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Reportagem Milhões de Festa 2011
Jul 30th
Bem, parece que é mesmo verdade: o Milhões de Festa é, no mínimo dos mínimos, o festival mais único de todos os festivais. Único não tanto pelos concertos, mas antes pela experiência que proporciona a quem o visita. Se são inegáveis as falhas na organização (que é que raio se passou naquele palco da piscina no último dia?), ainda mais inegável é o enorme valor do festival, que olha para dentro quando outros olham para fora, resgatando nomes nacionais que outros não se lembraram, e apostando em nomes internacionais que afastariam tantos outros.
Querem um festival em que as pessoas em vez de filmarem e tirarem fotos com os telemóveis se calem e ouçam o concerto, e onde até os moches parecem feitos numa espécie de comunhão amigável em que estão todos ali para se divertir em conjunto? Então o Milhões é para vocês.
Os problemas de organização deste ano (e mais vale despachar já isso, para falar depois do que realmente vale a pena) vieram, acima de tudo, da tentativa de fazer demasiado. Veja-se, por exemplo, o palco Lovers & Lollypops, aka, “aquele toldo à beira do rio que estava virado contra o sol e impossibilitava ver de frente os concertos sem apanhar uma insolação”. Som péssimo e um espaço que simplesmente não é, de forma alguma, apropriado para ver concertos.
Além, claro, dos problemas em lá chegar. As indicações foram colocadas já perto do fim do primeiro dia, e não foram poucos os que entretanto se perderam a caminho, tentando descobrir aquela descida escondida pela qual eu e mais uns quantos passámos duas ou três vezes sem sequer a ver.
Além disto, houve as mudanças de alinhamento no palco da piscina, reveladas por vezes literalmente em cima da hora. Os atrasos foram, aliás, frequentes ao longo do festival, sendo ainda assim de louvar a forma como foi tratado o assunto: no recinto principal, onde estava o palco Milhões e o palco Vice, os concertos de cada palco só começavam após ter terminado que estava a decorrer no outro. Desta forma, era possível ver todos os concertos, do início ao fim, no recinto. E isto era assim mesmo quando existiam atrasos; uma atitude que, diga-se, nem todos teriam.
Em relação à comida… muitos se queixavam que, no recinto, apenas se podiam comer cachorros (cachorrões, aliás), mas mesmo perto da entrada havia uma banca que vendia hamburgueres, cachorros, bifanas e etc., e, não muito longe, existiam vários restaurantes. Tendo em conta que só no primeiro dia é que vi fila para entrar, era facílimo entrar e sair do recinto a horas de jantar para comer o que quer que fosse. E havia ainda um multibanco literalmente em frente, do outro lado da estrada. Melhor localização era impossível.
E haverá festival mais confortável que este, onde se pode andar calmamente por todo o recinto, que mesmo quando está cheio nunca se torna claustrofóbico? Aliás, o festival nunca esteve demasiado cheio (ficar na grade dum concerto nunca foi tão fácil) - uma maravilha. Para além de tudo, visitar Barcelos vale, por si só, o preço do passe.
22 de Julho de 2011
O início do festival, no palco da piscina, foi com os HILL, e dificilmente poderia ter sido melhor. Dupla com bateria e guitarra… presa à bateria, que toca consoante o reverb que vai recebendo, e que faz rock energético, barulhento e que se ouve sempre bem. A isto se alia um vocalista, João Guedes dos Sizo, com uma baqueta e um tambor, e temos um bom concerto feito. Já disse que a guitarra estava presa à bateria e tocava a partir do reverb? Que ideia genial. O palco da piscina é, aliás, um dos maiores trunfos do festival. Ouvir concertos dentro de água: melhor é impossível.
Os Black Bombaim, que tocaram a seguir em substituição dos cancelados Föllakzoid, mostraram o porquê de serem um dos nomes em clara ascenção no nosso panorama. Rock instrumental stoner onde a guitarra impera, complementada por um excelente baixo e uma excelente bateria. Fica-se com pena que cada banda toque apenas cerca de meia-hora neste palco, com um concerto destes, entregue com energia e sem paragens. Vê-los a solo torna-se imediatamente uma necessidade.
De seguida, vive-se uma aventura para achar o palco da Lovers & Lollypops, onde vão tocar os Botswana. Quando finalmente lá se chega, perto da hora em que o concerto deveria estar a terminar, este ainda nem começou. E quando começa, apercebemo-nos bem do quão mau é o local (não é de admirar que, ao longo de todo o festival, poucos tenham lá ido, salvo em raros concertos). O sol bate de frente, tornando impossível ver confortavelmente o concerto em frente ao palco, e o som está péssimo, levando Joca (provavelmente um dos melhores vocalistas da nossa história) e toda a banda no geral a queixarem-se frequentemente ao longo do espectáculo. Por vezes desaparece a bateria, noutras as guitarras, noutras a voz… E ao que parece, o encarregue pelo som não era sequer técnico (então, Milhões?). Ainda assim, a banda soube dar a volta, dando um bom concerto onde o seu rock emergiu acima de tudo, com o vocalista a cantar perto do público e a banda (que mal cabia naquele palco minúsculo) a tocar na perfeição cada tema. Pediam-se condições melhores, mas não deixou de ser um bom concerto. Como seria de esperar.
O atraso afecta todos os concertos seguintes, e é já com um largo atraso que começa Dirty Beaches. Samples, guitarra, e voz lo-fi são os elementos que compõem, e muito bem, a música de Alex Hungtai, que fez este ano uma pequena digressão pelo nosso país. Eram vários os corajosos que viam o concerto em frente ao palco, levando com o sol em cima, e Alex não tardou a ir com a guitarra para o meio do público. Foi com pena que se saiu do concerto ia este a meio, mas o atraso tramou os planos e começava daqui a nada um dos concertos obrigatórios do dia: Riding Pânico, no palco Vice.
Rock instrumental da pesada, onde as guitarras e a bateria (aqui comandada por Chris Common, dos These Arms Are Snakes) dão descargas de energia do início ao fim. E como poderia não ser assim, com músicas como "E Se a Bela For o Monstro?"? Nunca é demais falar da bateria, tocada de forma impressionante por um Chris Common monstruoso. Uma descarga total de som, em que tudo se conjugava na perfeição. Resta fazer figas para que voltem no próximo Milhões. Ou então apenas para que voltem, ponto.
A festa continuou feita por gente de cá, logo a seguir, quando os Born a Lion subiram ao palco Milhões. Blues com veia muito rock, num concerto que surpreendeu pela sua potência (isto em disco não era assim!) e pela prestação exemplar de todos os músicos sem excepção. Rodrigues, um excelente baterista-vocalista (haverá coisa mais espectacular?), é um animal de palco que vai fazendo a ponte banda-público, falando naquele seu brasileiro tão característico, do Milhões de Festa e do memorável que os próximos dias vão ser. A banda, desaparecida dos palcos há algum tempo, revela ter assinado pela Lovers & Lollypops, e é portanto de esperar um regresso em grande. Por agora fica uma constatação: estão em excelente forma e deram um belíssimo concerto.
No final seguiu-se Motornoise no palco Vice. Metal repetitivo, pouco original, que vale apenas pelo vocalista que se atira para o público e bebe do início ao fim. A subtileza não é um dos fortes da banda (“Esta canção é sobre bêbados, e chama-se… Podres de Bêbados”), e são apenas mais uma banda, igual a tantas outras, que não convence particularmente em nada. Os poucos presentes, no entanto, pareceram convencidos.
Mais convencidos que em AEthenor, talvez a banda mais experimental que passou pelo festival, e que falhou apenas por estar a tocar num ambiente que não era, de forma alguma, o melhor para a sua música. Música ambiente, instrumental, que vive de camadas que se vão desenrolando ao longo de imenso tempo, nunca chegando a um clímax definido. Isto, num festival, de dia, simplesmente não resulta. O público, sentado, não parecia reagir, e percebia-se: é difícil criar o tipo de concentração (ou de ligação, diga-se) necessário para que este tipo de música funcione, num festival, neste ambiente. Alguém que os traga a um sítio pequeno e íntimo, e teremos sem dúvida um belo concerto; aqui, por outro lado, não resultou. É que nem sequer de noite era…
Shit and Shine foi monótono e repetitivo ao início, ainda que fosse interessante ver aquele quarteto em palco, vestidos daquela forma (dois coelhos e um que parecia a rapariga assustadora do The Ring… mas de roupão). Electrónica que parecia não ir a lado nenhum, sem construção nem clímax. Mas, infelizmente, não posso comentar: foi o único concerto de que saí a meio para ir finalmente comer alguma coisa, e parece que depois aquilo deu a volta e ficou muito mais dançável. O que vi, não convenceu, mas acredito que, mais à frente, tenha ficado bem melhor.
Zun Zun Egui, que tocaram no palco Milhões em vez do Vice, como seria previsto, e antes dos Gama Bomb e não depois, deram um concerto agradável, por vezes energético, que só perto do fim começou a cair no aborrecimento. Uma espécie de pop-rock (não gosto do termo, mas há bandas em que assenta bem) com toques de psicadelismo, que em disco soa a lo-fi, mas que ao vivo perde essa dimensão e ganha antes uma veia mais rockeira. O vocalista, uma figura caricata, depois andou pelo recinto durante o resto do festival, frequentemente bêbado, tendo proporcionado, pelo que me contaram, algumas histórias curiosas na piscina. Eu vi lá o Hélio, já foi bom.
Os Gama Bomb foram, basicamente, o concerto mais cliché e divertido do Milhões (e, também, o primeiro a conseguir juntar realmente muita gente em frente ao palco). No bom e no mau sentido. Um vocalista à metal clássico, que lança agudos a torto e a direito (e nós respondiamos com risadas), riffs iguais a tantos outros, e músicos de cabelo comprido com aqueles fatos que são regulares no género. Parecia um concerto de Mastodon, mas… bem, em mau. Mas lá está: daquele mau que chega a ser bom. A verdade é que a própria banda não se parece levar muito a sério, e o vocalista, sempre comunicativo, ajudou (hilariante, o momento em que o público repetiu um grito seu, daqueles agudos, e este respondeu com um “Wow, isso foi uma coisa à Queen. Os Queen estão aqui hoje!”). Divertido, talvez não pelas melhores razões, mas divertido na mesma.
Não há nada de particularmente interessante ou original nos Graveyard, mas fazem canções com uma competência e um bom gosto que ao vivo torna-se difícil não gostar. Os paralelismos com bandas de um rock clássico como, por exemplo, os Led Zeppelin (muita, muita gente com t-shirts deles neste concerto) torna-se inevitável, mas a sua música consegue nunca se tornar nem revivalista nem imitadora. Boa voz, boas guitarras, boas letras. Não há, à partida, nada de particularmente bom, mas ao vivo aguentam-se muitíssimo bem, acabando ainda assim por fartar um pouco os que não são fãs (que, pelo público, nem eram assim tantos). Bom concerto.
De seguida, começou a maior sequência de grandes concertos que se viu em todo o festival, e que fez deste primeiro dia o mais forte dos três: If Lucy Fell, Liars, Veados com Fome e Lobster (o melhor concerto do festival, mas já lá vamos).
Os If Lucy Fell, que não tocavam há dois anos, voltaram e mostraram ser ainda aquilo que sempre foram: poderosos. Podemos falar do grande vocalista, Makoto Yagyu, que a certa altura vai até à mesa do som andando por cima do público, podemos falar do excelente baterista (Hélio Morais, está claro) que cobre cada canção de forma perfeita, podemos falar do bom baixista (Pedro Cobrado) que parece estar a viver a melhor noite da sua vida em palco, tal como o teclista (João Pereira) e podemos, acima de tudo, falar do monumental guitarrista (Rui Carvalho), que é incrível do início ao fim, dando descargas de guitarra que raramente voltariam a ser igualadas em todo o festival. Rock épico, forte e de arrepiar, num concerto que foi, como se esperava, espectacular. Resta agora saber o que farão no futuro.
Os Liars eram, a par das Electrelane, os dois grandes cabeças-de-cartaz do festival. Quem esperava um concerto monumental, dos melhores do ano, talvez tenha ficado desiludido; mas quem esperava um concerto de excelência, com uma energia sem fim por vezes apenas mandada abaixo por alguns momentos mais parados, terá tido mais sorte. Um concerto espectacular, com momentos melhores que outros (nada bateu a "Plaster Casts of Everything", já perto do fim e "Broken Witch", claro, também foi um momento magnífico), mas que esteve bem acima da média e que foi, frequentemente, perto da genialidade. Pura energia, puro rock, puro caos com direito a moche e afins, e um vocalista tão caricato e envolvido no que faz que o concerto teria valido só para o ver em palco. O público, dos maiores que o festival viu, já sabia bem ao que vinha, e pareceu mais que satisfeito no final.
Menos público tiveram os Veados com Fome, que deixaram saudades naquele que foi, ao que tudo indica, o seu último concerto de sempre. Um som poderoso (estava tudo mais alto que o normal, e ainda bem), onde é impressionante o que um trio consegue fazer. Post-rock potente, rápido e ríspido, onde a guitarra grita acima de tudo, sempre com um baterista com tanto talento quanto carisma (Cavalheiro, herói nacional). Canções como "Ultramar" ou "Paquito" (tocadas num mashup) são sempre incríveis, sempre arrepiantes. Um dos concertos mais envolventes do festival, em que a potência do som e das suas canções foi o que mais interessou. Raios, vão fazer tanta falta.
Os Veados com Fome foram uma das duas bandas que marcaram o início da Lovers & Lollypops. A outra banda, e um dos outros grandes regressos da noite, são os Lobster, duo maravilha consituído por Guilherme Canhão (um guitarrista incomparável no nosso panorama, também parte dos Tigrala e dos grandes Sunflare) e Ricardo Martins (baterista igualmente incomparável). Mais vale ser directo e simplista: foi o concerto do festival, e um concerto incrível do início ao fim. Tocaram foram do palco, no chão, no meio do público, e o que se viveu foi não tanto um concerto mas mais uma pura experiência de comunhão como só eles, neste festival, poderiam dar. Foi, diga-se, lindíssimo. Não por ser música bonita, mas por ser música vivida tal como o deve ser e como raramente é. Foram putos a fazer música para outros putos que a querem ouvir com toda a alma e coração, que fazem crowdsurfing e moche mas sempre como se estivessem entre amigos.
Efectivamente, foi isso: dezenas e dezenas de conhecidos, todos ali para o mesmo. Difícil explicar, para quem não esteve lá. E depois houve claro, a música, ainda tão perfeita, tão espontânea mas tão tecnicamente incrível apesar das quedas de som, entregue por dois dos melhores da sua geração (não há volta a dar, são mesmo), que têm entre si uma química espantosa e tocam como mais ninguém o faz. Concerto do festival, dos concertos do ano (e olhem que este ano os Swans, os Arcade Fire e até o Roger Waters já passaram por cá), e uma experiência incrível. A música é isto, e é assim que um concerto deve ser. Uma epifania.
O primeiro dia terminou, assim, da melhor forma possível (ainda houve D.I.S.C.O.Texas Gang depois, parece, mas depois de Lobster o descanso era essencial), e como nunca mais veria a terminar. O primeiro e melhor dia do festival tinha terminado com muito suor, provavelmente algumas lágrimas (raios, aquilo foi uma experiência de amor) e vários sorrisos de orelha a orelha. Foi assim que fomos todos dormir, nessa mesma noite, não só pelo dia que se tinha vivido, mas também por um facto inegável: amanhã havia mais.
23 de Julho de 2011
O primeiro concerto, após mudanças e atrasos na piscina, acaba por ser o dos Indignu, no palco da Lovers & Lollypops (aquele tal que basicamente é um toldo). Rock bem feito, ora instrumental ora com toques de voz, que mostram talento na construção de canções. Uma convidada com violino resultou muitíssimo bem, e no final fica-se apenas com pena da redução que o concerto teve de sofrer, devido aos atrasos existentes.
Volta-se para a piscina e os Long Way to Alaska são os próximos, depois da destruição massiva dos Mr. Miyagi. Não são revelação nenhuma para quem anda atento (estão em clara ascenção), e ao vivo conseguem fazer crescer as já em disco lindíssimas canções de "Eastriver", o belo álbum de estreia. Multi-instrumentalistas natos que vão trocando entre si, tocando músicas que evocam por si só cenários relaxantes que, ali na piscina, ganharam uma força ainda maior. Sugere-se uma digressão feita pelas piscinas do país inteiro. Estes rapazes sabem mesmo o que fazem.
Os Tigrala abriram o palco Milhões e melhor início teria sido difícil. Diversas influências num género musical que se baseia em duas guitarras e na percussão para fazer canções ora energéticas, ora calmas, mas sempre surpreendentes (nunca sabemos bem o que vai suceder a seguir). Um belo concerto, como seria de esperar, tendo em conta os três músicos envolvidos: Guilherme Canhão, Ian Carlos Mendoza e Norberto Lobo. Foi bonito ver o público a chegar a meio e a ficar imediatamente conquistado, sentando-se onde quer que fosse para ouvir o que vinha do palco. Sem falhas.
Kim Ki O foi cancelado (tocou no dia a seguir, na piscina), e por isso o que se seguiu foram os excelentes Causa Sui, banda de rock instrumental que foram, talvez, a grande surpresa de todo o festival. Um público numeroso que não os conhecia mas que ficou rendido do início ao fim, e com razão. Vê-los a tocar (ainda por cima foi no lusco-fusco!) foi uma belíssima surpresa. Um nome a ter em atenção, que com sorte há-de chegar cá a solo em breve. Um dos concertos do dia.
Millionyoung não foi mau, mas não devia estar ali. Devia estar a tocar a fechar o dia, às tantas da manhã, com gente a dançar em frente ao palco. Electro-pop que não se destaca, mas que não aborrece… ou pelo menos não aborreceria, noutro contexto. Ali, não resultou particularmente bem, e isso via-se nem que fosse pelos poucos presentes em frente ao palco. Um concerto que deveria ter acontecido, mas não ali, naquele palco, nem àquelas horas.
Os Kafka afirmavam-se como um dos grandes regressos do festival, mas passaram despercebidos. Os que assistiam ao concerto não pareciam ser fãs, e não foi uma plateia particularmente composta ou efusiva que os recebeu. Post-punk (ecos de Swans, paralelismos com os Mão Morta) que convence, mas não vai muito mais além disso; e um vocalista com presença e energia, mas que não convence nada quando abre a boca. Nunca aborreceu, mas também nunca convenceu por aí além, foi, apenas, mais um concerto. Bons músicos a fazer música que, no entanto, hoje em dia perdeu a originalidade que possuía há anos atrás.
Os Anti-Pop Consortium, que tiveram problemas técnicos antes do concerto e fizeram, a par das Electrolane, o maior soundcheck alguma vez visto em festival, atiraram ao público poesia feita com energia e excelentes beats à mistura. Hip-hop assim, feito tão bem e com palavras tão bem escolhidas, é cada vez mais raro, e foi uma plateia numerosa que recebeu de braços abertos o concerto do início ao fim. Beans, membro do trio, cantou sempre à berma do palco e arriscou até cantar uma canção no fosso, e o grupo parecia estar, de facto, a adorar estar ali em cima. Estilo (muito estilo), e excelente música num concerto exemplar, poesia musical, sem dúvida.
De seguida, uma surpresa: os Best Coast entraram em palco e…. ah… não, espera, eram as Vivian Girls. Bem, pelo que se viu em concerto, vai dar ao mesmo. Não faziam sentido no cartaz em geral e aquele rock cor-de-rosa não convence, acabando antes por aborrecer. Sim, já percebemos todos que malta nova a fazer lo-fi está na moda, mas então que o façam bem, em vez de parecerem uma mera colagem iguais a tantos outros grupos. No dia a seguir, já ninguém se lembrava delas. Mas valeu pelo “A sério? Queres que mostre as mamas? Mostra-nos tu as tuas mamas pouco atractivas!”. Yeah, you go girl.
Os Zu foram a banda que mais barulho fez em todo o festival. Saxofone, bateria, baixo e muito ruído. Se foi mais que apenas ruído? Bem, isso é subjectivo. A mim não convenceu, mas é inegável o mérito e a originalidade do que fazem. O público pareceu convencido, e o concerto, pelo que vejo agora, entrou no top de muitos como um dos melhores concertos do festival. Pessoalmente, não vi coordenação, não vi melodias, não vi música, mas outros (e não foram poucos) viram tudo isso e ainda mais. E isso, afinal, é que interessa. Rock pesado, muito pesado, que não agrada a todos.
Os Secret Chiefs 3 vieram a seguir e deram aquilo que se esperava: um concertaço, facilmente um dos melhores do festival, e o melhor da noite (ao lado do de um certo senhor que actuou a seguir). Um caldeirão de referências, se influências, com canções ora exóticas, ora épicas (a Exodus…), tudo tecido na perfeição por um grupo de excelentes e impressionantes músicos. Tudo assenta na perfeição e, sejamos honestos, valeria tudo nem que fosse para os ver ali a tocar, em robes como se fossem de seitas, a divertirem-se com aquilo que fazem. Foi um concerto curto e concentrado, onde percorreram alguns dos seus melhores temas (nem faltou a cover do tema do Halloween), o que fez com que fosse, basicamente, um concerto consistentemente espectacular do início ao fim - vénias.
E a seguir veio, senhoras e senhores, para um público francamente numeroso, o grande Bob Log III. Um tipo sozinho em palco, com guitarra e uma mini-bateria à frente onde bate com o pé (o Tigerman deve ser fã), vestido como se fosse um membro perdido dos Daft Punk. Rock, blues, tudo ali dado com muito suor, muita alma, muita presença e muito espectáculo. O público não parou quieto, e o senhor Bob também não, com canções rápidas e energéticas umas a seguir às outras. E meu Deus, que guitarrista. Sabia bem como interagir com o público, teve-nos na palma da mão do início ao fim, e deu facilmente um dos concertos do festival. “Senhoras e senhores, deixem-me apresentar-vos a banda” começa ele, perto do fim. “Em todos os instrumentos… EU!”. A one-man-band que foi uma das bandas do festival. Há talentos assim, que bastam por si só. E Bob Log III é um deles. Magnífico.
Foi o último concerto do dia (para mim, leia-se), naquele que foi o pior do festival, e foi o fim perfeito. No dia a seguir, o palco da piscina ia enlouquecer, os atrasos iam voltar, mas os concertos seriam mais e melhores.
24 de Julho de 2011
Último dia do milhões, último dia de festa. O melhor festival (em termos de experiência) chegou ao fim da melhor forma possível, com um último dia onde, esquecendo um palco na piscina onde de repente tudo enlouqueceu e o alinhamento das bandas mudou do nada, tudo correu bem.
Na piscina, tal como já se disse, o alinhamento mudou. As Pega Monstro eram para ser as primeiras, e passaram para muito mais tarde, devido à inclusão dos MKRNI e das Kim Ki O. As Kim Ki O, duas jovens raparigas que fazem electrónica com guitarra e sintetizadores, proporcionaram um belíssimo concerto, agradável e adorável, perfeito para ouvir no relaxamento da piscina ou enquanto se dança um pouco à beira da água.
Os MKRNI (ou Makaroni) são uma banda de electrónica dançável e exótica, tipicamente latina, e complementaram na perfeição a dupla que tocou antes. Foi um belíssimo início e uma óptima ideia, a de ter estas duas bandas a tocarem uma a seguir à outra, e proporcionaram ambas as bandas uma excelente tarde à beira da piscina. Coisas destas só no Milhões. Os Narwhal são também divertidos, mas um pouco mais… aborrecidos. Experimentação a mais e energia a menos para o que se esperava ser mais uma pequena festa aquática. Convenceram, ainda assim.
Os concertos no recinto principal começaram mais cedo neste último dia, e os primeiros a entrar em palco foram os Dear Telephone. Não tão pop quanto se tem dito por aí, fazem música calma, segura mas por vezes repetitiva, que se baseia, acima de tudo, na belíssila voz da vocalista. Um concerto que acabou por ir perdendo interesse ao longo da sua duração. Nem faltou uma cover do clássico "West End Girls", dos Pet Shop Boys, mas nem isso convenceu particularmente, tal como aquela canção nova, sem título, que não encerrou o concero da melhor forma. São competentes, mas esperava-se mais.
Throes e The Shine foram o concerto que se seguiu, e foram uma das coisas mais originais e divertidas que se viu em todo o festival. Rock instrumental meets kuduru (chamava-se rockduru, diziam eles), num espectáculo onde se dançou do início ao fim, vendo-se em frente ao palco um público numeroso e convencido do início ao fim com o que viam.
A combinação resultou surpreendentemente bem, e o rock bem pensado e feito com talento dos Throes (que já mereciam estar num palco assim, grande) resultou na perfeição com o estilo irreverente e espontâneo dos The Shine, que têm de ser da dupla mais divertida na música portuguesa actual. Um novo concerto deles é obrigatório no próximo Milhões.
Dos Papa Topo, não há muito a dizer. “Fofinhos”, como bem dizia uma amiga, e nada mais. E basta, claro. Naquele que deve ter sido um dos concertos mais adoráveis de sempre, esta dupla espanhola deu um concerto para dançar e sorrir, sem pretensões nem qualquer tipo de brilhantismos. Foi divertido, foi agradável, e bastou. O público, infelizmente, não pareceu particularmente conquistado, ficando todo ele sentado durante o concerto, à excepção de algumas espanholas que dançavam em frente ao palco (uma delas de forma profundamente arrepiante) e de uns amigos que depois obriguei a dançar perto do fim (Milhões de Festa é para ter festa, raios!). “Parece música de filmes da Disney”, ouvi dizer, antes da vocalista ter explicado que “A próxima música é sobre fazer sexo no cinema”. Mais ou menos…
Os FM Belfast, por seu lado, deram uma festa autêntica onde ninguém parou quieto. Electrónica azeiteira com imensa gente em palco, e música que são francamente más mas que, ao vivo, resultam francamente bem. A isto se alia uma banda energética, que obriga as pessoas a baixar e a saltar (literalmente, apontaram-me o dedo e obrigaram-me. A sério), e temos um concerto que, quer se goste quer não, é uma festa garantida.
De seguida, uma estreia absoluta: We Trust. O projecto de André Tentugal estreou-se pela primeira vez nos palcos, e o saldo foi positivo, ainda que fosse de esperar mais. A verdade é que Time (Better Not Stop), o single lançado e que não sai da cabeça de sabe-se lá quanta gente, pôs as expectativas bem lá em cima, e estas não foram totalmente cumpridas. Se essa canção é audaz e foge ao normal do electro-pop, as restantes (pelo menos pelo que pareceu, ao vivo) encaixam na perfeição nessa categoria e, mesmo sendo agradáveis e providenciando um bom concerto, não impressionam.
A banda, essa, é notável, com Gil Amado, o baterista/vocalista/guitarrista (já tinha dito que eles eram multi-instrumentalistas, não tinha?) dos Long Way to Alaska, o grande Rui Maia, teclista dos X-Wife, fazendo ainda parte do grupo o baterista dessa mesma banda e um teclista que foi professor do Pedro Abrunhosa. Há ainda arestas por limar, claro, mas no geral vê-se logo o talento envolvido… a falha parece estar, talvez, mesmo mais nas canções. Ainda assim, um bom concerto, e confirma-se: Time é, mesmo ao vivo, uma excelente canção.
De seguida, uma despedida. Os Green Machine, uma das mais notáveis bandas do nosso rock dos bons últimos anos, com um dos mais espectaculares vocalistas da nossa história (o grande, grande Joca aka João Pimenta), deram um dos concertos do festival e um que ficará na memória dos presentes por muito, muito tempo. Rock como só eles fazem, entregue como só eles conseguem, com um público efusivo perante a última oportunidade de ouvir aquelas canções ao vivo. A primeira vez que os vi foi na ZDB, e foi marcante; esta segunda e última voltou a sê-lo.
Não há, simplesmente, mais ninguém como eles. Mostraram estar numa forma exemplar, e foi tudo o que se esperava: crowdsurfing e um público que não parava, músicos em estado de inspiração pura, e uma verdadeira experiência. Foram uma inspiração para muitos (não é do nada que os Glockenwise andavam por lá, a curtir mais que grande parte de todos os outros), e irão deixar muitas, muitas saudades.
Uma despedida seguida de um regresso. As Electrelane eram o maior nome do cartaz, e foi uma sorte tê-las a tocar para nós neste festival, nesta pequena digressão de Verão que andam a fazer. O concerto só confirmou o que já se esperava: fizeram falta. Em modo mais rock e menos pop, percorreram os clássicos da sua discografia num concerto sempre consistente, que em nada foi minado com o facto de terem perdido metade do seu equipamento algures durante o voo e de terem tido de pedir instrumentos emprestados aos músicos do festival.
"Two For The Joy", "Bells" e a fabulosa "Eight Steps" (aquele teclado, aquele piano…) foram alguns dos temas tocados num concerto dado por um quarteto em excelente forma. Aliás, há algo quase de mágico em ver aquelas quatro raparigas em palco, a fazer tão bem o que fazem (grande imagem, aquela da vocalista, de cabelo comprido, a cantar enquanto uma rajada de vento lhe passa pelo corpo). Continuam iguais, continuam a fazer música ora lindíssima ora potente, e deram um dos concertos do festival e, certamente para muitos, um dos concertos do ano. Magnífico.
Washed Out, projecto de Ernest Greene, encheu de seguida o mesmo palco com uma onda de chillwave com toques de synthpop. O seu belo disco, "Within and Without", foi bem recebido por todo o lado (sim, a Pitchfork gostou), e o concerto dado pelo músico e a sua banda (veio com mais gente atrás, felizmente, e até baterista tinha) não impressionou particularmente, mas mostrou potencial e deu a festa que se queria àquela hora da noite. Curiosamente, não pareciam ser muitos os que conheciam o projecto, mesmo tendo em conta o boom que sofreu com este primeiro disco, mas ainda assim o público (não tão numeroso como seria de esperar) não arredou pé do início ao fim. E, claro, coisas como "Eyes Be Closed" resultam muito bem ao vivo.
Os Foot Village são quatro baterias em círculo e gritos pelo meio. Sim, é mesmo a melhor premissa de todos os tempos para uma banda. E se a verdade é que não resultam tão bem quanto poderiam resultar (gritos a mais, baterias a menos), é também inegável que ao vivo é ainda assim algo quase espectacular, duma energia rara e com um grupo de gente que está ali mesmo para se divertir (aquela vocalista era espectacular). Pensem nos Paus, mas com gritos melhores e piores baterias. Acaba por não ser tão bom quanto se esperava (e foi um concerto bastante curto), mas foi bem bom mesmo assim.
De seguida, um dos maiores nomes do festival, e que teve à frente do palco aquela que foi, a par de Electrelane, a maior multidão: Radio Moscow. Rock à antiga, potente, com guitarras a destruir tudo por onde passam e malhas que tornam impossível estar parado. Tocaram quase sem paragens, com pouquíssimas palavras sem ser para apresentar as músicas e agradecer, e conseguiram assim concentrar um belo número de canções em pouco tempo. Tocam na perfeição ao vivo, numa perfeita coordenação entre cada músico, e foi bonito ver aquele público, que conhecia grande parte do alinhamento. Rock assim, clássico mas ao mesmo tempo moderno, é raro, e ao vivo os Radio Moscow (que já são nome regular por cá, felizmente) mostraram conseguir sustentar bem o belo trabalho que fazem em disco.
O meu último concerto do Milhões, quando os membros já doíam, as quatro da manhã não estavam assim tão longe, e a tenda chamava por mim, foi Comanechi aka “a banda punk espectacular daquela rapariga japonesa genial que em palco é um espectáculo”. Final melhor teria sido difícil, num concerto punk à moda antiga, com energia e uma vocalista que parte tudo por onde passa, mostrando estar a adorar estar ali em cima. O público está cansado, mas não o mostra: salta, grita, reage a cada acorde, a cada momento. O público do Milhões é assim (até a própria vocalista se mostrou surpreendida por estar tanta gente ainda no recinto).
Uma grande festa, com crowdsurfing e moche à mistura, daqueles que este festival gosta tanto de oferecer. Muito, muito divertido.
E assim terminou, para mim, o Milhões de Festa. Um ambiente diferente daquele que se vê em qualquer outro festival, concertos como só ali se veriam, e três dias incríveis. Lobster, Green Machine, Electrelane, Veados com Fome, Liars… grandes momentos tornados melhores por serem vistos com um público daqueles, num ambiente inesquecível. Se houveram falhas? Claro que sim. Mas eram inevitáveis. Afinal de contas, o que seríamos nós sem as nossas? Qualquer um as tem, e o Milhões teria de as ter. Este é, afinal, o festival mais humano de Portugal. Um sítio de onde se sai com amizades feitas, ou amizades cimentadas, e com memórias que valem por toda uma vida. Senhoras e senhores, este é o Milhões de Festa.
Não foi, efectivamente, um festival: foram experiências, memórias que vão ficar.
E, para o ano, lá estaremos todos nós novamente. Para vivermos milhões de alegrias.
Passatempo Milhões de Festa 2011
Jul 11th

O Festivais de Verão em parceria com a Lovers and Lollypops temos passes e bilhetes diários para te oferecer para o Festival Milhões de Festa.
Este festival conta com 5 palcos: Palco Milhões, Palco Vice, Palco Lovers & Lollypops, Piscina e Palco SWR. Alguns dos nomes mais sonantes que passam por este festival são Liars, Man Like Me, Washed Out, Vivan Girls, We Trust, Lobster, Matanza, Secret Chiefs 3, entre muitos outros.
O preço do bilhete diário é de 25 Euros e o passe para os três dias com campismo é de 50 Euros se comprado até dia 17 de Julho, após esta data fica-te por 60 euros.
A invasão à cidade do galo fica marcada para os dias 22, 23 e 24 de Julho no Parque Fluvial de Barcelos.
Passatempo Pool Party
Sep 8th
O Festivais de Verão em parceria com a A AR Produções e com a W2O Produção de Eventos tem 5 bilhetes duplos para os dois dias para a “Pool Party, a maior festa de final de Verão”.
Esta grande festa decorre nos dias 11 e 12 de Setembro, na piscina Arriba, situada na praia do Guincho. Este evento conta com duas temáticas distintas : a música electrónica, na sua vertente mais comercial, com a actuação dos melhores DJ´s portugueses, como Phill Kay, Funkyou2, Henri Josh e a música brasileira com um concerto da banda Arrochadeira da Bahia.
Sábado dia 11, a festa tem início a partir das 22 horas e Domingo dia 12, a partir das 15 horas.
Dois dias de festa, completamente diferentes e muita animação dividida por duas pistas de dança, área VIP e Camarote. O dress code é o branco.
Reportagem Optimus Alive!10 – 10 de Julho
Jul 11th
Dia 10 de Julho, último dia do Optimus Alive!10. O calor permanece e desta feita traz consigo um vento desagradável que espalha poeira pelo ar. A quantidade de pessoas que acorrem a Algés é inimaginável; só quem testemunha acredita no que vê. Ainda há quem se dirija de propósito ao local na esperança de adquirir um bilhete de última hora.
Pelas 17 horas, já o palco Super Bock estava quase cheio – a maior parte, sentada, descontraía e abrigava-se do calor e do vento intensos. Alguns fãs entusiastas de Girls acolhem a banda com um caloroso aplauso. Apesar disso, a actuação não cativou. Mesmo o animado single Lust for Life (embora tal animação não provenha, de todo, da letra) parece perder força ao vivo. O público bem se esforçou por tornar o concerto mais fogoso, mas a festa só esteve presente desse lado das grades. A pouca interacção com o público foi uma mistura de timidez e frieza. O final, com Morning Light, foi um pouco mais enérgico.
Pouco passava das seis da tarde quando Sean Riley "e os seus" Slowriders subiram ao Palco Super Bock. Com muito muito ritmo Sean Riley liderou com distinção os músicos que o acompanham, surpreendendo pela positiva aqueles que ainda não estavam familiarizados com o rock desta banda portuguesa. Durante o simpático concerto da banda de Coimbra foi possível apreciar as vastas influências na sua música. Buffalo Turnpike foi um dos momentos altos do concerto, com a interpretação irrepreensível do single retirado de Only Time Will Tell. Sean Riley aproveitou também para mostrar no Optimus Alive o seu mais recente single com os Slowriders, Talk Tonight. Um concerto muito agradável, onde a actuação ao vivo faz jus ao bom trabalho de estúdio da banda.
Em dia de lotação esgotada, coube aos ingleses Gomez abrir o Palco Optimus, com o álbum A New Tide para apresentar. Já lá vão mais de dez anos desde que Bring It On e Liquid Skin catapultaram a banda de Ian Ball para um outro patamar, mas desde então têm sido iguais a si mesmos. Músicas muito bem conseguidas e com uma excelente construção, e acima de tudo bem executadas ao vivo. Do inicio ao fim, os Gomez entreteram o público presente no Passeio Marítimo de Algés, que aproveitou os tons suaves dos britânicos para relaxar e aproveitar as últimas horas de sol.
O recinto do palco alternativo continuava abastado, apesar de cada vez mais pessoas se dirigirem ao palco Optimus a fim de marcar lugar para Pearl Jam. No entanto, ainda havia muito tempo para as outras bandas. Era agora a vez de Miike Snow, banda sueca que se encontra em ascensão. Na mala vinha o álbum homónimo, que foi apresentado perante um público repleto de fãs estrangeiros.
De máscaras brancas, a banda pisou o palco, enquanto mais gente se reunia no recinto e muitos se levantavam a fim de dançar ao som electropop da banda. Burial fez sucesso, antes de Black and Blue, tocada com potência que resultou num dos momentos altos da actuação. As máscaras caíram e a festa começara oficialmente. Com muitas partes instrumentais, temas como A Horse Is Not a Home e Silvia mostraram variedade e proporcionaram momentos mais calmos. A primeira parte teve mais força que a segunda, mas o single Animal, reservado para o final, trouxe de novo muita dança e saltos.
Era chegada a hora para a festa, no verdadeiro sentido da palavra. Os americanos Dropkick Murphys com o seu punk céltico, entraram para arrasar no Palco Optimus com The State Of Massachussetts. É incrível como nesta banda há toda uma sintonia na qual nem parece haver um verdadeiro líder tal é a harmonia que parece existir dentro da banda apesar das mudanças de formação. A mistura que estes norte-americanos fazem de acordes e batidas punk com gaita de foles, flauta e banjo é um autêntico grito de revolta contra o tédio. Músicas como Johnny, I Hardly Knew Ya levam-nos à era dos piratas e da cerveja caseira em canecas de madeira, numa autêntica comunhão de eras. Forever foi aproveitada para puxar pelas vozes do público, que cantou em uníssono com Ken Casey. Só ficou mesmo a faltar o clássico Boys On The Docks num concerto que terminou com a conhecidíssima Shipping Up To Boston, resultando numa enorme explosão de alegria e saltos.
Seguiu-se então The Big Pink, duo electro-rock de Inglaterra, no Palco Super Bock. Apesar de o recinto estar mais vazio, aqui e ali viam-se fãs da banda, que cantaram as letras a plenos pulmões. Guitarradas potentes e incentivos de ambos os membros da banda contribuíram para tornar o concerto mais intenso, enquanto temas como Velvet, Tonight e Dominos puseram a audiência ao rubro.
Desde o concerto dos Gogol Bordello em Paredes de Coura em 2007, a banda de New York foi angariando fãs no nosso país exponencialmente, e isso nota-se na recepção que o público dá ao colectivo de Eugene Hütz. Depois dos Dropkick Murphys era garantido que a festa iria continuar com os Gogol Bordello, e não podia ter continuado de melhor forma com este concerto que teve inicio com Not A Crime. Parece que foi ontem que os norte-americanos vieram a Portugal como meros desconhecidos, e hoje é notório que os portugueses reconhecem a maioria dos temas dos Gogol Bordello. Nem mesmo os temas do recém-lançado álbum Trans-Continental Hustle, como My Companjera passaram despercebidos, e quem os ouvisse neste concerto diria que são as suas músicas de sempre. A festa continuou e os Gogol Bordello não deixaram para trás êxitos como Start Wearing Purple. Foi a segunda vez da banda no Optimus Alive, e pelo que têm deixado no festival espera-se que não seja a última.
Eram 22h05 e o palco Super Bock estava cheio até metade. Mas aos primeiros sons da intro de Peaches, mais gente se juntou aos já presentes em frente ao palco. Poucos mas bons descreveu bem o público que passou por aquele palco neste dia. Original, como sempre, a cantora de origem canadiana vestia um fato enorme composto por fitas que a tapava por completo. Mud começou e a temperatura no recinto ia subindo. A encenação feita por duas personagens – uma masculina e uma feminina – cujos cabelos exagerados lhes tapava o rosto complementava Talk to Me. No entanto, o auge estaria reservado para Billionaire e Take You On. Durante a primeira, a cantora passeou em pé pelas grades, atirando-se de seguida para o público, que a fez navegar entre cabeças. Agarrou num copo de um fã e, bem servida, voltou à grade. Pediu então ao público que guardasse todos os telemóveis e câmaras, porque estariam prestes a fazer parte de algo cujas dimensões seriam mais que um «momento Twitter». «Jesus andou na água, mas Peaches anda em vocês», exclamou, antes de dar início à música. Enquanto cantava, equilibrava-se de pé em mãos de membros do público. Um momento arrepiante, onde vimos a cantora de braços no ar, apenas com as pernas seguras por fãs. Por entre espargatas, roupas despidas e vestidas, efeitos de luz e projecções na própria roupa, Peaches proporcionou mais de uma hora de fascínios, boa-disposição e muito atrevimento. Shake Yer Dix e Boys Wanna Be Her arrancaram danças e saltos enérgicos e Fuck the Pain Away estaria reservada para o final de mais uma actuação, no mínimo, excitante.
Depois da festa dos Dropkick Murphys e Gogol Bordello, estava na hora da banda mais esperada da noite, e provavelmente a banda que levou este último dia do Optimus Alive a esgotar, os Pearl Jam. Desde logo uma declaração bombástica de Eddie Vedder, que confessou ao público que este será um dos últimos concertos dos próximos tempos, fazendo saber que a banda vai fazer um hiato por tempo indefinido. Mas o que interessava era que a mítica banda do movimento grunge estava a tocar para o seu público, e começou a actuação com a última faixa do álbum de estreia Ten, Release. Um início suave que teve continuidade com Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town. Mas as coisas mudaram de figura com Animal e Given To Fly, passando para uma fase mais mexida do concerto, onde ficou demonstrada a fidelidade do público português para com os Pearl Jam. Unthought Known foi a primeira faixa de Backspacer que o grupo de Seattle tocou, e até foi bem recebida. Seguiram-se Nothingman, Daughter e Even Flow enquanto o tempo ia voando. Depois de Black e Why Go, os Pearl Jam abandonam o palco pela primeira vez, para que depois regressassem para encore. Para este encore Eddie Vedder acompanhado da sua garrafa de vinho e da habitual boa disposição reservou The End, The Fixer e uma versão dos Public Image Ltd. de Public Image. Pelo meio uma música inteiramente dedicada a Portugal, enquanto um elemento da banda ia segurando a letra para que Eddie Vedder não cometesse erro algum. Após a belíssima Better Man, acompanhada de um coro vindo do público, novo recolher dos norte-americanos aos backstage. Recolher esse que não duraria muito, pois os Pearl Jam regressariam uma última vez para tocar Smile com Jeff Ament na guitarra e Stone Gossard no baixo. Ainda antes do final, tempo para um final de luxo com Once, Alive e Yellow Ledbetter, e uma nota também para Boom Gaspar que arrancou muitos aplausos por trazer vestida uma camisola da selecção portuguesa. Ficará para sempre na memória este dia em que Eddie Vedder anuncia a paragem de uma das bandas de culto em Portugal, com um concerto cheio de empenho e algum virtuosismo a espaços do guitarrista Mike McCready. Até um dia destes, o público português ficará à espera.
O projecto house Simian Mobile Disco, muito popular em Portugal, foi recebido no palco Super Bock por um público escasso mas com muito vigor. A festa de final da noite começava com o grupo britânico e temas como It’s the Beat incitaram à dança.
Crookers, o duo italiano, eram quem se lhes seguia. Enquanto o recinto enchia aos poucos, o som subia e os corpos perdiam o controlo para as batidas possantes que enchiam o espaço.
Enquanto a imensa e infindável multidão que viera para ver Pearl Jam se dispersou o suficiente para deixar passar pessoas na direcção oposta, havia quem se dirigisse para ver LCD Soundsystem a fechar o palco Optimus de mais um Optimus Alive!’10. A banda entrou em palco e o recinto voltava a encher, depois de energias repostas e estômagos saciados. James Murphy entrou para cantar Us v Them, antes de Drunk Girls, o mais recente single do que é último álbum da banda, This Is Happening. Os temas estimulavam a dança e Pow Pow antecedeu a esperada Daft Punk Is Playing at My House. All My Friends adequa-se sempre a um festival de Verão e a emoção que os instrumentos, os ritmos e as batidas do single espalham apalpava-se no ar. Um convite de James Murphy para tomar um copo a seguir ao concerto ficou no ar, antes da emotiva I Can Change.
Tribulations e Yeah exaltaram os ânimos de novo, numa explosão de dança, saltos e palmas. Uma autêntica festa para o encerrar do palco principal. Contudo, quando todos queriam mais, James despede-se com um súbito e inesperado «vemo-nos mais tarde este ano», que valeu à banda um coro de assobios e apupos, enquanto saía de palco. Uma actuação que careceu de mais vigor que, quando começava a dar de si, foi interrompido pelo final que ninguém previa.
Sem tenções de dar por finalizada a noite, grande parte do público dirigiu-se ao palco Super Bock, onde Boys Noize – nome artístico do alemão Alexander Ridha – já tocava. A festa ficou assegurada pelo projecto electrónico, que passou tanto temas mais antigos, como mais recentes. A multidão delirava e a festa alongou-se noite adentro.
Foi o fim de mais um Optimus Alive!’10. Esgotadíssimo no último dia, o evento presenciou a passagem de milhares de pessoas, actuações de cortar a respiração, momentos de surpresa e até mesmo algumas decepções nos três dias que durou. Para o ano, realizar-se-á nos dias 7, 8 e 9 de Julho. Esperamos ver mais recuperado o lado artístico do festival para a próxima edição, já que em relação às bandas, a qualidade dos nomes que constam no cartaz ano após ano é irrefutável.
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Reportagem Real Estate
Feb 17th
No passado dia 16, o Plano B albergou uma noite encabeçada por um único nome, os Real Estate, oriundos de New Jersey.
Detentores de uma sonoridade pop esticada entre a melancolia e o psicadelismo, estes jovens lançaram o seu primeiro álbum há um par de meses. Com um registo a fazer lembrar nomes como Galaxie 500, The Clean ou Pavement, é natural que tenham sido recebidos com um grande fulgor por parte da crítica especializada, algo que certamente ajudou a encher o Plano B numa noite pós-Carnaval.
Com o referido registo homónimo debaixo do cinto, o quarteto americano, já por volta das 23h30, lançou-se a cerca de 45 minutos de um concerto que tanto deu para bater o pé, como para puxar pelo lado mais emocional do público. Algo conseguido sem nunca se tornarem maçadores ou desajustados na descarga ou na retenção enérgica.
Sapateando à volta de temas como “Fake Blues”, “Black Lake” ou “Beach Comber”, os presentes certamente sentiram o suburbanismo e a beleza imperfeita que essas pequenas pérolas pop invocam. Algo perfeitamente justificado pelo arremesso constante de linhas de guitarra pingadas de echo, slapback e phaser, apimentadas por uma voz a meio tempo e uma secção rítmica concisa, mas subtil.
Passatempo Festival Enorme
Oct 8th
O Festivais de Verão em associação com o Festival Enorme tem para te oferecer 3 passes para o Festival Enorme que decorre de 13 a 15 de Outubro no Porto.
O Festival ENORME é já na próxima semana, mais de 40 músicos vão passar pelos Jardins do Palácio de Cristal.
Este festival surge integrado numa longa Semana Cultural mas a boa música promete não faltar nos dias 13, 14 e 15 de Outubro.
De-Phazz, Istanbul Sessions feat. Erik Truffaz, Electro Deluxe e Ceux Qui Marchent Debout são as principais atracções internacionais desta primeira edição do Festival Enorme. Mas a festa continua para além dos concertos.
A música é apenas uma parte do Festival Enorme Semana Cultural, que decorrerá entre 12 e 18 de Outubro.
Recorde-se que os bilhetes já se encontram em pré-venda na Fnac e nas Faculdades associadas ao evento. Estão à disposição bilhetes para os três dias do festival, com preços de 20 euros para estudantes e 35 euros para o público em geral. Os bilhetes diários custam 10 euros para estudantes e 20 euros para o restante público. O bilhete diário à venda no local custa 25 euros. Mas tenta a tua sorte no nosso passatempo!






