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Reportagem Noites Ritual 2011
Aug 30th
Mais uma vez as Noites Ritual, no Palácio de Cristal, celebram o fim do verão. Nesta vigésima edição, a organização inovou com a criação de mais um palco acústico – Palco Ritual - e também com a adição dos “Ritual Late Night Dj’s” no Pavilhão Rosa Mota, a partir das duas e meia da manhã, uma espécie de After-hours para quem considera que a noite acaba muito cedo.
26 de Agosto
Para dar início à série de concertos, apresentaram-se os Dan Riverman, uma banda indie recém-criada de Santo Tirso. Dan Alves, vocalista da banda mostrou o desejo e o prazer em tocar neste festival portuense tão aclamado. Com um som reconfortante e original, os Dan Riverman apresentaram o single mais recente, “Sea and the Breeze”, e também “To live a dream”, “Yellow Flower” e “Fragile Hands”. Como surpresa fizeram uma cover da música “I just called to say i love you” de Stevie Wonder, deixando o público em surpresa.
Para apresentar o novo álbum, Casa Ocupada, os Linda Martini, uma banda fortemente influenciada pelos Sonic Youth, chegam ao Palco 1 das Noites Ritual, fazendo uma introdução eléctrica com o single “Dá-me a tua melhor faca”, deixando todos em expectativa para o seu seguimento. Com a música “Amor combate”, esta banda de rock alternativo ficou surpreendida com a motivação do público em todos os concertos realizados, considerando-os “merecedores de uma salva de palmas”.Tocaram ainda “Nós os outros” e “O amor é não haver polícia”. As duas últimas músicas foram dedicadas a um dos elementos da equipa, “Belarmino” e “100 metros sereia”. Estudantes universitários dizem que apesar do curto período de tempo de concerto, Linda Martini foi “tão explosivo como em Paredes de Coura 2011”.
Os We Trust, apresentaram o seu álbum de estreia com o famoso single “Time (better not stop) ” que tem tanto prestígio a nível internacional, e também com a música “Them Lies”. Elogiando a experiência anterior no Paredes de Coura 2011, não deixou de valorizar o público do Porto, fazendo-o cantar em simultâneo.
De volta ao Palco 1, os X-Wife, banda fixa nas últimas edições das Noites Ritual, trazem ao público um novo álbum, Infectious Affectional. Esta banda indie-rock partilha novas músicas como “I live abroad”, “Little love”, “Keep on dancing”, “Wonderman”, “That’s Right” e para recordar o antigo álbum cantaram hits como “Ping Pong”, “Heart of the world”, “Fireworks” e “On the radio”. A plateia portuense aplaudiu constantemente esta banda indie, que se despediu dizendo que adoravam tocar no porto, na sua cidade.
No Palco Ritual, os Guta Naki, uma banda suave mas energética ao mesmo tempo, chegaram ao Porto para apresentar algumas das suas músicas como “Clark nova (Metal house)”, “Cantiga de amigo”, “Margarida”, e novos singles como “Loseyland” e “Novo Mundo” que deixaram o público surpreendido com a sonoridade desta banda.
Para marcar o final da noite, a banda mais aguardada pelo público, os ZEN marcaram o primeiro dia das Noites Ritual porque ofereceram a maior interacção e energia da noite com o vocalista mais ousado e original. Cantaram músicas como “Mutant”, “Relativland”, entre outras. Realizaram também o primeira e único moche desta vigésima edição, fazendo com que o cantor dissesse “Da próxima vez que não me segurarem, dou-vos um estalo ok?”. Esta banda de punk alternativo lotou por completo o Palco 1, deixando os espectadores e fãs desta banda em alvoroço.
27 de Agosto
Neste segunda e última noite do festival, esperava-se por uma mistura entre o funk, soul, hip-hop e reggae, sem deixar de mencionar as bandas de rock alternativo no palco Ritual.
Às 21h30, The Chargers, abrem o palco Ritual, e pela primeira vez todos os elementos da banda surgem no palco a usarem máscaras indecifráveis e originais. Esta banda de rock instrumental tinha uma capacidade fora do normal para fazer o público dançar, especialmente quando exclamaram “Hey Ho Let’s Go!”.
No palco 1, seguiram-se um grupo de amigos que mostravam imensa cumplicidade em palco, os Terrakota. Esta banda, influenciada pelos sons de África, Caraíbas e Oriente, veio apresentar o novo álbum World Massala. Começaram o concerto dizendo que o seu objectivo era iniciar uma festa de amor e liberdade, criando também diversos jogos de batidas típicas do reggae. Todas as músicas incentivaram o público a dançar e a trocar sons e energias positivas com a banda. Com a partilha de músicas do novo álbum, voltaram também às origens com a música – “Métisses”, “Oba train” e “Bawo”. No fim do concerto, agradeceram ao público, chamando-o de família e apelaram à necessidade que a vida tem direito ao manifesto.
De poucas palavras e muita música, The Underdogs estrearam-se neste festival e mostraram como era realmente a verdadeira definição de rock n’ roll. Apresentaram músicas que ficavam no ouvido, como “It is no plain to see”, “She is la”, “The Stonewalkers”, e “Ode For Queens”.
Finalmente, a banda mais esperada nesta segunda noite, Mind Da Gap, superou e ultrapassou todas as expectativas dos verdadeiros fãs do hip-hop nacional. Com a apresentação do novo álbum, A Essência, o trio portuense contava também com a presença de uma recente aquisição da banda, o DJ Slimcutz. Depois da recepcção calorosa do público, os Mind Da Gap cantaram temas como “O Eremita”, “Abre os Olhos”, o clássico “Sem Stresses”, “A Dedicatória”, “Como Conseguem?”, “Não Pára”, “Sintonia” e “Só pra Ti” – que foi ternuramente dedicada ao Porto. Durante o concerto, os Mind Da Gap trouxeram um convidado surpresa, o Maze dos Dealema, com quem cantaram o primeiro single do novo álbum, “A Essência”.
Para ultimar os concertos no Palco Ritual, os D3Ö surgem para nos oferecer o mais puro rock alternativo. Sendo a banda que mais promoveu a interacção com o público neste palco, apesar do pouco tempo que tinham para fazer uma festa do verdadeiro rock n’ roll, conseguiram realizar um concerto eléctrico com hits como “Say you will”, “Wanna hold you”,”Blind man”.
No fecho dos concertos da vigésima edição das Noites Ritual, os Orelha Negra tomaram conta dessa responsabilidade, tornando-se na banda com a plateia mais cheia da segunda noite. Com fortes referências da cultura portuguesa, este projecto de funk-soul português esteve à altura de ser cabeça de cartaz. De acordo com Isabel Roque, estudante universitária, Orelha Negra fez um espectáculo muito semelhante ao de Paredes de Coura 2011 e correspondeu ao máximo em todas as suas expectativas. Começaram com a música “Since you’ve been gone”, e seguiram com “A memória”, “Barrio Blue” e finalmente, “A força da razão”.
Com o fim dos concertos e um balanço muito positivo destas duas noites de verão com um travo a música portuguesa, que excedeu as expectativas de todos, o público dirigiu-se para o pavilhão Rosa Mota para continuar a festa que as Noites Ritual ofereceram com a nova criação das “Ritual Late Nights”, até de manhã.
Texto: Inês Sousa
Reportagem Sum 41 – Lisboa
Feb 18th
Após oito anos desde a primeira atuação em terras lusas, os Sum 41 voltam em nome próprio para um concerto explosivo num quase lotado Coliseu dos Recreios. Nostalgia é a palavra de ordem para os eternos adolescentes, que aproveitam para apresentar o seu novo esforço musical, Screaming Bloody Murder, com data de lançamento para este ano, aos fãs devotos do punk rock açucarado.
Porém, antes de isso coube aos Fitacola abrir a noite do espetáculo. Oriundos de Coimbra, os portugueses souberam entreter um público sedento de música, apesar das claras deficiências tanto da composição das suas criações, como da execução das mesmas. Os Fitacola são constituídos por 4 elementos, presos no género há mais que estagnado do pop punk com “ambições” – e se à plateia recheada de jovens tudo lhes agrada, para os mais graúdos fica clara a falta de originalidade da bagagem musical destes artistas. Estes não apresentam nada que não se tenha ouvido vezes sem conta, nem compensam, infelizmente, com o brio técnico do manuseamento dos instrumentos, falhando várias vezes nos solos de guitarra emotivos de uma juventude perdida. “Nós só queremos tocar”, afirmava o vocalista - fica para uma próxima oportunidade.
Entre os clássicos do hard rock, como os de AC/DC, e os gritos apaixonados dos fãs entusiastas, dá-se a entrada dramática da banda canadiana. Liderados pelo pequeno em estatura, mas grande em chefia da hoste, Deryck Whibley, os Sum 41 não hesitaram em abrir um concerto impetuoso com poucas pausas para respirar. A divertida ‘My Direction’ foi a escolhida para começar, seguindo-se de um tema novo, intitulado de ‘Skumfuk’, e a agressiva ‘We’re All To Blame’, temas que agitaram prontamente os inúmeros jovens que se faziam apertar nas filas dianteiras. Tamanha é a sede de tudo o que tenha a ver com os seus ‘heróis’ que os fãs não são capazes de conter o seu entusiasmo quando Whibley escolhe alguns sortudos para assistirem ao concerto no palco.
Porém, um defeito que podemos apontar à música dos canadianos é a inconsistência na abordagem da sua sonoridade. Aparecendo no panorama musical comercial americano no início dos anos 0, os Sum 41 destacavam-se de uns Green Day ou uns Blink 182 por um charme característico de serem incapazes de se levarem a sério, o charme de quatro miúdos patetas que adoravam a música metal. A partir do momento em que largaram esta abordagem e decidiram enveredar pelos caminhos sinuosos de um pop punk mais agressivo, acompanhados por uma ‘integridade’ musical, o conjunto deixou à vista as carências musicais de um género que se tornou célebre não pela competência e qualidade musical, mas sim pela possibilidade de identificação com a imagem de jovens incompreendidos e rebeldes. Ora, despidos de carisma, é possível ver que os Sum 41 são pouco memoráveis, apesar de eficazes a animar e entreter. ‘Walking Disaster’, ‘Over My Head’ e a recente ‘Screaming Bloody Murder’ são alguns exemplos de temas explosivos e bem executados tecnicamente, mas que não têm muita substância.
Apesar de alguns clichés na performance dos artistas, nomeadamente nos pedidos de um entusiasmo ainda maior dos fãs, e do pequeno interregno metal (‘Metal Mayhem’) que viu o mostruário das habilidades do guitarrista Tom Thacker na interpretação de temas de Metallica e Iron Maiden, o concerto decorreu com fluidez, passando por vários dos maiores hits da banda, como ‘Underclass Hero’ e ‘Still Waiting’. No entanto, é em ‘In Too Deep’ que os portugueses se agitam de forma notória, saltando, esbracejando e vociferando em plenos pulmões as letras de um tema com quem todos se identificam, certamente.
Não é de estranhar, então, que quando se dá a pausa do encore, os admiradores portugueses entoem o nome da banda, com uma ansiedade contagiante pelo retorno dos artistas. Whibley volta, então, pouco depois, para interpretar a emocional ‘Pieces’ – talvez o tema mais Coldplay do seu repertório. O momento alto da noite ficou-se por ‘Fat Lip’, um dos hinos mais ouvidos do pop punk do início do século, que mostrou sobreviver ao teste do tempo pela adesão com todo o coração de quem a ouvia. Por último, os Sum 41 ficaram-se por ‘Pain for Pleasure’, um tema que serve de paródia aos temas clássicos de metal dos anos 80, cantado pelo baterista Steve ‘Stevo32’ Jocz.
Foi, então, um concerto animado dos canadianos que, apesar de já estarem quase na casa dos trinta, se mostram tão jovens como os adolescentes que ainda os idolatram.
Optimus Clubbing Janeiro
Jan 24th
O Optimus Clubbing entrou em 2010 com o pé direito, estando perante uma lotação esgotada. Com um cartaz com nomes fortes centrados na electrónica mais nostálgica e no hip hop mais modernista, o mote para uma noite de festa estava mais que lançado.
Foi por volta das 23h30 que os americanos Gary War iniciaram o seu concerto no espaço CyberMusica. Munidos de uma sonoridade a roçar uma mistura entre A Place To Bury Strangers e Animal Collective, o trio deu um bom espectáculo e abriu certamente o apetite dos presentes na pequena sala, quer para uma descoberta do seu trabalho, quer para um mergulho no resto da noite. 
Já com o público viajado para a Sala 2, espaço principal do Clubbing, os austríacos Makossa & Megablast entraram em acção. O duo explorou uma mescla sonora que passou pelo hip hop, dub e funk, sendo tudo acompanhado por uma vocalista algo deslocada do que normalmente se espera neste evento.
Com o relógio já encostado na 01h30 da madrugada, o norueguês Lindström subiu ao palco e provou o porquê da sua aclamação geral. Com "Where You Go I Go Too" e "Real Life is No Cool" (colaboração com Christabelle) debaixo do cinto, o gigante do Balearic e do Space Disco fez uma viagem de uma hora e meia por sonoridades muito vidradas nos 80’s, fazendo lembrar nomes como Giorgio Moroder ou Manuel Göttsching. Terminou o concerto com “Baby Can’t Stop”, um tema do já referido Real Life is No Cool, que fez em tudo lembrar a era Off The Wall do Michael Jackson, ou seja, um final em grande, muito dançado e suado.
O fecho do Clubbing ficou a cargo de Spank Rock e Teenwolf. Com YoYoYoYo já no horizonte longínquo, o colectivo americano apresentou uma mistura entre DJ set e concerto. No entanto, esse cocktail provou ser explosivo. Passando por temas do já referido álbum de 2006 e por uma panóplia de temas de outros artistas, Naeem Juwan foi um agitador exímio, culminando a noite com várias invasões de palco e uma interacção fabulosa com o público. Eram já 3h45 da manhã quando o grupo se despediu com Sweet Talk, deixando toda a massa humana rendida e exilerada.