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Reportagem The Get Up Kids em Lisboa
Oct 22nd
O concerto dos The Get Up Kids foi o primeiro – pelo sim, pelo não – grande concerto a acontecer depois do anúncio do aumento do IVA no sector da Cultura. Pelos vistos, os portugueses começam já a fazer os seus próprios cortes e poupanças para o próximo ano, e deixaram a República da Música quase a um quarto da lotação para receber os americanos. Há escolhas e escolhas.
Para a primeira parte, os Moe’s Implosion mostraram que a música da margem sul vai além de Setúbal, vai pelo menos até ao Montijo. Apesar do público tímido, o quinteto não se deixou amansar. De forma bastante energética e com uma cumplicidade bastante particular daquele – claro – grupo de amigos, apresentaram “Light Pollution” o primeiro de longa duração que sucede o EP “Morning Wood”, ainda a estrear, mostrando-se bastante entusiasmados e divertidos em palco. Não podia faltar a única música até agora conhecida, Tip of the Tongue, e Doctor, dedicada com a maior sinceridade às pequenas organizadoras e pessoas que se esforçam por trazer música em que os grandes não pegam – por maior que essa música seja, como foi o caso dos The Get Up Kids.
À entrada, Matthew Pryor pediu desculpas pelo atraso de 16 anos em pisarem terras lusas, como se a culpa fosse deles.
Apesar dos anos de casa, os The Get Up Kids não têm uma discografia exorbitante, pelo que lhes foi bastante simples mostrar um pouco de tudo, não se focando unicamente à mostra do mais recente “There Are Rules”.
Começou-se um concertos que se sabia de antemão que seria nostálgico para muitos, reconfortante para outros, com Holiday e I’m a Loner Dottie, a Rebel de “Something to Write Home About”. Regent’s Court dá a conhecer os americanos de agora, e surpreendentemente ou não, parece que os fãs deixam o sing-along para o som mais antigo, não se mostrando totalmente a par das últimas novidades. A situação altera-se em No Love, do primeiro “Four Minute Mile”. Continuamos tímidos no entanto, muito levados pelo vazio da sala, pelo cansaço de uma quinta-feira à noite, ou demasiado focados nos anos 90 da banda e contentes por finalmente terem chegado até nós.
Por entre Red Letter Day e Woodson, o single Shatter Your Lungs, usado até à exaustão pelas rádios, volta a trazer uma acalmia. O crowdsurf foi deixado mais para o final, pela altura de um encore pouco esperado. Estávamos absolutamente rendidos à simpatia dos The Get Up Kids, que agradeciam constantemente. Shorty, Pararelevant e Holy Roman fizeram parte da lista das escolhidas, antes de Jim Suptic, o Mr. Kansas como Pryor o cognomeou, dar início à acústica Campfire Kansas, levando os irmãos Pope (Rob no baixo, e Ryan na bateria) a trocarem os seus instrumentos, um pela bateria e outro, a par de Pryor, pela pandeireta. James Dewees, teclista, ficou-se pelo seu canto.
Um momento bonito, ajudado pelo público quase emocionado. Para o final, Rememorable, Oh Amy e Walking on a Wire fizeram as despedidas, os votos de um regresso em menos de 16 anos, e as palmas para um encore não planeado.
De volta ao palco, os cinco reservaram-nos I’ll Catch You, Coming Clean e Ten Minutes dos dois primeiros álbuns. Mas a noite não ficava por aqui.
Prometida que estava a dança, voltam ao palco para um segundo encore, mais inesperado a outro nível. Quando Rob começa a dedilhar o baixo, em toda a sala se esboçaram sorrisos, com os acordes de Boys & Girls, dos Blur. Um fim de noite bastante animado, assim como tinha começado, com um público certeiro a acompanhar a voz de Suptic.
Agrada ver gente com vontade. Como disse João Sancho dos Moe’s Implosion, este concerto foi um risco que nem todos estão dispostos a correr.
Apesar da sala meia, os The Get Up Kids pareceram satisfeitos com o pequeno público que os acompanha, puxaram pessoas para o palco e nunca deixaram cair o seu concerto.
Esperamos que não falte outra década.
Reportagem MGMT – Lisboa
Dec 19th
Dia 18 de Dezembro, o Campo Pequeno recebeu os MGMT no seu regresso a Portugal, após dois longos anos e meio. A plateia esgotou e as bancadas estavam bem compostas, enquanto se aguardava a entrada da banda em palco.
Antes deles, os Smith Westerns abriram o palco. Uma banda jovem de Chicago, simpáticos e que canalizam a energia para as músicas que interpretam. Apenas meia hora chegou para mostrar que são uma banda merecedora de atenção.
O relógio marcava uns minutos depois das 22h quando as luzes se apagaram e a exaltação se instalou. Apresentações? Podem ser dispensadas, mas para quem não viu a banda a apresentar o seu álbum “Oracular Spectacular” - eleito pela NME como o melhor de 2008 - no Optimus Alive! de há dois anos (ninguém vos culpa, The National estava a tocar no palco principal), este era um concerto a não perder.
A não perder pelos fãs, por aqueles que os entendem, por todos aqueles que compreendem o segundo álbum, por todos os que sabem que a “Kids” não é tudo na vida dos MGMT e por aqueles que sabem que a “Siberian Breaks” (durante a qual muitos adormeceram, para além de terem saído do concerto a achar que durante esse tempo se tocaram quatro músicas diferentes) é muito mais um espelho do que os MGMT querem alcançar. A “Kids” é genial, sim, mas já lá vamos.
Depois de um cumprimento por parte de Andrew, “The Youth” fez as honras. Andrew e Ben, a juventude em pessoa, fazem música para graúdos. E não falo de idades. Ainda que os seus fãs sejam maioritariamente jovens, o público perfeito para temas como “Time to Pretend” e “Electric Feel”, foram temas como “The Handshake” ou mesmo “The Youth” (ambos ainda do primeiro álbum) que provaram no palco secundário do Optimus Alive! que têm muitos mais que se lhes diga do que uma mera combinação de notas que fica presa no ouvido. “Congratulations” assumiu por completo o rumo que já havia sido criado em “Oracular Spectacular” mas feito de uma maneira mais directa. E a verdade é que as actuações de MGMT ao vivo complementam todo o trabalho da banda ao criar cada álbum. Falo de tudo, desde luzes a vídeos, às interpretações em si e à maneira como as mesmas são feitas.
E assim foi mais uma vez. “The Youth” foi fantástica e no fim do tema, já Andrew tinha nas mãos uma bandeira portuguesa. “Time to Pretend” seguiu logo a seguir. Escusado é dizer que o público delirou, afinal de contas era um dos momentos mais esperados por todos. “Song for Dan Treacy” (sobre um cantor inglês dos anos 90 que serviu pena na prisão) manteve todos a dançar, antes de outro tema antigo: “Weekend Wars”. Mesmo sendo do álbum anterior, não arrebatou o entusiasmo que merecia, ainda para mais ao vivo, onde ganha – ainda mais – vida!
Andrew, tímido (ou absorvido?) tocou ferrinhos e pegou numa guitarra acústica para interpretar “I Found a Whistle”. A música fala disso mesmo: de um apito. Um apito que a certo ponto rima com pistola, numa letra que complementa a composição e vice-versa. A mistura dos mais diversos sons e instrumentos sempre teve um papel importante no trabalho dos MGMT. No novo álbum, tal aspecto foi ainda mais explorado e “I Found a Whistle”, por mais subtil que possa ser, é uma prova disso mesmo. No clímax da música, o enorme ecrã atrás da banda ganhou vida e vídeos com cores e jogos de ilusões e formas inundaram o recinto.
Propícia a mais delírios, “Flash Delirium” entra em cena. Sendo o tema que é – fantástico, digo –, seria de esperar que o público se deixasse levar mais. Mas para lá das primeiras filas, o entusiasmo não transparecia tanto. Continuando o sistema de alternar entre o álbum novo e o seu antecessor, começaram-se a ouvir os primeiros acordes de “Of Moons, Birds and Monsters”. E a quebrar o ciclo, veio então “Electric Feel”. O público ficou, sem dúvida, eléctrico (perdoem o trocadilho).
De máscara de Rudolfo, a Rena, o teclista desejou a todos um Natal Feliz. Banda de poucas palavras, todos os seus membros sabem que o espectáculo resulta muito melhor da maneira que é executado. Directo ao que interessa: a música. Que continuou com “It’s Working”, tema de abertura de “Congratulations”, mesmo antes de uma surpresa: “Destrokk”, um dos primeiros temas que os MGMT criaram. Data de 2005, tirado do EP “Time to Pretend”. As mãos no ar contavam-se pelos dedos, bem como as pessoas que conheciam o tema. Contudo, pelo final da interpretação, o tema já reunia um número de fãs que aumentara exponencialmente em 3 minutos.
No álbum, “Siberian Breaks” tem 12 minutos. Tocada ao vivo ronda o mesmo tempo. Um tema complexo, uma autêntica viagem por entre sons, instrumentos e combinações. Ao ouvir “Congratulations”, torna-se difícil distinguir o princípio e fim dos vários temas. E a beleza do álbum está nisso mesmo: no sucesso que foi ao ser criado como um todo, uma evolução, uma jornada. Assim, torna-se mais difícil ter-se temas tão independentes como “Time to Pretend”. Por isso não foi de admirar que metade do Campo Pequeno estivesse estática ao fim de 5 minutos, depois de terem pensado que a música já acabara pelo menos duas vezes. Mas não se preocupem, caros espectadores, pois eis que chega o momento alto da noite, pelo qual todos esperavam.
“Kids” não consegue entrar subtilmente numa actuação, e nem é isso que se pretende. A música é fenomenal de tão simples que é. Ao vivo ou em casa, é impossível ficar indiferente, digam o que disseram. Não tardará muito a que se torne num autêntico hino, ao lado de “Seven Nation Army” dos White Stripes ou “We Are the Champions” dos Queen. O desagrado da banda em relação ao público ir a concertos na mera esperança de a ver ao vivo, muito mais que às outras (sobretudo depois da recepção do novo álbum, que dividiu muitas opiniões) é no entanto evidente: já abandonaram um recinto em Londres sem ter tocado o tema, devido à falta de entusiasmo ou sequer interesse demonstrado pelos “fãs”.
Andrew e Ben a postos, tal como haviam feito no Optimus Alive!, cantavam lado a lado. Andrew limpou inclusive suor da testa do teclista que agora fascinava de guitarra eléctrica em mãos. O recinto saltava como se não houvesse amanhã, como se todos ali fossem crianças de novo, por 5 minutos. E isso não sabe tão bem?
Mas o que soube ainda melhor foi “Brian Eno” ter-se-lhe seguido. A homenagem da banda ao artista – que outra palavra usar para reunir tudo o que Eno é? – não só evidencia as suas admirações como desejos íntimos: «We're always one step behind him, he's Brian Eno. Brian Eno!». Antes dos últimos acordes, Andrew agradeceu a todos por terem vindo e tornado o espectáculo óptimo. A música terminou e a banda saiu.
Poucos minutos depois, estavam de volta. Andrew voltou a agradecer e elogiar o público por cantar tão bem. Isto porque durante o encore, só se ouviu… adivinharam: “Kids”! Com mais duas músicas para encher o ouvido, “The Handshake” foi a primeira. Palavras para quê? Os MGMT sabem o que fazem quando entram num estúdio, quando pisam um palco, quando tocam os instrumentos e quanto nos deliciam durante 10 minutos seguidos com instrumentais de mestre.
Para o fim, haveria melhor opção que “Congratulations”? Claro que não. A palavra era entoada pelos fãs de forma intensa, num agradecimento por mais um concerto assombroso. De sorriso nos lábios, a banda abandonou o palco então de vez, depois da dose de alucinação (no bom sentido) que havia proporcionado. Não é impossível de todo que alguém tenha passado na rua e tenha visto o Campo Pequeno a planar no ar sob um céu pintado com as cores do arco-íris, onde golfinhos com asas saltavam por entre nuvens que choviam gotas brilhantes multicolores.
Em 2008, os MGMT fizeram o palco secundário do Optimus Alive! crescer a olhos vistos perante um recinto mais que lotado.
Em 2010, levaram o Campo Pequeno numa viagem que poucos saberão apreciar como ela merece, mas decerto nunca irão esquecer. A quem conseguiu perceber o que estavam a presenciar, resta-nos esperar que a próxima vinda não demore tanto tempo outra vez.
Pendulum em Paredes de Coura
Jun 25th

O grupo australiano Pendulum vai estar presente no Festival de Paredes de Coura, no dia 29 de Julho. A informação foi avançada pelo vocalista do grupo, Rob Swire, através do twitter do mesmo. Chega assim ao fim as duvidas da actuação do grupo em terras portuguesas.
Iniciado em 2002, na Austrália, o grupo rapidamente transfere-se para o Reino Unido e em 2005 lança o álbum Hold You Colour. Segue-se então o álbum In Silico (2008) que os transporta para a ribalta, muito por culpa de musicas como Granite ou Propane Nightmares. Em 2010 lançam Immersion que chega a numero 1 do Top 40 no Reino Unido.
Depois de Glastonbury, T in The Park e Isle of Wright, os Pendulum chegam agora a Paredes de Coura!
No entanto, esta informação não foi ainda confirmada por parte da promotora do evento.
O preço do passe de 4 dias é de 70 Euros.
Alegria e emoção à flor da pele foi o que se sentiu na última quarta-feira no Pavilhão Atlântico, para a celebração de um dos concertos mais esperados para as hordas da música pesada.