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Posts tagged Guitarras
Reportagem Fu Manchu
Feb 6th
Passados que estão quase 4 anos, desde a vinda dos Fu Manchu ao então mítico Paradise Garage, numa altura em que os Valient Thorr ainda não eram meninos para virem sozinhos e com um We Must Obey acabado de sair do forno, os californianos voltam desta vez ao Santiago Alquimista.
Os nortenhos tiveram mais uma vez de descer à capital para ouvir uma das melhores setlists que podiam ter escolhido, uma vez que a apresentação de Signs of Infinite Power já vem tardia.
A primeira parte ficou a cabo dos Miss Lava que brindaram o público com uma cover de Kyuss pelo meio da amostra de Blues for the Dangerous Miles.
Hell on Wheels iniciou uma noite que se previa épica, seguida de Open Your Eyes. A presença do último álbum ficou marcada por Bionical Astronauts. A mestria dos stoners era evidente, mesmo com os enérgicos headbangs em palco de Scott Hill. As guitarras afinadas em grave inundavam o Alquimista.
California Crossing e uma viagem a 1995 com Sleestak fizeram maravilhas. No entanto a colaboração do público só viria a atingir o seu pico uns momentos mais à frente, transporta que estava a barreira com The Falcon Has Landed, El Busta e Superbird. Em King of the Road do álbum homónimo, imergiu o mosh que faltou em quase 40 minutos de concerto. Signs of Infinite Power e Hung out to Try fecharam a primeira parte.
De regresso ao pequeno palco, agora meio invadido por lisboetas, nortenhos e por outras partes de Portugal, ainda que a sala não estivesse completamente cheia, ouviu-se Boogie Van e Godzilla. Apesar dos pedidos, não se fugiu ao que dizia o papel no chão. Ficou a faltar, por exemplo, Written in Stone e We Must Obey.
Reportagem Festival Barreiro Rocks
Dec 13th
Volvidos 9 anos desde o seminal Pachuco Fest, eis que o Barreiro recebe nova edição do festival mais aguardado por roqueiros de todas as estirpes.
Cidadãos pacatos, amantes da ordem e dos bons costumes abstenham-se de ler as próximas linhas. Falamos do fim-de-semana de concertos que já reuniu à beira-rio nomes tão sortidos como Billy Childish, Gallon Drunk, Black Lips, Speedball Baby, Andre Williams e os magníficos Goldstars ou mesmo as participações portuguesas de Vicious 5, Legendary Tigerman e Parkinsons. Posto tudo isto, senhoras e senhores, 11 e 12 de Dezembro foram as noites do irredutível Barreiro Rocks, versão 2009.
Dia 11
O "estágio" tivera já início com a exposição de pintura psicadélica de Bruno Contreira, e também no bar Alburrica com o habitual DJ Shimmy, directamente de New Jersey para a alfândega da Portela, onde não lhe confiscaram as malas cheias de apetitosos 7 polegadas.
Mas coube aos Singing Dears, também na qualidade de anfitriões, a honra de partir o champanhe inaugural nos Ferroviários do Barreiro. Rock bem "garageiro", sempre a piscar o olho a Detroit, com o maestro Nick Nicotine na bateria a transmitir toda a fúria de Thor aos seus comparsas. Com "Come along with me" já a rodar em algumas rádios, é de ficar atento à "banda que há um ano não existia".
Competia agora aos Destination Lonely a dupla tarefa de não deixar arrefecer os ânimos e de refutar aqueles que ainda pensam que os franceses não nasceram para o rock. Talvez com um toque mais bluesy do que o apresentado três anos antes, ainda com os Fatals, agitaram as hostes com o seu ataque duplo de guitarras. Pausa para o eterno cicerone do festival, o melífluo crooner Vieira, apresentar ao som de "Delilah" uma das bandas mais esperadas da noite.
Tokyo Sex Destruction é um nome que já dispensa apresentações, passados cinco anos, quatro discos e um impressionante número de concertos desde a primeira passagem por Portugal. Os ânimos começam, sem dúvida, a aquecer com este quarteto, exímio no revisitar do espírito garage e da soul dos anos 60. JC Sinclair é mais um vocalista que não resiste à tentação de se pendurar nos espaldares do pavilhão dos Ferroviários, embrenhando-se na plateia que prontamente se fez ouvir através do seu microfone. Sem dúvida, um dos momentos da noite.
Hora dos cabeças de cartaz. Longe vão os tempos dos Gun Club, Cramps e Bad Seeds, mas não foi isso que impediu Kid Congo Powers e os seus Pink Monkey Birds de recuperarem clássicos como "Sex Beat" ou "Goo Goo Muck", enquanto faziam desfilar temas do mais recente trabalho "Dracula Boots". Tudo envolto num clima de rumba e com Kid Congo a espicaçar a festa, com requintes de toreador. A rever num ambiente mais luminoso.
Fôlego ainda para a after-party onde D-66, homem-orquestra londrino, e os míticos Los Santeros fizeram de tudo para não embalar no sono os últimos resistentes. Amanhã há mais.
Dia 12
E começa bem, a acelerar desde Alcobaça, com os Shake Shake and Show me Your Pussy. Boas malhas à la Black Rebel Motorcycle Club e refrões electrizantes, sem se deixarem intimidar com esta passagem para um palco maior. Os Gift já têm concorrência no mapa. Os barreirenses Sullens continuam o rodeo com o seu country-punk bem regado a Jack Daniels, brindando ainda o público com uma versão frenética de "T.V. Eye" dos Stooges.De Espanha, chegam-nos Jon Ulecia & Cantina Bizarro, reduzidos a trio por "lesão" do guitarrista Dani Ulecia. Dignos representantes do ecletismo australiano dos Birthday Party ou Kim Salmon, nada os impediu de embarcar numa viagem mais íntima, mantendo um pouco o ambiente country e baladeiro, que interrompiam sempre que possível com descargas imprevisíveis e sempre bem-vindas de fúria.
Ambiente perfeito para a entrada de Tav Falco, o renegado do psychobilly, e a mais recente encarnação dos Panther Burns, que seduziram os presentes com a sua reciclagem de standards do rock n' roll. Com direito a dançar o tango com uma das coristas, Falco transformou durante cerca de uma hora o velho pavilhão num cenário de baile de liceu, daqueles que se vêem no "Enchantment Under The Sea Dance" do "Regresso ao Futuro".
Quem não esteve para melodias açucaradas foram os barcelenses ALTO!, que não "pararam o baile" na after-party, com a táctica bem definida para pôr pescoços mais frios a mexer e pulverizar os tímpanos incautos. Uma das melhores actuações de todo o festival.
São 5 da manhã... Os Los Chicos ainda vão tocar. Mas há dúvidas? Festa rija até de manhã, com nuestros hermanos de Madrid, já batidos nestas andanças, a premiarem os bravos que ficaram até ao fim.![]() |
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Prémio também para a longevidade deste festival, que tem vindo assiduamente a trazer para o "deserto da Margem Sul" nomes que dificilmente se veriam em qualquer outro ponto do país.
Reportagem Rammstein @ Pav. Atlântico
Nov 9th
O Pavilhão Atlântico vestiu-se a rigor para rever os alemães Rammstein, já bem conhecidos do público português. Os noruegueses Combichrist ficaram encarregados de abrir o concerto e não desiludiram. Inicio com notas quase circenses para uma explosão repentina de luz e música ao som de "All Pain Is Gone", do mais recente álbum "Today We Are All Demons".
Com um arranque assim, os Combichrist não podiam parar, e assim foi. Pé no acelerador até ao final aproveitando para apresentar mais temas do último álbum, com êxitos anteriores à mistura. O tempo escasseava, mas antes imponha-se uma pergunta: "What The Fuck Is Wrong With You People?" foi a musica escolhida para fechar. Nota muito positiva para os Combichrist que deixaram o público de água na boca.
A tour de apresentação do novo e já polémico "Liebe Ist Für Alle Da" ia começar. 20 anos após a queda do muro de Berlim, são os Rammstein a quebrar um em Lisboa para que os lisboetas pudessem assistir a um concerto dos germânicos. Feixes de luz saídos das brechas feitas pelas guitarras de Richard Kruspe e Paul Landers, contrastavam com todo um fundo negro, que rapidamente se desfez, para que Till Lindemann quebrasse o centro do muro com um maçarico e cantasse "Rammlied", em tons de oração. Tema de abertura escolhido a rigor.
A aposta no novo álbum continuou com "B******** " e "Waidmanns Heil", e teve boa aceitação. Em noite fria, não faltou pirotecnia para aquecer o Atlântico e seguiram-se alguns temas de álbuns anteriores com destaque para "Feuer Frei". Em forma de sátira surgiram em palco Nenucos pendurados em ganchos.
Seguiu-se "Frühling In Paris", entoada fortemente pelo devoto público, que teve direito à graditão do vocalista bávaro. Num concerto à velocidade da luz, nem esta balada conseguiu travar o poderio da música dos Rammstein. Enquanto o teclista Christian Lorenz era espancado e quase queimado numa banheira onde Till despejou faíscas do cimo de uma plataforma em palco, ouviu-se "Links 2 3 4" e o clássico "Du Hast", que tiveram o condão de pôr o publico português especialmente participativo, novamente com o vocalista a agradecer. Durante "Links 2 3 4" Till e os dois guitarristas enfocinharam-se de um lança-chamas e literalmente dispararam fogo das suas bocas, o que levou até à presença de uma autêntica tocha humana.
Faltava a música mais polémica do último mês, e antes de recolher ao backstage, a banda acedeu ao pedido e tocou "Pussy", durante a qual Till controlou um canhão disparando espuma sobre as primeiras filas, aludindo claramente à letra do tema e assemelhando-se com os ornamentos no microfone. Os Rammstein presentearam ainda os portugueses com dois encores, em que dispararam quatro clássicos ansiados pelo público, aproveitando para mais um tema novo pelo meio. "Sonne", "Ich Will", "Seemann" e "Engel" fizeram as delícias dos presentes, que cantando (como aliás fizeram durante todo o espectáculo), se despediram categoricamente da banda. A banda de Berlim trouxe toda a bagagem consigo abrindoa tour em força, com um concerto que ficará na memória dos portugueses, não só pela música, mas pelos fogos e explosões ensurdecedoras e até por algum teatro feito ocasionalmente.
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Tudo encaixou na perfeição e os Rammstein provaram mais uma vez porque são uma das melhores bandas ao vivo do momento.
Reportagem Festival Paredes de Coura
Aug 3rd
29 de Julho
Desde 1992 que Paredes de Coura tem sido o festival de verão com uma identidade mais definida, dedicando-se maioritariamente à projecção de bandas associadas aos experimentalismos ou a esse termo tão vasto chamado “música alternativa”.
Felizmente, a perda da Heineken como patrocinador principal não impediu que este ano se vissem as bandas certas nos momentos certos – The Horrors, Howling Bells ou The Pains of Being Pure at Heart são bons exemplos – nem se traduziu numa ausência de nomes de peso como os Nine Inch Nails ou os Franz Ferdinand.
Os fracos aguaceiros não conseguiram assustar os já muitos festivaleiros preparados para o primeiro dia. Com o palco principal ainda a receber os últimos retoques, tudo se passou no melhorado Palco After Hours (este ano quase em formato tenda), estreado pela country-folk dos conimbricenses Sean Riley and The Slowriders.
Sim, eles podem ser portugueses mas toda a sonoridade tem raízes na América profunda. A americana e Bob Dylan transpiram nas guitarras e teclados da banda, com a actuação a atingir o auge no bem recebido “Houses and Wives”.
A chegada dos Strange Boys indica que o espírito de Dylan não saiu de palco com os portugueses. Também se encontram pormenores de country e blues nestes putos texanos mas com um ligeiro toque punk, incutido pela voz rouca de Ryan Sambol, algures entre os tons adolescentes de Alex Turner dos Artic Monkeys e Ray Davies dos Kinks.
Os pormenores de garage rock em “Woe is You and Me” e os woo-hoos de “No Way For a Slave to Behave” foram dos momentos mais deliciosos de um concerto que reflectiu a experiência de uma banda de miúdos que anda pela estrada há 4 anos.
Percebe-se que nas primeiras filas há fãs ansiosos de Patrick Wolf, em contraste com alguns comentários jocosos mais atrás. Com um fato de abutre e acessórios à personagem do Mad Max, Wolf dá inicio a uma actuação que varia entre a folk depressiva dos primeiros álbuns – em “The Libertine” e “Wind In The Wires” - e a pop de cabaret tecnicolor dos mais recentes “The Magic Position” e “The Bachelor”.
Acompanhado por uma violinista, um baixista, um baterista e sons electrónicos, o espectáculo carnavalesco de Wolf torna-se visualmente mais interessante quando celebra a sua pop, seja no melhor, transformando-se numa diva que tem tanto de David Bowie como de Kate Bush, seja no pior quando se assemelha a um número moldavo do Festival da Eurovisão. Para o final ficaram “The Magic Position” e “Hard Times” acompanhados com riffs de violino, e a quase new-rave de “Battle” sem esquecer uma curta tentativa de “Gigantic” dos Pixies.
30 de Julho
Ao segundo dia, boas noticias: Aparentemente já não há salmonelas no Tabuão, permitindo mergulhos no rio. Pelo recinto de campismo, o efeito de Pavlov dos gritos de “f*d*-se!” até pode perder rapidamente piada, mas dão azo a reacções interessantes em palco. Enquanto os Supergrass respondem com “what? what? what?”, o inocente vocalista dos Pains of Being Pure at Heart entende-os como elogios.
O segundo dia acaba por ser o dia com o alinhamento mais certinho, pautando-se pelo indie rock britânico. A abrir o palco principal, os australianos The Temper Trap não escondem as suas influências: rock com pretensões para encher estádios na linha dos Coldplay e U2 onde não faltam os obrigatórios crescendos e refrões épicos. Raramente os australianos saíram do insosso, criando apenas algum interesse com “Sweet Disposition”.
Com a certeza de serem uma das bandas com maior hype para a edição do festival deste ano, os The Pains of Being Pure at Heart falharam ligeiramente as altas expectativas que traziam. Raramente os nova-iorquinos fizeram sentir que estávamos a ver algo de especial. Uma das possíveis explicações terá sido o volume sonoro não estar suficientemente alto para que a muralha sonora que polvilhava uma doçura pop - típica dos My Bloody Valentine - se pudesse experienciar.
As três guitarras não escondem as influências dos Jesus & Mary Chain, The Smiths e até mesmo da shoegaze dos Ride num concerto que teve o momento alto em “Young Adult Friction”. Talvez num espaço mais fechado soe melhor.
Após o brilhante concerto dos The Horrors, poucos se teriam lembrado que os recentemente nomeados para o Mercury Prize estavam presentes como banda de substituição. Com um visual que não tira nada a uns The Cure, liderados pelo vocalista Faris Badwan (um “if they mated” entre Bruno Nogueira e Peter Murphy) a banda tem se libertado lentamente de uma sonoridade garage em direcção a terrenos mais psicadélicos. Prova cabal: nenhuma música do primeiro álbum “Strange Hous”e fez parte do alinhamento.
Deste modo, “Primary Colours”, álbum onde o psicadelismo convive com o gótico e com o shoegaze, foi apresentado quase na íntegra. A muralha sónica de “Mirror’s Image” e de “Do You Remember” são bons exemplos desta sonoridade. Mas foram os desnorteantes 8 minutos de “Sea Within a Sea”, a finalizarem com sintetizadores hipnotizantes, que imortalizaram os Horrors como uma das melhores performances a passar pelo palco de Paredes de Coura.
É um pouco estranho chamar os Supergrass de veteranos, mas a verdade é que apesar de terem entrado há pouco na casa dos 30 anos, já andam nisto há quase 15. A estreia tardia da banda dos irmãos Coombes em Portugal foi recebida entusiasticamente por poucos mas bons conhecedores da sua discografia, apesar do esforço comunicativo do vocalista Gaz.
Com mais blues rock do que britpop, os Supergrass visitaram praticamente todos os álbuns, desde a já antiguinha “She’s So Loose” até o que foi um dos grandes momentos do festival: “Rebel In You” do mais recente Diamond Hoo Ha. Pelo meio não faltaram clássicos como “Moving”, “Grace” e “Pumping On Your Stereo” que mereciam um cantarolar mais entusiasta por parte do publico.
Mas todo o alvoroço estava aparentemente guardado para os Franz Ferdinand. Não é preciso muito para a banda de Glasgow arrebatar um público. Tudo sai natural ao carismático duo Kapranos/McCarthy. A máquina de fabricar singles até pode ter perdido algum gás no último álbum Tonight: Franz Ferdinand, mas isso não é nada que possa deter uma banda com uma colecção invejável de êxitos.
“The Dark of the Matinée”, “Do You Want To” e “This Fire” conseguiram levantar literalmente o pó do chão e durante o refrão de “Take Me Out” até se conseguiu vislumbrar um very light vermelho aceso no meio da multidão. Para o encore sobraram os la-la-las de “Ulysses”, e ainda “Michael” que contagiou todo o recinto excepto um jovem que sentado na encosta à esquerda do palco preferia ler o seu horóscopo.
Após a celebração épica dos Franz Ferdinand, coube ao synth-pop dos Chew Lips e aos Holy Ghost! da DFA de James Murphy continuarem a festa no Palco After Hours, com concorrência do já lendário DJ do Windows Media Player fora do recinto.
31 de Julho
Afirmar que os Nine Inch Nails foram a banda mais aguardada da história de Paredes de Coura talvez seja um exagero, mas a verdade é que o dia de sexta-feira bateu o recorde de assistência do festival registando oficialmente 22 000 pessoas. Já às 17h30 se fazia sentir alguma ansiedade, quando após se abrirem as portas do recinto, vários fãs dos NIN corriam pela encosta abaixo na esperança de conseguirem um lugar na primeira fila.
Comprovando que nem em tudo que Adolfo Luxúria Canibal toca é transformado em ouro, os Mundo Cão viajaram entre o assombro e o ridículo, tentando por vezes um stoner rock. Palavra chave: “tentando”.
Apenas “Morfina” conseguiu no final alguma reacção dos poucos presentes, mas ficou a sensação que a maioria dos aplausos surgiu por o concerto ter finalmente terminado. O resto do alinhamento só provou que há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável.
Logo de seguida, os Portugal, The Man não arrancaram muito mais interesse ao publico. Os artistas mais conhecidos de Wasilla, no Alasca, a seguir à comediante Sarah Palin, destilaram prog-rock dos anos 70 não escondendo também a influência dos Led Zeppelin e um falsete do vocalista John Gourley bastante colado ao de Andrew VanWyngarden dos MGMT. Tudo soa tão épico quanto aborrecido.
Também conhecidos por serem os White Stripes dos pobres, os Blood Red Shoes não adiantaram muio à festa. O indie rock do duo de Brighton, na linha de uns The Kills ou The Subways, falhou em contagiar uma assistência que obviamente apenas ansiava pelos Nine Inch Nails, apesar de ter surpreendido em alguns momentos. Pelo menos, não são tão insossos ao vivo como em disco.
Depois de Juliette Lewis em 2005 e de Maja Ivarsson dos The Sounds no ano passado, coube a uma ex-professora primária preencher o papel de “fresca” do festival deste ano. Não, não estamos a falar da taróloga Maya, mas de Peaches.
Com uma performance sexualmente explícita, a canadiana não chocou propriamente ninguém, mas conseguiu criar um bom espectáculo ao exigir ao público que despisse as t-shirts, ao simular relações sexuais com um andaime ou através dos 83 fatos que usou durante todo o concerto. Quanto à música propriamente dita: uma nulidade. Um electropunk ao nivel de vários outros projectos menores que apenas não merecem honras de palco principal por não terem o número de circo de Peaches.
E finalmente, o momento mais esperado. É certo que ainda em 2007 os Nine Inch Nails deram 3 concertos em Lisboa, mas a aparição deste ano revela uma maior ansiedade já que foi dramaticamente anunciada como a última tour da banda de Trent Reznor. Infelizmente, não é o regresso nem a despedida que se desejaria. Sem os carismáticos Josh Freese na bateria e Aaron North na guitarra, a actual incarnação dos NIN foi reduzida a quatro elementos. A saber: o retornado Robin Finck na guitarra, Justin Meldal-Johnsen no baixo e o ex-lostprophets Ilan Rubin na bateria. A ausência de um teclista também obrigou todos os membros a dividir tarefas pelos sintetizadores.
Quanto ao alinhamento, nada a apontar já que a discografia da banda de Reznor permite sempre uma excelente setlist. A destacar: as excelentes interpretações de clássicos como “Terrible Lie”, “March of the Pigs”, “Head Like a Hole” ou “Wish”. Infelizmente, parte do público demonstrou ser pouco tolerante com momentos mais calmos como numa “La Mer” com contrabaixo e xilofone. Para o final, a banda dedicou-se a temas mais recentes como “Survivalism” e a uma “The Hand That Feeds” ainda mais rock fm que a versão de estúdio, até fechar com a intemporal “Hurt”.
É mais do que certo que um concerto dos Nine Inch Nails nunca defrauda ninguém, porém, para uma tour que se quer de despedida, exigia-se uma composição de palco superior à assistida. Quando comparada com os muros luminosos da Fragility Tour de 1999 ou com o ecrã interactivo da Lights in the Sky Tour do ano passado, os strobes e holofotes que estiveram presentes em Paredes de Coura parecem lanternas. No entanto, quem viu os Nine Inch Nails pela primeira vez não se pode sentir desiludido.
A fechar a noite no palco After Hours, e acompanhados pelos primeiros chuviscos a sério, os franceses Kap Bambino – synth-pop regada a cocaína, na linha dos Crystal Castles – e os Punks Jump Up fizeram parca concorrência ao já citado DJ do Windows Media Player.
1 de Agosto
Após a tempestade dos NIN na noite anterior, era natural que tudo estivesse mais calmo no dia seguinte. Na praia fluvial, os campistas relaxavam ao sol enquanto se dava uso ao megafone para pedir um saca-rolhas. Megafones que são a melhor moda do festival deste ano, cuja capacidade para criar loops vocais permitiu imortalizar frases como “o segurança do Ecomarché tem a mania que é grande.” Porque em loop tudo tem piada.
Quando o projecto Foge Foge Bandido de Manel Cruz pisou o palco principal às 19h havia ainda menos público do que num jogo do Belenenses no Restelo. A maior curiosidade prendia-se em como Cruz iria transpor O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu que Estraguei para o palco. A resposta: com uma banda de cinco elementos onde se destacavam guitarras, bateria, banjo, xilofone, violino e sintetizadores. Apesar do lado mais experimental, canções como “As Nossas Ideias” contagiaram os mais atentos, apesar da maioria permanecer sentada.
No final, um momento inédito em Paredes de Coura. Pela primeira vez, uma banda teve direito a encore aceitando o pedido do público, apesar de não aceitarem uma solicitação para tocarem “Borboleta”. Ao invés, Manel e companhia responderam com os 11 segundos de “Mau Hálito”. Após o encore ainda aconteceu uma breve sessão de autógrafos ao lado do palco, onde uma fã demasiado ansiosa julgou estar prestes a desmaiar.
Existem várias bandas do indie rock espanhol a precisar de ser urgentemente descobertas pelos palcos nacionais. Nomes como os Nosoträsh, Los Planetas ou El Columpio Asesino. Os The Right Ons não são um desses nomes. Quem estava na frente bem celebrou com o seu retro rock – os bop-bop de “Thanks” são contagiantes - principalmente quando lhes foram distribuídas maracas, mas cá para trás ainda havia muito povo refastelado.
Os Howling Bells até poderiam ser a banda mais desinteressante de sempre que encontraríamos sempre um interesse em ver a banda em palco: a serpenteante dança da vocalista Juanita Stein, detentora do prémio para rapariga indie mais gira a pisar o palco de Paredes de Coura desde sempre. Mas a banda de Sydney via Londres também tem os seus interesses musicais.
Com um indie rock com toques de blues e electro dos anos 80 na linha dos The Duke Spirit ou de uns Black Rebel Motorcycle Club, os australianos apresentaram temas dos seus dois álbuns com destaque para os pa-pas de “Treasure Hunt”, para o riff descomunal de “Cities Burning Down” e para uma “Low Happening” que poderia se tornar num dos hinos do festival se a assistência não estivesse cansada/desencantada com a banda.
Pejado de um humor tipicamente britânico, Jarvis Cocker dava-nos as boas vindas ao espectáculo em bom português. Ironia foi o tom da actuação do maestro dos Pulp que começou por fazer erguer os braços do público através de uma aula de step, num concerto com uns pózinhos de stand-up comedy. Entre temas como “Further Complications” ou “Angela”, Cocker ainda nos conseguiu convencer que o saxofone não é um instrumento do demo com um rock à Blues Brothers de “Homewrecker!”
Pelo meio, Jarvis despiu o fato para gáudio das meninas presentes (uma das meninas chegou a oferecer umas cuequinhas ao senhor, que elegantemente colocou na sua lapela) enquanto se passeava por vários estilos, chegando mesmo a terminar a melhor actuação da noite com o disco sound de “You’re In My Eyes (Discosong)”. Certamente dedicado a todas as senhoras presentes.
Depois de um concerto dos The Hives só podemos nutrir dois sentimentos pelos suecos: ou se ama ou se odeia. Independentemente do julgamento, não há duvidas que a banda sabe montar um espectáculo e que o vocalista Howlin’ Pelle Almqvist sabe o que faz. Durante o concerto, Pelle ameaça incendiar a metade da plateia que não gosta de rock’n roll com o fogo que deitaria pela boca; responde a insultos com “está ali um tipo que quer fazer amor comigo”; faz alusões à rivalidade ibérica. Tudo isto tem piada da primeira vez, mas à segunda ou terceira torna-se estagnante.
E por mais energia que consigam libertar com o seu rock nostálgico, “estagnação” é a palavra de ordem no alinhamento dos The Hives. “Walk Idiot Walk”, “Main Offender” e “Hate to Say I Told You So” chegam a fazer alguém ao nosso lado questionar: “Mas já não tocaram esta?” ou “outra vez este riff?”. Todos os clichés do rock ‘n roll estão impregnados nos suecos. Sempre os mesmos acordes e sempre a mesma voz galinácea de Howlin’ Pelle Almqvist. O correspondente de Peaches para o rock ‘n roll.
Com o palco principal encerrado, os últimos sobreviventes rumaram ao Palco After Hours para testemunhar que há por aí bandas de rock interessantes no nosso país. Os Sizo prometem ser grandes, basta ouvir “Liar”. A finalizar, foi a vez de Nuno Lopes fazer concorrência ao DJ do Windows Media Player. Consta que não passou Animal Collective.
O Festival de Paredes de Coura regressa em 2010 entre 28 e 31 de Julho e já com uma não-confirmação: os Radiohead.
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