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Megafaun e Alto! no Musicbox
Jan 31st

É já no próximo dia 24 de Fevereiro que o Musicbox estreia o trio Megafaun em Portugal, no âmbito da quinta edição da rubrica Musicbox Heineken Series.
O trio norte-americano vem apresentar o quarto álbum, homónimo, que volta a embalar-nos em finas texturas folk e a desconcertar-nos com o seu psicadelismo latente. Os Megafaun são um dos mais respeitados nomes da actualidade indie / folk.
A eles juntam-se os portugueses ALTO! que vem apresentar o disco de estreia, também homónimo e com selo da Lovers and Lollypops.
A entrada em pré-venda é de 10€ com oferta de 1 Heineken disponível nos locais habituais.
Martina Topley-Bird volta para dois concertos
Jan 26th
Martina Topley-Bird, uma das vozes que acompanha os Massive Attack, e que conta com colaborações com The Jon Spencer Blues Explosion, Tricky ou The Gutter Twins, volta a pisar Portugal para dois concertos.
O primeiro, a 2 de março no Cine-Teatro de Estarreja, e no dia seguinte no Musicbox em Lisboa.
Em Estarreja, o concerto custa 10€ enquanto que em Lisboa o preço sobe para 18€.
Martina, já com quatro álbuns lançados em nome próprio, traz-nos Some Place Simple de 2010, já apresentado ao público do Sudoeste TMN nesse mesmo ano.
Reportagem Suuns no MusicBox
Dec 4th
Segundo dia do mês de Dezembro e terceira parte da rubrica Heineken a decorrer mensalmente na versátil caixa de música do Cais do Sodré, foi hoje a vez dos canadianos Suuns se estrearem em Portugal para a apresentação do seu primeiro álbum de longa-duração entitulado Zeroes QC, lançado no final do ano de 2010. Considerados uma das grandes revelações do ano, Suuns tocaram ontem na Casa da Música no Porto com os hiperactivos Battles, num concerto arrebatador e digno da exaltação do público.
Ivo Pacheco ou se preferirem, Ivvvo, editor do colectivo criativo portuense Terrain Ahead e parceiro de Trikk nos Baliac, é um jovem criador de beats densos e melancólicos que explora a música electrónia e as suas vertentes no submundo do post dubstep e witch house. A personagem melómana de Ivvvo invadiu o Musicbox com o EP Her e Four U | A R A S, trabalho a solo do artista que diz ser mais que um EP como explica na sua página de Facebook, "é um presente para alguém". Temas que diz serem resultado de semanas de isolamento sobre a sua persona e por reflexo desta, sobre alguém. São temas como "Near", "Better, In Two Says"," I Just Love You" e "ARAS" que nos transportam com intensidade para uma impenetrável neblina na qual ficamos imersos, como que as luzes psicadélicas e decandentes nos cegassem permitindo-nos apenas a audição.
A verdade é que pouco se sabe sobre Ivvvo, apenas que se move livremente sem barreiras por caminhos tenebrosos das cinzas do dubstep, criando propostas sobrecarregadas de sensações, a representação de uma consciência íntima que afirma previamente um conhecimento talentoso de sistemas digitais como o Fruityloops, uma capacidade notável de embrenhar uma sala nas suas melodias transcendentes frequentemente associadas a sonoriades saídas das caves de clubes berlinenses, aparentando ter fortes influências do post dubstep experimental e mais que soberbo de Burial, Ivvvo relembra-nos também as noites londrinas do dubstep old school, mais precisamente do evento FWD» (Foward), que veio a desenvolver e a alastrar as bases do dubstep.
É díficil dizer se a sala estaria de facto cheia para Suuns se para Ivvvo, foi no entanto com os primeiros acordes de "Red Song" que o público se chegou à frente para o que viria a ser um concerto notável. Cada vez com mais gente e a sala claramente abafada com um ambiente típico de aquário a que o Musicbox já nos habituou, Suuns foram fortemente aplaudidos e lá se foram ouvindo temas que não poderiam faltar como "Arena", "PVC", "Armed for Peace" e "Gaze".
Sons eufóricos com batidas minimalistas e guitarras psicadélicas que prolongam as músicas até à exaustão são a especialidade desta tão aclamada banda canadiana capaz de construir um concerto sem falhas onde as músicas se interligavam e onde Zeroes QC foi tocado do ínicio ao fim, impressionando o público que por sua vez se mostrava mais que conhecedor das letras, que dançava e oscilava ao som electrónico e mutável da banda em slow motion ou em ritmos dignos de um ataque epiléptico. Música atrás de música e sempre inovadoras foi em "Pie IX" que se tornou claro a preferência de quem enchia a sala quando ao som do teclado e sintetizador a multidão foi puxada para a frente para o que viria a ser o ponto alto da noite pelas constantes explosões de sons e pelo carisma de Ben Shemie, guitarrista e vocalista de Suuns que fazia questão de beijar o microfone e esmagar a guitarra sempre que tinha oportunidade.
O concerto tornou-se uma viagem para os inquilinos da sala, com ritmos crescentes e canções que se foram construíndo lentamente que não nos permitiram imaginar a explosão que se seguiria em "Up Past the Nursery" com distorções de guitarras como plano de fundo que surgem do nada, bateria acelarada e movimentos desconcertantes tanto no palco como na plateia.
Suuns criam com este primeiro álbum um estilo experimental com tendências nitidamente psicadélicas e electrónicas, com sonoridades a passarem levemente por ritmos mais agressivos associados ao Trance, e que apesar das diferentes influências musicais edificaram um concerto coeso com um público devoto que viaja entre os diferentes sons de uma forma confortável. "Mundslinger" foi a escolhida para o encerramento de um concerto negro e denso, sem falhas a apontar e com momentos de cortar a respiração.
Para o encerramento de mais uma noite da Heineken Series seguiu-se Señor Pelota em DJ Set e JPG From Daltonic Brothers em VJ Set para o final de mais uma noite da Heineken Series que promete voltar para o mês.
Foi um concerto agressivo, tanto pela sua sonoridade como a nível visual pelo jogo de luzes que nos transportava de música em música sempre acompanhados pela voz hipnotizante de Ben usada maioritariamente como uma secção rítmica e como se de um instrumento se tratasse.
Reportagem Ulver no MusicBox
Nov 22nd
Nota autobiográfica: ver Trickster (aka, Kristoffer "Garm" Rygg) e os Ulver era já uma espécie de fantasia antiga. Quer queira quer não, foi uma figura que até me acompanhou bastante nos últimos 10 anos e pouco, em viagens, leituras, e todo o tipo de experiências. Sem me considerar um super-fã, depois de perder o concerto o ano passado no Porto, fui desta vez porque estava finalmente à mão. Por isso não vou comparar o concerto com nada. Fui absolutamente sem expectativas, poucos cigarros no bolso, e algum tempo para queimar.
Directamente de Oslo para o Musicbox, muito bem-dispostos e faladores, os Ulver abriram com "February MMX", que deu logo para sacudir e abrir os olhos. A sala não estava tão completa como seria de esperar... 22 euros também é dinheiro, mas valeu bem pela montagem audiovisual e para desfrutar do som espectacular que ainda lhes levou alguns anos a atingir. É curioso o facto de esta banda, já sem o destaque que teria há anos atrás, ter apresentado um excelente concerto.
O baterista encolhido no seu canto, um baixista/guitarrista/multiusos, zeloso do seu instrumento e Garm a cantar, levando sempre tudo na calma, a mastigar pastilhas ou a fumar, compunham um quadro que dava para ver e ouvir.
Os outros dois elementos, atarefados com a maquinaria em cima do palco, também se dedicavam ao ruído, mas era nos outros que a atenção do público se encontrava.
Mulheres nuas baloiçavam-se na tela, dando o mote para as velhas e favoritas: "Porn Piece" em versão acelerada, um "Rock Massif" inesperado, com alguma riffalhada pelo meio de encher o ouvido e Lost in Moments, com nota psicadélica. Ainda outros temas do último disco: "England" e "Island", com umas ondas de fundo que nos afogaram no som. Encore divertido, com uma versão punk de um tema desconhecido, e um segundo encore para arrumar a questão com a tão esperada "EOS".
Setlist:
- February MMX
- Norwegian Gothic
- England
- September IV
- Lost In Moments
- Porn Piece Or The Scar Of Cold Kisses
- Island
- Darling Didn't We Kill You?
- For The Love Of God
- Little Blue Bird
- Rock Massif
- EOS
De destacar, a qualidade fantástica do som que o Musicbox conseguiu produzir para uma banda que bem a merece. Há muitos anos que este projecto trabalha na perfeição da sonoridade e da composição, e sabe sempre bem ouvir o que o artista quer que se ouça.
Reportagem Fujiya & Miyagi no MusicBox
Nov 13th
A segunda parte da rubrica MusicBox Series que visa proporcionar aos ouvintes lisboetas uma auscultação de alguns dos nomes emergentes no panorama internacional, e que irá reflectir a evolução de diferentes géneros musicais.
Não foi com espanto que a sala encheu com um público das mais diversas faixas etárias, chegando mesmo a esgotar apesar do infausto cancelamento para alguns de Peter Broderick, responsável pela primeira parte do concerto dos Fujiya & Miyagi, sendo este mais tarde substituído pela banda portuense, Swinging Rabbits.
FFFlecha, Jón Roque, Jonathan Tavares, Pedro Andrade e Sérgio Alves pisaram o palco do MusicBox por volta das 00:30 para a apresentação do primeiro EP da banda, "Tricks are for Kids", descrito pelos mesmos como um reflexo autobiográfico da experiência que é viver e sentir do crescimento que daí resulta. Inicialmente dois anos de DIY, produção e trabalho em progresso de quatro orelhas que mais tarde se multiplicaram e formaram mais uma banda com fortes influências das décadas de 70 e 80's com passagens notórias por sonoridades da Motown e pelo acid jazz sempre dançável de Jamiroquai sem esquecer uma ligeira mas interessante intervenção electrónica.
Apesar de curto, foi um concerto aprazível e ecléctico (por vezes demais), com tendências divergentes que suscitaram o interesse por parte do público, que apesar de se encontrar presente para os exímios e mais que experientes, Fujiya & Miyagi, não deixou de se movimentar ao ritmo funk dos Swiging Rabbits que pisaram pela primeira vez os palcos lisboetas.
Não passava muito da 01:00 quando, aguardados impacientemente pelo público, Fujiya & Miyagi entraram em palco, enaltecidos e fortemente aplaudidos pelos presentes para a apresentação do novo álbum "Ventriloquizzing", numa primeira vez da banda em Lisboa.
A banda oriunda de Brighton estreou-se por os nossos palcos com "Cat Got Your Tongue" do último álbum do ano de 2011, sucessor de "Lightbulbs", do qual fez uma breve passagem por "Uh" a ritmos sintéticos e vigorosos aos quais sempre nos habituaram. As revisões pelos albuns anteriores continuaram, neste caso com "Collarbone" e "In One Ear & Out The Other" sendo esta última do album de 2006, "Transparent Things".
Fujiya & Miyagi focaram o alinhamento no novo album como seria de esperar. As revisões foram constantes, as sonoridades sempre ecléticas e dançáveis tanto de uma forma coordenada como energética e compulsiva, com distorções de guitarra com as quais Steve Lewis (Fujiya) se divertia particularmente, e com um sorriso sempre presente em David Best (Miyagi) que parecia não estar à espera do entusiasmo evidente dos espectadores em qualquer parte de sala.
O ponto alto da noite surgiu já no encore com "Ankle Injuries" onde a banda se mostrou veemente e satisfeita pelo reconhecimento notável de músicas dos álbuns anteriores e pela aceitação e intensidade com que o público recebeu com agrado "Ventriloquizzing".
Improvisos ensaiados que deixaram o público soberbo e em êxtase, onde mais uma vez, David Best divagou pelo Music Box com as suas distorções de guitarra. Com sintetizadores e teclados ligados, a banda despediu-se do público com "Electro Karaoke" e "16?" sendo que as últimas três músicas foram interpretadas com fragmentos umas das outras, intersectadas num ambiente mais intenso e de grande consideração que não deixou ninguém imune.
Para o encerramento de mais uma noite do Music Box Series seguiu-se Tiago Santos em DJ Set com passagens pelo soul e reggae que incitaram a sala para o encerramento da Heineken Series #2.
Reportagem Jameson Urban Routes – 22 de Outubro
Oct 24th
Mais uma noite do festival Jameson Urban Routes, que já conta com cinco edições, na qual fomos presenteados com uma noite promissora: os portugueses Throes + The Shine abriram o palco do Musicbox, seguidos pelos muito esperados HEALTH, numa noite explosiva de qualidade musical. No entanto, se o cartaz era apetecível, não foi total a comparecência dos portugueses na sala da baixa lisboeta. Sinais da crise, possivelmente.
Comecemos com os grande entertainers da noite: os The Throes + The Shine, com a sua ultra fórmula especial, transformaram o Musicbox numa sala de dança, durante pouco mais de meia hora. Uma combinação e aliança algo improváveis, se podemos afirmar: por um lado, os The Throes, atiram-se de cabeça num rock puro e duro electrificante, por outro, os The Shine trazem os ritmos e versos do kuduro de Angola aos lisboetas. Se em papel certamente soa estranho, ao vivo a conversa é outra, pois os dois géneros musicais funcionam de forma excelente, sempre em harmonia. O público também foi facilmente convencido, guiado por Diron Romão e André do Poster, os dois vocalistas que nunca paravam, nem deixavam parar. Um público bem entusiasmado que dançou bué e até "cuiou" é sempre bom sinal e, depois da actuação bem conseguida no festival Milhões de Festa, estes audazes rapazes bem podem dizer que a missão, no Musicbox, foi cumprida.
Uma boa primeira parte geralmente antecede uma excelente segunda parte, e nesta noite, não houve excepção. Ora, os HEALTH de Los Angeles são tudo menos entertainers, mas o que lhes falta em interacção com o público, compensam com a sua música: é uma descarga destrutiva de noise rock bem intercalado com o electrónico que gerou o caos no público. "Nice Girls" é o primeiro tema escolhido e a distorção barulhenta é tanta que se sente no estremecer do peito e dos ouvidos, apenas suavizadas pela voz etérea de Jupiter Keyes. Assim, lança-se a euforia dos portugueses.
Não são estranhos a Portugal, já tendo passado pelo Santiago Alquimista no passado ano, no entanto, a qualidade das suas performances nunca é diminuta. A experiência e a técnica no manuseamento dos seus instrumentos, especialmente a bateria infecciosa de BJ “SexFace” Miller, impressiona e é certamente a base dos concertos dos HEALTH. São estóicos, mas balanceiam-se ao som das músicas: o baixista John Famiglietti parece impenetrável ao bambolear os seus longos cabelos, e é, definitivamente, uma enorme presença em palco, tanto literal como figurativamente. Numa noite recheada de momentos memoráveis, o primeiro foi certamente a versão de "Crimewave", mas "Die Slow", "Death+" e "Triceratops" não desiludiram, sendo catalisadores de uma turbulência crescente no público. Sim, porque euforia nunca lhes faltou, recorrendo ao crowd-surfing e mosh controlado para fazer do concerto dos americanos uma autêntica festa – juntou-se até Famiglietti, já em "USA Boys", que se lançou para os portugueses como adorado entre os adoradores.
"Courtship" marcou o final de um concerto explosivo, mas marcou também a impressão de uma crescente qualidade musical na banda de Los Angeles. Com ::Disco2 e até com Get Color, os HEALTH encontram-se mais definidos, mais concentrados na melodia e na estrutura dos temas, e arriscamos mesmo a dizer mais calmos qb – é certamente uma mudança que se aplaude entusiasticamente.
Espera-se, então, um rápido retorno para uma repetição do noise rock no seu real expoente máximo.
Texto: Teresa Silva
Reportagem Boris no MusicBox
Jun 28th
A última passagem dos Boris por Lisboa já tinha deixado marcas. Na altura trouxeram os Growing até ao Lx Factory, e hoje, 4 anos depois, aliaram-se aos Russian Circles, que pisaram aquele palco o ano passado e aos Saadepara encher o Musicbox. Uma equipa forte que mostrou andar nestas lides do rock pesado já há muito tempo.
Depois de um concerto no Porto, Lisboa plantou-se em frente ao pequeno palco para assistir à tripla maravilha.
Os Saade fizeram as honras de abertura da noite. Projecto de guitarra e bateria, fez o que pode para combater o som escasso que lhes foi destinado no micro. Com alguma timidez, mostraram um rock barulhento, a dois, que serviu o propósito que trouxe os checos até terras lusas – o de abertura de dois grandes.
Seguiu-se o trio de Chicago, os Russian Circles, ainda com Geneva a gastar os últimos cartuchos e Empros no horizonte. Já se conhece a calma misturada de caos dos Russian Circles, já por três vezes (pelo menos) tivemos oportunidade de o comprovar, e dessas três vezes assistimos à mestria na guitarra de Mike Sullivan, que a vai arranhando com a maior descontracção possível. Tivemos espaço para uma viagem por toda a discografia, e "Death Rides a Horse" colmatou uma excelente prestação.
Chegou altura de cabeças de cartaz.
Só este ano, os japoneses lançaram 3 álbuns, justificando-se assim os 4 anos de ausência desde Smile, e a justificar igualmente a escolha de setlist, destinada essencialmente a Heavy Rocks, Attention Please e New Album. Os Boris decidiram que a noite era de rock e assim foi. Entre "Riot Sugar" e "Attention Please", houve espaço para mosh, empurrões, exibições de double neck bass guitars para mostrar que a pequena Wata se safa atrás da guitarra – se provas eram necessárias. Michio Kurihara, continua a esconder-se timidamente atrás de Takeshi, como se ser guitarrista dos Ghost não fosse razão suficiente para se deixar ver.
A setlist não foi demorada. "Party Boy" e "Spoon" deixaram ver a voz da guitarrista, e as alongadas "Missing Pieces" e "Aileron" fizeram a despedida, sem sombra de regressos para encores – não faz o género dos Boris regressar para um público com membros que até minutos antes de abandonarem o palco, estavam de joelhos a sentir as 3 guitarras e a pujança do baterista. Soou o gongo, como que toque de saída.
Quem há quatro anos os viu, sabe que esta não foi a sua melhor prestação. Foi no entanto uma noite bem passada, como não podia deixar de ser.
Para a próxima, esperamos que os quatro sigam o exemplo de Atsuo, metam o micro na orelha e mostrem mais j-pop para um público de raparigas histéricas.
Reportagem Long Distance Calling – MusicBox
Jun 9th
Noite sem palavras, mas em que as guitarras tudo disseram, num Musicbox bem composto em noite de Domingo. Viam-se pela sala fãs de Löbo, fãs de Long Distance Calling, todos eles fãs de música que vive do som e não de palavras, que envolve com muralhas de som e não com vozes.
Os Löbo, quarteto português, foram os primeiros e acabariam por ser os melhores. Intensos e poderosos ao vivo, com coordenação quase perfeita entre os quatro membros (sofreram recentemante mudanças na formação, e as falhas que têm rapidamente serão corrigidas pelo maior remédio de todos: o tempo) na criação de um som envolvente e, por vezes, arrepiante.
Não são post-rock, não são metal, não são doom, nem são nada que encaixe num género; são uma rajada de ar fresco, a fazer numas vezes os Swans, noutras os Godspeed You! Black Emperor, mas sempre soando únicos. Tudo é unido pelo excelente baterista (que, com aquela energia, parece que a qualquer momento vai saltar do instrumento e atirar-se ao público), e pelas teclas, que criam as melodias que vão sendo depois preenchidas de forma perfeita pelo baixo e guitarra, em sintonia.
As músicas são longas, envolventes, num crescendo directo que nunca brinca com as expectativas e vai sempre em direcção ao que quer. As explosões não são repentinas, mas antes planeadas e impressionantes na forma como ocorrem. Talento ali não falta; deram o concerto da noite, e agora resta esperar pelo crescimento inevitável. Mais prática, mais tempo a tocar todos juntos, e chegarão num instante àquilo de que já se aproximam: uma grande banda. Quem os for ver ao vivo sem os conhecer, sairá agradavelmente surpreendido; quem os for ver já tendo ouvido o excelente Älma, único EP da banda até agora, sairá com expectativas confirmadas e até superadas. E, seja qual for o caso, a vontade de os rever impera.
Os Long Distance Calling, o segundo quarteto da noite que chegou não muito depois, mostraram-se competentes, energéticos, mas mais genéricos e menos impressionantes. Um post-rock mais hard (ou doom, ou seja lá o que for), sempre directo e apostando em guitarras fortes e simples e não em camadas de som, como se poderia esperar.
Perto de hora e vinte minutos de energia pura, com um público sempre convencido e envolvido, agradecendo com um headbanging suave que acompanha aquela bateria (excelente e impressionante, tal como o que já antes tinha pisado o palco) e aquelas guitarras. Um dos guitarristas é claramente o mais carismático e caricato do grupo: vai correndo pelo palco, aproxima-se da berma com língua de fora, e não fica um segundo parado.
Arecibo, por exemplo, é duma energia que contagia facilmente os presentes, mas nunca deixa de soar a algo que já ouvimos antes. São óptimos no que fazem, mas sente-se o que já se sentia em disco: um potencial que não está ainda totalmente explorado, uma banda que pode ir mais além. O concerto esteve longe de desiludir, e nunca esteve abaixo de entusiasmar minimamente, mas espera-se agora que continuem a evoluir e que em breve cheguem a um patamar superior. Por agora, ficamos com este belo concerto que, mesmo deixando um sabor familiar na boca, mostrou uma banda de qualidade.
Dois belos concertos, o primeiro melhor que o segundo, de duas bandas que trabalham o som de formas diferentes (os Löbo atrevem-se a experimentar mais e a esticar ao máximo as suas canções, enquanto que os Long Distance Calling vão por um caminho mais directo), mas de formas igualmente satisfatórias.
Ambas as bandas podem chegar mais além, e ambas têm um inegável potencial que o tempo há-de explorar da melhor forma. Por agora, ficamo-nos com esta óptima noite, em que guitarras e baterias disseram tudo o que havia dizer, e em que as muralhas do som envolveram de excelente forma todos os presentes.
Desilusões, essas, dificilmente terão havido.
Passatempo Jameson Urban Routes
Oct 14th
A música urbana e de fusão vai invadir Lisboa nos dois próximos fins de semana. Jameson Urban Routes irá decorrer no MusicBox dias 21, 22, 23, 29 e 30 de Outubro e tu não vais querer perder esta festa.
O Festivais de Verão em parceria com a MusicBox tem 3 bilhetes duplos para te oferecer para cada um dos dias deste grande festival.
No primeiro dia do festival, dia 21, no qual a entrada é livre podes contar com You Can’t Win Charlie Brown em concerto pelas 22h30, seguidos por Casiotone for the Painfully Alone pela meia-noite e a fechar DJ Ride Showcase às duas da matina em DJ Set.
Dia 22 é a vez de Tó Trips às 23h30 em concerto, Louie Austen segue-se às 00h30 em Live Act, The Correspondents chegam as 2 horas também em Live Act e a encerrar a noite que já vai pela madrugada dentro Me Dá Só Sangue a partir das 3h30 em DJ Set.
Noiserv abre o dia 23 pelas 23h30 em concerto. Toro y Moi chegam dos Estados Unidos pelas 00h30 com o seu pop experimental; os espanhois El Guincho fazem o seu Live Act a partir das 2 e a noite encerra com Bigfoot Soul Club em DJ Set a partir das 3h30.
No fim de semana seguinte, o dia 29 abre com Marina Gasolina em concerto pelas 23h30. Segue-se WhoMadeWho pelas 1h30 e Jimmy Edgar em Live Act pelas 3 da matina. Hang em High encerra a noite pelas 04h em Dj Set.
O último dia desta grande festa decorre a 30 de Outubro e só começa às doze badaladas. Nicola Conte abre a noite em concerto pela meia noite, Marc Hype junta-se a Jim Dunloop para um Live Act que tem inicio pelas 2 horas e a fechar em grande os The Groovy Kids iniciam o seu Live Act pelas 3h30.
Tal como referido a entrada é livre no primeiro dia (21 de Outubro) e os bilhetes para os restantes dias custam 12 Euros com oferta de um Jameson.
Vencedores SBSR Preload
May 20th

Foram esta noite conhecidos os vencedores da edição de 2010 do Super Bock Super Rock Preload.
Este concurso destina-se a identificar talentos da música nacional, reconhecendo e premiando as três melhores bandas de garagem inscritas com uma actuação no Festival Super Bock Super Rock 2010. As 10 bandas escolhidas pelo público e posteriormente colocadas à prova em duas eliminatórias foram: Malcontent, Stereo Parks, Robot Dealer, The Daughters of Lot, Caducados, Tulipa, GODMEN, GOTA, Indigo e Unified Theory.
O júri composto por Zé Pedro (Xutos e Pontapés), Alex (MusicBox), Jwana Godinho (Musica no Coração) e pela Super Bock premiaram Malcontent, Stereo Parks e GODMEN com actuação na 16ª edição do Super Bock Super Rock.
O preço do bilhete diário é de 40 Euros e o passe para os 3 dias custa 70 Euros com campismo incluído. O campismo estará aberto desde o dia anterior (15 de Julho) até um dia depois do Festival (19 de Julho). Autocarros gratuitos para a praia farão ainda o percurso Festival – Praia do Meco – Festival.
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