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Milhões de Festa com datas marcadas
Jan 1st
O Milhões de Festa já tem as datas apontadas no calendário. O festival barcelense acontece a 27, 28 e 29 de Julho de 2012, no sítio do costume, à beira do Cávado, e contamos com o cartaz de luxo a que a Lovers & Lollypops nos tem habituado nos últimos dois anos.
Marquem já na vossa agenda, que o Verão não é Verão sem uma passagem pela piscina do Milhões.
Passatempo Vibe 2011 Halloween
Oct 26th
O Festivais de Verão em parceria com a SWR inc. tem bilhetes para te oferecer para a Vibe 2011 Halloween.
Esta festa decorre no Teatro Municipal Sá de Miranda em Viana do Castelo a 31 de Outubro.
Mão Morta, Madame Godard, L'Enfance Rouge, Throes & The Shine, The Astroboy, The Partisan Seed, Ghuna X e Estuque garantem certamente uma noite bem passada neste VIBE 2011 HALLOWEEN.
Os bilhetes já se encontram à venda nos locais habituais e custam 15 Euros em venda antecipada e 20 Euros no próprio dia.
Todos aqueles que desejarem entrar exclusivamente para as after hours, a partir das 24h, deverão adquirir o respectivo ingresso no local ao preço de 5 Euros, podendo ainda assim assistir a diversos live acts e dj sets até às 4h da manhã.
Reportagem Festival Paredes de Coura 2011
Aug 26th
Há magia em Paredes de Coura. Há magia no parque de campismo (que só fica atrás do do Milhões de Festa), com a sua paisagem e o seu rio; há magia na vila, que fica não muito longe, perfeita para almoçar e relaxar um pouco (e tem piscina municipal e tudo); e há, claro, muita magia nos palcos, naquele que foi, de todos os festivais principais (Delta Tejo, Optimus Alive, Super Bock Super Rock, Sudoeste TMN e Milhões de Festa) o que teve, no geral, os melhores concertos, onde poucos desiludiram.
Após ter feito o percurso de festivais, haveria melhor forma de terminar que não esta? Paredes de Coura foi, pelo menos este ano, efectivamente o melhor festival. Organização exemplar (poucas filas, concertos com poucos ou nenhuns atrasos, etc), e dias com alinhamentos bem pensados e fortes. Acredito que possam ter havido roubos, contudo não vi ninguém a queixar-se, e até mesmo o último dia (onde costuma ser mais fácil entrar no campismo) teve segurança. Enchentes? Não houve.
Parece que cerca de mais de vinte mil visitaram diariamente o festival e o recinto aguentou com todos na perfeição. As filas para comer ou ir à casa-de-banho nunca eram exageradas e era sempre possível ver os concertos no palco principal (que se localiza ao fundo de uma colina, proporcionando tanto uma visão privilegiada como um som espectacular) ou de pé ou sentado, tal como era fácil chegar bem perto do palco em qualquer altura. Afinal de contas, em que outro festival é que poderia ter chegado à segunda fila quinze minutos antes do início de Pulp?
Foram dias de concertos, foram dias de férias, foram dias em que se vivem e se guardam memórias para os anos vindouros. Se um festival quer, efectivamente, ser bem-sucedido, Paredes é o modelo a seguir. Em termos de ambiente, é apenas comparável ao Milhões de Festa; em termos de concertos e da forma como estes podem ser vistos (e das condições com que isso acontece), mais ninguém chega lá perto. Organização exemplar, num festival que foi, afinal de contas, uma verdadeira experiência.
Showcase da Lovers & Lollypops
Vale a pena falar do showcase da editora portuguesa que tem no seu catálogo nomes como, por exemplo, os grandes Black Bombaim, e que decorreu um dia antes do início propriamente dito do festival. Em palco (o secundáro) iriam estar os já mencionados Black Bombaim, e ainda os Larkin e Mr. Miyagi.
O público era já algum, algo que se esperava tendo em conta que já há mais de uma semana que era possível ir para o parque de campismo, e parte dele obviamente conhecedor do que aí vinha. É bom ver este pequeno culto a pequenas bandas nacionais, que merecem uma maior divulgação e iniciativas destas, que lhes permitem chegar a mais público. Tendo em conta que muitos estavam já a acampar há vários dias (efectivamente, quem chegasse neste dia não arranjaria lugar facilmente), fazer este pré-aquecimento foi uma belíssima ideia.
E se é verdade que nem os Larkin nem os Mr. Miyagi impressionaram particularmente, já os Black Bombaim deram um concerto notável do início ao fim, impressionante pela energia daquele stoner tão rock que estica as canções até ao infinito, transformando-as em ondas de som que vão envolvendo e, eventualmente, rebentando. Guitarra, baixo e bateria em comunhão perfeita (e que potente que vai ficando a bateria, ao longo de cada canção), e um concerto que envergonha muitos cabeças-de-cartaz que passaram por outros festivais. Nunca abriram a boca (é música instrumental, afinal de contas), e nunca precisaram de o fazer: o baixo e a guitarra diziam mais que o necessário. Agora é rezar para que cresçam e conquistem o mundo.
Os Larkin praticam um rock curioso, bem pensado, feito e, ao vivo, tocado, mas pecam, acima de tudo, por um factor que acaba por minar, em muito, os concertos do grupo: a voz do vocalista. É verdade que canta com atitude, e é de louvar a entrega e a forma como demonstra tão honestamente o quanto está a gostar de estar em palco, mas ao ouvi-lo a falar e depois a cantar fica-se com a impressão de que tenta manipular a voz para ser algo que não é. E, da forma que o faz, acaba por soar genérico e por vezes irritante. Custa dizer isto sobre uma banda jovem, ainda em crescimento, e na qual há, sem sombra de dúvida, talento em todos os membros (e custa dizer mal da voz de um vocalista que faz tudo desde atirar-se ao público a trepar colunas); mas é exactamente por essa mesma razão que se torna necessário reportar sobre esta falha. Afinal de contas, há ali muito potencial inexplorado e para tal é necessário que o vocalista tente, apenas, de mudar de registo. Resta esperar agora isso; que melhorem o que não é mau, mas que pode ser muito, muito melhor. Quem não ouviu o disco, que oiça.
Nos Mr. Miyagi, atitude é algo que não falta - mais um vocalista que se atira, e bem, ao público, e que até o insulta quando lhe roubam a fita que leva à cabeça - faria o mesmo. Mas tudo o resto soa a algo que já ouvimos milhares de vezes antes, e muito mais conexo e bem feito. Musicalmente, as músicas soam caóticas, sem propósito, mero barulho. Viu-se crowdsurfing, muitos saltos por parte do público, e muitos sorrisos; para muitos, foi uma festa. Para mim, nada mais foi que uma desilusão. Dão ocasionalmente vontade de bater o pé, mas não muito mais.
17 de Agosto – Recepção ao Campista:
Dia de Quarteto de Bolso, Omar Souleyman, Wild Beasts e, claro, Crystal Castles, os mais esperados da noite. O espaço do palco secundário era pouco para tanta gente, e era já uma grande multidão a que esperava os concertos ainda antes de Omar entrar em palco. Seria a primeira e última vez que haveria neste aspecto; o resto do recinto não estava ainda aberto nesta altura, por isso o espaço para circular era menor.
Omar Souleyman foi… bem, foi o Omar Souleyman. Um músico da Síria, com turbante e óculos escuros, que não fala inglês (teve alguém em palco a apresentá-lo no início do concerto e alguém a despedir-se por ele no fim), canta numa língua que ninguém percebe, mas que é uma figura tão caricata que acaba por ser tudo francamente divertido. A música, essa, é também bastante divertida, pop made in Síria, com ritmos energéticos que, ainda assim, acabam por se tornar repetitivos em alturas (o entusiasmo do concerto diminuiu a meio do concerto). Muitos saltos, muita festa, e o senhor Omar a interagir gritando “PORTUGAAAAALLL!”, batendo palmas de forma mecânica, e erguendo os braços no ar e mexendo as mãos como quem diz “Come on, show me what you’ve got”. Claro que não diz, porque só diz mesmo “PORTUGAAAAL!” e não sabe inglês, mas… Caricato, divertido e por vezes francamente cómico. Foi, portanto, uma bela festa.
Os Wild Beasts lançaram este ano o excelente Smother, e foi com esse pretexto que regressaram, mais uma vez, ao nosso país. O som podia ter estado melhor, mas isso em nada impediu o grupo de dar um concerto mais que sólido do início ao fim, com um alinhamento bem pensado e uma energia que contagiou do início ao fim. Além disso, havia genuidade nas palavras simpáticas que iam lançando ao público, dizendo que não esperavam ter tanta gente à sua espera. Hayden Thorpe tem uma voz excelente, profunda e com um timbre bastante único, e é bom ver que ao vivo impressiona tanto quanto em disco. O momento alto? Provavelmente "Hooting & Howling", o single que os lançou. Já está na altura de alguém os trazer cá a solo.
De seguida, vieram a dupla (que em palco é trio, com baterista), que todos queriam: os Crystal Castles. Presença assídua já no nosso país, e com um culto cada vez maior. Culto esse que muitos partilham, e tantos outros desprezam, compreensivelmente; afinal de contas, é música bastante única esta que nos trazem, electrónica diferente da maior parte do que se ouve por aí. Mas, em palco, torna-se inegável que, quer se goste quer não, há ali qualquer coisa de especial. Este concerto não se comparou ao espectacular dado no Coliseu, mas deu ainda assim para ver bem o talento da dupla. Alice Glass (que nome irónico, tendo em conta a energia e agressividade que demonstra em palco) não se atirou tanto ao público como seria de esperar, nem fez crowdsurfing, mas saltou e gritou como poucos fazem, e foi, mais uma vez, um concerto onde os moches e afins apareceram naturalmente. Tudo isso aliado a um bom jogo de luz e um parceiro que sabe bem o que faz (veja-se "Crimewave", que ao vivo é manuseada na perfeição nos teclados e afins, ganhando uma potência que não tem em disco), e tem-se um belo concerto, onde ficar quieto foi complicado.
Afinal de contas, tocar "Baptism" logo perto do início é mesmo pedir “Saltem como se não houvesse amanhã”, e terminar com "Yes No", já em encore (pouco mais de uma hora de concerto) é saber bem o que se faz. Já os vimos em melhor forma, mas Crystal Castles é Crystal Castles. São únicos em disco, únicos ao vivo, e quer se goste quer não, é impossível negar que há, de facto, ali qualquer coisa de especial.
18 de Agosto:
E aqui começou o festival a sério, com concertos nos dois palcos, o recinto todo aberto, e os grandes cabeças-de-cartaz que trouxeram tanta gente ao Norte (horas e horas de viagem a partir de Lisboa, Deus nos ajude). A grande atracção do dia eram, claro, os regressados Pulp, mas até lá seriam muitos os bons nomes que passariam pelos três palcos; afinal de contas, é preciso não esquecer o palco JN.
E é mesmo aí que começa o dia, com os The Kanguru Project. Rock agradável de uma banda a começar, num palco com esse mesmo propósito: mostrar ao público bandas novas. E os Kanguru Project são novos, ainda não sairam bem da bolsa, mas já conseguem saltar, e bem alto. Os membros tocam bem (boa coordenação entre todos, notando-se apenas algum nervosismo… normal, claro), e nunca caem no cliché nem se agarram a referências óbvias (rock normal e puro, sim, mas que não copia). Um concerto agradável de um projecto a acompanhar.
As coisas começaram mais a sério com os Crystal Stilts, no palco principal, e começaram bem. Toques de lo-fi num rock onde o baixo, acima de tudo, se assume como rei e senhor, e já algum público para os ver. Não há-de ter ficado na memória de ninguém, mas canções como "Departure", por exemplo, resultam muito bem ao vivo, tornando impossível não bater o pé. Lembram por vezes uns Crocodiles, que passaram este ano por cá no Alive, e o saldo no final do concerto é francamento positivo. Um agradável fim-de-tarde.
Twin Shadow, uma das revelações deste ano, veio a seguir, naquele que foi o seu terceiro concerto no nosso país (passou em Maio por Lisboa e Vila do Conde), e deu um concerto que, ainda que longe de ter sido um dos melhores do festival, confirmou tudo o que de bem se tem dito sobre o seu primeiro disco, "Forget". Ao vivo, ouve-se mais guitarradas que sintetizadores, e isso acaba por ajudar as canções a crescerem e a ganharam um impacto diferente. Veja-se "Slow" ou "Forget", que ganham fortes contornos rock ao vivo, muito mais potentes que em disco. Um belíssimo concerto, catchy do início ao fim (tal como o disco), e que confirmou George Lewis Jr. Como uma das revelações do ano. Em Setembro, regressa a Lisboa, tocando no Clube Ferroviário. Será mais um belo concerto, sem dúvida.
As Warpaint são, também, uma das revelações do ano, e foram e belíssima dose de rock suave e experimental do dia. Naquele que foi, muito possivelmente, um dos melhores concertos do festival, o quarteto feminino mostrou uma impressionante excelência musical em palco, tocando com uma mestria surpreendente as canções do magnífico "Exquisite Corpse". Algumas canções são alongadas, outras tornam-se mais complexas, e vê-se em palco um cuidado, um empenho e, também, um prazer enorme naquilo que fazem.
Veja-se aquela guitarra em "Elephants", que ao vivo ganha um poder inesperado, e aquela voz daquela vocalista (Emily, a principal), que em palco canta com uma fragilidade que tem tanto de vidro quanto de ouro. Consistente do início ao fim, e francamente impressionante tendo em conta a curta carreira da banda. Um dos melhores do festival, muito provavelmente.
O mesmo, infelizmente, não se pode dizer sobre o concerto dos Blonde Redhead. Frio e austero, a banda tocou na perfeição um alinhamento que não foi nada mau ("The Dress", "Falling Man"…), mas faltou, não querendo soar a cliché, alma ao que se ouvia. As músicas, mesmo lindíssimas em disco, não tardaram a tornar-se monótonas, e nem a dança deslizante de Kazu Makino e a sua voz de cristal (era, aliás, a única do trio que parecia estar a gostar realmente de ali estar) conseguiram salvar o concerto de uma austeridade que se instalou do início ao fim.
Teve momentos aborrecidos, teve momentos magníficos (sim, 23 é mesmo uma canção espantosa), e no geral fica uma mescla de canções e momentos inconsistentes. O público, frio do início ao fim, pareceu não estar particularmente para ali virado ao longo da actuação. Talvez a solo resulte melhor.
Tudo voltou a seu melhor nível com os grandes nomes do dia, e talvez de todo o festival: os Pulp. Parados desde 2002, o grupo de Jarvis Cocker regressou este ano para uma digressão que, graças a Deus, os trouxe ao melhor festival que temos. O resultado foi o que se esperava: um concerto magnífico, ora apoteótico ora francamente divertido, sempre liderado por um vocalista brincalhão e comunicativo.
Um concerto fenomenal, começado com um pano sobre o palco e um pequeno jogo de luz onde eram projectadas frases que iam suscitando a atenção do público até ao começo do espectáculo (que começou com algum atraso), onde nem um golfinho (“Would you like to see a dolphin? Well… would you?”) faltou, e num palco bem enfeitado com o nome da banda escrito em gigantes letras de neon e algum jogo de lasers; é simples, mas eficaz. Mas o verdadeiro espectáculo foi, claro, Jarvis Cocker, que logo de início (com a grande "Do You Remember the First Time?") mostrou bem estar ali para interagir, divertir e agradar. Poucos parecem gostar tanto do que fazem, e poucos conseguem ter tanto carisma e tanta presença em palco. Até falou com Piruças, o cão amarelo insuflável de Paredes que já lá anda desde 2008. “É melhor pedires a alguém para agarrar o cão por ti, ainda ficas cansado!”.
Um alinhamento em modo best of ("This is Hardcore", "Mis-hapes", os êxitos estiveram quase todos lá), uma banda a tocar na perfeição e um público que estava ali para a festa (foi, talvez, a maior enchente que aquele palco viu) foram os restantes ingredientes, além de Jarvis, que ajudaram a tornar este regresso dos Pulp num sucesso absoluto. Fossem todas as reuniões assim, e seriam muito mais bem-vistas. O final, com a inevitável "Common People", foi um dos momentos do festival e, provavelmente, um dos finais mais apoteóticos que muitos viram até hoje num concerto. Memorável.
19 de Agosto:
Foi, talvez, o dia mais forte do festival, em que todos os concertos foram espectaculares ou lá perto (bem… quase todos, pelo menos). O dia volta a começar, mais uma vez, no palco JN, com Erro. Não foi mau ao ponto de se querer fazer piadas com o nome, mas também não convenceu particularmente. Instrumentalmente tudo parece estar no sítio certo, mas o vocalista e as suas letras aleatórias e que acabam por cair frequentemente (leia-se, em 90% das vezes que abre a boca) no cómico acabam por "minar" tudo. Teve os seus momentos interessantes, mas no geral…
Por outro lado, os Meu e Teu demonstram em palco um à vontade e tocam um rock bem feitinho que conquistou facilmente os (poucos) presentes. Um vocalista que pede palmas, saltos e afins, um rock agradável e catchy (e com arranjos francamente bem pensados), e um concerto que foi dos melhores que passou por aquele palco (senão mesmo o melhor). São novos, ainda são recentes, e nota-se em palco a testosterona toda de ainda estar a dar os primeiros concertos; com tempo tudo há-de ficar mais arranjado e mais bem tocado. Por agora, no entanto, são já uma boa promessa.
De seguida, o primeiro grande concerto do dia veio logo com os You Can’t Win, Charlie Brown no palco secundário. A mega-banda portuguesa, que tem sabe-se lá quantos membros em palco, está mais confiante e bem oleada que nunca. Vão trocando de instrumentos com rapidez e sem falhas, tocam em palco como se não quisessem estar a fazer outra coisa, e as canções, que já em disco são óptimas, ao vivo crescem imenso e resultam na perfeição. "Green Grass" é um exemplo claro disso, tal como a grande "I’ve Been Lost". Um excelente concerto que, não fossem os grandes que se seguiriam, teria sido facilmente dos melhores do dia. São, sem dúvida, um dos nomes mais entusiasmantes da música nacional da actualidade
Quando se chega ao outro palco, já os Joy Formidable começaram. Rock das entranhas, feito com três em palco mas parecem ser mais, dada a potência e energia do que se ouve. Canções como "Whirring" ou "The Greatest Light is the Greatest Shade" ao vivo perdem o seu toque lo-fi mas ganham um poder surpreendente, entregue sempre com honestidade e simpatia (disseram que estavam contentes por ali estar, e pareceram estar a dizer a verdade). Aquele final, quase apoteótico, com todos em volta da bateria, foi talvez um dos momentos de todo o festival, e terminou um belo concerto da melhor forma possível. Concerto a solo, requisita-se.
De seguida, um verdadeiro nome de culto, que certamente levou muita gente a comprar o passe: …And You Will Know Us By The Trail of Dead. Sim, já se sabia que iam tocar pouco tempo e que seriam logo os segundos (tinham de apanhar um avião, parece), mas isso em nada minou o entusiasmo dos presentes, ainda assim não tantos quanto seria de esperar. Seis músicas apenas, mas mais que suficiente para aqueles que terá sido, para muitos, um dos melhores do dia (e isso não é dizer pouco, tendo em conta o dia que foi).
À segunda canção, o quarteto jé está completamente aquecido, já se vivem momentos de uma intensidade a que muitos concertos nunca chegam, e tudo é já um triunfo absoluto (ainda que triste… afinal de contas, é realmente pena que não tenham tocado mais). Vão trocando de instrumentos entre si, da guitarra para a bateria, revelando uma mestria que torna tudo mais interessante, e canções como "Gargoyle Waiting" ou a fenomenal "Will You Smile Again?", no final, deram os momentos mais puros de rock que o festival viu. Curto (pouco mais de quarenta minutos, creio), mas muito, muito bom (e note-se que eu, pessoalmente, nem era fã). Resta agora esperar que regressem, num concerto com uma duração mais digna do que merecem (eles e nós, diga-se).
No entanto, a banda que viria a seguir conseguiria fazer ainda melhor. Num dia fortíssimo, o concerto do dia (e, de muito longe, um dos melhores de todo o festival) seria dos Battles, que se estrearam finalmente no nosso país. E, meu Deus, que estreia.
Apoteose do início ao fim, tudo muito bem construído, num jogo de camadas e sons que viria apenas a ser igualado por uma certa e incrível banda de post-rock que viria a actuar naquele palco no dia seguinte.
Tocam com energia e, diga-se, carisma (que figura curiosa que é, o guitarrista e o seu bigode), e nenhuma das canções desilude ao vivo. Uma fusão de sons, desde dance music ao mais puro rock, que faz com que seja rigorosamente impossível estar parado no mesmo sítio. Muito do público estava lá por eles, e isso viu-se: devoção e respeito por parte de uma plateia conquistada logo aos primeiros minutos. E, sim, "Atlas" foi mesmo um dos momentos do festival (mas "Ice Cream", diga-se, também foi genial).
Ao início faz alguma comichão vê-los a usar samples e afins, mas tendo em conta que são apenas três, e que os samples são eles mesmos que os vão inserindo (mais uma vez, é preciso ter cabeça para saber encaixar aquilo tudo), tudo acaba por pintar um quadro onde estão retratados três grandes, grandes músicos. No final, o baixista agradeceu e disse que estava ansioso por nos voltar a ver “muito, muito em breve”. Concerto a solo marcado? Esperamos que nós. Por agora, no entanto, uma coisa podemos dizer: os Battles partiram tudo quando actuaram pela primeira vez no nosso país, e nós estivemos lá para ver na primeira fila.
Os Deerhunter, ao vivo, impressionam. "Halcyon Digest" é, sem sombra de dúvida, francamente bom, mas encontra-se longe da genialidade de um "Microcastle", por exemplo. No entanto, ao vivo tudo faz mais sentido, e tanto as novas como as antigas ganham um poder à base de guitarra que espanta quem, como eu, nunca os tinha visto ao vivo. Bastou logo o início, com a bela "Wash Off", para surpreender pela positiva; e o mote seria, exactamente, esse.
Tudo tocado com impacto e poder, e sempre com um Bradford Cox simpático e comunicativo (diz que adora tocar em Portugal (mais um que se enganou e pensava estar no Porto…) porque somos um país muito assombrado… "yap", faz sentido), e uma banda em perfeira harmonia. Sofreram do mesmo problema que os Trail of Dead: concerto demasiado curto, com apenas oito canções. Mas mais que suficiente para darem aquele que foi, sem dúvida, um grande concerto. No final, um pequeno golpe de génio, quando terminam com aquela que é, diga-se, a sua melhor música, e talvez mesmo uma das canções da década: "Nothing Ever Happened", esticada, alongada, apoteótica e de ir às lágrimas. Genial.
Já diziam os Monty Python: "...and now, for something completely different". E foi isso mesmo. Os Kings of Convenience, dois tipos com guitarras acústicas, chegaram ao palco e foi impossível não sentir, de imediato, uma diferença depois de toda a energia que se sentiu ao longo da tarde. Passámos, de repente, do rock para os Simon & Garfunkel. E foi bonito, sim; agradável, simpático. Nunca chegou a mais que isso, já que esta não era, afinal, a "praia" deles.
O público ouviu, sempre calado e respeitoso, e isso é de louvar, mas só na zona mais perto do palco se viam realmente demonstrações de devoção em canções como "Rule My World" ou, claro, a inevitável "I’d Rather Dance With You". Eventualmente trazem mais dois músicos ao palco, mas isso não ajuda muito; continua tudo muito calmo, bonito, sim, mas por vezes monótono.
Mas sou suspeito: gosto muito de Simon & Garfunkel, e os Kings of Convenience, infelizmente, transpiram Simon & Garfunkel por todos os lados. Nas guitarras, nas letras, em tudo. Em disco isso não se nota tanto, dados os arranjos que dão às canções, mas ao vivo…
Enfim, um concerto simpático e agradável, que proporcionou uma noite bonita, mas nada mais que isso. E, sejamos honestos, Erlend Øyé é provavelmente um dos músicos mais "cromos" que alguma vez passaram pelos nossos palcos.
As coisas não mudaram muito com Marina & The Diamonds. Concerto agradável, com uma pop energética cantada por uma vocalista que, provavelmente, passou toda a sua vida a ouvir Madonna e Blondie. Simpática, obviamente contente por ali estar, e com uma energia contagiante, Marina cantou canções como "Girls" ou "Shampain" para uma plateia reduzida que, infelizmente, não estava realmente ali para ela, e em que só os mais próximos do palco reagiram ao seu claro entusiasmo. Divertido, agradável e pop catchy cantada a boa voz.
20 de Agosto:
Mais um dia forte, e com aquele que viria a ser o melhor concerto do festival (leia-se: dos concertos que vi).
O dia começou com um nome conhecido de todos: Linda Martini. Já tinham passado por aquele mesmo palco em 2007, num concerto que muitos afirmam ter sido espectacular, e regressaram… para repetir a proeza. Foi a sexta vez que os vi, e uma das melhores (e muito, muito melhor que o concerto no Alive). Isso deve-se não só à banda e ao público, ambos ali de coração e alma, mas também ao excelente som do palco; raramente se ouviu a camada de guitarras de "Este Mar", logo a primeira, assim tão bem, por exemplo.
O quarteto tocava com carinho cada acorde, e o público recebia com esse mesmo carinho cada som. Moche carinhosa, crowdsurfing feito como se fosse entre familiares, e canções que já todos sabemos do início ao fim ("Amor Combate", a incrível "Dá-me a Tua Melhor Faca"… hinos de uma geração). Até Hélio se atirou ao público e fez crowdsurfing, já no fim do concerto. Grandes, como sempre. Tocam como ninguém, e fazem-no com um amor que só lhes fica bem. Por este andar, nunca nos havemos de fartar.
“Os que vierem a seguir estão lixados se não forem bons”, dizia-me um amigo meu no final. E tinha razão: depois de um concerto como o dos Linda Martini, era difícil igualar. E não foi isso que Maika Makovski, espanhola que canta num inglês perfeito, e a sua banda, repescados à última hora para substituir Foster the People após estes terem cancelado toda a sua digressão europeia, fez. Mas também esteve longe, bem longe, de envergonhar alguém.
Naquele que foi um bom concerto de rock com toques de blues, com uma Maika a lembrar por várias vezes uma PJ Harvey (mas, por outro lado, não lembram todas?), o dia continuou bastante bem, com um nível que se viria a manter ao longo de todo o dia e noite. Maika foi simpática, comunicativa, falando em espanhol e inglês, e foi pena que o público, na sua maioria sentado e a ignorar o que se passava em palco, nem lhe tenha dado grande hipótese. Tarefa ingrata, esta de substituir músicos. Mas cumpriu-a, e muito bem.
A seguir, o concerto mais assustador do festival. Os Two Door Cinema Club, a banda mais genérica que passou por todo o festival, chegou e divertiu com o seu pop-rock tão… bem, tão catchy e igual a tanto outro pop-rock que anda por aí. Mas foi assustador ver o público, aquela legião de milhares de fãs, a cantar tudo do início ao fim, a fazer moche (?!) e crowdsurfing (?!?!) numa banda que, simplesmente, não tem uma sonoridade para isso. Sim, cançõe como "I Can Talk ou Sleep Alone" dão vontade de saltar e mexer o corpo, mas… moche? Crowdsurfing? Assustador ver mais disso neste concerto que em Linda Martini ou Trail of Dead, por exemplo (agora que penso bem, é mesmo assustador). Enfim, é o que faz uma faixa etária na sua maioria abaixo dos 18, com as hormonas aos saltos. Ver tudo aquilo acabou por tornar o concerto francamente estranho em vários momentos, e não é de espantar que, com a recepção excitada que tiveram, não foi de estranhar quando o vocalista disse, no final, que “Isto foi completamente ridículo”, dizia-o no bom sentido, claro, mas dá vontade de o dizer também no mau, ou pelo menos no estranho. O concerto propriamente dito foi giro, divertido, energético e inconsequente. Se alguém se lembrará deles daqui a um ano? Provavelmente não, mas, ao vivo, conseguem entreter. Mas… meu Deus… moche naquilo? Que coisa bizarra.
Foi mais um bom concerto, no meio de tantos outros bons ou grandiosos. Por esta altura, era altura de fazer balanços, e era difícil escolher apenas um grande concerto, um que se comseguisse destacar de entre todos, dado equilíbrio do que se viu até àquela altura. Escolher um concerto como o melhor afirmava-se impossível. Até terem chegado os Mogwai.
Podemos dizer que, dentro do post-rock, há dois grandes deuses: os Mogwai e os Godspeed You! Black Emperor. Podemos dizer mais nomes, claro, desde uns Mono a uns inevitáveis Explosions in the Sky ou uns God is na Astronaut, mas a verdade é que foi destes dois que tudo surgiu; sem um "Young Team" e sem um "Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven", o género simplesmente não seria o que é hoje.
O que os Mogwai, que pisaram aquele palco em 1999, dizendo Stuart Braithwaite que desta vez “Foi muito mais divertido" mostraram neste concerto, tal como já tinham feito na Aula Magna, o que se esperava: poder. Puro poder em todos os aspectos: sonoro, emocional, musical, tudo isso e mais. Em cerca de uma hora e quinze minutos, os escoceses defenderam com perfeição absoluta um legado que se apresenta tanto passado como presente e futuro. "Hardcore Will Never Die But You Will" está bem longe de um "Rock Action" ou de um "Young Team", mas a verdade é que ao vivo tudo isso desaparece. Canções como "White Noise" (um início de ir às lágrimas, literalmente), "San Pedro" ou "Mexican Grand Prix" ganham um poder, uma potência que as elevam ao estatuto em que estão os grandes clássicos do grupo.
Em disco, podem soar a canções óptimas, mas abaixo das grandes de antigamente; ao vivo, estão bem lá em cima com os hinos do grupo. Um concerto transcendente, que se viveu na pele e na alma, de olhos por vezes abertos e por vezes molhados, por vezes secos e por vezes humedecidos (emocionalmente falando, o post-rock pode ser um género poderosíssimo; os Mogwai, tal como os Godspeed You! Black Emperor, demonstram bem isso). Um bom jogo de luz, uma tela que ia passando algumas imagens, e um quinteto em palco vestido como se estivesse em casa, que poucas vezes falou; afinal de contas, porque precisariam de o fazer? A música diz tudo o que há a dizer, sem palavras.
Num alinhamento que nem foi assim tão curto (onze músicas… e tendo em conta que não são músicas pequenas) e que teve pequenos golpes de génio (ahh, quem diria que iam tocar a "Two Rights, One Wrong?"), o grupo concentrou-se, como seria de esperar, no seu último disco, defendendo-o, e muito bem, em palco. "Rano Pano", "San Pedro"… momentos grandiosos, impressionantes. São, realmente, uma banda que ao vivo funciona de forma incrível, transpondo para o palco com uma mestria inigualável canções complexas que, ao vivo, não perdem essa complexidade mas atingem de forma mais directa que nunca. Nisso, o som ajudou: foi possível distinguir todos os pequenos pormenores, todas as pequenas mudanças de ritmo, todos os pequenos sons. Aquela muralha de guitarras como só eles fazem tanto emocionou como intimidou, e os efeitos criados no vocoder soaram perfeitos ("Hunted by a Freak", já perto do fim, foi arrepiante, como sempre).
E foram eles que nos trouxeram o grande momento de todo o festival: "Mogwai Fear Satan", aquela epifania de mais de dez minutos, que vai construindo aquela muralha de guitarras que emociona, agarra, depois nos rebenta na cara após acalmar (ingénuos, os que bateram palmas achando que a música estava a terminar, quando na realidade ainda faltava o clímax), e depois nos volta a emocionar. Absolutamente incrível. O final, com "Batcat" (ainda não foi desta que nos brindaram com a "Glasgow Mega-Snake") foi do mais épico possível, e houveram momentos em que parecia que, de facto, o mundo estava a acabar. Ruído, explosões de luz e fumo. O mundo não acabou, mas se tivesse acabado, teríamos todos certamente morrido com um sorriso no rosto. Concerto do festival, um dos concertos do ano, e eles continuam a ser o sempre foram: um dos maiores de sempre.
No palco principal, tudo terminou como começou: com uma reunião. Foram os Pulp no primeiro dia, e foram os Death From Above 1979 no último. E se os primeiros foram magníficos, dos segundos podemos dizer também o mesmo. Num alinhamento onde tocaram… bem, tudo, já que só têm um disco e um EP, a dupla mostrou ter em palco uma energia contagiante, que facilmente desabrochou em moche e crowdsurfing por toda a plateia. Punk como poucos fazem, puro e directo ao osso, onde um baixo e uma bateria bastam (e muito bem!) para criar o caos.
É impossível ficar parado, é impossível não ficar com um sorriso no rosto, e é ainda mais impossível não gostar. Testosterona pura, entregue por um simpático Sebastien Grainger (que até disse que ia lá abaixo à plateia violar quem fizesse mal às raparigas… simpático e com valores!) que toca bateria como se estivesse ligado a uma ficha eléctrica e canta da mesma forma e um Jesse F. Keeler (sintetizador, backing vocals e, acima de tudo, baixo) concentrado mas perfeito no que faz, a dupla não desiludiu os que ansiavam por ver, finalmente, os Death From Above 1979 ao vivo.
Grainger bem brincou com o facto de serem cabeças de cartaz, dizendi que era uma posição difícil de defender com apenas um disco e um EP… e é, realmente, curioso vê-los agora como cabeças-de-cartaz. Quem se lembra de quando passaram por este mesmo festival em 2005, no mesmo dia que os Foo Fighters (na mesma edição onde tocaram os Pixies, os Arcade Fire, os Queens of the Stone Age, os The National, os…), e foram recebidos com monotonia? Entretanto ganharam mais fãs, regressaram, e o resultado está à vista: uma plateia devota e conquistada. E ainda bem, que eles bem mereceram. Foi mais um grande concerto.
Foi o fim de um grande festival que foi, diga-se, o melhor do ano. Sim, o campismo não é tão bom quanto o do Milhões (bem, se eles cobrissem tudo de relva…), mas os concertos e, tal como já foi dito, a paisagem compensam tudo isso. Um rio ali ao pé para quem se quiser refrescar, um público que em todo o festival se portou bastante bem (sempre respeitoso, mesmo com nomes que obviamente não conhecia), um ambiente como só Paredes consegue… e concertos, muitos e grandes concertos, que vão ficar na memória dos presentes. Foi o local ideal, com o cartaz ideal, com as condições ideais.
Se um festival de Verão deve, de facto, ser uma experiência… então a experiência que deve ser é realmente esta. Sem falhas.
As memórias, essas, vão perdurar por anos e anos; as saudades, felizmente, só até ao próximo Verão.
Uma relação com Paredes de Coura é, afinal, uma daquelas que dura para a vida.
E no próximo ano lá estaremos todos, para mais umas quantas noites de núpcias.
Passatempo Noites Ritual 2011
Aug 20th

O Festivais de Verão em parceria com a Xinfrim tem para te oferecer convites para os dois dias das Noites Ritual 2011.
Este que já se tornou um festival importante no itinerário festivaleiro chega, mais uma vez, à cidade do Porto nos dias 26 e 27 de Agosto, nesta que é a sua 20ª edição.
O Festival conta com dois palcos. No dia 26 vais poder ver Dan Riverman, Linda Martini, We Trust, X-Wife, Guta Naki e Zen. No dia 27 é a vez de The Chargers, Terrakota, The Underdogs, Mind Da Gap, D3Ö e Orelha Negra.
A abertura de portas ocorre pelas 20 horas e o início dos concertos pelas 21h30.
Depois dos concertos existirá o Ritual Late Night DJs que no dia 26 conta com Beatbender e DJ Kitten e no dia 27 com os 7 Magníficos. A festa decorre no Pavilhão Rosa Mota a partir das 2h30 até as 6 horas.
O Festival conta ainda com inúmeras actividades paralelas: Exposição Fotográfica – “25 anos – 25 Fotos”, de Cameramen Metálico, Performance e Instalação Multimédia e ainda uma Feira Alternativa.
O bilhete diário custa 3 Euros, se pretenderes ficar para o Late DJs então serão 4 Euros. O passe de dois dias com Late DJs fica por 7 Euros.
Reportagem Milhões de Festa 2011
Jul 30th
Bem, parece que é mesmo verdade: o Milhões de Festa é, no mínimo dos mínimos, o festival mais único de todos os festivais. Único não tanto pelos concertos, mas antes pela experiência que proporciona a quem o visita. Se são inegáveis as falhas na organização (que é que raio se passou naquele palco da piscina no último dia?), ainda mais inegável é o enorme valor do festival, que olha para dentro quando outros olham para fora, resgatando nomes nacionais que outros não se lembraram, e apostando em nomes internacionais que afastariam tantos outros.
Querem um festival em que as pessoas em vez de filmarem e tirarem fotos com os telemóveis se calem e ouçam o concerto, e onde até os moches parecem feitos numa espécie de comunhão amigável em que estão todos ali para se divertir em conjunto? Então o Milhões é para vocês.
Os problemas de organização deste ano (e mais vale despachar já isso, para falar depois do que realmente vale a pena) vieram, acima de tudo, da tentativa de fazer demasiado. Veja-se, por exemplo, o palco Lovers & Lollypops, aka, “aquele toldo à beira do rio que estava virado contra o sol e impossibilitava ver de frente os concertos sem apanhar uma insolação”. Som péssimo e um espaço que simplesmente não é, de forma alguma, apropriado para ver concertos.
Além, claro, dos problemas em lá chegar. As indicações foram colocadas já perto do fim do primeiro dia, e não foram poucos os que entretanto se perderam a caminho, tentando descobrir aquela descida escondida pela qual eu e mais uns quantos passámos duas ou três vezes sem sequer a ver.
Além disto, houve as mudanças de alinhamento no palco da piscina, reveladas por vezes literalmente em cima da hora. Os atrasos foram, aliás, frequentes ao longo do festival, sendo ainda assim de louvar a forma como foi tratado o assunto: no recinto principal, onde estava o palco Milhões e o palco Vice, os concertos de cada palco só começavam após ter terminado que estava a decorrer no outro. Desta forma, era possível ver todos os concertos, do início ao fim, no recinto. E isto era assim mesmo quando existiam atrasos; uma atitude que, diga-se, nem todos teriam.
Em relação à comida… muitos se queixavam que, no recinto, apenas se podiam comer cachorros (cachorrões, aliás), mas mesmo perto da entrada havia uma banca que vendia hamburgueres, cachorros, bifanas e etc., e, não muito longe, existiam vários restaurantes. Tendo em conta que só no primeiro dia é que vi fila para entrar, era facílimo entrar e sair do recinto a horas de jantar para comer o que quer que fosse. E havia ainda um multibanco literalmente em frente, do outro lado da estrada. Melhor localização era impossível.
E haverá festival mais confortável que este, onde se pode andar calmamente por todo o recinto, que mesmo quando está cheio nunca se torna claustrofóbico? Aliás, o festival nunca esteve demasiado cheio (ficar na grade dum concerto nunca foi tão fácil) - uma maravilha. Para além de tudo, visitar Barcelos vale, por si só, o preço do passe.
22 de Julho de 2011
O início do festival, no palco da piscina, foi com os HILL, e dificilmente poderia ter sido melhor. Dupla com bateria e guitarra… presa à bateria, que toca consoante o reverb que vai recebendo, e que faz rock energético, barulhento e que se ouve sempre bem. A isto se alia um vocalista, João Guedes dos Sizo, com uma baqueta e um tambor, e temos um bom concerto feito. Já disse que a guitarra estava presa à bateria e tocava a partir do reverb? Que ideia genial. O palco da piscina é, aliás, um dos maiores trunfos do festival. Ouvir concertos dentro de água: melhor é impossível.
Os Black Bombaim, que tocaram a seguir em substituição dos cancelados Föllakzoid, mostraram o porquê de serem um dos nomes em clara ascenção no nosso panorama. Rock instrumental stoner onde a guitarra impera, complementada por um excelente baixo e uma excelente bateria. Fica-se com pena que cada banda toque apenas cerca de meia-hora neste palco, com um concerto destes, entregue com energia e sem paragens. Vê-los a solo torna-se imediatamente uma necessidade.
De seguida, vive-se uma aventura para achar o palco da Lovers & Lollypops, onde vão tocar os Botswana. Quando finalmente lá se chega, perto da hora em que o concerto deveria estar a terminar, este ainda nem começou. E quando começa, apercebemo-nos bem do quão mau é o local (não é de admirar que, ao longo de todo o festival, poucos tenham lá ido, salvo em raros concertos). O sol bate de frente, tornando impossível ver confortavelmente o concerto em frente ao palco, e o som está péssimo, levando Joca (provavelmente um dos melhores vocalistas da nossa história) e toda a banda no geral a queixarem-se frequentemente ao longo do espectáculo. Por vezes desaparece a bateria, noutras as guitarras, noutras a voz… E ao que parece, o encarregue pelo som não era sequer técnico (então, Milhões?). Ainda assim, a banda soube dar a volta, dando um bom concerto onde o seu rock emergiu acima de tudo, com o vocalista a cantar perto do público e a banda (que mal cabia naquele palco minúsculo) a tocar na perfeição cada tema. Pediam-se condições melhores, mas não deixou de ser um bom concerto. Como seria de esperar.
O atraso afecta todos os concertos seguintes, e é já com um largo atraso que começa Dirty Beaches. Samples, guitarra, e voz lo-fi são os elementos que compõem, e muito bem, a música de Alex Hungtai, que fez este ano uma pequena digressão pelo nosso país. Eram vários os corajosos que viam o concerto em frente ao palco, levando com o sol em cima, e Alex não tardou a ir com a guitarra para o meio do público. Foi com pena que se saiu do concerto ia este a meio, mas o atraso tramou os planos e começava daqui a nada um dos concertos obrigatórios do dia: Riding Pânico, no palco Vice.
Rock instrumental da pesada, onde as guitarras e a bateria (aqui comandada por Chris Common, dos These Arms Are Snakes) dão descargas de energia do início ao fim. E como poderia não ser assim, com músicas como "E Se a Bela For o Monstro?"? Nunca é demais falar da bateria, tocada de forma impressionante por um Chris Common monstruoso. Uma descarga total de som, em que tudo se conjugava na perfeição. Resta fazer figas para que voltem no próximo Milhões. Ou então apenas para que voltem, ponto.
A festa continuou feita por gente de cá, logo a seguir, quando os Born a Lion subiram ao palco Milhões. Blues com veia muito rock, num concerto que surpreendeu pela sua potência (isto em disco não era assim!) e pela prestação exemplar de todos os músicos sem excepção. Rodrigues, um excelente baterista-vocalista (haverá coisa mais espectacular?), é um animal de palco que vai fazendo a ponte banda-público, falando naquele seu brasileiro tão característico, do Milhões de Festa e do memorável que os próximos dias vão ser. A banda, desaparecida dos palcos há algum tempo, revela ter assinado pela Lovers & Lollypops, e é portanto de esperar um regresso em grande. Por agora fica uma constatação: estão em excelente forma e deram um belíssimo concerto.
No final seguiu-se Motornoise no palco Vice. Metal repetitivo, pouco original, que vale apenas pelo vocalista que se atira para o público e bebe do início ao fim. A subtileza não é um dos fortes da banda (“Esta canção é sobre bêbados, e chama-se… Podres de Bêbados”), e são apenas mais uma banda, igual a tantas outras, que não convence particularmente em nada. Os poucos presentes, no entanto, pareceram convencidos.
Mais convencidos que em AEthenor, talvez a banda mais experimental que passou pelo festival, e que falhou apenas por estar a tocar num ambiente que não era, de forma alguma, o melhor para a sua música. Música ambiente, instrumental, que vive de camadas que se vão desenrolando ao longo de imenso tempo, nunca chegando a um clímax definido. Isto, num festival, de dia, simplesmente não resulta. O público, sentado, não parecia reagir, e percebia-se: é difícil criar o tipo de concentração (ou de ligação, diga-se) necessário para que este tipo de música funcione, num festival, neste ambiente. Alguém que os traga a um sítio pequeno e íntimo, e teremos sem dúvida um belo concerto; aqui, por outro lado, não resultou. É que nem sequer de noite era…
Shit and Shine foi monótono e repetitivo ao início, ainda que fosse interessante ver aquele quarteto em palco, vestidos daquela forma (dois coelhos e um que parecia a rapariga assustadora do The Ring… mas de roupão). Electrónica que parecia não ir a lado nenhum, sem construção nem clímax. Mas, infelizmente, não posso comentar: foi o único concerto de que saí a meio para ir finalmente comer alguma coisa, e parece que depois aquilo deu a volta e ficou muito mais dançável. O que vi, não convenceu, mas acredito que, mais à frente, tenha ficado bem melhor.
Zun Zun Egui, que tocaram no palco Milhões em vez do Vice, como seria previsto, e antes dos Gama Bomb e não depois, deram um concerto agradável, por vezes energético, que só perto do fim começou a cair no aborrecimento. Uma espécie de pop-rock (não gosto do termo, mas há bandas em que assenta bem) com toques de psicadelismo, que em disco soa a lo-fi, mas que ao vivo perde essa dimensão e ganha antes uma veia mais rockeira. O vocalista, uma figura caricata, depois andou pelo recinto durante o resto do festival, frequentemente bêbado, tendo proporcionado, pelo que me contaram, algumas histórias curiosas na piscina. Eu vi lá o Hélio, já foi bom.
Os Gama Bomb foram, basicamente, o concerto mais cliché e divertido do Milhões (e, também, o primeiro a conseguir juntar realmente muita gente em frente ao palco). No bom e no mau sentido. Um vocalista à metal clássico, que lança agudos a torto e a direito (e nós respondiamos com risadas), riffs iguais a tantos outros, e músicos de cabelo comprido com aqueles fatos que são regulares no género. Parecia um concerto de Mastodon, mas… bem, em mau. Mas lá está: daquele mau que chega a ser bom. A verdade é que a própria banda não se parece levar muito a sério, e o vocalista, sempre comunicativo, ajudou (hilariante, o momento em que o público repetiu um grito seu, daqueles agudos, e este respondeu com um “Wow, isso foi uma coisa à Queen. Os Queen estão aqui hoje!”). Divertido, talvez não pelas melhores razões, mas divertido na mesma.
Não há nada de particularmente interessante ou original nos Graveyard, mas fazem canções com uma competência e um bom gosto que ao vivo torna-se difícil não gostar. Os paralelismos com bandas de um rock clássico como, por exemplo, os Led Zeppelin (muita, muita gente com t-shirts deles neste concerto) torna-se inevitável, mas a sua música consegue nunca se tornar nem revivalista nem imitadora. Boa voz, boas guitarras, boas letras. Não há, à partida, nada de particularmente bom, mas ao vivo aguentam-se muitíssimo bem, acabando ainda assim por fartar um pouco os que não são fãs (que, pelo público, nem eram assim tantos). Bom concerto.
De seguida, começou a maior sequência de grandes concertos que se viu em todo o festival, e que fez deste primeiro dia o mais forte dos três: If Lucy Fell, Liars, Veados com Fome e Lobster (o melhor concerto do festival, mas já lá vamos).
Os If Lucy Fell, que não tocavam há dois anos, voltaram e mostraram ser ainda aquilo que sempre foram: poderosos. Podemos falar do grande vocalista, Makoto Yagyu, que a certa altura vai até à mesa do som andando por cima do público, podemos falar do excelente baterista (Hélio Morais, está claro) que cobre cada canção de forma perfeita, podemos falar do bom baixista (Pedro Cobrado) que parece estar a viver a melhor noite da sua vida em palco, tal como o teclista (João Pereira) e podemos, acima de tudo, falar do monumental guitarrista (Rui Carvalho), que é incrível do início ao fim, dando descargas de guitarra que raramente voltariam a ser igualadas em todo o festival. Rock épico, forte e de arrepiar, num concerto que foi, como se esperava, espectacular. Resta agora saber o que farão no futuro.
Os Liars eram, a par das Electrelane, os dois grandes cabeças-de-cartaz do festival. Quem esperava um concerto monumental, dos melhores do ano, talvez tenha ficado desiludido; mas quem esperava um concerto de excelência, com uma energia sem fim por vezes apenas mandada abaixo por alguns momentos mais parados, terá tido mais sorte. Um concerto espectacular, com momentos melhores que outros (nada bateu a "Plaster Casts of Everything", já perto do fim e "Broken Witch", claro, também foi um momento magnífico), mas que esteve bem acima da média e que foi, frequentemente, perto da genialidade. Pura energia, puro rock, puro caos com direito a moche e afins, e um vocalista tão caricato e envolvido no que faz que o concerto teria valido só para o ver em palco. O público, dos maiores que o festival viu, já sabia bem ao que vinha, e pareceu mais que satisfeito no final.
Menos público tiveram os Veados com Fome, que deixaram saudades naquele que foi, ao que tudo indica, o seu último concerto de sempre. Um som poderoso (estava tudo mais alto que o normal, e ainda bem), onde é impressionante o que um trio consegue fazer. Post-rock potente, rápido e ríspido, onde a guitarra grita acima de tudo, sempre com um baterista com tanto talento quanto carisma (Cavalheiro, herói nacional). Canções como "Ultramar" ou "Paquito" (tocadas num mashup) são sempre incríveis, sempre arrepiantes. Um dos concertos mais envolventes do festival, em que a potência do som e das suas canções foi o que mais interessou. Raios, vão fazer tanta falta.
Os Veados com Fome foram uma das duas bandas que marcaram o início da Lovers & Lollypops. A outra banda, e um dos outros grandes regressos da noite, são os Lobster, duo maravilha consituído por Guilherme Canhão (um guitarrista incomparável no nosso panorama, também parte dos Tigrala e dos grandes Sunflare) e Ricardo Martins (baterista igualmente incomparável). Mais vale ser directo e simplista: foi o concerto do festival, e um concerto incrível do início ao fim. Tocaram foram do palco, no chão, no meio do público, e o que se viveu foi não tanto um concerto mas mais uma pura experiência de comunhão como só eles, neste festival, poderiam dar. Foi, diga-se, lindíssimo. Não por ser música bonita, mas por ser música vivida tal como o deve ser e como raramente é. Foram putos a fazer música para outros putos que a querem ouvir com toda a alma e coração, que fazem crowdsurfing e moche mas sempre como se estivessem entre amigos.
Efectivamente, foi isso: dezenas e dezenas de conhecidos, todos ali para o mesmo. Difícil explicar, para quem não esteve lá. E depois houve claro, a música, ainda tão perfeita, tão espontânea mas tão tecnicamente incrível apesar das quedas de som, entregue por dois dos melhores da sua geração (não há volta a dar, são mesmo), que têm entre si uma química espantosa e tocam como mais ninguém o faz. Concerto do festival, dos concertos do ano (e olhem que este ano os Swans, os Arcade Fire e até o Roger Waters já passaram por cá), e uma experiência incrível. A música é isto, e é assim que um concerto deve ser. Uma epifania.
O primeiro dia terminou, assim, da melhor forma possível (ainda houve D.I.S.C.O.Texas Gang depois, parece, mas depois de Lobster o descanso era essencial), e como nunca mais veria a terminar. O primeiro e melhor dia do festival tinha terminado com muito suor, provavelmente algumas lágrimas (raios, aquilo foi uma experiência de amor) e vários sorrisos de orelha a orelha. Foi assim que fomos todos dormir, nessa mesma noite, não só pelo dia que se tinha vivido, mas também por um facto inegável: amanhã havia mais.
23 de Julho de 2011
O primeiro concerto, após mudanças e atrasos na piscina, acaba por ser o dos Indignu, no palco da Lovers & Lollypops (aquele tal que basicamente é um toldo). Rock bem feito, ora instrumental ora com toques de voz, que mostram talento na construção de canções. Uma convidada com violino resultou muitíssimo bem, e no final fica-se apenas com pena da redução que o concerto teve de sofrer, devido aos atrasos existentes.
Volta-se para a piscina e os Long Way to Alaska são os próximos, depois da destruição massiva dos Mr. Miyagi. Não são revelação nenhuma para quem anda atento (estão em clara ascenção), e ao vivo conseguem fazer crescer as já em disco lindíssimas canções de "Eastriver", o belo álbum de estreia. Multi-instrumentalistas natos que vão trocando entre si, tocando músicas que evocam por si só cenários relaxantes que, ali na piscina, ganharam uma força ainda maior. Sugere-se uma digressão feita pelas piscinas do país inteiro. Estes rapazes sabem mesmo o que fazem.
Os Tigrala abriram o palco Milhões e melhor início teria sido difícil. Diversas influências num género musical que se baseia em duas guitarras e na percussão para fazer canções ora energéticas, ora calmas, mas sempre surpreendentes (nunca sabemos bem o que vai suceder a seguir). Um belo concerto, como seria de esperar, tendo em conta os três músicos envolvidos: Guilherme Canhão, Ian Carlos Mendoza e Norberto Lobo. Foi bonito ver o público a chegar a meio e a ficar imediatamente conquistado, sentando-se onde quer que fosse para ouvir o que vinha do palco. Sem falhas.
Kim Ki O foi cancelado (tocou no dia a seguir, na piscina), e por isso o que se seguiu foram os excelentes Causa Sui, banda de rock instrumental que foram, talvez, a grande surpresa de todo o festival. Um público numeroso que não os conhecia mas que ficou rendido do início ao fim, e com razão. Vê-los a tocar (ainda por cima foi no lusco-fusco!) foi uma belíssima surpresa. Um nome a ter em atenção, que com sorte há-de chegar cá a solo em breve. Um dos concertos do dia.
Millionyoung não foi mau, mas não devia estar ali. Devia estar a tocar a fechar o dia, às tantas da manhã, com gente a dançar em frente ao palco. Electro-pop que não se destaca, mas que não aborrece… ou pelo menos não aborreceria, noutro contexto. Ali, não resultou particularmente bem, e isso via-se nem que fosse pelos poucos presentes em frente ao palco. Um concerto que deveria ter acontecido, mas não ali, naquele palco, nem àquelas horas.
Os Kafka afirmavam-se como um dos grandes regressos do festival, mas passaram despercebidos. Os que assistiam ao concerto não pareciam ser fãs, e não foi uma plateia particularmente composta ou efusiva que os recebeu. Post-punk (ecos de Swans, paralelismos com os Mão Morta) que convence, mas não vai muito mais além disso; e um vocalista com presença e energia, mas que não convence nada quando abre a boca. Nunca aborreceu, mas também nunca convenceu por aí além, foi, apenas, mais um concerto. Bons músicos a fazer música que, no entanto, hoje em dia perdeu a originalidade que possuía há anos atrás.
Os Anti-Pop Consortium, que tiveram problemas técnicos antes do concerto e fizeram, a par das Electrolane, o maior soundcheck alguma vez visto em festival, atiraram ao público poesia feita com energia e excelentes beats à mistura. Hip-hop assim, feito tão bem e com palavras tão bem escolhidas, é cada vez mais raro, e foi uma plateia numerosa que recebeu de braços abertos o concerto do início ao fim. Beans, membro do trio, cantou sempre à berma do palco e arriscou até cantar uma canção no fosso, e o grupo parecia estar, de facto, a adorar estar ali em cima. Estilo (muito estilo), e excelente música num concerto exemplar, poesia musical, sem dúvida.
De seguida, uma surpresa: os Best Coast entraram em palco e…. ah… não, espera, eram as Vivian Girls. Bem, pelo que se viu em concerto, vai dar ao mesmo. Não faziam sentido no cartaz em geral e aquele rock cor-de-rosa não convence, acabando antes por aborrecer. Sim, já percebemos todos que malta nova a fazer lo-fi está na moda, mas então que o façam bem, em vez de parecerem uma mera colagem iguais a tantos outros grupos. No dia a seguir, já ninguém se lembrava delas. Mas valeu pelo “A sério? Queres que mostre as mamas? Mostra-nos tu as tuas mamas pouco atractivas!”. Yeah, you go girl.
Os Zu foram a banda que mais barulho fez em todo o festival. Saxofone, bateria, baixo e muito ruído. Se foi mais que apenas ruído? Bem, isso é subjectivo. A mim não convenceu, mas é inegável o mérito e a originalidade do que fazem. O público pareceu convencido, e o concerto, pelo que vejo agora, entrou no top de muitos como um dos melhores concertos do festival. Pessoalmente, não vi coordenação, não vi melodias, não vi música, mas outros (e não foram poucos) viram tudo isso e ainda mais. E isso, afinal, é que interessa. Rock pesado, muito pesado, que não agrada a todos.
Os Secret Chiefs 3 vieram a seguir e deram aquilo que se esperava: um concertaço, facilmente um dos melhores do festival, e o melhor da noite (ao lado do de um certo senhor que actuou a seguir). Um caldeirão de referências, se influências, com canções ora exóticas, ora épicas (a Exodus…), tudo tecido na perfeição por um grupo de excelentes e impressionantes músicos. Tudo assenta na perfeição e, sejamos honestos, valeria tudo nem que fosse para os ver ali a tocar, em robes como se fossem de seitas, a divertirem-se com aquilo que fazem. Foi um concerto curto e concentrado, onde percorreram alguns dos seus melhores temas (nem faltou a cover do tema do Halloween), o que fez com que fosse, basicamente, um concerto consistentemente espectacular do início ao fim - vénias.
E a seguir veio, senhoras e senhores, para um público francamente numeroso, o grande Bob Log III. Um tipo sozinho em palco, com guitarra e uma mini-bateria à frente onde bate com o pé (o Tigerman deve ser fã), vestido como se fosse um membro perdido dos Daft Punk. Rock, blues, tudo ali dado com muito suor, muita alma, muita presença e muito espectáculo. O público não parou quieto, e o senhor Bob também não, com canções rápidas e energéticas umas a seguir às outras. E meu Deus, que guitarrista. Sabia bem como interagir com o público, teve-nos na palma da mão do início ao fim, e deu facilmente um dos concertos do festival. “Senhoras e senhores, deixem-me apresentar-vos a banda” começa ele, perto do fim. “Em todos os instrumentos… EU!”. A one-man-band que foi uma das bandas do festival. Há talentos assim, que bastam por si só. E Bob Log III é um deles. Magnífico.
Foi o último concerto do dia (para mim, leia-se), naquele que foi o pior do festival, e foi o fim perfeito. No dia a seguir, o palco da piscina ia enlouquecer, os atrasos iam voltar, mas os concertos seriam mais e melhores.
24 de Julho de 2011
Último dia do milhões, último dia de festa. O melhor festival (em termos de experiência) chegou ao fim da melhor forma possível, com um último dia onde, esquecendo um palco na piscina onde de repente tudo enlouqueceu e o alinhamento das bandas mudou do nada, tudo correu bem.
Na piscina, tal como já se disse, o alinhamento mudou. As Pega Monstro eram para ser as primeiras, e passaram para muito mais tarde, devido à inclusão dos MKRNI e das Kim Ki O. As Kim Ki O, duas jovens raparigas que fazem electrónica com guitarra e sintetizadores, proporcionaram um belíssimo concerto, agradável e adorável, perfeito para ouvir no relaxamento da piscina ou enquanto se dança um pouco à beira da água.
Os MKRNI (ou Makaroni) são uma banda de electrónica dançável e exótica, tipicamente latina, e complementaram na perfeição a dupla que tocou antes. Foi um belíssimo início e uma óptima ideia, a de ter estas duas bandas a tocarem uma a seguir à outra, e proporcionaram ambas as bandas uma excelente tarde à beira da piscina. Coisas destas só no Milhões. Os Narwhal são também divertidos, mas um pouco mais… aborrecidos. Experimentação a mais e energia a menos para o que se esperava ser mais uma pequena festa aquática. Convenceram, ainda assim.
Os concertos no recinto principal começaram mais cedo neste último dia, e os primeiros a entrar em palco foram os Dear Telephone. Não tão pop quanto se tem dito por aí, fazem música calma, segura mas por vezes repetitiva, que se baseia, acima de tudo, na belíssila voz da vocalista. Um concerto que acabou por ir perdendo interesse ao longo da sua duração. Nem faltou uma cover do clássico "West End Girls", dos Pet Shop Boys, mas nem isso convenceu particularmente, tal como aquela canção nova, sem título, que não encerrou o concero da melhor forma. São competentes, mas esperava-se mais.
Throes e The Shine foram o concerto que se seguiu, e foram uma das coisas mais originais e divertidas que se viu em todo o festival. Rock instrumental meets kuduru (chamava-se rockduru, diziam eles), num espectáculo onde se dançou do início ao fim, vendo-se em frente ao palco um público numeroso e convencido do início ao fim com o que viam.
A combinação resultou surpreendentemente bem, e o rock bem pensado e feito com talento dos Throes (que já mereciam estar num palco assim, grande) resultou na perfeição com o estilo irreverente e espontâneo dos The Shine, que têm de ser da dupla mais divertida na música portuguesa actual. Um novo concerto deles é obrigatório no próximo Milhões.
Dos Papa Topo, não há muito a dizer. “Fofinhos”, como bem dizia uma amiga, e nada mais. E basta, claro. Naquele que deve ter sido um dos concertos mais adoráveis de sempre, esta dupla espanhola deu um concerto para dançar e sorrir, sem pretensões nem qualquer tipo de brilhantismos. Foi divertido, foi agradável, e bastou. O público, infelizmente, não pareceu particularmente conquistado, ficando todo ele sentado durante o concerto, à excepção de algumas espanholas que dançavam em frente ao palco (uma delas de forma profundamente arrepiante) e de uns amigos que depois obriguei a dançar perto do fim (Milhões de Festa é para ter festa, raios!). “Parece música de filmes da Disney”, ouvi dizer, antes da vocalista ter explicado que “A próxima música é sobre fazer sexo no cinema”. Mais ou menos…
Os FM Belfast, por seu lado, deram uma festa autêntica onde ninguém parou quieto. Electrónica azeiteira com imensa gente em palco, e música que são francamente más mas que, ao vivo, resultam francamente bem. A isto se alia uma banda energética, que obriga as pessoas a baixar e a saltar (literalmente, apontaram-me o dedo e obrigaram-me. A sério), e temos um concerto que, quer se goste quer não, é uma festa garantida.
De seguida, uma estreia absoluta: We Trust. O projecto de André Tentugal estreou-se pela primeira vez nos palcos, e o saldo foi positivo, ainda que fosse de esperar mais. A verdade é que Time (Better Not Stop), o single lançado e que não sai da cabeça de sabe-se lá quanta gente, pôs as expectativas bem lá em cima, e estas não foram totalmente cumpridas. Se essa canção é audaz e foge ao normal do electro-pop, as restantes (pelo menos pelo que pareceu, ao vivo) encaixam na perfeição nessa categoria e, mesmo sendo agradáveis e providenciando um bom concerto, não impressionam.
A banda, essa, é notável, com Gil Amado, o baterista/vocalista/guitarrista (já tinha dito que eles eram multi-instrumentalistas, não tinha?) dos Long Way to Alaska, o grande Rui Maia, teclista dos X-Wife, fazendo ainda parte do grupo o baterista dessa mesma banda e um teclista que foi professor do Pedro Abrunhosa. Há ainda arestas por limar, claro, mas no geral vê-se logo o talento envolvido… a falha parece estar, talvez, mesmo mais nas canções. Ainda assim, um bom concerto, e confirma-se: Time é, mesmo ao vivo, uma excelente canção.
De seguida, uma despedida. Os Green Machine, uma das mais notáveis bandas do nosso rock dos bons últimos anos, com um dos mais espectaculares vocalistas da nossa história (o grande, grande Joca aka João Pimenta), deram um dos concertos do festival e um que ficará na memória dos presentes por muito, muito tempo. Rock como só eles fazem, entregue como só eles conseguem, com um público efusivo perante a última oportunidade de ouvir aquelas canções ao vivo. A primeira vez que os vi foi na ZDB, e foi marcante; esta segunda e última voltou a sê-lo.
Não há, simplesmente, mais ninguém como eles. Mostraram estar numa forma exemplar, e foi tudo o que se esperava: crowdsurfing e um público que não parava, músicos em estado de inspiração pura, e uma verdadeira experiência. Foram uma inspiração para muitos (não é do nada que os Glockenwise andavam por lá, a curtir mais que grande parte de todos os outros), e irão deixar muitas, muitas saudades.
Uma despedida seguida de um regresso. As Electrelane eram o maior nome do cartaz, e foi uma sorte tê-las a tocar para nós neste festival, nesta pequena digressão de Verão que andam a fazer. O concerto só confirmou o que já se esperava: fizeram falta. Em modo mais rock e menos pop, percorreram os clássicos da sua discografia num concerto sempre consistente, que em nada foi minado com o facto de terem perdido metade do seu equipamento algures durante o voo e de terem tido de pedir instrumentos emprestados aos músicos do festival.
"Two For The Joy", "Bells" e a fabulosa "Eight Steps" (aquele teclado, aquele piano…) foram alguns dos temas tocados num concerto dado por um quarteto em excelente forma. Aliás, há algo quase de mágico em ver aquelas quatro raparigas em palco, a fazer tão bem o que fazem (grande imagem, aquela da vocalista, de cabelo comprido, a cantar enquanto uma rajada de vento lhe passa pelo corpo). Continuam iguais, continuam a fazer música ora lindíssima ora potente, e deram um dos concertos do festival e, certamente para muitos, um dos concertos do ano. Magnífico.
Washed Out, projecto de Ernest Greene, encheu de seguida o mesmo palco com uma onda de chillwave com toques de synthpop. O seu belo disco, "Within and Without", foi bem recebido por todo o lado (sim, a Pitchfork gostou), e o concerto dado pelo músico e a sua banda (veio com mais gente atrás, felizmente, e até baterista tinha) não impressionou particularmente, mas mostrou potencial e deu a festa que se queria àquela hora da noite. Curiosamente, não pareciam ser muitos os que conheciam o projecto, mesmo tendo em conta o boom que sofreu com este primeiro disco, mas ainda assim o público (não tão numeroso como seria de esperar) não arredou pé do início ao fim. E, claro, coisas como "Eyes Be Closed" resultam muito bem ao vivo.
Os Foot Village são quatro baterias em círculo e gritos pelo meio. Sim, é mesmo a melhor premissa de todos os tempos para uma banda. E se a verdade é que não resultam tão bem quanto poderiam resultar (gritos a mais, baterias a menos), é também inegável que ao vivo é ainda assim algo quase espectacular, duma energia rara e com um grupo de gente que está ali mesmo para se divertir (aquela vocalista era espectacular). Pensem nos Paus, mas com gritos melhores e piores baterias. Acaba por não ser tão bom quanto se esperava (e foi um concerto bastante curto), mas foi bem bom mesmo assim.
De seguida, um dos maiores nomes do festival, e que teve à frente do palco aquela que foi, a par de Electrelane, a maior multidão: Radio Moscow. Rock à antiga, potente, com guitarras a destruir tudo por onde passam e malhas que tornam impossível estar parado. Tocaram quase sem paragens, com pouquíssimas palavras sem ser para apresentar as músicas e agradecer, e conseguiram assim concentrar um belo número de canções em pouco tempo. Tocam na perfeição ao vivo, numa perfeita coordenação entre cada músico, e foi bonito ver aquele público, que conhecia grande parte do alinhamento. Rock assim, clássico mas ao mesmo tempo moderno, é raro, e ao vivo os Radio Moscow (que já são nome regular por cá, felizmente) mostraram conseguir sustentar bem o belo trabalho que fazem em disco.
O meu último concerto do Milhões, quando os membros já doíam, as quatro da manhã não estavam assim tão longe, e a tenda chamava por mim, foi Comanechi aka “a banda punk espectacular daquela rapariga japonesa genial que em palco é um espectáculo”. Final melhor teria sido difícil, num concerto punk à moda antiga, com energia e uma vocalista que parte tudo por onde passa, mostrando estar a adorar estar ali em cima. O público está cansado, mas não o mostra: salta, grita, reage a cada acorde, a cada momento. O público do Milhões é assim (até a própria vocalista se mostrou surpreendida por estar tanta gente ainda no recinto).
Uma grande festa, com crowdsurfing e moche à mistura, daqueles que este festival gosta tanto de oferecer. Muito, muito divertido.
E assim terminou, para mim, o Milhões de Festa. Um ambiente diferente daquele que se vê em qualquer outro festival, concertos como só ali se veriam, e três dias incríveis. Lobster, Green Machine, Electrelane, Veados com Fome, Liars… grandes momentos tornados melhores por serem vistos com um público daqueles, num ambiente inesquecível. Se houveram falhas? Claro que sim. Mas eram inevitáveis. Afinal de contas, o que seríamos nós sem as nossas? Qualquer um as tem, e o Milhões teria de as ter. Este é, afinal, o festival mais humano de Portugal. Um sítio de onde se sai com amizades feitas, ou amizades cimentadas, e com memórias que valem por toda uma vida. Senhoras e senhores, este é o Milhões de Festa.
Não foi, efectivamente, um festival: foram experiências, memórias que vão ficar.
E, para o ano, lá estaremos todos nós novamente. Para vivermos milhões de alegrias.
Passatempo Milhões de Festa 2011
Jul 11th

O Festivais de Verão em parceria com a Lovers and Lollypops temos passes e bilhetes diários para te oferecer para o Festival Milhões de Festa.
Este festival conta com 5 palcos: Palco Milhões, Palco Vice, Palco Lovers & Lollypops, Piscina e Palco SWR. Alguns dos nomes mais sonantes que passam por este festival são Liars, Man Like Me, Washed Out, Vivan Girls, We Trust, Lobster, Matanza, Secret Chiefs 3, entre muitos outros.
O preço do bilhete diário é de 25 Euros e o passe para os três dias com campismo é de 50 Euros se comprado até dia 17 de Julho, após esta data fica-te por 60 euros.
A invasão à cidade do galo fica marcada para os dias 22, 23 e 24 de Julho no Parque Fluvial de Barcelos.
Passatempo Pool Party
Sep 8th
O Festivais de Verão em parceria com a A AR Produções e com a W2O Produção de Eventos tem 5 bilhetes duplos para os dois dias para a “Pool Party, a maior festa de final de Verão”.
Esta grande festa decorre nos dias 11 e 12 de Setembro, na piscina Arriba, situada na praia do Guincho. Este evento conta com duas temáticas distintas : a música electrónica, na sua vertente mais comercial, com a actuação dos melhores DJ´s portugueses, como Phill Kay, Funkyou2, Henri Josh e a música brasileira com um concerto da banda Arrochadeira da Bahia.
Sábado dia 11, a festa tem início a partir das 22 horas e Domingo dia 12, a partir das 15 horas.
Dois dias de festa, completamente diferentes e muita animação dividida por duas pistas de dança, área VIP e Camarote. O dress code é o branco.
Reportagem Optimus Alive!10 – 10 de Julho
Jul 11th
Dia 10 de Julho, último dia do Optimus Alive!10. O calor permanece e desta feita traz consigo um vento desagradável que espalha poeira pelo ar. A quantidade de pessoas que acorrem a Algés é inimaginável; só quem testemunha acredita no que vê. Ainda há quem se dirija de propósito ao local na esperança de adquirir um bilhete de última hora.
Pelas 17 horas, já o palco Super Bock estava quase cheio – a maior parte, sentada, descontraía e abrigava-se do calor e do vento intensos. Alguns fãs entusiastas de Girls acolhem a banda com um caloroso aplauso. Apesar disso, a actuação não cativou. Mesmo o animado single Lust for Life (embora tal animação não provenha, de todo, da letra) parece perder força ao vivo. O público bem se esforçou por tornar o concerto mais fogoso, mas a festa só esteve presente desse lado das grades. A pouca interacção com o público foi uma mistura de timidez e frieza. O final, com Morning Light, foi um pouco mais enérgico.
Pouco passava das seis da tarde quando Sean Riley "e os seus" Slowriders subiram ao Palco Super Bock. Com muito muito ritmo Sean Riley liderou com distinção os músicos que o acompanham, surpreendendo pela positiva aqueles que ainda não estavam familiarizados com o rock desta banda portuguesa. Durante o simpático concerto da banda de Coimbra foi possível apreciar as vastas influências na sua música. Buffalo Turnpike foi um dos momentos altos do concerto, com a interpretação irrepreensível do single retirado de Only Time Will Tell. Sean Riley aproveitou também para mostrar no Optimus Alive o seu mais recente single com os Slowriders, Talk Tonight. Um concerto muito agradável, onde a actuação ao vivo faz jus ao bom trabalho de estúdio da banda.
Em dia de lotação esgotada, coube aos ingleses Gomez abrir o Palco Optimus, com o álbum A New Tide para apresentar. Já lá vão mais de dez anos desde que Bring It On e Liquid Skin catapultaram a banda de Ian Ball para um outro patamar, mas desde então têm sido iguais a si mesmos. Músicas muito bem conseguidas e com uma excelente construção, e acima de tudo bem executadas ao vivo. Do inicio ao fim, os Gomez entreteram o público presente no Passeio Marítimo de Algés, que aproveitou os tons suaves dos britânicos para relaxar e aproveitar as últimas horas de sol.
O recinto do palco alternativo continuava abastado, apesar de cada vez mais pessoas se dirigirem ao palco Optimus a fim de marcar lugar para Pearl Jam. No entanto, ainda havia muito tempo para as outras bandas. Era agora a vez de Miike Snow, banda sueca que se encontra em ascensão. Na mala vinha o álbum homónimo, que foi apresentado perante um público repleto de fãs estrangeiros.
De máscaras brancas, a banda pisou o palco, enquanto mais gente se reunia no recinto e muitos se levantavam a fim de dançar ao som electropop da banda. Burial fez sucesso, antes de Black and Blue, tocada com potência que resultou num dos momentos altos da actuação. As máscaras caíram e a festa começara oficialmente. Com muitas partes instrumentais, temas como A Horse Is Not a Home e Silvia mostraram variedade e proporcionaram momentos mais calmos. A primeira parte teve mais força que a segunda, mas o single Animal, reservado para o final, trouxe de novo muita dança e saltos.
Era chegada a hora para a festa, no verdadeiro sentido da palavra. Os americanos Dropkick Murphys com o seu punk céltico, entraram para arrasar no Palco Optimus com The State Of Massachussetts. É incrível como nesta banda há toda uma sintonia na qual nem parece haver um verdadeiro líder tal é a harmonia que parece existir dentro da banda apesar das mudanças de formação. A mistura que estes norte-americanos fazem de acordes e batidas punk com gaita de foles, flauta e banjo é um autêntico grito de revolta contra o tédio. Músicas como Johnny, I Hardly Knew Ya levam-nos à era dos piratas e da cerveja caseira em canecas de madeira, numa autêntica comunhão de eras. Forever foi aproveitada para puxar pelas vozes do público, que cantou em uníssono com Ken Casey. Só ficou mesmo a faltar o clássico Boys On The Docks num concerto que terminou com a conhecidíssima Shipping Up To Boston, resultando numa enorme explosão de alegria e saltos.
Seguiu-se então The Big Pink, duo electro-rock de Inglaterra, no Palco Super Bock. Apesar de o recinto estar mais vazio, aqui e ali viam-se fãs da banda, que cantaram as letras a plenos pulmões. Guitarradas potentes e incentivos de ambos os membros da banda contribuíram para tornar o concerto mais intenso, enquanto temas como Velvet, Tonight e Dominos puseram a audiência ao rubro.
Desde o concerto dos Gogol Bordello em Paredes de Coura em 2007, a banda de New York foi angariando fãs no nosso país exponencialmente, e isso nota-se na recepção que o público dá ao colectivo de Eugene Hütz. Depois dos Dropkick Murphys era garantido que a festa iria continuar com os Gogol Bordello, e não podia ter continuado de melhor forma com este concerto que teve inicio com Not A Crime. Parece que foi ontem que os norte-americanos vieram a Portugal como meros desconhecidos, e hoje é notório que os portugueses reconhecem a maioria dos temas dos Gogol Bordello. Nem mesmo os temas do recém-lançado álbum Trans-Continental Hustle, como My Companjera passaram despercebidos, e quem os ouvisse neste concerto diria que são as suas músicas de sempre. A festa continuou e os Gogol Bordello não deixaram para trás êxitos como Start Wearing Purple. Foi a segunda vez da banda no Optimus Alive, e pelo que têm deixado no festival espera-se que não seja a última.
Eram 22h05 e o palco Super Bock estava cheio até metade. Mas aos primeiros sons da intro de Peaches, mais gente se juntou aos já presentes em frente ao palco. Poucos mas bons descreveu bem o público que passou por aquele palco neste dia. Original, como sempre, a cantora de origem canadiana vestia um fato enorme composto por fitas que a tapava por completo. Mud começou e a temperatura no recinto ia subindo. A encenação feita por duas personagens – uma masculina e uma feminina – cujos cabelos exagerados lhes tapava o rosto complementava Talk to Me. No entanto, o auge estaria reservado para Billionaire e Take You On. Durante a primeira, a cantora passeou em pé pelas grades, atirando-se de seguida para o público, que a fez navegar entre cabeças. Agarrou num copo de um fã e, bem servida, voltou à grade. Pediu então ao público que guardasse todos os telemóveis e câmaras, porque estariam prestes a fazer parte de algo cujas dimensões seriam mais que um «momento Twitter». «Jesus andou na água, mas Peaches anda em vocês», exclamou, antes de dar início à música. Enquanto cantava, equilibrava-se de pé em mãos de membros do público. Um momento arrepiante, onde vimos a cantora de braços no ar, apenas com as pernas seguras por fãs. Por entre espargatas, roupas despidas e vestidas, efeitos de luz e projecções na própria roupa, Peaches proporcionou mais de uma hora de fascínios, boa-disposição e muito atrevimento. Shake Yer Dix e Boys Wanna Be Her arrancaram danças e saltos enérgicos e Fuck the Pain Away estaria reservada para o final de mais uma actuação, no mínimo, excitante.
Depois da festa dos Dropkick Murphys e Gogol Bordello, estava na hora da banda mais esperada da noite, e provavelmente a banda que levou este último dia do Optimus Alive a esgotar, os Pearl Jam. Desde logo uma declaração bombástica de Eddie Vedder, que confessou ao público que este será um dos últimos concertos dos próximos tempos, fazendo saber que a banda vai fazer um hiato por tempo indefinido. Mas o que interessava era que a mítica banda do movimento grunge estava a tocar para o seu público, e começou a actuação com a última faixa do álbum de estreia Ten, Release. Um início suave que teve continuidade com Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town. Mas as coisas mudaram de figura com Animal e Given To Fly, passando para uma fase mais mexida do concerto, onde ficou demonstrada a fidelidade do público português para com os Pearl Jam. Unthought Known foi a primeira faixa de Backspacer que o grupo de Seattle tocou, e até foi bem recebida. Seguiram-se Nothingman, Daughter e Even Flow enquanto o tempo ia voando. Depois de Black e Why Go, os Pearl Jam abandonam o palco pela primeira vez, para que depois regressassem para encore. Para este encore Eddie Vedder acompanhado da sua garrafa de vinho e da habitual boa disposição reservou The End, The Fixer e uma versão dos Public Image Ltd. de Public Image. Pelo meio uma música inteiramente dedicada a Portugal, enquanto um elemento da banda ia segurando a letra para que Eddie Vedder não cometesse erro algum. Após a belíssima Better Man, acompanhada de um coro vindo do público, novo recolher dos norte-americanos aos backstage. Recolher esse que não duraria muito, pois os Pearl Jam regressariam uma última vez para tocar Smile com Jeff Ament na guitarra e Stone Gossard no baixo. Ainda antes do final, tempo para um final de luxo com Once, Alive e Yellow Ledbetter, e uma nota também para Boom Gaspar que arrancou muitos aplausos por trazer vestida uma camisola da selecção portuguesa. Ficará para sempre na memória este dia em que Eddie Vedder anuncia a paragem de uma das bandas de culto em Portugal, com um concerto cheio de empenho e algum virtuosismo a espaços do guitarrista Mike McCready. Até um dia destes, o público português ficará à espera.
O projecto house Simian Mobile Disco, muito popular em Portugal, foi recebido no palco Super Bock por um público escasso mas com muito vigor. A festa de final da noite começava com o grupo britânico e temas como It’s the Beat incitaram à dança.
Crookers, o duo italiano, eram quem se lhes seguia. Enquanto o recinto enchia aos poucos, o som subia e os corpos perdiam o controlo para as batidas possantes que enchiam o espaço.
Enquanto a imensa e infindável multidão que viera para ver Pearl Jam se dispersou o suficiente para deixar passar pessoas na direcção oposta, havia quem se dirigisse para ver LCD Soundsystem a fechar o palco Optimus de mais um Optimus Alive!’10. A banda entrou em palco e o recinto voltava a encher, depois de energias repostas e estômagos saciados. James Murphy entrou para cantar Us v Them, antes de Drunk Girls, o mais recente single do que é último álbum da banda, This Is Happening. Os temas estimulavam a dança e Pow Pow antecedeu a esperada Daft Punk Is Playing at My House. All My Friends adequa-se sempre a um festival de Verão e a emoção que os instrumentos, os ritmos e as batidas do single espalham apalpava-se no ar. Um convite de James Murphy para tomar um copo a seguir ao concerto ficou no ar, antes da emotiva I Can Change.
Tribulations e Yeah exaltaram os ânimos de novo, numa explosão de dança, saltos e palmas. Uma autêntica festa para o encerrar do palco principal. Contudo, quando todos queriam mais, James despede-se com um súbito e inesperado «vemo-nos mais tarde este ano», que valeu à banda um coro de assobios e apupos, enquanto saía de palco. Uma actuação que careceu de mais vigor que, quando começava a dar de si, foi interrompido pelo final que ninguém previa.
Sem tenções de dar por finalizada a noite, grande parte do público dirigiu-se ao palco Super Bock, onde Boys Noize – nome artístico do alemão Alexander Ridha – já tocava. A festa ficou assegurada pelo projecto electrónico, que passou tanto temas mais antigos, como mais recentes. A multidão delirava e a festa alongou-se noite adentro.
Foi o fim de mais um Optimus Alive!’10. Esgotadíssimo no último dia, o evento presenciou a passagem de milhares de pessoas, actuações de cortar a respiração, momentos de surpresa e até mesmo algumas decepções nos três dias que durou. Para o ano, realizar-se-á nos dias 7, 8 e 9 de Julho. Esperamos ver mais recuperado o lado artístico do festival para a próxima edição, já que em relação às bandas, a qualidade dos nomes que constam no cartaz ano após ano é irrefutável.
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Se achas que os Festivais de Verão acabaram enganas-te!





