Rides
- Flight Attendant
- Winter in the Hamptons
- Oh Look What The Sun Did
- Valencia
- Comeback
- It’s the night time
- – 1972
- Summertime
- Love Vibration
- – Life
Boom Festival vence "Green ‘N’ Clean Festival Of The Year"
Jan 13th
A gala prometia reconhecer os melhores festivais europeus em diversas categorias no ano de 2010 e foi exactamente isso que aconteceu ontem, dia 12 de Janeiro em Groningen na Holanda.
Com mais de 350.000 votos foram gerados os seguintes resultados:
- Melhor Festival Europeu: "Heineken Open'er" - Polónia
- Melhor Festival Europeu "Tamanho Médio": "Electric Picnic Music & Arts Festival" - Irlanda
- Melhor Festival Europeu "Tamanho Pequeno": "5 Tauron Nowa Muzyka Festival" - Polónia
- Melhor Festival Europeu "Novo": "Temple House Festival" - Irlanda
- Melhor Festival Europeu "Coberto": "Rolling Stone Weekender" - Alemanha
- Melhor Festival Europeu "Baseado no Line-up": "Oxegen" - Irlanda
- Melhor Revelação: Florence and the Machine
- Melhor "Cabeça de Cartaz": Muse
- "Hino" do Ano: Muse com Uprising
- Festival Europeu "Verde e Limpo": "Boom Festival" – Portugal
- Festival Europeu favorito dos Artistas – "Melt!" - Alemanha
Em Novembro de 2010, o Boom Festival já tinha vencido pela segunda vez consecutiva o Greener Festival Award. E, mais uma vez, o júri premiou o Boom com o prémio de mérito Outstanding.
Dados Boom Festival 2010:
- Materiais:
- Reutilizar, reciclar e reduzir: O Boom estabeleceu, pela segunda vez, uma parceria com um festival de grandes dimensões realizado em Portugal – o Rock in Rio Lisboa – com o objectivo de reciclar o lixo e materiais de sobra.
Eis a tabela de materiais reutilizados apenas do Rock in Rio:
- Ferro: 195 Kg;
– Madeira: 46,700 Kg;
– Relva sintética e chão: 39,310 Kg;
– Linóleo: 100 Kg;
– Vinil: 100 Kg;
– Acrílico: 70 Kg.
- O Boom reutilzou 86.475Kg de materiais, evitando assim o sobre consumo de recursos para a construção do festival. De acordo com a ferramenta IWM-2 (Modelo Integrado de Gestão de Lixos 2) desenvolvido pelo IST (Universidade de Lisboa), com esta iniciativa evitou-se a emissão de 254.000Kg de CO2.
- Energia "Boom":
- Construídas três pequenas estações móveis fotovoltaicas com seis painéis de 80 watts cada. Estas foram utilizadas para os escritórios de áreas tais como a Produção, o Sacred Fire, a Healing Area e o Ambient Paradise. Geraram-se 2.4 kilowatts/hora por dia;
- A 4ª estação solar produzida pela Boom Lab teve um output de 3.2 kilowatts/hora por dia proveniente da energia solar.
- Os veículos do Boom (um camião e duas carrinhas) são movidos a óleo vegetal usado;
- Um gerador é movido a óleo vegetal usado;
- Foram utilizados 15,000Lts de óleo vegetal usado.
- Águas:
- Construíram uma unidade de tratamento da água chamada STAR. O sistema era baseado na bio-remediação e evapotranspiração. Com esta unidade 100% das águas sujas do Boom foram tratadas;
- Total de água suja gerada: Restaurantes – 300,000 litros. Chuveiros – 2,5 milhões de litros;
- Total de água tratada e reciclada no festival: 100%.
- Saneamento:
- Foram construídos 159 Wcs compostáveis (sem água);
- Foram produzidos 15 WCs compostáveis semi-permanentes (sem água);
- O filtro biológico utilizado em todos os WCs fez com que fosse gerado 70,000 Lts de fertilizante líquido de alta qualidade. Este será armazenado para utilização na produção agrícola.
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Estes são apenas uns exemplos do que se poderia fazer em todos os festivais de Verão.
Parabéns Boom Festival - pelo que vemos e temos vindo a acompanhar, este prémio é mais que merecido.
Palco Optimus Clubbing
May 20th

Este ano, o cartaz deste palco aposta mais em djs do que actuações de bandas, como existia o ano passado. No entanto, esta mudança de palco não perde qualidade e aposta em grandes nomes do mundo da musica internacional e nacional.
No dia 8 de Julho, entra em cena os melhores djs e live-acts da Turbo Recordings. A apresentação excluvisa de Tiga, em Portugal, juntando nomes como Aeroplane, Proxy (Live), Shit Robot, Villa Nah (Live), Matias Aguayo Band (Live), Boy 8-Bit, Jori Hulkkonen, Youthless e Thomas Von Party prometem uma noite única ao som da melhor musica.
O dia seguinte, dia 9 de Julho, começa com o britanico Benga, seguido pelos já bem conhecidos Buraka Som Sistema (DJ Set), PAUS (Live), Sinden, Zombies for Money, Octa Push (Live) e Macacos do Chinês (DJ Set)
Para terminar o festival, dia 10 de Julho, nada melhor do que Paulo Furtado em actuação. The Legendary Tigerman actua no Palco Optimus Clubbing, juntando Asia Argento, Maria de Medeiros, Peaches, Rita Redshoes, Lisa Kekaula, Cibelle, Phoebe Killdeer, Becky Lee, Cláudia Efe e Mafalda Nascimento no mesmo palco para interpretar o muito aclamado album "Femina"
A juntar a actuação de Paulo Furtado, nomes como The Bellrays, Phoebe Killdeer and The Short Straws, Micro Audio Waves, Becky Lee and Drunkfoot e Cibelle também irão actuar no Palco Optimus Clubbing, prometendo assim uma noite inesquecível.
Os bilhetes já se encontram à venda, o bilhete diário tem o preço de 50 euros e o passe para os 3 dias 90 euros.
Procura alojamento perto deste festival aqui.
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