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Reportagem Adam Green
Mar 5th
Mais uma noite de concertos no Santiago Alquimista, depois de The Fiery Furnaces e The Album Leaf, na semana passada. Coube a Adam Green, pioneiro do anti-folk e antiga metade dos The Moldy Peaches, encher a casa (ou não), na primeira vez que actua em Portugal com banda.
Deu as honras Ish Marquez, que, ao apresentar o seu novo disco "Ahab’d Again", presenteou uma experiência surreal musical. De guitarra em punho, o nova-iorquino, certamente sob influências, subiu ao palco e de tudo fez: ora não acertava com o cabo da guitarra nem nas suas cordas, ora parava a meio das músicas para vociferar as letras à tímida (e única) fila da frente, rosnando-lhes pouco depois. Se a recepção não era a melhor, Marquez parecia bastante satisfeito, afirmando que era um prazer tocar em Portugal e que o Alquimista estava cheio de “gente bonita – beautiful!”. Uma alma criativa, portanto.
Se o quadro parecia feio, depois de tal abertura, Adam Green dispôs-se a agitar as massas logo que entrou. Ora, Green parece ter um carisma incontornável, equilibrando uma voz de crooner com o instrumental muito 70s, especialmente nos temas do último trabalho, Minor Love (2009), não deixando, no entanto, de ter um pézinho no acústico de singer/songwriter.
Foram muitos os amores menores – “Cigarette Burns Forever” começou em grande, em “Give Them a Token” e “Boss Inside Me” Adam assemelhava-se a um Leonard Cohen muito mais novo e suado e em “Goblin” interagia com a multidão. Saltava, dançava, fazia crowd-surfing e espalhava amor pelos fãs fronteiros, sempre numa boa disposição e imprevisibilidade constantes.
No entanto, muitos outros momentos foram dignos de realce: os saltos à coelho em “Bunnyranch”, as histórias sobre MC Hammer e o casaco de cabedal usado mais de 40 vezes em palco, tal como a muito pedida “Carolina” e o êxito de homenagem a “Jessica” Simpson. Uma versão de “What a Waster”, dos britânicos Libertines, coloca Green na boa fé de alguns fãs agitados, mas como não poderia?
Kings of Convenience @ Col. Recreios
Nov 5th
Poucas bandas enchem uma sala de espectáculos como os Kings of Convenience encheram o Coliseu lisboeta ontem à noite: quer de legiões de fãs que acarinham a banda norueguesa, quer de calor e de um à vontade em palco característico da mesma e que não deixa ninguém indiferente.
Lançados na música graças ao seu Quiet is The New Loud, editado em 2001, Eirik Glambek Bøe e Erlend Øye deliciaram com o seu acústico pop, ora melancólico, ora alegre contagiante, os inúmeros devotos das melodias suaves e quase faladas. Mais do que o reportório agradável, mas não muito original, de influências folk e bossa nova, os músicos são quem sustentam o espectáculo, trazendo uma aura carismática e bem-disposta ao palco e a todo o Coliseu dos Recreios.
Com "My Ship Isn't Pretty", do recém lançado Declaration of Dependence, começam o espectáculo - Øye e Bøe entrecruzam floreados vocais e de guitarra, sempre com um sentimentalismo e suavidade afectada. Numa noite intimista, os noruegueses percorreram a mão cheia de hits esperados, como "Misread", "I'd Rather Dance With You", "I Don't Know What I Can Save You From", com especial destaque para a mágica "Homesick" ou mesmo "Know How", originalmente partilhada com Feist. Porém, a sua ausência não é notada, pois, a dupla é versatil ao trocar de instrumentos e trocar impressões e no desenrolar da noite, movem de forma progressivamente maior as massas lisboetas. Num concerto que parecia extenso pela quantidade de músicas tocadas, houve ainda espaço para "Corcovado", originalmente de Tom Jobim, na qual Bøe se safa muito bem no português e Øye serve de instrumento de sopro humano.
Verdade seja dita, quem brilhou intensamente na cidade de Lisboa foi esta metade dos Kings of Convenience - Øye é entertainer nato, pantera cor-de-rosa fingida, sempre com uma tirada divertida debaixo da lingua, pronto a fazer dançar, cantar, assobiar e bater palmas (só à frente, que atrás causa distúrbio). Convidados a subir ao palco, os corajosos fãs não têm descanso, pois o primeiro convida-os para uma competição de dança e estes não ficam de pé atrás. É encanto, claramente.
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Rodeados por uma maré de fãs, no final do concerto, é fácil perceber o porquê do sucesso desta banda ao presenciá-los ao vivo, na sua quarta vez em terras lusas... pois não fosse o pop acústico a atingir-nos o coração, seriam os seus executores, que, num jeito descontraído e tranquilo, conquistam qualquer um.









