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Reportagem Smashing Pumpkins em Lisboa
Dec 11th
Apesar do frio ser muito, os fãs de Billy Corgan não foram minimamente dissuadidos a voltar para casa, já que a noite prometia o regresso de uma das bandas mais aclamadas dos anos 90.
Onze anos após o último concerto dos Smashing Pumpkins em nome próprio pelos nossos lados, sendo hoje a primeira de duas actuações no Campo Pequeno, em Lisboa para o encerramento da tournée, Corgan, o único elemento fundador da banda optou por arriscar e apresentou o novo álbum Oceania, desconhecido pela parte do público que tem lançamento previsto para o início do próximo ano.
Responsáveis pela primeira parte ficaram os Ringo Deathstarr, habituados a partilhar o palco com bandas como Johnny Foreigner e Built To Spill e acompanhantes de tournée de Smashing Pumpkins. Influenciados por bandas como My Bloody Valentine, The Cure e Fugazi, os Ringo Deathstarr apresentaram na noite de hoje o EP homónimo e o seu primeiro álbum Colour Trip.
Ao som de guitarras distorcidas, chegando ao ponto de causar uma leve comichão no ouvido, tocaram músicas rápidas que tomavam gradualmente uma intensidade exuberante, intensificadas pelo jogos de luzes electrocutantes que nos cegavam gradualmente. Recuperada a visão era nítido a enchente que preenchia o que restava do espaço vazio da sala e que esperava ansiosamente para o típico back to the 90’s com que o VH1 nos aborrece de vez em quando.
Pouco passava das 21h quando a sala explodiu ao ouvir "Quasar" e "Panopticon", com as guitarras frenéticas e impacientes de Corgan e Jeff Schroeder no que seria o primeiro levantar a cortina do Oceania. Apesar de ser possívelmente a primeira vez que grande parte dos presentes na esgotada Praça de Touros escutava os temas, não foi por tal que Corgan e os restantes elementos da banda deixaram de ser aplaudidos. De volta ao passado ouvimos "Starla" seguida de "Geek U.S.A", onde somos arrastados por solos prolongados e distorções de guitarras completamente notáveis que enchem a sala de ovoções, "Gish", "Siva", "Siamese Dream" foram mais uma passagem pelos primeiros álbuns que decerto conseguiram agradar às primeiras gerações de fãs da banda.
De volta às novidades demasiado prolongas que Oceania teve para nos oferecer, o público demonstrou-se impaciente, para não dizer desapontado, para o que esperava em parte ser uma jornada pelos êxitos dos anos de ouro do grupo norte americano. O facto de Corgan não ter dirigido uma única palavra aos presentes durante quase duas horas acabou por gerar uma ligeira apatia no público que apesar de aplaudir esperava um alinhamento com maior coerência, comunicação e acima de tudo espontaneadade. Claro que ninguém tenciona pagar um bilhete para ter conversas banais sobre a metereologia e afins com Corgan, no entanto seria preferível que este estimulasse o público e que fomentasse a necessidade deste se encontrar presente.
Entretanto e já mais para o final do concerto foi com os primeiros acordes de "Tonight, Tonight" que o público acordou para ouvir e cantar o single de 1995 capaz de agradar a pais e filhos e às mais diferentes faixas etárias que passado mais de uma década continuam com as letras na ponta da língua. É também ao fim de duas horas de concerto que Billy Corgan decide trocar umas palavras com os presentes.
De volta ao palco para o que seriam as últimas três músicas, a banda decide presentear o público com uma canção que diz não tocar frequentemente, neste caso referindo-se a "Today" que indubitavelmente acordou quem ainda não se encontrava desperto e que foi recebida com grande entusiasmo. Seguiram-se dois grandes êxitos, nomeadamente "Zero" e "Bullet With Butterfly Wings" fortemente aplaudidas e cantadas por todos os que preenchiam a sala.
Um concerto que desmonstrou diversas passagens e facetas de Corgan, que terminou de uma forma distinta e que será para repetir amanhã por uns e para os que não conseguiram bilhete para esta primeira noite.
Reportagem Within Temptation no Coliseu de Lisboa
Oct 15th
Noite negra e esgotada, no regresso do grupo de culto (ou talvez seja o género em si que é um culto por cá) ao país, após uma passagem pelo Porto. Muitas t-shirts negras, algumas quarentonas com rendas nos braços, piercings com mais de 10 centímetros (sem exageros), e um público com grande parte dele numa faixa etária acima dos 30 ou até dos 40, mostrando bem o tipo de público devoto que os Within Temptation têm por cá. Camarotes cheios, plateia cheia, público até no último andar do coliseu… já há algum tempo que os alfacinhas não enchiam assim a sua sala.
E a noite começou, exactamente, com gente de cá em palco. Os Kandia, que abriram a noite, conseguiram conquistar graças a um rock forte e energético, de músicas longas e bem pensadas. Foi uma escolha ideal para a noite, já que se encaixam na perfeição dentro do género da banda principal, e tiveram portanto à sua frente o público ideal. Uma vocalista com genuíno prazer no que fazia, um óptimo guitarrista (a guitarra é, aliás, o cerne de tudo), e um baterista e um baixista em sintonia perfeita. Uma primeira parte bem dada, que serviu na perfeição para aquecer as hostes. No futuro, talvez venhamos a ouvir falar mais deles.
Meia-hora depois, começava o espectáculo dos Within Temptation. E espectáculo é, de facto, a palavra certa. Um palco de dois andares, um ecrã gigante (de excelente qualidade) que ia projectando vídeos em cada música, um jogo de luz impressionante… um belo jogo audiovisual, bem pensado e executado, dado por uma banda que obviamente se preocupa com a imagem que projecta.
Preocupa-se, aliás, talvez demais. Começar o concerto com uma curta-metragem talvez não tenha sido a melhor ideia, tal como não o foi mostrar outra mais à frente. Percebe-se que queiram enquadrar e dar a mostrar o suposto conceito por trás do último álbum que agora apresentavam, The Unforgiving (do qual tocaram praticamente tudo), mas pedia-se mais subtileza. Afinal de contas, aquilo acabou por se reflectir como um golpe no ritmo do concerto, e, simplesmente, não acrescentou rigorosamente nada. E para quê tantos vídeos em cada canção, e todos eles por vezes tão pensados e, ao mesmo tempo, tão aleatórios? Porque é que haviam javalis em CGI que pareciam saídos do World of Warcraft?
Porque é que aquele homem estava a lutar no ecrã com outro? E como é que de repente ele fica sem t-shirt e começa a chover (isso deve ter sido ideia da Sharon)? Todo o aparato visual destoou por vezes, distraindo até daquilo que era o que realmente interessava: a música. Não há problema nenhum em fazer um espectáculo assim, claro. Mas faltou uma fusão entre o que se ouvia e o que se via (algo, por exemplo, tão bem conseguido por Sufjan Stevens, que tocou naquela mesma sala este ano).
Claro que esta acabou por ser uma falha menor, que se ia revelando apenas em certos momentos (a sério, aqueles javalis…) no concerto de uma banda que, efectivamente, talvez se preocupe demasiado com mitologia celta/druida e afins (mas, lá está, deve ser também isso que os fãs adoram neles). O concerto, francamente bom do início ao fim, raramente deixou de ser imponente e impressionante, não tanto pelo aparato já mencionado, mas antes pelas canções em si, tão potentes e tão bem tocadas, sempre apoiadas pela bela voz de uma óptima vocalista. O último disco resulta francamente bem ao vivo, tal como o início com Shot in the Dark demonstrou logo. Energia pura, sob a forma de acima de tudo dois bons guitarristas, que preenchem todo o espaço do coliseu com ondas de ruído.
O alinhamento concentrou-se, portanto, maioritariamente no último disco, mas não faltaram também os êxitos do passado. "Ice Queen" foi recebida de braços no ar (muitos deles, mas mesmo muito, com telemóveis ou máquinas fotográficas na mão), tal como "The Howling", a apoteótica "Our Solemn Hour" (espectacular ao vivo) ou, claro, a inevitável "Memories" (momento lindíssimo). Sentia-se no ar a devoção pura de um público que estava ali a cantar as letras a altos berros, com os seus ídolos em palco. A banda parecia ela própria satisfeita, mesmo não estando particularmente comunicativa. Os sorrisos eram constantes, raramente se afastavam da berma do palco, e foi em particular nos encores, tocados com tanta diversão quanto alma, que se viu bem o quanto gostavam de ali estar. O público, esse, mostrou-se quase religioso do início ao fim.
Tinha bastado Memories, a terminar o corpo principal do alinhamento, para a noite estar ganha, mas os dois encores asseguraram-se de que a qualidade se mantinha lá em cima. "Deceiver of Fools", a fabulosa e muito aplaudida e cantada "Mother Earth", compuseram o primeiro, tendo ficado Stairway to the Skies (a última do mais recente disco) tido a honra de encerrar na perfeição uma noite que ficará provavelmente marcada na memória dos milhares de fãs que encheram o coliseu. No final, a banda faz uma vénia, e desce até do palco para cumprimentar os fãs; algo raro, hoje em dia.
Para os grandes fãs, deverá ter sido uma noite memorável, que irão relembrar por muito, muito tempo; para os curiosos (como eu), foi sem dúvida um belo concerto.
Há cultos que não se percebem, bandas que ao vivo são incompreensivelmente adoradas e aplaudidas.
Os Within Temptation, felizmente, defendem ao vivo muito bem o seu repertório, e dão um concerto impressionante e (e este é talvez o maior elogio) consistente, onde os bons momentos se vão sucedendo. Podemos não partilhar o culto… mas com concertos assim, este percebe-se.
Reportagem Within Temptation no Coliseu de Lisboa
Oct 15th
Noite negra e esgotada, no regresso do grupo de culto (ou talvez seja o género em si que é um culto por cá) ao país, após uma passagem pelo Porto. Muitas t-shirts negras, algumas quarentonas com rendas nos braços, piercings com mais de 10 centímetros (sem exageros), e um público com grande parte dele numa faixa etária acima dos 30 ou até dos 40, mostrando bem o tipo de público devoto que os Within Temptation têm por cá. Camarotes cheios, plateia cheia, público até no último andar do coliseu… já há algum tempo que os alfacinhas não enchiam assim a sua sala.
E a noite começou, exactamente, com gente de cá em palco. Os Kandia, que abriram a noite, conseguiram conquistar graças a um rock forte e energético, de músicas longas e bem pensadas. Foi uma escolha ideal para a noite, já que se encaixam na perfeição dentro do género da banda principal, e tiveram portanto à sua frente o público ideal. Uma vocalista com genuíno prazer no que fazia, um óptimo guitarrista (a guitarra é, aliás, o cerne de tudo), e um baterista e um baixista em sintonia perfeita. Uma primeira parte bem dada, que serviu na perfeição para aquecer as hostes. No futuro, talvez venhamos a ouvir falar mais deles.
Meia-hora depois, começava o espectáculo dos Within Temptation. E espectáculo é, de facto, a palavra certa. Um palco de dois andares, um ecrã gigante (de excelente qualidade) que ia projectando vídeos em cada música, um jogo de luz impressionante… um belo jogo audiovisual, bem pensado e executado, dado por uma banda que obviamente se preocupa com a imagem que projecta.
Preocupa-se, aliás, talvez demais. Começar o concerto com uma curta-metragem talvez não tenha sido a melhor ideia, tal como não o foi mostrar outra mais à frente. Percebe-se que queiram enquadrar e dar a mostrar o suposto conceito por trás do último álbum que agora apresentavam, The Unforgiving (do qual tocaram praticamente tudo), mas pedia-se mais subtileza. Afinal de contas, aquilo acabou por se reflectir como um golpe no ritmo do concerto, e, simplesmente, não acrescentou rigorosamente nada. E para quê tantos vídeos em cada canção, e todos eles por vezes tão pensados e, ao mesmo tempo, tão aleatórios? Porque é que haviam javalis em CGI que pareciam saídos do World of Warcraft?
Porque é que aquele homem estava a lutar no ecrã com outro? E como é que de repente ele fica sem t-shirt e começa a chover (isso deve ter sido ideia da Sharon)? Todo o aparato visual destoou por vezes, distraindo até daquilo que era o que realmente interessava: a música. Não há problema nenhum em fazer um espectáculo assim, claro. Mas faltou uma fusão entre o que se ouvia e o que se via (algo, por exemplo, tão bem conseguido por Sufjan Stevens, que tocou naquela mesma sala este ano).
Claro que esta acabou por ser uma falha menor, que se ia revelando apenas em certos momentos (a sério, aqueles javalis…) no concerto de uma banda que, efectivamente, talvez se preocupe demasiado com mitologia celta/druida e afins (mas, lá está, deve ser também isso que os fãs adoram neles). O concerto, francamente bom do início ao fim, raramente deixou de ser imponente e impressionante, não tanto pelo aparato já mencionado, mas antes pelas canções em si, tão potentes e tão bem tocadas, sempre apoiadas pela bela voz de uma óptima vocalista. O último disco resulta francamente bem ao vivo, tal como o início com Shot in the Dark demonstrou logo. Energia pura, sob a forma de acima de tudo dois bons guitarristas, que preenchem todo o espaço do coliseu com ondas de ruído.
O alinhamento concentrou-se, portanto, maioritariamente no último disco, mas não faltaram também os êxitos do passado. "Ice Queen" foi recebida de braços no ar (muitos deles, mas mesmo muito, com telemóveis ou máquinas fotográficas na mão), tal como "The Howling", a apoteótica "Our Solemn Hour" (espectacular ao vivo) ou, claro, a inevitável "Memories" (momento lindíssimo). Sentia-se no ar a devoção pura de um público que estava ali a cantar as letras a altos berros, com os seus ídolos em palco. A banda parecia ela própria satisfeita, mesmo não estando particularmente comunicativa. Os sorrisos eram constantes, raramente se afastavam da berma do palco, e foi em particular nos encores, tocados com tanta diversão quanto alma, que se viu bem o quanto gostavam de ali estar. O público, esse, mostrou-se quase religioso do início ao fim.
Tinha bastado Memories, a terminar o corpo principal do alinhamento, para a noite estar ganha, mas os dois encores asseguraram-se de que a qualidade se mantinha lá em cima. "Deceiver of Fools", a fabulosa e muito aplaudida e cantada "Mother Earth", compuseram o primeiro, tendo ficado Stairway to the Skies (a última do mais recente disco) tido a honra de encerrar na perfeição uma noite que ficará provavelmente marcada na memória dos milhares de fãs que encheram o coliseu. No final, a banda faz uma vénia, e desce até do palco para cumprimentar os fãs; algo raro, hoje em dia.
Para os grandes fãs, deverá ter sido uma noite memorável, que irão relembrar por muito, muito tempo; para os curiosos (como eu), foi sem dúvida um belo concerto.
Há cultos que não se percebem, bandas que ao vivo são incompreensivelmente adoradas e aplaudidas.
Os Within Temptation, felizmente, defendem ao vivo muito bem o seu repertório, e dão um concerto impressionante e (e este é talvez o maior elogio) consistente, onde os bons momentos se vão sucedendo. Podemos não partilhar o culto… mas com concertos assim, este percebe-se.
Reportagem Sudoeste TMN 2011
Aug 12th
Realizou-se mais um Festival Sudoeste TMN 2011, a Herdade da Casa Branca encheu-se de festivaleiros para a 15ª Edição deste festival.
Com um cartaz virado, principalmente, para o reggae e hip-hop, com nomes em palcos secundários como dEUS, Zola Jesus ou Destroyer, que teve provavelmente menos de 50 pessoas a assistir ao concerto, grande parte do público não assiste aos concertos nos palcos secundários. O cartaz continha dois grandes nomes que chamaram muito público e deram grandes concertos: Kanye West e Snoop Dogg.
4 de Agosto
O festival contou com quatro palcos: o TMN, o Planeta Sudoeste, o Positive Vibes e o Groovebox.
Os Asian Dub Foundation, tocaram no Palco Positive Vibes para um público que parecia ser pouco conhecedor e que, de início, não reagiu de forma particularmente efusiva à música da banda - uma excelente mescla sonora onde há de tudo desde reggae ao hip-hop. Foi de louvar a forma como o grupo conquistou o público, puxando pelos presentes do início ao fim, tocando sempre com uma energia que acabou por contagiar os presentes. Claro que com canções como “Flyover” ou a apoteótica “Fortress Europe”, que fechou o concerto já em encore, é impossível ficar com os pés no chão, mas foi importante e impressionante a forma como a banda conseguiu transformar aquele que à partida poderia ter sido um concerto morno num dos melhores do festival, impressionante e festivo.
Curiosamente, neste dia tudo parecia virado para um único nome: Snoop Dogg. Até Janelle Monáe tocou para um público menor do que esperado, dando um concerto similar ao que já tinha dado no Super Bock em Stock: ou seja, fenomenal, e, desta vez, foi ainda mais interactiva. Canções como “Cold War” ou “Tightrope” ao vivo ganham uma potência inexplicável, e isto aliado a uma banda numerosa e festiva acaba por criar um verdadeiro espectáculo. E depois está claro, Monáe: dança, canta, e move-se como ninguém. Soul assim raramente se faz.
Os Destroyer, banda liderada por Dan Bejar que tocou no palco Planeta Sudoeste, foram um exemplo de um concerto que, simplesmente, não tinha público alvo no Sudoeste TMN. Chegaram com o excelente Kaputt na bagagem e trouxeram um concerto diferente de tudo o que se viu em todo o festival. Rock com influências claras de jazz e com um som complexo e cheio, entregue por uma banda de seis, que encheram a tenda para os poucos presentes. Uma autêntica viagem sonora e o mais alternativo que provavelmente se viu em todo o festival. No fim o balanço foi muito positivo, quem não viu nem sabe o que perdeu.
Raphael Saadiq tem boa voz e músicas simpáticas, com uma forte veia romântica e inspiração em hip-hop, jazz e soul, mas não tarda a cansar. A verdade é que as canções rapidamente começam a parecer demasiado parecidas e a sua voz, ainda que boa, não encanta por aí além. Claro que canções como “Good Man” ao vivo resultam bastante bem, mas nem todas são assim e os bons momentos não são suficientes para sustentar um concerto inteiro. Num outro ambiente, talvez tivesse resultado melhor. Ainda assim, foi já algum o público que o ouviu, com atenção e respeito.
Com algum atraso, entrou em palco o grande nome da noite: Snoop Dogg. Uma multidão de dezenas de milhares para o ver, uma entrada épica com música clássica e tudo para criar o tom certo e lá entra Snoop, de óculos escuros, com aquele estilo relaxado e cool que todos conhecem. Snoop Dogg é, hoje em dia, não tanto um músico mas antes uma personagem, uma caricatura do hip-hop que fala de ganza e gajas, com muito bling à mistura. Sim, ele teve bailarinas quase nuas em palco; sim, ele fumou durante o concerto; e, sim, foi muito divertido. Como não o poderia ser, com êxitos como “Sensual Seduction” ou, claro, “Drop It Like It’s Hot”? É curioso ver a forma como todo o público canta a uma só voz aqueles êxitos, mostrando bem que Snoop é, além daquela figura tão única, visto como um músico talentoso, com uma numerosa base de fãs.
Ele bem pareceu gostar do que viu: comunicou, pegou numa bandeira portuguesa e disse que este seria o primeiro mas não o último concerto seu por cá. Pela reacção do público, conquistado do início ao fim, é bem provável que tal venha a acontecer e ainda bem. Há que falar da homenagem que Dogg fez a Tupac, a meio do concerto, é bom ver que a comunidade hip-hop tem respeito e honra as suas origens e os seus maiores mestres. Snoop Dogg homenageou Tupac e Kanye West falou, no dia seguinte, em Michael Jackson - é de louvar.
A festa continuou pela noite dentro nos restantes palcos, com rave atrás de rave. Os Bag Raiders, duo que faz electro dançável, estavam ainda a actuar e foi bonito ver a tenda tão repleta de gente aos saltos de braços no ar, a viver uma autêntica festa. Ali, a noite não tinha fim.
5 de Agosto
O dia pertencia a um único nome e todos o sabiam: Kanye West. Horas antes, já alguns o aguardavam na grade em frente ao palco principal, esperando ver o mais perto possível o actual deus de um género.
Ainda assim, foram poucos os que assistiram ao bonito, ainda que por vezes inconsistente, concerto de Marcelo Camelo. Pop-rock agradável e de fácil audição, que nunca aborrece mas que a certa altura se torna repetitivo. Pouco mais de uma centena de espectadores o viram, e é pena: foi um belo início para um longo dia de concertos. Nunca impressionou por aí além, mas deixou facilmente um sorriso na face dos presentes.
Os Deolinda vieram a seguir e já tiveram uma boa multidão à sua espera, que sabia os maiores êxitos de ponta a ponta, que cantou em uníssono com uma Ana Bacalhau de saia atrevida e em modo quase sex symbol. Canções como “Fado Toninho” ou a tão falada “Que Parva Que Eu Sou” foram muito bem-recebidas por um público que sabia bem o que esperar. Concerto muito agradável, mas que mostrou a maior falha da banda: a sua falta de espontaneidade.
Como é possível que todas as interacções com o público soem tão mecâncias e planeadas, perante um grupo tipicamente português com uma vocalista que parece gostar tanto do que faz? Bacalhau e o resto da banda têm de se libertar mais e criar uma maior ligação com o público para que cantam. Afinal de contas, são uma banda de cá e estão a tocar para quem já os conhece há anos. Entre amigos, não é preciso tanta formalidade.
Foi uma espera algo longa até chegar Patrice, que entrou atrasado após os Deolinda terem acabado depois da hora. Quando chegou ao palco, recebeu a maior ovação que se tinha visto até agora, o público sabia bem o que esperar e muitos estavam lá para ele. Quer se goste ou não, é inegável que o músico sabe bem como jogar com os singles e com o público fazendo os joguinhos típicos do “Vamos dividir o público ao meio e ver quem grita mais” que, inevitavelmente, acabam por resultar.
O momento mais alto (de longe) foi, claro, o êxito “Soulstorm” e é impossível não ficar com a impressão de que toda a carreira do músico se move à volta dessa única canção. As restantes músicas resultaram, ainda assim, e entreteram bem um público sedento de festa. Há que falar do baixista da banda que acompanha o músico, o mais sorridente em palco, que foi talvez quem mais puxou e chamou pelo público. Diversão sem preconceitos nem presunções.
Foi uma espera ainda maior até Kanye West, o senhor da noite (e de todo o festival, diga-se), entrar em palco. Com quase uma hora de atraso e duas partidas em falso com as bailarinas em palco, todo forrado em branco, ouviram-se gritos de descontentamento por parte de um público que, ainda assim, nunca arredou pé. E quando o concerto começou, com as dezenas de bailarinas em palco, tudo, mas rigorosamente tudo, valeu a pena. Tal como ouvi alguém dizer ao meu lado, a noite estava ganha desde o início. Grande jogo de luzes, uma coreografia impressionante, tudo ao som do início de “H.A.M.”, o single do disco que junta Kanye West e Jay-Z, e sentiam-se arrepios na espinha naquele que era apenas o início do espectáculo. O pano cai e revela uma parede de fundo inspirada na tradição greco-romana, e ouve-se o início de “Dark Fantasy”, a faixa que abre o último disco do músico (My Beautiful Twisted Dark Fantasy, muito provavelmente um dos álbuns da década). O público enlouquece, Kanye West surge do nada numa plataforma que levita acima do público no corredor central que o separa, e rapidamente se torna um facto aquilo que todos esperavam: ia ser um concerto memorável.
O que se seguiu foi um concerto sem falhas, genial do início ao fim, criado e pensado por um artista em pleno uso das suas capacidades. Impressionante em todos os aspectos, desde as bailarinas ao jogo de luz, desde o fogo de artifício à chuva de faíscas, mas impressionante, acima de tudo, pelo homem por trás de tudo: Kanye West. Por mais fascinante que seja todo o jogo cénico, é à volta dele que tudo gira, e West é, em palco, genial. Gesticula, corre, rodopia, encarna a personalidade épica e sumptuosa das suas canções. Canta com calma, e cada verso é entregue com significado e poder. A energia que transmite é notável, e não precisa de interagir com o público: a música, e quem a canta, falam por si. Sem falhas, memorável, e frequentemente arrebatador.
Num alinhamento que percorreu todos os seus discos, e onde não faltaram êxitos como a espectacular “Stronger”, que teve direito a um belo jogo de fumo, “Good Life”, introduzida epicamente por um sample de PYT, de Michael Jackson, que culminou com West a saltar no ar começando o seu single numa autêntica e impressionante onda de energia, e a fenomenal “Touch the Sky”, com o público a saltar de mãos no ar em uníssono com o músico. Há que dar destaque a “Runaway”, que contou com a presença de Pusha T em palco, uma bela surpresa. Não falou muito, mas quando o fez foi sempre para puxar pelo público de forma honesta, não era planeado, e sempre que queria falar antes da próxima canção fazia sinal de paragem a um dos seus três músicos que estavam em sintetizadores. “Digo muita merda e dizem muita merda sobre mim”, diz a certa altura. “Nós defendemos essa merda”. Defendem, e muito bem.
Quando falou, foi honesto, mas nem precisava de o fazer: os sorrisos que ia mandando (logo ele, que nem sorri muito) eram o suficiente.
Sumptuoso, épico e grandioso, com momentos frequentemente lindíssimos, entregue por um homem que é tudo isto de forma genial, foi um concerto que dificilmente sairá da memória dos presentes. Facilmente um dos melhores do ano. Kanye West é, de facto, um dos melhores da sua geração e um dos maiores do nosso tempo. Uma epifania de duas horas, dividida em três actos. O concerto do festival estava dado.
Os Underworld vieram depois e tocaram para um público muito menor. Uma pequena festa, com um electro potente e um vocalista com presença e um bonito jogo visual.
Competentes, terminaram o dia da melhor forma possível: em festa.
6 de Agosto
Talvez o dia mais light, sem um grande cabeça-de-cartaz definido, Scissor Sisters e David Guetta eram os maiores nomes, mas que verificou maior enchente.
Foi, talvez, aquele em que se viram os concertos mais fracos. As coisas começaram logo mal com os Mexican Institude of Sound, electrónica sem pés nem cabeça com muito azeite à mistura, até tocaram um remix da Macarena. Eram poucos os que ali estavam para os ver, a maior parte estava sentada no chão sem prestar grande atenção, e isso precebe-se, francamente mau.
As coisas não melhoraram muito com Valete, que veio a seguir. O rapper português teve um público nomeroso e conhecedor à sua espera, que esteve conquistado do início ao fim, mas é difícil dizer bem de um rap assim, tão inconsequente e desinspirado. Letras controversas, uma banda que não impressiona e percebe-se o porquê do culto: Valete diz que o FMI é uma máfia organizada, que devíamos todos fazer uma revolução…. Politiquices atiradas ao ar, por quem percebe tanto de política quanto de música. Muitos convidados, muitas canções, todas elas bastante más, mas um público numeroso e conquistado.
O mérito dos The Script é inegável. Sabemos todos que eles não trazem nada de novo, que lembram, mesmo muito, os U2, e que são completamente inconsequentes e daqui a uns anos ninguém se lembra deles. Mas é difícil dizer mal de um grupo que está ali a gostar tanto do que faz, e a fazê-lo com tanta alma para os fãs. Sim, a música não é boa, mas a atitude acaba por ajudar e é difícil não ficar com um sorriso ao ver a simpatia da banda e a forma como se comportam em palco. “The Man Who Can’t be Moved” é um dos singles mais conhecidos da banda. Com boa postura, são honestos quando sorriem e dizem que gostam imenso de cá estar e nós acabamos por sorrir também.
Os Scissor Sisters conseguiram divertir bastante os festivaleiros contudo desiludiram pois não foi a festa apoteótica que se esperava. Por duas razões em particular: algum público esperava pelo senhor Guetta e não aderiram à festa dos Scissor Sisters e porque Jake Shears esteve energético mas algo morno e a sua voz desiludiu. Tudo é compensado por Ana Matronic, um animal de palco, que canta e puxa pelo público como ninguém. Foi bonito, muito bonito, vê-la sair do palco para ir cumprimentar um jovem chamado Ricardo que estava no palco a cantar todas as canções do início ao fim.
Notou-se que o público desligava em canções menos conhecidas e que só despertava em singles como “Comfortably Numb”, “Take Your Mama”, “Fire With Fire” ou, claro, a apoteótica “I Don’t Fell Like Dancin’”. Foi uma festa, sim, mas não a que podia ter sido. Talvez da próxima, a solo, com um público diferente, as coisas resultem ao nível do que podia ter sido.
David Guetta veio a seguir para animar os festivaleiros. Um espectáculo visual bem pensado mas que está a milhas, por exemplo, do que é dado pelos Chemical Brothers. Beats bem escolhidos fizeram a festa e era ver o público a dançar e cantar sem parar. Alguns dos momentos mais altos ocorreram com "One Love", “When Love Takes Over" e "Gettin' Over". O pico aconteceu com "Love Don't Let Me Go". Olhando em volta o público estava conquistado. Para o ano, a sua presença já esta confirmada.
7 de Agosto
E no último dia, mais uma vez sem um cabeça-de-cartaz particulamente impressionante, eram já muitos os que de manhã abandonavam já o parque de campismo. Afinal de contas, os The National estiveram cá em Maio, os Interpol em Novembro, e os Swedish House Mafia não têm a fama de um David Guetta.
Foi o dia em que se pôde espreitar mais o palco da Santa Casa e ainda bem. Os Polock, banda de indie-rock espanhola mas que canta em inglês (e muito bem), têm um som catchy e agradável. Mais uma vez, eram poucos os que os foram ver, mas quem ali esteve não se arrependeu nada. Boa voz, boas guitarras, boa música, têm o potencial de ir mais longe e com sorte voltarão cá a solo em breve. Mereciam mais gente.
A seguir, Filipe Pinto, vencedor dos Ídolos, inaugurou o palco principal nesse dia. Um Fernando Ribeiro meets Manel Cruz, chegou ao palco armado com as suas covers ("Use Somebody", logo a abrir, por exemplo) e mostrou ter, pelo menos, uma coisa: boa voz, no entanto, o resto falha. Provavelmente é apenas vítima da sua inexperiência, apesar de as canções originais não terem impressionado nada. Se conseguirá alguma vez ser algo mais que apenas o tipo que venceu aquela edição do Ídolos? Por agora, não, mas o futuro é incerto e, como disse, boa voz tem de certeza.
De regresso ao outro palco, os Givers estavam-se a safar bem, a conquistar o público com as suas músicas que, por vezes, lembram os Fanfarlo. Com um vocalista francamente caricato e estranho, e com um bom grupo de músicos que tocam em coordenação perfeita, mostraram ser uma boa aposta para aquele palco, que certamente deu algumas boas descobertas aos poucos presentes. Fica-se com pena de não se ver tudo, mas os Interpol estão quase a começar.
Um alinhamento bem pensado, “Slow Hands”, “Take You On a Cruise” e os hinos do passado bem intercalados com os do presente, como “Lights” ou “Barricade”. Uma banda que toca na perfeição, como sempre, e um público pacato mas que tem, surpreendentemente, alguns bons grupos de devotos. Podemo-nos queixar que em palco não são propriamente efusivos ou comunicativos, mas... não são sempre assim?
Aliás, pareciam estar a gostar mais deste concerto que o do Campo Pequeno, por exemplo; o senhor Paul Banks sorriu bastante, e Kessler, como sempre, desliza pelo palco enquanto toca. Quem precisa de incentivos ao público ou interacção, quando há em palco um grupo a tocar assim tão bem? Aquela voz, aliada às excelentes guitarras, envolvem e embalam, e tudo funciona muito bem também graças ao bom som do palco. Um excelente concerto, dado por uma excelente banda, um dos melhores do festival.
O concerto acaba após pouco mais de uma hora, e no outro palco está Zola Jesus. Desta vez veio com uma banda, no São Jorge teve apenas um músico ao sintetizador, mas não faz grande diferença, excepto a bateria, mas também não tem de fazer. Zola corre pelo palco, salta, com um longo vestido branco e transpira presença e carisma. E, claro, a voz, aquela voz, potente e impressionante. As canções novas soam muito bem e aguarda-se agora por um regresso a solo. Termina com “Vessel”, uma canção nova, e é impossível não ficar a desejar por mais.
No outro palco, a começar daqui a nada, estavam os The National. O público não era particularmente numeroso, grande parte dele não estava ali para os ver e isso acabou por afectar o concerto. Isso e um Matt Berninger que mal se mexia atrás do microfone e que por vezes mostrou uma voz mais cansada. Quem os viu pela primeira vez, certamente ficou encantado; quem os viu antes, em Maio, por exemplo, saiu sabendo que eles são capazes de melhor.
Contudo não deixou de ser um belo concerto com um excelente alinhamento. Resgatar “Son”, do primeiro disco, foi um golpe genial, tal como tocar “Available” com o final de “Cardinal Song”. Mas não teve o impacto que se esperava, e canções tão íntimas como “Lucky You” ou “About Today” não resultaram. Foi um grande concerto, contudo para quem já os viu antes, ficou a saber a pouco.
Os Swedish House Mafia, por seu lado, deram mais uma rave em jeito de encerramento do festival. Electrónica que parece saída de uma discoteca, com uma multidão de milhares a vê-los e obviamente fã, foram o último grande concerto do festival e não desiludiram. Alguns remisturas dos Coldplay e dos Red Hot Chili Peppers fizeram os festivaleiros reagir. Por esta altura, a energia já não era muita, mas conseguiram fazer o público saltar e dançar até às tantas da manhã, e isso é, afinal de contas, um triunfo. E, mais uma vez, o Sudoeste terminou como muitos queriam: em festa. Afinal de contas, é para isso que o público lá vai.
Sem grandes falhas tanto a nível de acesso como de recinto, pois este é bem capaz de ser o melhor recinto de todos os festivais, o grande problema do Sudoeste acaba por não vir tanto do festival em si, mas antes de quem o frequenta. Na zona do campismo houve uma sensação de falta de segurança e controlo. A organização reforçou a equipa de segurança, a iluminação e o efectivo policial contudo na última noite houve pessoas que se aproveitaram do facto de o festival estar a terminar para roubar.
Nas próximas edições é necessário apostar mais ainda no aumento do número de policias e seguranças no festival e iluminar as zonas que não tinham luz. É ainda importante que as pessoas que vão para o festival tenham noção do número de pessoas que lá vai estar e de como devem proteger os seus bens e não deixarem coisas à "mão de semear". Ocorreram várias detenções ao longo do festival e isso também demonstra a eficácia da organização.
A facilidade com que se entrava no campismo sem ser revistado, que foi o que me aconteceu, é algo a ser repensado pois facilita a entrada de tudo de bom e de mau… assim e como já foi referido pelo próprio Sudoeste TMN no facebook: “a prevenção vai ter de ser ainda maior”. Tal como acontece pela Europa fora, há muitos festivais que fazem um guia para que o festivaleiro saiba como actuar no caso de diversas situações, seja roubo, violação, agressão ou até venda de droga. Penso que será por aqui que todos os festivais em Portugal tem de apostar e claro na revista de todas as pessoas que vão para o campismo.
O festival terminou em festa com Swedish House Mafia, alguns conseguiram continuar a festa no campismo, outros nem por isso. A edição de 2011 do Festival Sudoeste TMN termina já com uma confirmação para a edição de 2012 - David Guetta, cada vez mais o DJ residente, irá actuar.
O Festival Sudoeste TMN faz a melhor junção entre festival e praia e é cada vez mais um destino obrigatório para muitos festivaleiros. Dois grandes concertos aconteceram e espera-se agora Snoop Dogg e Kayne West num concerto a solo numa qualquer sala do País.
Reportagem Long Way To Alaska + Scout Niblett
Dec 26th
Na passada terça feira, dia 15 de Dezembro, o Cinema Passos Manuel serviu de palco para uma grande noite de música. Passando por grandes promessas e por grandes certezas do folk mais alternativo.
Foi por volta das 23 horas, já com algum atraso, que os bracarenses Long Way To Alaska subiram ao palco. Nos seus tenros 20 anos já se sente muito talento, extremamente bem demonstrado pela sua pop doce e orelhuda. Tendo deixado encantada a maioria dos presentes na sala é de esperar um futuro extremamente risonho e merecedor de voos mais altos para esquarteto.
Terminado o aquecimento, foi a vez de Scout Niblett, oriunda de Notingham, tomar de assalto a ribalta. Avançando sozinha, munida de guitarra e voz singular, a Inglesa lançou-se à apresentação do seu novo album, intitulado The Calcination of Scout Niblett. Durante cerca de uma hora, ouviram-se temas de grande parte do seu reportório, ora a guitarra e voz, ora a bateria e voz, com especial destaque para a primeira opção. Após uns encores com algumas questões existenciais, a noite terminou.
Uma noite bem conseguida e queabriu o apetite para a continuação de grandes concertos em 2010.
Reportagem Long Way To Alaska + Scout Niblett
Dec 19th
Na passada terça feira, dia 15 de Dezembro, o Cinema Passos Manuel serviu de palco para uma grande noite de música. Passando por grandes promessas e por grandes certezas do folk mais alternativo.
Foi por volta das 23 horas, já com algum atraso, que os bracarenses Long Way To Alaska subiram ao palco. Nos seus tenros 20 anos já se sente muito talento, extremamente bem demonstrado pela sua pop doce e orelhuda. Tendo deixado encantada a maioria dos presentes na sala é de esperar um futuro extremamente risonho e merecedor de voos mais altos para esquarteto.
Terminado o aquecimento, foi a vez de Scout Niblett, oriunda de Notingham, tomar de assalto a ribalta. Avançando sozinha, munida de guitarra e voz singular, a Inglesa lançou-se à apresentação do seu novo album, intitulado The Calcination of Scout Niblett. Durante cerca de uma hora, ouviram-se temas de grande parte do seu reportório, ora a guitarra e voz, ora a bateria e voz, com especial destaque para a primeira opção. Após uns encores com algumas questões existenciais, a noite terminou.
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Uma noite bem conseguida e queabriu o apetite para a continuação de grandes concertos em 2010.
Reportagem Fruit Bats + Vetiver @ Passos Manuel
Dec 2nd
No passado dia 1 de Dezembro, o Passos Manuel abrigou mais uma noite de boa musica internacional, recebendo de braços abertos os Vetiver e os Fruit Bats.
Foi por volta das 22h30 que os americanos Fruit Bats subiram ao palco do antigo cinema. Oriundos de Chicago e portadores de um folk rock extremamente adocicado, lançaram-se a cerca de 40 minutos dedicados à apresentação do seu mais recente album, intitulado "The Ruminant Band".
Liderados por Eric Johnson (membro dos The Shins), os Fruit Bats deram um concerto irrepreensível e forte como seria de esperar.
Em seguida, por volta das 23h30, os Californianos, Vetiver começaram a sua actuação. O seu último trabalho, o aclamado Tight Knit, serviu de desculpa para grande parte do concerto, contudo ainda houve tempo por um passeio equilibrado por todo o reportório, assim como para uma cover de Grateful Dead e um novo single.
Após cerca de uma hora de folk que fez sentir a falta de uma fogueira e mais proximidade banda-publico, os Vetiver abandonaram o palco sem realizarem encore.
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Reportagem Isis @ Teatro Sá da Bandeira
Dec 1st
No passado dia 29 de Novembro, o Teatro Sá da Bandeira serviu de palco para um dos concertos mais aguardados dos últimos anos. Os norte-americanos Isis fizeram crescer um burburinho sobre eles próprios no decorrer da última década, atingindo já um estatuto de culto. Não é portanto de estranhar que a sala de espectáculos da baixa portuense tenha ficado muito bem preenchida. Contudo, a abertura do palco coube a dois projectos menos mediáticos, mais propriamente aos finlandeses Circle e aos americanos Keelhaul.
Os Keelhaul entraram em palco por volta das 21h30, e libertaram uma grande descarga de um metal voltado para o stoner e para o progressivo. Actuando durante cerca de 30 minutos, conseguiram captar a atenção das fileiras já presentes no teatro.
Em seguida foi a vez dos finlandeses Circle tomarem de assalto o palco para uma actuação completamente extravagante. Estando a aproximar-se da segunda década de existência, este quarteto apresenta uma actuação planeada e teatral, revelando bastante à-vontade e experiência. Contudo, os seus contornos mais avant-garde e virados para o krautrock e para o progressivo provaram ser um pouco demais para grande parte do público, que não parecia muito satisfeito com o que estava a ver.
Finalmente, a encerrar a noite deu-se o verdadeiro começo. O quinteto californiano que dá pelo nome de Isis entrou no palco de forma humilde e relaxada. A primeira música que se fez ouvir foi a “Hall of The Dead”, que acabou por servir de mote para a apresentação do seu mais recente trabalho, intitulado Wavering Radiant. Seguiram-se então mais seis músicas intensas e avassaladoras, retiradas maioritariamente dos seus últimos dois álbuns. No entanto, o clímax foi atingindo no encore. Começando com “Carry” (do seu já clássico Oceanic) e acabando com uma “Altered Course” extremamente alongada.
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Aaron Turner e companhia despediram-se do palco e de hora e meia que provou ser o suficiente para um dos concertos mais poderosos que se fez sentir nos últimos tempos.


























