Posts tagged Estes
Reportagem Real Estate
Feb 17th
No passado dia 16, o Plano B albergou uma noite encabeçada por um único nome, os Real Estate, oriundos de New Jersey.
Detentores de uma sonoridade pop esticada entre a melancolia e o psicadelismo, estes jovens lançaram o seu primeiro álbum há um par de meses. Com um registo a fazer lembrar nomes como Galaxie 500, The Clean ou Pavement, é natural que tenham sido recebidos com um grande fulgor por parte da crítica especializada, algo que certamente ajudou a encher o Plano B numa noite pós-Carnaval.
Com o referido registo homónimo debaixo do cinto, o quarteto americano, já por volta das 23h30, lançou-se a cerca de 45 minutos de um concerto que tanto deu para bater o pé, como para puxar pelo lado mais emocional do público. Algo conseguido sem nunca se tornarem maçadores ou desajustados na descarga ou na retenção enérgica.
Sapateando à volta de temas como “Fake Blues”, “Black Lake” ou “Beach Comber”, os presentes certamente sentiram o suburbanismo e a beleza imperfeita que essas pequenas pérolas pop invocam. Algo perfeitamente justificado pelo arremesso constante de linhas de guitarra pingadas de echo, slapback e phaser, apimentadas por uma voz a meio tempo e uma secção rítmica concisa, mas subtil.
Mariza no Rock in Rio 2010
Jan 29th

Mais um nome para o Palco Mundo na edição do Rock In Rio Lisboa 2010: Mariza!
Mariza é a primeira artista nacional confirmada para o Palco Mundo.
O gosto pelo fado foi influência de seu pai, que era grande adepto do género. Natural de Moçambique, veio para Portugal com 3 anos de idade, dois anos mais tarde reabrem o restaurante Zalala na Mouraria, local conhecido com fortes raízes ao fado e cujo local era frequentado por inúmeros fadistas de renome.
No seu reportório conta com vários prémios e de referir que foi a primeira portuguesa nomeada para um Grammy. Em 2008 lançou o seu último álbum intitulado "Terra", que mereceu as melhores criticas a nível internacional. Esperamos no Rock in Rio ouvir estes e outros trabalhos de que esta talentosa artista já nos habituou.
O Rock in Rio Lisboa volta ao Parque da Bela Vista nos dias 21, 22, 27, 28 e 29 de Maio de 2010.
![]()
Perry Blake e Noiserv no Festival Para Gente Sentada
Jan 17th
Tal como já anunciado a edição do Festival para Gente Sentada de 2010 decorre nos dias 26 e 27 de Fevereiro no Cineteatro António Lamoso, em Santa Maria da Feira.
Bill Callahan, Dakota Suite foram os primeiros nomes confirmados, a estes juntam-se Perry Blake e Noiserv.
O cartaz fica assim completo. No dia 26 de Fevereiro com Bill Callahan, Perry Blake e Matt Valentine & Erika Elder e no dia 27 com Dakota Suite, Camera Obscura e Noiserv.
Os bilhetes estão à venda desde 11 de Janeiro. O bilhete diário é de 20 euros e o passe para os dois dias de 30 euros.
![]()
Reportagem The Prodigy @ Pavilhão Atlântico
Dec 8th
Depois da sua passagem pelo Optimus Alive os The Prodigy marcaram o seu regresso para dia 7 de Dezembro no Pavilhão Atlântico.
Antes da actuação dos miticos senhores do rave-punk e mesmo antes da banda que iria abrir o concerto destes (Enter Shikari) o público do Pavilhão Atlântico foi brindado com o som do Dj Loel com diversas misturas que animaram o público que se ia aglomerando para assistir ao concerto.
Às 21 horas em ponto subiram ao palco os Enter Shikari, banda do Reino Unido de post-hardcore com elementos de electrónica, formada em 2003 considerada pela imprensa especializada os novos “meninos bonitos” do Reino Unido. Pela primeira vez em Portugal apresentaram maioritariamente músicas do seu último e segundo álbum lançado em Junho de 2009 Common Dreads. Foi uma actuação que animou o público, ainda a meio gás, durante 45 minutos prometendo uma noite em cheio para todos os fãs tanto desta banda como dos The Prodigy, dizendo também que voltariam a terras lusas no Verão.
Mesmo antes de começar a actuação de The Prodigy já o público se encontrava ao rubro na longa espera para a actuação desta banda. Os The Prodigy que só se haviam apresentado em Portugal em festivais e nunca em nome próprio, abrem o concerto com “World’s on Fire” do seu último álbum Invaders Must Die seguida de “Breathe” do legendário álbum The Fat of The Land protagonizando um dos muitos momentos da noite.
Ao longo da noite a banda britânica foi demonstrado o porquê de ter levado tantas pessoas ao Pavilhão Atlântico com uma energia avassaladora de toda a banda mas especialmente de Keith Flint e Maxim Reality. Estes tiveram uma grande interação com o público contagiando-os com a sua energia, transformando a sala de espectáculos numa discoteca gigante. Até as pessoas que se encontravam nos balcões não resistiram a dançar ao som de todas as músicas apresentadas, especialmente a clássicos como “Firerstarter”, “Out Of Space”, “Voodoo People” ou mesmo pelas músicas mais recentes como “Invaders Must Die” ou “Omen”. Sempre com um grande ritmo os The Prodigy repetiram a “coreografia” do festival Optimus Alive de “Smack my Bitch Up”.
O encore composto por quatro músicas começou com “Take Me To The Hospital” dando a todas as pessoas mais uns minutos de dança culminando na “Their Law”.
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Espectáculo de 15 músicas que pôs todo o Pavilhão Atlântico a dançar ao ritmo dos The Prodigy.
Passatempo Pinktober
Oct 18th
O Festivais de Verão em associação com o Hard Rock Café Lisboa tem para te oferecer 5 bilhetes simples para o Pinktober que decorre nos dias 21 e 27 de Outubro no Hard Rock Café Lisboa.
O Pinktober é um festival muito especial devido ao facto de os ganhos reverterem para a Liga Portuguesa Contra o Cancro. Isso por si só já é motivo para enchermos o Hard Rock Café Lisboa nestes dois dias tão especiais.
Mas para além da boa vontade o Hard Rock Café Lisboa irá encher-se de música. As bandas que passarão por este espaço são Secondhand Serenade no dia 21 e A Silent Film no dia 27.
Durante todo o mês de Outubro passa pelo Hard Rock Cafe Lisboa e habilita-te a ganhar uma guitarra Gibson assinada por estes artistas.
O preço do bilhete para estes concertos é de 12 euros para cada uma das noites que reverterá para a Liga Portuguesa Contra o Cancro.
Reportagem Sudoeste TMN
Aug 12th
No terceiro dia do festival era esperada casa cheia. X-wife abriram as hostes do palco principal levando bastante público a manter-se até ao final do concerto ao som do rock’n’roll. A banda originária do porto tocou temas do novo álbum com o público a reagir sempre muito bem.
O recinto ia-se compondo para os aguardados Faith no More. Mas a banda que se seguiu foram os também portuenses Blind Zero, com um palco alusivo ao novo álbum “Luna Park”. O alinhamento continha músicas dos álbuns anteriores e o novo single “Slow Time Love” . Ainda houve tempo de cantarem uma música dos Pixies "Where Is My Mind?" e, já que Miguel Guedes “não estava lesionado em nenhuma perna”, “Enjoy The Silence” dos Depeche Mode.
Os Jet, que se seguiram, deram um belíssimo concerto conseguindo entusiasmar o público, que na sua grande maioria esperava o cabeça de cartaz do dia. Os autralianos apresentaram-se com um fundo preto com o seu nome a dourado. Com "Are you gonna be my girl” o público esqueceu por momentos o concerto que se seguia e cantaram e dançaram ao som da música.
E é então que os mais aguardados Faith No More sobem ao palco começando com “Reunited” com o público a entrar logo em êxtase e não parando até ao final do concerto. Na zona de público em frente ao palco principal via-se uma nuvem de pó enorme. Mais uma vez, uma das forças deste concerto foi a interacção e comunicação com o público. Um dos pontos altos foi sem dúvida “Evidence” em que Mike Patton surpreendeu o público cantando em português. O concerto terminou após o segundo encore com “We care a lot“. O público que se deslocou à Herdade da Casa Branca foi recompensado com um grande concerto do qual certamente ninguém saiu desiludido!
Oioai, banda confirmada à última hora, no palco secundário anunciaram o novo álbum “Vem Em Segredo” com lançamento previsto para Setembro. Os quatro elementos mostraram-se bem dispostos e em sintonia nas novas músicas. Entre as músicas do primeiro álbum “Oioai”, o público presente ia correspondendo ao que se passava em palco, neste espaço que se mostrou o menos atraente para a maior parte dos festivaleiros e que pecou pela proximidade com o espaço electrónico.
Era notória a pouca afluência de público neste último dia do festival, pois muitos dos festivaleiros regressavam a casa neste dia. Anaquim abriu o Palco Planeta Sudoeste onde já havia público à sua espera. Passaram por temas de Ornatos Violeta e ainda dedicaram uma música “Pobre Velho Louco” ao actor Raul Solnado falecido no dia anterior.
Gomo começou entretanto no palco principal com muita animação e bastante ironia à mistura dizendo-se surpreendido com a quantidade de público presente visto não estarem anunciados no cartaz do festival e avisando que “Nós não somos o Marcelo d2 somos os Gomo”. Referiu ainda que o facto de estarem no palco principal deve-se ao êxito de “Felling Alive” do anterior disco. Neste concerto vieram apresentar o recentemente editado “Nosy” cujo single “Final Stroke” “já roda em algumas rádios de bom gosto”. Os seguintes foram Marcelo d2 trazendo o hip-hop e levando o público a não abandonar o espaço do palco principal num concerto onde ainda contou com um tema de White Stripes e outro de Eurythmics.
No palco secundário já se fazia ouvir Virgem Suta, uma banda vinda de Beja com um sucesso recente. Com “Ressaca” e "Tomo Conta Desta Tua Casa" colocaram o público a dançar.
De volta ao palco principal, a escocesa Amy Macdonald apela a que sendo este o seu primeiro concerto em Portugal, gostava que fosse memorável, conseguindo cativar o público que assistia a esta actuação e que estranhou mas cantou bem alto "Mr. Brightside" dos The Killers.
Lily Allen, seguiu-se com muita cumplicidade e irreverência com o público que sempre correspondeu ao que a artista ia pedindo, tendo sido um dos momentos mais participados a dedicatória a todos os homofóbicos e racistas presentes, com o tema “Fuck You”.
Para encerrar o 13º Festival Sudoeste TMN, no palco principal tocaram os também britânicos Basement Jaxx que iniciaram o concerto com “Scars”, perante uma plateia bem composta. Todos dançavam quase a jeito de gastar as últimas forças e encerrar em grande mais um festival. Já se sentia a nostalgia mas a banda não deixou ninguém descansar. Teve tempo de dedicar "Romeo" a todos "os portugueses sexy" da plateia. “Rendez-Vu”, um dos seus maiores sucessos foi o tema escolhido para finalizar um espectáculo onde luz e o som estiveram em plena harmonia.
E foi assim a edição de 2009 que com um cartaz que não convenceu os mais reticentes, garantiu a animação nos diversos stands promocionais para a recolha de brindes e prémios de participação nas diversas actividades, umas mais originais que outras, mas que mantiveram sempre o público bastante interessado.
O menos positivo prende-se com as condições do campismo. Os reparos feitos em relação á proximidade do espaço electrónico das tendas no ano passado foram tidos em conta, afastando estes dois espaços tanto quanto possível, não se compreende porem a existência de um bar situado em plena zona de campismo com música mais que excessivamente alta, demasiado repetitiva e de forma incessante, desde o fim da tarde de dia 5 até meio da manhã de dia 10 não deixando descansar quem queria recuperar forças para os dias seguintes.
Ainda assim, nesta manhã de dia 10 à medida que o espaço ia ficando cada vez mais despovoado, o que se ouvia eram as despedidas ...
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Review Jazz em Agosto
Aug 10th
O Jazz em Agosto é daqueles eventos incomparáveis por mais que tentemos. Os artistas de renome internacional, o espaço da Fundação Calouste Gulbenkian e o sabor musico-cultural que nos aguça o paladar auditivo assim que chegamos a um concerto deste evento é sem dúvida inigualável.
Chegamos cedo à entrada da Gulbenkian e a fila já era longa. Não que se tenha notado muito porque a entrada foi simples, rápida e organizada, escoando os presentes para as cadeiras do Anfiteatro numa questão de minutos. Chegar cedo a este local é sem dúvida um privilégio. A movimentação das pessoas na busca do melhor lugar possível, a vegetação circundante e a iluminação do palco ainda vazio, criam um ambiente invulgarmente íntimo.
O dia 06 de Agosto apresentou-nos o concerto de Dave Douglas & Brass Ecstasy. Pouco depois das 21h30, hora definida no programa para o início do espectáculo, os músicos entram em palco e não perdendo tempo algum, começam de imediato a deixar o Anfiteatro da Gulbenkian com os olhos e ouvidos presos ao palco. Estive durante todo o dia a ouvir jazz de forma a chegar ao Jardins da Gulbenkian com os meus ouvidos treinados e o ultimo álbum que ouvi, foi precisamente de Dave Douglas. O início deste concerto parecia tudo menos o que eu tinha ouvido poucas horas antes. O primeiro tema que Douglas ofereceu ao público teve inicio com um swing totalmente soul que fez com que muitas pessoas começassem de imediato a bater o pé. Com o desenrolar do tema ia-mos notando cada vez mais um aproximar ao que se ouve deste compositor em álbum. De uma forma repentina, o bater de pé do comum mortal começa a ficar descoordenado com a velocidade rítmica que estes músicos imprimem em algumas das suas peças.
Douglas e os Brass Ecstasy funcionam de tal forma em equipa que a dada altura, devido ao vento que se fazia sentir nesta noite, houve um trabalho de grupo em busca de partituras que teimavam em voar como que a fugir do palco com medo da multidão. Estamos de qualquer forma a falar de uma banda fantástica com elementos que até na aparência mostram que são músico de jazz. Vincent Chancey, homem da trompa, parecia que tinha acabado de sair de um bar de jazz norte-americano ainda nos anos 50, ou o próprio Dave Douglas. Douglas é sem dúvida uma figura incontornável do jazz internacional, e consegue coordenar os restantes músicos quando estes já estão de tal forma livres a tocar que alguém tem que dizer “basta” ou então o mesmo tema duraria até que todos se fartassem de estar naquela espécie de transe musical improvisado. Como em qualquer equipa aqui sentimo-nos no dever de dar destaque a um elemento em especial. Nasheet Waits, baterista do colectivo, é inquestionavelmente um músico excelente, mas não corremos risco nenhum em dizer o que ele realmente é, um fora de série. Waits teve momentos de liberdade tal que chegou a parecer que estava em sua casa sozinho simplesmente a tocar sem qualquer pressão ou preconceito.
Tecnicamente perfeito e com uma destreza rítmica que o separou sem margem para dúvidas dos restantes membros, não tirando qualidade a nenhum deles. Como qualquer fora de série Nasheet Waits revelou ser, ele sim, merecedor de uma transferência superior a 95 milhões de euros no mundo do jazz. Juntamente com Waits outro destaque deve ir para o tubista Marcus Rojas. Depois de ter ficado sem a sua tuba que ficou retida no aeroporto de Munique, Rojas a tocar com uma tuba emprestada, mostrou que quem sabe não tem preferências sobre o instrumento que lhe cai nas mãos e toca o que sabe com o que pode. Quando uma tuba preenche na perfeição a secção rítmica de uma banda podemos dizer que o propósito está cumprido, mas quando esta tuba nos brinda com rasgos sonoros a fazer lembrar, baixo, contrabaixo ou até dijiridoo (instrumento tribal australiano) tem que ser destacada.
Se a tudo isto juntarmos as dezenas e dezenas de cabeças fixas no sentido do palco sem emitir um som ou fazer um gesto, as fotos que respeitaram o pedido inicial da não utilização de flash ou os telemóveis que em nenhuma altura se ouviram, de forma a não distrair os músicos, temos o prazer de dizer que tivemos na presença de um concerto fabuloso e cheio de significado sobre o que é o jazz e as sensações que nos provoca. Podemos simplesmente concluir com o seguinte: um final de concerto com os 5 elementos a agradecer uma ovação de pé de quase todas as pessoas presentes na Gulbenkian. Para recordar.
Sexta-feira dia 7 de Agosto tivemos um dia repleto de experimentalismo. Penso que é justo dizermos que no jazz há experimentalismo e experimentalismo. Um músico de jazz da qualidade dos que vimos neste festival, a dada altura da sua carreira não consegue ficar unicamente pelas “simples” notas, escalas e tudo aquilo que lhe é ensinado durante os anos de instrução. Este músicos chegam a uma altura das suas carreiras e têm que pensar que há algo mais para criar do que aquilo que aprenderam. É nesse momento que se definem os mestres do jazz. Com esse objectivo o experimentalismo não só é (bem) aceite como bem-vindo.
Buffalo Collision foi a banda que nos deu o que analisar no palco do Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Calouste Gulbenkian neste dia de 7 de Agosto. Experiência atrás de experiência, o concerto de Tim Berne e seus pares pecou unicamente pelo excesso. Poucos foram os momentos em que se sentiu a banda actuar como um todo e a singularidade foi sobressaindo ao longo da actuação. Individualidades algo impressionantes como o violoncelista Hank Roberts que parece descobrir novos sons no violoncelo a cada segundo que passa. Roberts fosse a tocar com arco, com os dedos ou utilizando os pedais de efeitos que tinha ao seu dispor no chão, desencantou sons de um violoncelo que alguns músicos mais conservadores de jazz teriam classificado como pecado. Facto é que funcionou e Roberts foi dando um toque de equilíbrio aos Buffalo Collision. De assinalar também o baterista Dave King que só pela expressão corporal ganha um espaço de destaque. Num estilo misto entre o tosco e a constante procura de sons diferentes, Dave King foi abafando o som estridentes dos pratos, fez uso de contratempos inesperados e mostrou o porquê de pertencer a este projecto.
Chegamos a Domingo dia 9 e à actuação final do Jazz em Agosto com Bill Dixon e a Exploding Star Orchestra. Voltando um pouco ao dia anterior este apontamento tem que ser feito. Quem disse um dia que o jazz experimental é somente entendido pelos apaixonados, pelos técnicos e pelos próprios músicos enganou-se. Dixon, ainda que seja uma figura com peso no mundo do jazz é alguém que já não demonstra o vigor de outras épocas é claro. Estamos a falar de um trompetista com 84 anos que mantém a presença mas deixa as despesas musicais para a Orquestra que o acompanha. Note-se que não estamos a falar de um trio, quarteto nem sequer de uma Big Band, estamos a falar de uma Orquestra que tem momentos de experimentalismo hipnóticos que culminam ao fim de alguns minutos numa convergência total em uníssono e totalmente enquadrados como se estivessem a tocar o mesmo tema há horas. Vimos muito daquilo que pode ser feito com uma banda desta craveira. Não só pelos solos de alguns dos músicos do colectivo mas também por algumas vozes que se iam ouvindo da parte de Nicole Mitchell, dona da flauta transversal e de Damon Locks que nos mostra que a poesia é conjugável com o jazz. Num recital de palavras com histórias do submundo do boxe por alturas de Cassius Clay, Locks leva-nos numa viagem no tempo em breves instantes só por intermédio das suas palavras. Mostra de igual forma ao público que um rasgo de groove intenso da Exploding Star Orchestra pode ser aproveitado para um momento de diversão, dançando vibrantemente com os sons que por ali se iam ouvindo. Temos também que colocar uma luz sobre a cabeça de Jason Adasewicz que aos comandos do vibrafone foi debitando sons que não só preenchiam muitas das músicas como em algumas alturas lhes dava significado. Como se não bastasse, também integrou a precursão a dada altura, quando já existiam dois bateristas e um percussionista, e conseguiu dar mais um toque de ritmo sem nunca destoar.
Numa análise global a este concerto podemos seguramente dizer que Dixon, dá origem a um projecto com músicos fabulosos e que a sua presença e os seus dotes de compositor fazem a diferença, mas temos que ser justos e dar destaque aos outros doze elementos que se encontravam em palco coordenados pelo trompetista e também compositor Rob Mazurek que nos proporcionaram um final de luxo neste Jazz em Agosto 2009.
Mais uma vez os olhos dos espectadores presentes no Anfiteatro da Gulbenkian estiveram fixos no palco de forma constante. Ainda que não possamos dizer que a ovação foi igual à que Dave Douglas e os Brass Ecstasy tiveram direito, podemos seguramente dizer, que houve pessoas de pé a aplaudir Dixon e seus pares e os comentários de agrado à saída não se fizeram esperar, e passamos a citar: “muito bom, espectáculos assim deviam acontecer mais vezes não só nestes eventos”. Concordamos e gostaríamos de ver mais artistas desta qualidade, mas o facto de estarmos um ano a aguardar um evento destes faz com que o Jazz em Agosto continue a ser um acontecimento ímpar.
Texto: Bruno Farinha
Reportagem Super Bock Super Rock Lisboa
Jul 19th
O segundo acto da 15ª edição do Super Bock Super Rock, em Lisboa, prometia um cenário bem mais animador do que o acto portuense. Não tendo nenhum infeliz cancelamento, como o de Depeche Mode, o evento prometeu e cumpriu, trazendo ao Estádio do Restelo muitos festivaleiros, com uma forte presença espanhola, que ansiavam pelos concertos de The Killers, Mando Diao ou mesmo Duffy.
Ao fim de 15 anos, o festival de Verão que é um dos grandes titãs da cena musical portuguesa, reinventou-se, dividindo-se entre os pólos nacionais e retornando o estilo a que nos habituou. Sobre o sucesso desta modificação, pouco mais podemos dizer que a noite lisboeta foi um sucesso. Na verdade, se há algo que pode ser apontado é o facto de, apesar de a noite ir progressivamente arrefecendo, o ambiente e a recepção aos artistas variaram de forma contrária.
As portas abriram e poucos se fizeram ver ao pé do palco, meramente para marcar presença nos lugares fronteiros, dando a ideia de um recinto um pouco pobre e pouco composto. Coube aos Bettershell, banda vencedora do já habitual Super Bock Super Rock Preload, fazer as honras: em apenas 15 minutos, os rockeiros de S. João da Madeira tentaram convencer um público pouco numeroso. Com influências de pop/rock americano (Coldplay, Foo Fighters, Hoobastank), estes tocaram algumas músicas do EP por sair, entitulado Don’t Give Up.
Seguiram-se os The Walkmen, nova-iorquinos de coração e de sonoridade, liderados pelo cativante Hamilton Leithauser, que, de mãos nos bolsos, confere ao indie rock nostálgico uma vertente bem mais agressiva, não fosse pelos seus bramidos constantes. Ao longo de pouco mais de quarenta minutos, os Walkmen tocaram um reportório coerente, maioritariamente composto por You & Me, editado em 2008, do qual se destacam “In The New Year” e “The Rat” de 2004. Mesmo sendo, este último, o seu hit incontornável, pouco fez para aliciar mais do que os fãs, que se juntaram à frente do palco, dispersando-se os desinteressados. Será de culpar o horário da actuação e o vertente muito intimista da banda, que melhor funcionou na passagem pelo Super Bock em Stock no ano passado, sendo inegável a qualidade do conjunto.
Se estes puxaram pelas emoções neste dia veranil, a menina bonita daquele anúncio bastante conhecido exercitou a sua voz rouca no grande palco do festival. Brandi Carlile, na sua quarta vez em terras portuguesas, ofereceu um set simpático, que passou tanto pela confissão do desejo de se mudar para o nosso pais como também pela tentativa de oferta do número telefónico de um dos membros da banda. Com o seu pop melódico e um leve travo a country, Carlile empunhou a sua guitarra acústica e conseguiu alguma recepção da audiência cada vez mais recheada, passando por algumas canções de The Story, ao qual se aponta a homónima, mais conhecida. Contudo, esta cantora não conseguiu deixar de passar por lugares demasiado familiares, trazendo pouco de novo às covers de “Creep” e “Hallelujah”, de Radiohead e Leonard Cohen, respectivamente.
Esperava-se frenético rock’n’roll de garagem com a actuação seguinte - os Mando Diao. Os suecos, formados em 1995, já têm cinco álbuns na bagagem e um culto de fãs um pouco por toda a Europa, apesar do sucesso pouco aparente. Liderados por Gustaf Norén e Björn Dixgård, cuja interacção em muito faz lembrar a dos extintos Libertines, os Mando Diao conquistaram pouco a pouco o público, com singles antigos como “Down In The Past”, “Ochrasy” e “Long Before Rock 'N' Roll”, mas também com “Dance With Somebody” e “Gloria”, do recentemente editado Give Me Fire, álbum apresentado no Restelo. Seduzem-nos, assim, com o rock e os blues num concerto coeso, marcado pela presença de duas meninas do coro e a homenagem a Michael Jackson.
A muitos fez desesperar por anteceder a ansiada actuação dos The Killers, no entanto, Duffy, parte da onda de revivalismo soul, r&b e blues britânico, no qual se insere a mediática Amy Winehouse, apresentou um espectáculo sedutor e colorido, embora pouco chamativo. A cantora dançou e percorreu o palco, dando vida aos êxitos de Rockferry, o seu álbum de estreia, com a sua voz peculiar e jeito nada tímido, tentando apelar aos festivaleiros com exclamações como “Eu gosto do Portugal!”. Encanta o Estádio do Restelo com a aclamada “Warwick Avenue”, mas a galega guarda o seu trunfo para o fim – “Mercy” fez a delícia dos fãs, marcando o concerto.
Finalmente, a espera termina. Encerrando o palco do Super Bock, os The Killers são logo, de início, muito aplaudidos, por agora, já um estádio repleto. O cenário que os acompanha é tropical e sugere a gama de influências musicais que marcam Day & Age, o mais recente esforço dos americanos, como Elton John, David Bowie e Lou Reed – o rock e a electrónica marcam o passo, portanto. O grande maestro é, sem dúvida, Brandon Flowers, frontman de pele aos ombros, que confere aos grandes hits um lado muito mais emotivo e, portanto, apelativo aos milhares de fãs que bradaram as suas letras na noite passada.
Os cabeças de cartaz iniciaram o seu percurso com a dançável “Human”, que levou a muita confusão com a parte “Are we human or are we dancer?”, nem mesmo assim deixando de mover os fãs. Seguiram-se alguns constituintes do último álbum, surpreendentemente familiar aos devotos, como “This Is Your Life” e “Joy Ride”, que ganharam algum protagonismo comparativamente a “Somebody Told Me”, que não atingiu o seu verdadeiro potencial. Mas um dos êxitos da noite foi “Spaceman”, o segundo single do mais recente material da banda, tão bem recebida que Flowers, com um sorriso de orelha a orelha, é obrigado a repeti-la, perante a euforia presenciada.
Se há algo por que não pecam, é por terem má presença em palco – os The Killers apresentaram os seus hits mais badalados de forma descontraída e natural. Se, por um lado, "All These Things That I’ve Done", "Mr. Brightside" e "Smile Like You Mean It" agitaram as hostes, por outro, singles mais subtis como "Read Your Mind" e "For Reasons Unknown", de Sam’s Town, aqueceram e encheram, fazendo-nos lembrar o porquê dos americanos serem uma das bandas americanas mais populares dos anos zero. Não esquecer a homenagem a Joy Division com a sombria e competente "Shadowplay", ecoada sobre um jogo de luzes colorido e os jeitos vocais do líder da banda.
Já no encore, à falta de “Bones”, entra “I Can’t Stay”, talvez um recomeço menos bom e um passo em falso, porém, tudo esquecido com “Jenny Was a Friend of Mine” e “When You Were Young”, atingindo outro dos altos da noite. O público pedia mais, mas ficou a promessa de voltarem novamente aos palcos nacionais - esperemos que o façam rapidamente.
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Palco TMN @ Sudoeste TMN
Jun 24th

Estes novos nomes juntam-se aos já confirmados Buraka Som Sistema, The National, Mariza, Madcon, Faith No More, Basement Jaxx, Lily Allen e muitos outros.
Será que a organização ainda nos vai conseguir surpreender mais?































