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Reportagem Ulver no MusicBox
Nov 22nd
Nota autobiográfica: ver Trickster (aka, Kristoffer "Garm" Rygg) e os Ulver era já uma espécie de fantasia antiga. Quer queira quer não, foi uma figura que até me acompanhou bastante nos últimos 10 anos e pouco, em viagens, leituras, e todo o tipo de experiências. Sem me considerar um super-fã, depois de perder o concerto o ano passado no Porto, fui desta vez porque estava finalmente à mão. Por isso não vou comparar o concerto com nada. Fui absolutamente sem expectativas, poucos cigarros no bolso, e algum tempo para queimar.
Directamente de Oslo para o Musicbox, muito bem-dispostos e faladores, os Ulver abriram com "February MMX", que deu logo para sacudir e abrir os olhos. A sala não estava tão completa como seria de esperar... 22 euros também é dinheiro, mas valeu bem pela montagem audiovisual e para desfrutar do som espectacular que ainda lhes levou alguns anos a atingir. É curioso o facto de esta banda, já sem o destaque que teria há anos atrás, ter apresentado um excelente concerto.
O baterista encolhido no seu canto, um baixista/guitarrista/multiusos, zeloso do seu instrumento e Garm a cantar, levando sempre tudo na calma, a mastigar pastilhas ou a fumar, compunham um quadro que dava para ver e ouvir.
Os outros dois elementos, atarefados com a maquinaria em cima do palco, também se dedicavam ao ruído, mas era nos outros que a atenção do público se encontrava.
Mulheres nuas baloiçavam-se na tela, dando o mote para as velhas e favoritas: "Porn Piece" em versão acelerada, um "Rock Massif" inesperado, com alguma riffalhada pelo meio de encher o ouvido e Lost in Moments, com nota psicadélica. Ainda outros temas do último disco: "England" e "Island", com umas ondas de fundo que nos afogaram no som. Encore divertido, com uma versão punk de um tema desconhecido, e um segundo encore para arrumar a questão com a tão esperada "EOS".
Setlist:
- February MMX
- Norwegian Gothic
- England
- September IV
- Lost In Moments
- Porn Piece Or The Scar Of Cold Kisses
- Island
- Darling Didn't We Kill You?
- For The Love Of God
- Little Blue Bird
- Rock Massif
- EOS
De destacar, a qualidade fantástica do som que o Musicbox conseguiu produzir para uma banda que bem a merece. Há muitos anos que este projecto trabalha na perfeição da sonoridade e da composição, e sabe sempre bem ouvir o que o artista quer que se ouça.
Reportagem Sensation Wicked Wonderland
Jun 20th
Lisboa foi presenteada no passado dia 19 de Junho com a segunda edição do festival de música de dança Sensation. Envolto no imaginário inspirado no conto de Lewis Carroll, Alice's Adventures in Wonderland, o evento trouxe ao Pavilhão Atlântico uma noite marcada pela fantasia, a ficção e a criação de novos mundos. As expectativas eram muitas e no recinto, pintado de branco, a vontade de diversão traduzia-se em movimentos de dança (ainda) sozinhos. Vestido a preceito, com máscaras e acessórios teatrais, o público estava preparado para uma noite de magia.
Detidos por uma voz vinda das profundezas, foi apresentada aos presentes a viagem por terras libertinas e fantasiosas do Sensation – Wicked Wonderland. Acompanhada por ecrãs de dimensões agigantadas, nos quais uma Alice descobria a entrada para o País das Maravilhas, a voz impetuosa convidava os presentes a passar a porta branca que dá entrada num novo mundo.
O português Diego Miranda inaugurou a noite e com uma bagagem musical auspiciosa fez a audiência soltar os primeiros passos de dança, alcançando o auge da sua apresentação aquando a última música, Ibiza For Dreams, na qual foi acompanhado por Liliana na voz e por uma performance de palco que remetia para o imaginário de Alice, na qual uma bailarina suspensa no ar amimava os presentes com uma chuva de papel branco. O ambiente de festa já estava ateado e coube a Mr. White, DJ residente do Sensation, garantir que os presentes continuariam a agitar a pista de dança. Numa actuação emersa no fantástico, com o artista vestido e pintado de branco fazendo lembrar todos os presentes, e com bailarinas que faziam justiça à perversidade e sedução prometidas no nome do evento, a singularidade da performance do DJ foi a afirmação decisiva de que a noite seria memorável.
Seguiu-se o Dj Vibe, nome do panorama house português que dispensa apresentações, que, com temas como Hey Boy, Hey Girl de Christian Key, e pelo internacional The Mix, que por sua vez deixou a sua assinatura no evento com Heartbreaker, do conceituado duo Mstrkrft. Ambos asseguraram a envolvência cada vez mais intensa do público com o ambiente de devaneio vivido no recinto. Já pela madrugada, coube ao francês Martin Solveig tomar conta do palco e, movido pelo House e com uma ténue inspiração de raízes africanas, transformou temas conhecidos do grande público, como Kids de MGMT e Wonderwall dos Oasis, em momentos divertidos e de entrega por parte dos presentes, que já embalados pelo ambiente fantasioso, agitavam a pista de dança.
Sebastian Ingrosso e Steve Angello, membros do colectivo sueco de DJs Swedish House Mafia, fizeram cumprir o objectivo a que se propõem: fazer as pessoas dançar. Distintos pelo tom de brincadeira e de diversão que depositam nas suas actuações, o duo fez a audiência reviver clássicos como Sweet Dreams, de Eurithmics, e recriar temas contemporâneos conhecidos como We Are Your Friends, da bem sucedida parceria de Justice com Simian.
Para fechar a noite, sobe ao palco o tão esperado Gui Boratto. Ao DJ de origem brasileira, que marcou presença em terras nacionais no mês passado, pertencia a árdua tarefa de brindar o público com o encerramento memorável do que havia sido uma noite a recordar. Motivada pelo som minimalista do artista, a audiência celebrou o que havia sido a sua viagem pelo fantástico e maravilhoso, garantindo finalmente a prometida entrada na Wicked Wonderland. Com temas assinados pelo artista, como Take My Breath Away e No Turning Back, Gui Boratto presenteou a audiência com um ambiente de festejo genuíno, centrado na comunhão entre a música e a quem a ouvia. Apesar de penar por uma pobreza no campo estético visual, quando comparada com a edição anterior, a festa garantiu o ingresso num universo repleto de iluminação, cor, com componentes sensoriais inovadores e com performances corporais e coreografias, sempre alusivas à temática deslumbrante wonderland, que adoçaram o olhar dos presentes.
Sensation - Wicked Wonderland prometeu a passagem para o “outro lado da porta branca”, para o Mundo do Sonho e, numa noite vestida de branco, soube cumprir.