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Reportagem Yes no Coliseu dos Recreios
Nov 5th
Casa praticamente lotada a 3 de Novembro no Coliseu dos Recreios em Lisboa, para o primeiro espectáculo da tour europeia dos britânicos Yes. Pela segunda vez na história da banda sem Jon Anderson, Chris Squire conseguiu encontrar um substituto à altura em Benoît David, através de vídeos da sua banda de tributo aos Yes, Close To The Edge.
Início de luxo com "Yours Is No Disgrace", "Tempus Fugit", e "I've Seen All Good People", com o veterano Steve Howe a mostrar o seu virtuosismo na guitarra. Seguiu-se "Life On A Film Set", naquela que foi a primeira incursão pelo recentíssimo Fly From Here, para logo depois se regressar a um passado longínquo com "And You And I" da obra Close To The Edge, um dos álbuns mais marcantes da banda.
Mas nem todos os temas podem ser retirados da nostalgia do século XX. Como tal, após um belíssimo interlúdio com solo acústico de Steve Howe, altura de mergulhar profundamente no novo álbum com o tema que lhe dá nome, "Fly From Here". O concerto viria a terminar com "Owner Of A Lonely Heart",
"Machine Messiah" e "Starship Trooper", mas não sem que o quinteto regressasse ao palco para presentear a plateia lusa com "Roundabout", para fechar uma actuação de duas horas e meia.
Depois de mais de quarenta anos a fazer música, os Yes acumularam experiência, e sabem como ninguém organizar um alinhamento inteligente, que nos leva numa viagem interminável pelo rock sinfónico.
Foi um concerto para assistir sentado e aplaudir de pé.
Reportagem PJ Harvey – Aula Magna
May 28th
Por duas noite, Polly Jean apresentou-se aos lisboetas, na Aula Magna. Duas noites lotadas e justificada pelo espectáculo incrível da britânica, agora mais amadurecida e aparentemente mais calma.
Deu entrada no palco escuro, encortinada num vestido rosa que foi uma das peças mais evidentes no ambiente quase poético do palco. Sempre distanciada fisicamente do resto da banda, PJ Harvey dedilhava a sua cítara, iluminada por uma foco directo de luz que lhe encandeava meio corpo. Com ela, trouxe o último Let England Shake, apesar de o seu repertório ter ficado bem representado ao longo das duas noites.
Durante The Devil, era inevitável a pele de galinha enquanto PJ se passeava pelo palco exibindo uma voz como nenhuma outra. Momentos como este iam-se repetindo ao longo do concerto, como de resto acontece com a audição dos albuns.
The Sky Lit Up e Let England Shake deixaram-na mostrar os seus dotes de guitarra, enquanto durante The Pocket Knife acompanhava a banda – invejável, diga-se - com o bater dos pés e a deambulação pelo palco. Sempre à esquerda, nunca se chegando aos companheiros de viagem, ou enteragindo com o público (apesar dos pedidos), tudo isto deu solidez à actuação, e evidenciou a sua maneira de estar num palco.
Bitter Branches deu espaço a que uma das vozes masculinas do trio acompanhasse a voz doce de Polly, cujos agudos atingiram o pico durante On the Battleship Hill. O ambiente quase teatral, com os armários a suportarem os teclados e a fazerem cenário (descompensado pelo fundo) teve outro alento durante Down by the Water, com os coros e ecos da banda.
A cítara voltou a entrar em cena para C'mon Billy e despedem-se com Colour of the Earth, aplaudidos por uma plateia em pé, mais que composta e bastante paciente. O encore demorou, mas chegou em força e voltou a ser o momento mais bonito da noite. PJ regressa ao palco arrastando o seu vestido de forma elegante e dá início a The Piano, seguida de Angelene, bem encorpadas, mas nada como Silence para terminar um concerto em tudo perfeito, e os arrepios voltavam.
Será que é possível não ficar com lágrimas nos olhos durante esta performance?
Duas noites pareceram pouco para o que queríamos ouvir.
She definetly let us shake.
King Khan & The Shrines no Sudoeste TMN 2011
Jan 15th

Os King Khan & The Shrines são o mais recente nome para o Festival Sudoeste TMN 2011, ao que o Festivais de Verão conseguiu apurar. King Khan & The Shrines voltam assim ao nosso país, depois de terem estado no ano passado no Barreiro Rocks e no Festival Med.
Segundo a mesma fonte, estes vão actuar no dia 6 de Agosto no Palco - Planeta Sudoeste.
A banda foi fundada em 1999 é conhecida pelas suas travessuras impressionantes em palco. Mais recentemente em 2008 lançaram o sétimo álbum da banda intitulado "The Supreme Genius of King Khan and the Shrines".
Fiquem com um excerto da reportagem feita o ano passado no Barreiro Rocks:
E que dizer sobre King Khan e os (auto-apelidados “sensacionais”) Shrines? Pouco há que este fantástico frontman não tenha feito na última década, desde os inícios no Canadá, com os Spaceshits, até às colaborações com Mark Sultan, em King Khan & BBQ Show, que lhe valeram uma maior exposição. Agora o formato é praticamente o de uma big band, com secção de metais, percussão, um teclista francês que faria tremer todo o séquito de Marylin Manson e aparentemente, a regra de que não pode haver uma mão livre em palco sem tocar pandeireta. ("El Napalmo" - Festivais de Verão)
O Festival Sudoeste TMN 2011 realiza-se nos dias 3, 4, 5, 6 e 7 de Agosto de 2011 na Zambujeira do Mar, na Herdade da Casa Branca.
O preço dos bilhetes é para já desconhecido.
Reportagem Rise Against – Lisboa
Jul 7th
Num abrasador 6 de Julho, o Coliseu abriu as portas para um espectáculo intensamente esperado. Rise Against eram o nome principal e Fitacola a banda de abertura.
Às 21h em ponto, o grupo português pisou o palco sob uma chuva de aplausos e gritos entusiásticos do nome da banda. Seguiu-se meia hora de alguns moshpits, saltos e muitas palmas. Mas eram Rise Against por quem o público aguardava. É inegável o grande número de fãs que existe em Portugal: até o vocalista dos Fitacola confessou já ter o bilhete comprado quando lhe ligaram a fim de lhe propor a actuação na primeira parte.
O número de presentes crescia. Os Rise Against não conseguiram encher o recinto, mas estiveram perto. Pelas 22h, as luzes apagaram-se e o Coliseu (pelo menos a parte que estava sentada a guardar e recuperar energias) levantou-se e a euforia tomou conta do espaço. Corpos semi-nus abriam caminho para chegar à frente, onde o calor se tornava quase insuportável. Aplausos e palmas receberam a banda de Chicago, que já puxava pelo público, aos saltos.
Passaram-se 7 anos. É demasiado tempo, afirmou o vocalista Tim McIlrath. Apesar disso, Portugal não foi esquecido pela banda, assegurou. Desde a primeira e última vez em Portugal, em 2003, os fãs passaram por mais três álbuns que certamente contavam ver ao vivo. E assim foi, já que não houve qualquer vestígio do álbum de estreia de 2001, The Unraveling.
Collapse (Post-Amerika) fez as honras. O público reorganizava-se e por toda a parte se viam grupos de amigos a dançar, com uma alegria e energia contagiantes. State of the Union acelerou o ritmo ainda mais. Tim apanhou uma bandeira portuguesa em pleno voo, que colocou na guitarra, onde permaneceu até ao final. A empatia entre banda e público era evidente. Re-Education (Through Labor), a seguinte, foi uma entre muitas favoritas que se lhe seguiriam.
Espalhados pela plateia em pé e pelas bancadas laterais (quase cheias), os fãs entoavam as letras sem falhas e agitavam os punhos no ar. Gritavam “Rise”, a pedido da banda, após uma estimulante The Good Left Undone. Enquanto t-shirts voavam pela audiência, os moshpits não cessavam e os crowdsurfings abundavam, Zach Blair apresentou breves solos de guitarra capazes de contagiar qualquer um, como foi o caso durante Drones.
Audience of One foi dedicada ao público mas seria Savior uma das protagonistas. A letra não falhou a ninguém e as bancadas esvaziaram um bocadinho, numa espécie de êxodo cujo destino era o centro do recinto. Feliz por voltar a Portugal, Tim expressou a admiração da banda relativamente ao historicismo da cidade lisboeta, em oposição à falta do mesmo na sua cidade. O desagrado perante as centenas de McDonald’s e Starbucks por ela espalhados era evidente e o facto de a nossa história ter sobrevivido encantava-o. E foi mesmo Surviver que seguiu na lista.
Prayer of The Refugee assinalou outro ponto alto, antes de um breve encore. O Coliseu tremia e abanava debaixo de centenas de pés aos saltos e palmas vigorosas, mas por momentos pareceu transformar-se num estádio, recheado de cânticos em homenagem ao Benfica. Gostos e clichés culturais postos de lado, a audiência recebeu de novo Tim, desta voz sozinho. O vocalista cantou Swing Life Away – que lhe trazia recordações de Verão – perante um mar de corpos que balouçavam ao som da música, com isqueiros a acompanhar aqui e ali. O tom mais calmo do concerto manteve-se com Hero of War – durante a qual os restantes membros entraram – interpretada com uma emoção que se fez sentir em todos e cada um dos presentes.
Antes de Entertainment, Tim agradeceu a todos os que ali se encontravam, a toda a lealdade ali demonstrada, sobretudo no cartaz gigante colocado nas grades em frente ao palco. O tema acelerou a multidão, mas foi Give it All que voltou a atingir novos picos de energia. Foi então que os primeiros tons da última música se fizeram ouvir. Ready to Fall entrou em cena sob luzes laranjas, em jeito de pôr-do-sol para um concerto que chegava ao fim.
Rise Against conseguiram esgotar saltos, assobios, gritos e aplausos e a promessa de um encontro em breve foi proferida por Tim.