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Megafaun e Alto! no Musicbox
Jan 31st

É já no próximo dia 24 de Fevereiro que o Musicbox estreia o trio Megafaun em Portugal, no âmbito da quinta edição da rubrica Musicbox Heineken Series.
O trio norte-americano vem apresentar o quarto álbum, homónimo, que volta a embalar-nos em finas texturas folk e a desconcertar-nos com o seu psicadelismo latente. Os Megafaun são um dos mais respeitados nomes da actualidade indie / folk.
A eles juntam-se os portugueses ALTO! que vem apresentar o disco de estreia, também homónimo e com selo da Lovers and Lollypops.
A entrada em pré-venda é de 10€ com oferta de 1 Heineken disponível nos locais habituais.
Reportagem The Antlers em Lisboa
Nov 6th
O Festivais de Verão assistiu, na passada quinta-feira (3 de Novembro), a uma noite estreante de sucesso para os The Antlers, que, na sua primeira atuação em Portugal, produziram um concerto coerente, envolvente e de enorme qualidade. Uma Lisboa assolada por condições climatéricas menos favoráveis não conseguiu forçar a mão da grande fila que esperava ansiosamente à porta do Lux pelos fantásticos nova-iorquinos, que acabaram por retribuir a boa fé portuguesa com boa música.
Sem banda de abertura, e apesar de um atraso considerável, Peter Silberman e companhia deram uma entrada silenciosa no palco do Lux, rodeado por uma sala cheia. "Parentheses" foi o tema escolhido de abertura, escolhido a dedo do mais recente Burst Apart, e assim começa a melancólica, mas reconfortante viagem musical, marcada por uma crescente influência electrónica do recente material dos artistas. Burst Apart demarca-se do aclamado Hospice (2009) não por ser menos deprimente (oxalá o fosse), mas sim por ser mais expansivo e harmonioso.
"No Widows" e "I Don't Want Love" são excelentes exemplos disto: é uma vertente pop que se associa ao indie rock intimista e sorumbático dos nova-iorquinos e que não deixa indiferente um público mais velho contidamente entusiástico. De facto, as letras e melodias do recente esforço, parte considerável da setlist do concerto, já pareciam estar na ponta da língua dos portugueses – o que é de louvar, visto sofrer um pouco do síndrome segundo álbum, especialmente por suceder a um álbum tão acalmado como Hospice.
Se a recepção agradou à banda nova-iorquina, esta pouco o demonstrou, mantendo a comunicação com o público num mínimo. Silberman, o porta-voz e alma torturada de excelência dos The Antlers, encantou com o seu falsetto emocional, ganhando toda uma nova presença em palco que não possui em disco – o que contribuiu para o impacto emocional da guitarrada quer metódica, quer assoladora, e para a construção de um ambiente íntimo que embalou e abarcou o público português. Os temas de Hospice não falharam: "Kettering" e a aplaudida "Bear" são suaves e imensamente tristes e aliadas à simbólica "Every Night My Teeth are Falling Out" fazem os momentos da noite.
"Queremos agradecer à British Airways por terem reavido metade do nosso material quinze minutos antes de vocês chegarem", brinca Darby Cicci, o multi-instrumentalista encarregue das teclas. Foi, de facto, um percalço que podia ter impedido esta fantástica noite de música de ter acontecido, mas ainda bem que não o fez, uma vez que fomos presenciados com momentos cada vez melhores à medida que esta terminava. "Putting the Dog to Sleep" é interrompida por um Silberman emocionado e espantado com a adesão dos seus fãs, "Corsicana" é devastadoramente bela, como um murro no estômago e "Sylvia" acaba por fechar a noite numa nota alta, que serve um testemunho à qualidade musical dos The Antlers.
Podem não ser os músicos mais criativos do panorama musical, mas o que fazem é honesto e vem de dentro – atributo que nunca passa despercebido. Daí que esta primeira experiência em Portugal tenha sido um absoluto sucesso... e esperemos que voltem em breve.
Reportagem Mão Morta no TMN ao vivo
Oct 3rd
Os Mão Morta, parece, são como o vinho: melhoram com a idade. É um caso notável não tanto de longevidade, mas de qualidade constante numa carreira que foi sempre consistente mas experimental, de uma banda que nunca teve medo de tentar algo diferente, mantendo sempre a alma sonora que a torna tão única (tanto aqui como lá fora).
Ao vivo, felizmente, têm também essa ideia. O início desta nova digressão, feito numa sala cheia ou bem lá perto, viu o repescar de alguns grandes temas do passado que tiveram a excelente companhia de alguns temais mais do presente (as canções de “Pesadelo em Peluche” resultam muito bem ao vivo). Os Mão Morta tocam o que querem tocar (parece que já não querem mesmo tocar Lisboa (“Por Entre as Sombras e o Lixo”); é uma música “desactualizada”, disse Adolfo), e fazem-no sempre com a mestria de quem anda nisto há décadas, sabendo escolher bem de entre o catálogo que têm. Bastou logo a espantosa “Aum”, segunda música do concerto, para perceber bem que seria uma noite de perfeito equilíbrio, num alinhamento bem pensado e conseguido.
Num palco envolto em fumo e com um espectáculo de luzes simples mas muito eficaz, o que se viveu foi uma noite de rock das entranhas, como só eles fazem tão bem, onde se viu um balanço constante entre o apoteótico e o envolvente; veja-se a canção que abriu o concerto, a magnífica "Tiago Capitão", saída do seu último disco e já um hino da banda. Intensa, num crescendo tanto instrumental como vocal, com Adolfo a cantar cada vez com mais alma (e isso é algo que não lhe falta) aquele refrão que todo o público sabia já de cor.
Adolfo Luxúria Caníbal é, aliás, o motor que move tudo. Um dos maiores (senão o maior) vocalistas da nossa história, é em palco tão intimidante quanto imponente, possesso e com olhar indomável enquanto canta, encarnando em todo o corpo as palavras que lhe saem da boca. Balança-se, contorce-se, e no final do concerto atira-se ao chão, encharcado em suor, com as guitarras em “Anarquista Duval” a acompanhar a queda. A banda é, claro, toda ela espectacular. Há em Mão Morta algo que não existe em mais lado nenhum, uma mescla de estilos desde o spoken-word ao post-punk que se equilibram entre si, graças a um grupo de músicos fenomenais (aquelas guitarras…) que tocam ainda com a perfeição com que o faziam há anos atrás.
Foi rock como mais ninguém faz, épico e energético, frequentemente apoteótico e por vezes arrepiante. “Berlim (Morreu a Nove)” continua tão espectacular como sempre, tal como a grande “Destilo Ódio” (talvez a grande surpresa da noite), que teve como introdução um pequeno discurso de Adolfo em que este criticou a forma como os media nos têm infestado com toda esta crise que vive o país (e o mundo). Se tem razão? Sim. Se precisava de se referir tantas vezes a isso durante o concerto? Não. Afinal de contas, é como ele próprio diz: estamos todos fartos de ouvir falar sobre o assunto. Inclusive em concertos.
O trio final de canções, antes da saída de palco, foi uma sequência de génio: “Escravos do Desejo”, “E Se Depois” (sempre esmagadora) e, claro, a obrigatória “1º de Novembro”, cujo coro já várias vezes tinha sido cantado ao longo do concerto por um público que ansiava por a ouvir e que teve, já perto do fim, em palco uma dançarina exótica (uma surpresa desnecessária). Um final espectacular, que teve depois um trio de encores em que a energia não esmoreceu. “As Tetas da Alienação” (mais uma boa surpresa) e “Vamos Fugir” (mais uma obrigatória) foram o primeiro regresso da banda ao palco, que depois voltaria ainda, perante um público que o pedia de forma ensurdecedora e que esteve conquistado do início ao fim, para tocar “Charles Manson” (impossível não adorar aquele riff) e, no último e não planeado regresso ao palco, a grande “Anarquista Duval”, que viu aplausos e gritos de celebração mal foi anunciada por Adolfo. O melhor final possível, com aquela que é de longe uma das mais vertiginosas canções da banda.
É bom ver que continuam numa forma invejável, tocando como poucos o fazem, dando concertos como por cá mais ninguém dá. E é, também, ver o respeito que têm em relação a si mesmos e ao seu público, certificando-se que do palco saem não tanto as canções mais conhecidas ou populares (não houve “Budapeste” para ninguém, e ainda bem), mas antes as melhores, que em concerto proporcionam os melhores momentos.
Foi o que se esperava, de quem se esperava: um concerto grandioso, dado por uma banda grandiosa.
Buraka Som Sistema nos Coliseus
Sep 20th
Os portugueses Buraka Som Sistema vão actuar nos Coliseus de Lisboa e Porto, nos dias 10 e 19 de Novembro, respectivamente.
O grupo iniciou-se com o EP "From Buraka to the World" e tomou a blogosfera de assalto com "Black Diamond", álbum que viria a ser disco de ouro. Agora, os Buraka Som Sistema vêm apresentar o seu mais recente trabalho, Komba, que será lançado no Outono deste ano.
O espectáculo tem inicio pelas 21h00 e os bilhetes vão estar à venda a partir de amanha, às 10h00.
| Preços | Locais de Venda |
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Locais Habituais |
Reportagem Black Dahlia Murder no Cine-Teatro de Corroios
Jul 7th
Não sei se alguém já alguma vez tomou nota do tempo que levou a acontecer a invasão de palco mais rápida do mundo, mas no dia 5 de Julho, no Cine-Teatro de Corroios, nem dois minutos foram precisos para alguém da plateia subir ao palco, saltar durante dois segundos e atirar-se às dezenas de pessoas que encimavam a sala e prestavam vassalagem aos Black Dahlia Murder.
Cerca de um ano e meio depois de terem passado pelo Porto a bordo da tour Bonecrusher e na companhia de nomes como Carnifex, Obscura, Ingested, Faceless e 3 Inches of Blood, chegava a altura de rever os Black Dahlia Murder em Portugal. Disco novo no bolso e uma vontade de acelerar e deixar marcas nos corpos – e aparelhos auditivos – dos presentes.
Com uma toada melódica muito mais saliente nos dias que correm, não demorou muito até que instalassem o caos no Cine-Teatro e mostrassem aquilo a que vieram: a dar porrada nos tímpanos de todos os presentes, às custas de um som que esteve quase perfeito – com os triggers da bateria a não se sobreporem às guitarras, uma vitória logo de início -, uma técnica irrepreensível da parte de todos os membros – é impossível destacar só um, face à exímia performance de todos –, mas acima de tudo, com um vocalista imponente e incansável.
Trevor Strnad de seu nome, uns dois metros de pessoa de riso escarninho, impõe respeito pela presença, mas é ao mesmo tempo um frontman carismático e simpático. Por entre apelos de moshpit, mãos no ar, desbrava caminho por entre vocalizações à la Crade of Filth e outras a puxar à sua costela melodeath – não muito longe do que se faz na Suécia (agora e sempre). O alcance e variações vocais de Trevor eram constantes e impressionantes e nem por um segundo pareceu vacilar.
O mesmo já não se pode dizer da coluna que estava a amplificar a guitarra solo, que de quando em vez se calava e deixava o público a questionar o que teria acontecido. Mas nunca por mais de cinco segundos. Pelo menos tendo em conta a constante agitação que se verificava no meio da sala. Energia, muita energia, muita vontade de mostrar que o público português é mais vivo e capaz do que os outros todos juntos.
“Vocês são divertidos!”, dizia Trevor Strnad com um sorriso irónico e ar inquisitivo, de julgamento quase às centenas de pessoas que ontem encheram a sala da margem Sul. “Vamos lá ver do que são capazes. Quero ver tudo louco agora”. Com ‘Miasma’ a ribombar nas colunas, dava-se a tónica para aquilo que seria uma constante durante a noite: um moshpit imparável que, sempre rodopiante, fazia o Inferno descer sob o Cine-Teatro, elevava a temperatura para uma marca intolerável e que se colava ao corpo.
Com um ar visivelmente satisfeito, Trevor abandonaria o palco já depois de 3762 invasões de palco – uma vénia ao rapaz que deu dois mortais do palco, um abraço de melhoras ao outro rapaz que não teve uma mão que o agarrasse -, uma hora e meia de concerto e três discos (re)visitados sem misericórdia, pudor e melhor, sem abrandamentos. A vénia a Portugal foi merecida, porque se eles não nos deram descanso, nós também não lhes demos descanso a eles. O público, que cá fora parecia exasperar por algum tipo de ar, banho ou simplesmente descanso, parecia unânime: “foi o melhor concerto do ano, caralho”.
Antes ainda dos Black Dahlia Murder subiram ao palco os novatos Another Day Will Come que beneficiaram de um atraso na abertura de portas e tiveram a sala bem composta. Por outro lado, a reciclagem do mesmo tema durante 45 minutos jogou contra os rapazes que mostraram uma excelente técnica que, se for bem empregada e levada a sério, talvez os leve a algum lado. Foi bom para saber que o crabcore já chegou a Portugal.
Depois deles, haveriam de subir ao palco os BlackSunrise. Bem mais experientes, bem mais poderosos – e donos de um dos CD do ano, “Oceanic” -, tiveram demasiado azar com o som. Muito embrulhado, numa amálgama metálica e confusa, foi difícil discernir quem estava a tocar e a fazer o quê. Ainda assim, ficou mais que provado que estes rapazes não têm nada a provar e que, com um vocalista tão versátil como aquele, não precisam de muito mais para levar um público conquistado para casa. Muito interventivos, a pedir mosh e aproximação, souberam ultrapassar os problemas de som, agarrar o público com as duas mãos, dar-lhe uma tareia à antiga e ir para casa debaixo de aplausos. Valeu, malta.
Trail of Dead no Festival Paredes de Coura 2011
Jul 1st

Foi anunciado mais um nome para o Festival Paredes de Coura: Trail Of Dead. A banda vai passar pelo festival no dia 19 de Agosto.
Nascidos no coração do Texas, Kelly e Jason Reece Conrad fundaram a banda em 1994 "... And You Will Know Us By The Trail Of Dead.", contam já com sete álbuns editados.
As suas música passeiam-se pelos caminhos do rock alternativo, mas é também uma série de experiências com outros estilos de música. Nas suas músicas tentam resultados de pesquisas sobre antropologia da música, através de rock moderno. Isso é tudo rock que aspira a ser: intenso com canções incríveis, perfeitamente organizadas, com habilidade e paixão. E a julgar pelo seu último disco, 'Tao of The Dead', vamos ouvir certamente, boas músicas nas margens do Tabuão no dia 19 de Agosto.
O Festival Paredes de Coura 2011 realiza-se nos dias 17,18,19 e 20 de Agosto de 2011 em Paredes de Coura, na praia fluvial do rio Tabuão.
O bilhete diário custa 40 Euros e o Passe para os 4 dias custa 75 Euros.
The Twilight Singers no Optimus Alive 2011
May 12th

Os norte-americanos The Twilight Singers são a mais recente confirmação para o Palco Optimus do Festival Optimus Alive 2011. A banda sobe ao palco no dia 6 de Julho juntando-se aos já confirmados Coldplay e Blondie.
Na bagagem trazem o seu disco mais recente, Dynamite Steps, que foi editado em Fevereiro. Produzido por Greg Dulli, em parceria com uma longa lista de produtores, o álbum foi muito bem recebido por parte da crítica especializada.
O Festival Optimus Alive 2011 realiza-se nos dias 6, 7, 8 e 9 de Julho de 2011 em Oeiras, no Passeio Marítimo de Algés. O preço dos bilhetes é de 50 Euros, 99 Euros ou 129 Euros, Bilhete Diário, Passe para os 3 dias ou Passe para os 4 dias, respectivamente.
Se não tens onde ficar procura alojamento aqui.
The Twilight Singers no Optimus Alive 2011
May 12th

Os norte-americanos The Twilight Singers são a mais recente confirmação para o Palco Optimus do Festival Optimus Alive 2011. A banda sobe ao palco no dia 6 de Julho juntando-se aos já confirmados Coldplay e Blondie.
Na bagagem trazem o seu disco mais recente, Dynamite Steps, que foi editado em Fevereiro. Produzido por Greg Dulli, em parceria com uma longa lista de produtores, o álbum foi muito bem recebido por parte da crítica especializada.
O Festival Optimus Alive 2011 realiza-se nos dias 6, 7, 8 e 9 de Julho de 2011 em Oeiras, no Passeio Marítimo de Algés. O preço dos bilhetes é de 50 Euros, 99 Euros ou 129 Euros, Bilhete Diário, Passe para os 3 dias ou Passe para os 4 dias, respectivamente.
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Amor Furia no Optimus Alive 2011
Apr 27th
No dia 6 de Julho, no Palco Optimus Clubbing, vai ser possivel presenciar o que melhor se faz no rock tocado,
pensado e cantado na lingua portuguesa. A editora Amor Fúria apresenta, no Optimus Alive, actuações de O Verão Azul, Martinho Lucas Pires e o Deserto Branco, Asterisco Cardinal Bomba Caveira, Manuel Furia e os Naufragos, Os Capitães da Areia, Smix Smox Smux, Os Velhos, Feromona e Salto.
Posteriormente, pela noite, vamos ter a presença dos Alternadores do Disco: AD Os Golpes, AD Gonçalo Mendonça e AD Rui Pregal da Cunha, em que a musica portuguesa será a rainha da noite.
O Festival Optimus Alive 2011 realiza-se nos dias 6, 7, 8 e 9 de Julho de 2011 em Oeiras, no Passeio Marítimo de Algés. O preço dos bilhetes é de 50 Euros, 99 Euros ou 129 Euros, Bilhete Diário, Passe para os 3 dias ou Passe para os 4 dias, respectivamente.
Reportagem Shout Out Louds no Santiago Alquimista
Apr 9th
Concerto de uma noite de Verão
Foi numa noite de temperaturas altas (como têm sido todas) e céu limpo que os Shout Out Louds actuaram para um Santiago Alquimista minimamente composto (a cerca de meio gás), mostrando ao vivo aquilo que já mostravam em disco: nada de particularmente original ou impressionante, mas competência e energia mais que suficientes para fazer qualquer um esboçar um sorriso e abanar o corpo.
O concerto não foi talvez tão coeso como poderia ter sido (algumas músicas mais calmas quebraram o ritmo, perdendo a atenção do público), nem nunca se aproximou do memorável ou genial, mas nem todos os concertos têm de chegar a tal. Mais que competentes e com as suas canções meio pop meio rock, a banda sueca fez uma bonita e agradável festa, criando sorrisos facilmente visíveis no público quase sempre dançante (que teve, por si só, a coesão que faltou ao concerto: quando era para dançar, dançavam todos; quando tudo ficava mais calmo e a atenção se perdia, era assim com todos os presentes) e um ambiente de celebração. Não será certamente um dos concertos do ano nem ficará por muito na memória dos presentes, mas dificilmente alguém se terá arrependido de ter ido.
Desde logo tiveram um bom início, com 199”, primeira faixa de “Work”, o seu mais recente disco que foi lançado no ano passado, a proporcionar um arranque energético e quase eufórico. Aquele teclado funciona lindamente com aquelas guitarras, e aquele baixo funciona lindamente com aquela bateria; não são músicos geniais, mas sabem bem o que fazem. O quinteto funciona bem em palco, interpretando de forma sempre competente e sem falhas as canções que se em disco dão vontade de abanar a cabeça, ao vivo dão vontade de abanar tudo o resto.
Bastou o início para ver todo o público a balançar-se, num ambiente de agradável festa íntima e pessoal que viria a pautar todo o espectáculo. O alinhamento passou pelos três álbuns da banda e logo à segunda faixa veio South America, canção de Our Ill Wills, segundo álbum da banda lançado em 2007, que manteve o bom ritmo. Com a canção seguinte, a bela Very Loud, voltaram ainda mais atrás, ao longínquo ano de 2003, quando saiu o disco que os apresentou ao mundo: Howl Howl Gaff Gaff. Foram alternando constantemente entre discos, tocando menos do primeiro (como seria de esperar) e mais dos últimos dois, sucessos que os colocaram nos palcos um pouco por todo o mundo.
Algumas canções não resultaram tão bem, como por exemplo Your Parents Living Room, menos energética e mais melódica; mas mesmo os momentos menores foram bons, e mesmo com o público em alguns momentos a dedicar-se demasiado à conversa e não tanto à banda em cima do palco, nunca foram visíveis bocejos. Foi uma festa com os seus altos e baixos, em que os altos nunca roçaram o memorável e os baixos nunca se aproximaram do desperdício ou desilusão. O momento da noite foi, claro, aquele que se esperava: Tonight I Have To Leave It, aquela canção que em 2008 (salvo erro) tanto passou pelas nossas rádios e televisões graças a uma campanha da Optimus. 2008 não foi assim há tanto tempo, e isso foi visível: bastaram os primeiros acordes para o público ficar eufórico, passando esse sentimento para a própria banda, com o vocalista a dirigir-se ao público com o microfone no ar para que este cantasse “Give love!”, aquela frase que por cá tanto sucesso fez.
E, de facto, maior amor que aquele não se sentiu durante o resto da noite, que nunca conseguiu voltar a igualar aquela energia e comunhão banda-público que se viu à sétima canção, ia o alinhamento a meio. Talvez não seja a melhor música deles, mas é sem dúvida a que mais assente está nos nossos ouvidos e que, por isso mesmo, mais nos entusiasmou (a nós e aos estrangeiros de pele branca e cabelos louros presentes no público…).
Perto do final veio um belíssimo momento que só poderia resultar tão bem cá: You Are Dreaming, onde se canta “Where were you when we called the police? Were you ready to go home and hard to please? But no, you were in Portugal. So don’t go back to Stockholm no more”. O público conhecia a música, gostou de ver nela o seu país, e foi um momento simplesmente bonito, não particularmente energético nem dançável, mas apenas de comunhão e de significado. A própria banda parecia mais que contente por a tocar cá.
Não tardou muito após essa a saírem do palco para depois voltarem com um encore de duas músicas: Impossible e Walls. A primeira foi por si sí um dos momentos da noite, vertiginosa e de ritmo energético e constante, e a segunda não ficou muito atrás, tocada com todo o público naquele degrau antes do palco, aos saltos em pleno estado de festa. Belo momento, que terminou o concerto da melhor forma possível, após perto de hora-e-meia de boa música, sempre em ambiente de agradável festa.
Os Shout Out Louds vieram ao Santiago Alquimista e deram uma bela festa que quase nos fez acreditar que o Verão chegou mais cedo. Não chegou, mas fez uma rápida passagem por cá na noite passada.
Pelo meio do encore, a banda inseriu o refrão “Go back to Portugal!”, cantado pelo público com o vocalista de microfone no ar mais uma vez. No final, nós ficámos, mas eles voltaram para Estocolmo, levando o Verão e a festa com eles. Resta agora esperar que regressem e que tragam o Verão com eles. Quem foi desta vez certamente não se terá arrependido.
Há concertos assim: com espírito de Verão, de férias, de relaxamento e diversão. Não marcará certamente nenhum dos presentes, nem será um dos melhores do ano, mas há concertos que não precisam de ser nem uma coisa nem outra.