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Reportagem Yes no Coliseu dos Recreios
Nov 5th
Casa praticamente lotada a 3 de Novembro no Coliseu dos Recreios em Lisboa, para o primeiro espectáculo da tour europeia dos britânicos Yes. Pela segunda vez na história da banda sem Jon Anderson, Chris Squire conseguiu encontrar um substituto à altura em Benoît David, através de vídeos da sua banda de tributo aos Yes, Close To The Edge.
Início de luxo com "Yours Is No Disgrace", "Tempus Fugit", e "I've Seen All Good People", com o veterano Steve Howe a mostrar o seu virtuosismo na guitarra. Seguiu-se "Life On A Film Set", naquela que foi a primeira incursão pelo recentíssimo Fly From Here, para logo depois se regressar a um passado longínquo com "And You And I" da obra Close To The Edge, um dos álbuns mais marcantes da banda.
Mas nem todos os temas podem ser retirados da nostalgia do século XX. Como tal, após um belíssimo interlúdio com solo acústico de Steve Howe, altura de mergulhar profundamente no novo álbum com o tema que lhe dá nome, "Fly From Here". O concerto viria a terminar com "Owner Of A Lonely Heart",
"Machine Messiah" e "Starship Trooper", mas não sem que o quinteto regressasse ao palco para presentear a plateia lusa com "Roundabout", para fechar uma actuação de duas horas e meia.
Depois de mais de quarenta anos a fazer música, os Yes acumularam experiência, e sabem como ninguém organizar um alinhamento inteligente, que nos leva numa viagem interminável pelo rock sinfónico.
Foi um concerto para assistir sentado e aplaudir de pé.
Reportagem Long Distance Calling – MusicBox
Jun 9th
Noite sem palavras, mas em que as guitarras tudo disseram, num Musicbox bem composto em noite de Domingo. Viam-se pela sala fãs de Löbo, fãs de Long Distance Calling, todos eles fãs de música que vive do som e não de palavras, que envolve com muralhas de som e não com vozes.
Os Löbo, quarteto português, foram os primeiros e acabariam por ser os melhores. Intensos e poderosos ao vivo, com coordenação quase perfeita entre os quatro membros (sofreram recentemante mudanças na formação, e as falhas que têm rapidamente serão corrigidas pelo maior remédio de todos: o tempo) na criação de um som envolvente e, por vezes, arrepiante.
Não são post-rock, não são metal, não são doom, nem são nada que encaixe num género; são uma rajada de ar fresco, a fazer numas vezes os Swans, noutras os Godspeed You! Black Emperor, mas sempre soando únicos. Tudo é unido pelo excelente baterista (que, com aquela energia, parece que a qualquer momento vai saltar do instrumento e atirar-se ao público), e pelas teclas, que criam as melodias que vão sendo depois preenchidas de forma perfeita pelo baixo e guitarra, em sintonia.
As músicas são longas, envolventes, num crescendo directo que nunca brinca com as expectativas e vai sempre em direcção ao que quer. As explosões não são repentinas, mas antes planeadas e impressionantes na forma como ocorrem. Talento ali não falta; deram o concerto da noite, e agora resta esperar pelo crescimento inevitável. Mais prática, mais tempo a tocar todos juntos, e chegarão num instante àquilo de que já se aproximam: uma grande banda. Quem os for ver ao vivo sem os conhecer, sairá agradavelmente surpreendido; quem os for ver já tendo ouvido o excelente Älma, único EP da banda até agora, sairá com expectativas confirmadas e até superadas. E, seja qual for o caso, a vontade de os rever impera.
Os Long Distance Calling, o segundo quarteto da noite que chegou não muito depois, mostraram-se competentes, energéticos, mas mais genéricos e menos impressionantes. Um post-rock mais hard (ou doom, ou seja lá o que for), sempre directo e apostando em guitarras fortes e simples e não em camadas de som, como se poderia esperar.
Perto de hora e vinte minutos de energia pura, com um público sempre convencido e envolvido, agradecendo com um headbanging suave que acompanha aquela bateria (excelente e impressionante, tal como o que já antes tinha pisado o palco) e aquelas guitarras. Um dos guitarristas é claramente o mais carismático e caricato do grupo: vai correndo pelo palco, aproxima-se da berma com língua de fora, e não fica um segundo parado.
Arecibo, por exemplo, é duma energia que contagia facilmente os presentes, mas nunca deixa de soar a algo que já ouvimos antes. São óptimos no que fazem, mas sente-se o que já se sentia em disco: um potencial que não está ainda totalmente explorado, uma banda que pode ir mais além. O concerto esteve longe de desiludir, e nunca esteve abaixo de entusiasmar minimamente, mas espera-se agora que continuem a evoluir e que em breve cheguem a um patamar superior. Por agora, ficamos com este belo concerto que, mesmo deixando um sabor familiar na boca, mostrou uma banda de qualidade.
Dois belos concertos, o primeiro melhor que o segundo, de duas bandas que trabalham o som de formas diferentes (os Löbo atrevem-se a experimentar mais e a esticar ao máximo as suas canções, enquanto que os Long Distance Calling vão por um caminho mais directo), mas de formas igualmente satisfatórias.
Ambas as bandas podem chegar mais além, e ambas têm um inegável potencial que o tempo há-de explorar da melhor forma. Por agora, ficamo-nos com esta óptima noite, em que guitarras e baterias disseram tudo o que havia dizer, e em que as muralhas do som envolveram de excelente forma todos os presentes.
Desilusões, essas, dificilmente terão havido.
Reportagem Real Estate
Feb 17th
No passado dia 16, o Plano B albergou uma noite encabeçada por um único nome, os Real Estate, oriundos de New Jersey.
Detentores de uma sonoridade pop esticada entre a melancolia e o psicadelismo, estes jovens lançaram o seu primeiro álbum há um par de meses. Com um registo a fazer lembrar nomes como Galaxie 500, The Clean ou Pavement, é natural que tenham sido recebidos com um grande fulgor por parte da crítica especializada, algo que certamente ajudou a encher o Plano B numa noite pós-Carnaval.
Com o referido registo homónimo debaixo do cinto, o quarteto americano, já por volta das 23h30, lançou-se a cerca de 45 minutos de um concerto que tanto deu para bater o pé, como para puxar pelo lado mais emocional do público. Algo conseguido sem nunca se tornarem maçadores ou desajustados na descarga ou na retenção enérgica.
Sapateando à volta de temas como “Fake Blues”, “Black Lake” ou “Beach Comber”, os presentes certamente sentiram o suburbanismo e a beleza imperfeita que essas pequenas pérolas pop invocam. Algo perfeitamente justificado pelo arremesso constante de linhas de guitarra pingadas de echo, slapback e phaser, apimentadas por uma voz a meio tempo e uma secção rítmica concisa, mas subtil.
Reportagem Panda Bear
Feb 14th
Na noite de ontem, e pela segunda vez consecutiva de casa cheia, o recém-lisboeta Noah Lennox veio apresentar expectativas para o seu quarto e mais recente álbum, "Tomboy", que promete estrear em Setembro deste ano.
Panda Bear aparece num registo um pouco mais agressivo, “noisy” e ligado à guitarra. O reverb na voz não deixa de fazer lembrar Brian Wilson e os Beach Boys e é de notar que este álbum tem uma ligação mais intrínseca com o último trabalho de Animal Collective, porém, menos jovial e mais ultrajante.
Numa construção musical mais intricada, densa e texturada, é de apontar o uso recorrente e repetitivo de loops e distorção.
Quase sem tempo para pausas e palmas, e apesar das já esperadas saudades de Person Pitch, o público pareceu saudar de forma atenta este novo trabalho e a presença ímpar e recatada de Lennox
. O trabalho de vídeo de Danny Perez que acompanhava o artista ajudava à experiência envolvente, que parece ter corrido de forma mais fluida e com um melhor sonoridade do que o dia anterior.
Reportagem Marés Vivas 2009 (2º Dia)
Jul 18th
No Palco Novos Portugueses, foram os Cazino a fazer as honras da casa para se começar o dia e conseguiram cativar o público presente que esperava já ansiosamente por Fonzie que subiram ao palco pouco depois e conquistaram a assitência que vibrou entusiasticamente à sua actuação repleta de energia e boa disposição, revelando a sua sintonia para com o público, de onde que inclusivé chegaram a convidar um elemento para se juntar a eles no palco.
Entretanto a concentração de público no palco principal era já bastante considerável, indo de encontro às expectativas para um dia que conta com nomes fortes no alinhamento da noite. A abrir este palco, estiveram os Secondhand Serenade, a banda menos conhecida da noite mas que conseguiu ir conquistando o muito público presente.
Às 23h30 começou aquele que seria provavelmente o concerto mais aguardado da noite: Scorpions, Subiram ao palco mais cedo que o inicialmente previsto e num concerto onde não faltaram temas como Send Me a Angel, Sill Loving You ou Rock You Like a Hurricane, cantados em uníssono pelo público êxtasiado e acompanhado por um espectáculo de luzes e multimédia muito bem executado que fizeram deste o melhor concerto da noite.
Para fechar os Guano Apes brindaram-nos com um concerto cheio de força e energia, fazendo recordar os tempos áureos da banda, e que certamente não terá deixado os fãs desiludidos, apesar de ainda assim se notar já que aos poucos os menos resistentes iam abandonando o recinto.
Hoje dia 18, o último dia da 7ª edição do Festival Marés Vivas conta com as actuações de Sinal e Soulbizness no Palco Novos Portugueses e com Keane, Jason Mraz, Colbie Caillat e Gabriella Cilmi no Palco Principal.
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