Os teus festivais de Musica aqui
Posts tagged Evento
Reportagem Festival Náice
Nov 21st
Festival Náice - Fotos
19 de Novembro, dia de início da cimeira da NATO em Lisboa. Nada melhor que pôr-me de lá para fora assim que possível - eram isto cinco e meia da tarde, num comboio, sem exagero, com 20 carruagens, para compensar a deficiência no resto dos transportes. Assim, com um tempo de meter medo e que fazia esquecer o calor de Verão que hoje à noite esperávamos voltar a sentir, pés ao caminho do Porto, em direcção ao NÁICE!.
O propósito do festival é simples, não deixar esquecer aqueles três dias [ainda] inexplicáveis que se viveram em Barcelos em Julho que passou. À entrada, para os mais sortudos (acho que fomos todos), as sobras das t-shirts do Milhões de Festa eram distribuídas gratuitamente assim que éramos carimbados com o bonito logótipo da nova iniciativa da Lovers & Lollypops, para minutos depois se transformar num borrão azul.
O Plano B, local escolhido para o evento, ia-se compondo, nunca ficando totalmente lotado. Se os Fucked Up em Lisboa tiveram uma sala aconchegada, o Porto deu-lhes espaço, mas um companheirismo característico do norte. Áqueles que se atreveram a apontar simplesmente o aspecto de “Pink Eyes”, ponham os olhos no resto da banda – moços bem-apessoados e uma baixista a dar toques de português. Deu-se início à música com algum atraso e small talk pelo meio. Son the Father deu o tiro de partida para uma noite de punk simpático, de pessoas a voar e – surpreendam-se – cowdsurfs do robusto vocalista. Na setlist não ficou esquecida Black Albino Bones, Twice Born, nem Crooked Head. Os acontecimentos em Lisboa trouxeram também problemas aos canadianos: ao aterrar em Lisboa, foram encaminhados para a sala de segurança do aeroporto por terem um ar “diferente”. Nem os seguranças perceberam porque é que os Arcade Fire os tinham escolhido para a abertura do concerto que, para mal ou para bem dos nossos pecados, acabou por ser cancelado. Justifica-se tão simplesmente com bom gosto.
Três guitarras em palco – de aparência pacata e muito sossegados por comparação -, uma máquina atrás da bateria, um baixo desenrascado e um vocalista carismático foram a receita para uma noite de festa, enquanto Damian se passeava pelo meio do público, gritando na nossa cara e carregando uns quantos inocentes ao ombro. As roupas foram ficando pelo caminho, para desnudarem a tatuagem de Down que ostenta ao peito.
Num teste de escolha múltipla, os nortenhos decidiram não optar entre Nirvana ou Ramones, e escolher livremente Black Flag para um quase fecho daquilo a que realmente se pode chamar de punk nos dias de hoje. “Nervous Breakdown” foi a música que a banda escolheu.
A terminar um concerto “f*dido” poesia declamada pelo peso pesado do Canadá, “peace or anihilation” em resumo. Dão então início à tour com os Arcade Fire, que ainda não conhecem nem sabem como abordar.
Depois disto, as cortinas da Sala 1 fecharam-se para a montagem do cenário dos Throes. Duo que se julgava em coma desde Julho e que reapareceu para um revival, de pés no chão e rodeados de um público, agora, tímido. Além do singular EP Dirty Glitter ter sido tocado na integra com algumas alterações na extra Killing Tomatoes, deu-se ainda espaço a dois temas novos, “We Die in Texas” a abrir e uma africanísse chamada “Pink Dracula”, possível causadora de surpresas que viriam a surgir ao longo da noite.
Na Sala Cubo, tocam agora os The Shine, também ex-hóspedes do palco da piscina no Milhões. Hardcore e Kuduro numa noite, não é para quem pode (já dizia Damian dos Fucked Up), é para quem vê as duas faces da moeda. Dançou-se, com Diron e André do Poster que também se misturavam com o público. Breakdance antes de haver vidros partidos no chão, deixaram o terreno do Cubo bem apalpado para o francês exótico que se lhes seguiria.
Ao mesmo tempo, Lovers & Lollypops Soundsystem, agora estilizados L&L SS, faziam a sua cena na sala ao lado, havendo uma divisão equilibrada no que diz respeito a mancha gráfica de público. Durante boa parte da noite, até ao fim, na verdade, Nuno Dias e aparições ocasionais de Joaquim Durães (o patrão de todas estas coisas que acontecem) foram dizendo adeus a quem já mal aguentava esta noitada depois de uma semana de trabalho.
Myd, francês cujo bigode encaixa perfeitamente nas descrições de Conan O’Brien, assumiu o topo dos televisores e o ritmo manteve-se. Uma tropicália de sons que gradualmente foi perdendo ouvintes, mesmo depois de Train to Bamako ter sido tão publicitada.
Não sabemos ao certo o que aconteceu aos Sun-Explosion. Já não estávamos lá para ver, porque também a nós nos dá o cansaço (parecendo que não), mas conclui-se que a noite foi das boas.
Ainda não se desvendou nada sobre o próximo Milhões de Festa (sabemos que há, no entanto), ou sobre o próximo NÁICE!.
Sabemos que queremos estar lá outra vez.
Passatempo Academy Returns DJ 2010
Oct 2nd
A The Razoor Sports Events apresenta a 1ª Edição da Academy Returns DJ 2010, que irá decorrer nos dias 8 e 9 de Outubro no Estádio Municipal de Aveiro. Este será também o primeiro evento oficial da Hed Kandi Portugal/Ministry of Sound no nosso país. No recinto que soma 25 mil m2 haverá também expositores, espaços de diversão, uma zona de restauração, bares, venda de merchandising e inúmeras actividades.
O Festivais de Verão não quer que percas este evento, assim e em parceria com a organização da Academy Returns DJ 2010 tem bilhetes duplos para te oferecer.
Diego Miranda, Rocky G, MastikSoul, Kika Lewis, os internacionais Wez Clark (Hed Kandi) , Carlos Miranda e Luke Walker (ambos da Ministry of Sound), entre muitos outros, farão parte deste ambiente fantástico que, para além de oferecer a todos os presentes boa música, também apresentará um verdadeiro espectáculo de som, luz e pirotecnia. Consulta o line-up das actuações Aqui!
Os bilhetes estão à venda na Fnac, Worten, C. C. Dolce Vita, El Corte Inglês, Lojas Viagens Abreu, Lojas MegaRede e Tickeline por 17,50 Euros (geral) e 40,00 Euros (zona VIP com direito a estacionamento e uma bebida). Não existem bilhetes para apenas 1 dia de evento, ambas as modalidades dão acesso aos 2 dias.
Reportagem Sensation Wicked Wonderland
Jun 20th
Lisboa foi presenteada no passado dia 19 de Junho com a segunda edição do festival de música de dança Sensation. Envolto no imaginário inspirado no conto de Lewis Carroll, Alice's Adventures in Wonderland, o evento trouxe ao Pavilhão Atlântico uma noite marcada pela fantasia, a ficção e a criação de novos mundos. As expectativas eram muitas e no recinto, pintado de branco, a vontade de diversão traduzia-se em movimentos de dança (ainda) sozinhos. Vestido a preceito, com máscaras e acessórios teatrais, o público estava preparado para uma noite de magia.
Detidos por uma voz vinda das profundezas, foi apresentada aos presentes a viagem por terras libertinas e fantasiosas do Sensation – Wicked Wonderland. Acompanhada por ecrãs de dimensões agigantadas, nos quais uma Alice descobria a entrada para o País das Maravilhas, a voz impetuosa convidava os presentes a passar a porta branca que dá entrada num novo mundo.
O português Diego Miranda inaugurou a noite e com uma bagagem musical auspiciosa fez a audiência soltar os primeiros passos de dança, alcançando o auge da sua apresentação aquando a última música, Ibiza For Dreams, na qual foi acompanhado por Liliana na voz e por uma performance de palco que remetia para o imaginário de Alice, na qual uma bailarina suspensa no ar amimava os presentes com uma chuva de papel branco. O ambiente de festa já estava ateado e coube a Mr. White, DJ residente do Sensation, garantir que os presentes continuariam a agitar a pista de dança. Numa actuação emersa no fantástico, com o artista vestido e pintado de branco fazendo lembrar todos os presentes, e com bailarinas que faziam justiça à perversidade e sedução prometidas no nome do evento, a singularidade da performance do DJ foi a afirmação decisiva de que a noite seria memorável.
Seguiu-se o Dj Vibe, nome do panorama house português que dispensa apresentações, que, com temas como Hey Boy, Hey Girl de Christian Key, e pelo internacional The Mix, que por sua vez deixou a sua assinatura no evento com Heartbreaker, do conceituado duo Mstrkrft. Ambos asseguraram a envolvência cada vez mais intensa do público com o ambiente de devaneio vivido no recinto. Já pela madrugada, coube ao francês Martin Solveig tomar conta do palco e, movido pelo House e com uma ténue inspiração de raízes africanas, transformou temas conhecidos do grande público, como Kids de MGMT e Wonderwall dos Oasis, em momentos divertidos e de entrega por parte dos presentes, que já embalados pelo ambiente fantasioso, agitavam a pista de dança.
Sebastian Ingrosso e Steve Angello, membros do colectivo sueco de DJs Swedish House Mafia, fizeram cumprir o objectivo a que se propõem: fazer as pessoas dançar. Distintos pelo tom de brincadeira e de diversão que depositam nas suas actuações, o duo fez a audiência reviver clássicos como Sweet Dreams, de Eurithmics, e recriar temas contemporâneos conhecidos como We Are Your Friends, da bem sucedida parceria de Justice com Simian.
Para fechar a noite, sobe ao palco o tão esperado Gui Boratto. Ao DJ de origem brasileira, que marcou presença em terras nacionais no mês passado, pertencia a árdua tarefa de brindar o público com o encerramento memorável do que havia sido uma noite a recordar. Motivada pelo som minimalista do artista, a audiência celebrou o que havia sido a sua viagem pelo fantástico e maravilhoso, garantindo finalmente a prometida entrada na Wicked Wonderland. Com temas assinados pelo artista, como Take My Breath Away e No Turning Back, Gui Boratto presenteou a audiência com um ambiente de festejo genuíno, centrado na comunhão entre a música e a quem a ouvia. Apesar de penar por uma pobreza no campo estético visual, quando comparada com a edição anterior, a festa garantiu o ingresso num universo repleto de iluminação, cor, com componentes sensoriais inovadores e com performances corporais e coreografias, sempre alusivas à temática deslumbrante wonderland, que adoçaram o olhar dos presentes.
Sensation - Wicked Wonderland prometeu a passagem para o “outro lado da porta branca”, para o Mundo do Sonho e, numa noite vestida de branco, soube cumprir.
Reportagem Super Bock em Stock – Dia 4
Dec 5th
A 2ª edição do festival Super Bock em Stock teve início esta noite, final de semana encurtada pelo feriado. Registando a adição de vários locais de espectáculo, como o La Caffé e Parque de Estacionamento do Marquês de Pombal, o evento repete a fórmula do ano passado, convidando os lisboetas a passearem pela Avenida da Liberdade, saltando de casa em casa. Voxtrot, Wild Beasts, Ebony Bones e Wave Machine eram os nomes mais esperados deste primeiro dia, tendo como The Legendary Tigerman, Samuel Úria e Blacklist, entre outros, as alternativas aos curiosos.
Os Bass-Off deram início ao festival, actuando na sala 2 do cinema São Jorge. Vencedores do Festival Termómetro, os caldenses apresentaram alguns temas do seu primeiro álbum Ohmónimo, envolvendo os poucos aventurados no seu rock experimental. No Maxime, é Anaquim que toca folk que revisita alguns êxitos portugueses, apresentando também o seu ep de estreia Prólogo. Prova que a organização do festival aposta fortemente em novos projectos.
Os aguardados Wild Beasts tomaram lugar no São Jorge, recebidos de sala cheia. Os ingleses deram um dos melhores concertos da noite, dando a conhecer algumas das músicas do recém-lançado Two Dancers, como "We Still Got The Taste Dancing On Our Tongues" e "Hooting & Howling". Inicialmente recebidos de forma pouco entusiasta pelos adeptos do SBES, a banda fascinou com os seus falsettos teatrais e o instrumental etéreo, mostrando que são uma das bandas do momento mais interessantes.
No entanto, no Tivoli, a espera por Ebony Bones, a artista, produtora e actriz irreverente, já totalizava os 30 minutos, mas os fãs ansiosos dão luta. Ao entrar o furacão de cor, ritmo e música da banda de suporte e da própria, estão todos de pé, prontos a aplaudir este fenómeno, considerado pelo festival South by Southwest uma das melhores contribuições de 2009. A África psicadélica é o tema: com o seu electrónico tribal, com cheirinho a funk e pós-punk, entre muitos outros, Ebony Thomas, de nascença, não fica indiferente a ninguém e não pára até estar tudo a mexer. Quase sem pausas, quase sem fôlego, Ebony apresenta alguns temas do Bone of My Bones (2009) de estreia, com tempo ainda de convidar uma rapariga ao palco para substituir uma das suas cantoras, impossibilitada de visitar o país devido a problemas com o seu visto. Versão extravagante de Another Brick in The Wall, de Pink Floyd, também não falta. Ao mesmo tempo, são os Wave Machines que, segundo relatos, surpreendem os admiradores com o electrónico minimalista no Cabaret Maxime - faz falta uma máquina do tempo!
No São Jorge, Mikkel Solnado e Gabriel Flies vêm da Dinamarca para acolher o público tímido com a característica forma intimista. Em gestos e sorrisos "tu cá, tu lá", o produtor/cantor/compositor português Mikkel (para os curiosos, filho do actor Raul Solnado) brinca e encanta ao som de um bonito e melodioso pop-rock, em temas como "We Fell".
Outro dos nomes mais aguardados da primeira etapa do Stock são os Voxtrot. Banda de Austin, Texas e liderada por Ramesh Srivastava, já totaliza 3 eps e um álbum de estreia, apresentado em 2007, ora, de certa forma não podem ser considerados iniciantes. De entrada pouco efusiva, quase despreocupada, os artistas mergulharam logo no indie pop dançável , contagiante e de bom humor - brinca-se com a falta do português e o encanto pelo país lusitano. Tanto com "Mothers, Sisters, Daughters and Wives" como com "Firecracker", os Voxtrot ganham a simpatia da plateia do São Jorge, quer com a sua sinceridade deprimente, quer pelo ar de quem não faz mal a uma mosca. No entanto, se, aos que desconheciam os laivos twee e ternos da banda da guarda Pitchfork, apenas provocavam simpatia, o set dos texanos parecia quase unicamente dirigido aos fãs, poucos mas interessados, marcando presença. Srivastava não deixa de saltar pelo palco com o entusiasmo de quem recebeu uma guitarra pela primeira vez. A novidade dá lugar ao cansaço e o formato dos Voxtrot acaba por cansar pela repetição, porém, marca para "Steven", onde se trocam as guitarras pelas teclas e para os pedidos de casamento do líder da banda, aceitando qualquer habitante luso.
É precisamente um nome português que faz furor do outro lado da Avenida - Paulo Furtado, mais conhecido como The Legendary Tigerman, espalha os blues num Tivoli lotado. One-man band exigente, mostra primo e rigor na exibição dos novos temas de Femina, acompanhados por videoclipes que o festivaleiro podia visionar em dois ecrãs no palco. Femina dedica-se ao homem que adora as mulheres e que se aproxima delas através da música, ora, Furtado é acompanhado de várias convidadas especiais. Precisamente, Rita Redshoes, Phoebe Killdeer (repetente no Stock) e Claudia Efe foram sedutoras na partilha do foco de luz com o membro integrante dos Wraygunn e animam as massas na falta de Maria de Medeiros, que também entra no último esforço do artista. Os êxitos anteriores não são esquecidos e o público é presenteado com "Honey, You're Too Much", na voz de um Paulo Furtado carismático, mas também imprevisível. O Homem tigre toca sozinho, como já dito, na tradição dos blues men do Mississipi que tocavam e encantavam sozinhos. Pena que no meio de tanta função e instrumento, o nosso Conimbricense seja sempre atropelado por problemas técnicos e que pouca paciência tenha para os mesmos - foco para o arremessar da guitarra, à semelhança da edição do Super Bock Super Rock, em 2007, em pleno palco secundário.
Quase no encerrar da noite, ainda há tempo para visitar os Easyway, que na segunda sala do São Jorge apresentam o novo álbum e filme Laudamus Vita. Uma ideia interessante celebrada pelos rockeiros, que, numa onda DIY (do it yourself), escreveram o guião, produziram, filmaram e editaram o projecto cinematográfico. Se este pouco nos cabe comentar, resta dizer que o punk rock melódico apresentado pouco ou nada tem de novo, num estilo estagnado e pouco inovativo.
Por fim, num Parque de Estacionamento algo macabro a horas avançadas da noite, os Orelha Negra apresentavam versões conhecidas em formato groove, jazz e hip hop, acompanhadas por banda, aos poucos resistentes. Marcelinho da Lua encerrou o primeiro dia deste festival.
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Passatempo Festival Enorme
Oct 8th
O Festivais de Verão em associação com o Festival Enorme tem para te oferecer 3 passes para o Festival Enorme que decorre de 13 a 15 de Outubro no Porto.
O Festival ENORME é já na próxima semana, mais de 40 músicos vão passar pelos Jardins do Palácio de Cristal.
Este festival surge integrado numa longa Semana Cultural mas a boa música promete não faltar nos dias 13, 14 e 15 de Outubro.
De-Phazz, Istanbul Sessions feat. Erik Truffaz, Electro Deluxe e Ceux Qui Marchent Debout são as principais atracções internacionais desta primeira edição do Festival Enorme. Mas a festa continua para além dos concertos.
A música é apenas uma parte do Festival Enorme Semana Cultural, que decorrerá entre 12 e 18 de Outubro.
Recorde-se que os bilhetes já se encontram em pré-venda na Fnac e nas Faculdades associadas ao evento. Estão à disposição bilhetes para os três dias do festival, com preços de 20 euros para estudantes e 35 euros para o público em geral. Os bilhetes diários custam 10 euros para estudantes e 20 euros para o restante público. O bilhete diário à venda no local custa 25 euros. Mas tenta a tua sorte no nosso passatempo!
Passatempo XLSounds @ XLParty Oeiras
Sep 3rd
O Festivais de Verão em associação com a Evento Produções têm para te oferecer 10 convites duplos (5 para cada dia) para o XLSounds Oeiras inserido no maior Festival Tecnológico do País - Sumol XLParty, que decorre de 18 a 19 de Setembro na Fundições de Oeiras.
O maior Festival de entretenimento tecnológico alguma vez realizado em Portugal vai acontecer de 17 a 20 de Setembro na Fundição de Oeiras inserido nas comemorações dos 250 Anos do Município de Oeiras.
A 18 de Setembro o XLSounds Oeiras recebe os Classificados e Quem é o Bob?. No dia 19 é a vez de Tara Perdida e Fonzie.
O bilhete diário é de 10 euros e o de dois dias15 euros.
Review Jazz em Agosto
Aug 10th
O Jazz em Agosto é daqueles eventos incomparáveis por mais que tentemos. Os artistas de renome internacional, o espaço da Fundação Calouste Gulbenkian e o sabor musico-cultural que nos aguça o paladar auditivo assim que chegamos a um concerto deste evento é sem dúvida inigualável.
Chegamos cedo à entrada da Gulbenkian e a fila já era longa. Não que se tenha notado muito porque a entrada foi simples, rápida e organizada, escoando os presentes para as cadeiras do Anfiteatro numa questão de minutos. Chegar cedo a este local é sem dúvida um privilégio. A movimentação das pessoas na busca do melhor lugar possível, a vegetação circundante e a iluminação do palco ainda vazio, criam um ambiente invulgarmente íntimo.
O dia 06 de Agosto apresentou-nos o concerto de Dave Douglas & Brass Ecstasy. Pouco depois das 21h30, hora definida no programa para o início do espectáculo, os músicos entram em palco e não perdendo tempo algum, começam de imediato a deixar o Anfiteatro da Gulbenkian com os olhos e ouvidos presos ao palco. Estive durante todo o dia a ouvir jazz de forma a chegar ao Jardins da Gulbenkian com os meus ouvidos treinados e o ultimo álbum que ouvi, foi precisamente de Dave Douglas. O início deste concerto parecia tudo menos o que eu tinha ouvido poucas horas antes. O primeiro tema que Douglas ofereceu ao público teve inicio com um swing totalmente soul que fez com que muitas pessoas começassem de imediato a bater o pé. Com o desenrolar do tema ia-mos notando cada vez mais um aproximar ao que se ouve deste compositor em álbum. De uma forma repentina, o bater de pé do comum mortal começa a ficar descoordenado com a velocidade rítmica que estes músicos imprimem em algumas das suas peças.
Douglas e os Brass Ecstasy funcionam de tal forma em equipa que a dada altura, devido ao vento que se fazia sentir nesta noite, houve um trabalho de grupo em busca de partituras que teimavam em voar como que a fugir do palco com medo da multidão. Estamos de qualquer forma a falar de uma banda fantástica com elementos que até na aparência mostram que são músico de jazz. Vincent Chancey, homem da trompa, parecia que tinha acabado de sair de um bar de jazz norte-americano ainda nos anos 50, ou o próprio Dave Douglas. Douglas é sem dúvida uma figura incontornável do jazz internacional, e consegue coordenar os restantes músicos quando estes já estão de tal forma livres a tocar que alguém tem que dizer “basta” ou então o mesmo tema duraria até que todos se fartassem de estar naquela espécie de transe musical improvisado. Como em qualquer equipa aqui sentimo-nos no dever de dar destaque a um elemento em especial. Nasheet Waits, baterista do colectivo, é inquestionavelmente um músico excelente, mas não corremos risco nenhum em dizer o que ele realmente é, um fora de série. Waits teve momentos de liberdade tal que chegou a parecer que estava em sua casa sozinho simplesmente a tocar sem qualquer pressão ou preconceito.
Tecnicamente perfeito e com uma destreza rítmica que o separou sem margem para dúvidas dos restantes membros, não tirando qualidade a nenhum deles. Como qualquer fora de série Nasheet Waits revelou ser, ele sim, merecedor de uma transferência superior a 95 milhões de euros no mundo do jazz. Juntamente com Waits outro destaque deve ir para o tubista Marcus Rojas. Depois de ter ficado sem a sua tuba que ficou retida no aeroporto de Munique, Rojas a tocar com uma tuba emprestada, mostrou que quem sabe não tem preferências sobre o instrumento que lhe cai nas mãos e toca o que sabe com o que pode. Quando uma tuba preenche na perfeição a secção rítmica de uma banda podemos dizer que o propósito está cumprido, mas quando esta tuba nos brinda com rasgos sonoros a fazer lembrar, baixo, contrabaixo ou até dijiridoo (instrumento tribal australiano) tem que ser destacada.
Se a tudo isto juntarmos as dezenas e dezenas de cabeças fixas no sentido do palco sem emitir um som ou fazer um gesto, as fotos que respeitaram o pedido inicial da não utilização de flash ou os telemóveis que em nenhuma altura se ouviram, de forma a não distrair os músicos, temos o prazer de dizer que tivemos na presença de um concerto fabuloso e cheio de significado sobre o que é o jazz e as sensações que nos provoca. Podemos simplesmente concluir com o seguinte: um final de concerto com os 5 elementos a agradecer uma ovação de pé de quase todas as pessoas presentes na Gulbenkian. Para recordar.
Sexta-feira dia 7 de Agosto tivemos um dia repleto de experimentalismo. Penso que é justo dizermos que no jazz há experimentalismo e experimentalismo. Um músico de jazz da qualidade dos que vimos neste festival, a dada altura da sua carreira não consegue ficar unicamente pelas “simples” notas, escalas e tudo aquilo que lhe é ensinado durante os anos de instrução. Este músicos chegam a uma altura das suas carreiras e têm que pensar que há algo mais para criar do que aquilo que aprenderam. É nesse momento que se definem os mestres do jazz. Com esse objectivo o experimentalismo não só é (bem) aceite como bem-vindo.
Buffalo Collision foi a banda que nos deu o que analisar no palco do Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Calouste Gulbenkian neste dia de 7 de Agosto. Experiência atrás de experiência, o concerto de Tim Berne e seus pares pecou unicamente pelo excesso. Poucos foram os momentos em que se sentiu a banda actuar como um todo e a singularidade foi sobressaindo ao longo da actuação. Individualidades algo impressionantes como o violoncelista Hank Roberts que parece descobrir novos sons no violoncelo a cada segundo que passa. Roberts fosse a tocar com arco, com os dedos ou utilizando os pedais de efeitos que tinha ao seu dispor no chão, desencantou sons de um violoncelo que alguns músicos mais conservadores de jazz teriam classificado como pecado. Facto é que funcionou e Roberts foi dando um toque de equilíbrio aos Buffalo Collision. De assinalar também o baterista Dave King que só pela expressão corporal ganha um espaço de destaque. Num estilo misto entre o tosco e a constante procura de sons diferentes, Dave King foi abafando o som estridentes dos pratos, fez uso de contratempos inesperados e mostrou o porquê de pertencer a este projecto.
Chegamos a Domingo dia 9 e à actuação final do Jazz em Agosto com Bill Dixon e a Exploding Star Orchestra. Voltando um pouco ao dia anterior este apontamento tem que ser feito. Quem disse um dia que o jazz experimental é somente entendido pelos apaixonados, pelos técnicos e pelos próprios músicos enganou-se. Dixon, ainda que seja uma figura com peso no mundo do jazz é alguém que já não demonstra o vigor de outras épocas é claro. Estamos a falar de um trompetista com 84 anos que mantém a presença mas deixa as despesas musicais para a Orquestra que o acompanha. Note-se que não estamos a falar de um trio, quarteto nem sequer de uma Big Band, estamos a falar de uma Orquestra que tem momentos de experimentalismo hipnóticos que culminam ao fim de alguns minutos numa convergência total em uníssono e totalmente enquadrados como se estivessem a tocar o mesmo tema há horas. Vimos muito daquilo que pode ser feito com uma banda desta craveira. Não só pelos solos de alguns dos músicos do colectivo mas também por algumas vozes que se iam ouvindo da parte de Nicole Mitchell, dona da flauta transversal e de Damon Locks que nos mostra que a poesia é conjugável com o jazz. Num recital de palavras com histórias do submundo do boxe por alturas de Cassius Clay, Locks leva-nos numa viagem no tempo em breves instantes só por intermédio das suas palavras. Mostra de igual forma ao público que um rasgo de groove intenso da Exploding Star Orchestra pode ser aproveitado para um momento de diversão, dançando vibrantemente com os sons que por ali se iam ouvindo. Temos também que colocar uma luz sobre a cabeça de Jason Adasewicz que aos comandos do vibrafone foi debitando sons que não só preenchiam muitas das músicas como em algumas alturas lhes dava significado. Como se não bastasse, também integrou a precursão a dada altura, quando já existiam dois bateristas e um percussionista, e conseguiu dar mais um toque de ritmo sem nunca destoar.
Numa análise global a este concerto podemos seguramente dizer que Dixon, dá origem a um projecto com músicos fabulosos e que a sua presença e os seus dotes de compositor fazem a diferença, mas temos que ser justos e dar destaque aos outros doze elementos que se encontravam em palco coordenados pelo trompetista e também compositor Rob Mazurek que nos proporcionaram um final de luxo neste Jazz em Agosto 2009.
Mais uma vez os olhos dos espectadores presentes no Anfiteatro da Gulbenkian estiveram fixos no palco de forma constante. Ainda que não possamos dizer que a ovação foi igual à que Dave Douglas e os Brass Ecstasy tiveram direito, podemos seguramente dizer, que houve pessoas de pé a aplaudir Dixon e seus pares e os comentários de agrado à saída não se fizeram esperar, e passamos a citar: “muito bom, espectáculos assim deviam acontecer mais vezes não só nestes eventos”. Concordamos e gostaríamos de ver mais artistas desta qualidade, mas o facto de estarmos um ano a aguardar um evento destes faz com que o Jazz em Agosto continue a ser um acontecimento ímpar.
Texto: Bruno Farinha














































