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Reportagem Sumol Summer Fest 2011
Jun 28th
O cartaz prometia dois dias de boas vibrações, o calor e o sol chamaram pessoas de todas as idades ao Sumol Summer Fest. Estava tudo a postos para receber nomes sonantes do mundo Reggae. Pelo 2ºano consecutivo os bilhetes esgotaram e o recinto já se revela pequeno para a boa energia que se vive nestes dois dias.
Freddy Locks abriu o palco. A banda portuguesa deu as boas vindas ao público já presente no recinto e aqueceram o pessoal para os americanos S.O.J.A. Os fãs aplaudiram, cantaram e vibraram ao som da voz de Jacob Hemphill, que aproveitou para agradecer a recepção sempre tão calorosa do público português, e como forma desse mesmo agradecimento lançou alguns cd´s para o público no final do concerto.
O recinto já estava cheio quando a nigeriana Nneka entrou em palco. A pouca energia da cantora e brilho em cima do palco atenuou a energia que estava instalada na Ericeira. O entusiasmo diminuiu e não aumentou nem mesmo com a actuação de Fat Fredy´s Drop. O concerto não correspondeu às expectativas e só no final vieram ritmos mais animados que reanimaram a plateia para o que vinha em seguida.
A grande expectativa ficou para o final, com o italiano Alborosie. Entrou em grande no palco Sumol e levou o recinto completamente cheio ao rubro. Demonstrou grande à vontade e interagiu com o público do princípio ao fim da actuação. " Kingston Town" e "Herbalist" foram alguns dos êxitos que fizeram os fãs vibrarem.
A animação continuou na tenda eléctronica com Guy Gerber e os mais resistentes continuaram pela noite dentro.
Depois de muita praia, sol e calor, a música voltou ao recinto do festival para o último dia de concertos.
Cacique´97 trouxeram à Ericeira o seu afro beat. Apesar do recinto ainda se encontrar com pouca afluência, o público dançou ao som do ritmo desta banda nacional e preparou-se para Richie Campbell.
O português já nos tem vindo a habituar à sua energia contagiante e rapidamente o recinto encheu. Richie Campbell fez jus ao convite que recebeu para acompanhar Anthony B na sua digressão europeia. A interacção com os fãs e a sua energia contagiante fizeram o anoitecer na Ericeira um momento cheio de boas energias.
Depois do recinto quase completo, todos aguardavam com ansiedade os Natiruts.
Trazendo o calor e boa vontade à Ericeira, Naitruts partilharam a sua alegria entoando, em conjunto com o pessoal presente as suas músicas.
Apesar do bom ambiente e animação que se vivia no festival, Donavon Frankenreiter não conseguiu "agarrar" a plateia e deixou esmorecer os ânimos. Revelou-se um concerto para outras "salas". No entanto, todos esperavam por Anthony B e o jamaicano não desiludiu. O recinto voltou a animar e os ritmos do reggae voltaram para terminar a noite em grande.
Anthony B levou o público ao rubro na noite quente da Ericeira com as suas músicas e energia.Elogiou o nosso país e o nosso povo e agradeceu a presença de uma plateia tão enérgica. No fim chamou Richie Campbell ao palco e cantaram em dueto a última música do palco Sumol deste ano.
A noite continuou quente ao som de DJ Ride na tenda electrónica.
E assim termina a 3ª edição do Sumol Summer Fest.
Esperamos para o ano um cartaz tão bom ou melhor que este ano e talvez um novo local para o festival que tem vindo a aumentar gradualmente e já merece que mais pessoas partilhem as boas vibes que se sentem neste festival.
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Reportagem Long Distance Calling – MusicBox
Jun 9th
Noite sem palavras, mas em que as guitarras tudo disseram, num Musicbox bem composto em noite de Domingo. Viam-se pela sala fãs de Löbo, fãs de Long Distance Calling, todos eles fãs de música que vive do som e não de palavras, que envolve com muralhas de som e não com vozes.
Os Löbo, quarteto português, foram os primeiros e acabariam por ser os melhores. Intensos e poderosos ao vivo, com coordenação quase perfeita entre os quatro membros (sofreram recentemante mudanças na formação, e as falhas que têm rapidamente serão corrigidas pelo maior remédio de todos: o tempo) na criação de um som envolvente e, por vezes, arrepiante.
Não são post-rock, não são metal, não são doom, nem são nada que encaixe num género; são uma rajada de ar fresco, a fazer numas vezes os Swans, noutras os Godspeed You! Black Emperor, mas sempre soando únicos. Tudo é unido pelo excelente baterista (que, com aquela energia, parece que a qualquer momento vai saltar do instrumento e atirar-se ao público), e pelas teclas, que criam as melodias que vão sendo depois preenchidas de forma perfeita pelo baixo e guitarra, em sintonia.
As músicas são longas, envolventes, num crescendo directo que nunca brinca com as expectativas e vai sempre em direcção ao que quer. As explosões não são repentinas, mas antes planeadas e impressionantes na forma como ocorrem. Talento ali não falta; deram o concerto da noite, e agora resta esperar pelo crescimento inevitável. Mais prática, mais tempo a tocar todos juntos, e chegarão num instante àquilo de que já se aproximam: uma grande banda. Quem os for ver ao vivo sem os conhecer, sairá agradavelmente surpreendido; quem os for ver já tendo ouvido o excelente Älma, único EP da banda até agora, sairá com expectativas confirmadas e até superadas. E, seja qual for o caso, a vontade de os rever impera.
Os Long Distance Calling, o segundo quarteto da noite que chegou não muito depois, mostraram-se competentes, energéticos, mas mais genéricos e menos impressionantes. Um post-rock mais hard (ou doom, ou seja lá o que for), sempre directo e apostando em guitarras fortes e simples e não em camadas de som, como se poderia esperar.
Perto de hora e vinte minutos de energia pura, com um público sempre convencido e envolvido, agradecendo com um headbanging suave que acompanha aquela bateria (excelente e impressionante, tal como o que já antes tinha pisado o palco) e aquelas guitarras. Um dos guitarristas é claramente o mais carismático e caricato do grupo: vai correndo pelo palco, aproxima-se da berma com língua de fora, e não fica um segundo parado.
Arecibo, por exemplo, é duma energia que contagia facilmente os presentes, mas nunca deixa de soar a algo que já ouvimos antes. São óptimos no que fazem, mas sente-se o que já se sentia em disco: um potencial que não está ainda totalmente explorado, uma banda que pode ir mais além. O concerto esteve longe de desiludir, e nunca esteve abaixo de entusiasmar minimamente, mas espera-se agora que continuem a evoluir e que em breve cheguem a um patamar superior. Por agora, ficamos com este belo concerto que, mesmo deixando um sabor familiar na boca, mostrou uma banda de qualidade.
Dois belos concertos, o primeiro melhor que o segundo, de duas bandas que trabalham o som de formas diferentes (os Löbo atrevem-se a experimentar mais e a esticar ao máximo as suas canções, enquanto que os Long Distance Calling vão por um caminho mais directo), mas de formas igualmente satisfatórias.
Ambas as bandas podem chegar mais além, e ambas têm um inegável potencial que o tempo há-de explorar da melhor forma. Por agora, ficamo-nos com esta óptima noite, em que guitarras e baterias disseram tudo o que havia dizer, e em que as muralhas do som envolveram de excelente forma todos os presentes.
Desilusões, essas, dificilmente terão havido.
Reportagem Super Bock em Stock 2010
Dec 5th
Festival Super Bock em Stock - Fotos
Apesar de o frio ser muito, a adesão não ficou àquem das expectativas, movendo-se as massas lisboetas para ver hoje nomes como Owen Pallett, Kele, Zola Jesus ou mesmo Wavves.
Jorge Palma é um dos artistas que iniciam a noite de espectáculos, actuando na estação de metro do Marquês de Pombal. O poeta português, de cigarro na boca, não foi recebido por uma grande audiência, talvez por ainda ser cedo, no entanto, não deixa de entretê-la com alguns dos grandes temas da sua carreira, como Lobo Malvado, Frágil e O Bairro do Amor. É um rock de intérprete simpático e eloquente, do qual ninguém se poderá queixar.
À superfície, o BES recebeu Tiago Bettencourt em Fuga pelas 21h00. O espaço enchia perante um palco onde se ouviram temas como A Chaga dos Ornatos Violeta e Sentir o que Eu Senti. O artista confessou ter esperado que o público estivesse sentado em cadeiras e por tal não se ter concretizado, os seus planos teriam de ser reajustados.
Seguiram-se temas como O Jogo e o local quase apinhado presenciava um constante “entrar e sair” de pessoas, comum a todos os concertos deste festival peculiar.
Entretanto, na sala 2 do São Jorge, os The Shoes davam início a um dos concertos com mais energia do festival. Os franceses encheram a sala com o seu humor, aliado aos seus ritmos viciantes, perante um público entusiasmado e pronto para dançar. Temas como Stay the Same fizeram o espaço tremer mas o auge da festa estava guardado para os últimos dois temas: People Movin’ e Amerloque.
A banda tem vindo a ganhar mais e mais protagonismo e ficou registada por todos como uma banda a seguir, sem dúvida alguma.
Com o cancelamento dos franceses Adam Kesher, o Maxime era todo dos Pinto Ferreira. Essa apropriação de espaço foi tomada literalmente, a dupla “Pinto” e “Ferreira” – assim indicavam as suas identificações - apresentou-se ao balcão do bar do Maxime, de guitarra e assobio em riste, rodeados por uma casa bem apresentada, à medida que se iam deslocando para o palco-estrado onde se encontrava o terceiro membro (à bateria), do trio que de nome parece ser uno. Os três, em conjunto com o público que trocou, pelo menos, o início de Owen Pallet umas salas mais acima, fizeram soar Violino no Telhado, primeiro single dos lisboetas.
Já no Tivoli, o acanhado Owen Pallett dá ares da sua graça. O espectáculo do canadiano é um autêntico one man show: é de admirar como um só homem articula o violino, o teclado e os pedais com uma perícia e cronometragem formidáveis, quase fazendo esquecer que é apenas um e não algo como um quarteto de cordas. Ao público português isto certamente não escapa, pois o canadiano é prontamente aplaudido em todos os devidos momentos, deliciando com o rodopio harmonioso dos seus instrumentos.
Abrindo com The CN Tower Belongs to the Dead, Pallett não hesita e não gasta tempo, lançando-se num coeso e variado set que incluía tanto temas de “Heartland” (2010), como Midnight Directives e Lewis Takes off His Shirt, tal como do novo EP “A Swedish Love Story”, como Don’t Stop e A Man With No Ankles. No entanto, o intérprete não esqueceu temas do projecto Final Fantasy: a fantástica This is the Dream of Win and Régine, inspirada nos músicos de Arcade Fire, e This Lamb Sells Condos, talvez um dos temas mais célebres do artista. No ambiente intimista do Tivoli, Owen Pallett soube encher tanto a sala como as expectativas, mostrando, novamente, que, acima de tudo, é um grande compositor.
Enquanto que a sedutora Adriana entretém os lisboetas com sonoridades pop, jazz e bossa nova, é o autor do ‘folque(lore)erudito’ que enche a Sala 1 do São Jorge. B (fachada), B de Bernardo, é talvez um dos intérpretes portugueses que maior ascensão tem tido nos últimos tempos, algo espelhado na aderência entusiasta do público lisboeta. O multi-instrumentalista artista é brincalhão e transborda de auto-confiança, trazendo um cunho muito próprio às suas músicas calmas, quase choradas por vezes, de letras num português pouco ortodoxo.
Apesar de acompanhado por contra-baixista e baterista, é na participação de Sérgio Godinho que o concerto de B (fachada) ficou a ganhar. O peso pesado da música nacional portuguesa empresta a voz e algumas músicas a B (fachada), como Lisboa que Amanhece e Etelvina, e é na união da dupla que ressalta a harmonia de dois talentos que não têm assim tanto de diferente. Tirando colaborações, é na apresentação de alguns dos temas do novo esforço "B Fachada é Pra Meninos" que o público pede por mais. O português atendeu a pedidos e garantiu um concerto agradável.
A subir a avenida, podíamos ouvir o autocarro onde os Kumpania Algazarra faziam jus ao seu nome enquanto faziam descer a festa.
A fechar o BES Arte para esta noite, Hollywood, Mon Amour (a julgar pelo repertório apresentado, baseados nos Duran Duran), foram os espanhóis escolhidos. As interpretações em modo mais romântico de clássicos como Cat People de David Bowie, Eye of the Tiger, When Doves Cry de Prince (que a banda esperou ouvir do lado do público), Deep Dish, e Vangelis e Ghost Busters para o encore, deixaram a avenida bem impressionada, apesar da dificuldade no sing-along. Com trajes e expressões corporais mais ou menos provocantes, demonstraram uma simpatia a que não estamos muito habituados por parte dos nossos vizinhos. As duas vocalistas vieram suportadas por uma banda bem treinada. Trancou-se assim a porta do BES até ao dia seguinte.
Quem se atrasou para o S. Jorge, já dificilmente conseguiria entrar em qualquer uma das salas. Para Lars & The Hands of Light fazia-se fila como se fosse sala principal, e ia-se sustituindo o público enquanto aqueles cuja curiosidade já estava satisfeita, iam saindo da Sala 2. A sala foi dançando por entre Keep My Feet Tagging Along, Me Me Me – sobre mim, sobre ti, sobre nós e os outros – e Three to the Floor. Os dinamarqueses souberam justificar o porquê de terem deixado pessoas à porta, e também eles fecharam a da Sala 2, enquanto os Spokes começavam a dar os primeiros acordes, uma sala acima.
No terraço do Hotel Tivoli, espera-nos uma pequena surpresa com os Spokes, banda inglesa que se dedica ao post-rock. Belas harmonias dedilhadas por guitarras eléctricas, em crescendo até finais apoteóticos e, por vezes, apesar da maior parte do seu material ser instrumental, letras meio cantadas por vozes emotivas. Com o segundo álbum quase a sair, "Everyone I Ever Met", os Spokes dão um concerto agradável, apesar de encafuados no canto da sala do terraço do hotel. É certo que pouco ou nada acrescentam a um género musical que já há muito estagnou, mas não deixam de ser algo encantadores.
Para fechar o Tivoli, o escolhido foi Kele. Apresentações dispensadas, o britânico trouxe boa-disposição e o seu primeiro álbum a solo, “The Boxer”. A sala estava apinhada e as cadeiras eram dispensadas. A festa durou o concerto todo e temas como os Everything You Wanted, On the Lam e Tenderoni (com o cantor a percorrer o corredor da sala de uma ponta à outra) foram alguns dos temas predilectos do público. Os fãs ainda tiveram direito a um medley de Bloc Party, remisturado por Kele, composto pelos temas Blue Light, The Prayer e One More Chance.
Flux, também de Bloc Party, antecedeu o encore, onde não se ouviram mais temas do artista. Tivemos antes direito a uma belíssima cover de Goodbye Horses de Q Lazzarus, que lhe valeu um elogio de Owen Pallett via twitter, artista que Kele também elogiou durante o concerto pela sua actuação. Para o fim ficou um dos temas mais marcantes da sua anterior banda, This Modern Love. Palavras não chegam para descrever o que se sentiu naquela sala durante aquele momento.
A quem não agradassem os primeiros 15 minutos da brilhante actuação do vocalista dos Bloc Party, podiam atravessar a rua até ao S. Jorge, onde Zola Jesus actuava. Praticamente sozinha no palco, para além do seu companheiro nas teclas/sintetizadores, a pequena e loira artista tem espaço para dar alma ao seu material sombrio de electropop. É realmente incrível reparar na voz imensa que Nika Roza Danilova tem, forte, poderosa e reverberante, que, acompanhada pelas batidas electrónicas dos sintetizadores, lançam um ambiente estranho na sala de espectáculos.
Normalmente associada a artistas como Fever Ray e The XX, a artista americana de apenas 21 anos veio apresentar o álbum “Stridulum II”, deste ano, e lança-se num set mais curto do que o esperado (cerca de 40 minutos, em vez da hora prevista), com destaques em Sea Talk e Night. Apesar do claro entusiasmo dos fãs nas filas dianteiras, é de notar que este projecto de Zola Jesus funciona bem melhor em disco, onde a voz de Danilova não está desprovida de efeitos sonoros e, portanto, onde a atmosfera etérea e sombria dos Zola Jesus tem mais espaço para se afirmar.
Mais um nome de electrónica no primeiro dia do Super Bock em Stock: desta vez foram os The Hundred in the Hands a inaugurar o palco do parque de estacionamento do Marquês de Pombal. Munidos de electropop contagiante, Jason Friedman, na guitarra eléctrica, e Eleanore Everdell, nas teclas, põem os que se arriscam a chegar à frente a mexer-se, num concerto que não foi memorável, mas soube antecipar bem a chegada dos Wavves. O primeiro esforço, homónimo, já serve de plataforma para esta dupla que, apesar de carismática em palco, mostra alguma falta de substância.
A terminar um grande dia, o calor tórrido da Garagem Vodafone acolhia agora Wavves. Poucos foram os que de lá saíram, até porque os californianos foram a banda escolhida para encerrar o dia. A longa fila fazia-se desaparecer no chão, enquanto se descia pelo pequeno corredor até ao piso -1.
Ainda Nathan ajustava os últimos pormenores, e já o público cantava. “Isto é apenas o soundcheck, ainda não é o concerto”, dizia ele. Pouco lhe adiantava tratar do som, porque só quem conseguiu ficar minimamente em frente ao palco conseguiu ter uma boa percepção do que se cantava, a juntar ao eco utilizado pelo vocalista, o som perdia-se a meio da garagem. Não foi impedimento para um bom espectáculo.
To the Dregs deu início à loucura, e como King of the Beach vinha no bolso das sweat pants de Nathan, foi a música homónima e Idiots deixaram o álbum recém-saído já introduzido. Post Acid era mais que pedida já a esta altura, mas ainda estava para vir. Quem os viu na Galeria Zé dos Bois mais ou menos por esta altura do ano passado gritava “Satan”, à memória de brincadeiras lançadas pelo baterista que não os acompanhou neste concerto, Jacob Cooper dos The Mae Shi. Wavves pos fim ao gozo de que até a banda se lembrava. Seguiu-se Friends Were Gone, enquanto o baixista que acompanhou Jay Reatard parecia levar socos invisíveis. No Hope Kids e Super Soaker fizeram uma boa combinação. Pelo meio, ao contrário do ano passado em que eram requisitadas substâncias ilícitas, pedia-se um cinto para o tour manager. Beach Demon e Linus Spacehead fecharam a primeira parte. Insatisfeitos pela falta de Post Acid, ninguém arredou pé, até voltarem os três em palco para um fim de noite brilhante. So Bored e Post Acid – evidentemente – foram as duas malhas escolhidas para abandonar aquele calor de verão que se sentia no subsolo. A banda que já contou com Zach Hill na bateria e cujos desentendimentos e re-formações são mais que conhecidos mostrou-se agradada com o fim da sua tour em Lisboa. Espera-se que em menos de um ano voltem a terás lusas.
Acaba em festa o primeiro dia de um dos únicos festivais de Inverno, num recinto peculiar. Cansados, os lisboetas (e tantos outros que rumaram de outras cidades) encolhiam-se perante um frio gélido.
Mais uma noite de concertos no Festival Super Bock em Stock. Neste segundo dia, os festivaleiros foram um pouco mais infelizes com o tempo, sendo confrontados com chuva, por vezes intensa, da noite de Inverno lisboeta. Porém, nada os demoveu de se deslocarem livremente para verem nomes como Junip, Linda Martini e a grande cabeça de cartaz desta noite, Janelle Monáe.
Mais uma vez, começamos a viagem na estação de Metro do Marquês de Pombal, pelas 21h, com Márcia a actuar. A cantora trouxe os seus doces temas ao subsolo e encantou com a sua voz. Uma das mais recentes revelações do panorama musical, Márcia fez valer o seu lugar na edição deste ano do festival.
Pela mesma hora, o BES acolhia Vicente Palma e todo o público que continuava a encher o espaço. Temas como “Véu” e “Névoa” foram tocados e a música nacional mostrou que ainda tem muito talento para dar.
Seguimos a ronda do festival com um fado muito especial: Lula Pena, de guitarra nos braços e copo de vinho no chão, deu uma actuação intimista e envolvente no terraço do Hotel Tivoli. Cantando maioritariamente em português (às vezes até com sotaque brasileiro), Pena embalou os muitos lisboetas sentados com canções tristes e sombrias, ‘phados’ acústicos de um cunho muito próprio. Foi, certamente, um dos destaques deste segundo dia.
Nuno Prata, ex-membro dos míticos Ornatos Violeta, tomou conta do palco do Maxime antes de o caos lá se instalar, mas lá para o fim da noite. Num concerto com músicos competentes e bem ritmados, ficou apresentado o recém-lançado “Deve Haver” a uma sala recheada de público que não os trocou por Lula Pena. As músicas quase de carrossel deixaram o glamoroso espaço de sorriso na cara.
Numa onda musical semelhante à que se sentia no Tivoli, passamos para a Sala 2 do Cinema São Jorge, onde os Domingo No Quarto actuam. Constituídos pelos multi-instrumentalistas Manuel Dordio e Mariana Ricardo, os Domingo no Quarto dedicam-se à música samba acústica e cantada de forma suave. Homenageando desde Chico Buarque até Cartola, os portugueses deram um concerto agradável aos que faziam tempo para ver Junip.
Um dos nomes mais esperados deste festival, Junip, preparava-se para actuar no São Jorge. Mais conhecidos pelo seu vocalista, José González, a banda sueca regressou em 2010 com um álbum novo, Fields, quase cinco anos depois do lançamento do primeiro EP. Este novo esforço foi tema principal de um concerto lotado, onde o folk sereno e a influência da música electrónica se juntaram para formar uma harmonia distinta e interessante, enchendo os ouvidos de um público arrebatado.
Os cinco elementos, muito aplaudidos, distribuem-se pelo palco do cinema São Jorge, mas é em González, tímido e subtil intérprete, que recai o foco das atenções. É notável a influência que o próprio artista tem sobre o trabalho da sua banda, uma vez que esta não se afasta muito da sonoridade do seu repertório a solo. No entanto, é nos seus companheiros de banda que se estabelece a profundidade de um som que, não sendo espectacular, é único. ‘Tide’, ‘Always’ e ‘Sweet and Bitter’ foram alguns dos temas que provocaram considerável entusiasmo nos portugueses, tanto que, face ao pedido, a banda volta para tocar ‘Without You’, já no encore. Para relembrar.
Ao mesmo tempo, do outro lado da estrada, a noite ia a meio, e o Tivoli encheu-se de ritmos africanos quando os Batida pisaram o palco. Poucos foram os que conseguiram resistir à boa disposição espalhada pela banda de Luanda, que teve em palco uma bailarina que mostrou a todos a alegria das danças africanas. Houve apitos em palco e por entre a multidão, que não pararam de tocar durante a actuação, a pedido da banda.
Após várias aparições em palco para fazer soundcheck, Eliot Sumner, mais conhecida como I Blame Coco, entra em palco por volta das 22h45 perante um público desde curioso a fãs devotos. O seu set não passou muito para além do normal, tocando algumas canções que muitos desejavam ouvir tais como ‘Please Rewind’ ou ‘In Spirit Golden’. “This is our last show of the year, thank you so much!”, diz num tom rouco, característico da sua voz, dando continuidade ao seu set. A cantora presenteou os lisboetas com uma cover de Fleetwood Mac, tocando ‘The Chain’, seguido do grande momento da noite, ‘Ceasar’, sem contando com a presença de Robyn. Foi, decerto, um momento bem passado, ao som de etéreos sintetizadores e guitarras que muitos não esquecerão.
Pouco depois de Jono McCleery encantar com a sua mistura de folk e soul no terraço do Hotel Tivoli, chega a altura do concerto da noite. Num Tivoli completamente lotado, com muitos festivaleiros a ocuparem todos os espaços livres, a antecipação já era muita, até que, pouco depois da meia-noite, as luzes apagam-se. Entra um porta-voz da banda, um senhor que, com discurso grandioso na ponta da língua e muita técnica de show business, afirmou que ‘Tonight, we’re going to make history!’. Podemos dizer que o que se passou nos 75 minutos seguintes certamente ficarão na memória de quem assistiu ao concerto da miss Monáe.
Entretanto, Marcos Valle deixava muitos ansiosos à porta da Sala 2 do S. Jorge, com um ligeiro atraso que não demoveu quem por amor estava à espera do brasileiro quase dono da Bossa Nova.
No autocarro, as placas que liam “É obrigatório todos os passageiros viajarem sentados” não fazia sentido. Tão pouco o fazia o sinal luminoso de STOP. Os Youthless tomaram conta de um palco que pareceu perfeito para eles. A banda dona de Good Hunters, filmada dentro de uma carrinha, revivem agora a experiência, mas desta vez com cerca de 50 pessoas dentro de um autocarro cuja suspensão deve ter gritado avenida abaixo. Incentivados por Alex, quem entrou no autocarro era obrigado a mexer-se, a saltar e a fazer inveja a quem estava lá fora ao frio. Quatro sets ao longo da noite, demasiado curtos, podíamos ter dado a volta à cidade aos saltos e seria pouco. Monsta é sem dúvida das músicas mais divertidas, e a mais requisitada (pelo menos na viagem que fizemos). A banda teve direito a Bus Surfing e a pessoas penduradas no tecto. Sem dúvida um dos melhores da noite.
Para quem apenas se lançou no mundo da música há três anos, Janelle Monáe tem o seu espectáculo ao vivo pensado até ao ínfimo pormenor, desde a indumentária aos confettis, balões e até pintura de quadros. Em ‘Overture’, passa um vídeo introdutório que explica o conceito por detrás de The ArchAndroid, o seu primeiro álbum datado do ano presente, que envolve um cenário futurista de opressão de andróides. ‘Dance or Die’ anuncia a entrada da artista e de um grande número de dançarinos, todos vestidos de preto e branco, que se bamboleiam ao ritmo da música – evocando um quase delírio do público, que é incitado prontamente a dançar e a saltar. A festa está feita: ‘Faster’ and ‘Lock Inside’, tocadas quase imediatamente a seguir, demonstram a versatilidade de Monáe e dos músicos que a acompanham, passando por energéticos temas de r&b, soul e funk, pautados pela fantástica voz da norte-americana.
Apesar de um grande leque de influências clássicas, como James Brown, Michael Jackson, David Bowie e Stevie Wonder, o repertório de Monáe é bastante coeso e actual, demarcando-se no universo do hip hop e r&b. São músicas como ‘Wondaland’, onde o pop é a força maior, e ‘Mushromm & Roses’, onde o rock psicadélico à la Beatles domina, que mostram o ecletismo de uma artista que, ao juntar uma miscelânea de estilos, constrói o dela de forma assumida e confiante. É, então, a qualidade musical aliada à forte presença em palco que tornam o espectáculo de Janelle Monáe em algo digno de ser visto e revisto.
Apesar de pouco comunicativa, a norte-americana nunca deixa de incitar o público, que prontamente atende a todos os pedidos. É em êxtase que todos ficam após a junção dos explosivos ‘Cold War’ e ‘Tightrope’, os grandes singles da carreira da artista. Quase já no fim, é com ‘Come Alive (War of the Roses)’ que Monáe se despede, irrompendo pela apertada multidão para sussurrar os seus versos. Arrebatadora e fascinante, é como se pode descrever uma artista que já tem mais do que pés para andar.
Dado o cancelamento dos britânicos Fujiya & Miyagi, para muita pena nossa, seguimos para o penúltimo concerto da noite, o dos portugueses Linda Martini. Começando fenómenos de culto, passando para um sucesso que raramente se vê em bandas portuguesas, os Linda Martini são, decerto, ídolos da juventude. Era com muita antecipação e entusiasmo que dezenas de jovens se debatiam nas filas dianteiras, à espera dos rockeiros que vêem em Sonic Youth a sua maior influência.
O início da explosão sónica deu-se com ‘Elevador’ e ‘Mulher a Dias’, temas do segundo álbum, Casa Ocupada (2010), que vê uns Linda Martini mais sombrios e etéreos. André Henriques, vocalista e front man da banda, vocifera as letras de maneira emotiva, apenas para as ter espelhadas nas bocas do público, com tamanha adoração que o ambiente da garagem do Marquês de Pombal se torna electrizante. Intercalados com os temas novidade, vêm as pérolas de Olhos de Mongol que todos conhecem de uma ponta à outra: a sequência de ‘Efémera’, ‘Dá-me a tua Melhor Faca’ e ‘Cronófago’ levam o público ao rubro, no entanto, é na choruda ‘Amor Combate’ que se ouvem os choros de um público arrebatado e apaixonado.
Saúda-se o crescimento instrumental evidenciado nas novas ‘Juventude Sónica’ e ‘Amigos Mortais’, mas ainda se lamenta algumas escolhas líricas algo duvidosas: em ‘Cem Metros Sereia’, a banda transforma ‘foder é perto de te amar, se eu não ficar perto’ em hino vociferado pelos devotos e pelos amigos da banda, como Joaquim Albergaria, colega do baterista Hélio Morais nos PAUS (que umas horas antes se juntavam aos Dead Combo num festival paralelo no Teatro S. Luiz), Braúlio dos Adorno ou Rui Mata ex-The Vicious Five, que entretanto irrompem pelo palco.
No fim, ainda há tempo para ‘Este Mar’, um dos temas mais antigos do conjunto, e é na despedida que os fãs se exaltam e pedem mais. A noite aproximava-se do fim, mas o autêntico culto que se faz de um dos maiores fenómenos musicais nacionais estará longe de acabar.
A Arthouse Big Band teve direito às honras de encerramento da Sala 1 do S. Jorge. A banda que consiste num cruzamento entre diferentes artistas da mesma agência (Arthouse), também esteve presente no Super Bock em Stock. O projecto consistiu numa interpretação de várias músicas de cada artista, por todos eles, dando ênfase à diversidade dos convidados. Alguns dos convidados eram Afonso Rodrigues (dos Sean Riley and The Slowriders), Fernando Ribeiro (dos Moonspell), Ronaldo (dos peixe:avião) e mesmo Virgul (dos Nu Soul Family e também dos Da Weasel). Uma boa iniciativa que cativou muitos curiosos e surpreendeu pela positiva todos os presentes.
A fechar o festival esteve Marina Gasolina no Maxime. A ex-vocalista dos Bonde do Rolê trouxe uma energia invejável ao local, e a banda cativou o público do princípio ao fim, com o guitarrista a passear constantemente pelo público. O espaço enchia à medida que a chuva intensificava e outros concertos terminavam. A boa disposição da pequena cantora também convidava a entrar e chegar mais à frente, naquele que seria o último concerto da edição deste ano do festival.
O balanço foi positivo, com muitas boas surpresas e acima de tudo, boa música a protagonizar o evento. Para o ano há mais!
Reportagem Panda Bear
Feb 14th
Na noite de ontem, e pela segunda vez consecutiva de casa cheia, o recém-lisboeta Noah Lennox veio apresentar expectativas para o seu quarto e mais recente álbum, "Tomboy", que promete estrear em Setembro deste ano.
Panda Bear aparece num registo um pouco mais agressivo, “noisy” e ligado à guitarra. O reverb na voz não deixa de fazer lembrar Brian Wilson e os Beach Boys e é de notar que este álbum tem uma ligação mais intrínseca com o último trabalho de Animal Collective, porém, menos jovial e mais ultrajante.
Numa construção musical mais intricada, densa e texturada, é de apontar o uso recorrente e repetitivo de loops e distorção.
Quase sem tempo para pausas e palmas, e apesar das já esperadas saudades de Person Pitch, o público pareceu saudar de forma atenta este novo trabalho e a presença ímpar e recatada de Lennox
. O trabalho de vídeo de Danny Perez que acompanhava o artista ajudava à experiência envolvente, que parece ter corrido de forma mais fluida e com um melhor sonoridade do que o dia anterior.