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Reportagem Optimus Alive!10 – 8 de Julho
Jul 9th
As temperaturas baixaram e o Optimus Alive!10 começou. A promessa é simples: boa música e muita festa. Este ano, os bilhetes para o último dia esgotaram, pela primeira vez na história do festival. Algés é o único destino em que se pensa. Grandes nomes da música, com muita história por trás deles, fazem parte do cartaz, juntamente com os maiores nomes da actualidade. O slogan não passa despercebido: “o melhor cartaz de 2010”. E é isso que se vai tentar comprovar. De notar também a dificuldade na entrada aos portadores dos passes de 3 dias, esperemos que a situação melhore amanhã.
A festa, como sempre, começou no palco secundário. Às 17 horas, Local Natives, banda indie rock/folk oriunda de Los Angeles, pisam um palco cujas diferenças se fazem notar. Mais amplo e elevado (um ecrã de cada lado pintava o quadro final), o resultado é ambíguo: se por um lado confere maior estatuto às bandas que nele tocam – que, por vezes, presenteiam a audiência com actuações dignas de palco principal – por outro, perde‐se a intimidade entre público e bandas tão característica do local. Por entre o público havia fãs, que cantaram e dançaram. A banda cativou o público com os seus ritmos, em Wide Eyes e Camera Talk. Airplanes, Shape Shifter e uma cover da Warning Sign dos Talking Heads mostraram variedade.
O senhor que se seguiu foi o texano Devendra Banhart, que em sete anos lançou nada mais nada menos que nove álbuns. O norte-americano trouxe para o Optimus Alive o seu Folk Psicadélico. Foi um dos artistas mais calmos do dia, mas serviu para relaxar e ouvir atentamente músicas como Baby e Sight to Behold.
The Drums, banda com origem em Brooklyn, Nova Iorque, eram um nome esperado. Apenas com um albúm editado, o número de fãs tem vindo a aumentar e muitos estiveram presentes no palco secundário. A energia, boa disposição e o humor da banda, sobretudo do vocalista Taylor Rice, animaram o recinto, que ia enchendo. A banda foi bem recebida e apresentaram temas como Submarine e It Will All End In Tears. As músicas pediam danças e tal não faltou.
Passava das 18h30 quando o palco principal finalmente abriu. A tarefa foi dada a Biffy Clyro que se fez acompanhar por Mike Vennart, dos Oceansize, na guitarra. A banda escocesa já tinha estado em Paredes de Coura em 2008 e a abrir Muse, em 2009. Não seria de estranhar se tivesse sido a banda portuguesa Moonspell a abrir o palco, como fica sempre bem, vistos estarmos em terras lusas. No entanto, o facto de Biffy Clyro serem uma das bandas mais subvalorizadas em Portugal, impede que tal aconteça. Apesar dos esforços em alçançar o público luso, os fãs permanecem poucos, ainda que leais. A tentativa de agradar a todos notou-‐se na setlist escolhida, onde constavam maioritariamente músicas do último álbum, mais comercial, e alguns sucessos de álbuns anteriores, tais como A Whole Child Ago e Glitter and Trauma. O concerto foi algo confuso e ficou no ar a vontade de ouvir mais temas antigos. Apesar disso, temas como Living is a Problem Because Everything Dies e Who’s Got a Match fizeram as delícias dos verdadeiros fãs, que saltaram e gritaram por Simon e a sua banda. O vocalista escocês agradeceu a presença dos fãs e a sua energia e alegria a tocar são, no mínimo, aprazíveis de se ver. Many of Horror foi cantada em conjunto com um público sabedor da letra e The Captain encerrou uma actuação que ficou aquém das expectativas. Destaque ainda para Mountains, um tema cuja força e beleza conquistam em qualquer concerto da banda.
No Palco Optimus, estava na hora da única banda portuguesa actuar, os Moonspell. Fernando Ribeiro e companhia só a espaços conseguiram conquistar um público que no geral era bastante diferente daquele que costumam encontrar. A qualidade do som não era a melhor, mas quem tenha visto este concerto não pode apontar falta de profissionalismo ao colectivo nacional. Opium, Luna e Alma Matter ainda conseguiram fazer ouvir as vozes do público, fazendo ver que os Moonspell mesmo a jogar fora de casa conseguem arrastar fãs, e fazer chegar a sua música a meios diferentes. Para a história ficará o nome dos Moonspell neste Alive, mas com a ideia de que podiam ter dado um melhor concerto, mais ao seu nível.
Grande parte da multidão que encheu o Alive!’10 foi, claramente, para ver o segundo palco. Por isso não seria de estranhar que, por volta das 20h30, já mal se conseguisse entrar na tenda, na expectativa de ver Florence and the Machine a actuar. E foi a banda britânica quem mais gente levou ao local. Florence Welch entrou em palco para testemunhar um mar de gente que não parava de aumentar. Howl fez as honras, à semelhança do concerto na Aula Magna. Os fãs deliram, cantam e dançam ao som das músicas, gritam tão alto que é ensurdecedor, recebem a banda com palmas e uma alegria imensa de a poder ver em actuação. Qual criança divertida, Florence saltitou pelo palco, puxou pelo público, cantou e encantou com a sua voz. A artista emocionou-se defronte de tantos fãs e de uma plateia cujo fim se perdia no horizonte. Agradeceu aos fãs, muitos dos quais bastante recentes devido à sua súbita popularidade por terras lusas, e proferiu algumas palavras em português. Drumming espalhou a sua força pela audiência, mas foi Cosmic Love um dos momentos mais apreciados pelos fãs. A beleza deste que é o seu mais recente single não chega aos calcanhares do espectáculo na Aula Magna, perdida algures entre crowdsurfings deslocados e aclamações não contidas. Após You Got the Love, algumas pessoas abandonaram o recinto. Dog Days are Over e Rabbit Heart (Raise it Up) ficaram guardadas para o fim, cuja participação do público ajudou a fortalecê-las ainda mais. A banda apresentou ainda novas músicas, tais como Heavy e Strangeness and Charm.
Quatro anos depois, os Alice in Chains voltam a Lisboa, e desta vez com um novo álbum na bagagem, gravado com William DuVall. Mais de meia década após a morte de Layne Staley, o quarteto de Seattle volta verdadeiramente ao activo, e apresenta o mais recente Black Gives Way To Blue no Optimus Alive. Jerry Cantrell e companhia iniciaram o concerto de forma espectacular tocando logo Rain When I Die, Them Bones e Dam That River. Depois de Again e Ain’t Like That, estava na altura de conhecer o novo álbum dos Alice In Chains, e que tema melhor para isso do que Check My Brain? Seguiu-se Your Decision, também single do álbum, e No Excuses. Depois de mais duas músicas do último álbum, o público não mais pararia de cantar, e até ao final tudo foi nostalgia. We Die Young, Man In The Box, Would?, e finalmente a fechar, Rooster, a colocar as emoções ao rubro neste Optimus Alive. Um concerto para mais tarde recordar, juntamente com as palavras de William DuVall, de que os veremos brevemente.
Para The XX, a tenda do palco secundário permanecia insuficiente para acolher os fãs. Depois de um concerto esgotado na Aula Magna, outra coisa não seria de esperar. Mais uma vez, foi perante um mar infindável de espectadores que a banda londrina entrou em cena. O barulho era ensurdecedor e o ar irrespirável. Intro deu início ao concerto, seguida de uma das preferidas, Crystalised. As vozes de Romy Madley Croft e Oliver Sim cativaram os fãs, apesar do registo da banda ser sem dúvida mais íntimo e adequado para um recinto fechado. No entanto, a banda teve sucesso ao transportar e moldar essa característica a seu favor e para apreciação do público. Shelter e VCR foram os momentos altos de uma actuação onde constou uma Do You Mind da artista de R&B Kyla e uma brilhante Night Time, que pôs fãs a saltar.
Penúltima banda a actuar no Palco Optimus, os Kasabian, entraram com o single Fast Fuse a gerar alguma dúvida nos elementos do público. Com Tom Meighan sempre muito activo, e um pouco alterado, os britânicos foram despejando singles recentes como Underdog e Shoot The Runner. Os ingleses tocaram a curtos intervalos temas do novo álbum, intercalando sempre com velhos êxitos, mas nem assim conseguiram criar um grande ambiente. Só mesmo mais perto do final Tom Meighan e companhia foram conquistando o público português, com Club Foot e Vlad The Impaler. O concerto viria a terminar com L.S.F. (Lost Souls Forever), mas sem a missão cumprida.
Chegara então a vez de La Roux. Após um adiamento que resultou no cancelamento do concerto na discoteca Lux, os fãs esperavam o momento em que Elly Jackson finalmente aparecesse perante eles. O recinto estava mais vazio que nas bandas anteriores, mas público não faltou. Elly entrou mesmo em palco, debaixo de uma capa preta e imediatamente a música começou. Tigerlily foi a escolha acertada. A cantora britânica, após cumprimentar o público, fez questão de pedir as suas desculpas por ter cancelado o concerto, ao que os fãs responderam com palmas e alguns apupos. Mas Elly tinha como missão redimir‐se e apresentou uma actuação que serviu como tal. I’m Not Your Toy foi uma das preferidas do público, à qual se seguiu uma recente cover da Under My Thumb dos Rolling Stones. Colourless Colours foi o tema mais bonito, no sentido em que a voz da cantora, de facto, encantou. In for the Kill antecedeu Bulletproof, duo que terminou o concerto. Ambas foram acolhidas com fervor e muita dança. A banda estava redimida e o público satisfeito.
Passado um ano, e a pedido dos portugueses os Faith No More estavam de volta a Portugal. Um caso de amor recíproco como poucos, é este entre Portugal e Mike Patton. Uma entrada que teve tanto de fabulosa como de peculiar com Midnight Cowboy (original de John Barry), já fazia prever que ia ser uma grande noite. De seguida, From Out Of Nowhere, do álbum The Real Thing, e Be Agressive de Angel Dust foram grandes pretextos para o público português mostrar a Mike Patton e companhia a sua devoção pela banda norte-americana. Após The Real Thing, seria Evidence a levar ao rubro o recinto. É certo que é um costume de Mike Patton cantar esta música na lingua do país onde está a actuar, mas hoje fê-lo por completo, apenas a palavra que dá o nome à música foi cantada em inglês. A única música da era pré-Patton tocada nesta noite foi As The Worm Turns, e só dá que pensar, como poderiam existir estes Faith No More sem Mike Patton, se até uma música gravada e composta sem ele lhe parece pertencer. Last Cup Of Sorrow e a louca Cuckoo For Caca iam dando brilho a uma actuação perfeita.
Easy, dos Commodores, mas também celebrizada pelos Faith No More, continuou a pôr à prova as vozes do público, o que aconteceu de forma muito mais vincada em Midlife Crisis, na qual Mike Patton manda parar a música para que pudesse ouvir bem os portugueses a cantar o refrão. The Gentle Art Of Making Enemies mostrou mais um pouco da saudável loucura que Patton mostra em palco, seguida de Ashes To Ashes. Seguir-se-ia nas palavras de Mike Patton “uma música para os amantes”, e essa música era Ben, dos Jackson 5. Música muito calma, na qual o vocalista desceu do palco para se sentar próximo do público. Em King For a Day, brindou-nos novamente com proximidade, fazendo crowd surf, que acabou por não correr muito bem. Alguém resolveu roubar um sapato a Mike Patton, mas felizmente o norte-americano tão querido dos portugueses não julgou todo o público pela atitude de alguns, e o espectáculo continuou com a mesma animação que teve desde o inicio. A épica Epic, e Just A Man, serviram para uma falsa despedida, que iria resultar no primeiro encore da noite.
A reentrada dos Faith No More em palco, dar-se-ia com uma brincadeira, que Mike Patton dedicou à tristeza dos portugueses com a selecção nacional. Brincadeira essa, que foi uma curta versão dos Vangelis, de Chariots Of Fire, seguida de imediato da psicadélica Stripsearch, e novamente de uma falsa despedida com Surprise! You’re Dead! O final seria dedicado ao “mais grande caralho português”, Cristiano Ronaldo, apelidado por Mike Patton de “palhaço”. E com esta descrição, qual poderia ser a música que iria fechar o espectáculo? Só poderia ser uma música com esse mesmo tema, com título e refrão em português, Caralho Voador. Um final espectacular, num concerto que vai deixar saudades. “Até à próxima, beijinhos.”, foi assim que Mike Patton se despediu, e esperamos realmente que haja uma próxima. Os Faith No More deram sem dúvida um dos melhores concertos do ano, muito próximo da perfeição.
Para o final da noite, Calvin Harris antecedia Burns. O artista escocês iniciou a actuação com energia perante um recinto meio cheio. O público foi aumentando e temas como Stars Come Out e The Girls entusiasmaram e puseram todos a saltar e dançar. A continuação da festa ficou a cargo do segundo e terceiro palco, que serviram de pista de dança a quem ainda tinha energia. Tiga, Burns e Proxy foram os encarregues.
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Reportagem Optimus Alive!10 - 9 de Julho |
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Reportagem Optimus Alive!10 - 10 de Julho |
Reportagem Panda Bear
Feb 14th
Na noite de ontem, e pela segunda vez consecutiva de casa cheia, o recém-lisboeta Noah Lennox veio apresentar expectativas para o seu quarto e mais recente álbum, "Tomboy", que promete estrear em Setembro deste ano.
Panda Bear aparece num registo um pouco mais agressivo, “noisy” e ligado à guitarra. O reverb na voz não deixa de fazer lembrar Brian Wilson e os Beach Boys e é de notar que este álbum tem uma ligação mais intrínseca com o último trabalho de Animal Collective, porém, menos jovial e mais ultrajante.
Numa construção musical mais intricada, densa e texturada, é de apontar o uso recorrente e repetitivo de loops e distorção.
Quase sem tempo para pausas e palmas, e apesar das já esperadas saudades de Person Pitch, o público pareceu saudar de forma atenta este novo trabalho e a presença ímpar e recatada de Lennox
. O trabalho de vídeo de Danny Perez que acompanhava o artista ajudava à experiência envolvente, que parece ter corrido de forma mais fluida e com um melhor sonoridade do que o dia anterior.
Reportagem Long Way To Alaska + Scout Niblett
Dec 26th
Na passada terça feira, dia 15 de Dezembro, o Cinema Passos Manuel serviu de palco para uma grande noite de música. Passando por grandes promessas e por grandes certezas do folk mais alternativo.
Foi por volta das 23 horas, já com algum atraso, que os bracarenses Long Way To Alaska subiram ao palco. Nos seus tenros 20 anos já se sente muito talento, extremamente bem demonstrado pela sua pop doce e orelhuda. Tendo deixado encantada a maioria dos presentes na sala é de esperar um futuro extremamente risonho e merecedor de voos mais altos para esquarteto.
Terminado o aquecimento, foi a vez de Scout Niblett, oriunda de Notingham, tomar de assalto a ribalta. Avançando sozinha, munida de guitarra e voz singular, a Inglesa lançou-se à apresentação do seu novo album, intitulado The Calcination of Scout Niblett. Durante cerca de uma hora, ouviram-se temas de grande parte do seu reportório, ora a guitarra e voz, ora a bateria e voz, com especial destaque para a primeira opção. Após uns encores com algumas questões existenciais, a noite terminou.
Uma noite bem conseguida e queabriu o apetite para a continuação de grandes concertos em 2010.
Reportagem Long Way To Alaska + Scout Niblett
Dec 19th
Na passada terça feira, dia 15 de Dezembro, o Cinema Passos Manuel serviu de palco para uma grande noite de música. Passando por grandes promessas e por grandes certezas do folk mais alternativo.
Foi por volta das 23 horas, já com algum atraso, que os bracarenses Long Way To Alaska subiram ao palco. Nos seus tenros 20 anos já se sente muito talento, extremamente bem demonstrado pela sua pop doce e orelhuda. Tendo deixado encantada a maioria dos presentes na sala é de esperar um futuro extremamente risonho e merecedor de voos mais altos para esquarteto.
Terminado o aquecimento, foi a vez de Scout Niblett, oriunda de Notingham, tomar de assalto a ribalta. Avançando sozinha, munida de guitarra e voz singular, a Inglesa lançou-se à apresentação do seu novo album, intitulado The Calcination of Scout Niblett. Durante cerca de uma hora, ouviram-se temas de grande parte do seu reportório, ora a guitarra e voz, ora a bateria e voz, com especial destaque para a primeira opção. Após uns encores com algumas questões existenciais, a noite terminou.
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Uma noite bem conseguida e queabriu o apetite para a continuação de grandes concertos em 2010.
Reportagem The Dodos @ Santiago Alquimista
Dec 16th
Terça-Feira e um boletim meteorológico nada favorável, não impediram um número razoável de pessoas de se dirigirem à Rua de Santiago, quiçá na esperança de se verem refugiadas numa bolha impermeável de música indie.
O 'Santiago Alquimista' recebia então, doismileoito e The Dodos.
Oriundos da Maia, os doismileoito respiram versatilidade e possuem uma dose resguardada de ruptura estética necessária às bandas portuguesas que os acompanham lado-a-lado no rótulo de indie. "Caratéquide", "Atrás de mim", "Acordes com Arroz" e "Cabanas" foram algumas das músicas que nos apresentaram, inseridas no álbum homónimo doismileoito. Tímidos em palco, mas com composições audazes, fecham a actuação com o 1º single extraído do álbum "Bem melhor".
Após uma longa espera, motivada por uma aparente descoordenação na preparação do palco, entra Meric Long e companhia para animarem as hostes.
Num regresso aguardado, a banda oriunda de São Francisco, Califórnia e formados em 2006, contam já com 3 álbuns, o mais recente LP, intitulado Time to Die. Este último, mais coeso que o Visiter, faz lembrar Animal Collective, sem a dose de psicadelismo levado ao extremo. Riffs agradáveis ao ouvido e uma fusão de influências pouco convencionais fazem desta banda um pólo interessante num espectro vasto do tão falado indie. Aliar Ewe drumming(Meric Long) com resquícios de metal (Logan Kroeber) e um vibrafonista com formação clássica não soa fácil, porém The Dodos parecem nadar na música como um peixe dentro de água.
Músicas como "Fables" e "Longform" fizeram as alegrias de um público que bateu o pé no soalho, em vez da poça.
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Um concerto consistente, energético, marcado por uma atitude descontraída de quem se queria divertir e trabalhava incansavelmente para divertir quem os ouve.
Reportagem Fruit Bats + Vetiver @ Passos Manuel
Dec 2nd
No passado dia 1 de Dezembro, o Passos Manuel abrigou mais uma noite de boa musica internacional, recebendo de braços abertos os Vetiver e os Fruit Bats.
Foi por volta das 22h30 que os americanos Fruit Bats subiram ao palco do antigo cinema. Oriundos de Chicago e portadores de um folk rock extremamente adocicado, lançaram-se a cerca de 40 minutos dedicados à apresentação do seu mais recente album, intitulado "The Ruminant Band".
Liderados por Eric Johnson (membro dos The Shins), os Fruit Bats deram um concerto irrepreensível e forte como seria de esperar.
Em seguida, por volta das 23h30, os Californianos, Vetiver começaram a sua actuação. O seu último trabalho, o aclamado Tight Knit, serviu de desculpa para grande parte do concerto, contudo ainda houve tempo por um passeio equilibrado por todo o reportório, assim como para uma cover de Grateful Dead e um novo single.
Após cerca de uma hora de folk que fez sentir a falta de uma fogueira e mais proximidade banda-publico, os Vetiver abandonaram o palco sem realizarem encore.
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Reportagem Isis @ Teatro Sá da Bandeira
Dec 1st
No passado dia 29 de Novembro, o Teatro Sá da Bandeira serviu de palco para um dos concertos mais aguardados dos últimos anos. Os norte-americanos Isis fizeram crescer um burburinho sobre eles próprios no decorrer da última década, atingindo já um estatuto de culto. Não é portanto de estranhar que a sala de espectáculos da baixa portuense tenha ficado muito bem preenchida. Contudo, a abertura do palco coube a dois projectos menos mediáticos, mais propriamente aos finlandeses Circle e aos americanos Keelhaul.
Os Keelhaul entraram em palco por volta das 21h30, e libertaram uma grande descarga de um metal voltado para o stoner e para o progressivo. Actuando durante cerca de 30 minutos, conseguiram captar a atenção das fileiras já presentes no teatro.
Em seguida foi a vez dos finlandeses Circle tomarem de assalto o palco para uma actuação completamente extravagante. Estando a aproximar-se da segunda década de existência, este quarteto apresenta uma actuação planeada e teatral, revelando bastante à-vontade e experiência. Contudo, os seus contornos mais avant-garde e virados para o krautrock e para o progressivo provaram ser um pouco demais para grande parte do público, que não parecia muito satisfeito com o que estava a ver.
Finalmente, a encerrar a noite deu-se o verdadeiro começo. O quinteto californiano que dá pelo nome de Isis entrou no palco de forma humilde e relaxada. A primeira música que se fez ouvir foi a “Hall of The Dead”, que acabou por servir de mote para a apresentação do seu mais recente trabalho, intitulado Wavering Radiant. Seguiram-se então mais seis músicas intensas e avassaladoras, retiradas maioritariamente dos seus últimos dois álbuns. No entanto, o clímax foi atingindo no encore. Começando com “Carry” (do seu já clássico Oceanic) e acabando com uma “Altered Course” extremamente alongada.
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Aaron Turner e companhia despediram-se do palco e de hora e meia que provou ser o suficiente para um dos concertos mais poderosos que se fez sentir nos últimos tempos.
Reportagem Marés Vivas 2009 (3º Dia)
Jul 20th
Entretanto, já eram muitas as pessoa que se juntavam no Palco Principal à espera dos concertos da noite com o cartaz mais consistente desta edição do Marés Vivas, que se comprovou pela extraordinária plateia que assistiu e vibrou com todos os concertos.
Primeiro Gabriela Cilmi, que com alguns problemas técnicos rapidamente resolvidos, correspondeu ao que a trouxe à margem do rio Douro. Foi uma actuação simples mas nem por isso menos boa, como aliás o muito público o fez sentir cantando e acompanhando a cantora durante todo o concerto.
Para dar continuação aos concertos, era agora a vez de Colbie Caillat que sem grandes extravagâncias, simples e simpática, fez algumas confidências sobre o medo que tinha dos palcos e das multidões. Conquistou o público não só com as músicas que todos esperavam ouvir como “Realize" ou "Oxygen”, mas muito também graças à grande interacção e cumplicidade entre a banda e o público. Já no final, um dos momentos do concerto, com o público a assumir o papel principal numa versão de "Killing Me Softly". O público estava já rendido e a noite ainda ia a meio!
E foi com o público já completamente embalado e extasiado que Jason Mraz entrou em palco e apresentou um espectáculo que fez vibrar a multidão que enchia completamente o recinto. Com uma sonoridade simples e cativante, não só não desiludiu o público como o levou a um nível de histeria ao som de “I’m Yours” deixando todos deliciados e a dançar ao seu ritmo.
Para fechar a edição de 2009 do Festival Marés Vivas, os Keane subiram a palco, para brindar o público com um grande espectáculo que certamente superou as expectativas de muitos dos presentes e onde não faltaram temas como “Crystal Ball”, “Nothing In My Way”, e “You Don’t See Me” que dedicou a todos os presentes. No último encore, “Under Pressure”, dos Queen, fez as delícias do público que certamente terá vontade de voltar para a edição de 2010 deste festival com uma vista privilegiada sobre a cidade do Porto.
De referir ainda, de igual importância, a acção social deste festival que se juntou à Associação Inês Botelho, que se dedica ao acompanhamento e apoio a crianças com leucemia e seus familiares e amigos. O Hard Rock Café ofereceu a guitarra, a Porto Eventos fez com que fosse assinada por todos os artistas presentes no festival para que seja leiloada e todo o dinheiro conseguido possa reverter para a ajuda na promoção da qualidade de vida de muitas crianças.
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Reportagem Super Bock Super Rock Porto
Jul 12th
Foi com um duro golpe que o Super Bock Super Rock, no Porto, abriu as portas para a sua 15ª edição. O cancelamento dos Depeche Mode, grandes headliners da noite, e a promessa de devolução do dinheiro do bilhete àqueles que assim o pretendessem fizeram com que pouca gente estivesse no recinto à hora de abertura, algo que fazia prever um estádio do Bessa pouco composto.
A abertura do festival coube a um das bandas vencedoras do já habitual concurso “Super Bock Super Rock Preload”, os Soapbox. Constituídos por cinco membros, a banda oriunda de Lisboa, actuou para um pequeno grupo, composto essencialmente de amigos e familiares, com um alinhamento de quatro músicas. Foi uma boa prestação de rock alternativo, bem escolhido para o inicio do dia.
De seguida, entrou em palco o duo Motor, que trazia consigo um set de músicas situadas entre o techno e o electro e uma frase mote que repetiriam várias vezes durante a sua curta actuação: “We are MO-TOR!”. A performance demonstrou-se enérgica, mas teria sido mais apropriado se a banda, pelo seu estilo mais dançável, tivesse actuado no fim da noite.
Um backdrop preto com letras brancas anunciava a banda seguinte, uma das mais esperadas do dia: Peter, Bjorn and John surgiram no palco vestidos a preceito e com uma atitude muito positiva para partilhar com a audiência. Lançando-se de imediato ao seu indie rock, conseguiram um feedback dos presentes que ainda não se tinha sentido: palmas, músicas trauteadas eassobios eram audíveis, até mesmo um “És lindo” de um membro masculino já bastante embriagado. “Nothing to worry about” e “Lay it Down” foram alguns dos temas que agradaram o público, mas foi com a reconhecida e assobiável “Young Folks” que o primeiro pico de êxtase da noite se deu. Todo o recinto assobiava e dançava ao som da música. Um dos vocalistas desceu até junto do público e percorreu a primeira fila, distribuindo cumprimentos por todos, deixando um sorriso na cara da maioria, algo que aproximou ainda mais público e banda. De regresso ao palco, a performance continuou, com movimentos de dança muito expressivos de Peter e com um convite para acompanhar uma música entoando um“La La La” melódico. Um actuação muito agradável e próxima, que fez com que o público que até ai se espalhava pelo recinto se aproximasse do palco, revelando já uma massa considerável de pessoas presentes.
Os Nouvelle Vague são já uma presença assídua em Portugal e foram os seguintes a actuar. Uma recepção calorosa esperava-os e estes corresponderam em tudo com a sua performance, o melhor concerto da noite. Houve dança, houve teatro, houve uma incrível interacção com o público que deixou toda a gente no auge. As vocalistas, uma loira e uma morena, brincavam com o espaço e com o público, incitando este a cantar e a repetir as suas músicas.“Too drunk to fuck”, “Blister in the Sun” e até a “Just can’t get enough” dos Depeche Mode foram interpretadas com uma expressividade incomum e uma alegria incomparável que se alastrou a toda a audiência, especialmente quando uma das cantoras resolveu ela também conquistar o poço e indo ainda mais longe,saltando as grades e envolvendo-se no meio do público, aos abraços e risos, com tempo até para uma ou outra fotografia. De volta ao palco, foi possível escutar uma versão de “God Save The Queen” apenas com uma guitarra acústica e uma voz doce e, por fim, o clássico “Love Will Tear Us Apart”, que deliciou o público. Um concerto muito consistente e forte, com as emoções à flor da pele e um poder espectacular.
Os The Gift foram os seguintes no alinhamento. Substitutosdos Depeche Mode, a par dos Xutos e Pontapés, entraram com muita energia e tentaram ao máximo oferecer um concerto animado, tentando colmatar a grande falha da noite, tarefa praticamente impossível. Apesar deste peso sobre os ombros, deram um bom espectáculo, puxando pela audiência, que nesta altura já era bastante considerável, enchendo quase metade do campo do Bessa. Temas como “Ok! Do you wantsomething simple”, “11:33”, “Fácil de entender” e “Driving you slow” foram ouvidos e cantados pelos festivaleiros. Sónia Tavares agradeceu a presença de todos, demonstrou o seu agrado em estar de regresso ao Porto e entreteu de forma bastante positiva quem a estava a ver. Um bom saldo para um concerto de substituição.
Encerrando a noite, foi a vez dos conhecidos rockeiros portugueses Xutos e Pontapés apresentarem o seu alinhamento, com um público bastante entusiasmado e receptivo à sua espera. Foram ouvidos tanto os clássicos da banda, aquelas músicas que todos sabemos de cor, passados tantos anos, bem como temas do seu homónimo álbum novo. Presenciou-se um típico concerto de Xutos, familiar e conhecido entre o público português. Fazendo uma retrospectiva a toda a noite e tendo em conta aquilo que poderia ter sido com o cancelamento dos Depeche Mode, há que salientar o resultado positivo deste evento. Foram vistos e ouvidos bons concertos, que tentaram preencher a lacuna deixada e que, nem que por breves momentos, fizeram esquecer o motivo porque gostaríamos de estar ali: Depeche Mode.
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