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Reportagem Fujiya & Miyagi no MusicBox
Nov 13th
A segunda parte da rubrica MusicBox Series que visa proporcionar aos ouvintes lisboetas uma auscultação de alguns dos nomes emergentes no panorama internacional, e que irá reflectir a evolução de diferentes géneros musicais.
Não foi com espanto que a sala encheu com um público das mais diversas faixas etárias, chegando mesmo a esgotar apesar do infausto cancelamento para alguns de Peter Broderick, responsável pela primeira parte do concerto dos Fujiya & Miyagi, sendo este mais tarde substituído pela banda portuense, Swinging Rabbits.
FFFlecha, Jón Roque, Jonathan Tavares, Pedro Andrade e Sérgio Alves pisaram o palco do MusicBox por volta das 00:30 para a apresentação do primeiro EP da banda, "Tricks are for Kids", descrito pelos mesmos como um reflexo autobiográfico da experiência que é viver e sentir do crescimento que daí resulta. Inicialmente dois anos de DIY, produção e trabalho em progresso de quatro orelhas que mais tarde se multiplicaram e formaram mais uma banda com fortes influências das décadas de 70 e 80's com passagens notórias por sonoridades da Motown e pelo acid jazz sempre dançável de Jamiroquai sem esquecer uma ligeira mas interessante intervenção electrónica.
Apesar de curto, foi um concerto aprazível e ecléctico (por vezes demais), com tendências divergentes que suscitaram o interesse por parte do público, que apesar de se encontrar presente para os exímios e mais que experientes, Fujiya & Miyagi, não deixou de se movimentar ao ritmo funk dos Swiging Rabbits que pisaram pela primeira vez os palcos lisboetas.
Não passava muito da 01:00 quando, aguardados impacientemente pelo público, Fujiya & Miyagi entraram em palco, enaltecidos e fortemente aplaudidos pelos presentes para a apresentação do novo álbum "Ventriloquizzing", numa primeira vez da banda em Lisboa.
A banda oriunda de Brighton estreou-se por os nossos palcos com "Cat Got Your Tongue" do último álbum do ano de 2011, sucessor de "Lightbulbs", do qual fez uma breve passagem por "Uh" a ritmos sintéticos e vigorosos aos quais sempre nos habituaram. As revisões pelos albuns anteriores continuaram, neste caso com "Collarbone" e "In One Ear & Out The Other" sendo esta última do album de 2006, "Transparent Things".
Fujiya & Miyagi focaram o alinhamento no novo album como seria de esperar. As revisões foram constantes, as sonoridades sempre ecléticas e dançáveis tanto de uma forma coordenada como energética e compulsiva, com distorções de guitarra com as quais Steve Lewis (Fujiya) se divertia particularmente, e com um sorriso sempre presente em David Best (Miyagi) que parecia não estar à espera do entusiasmo evidente dos espectadores em qualquer parte de sala.
O ponto alto da noite surgiu já no encore com "Ankle Injuries" onde a banda se mostrou veemente e satisfeita pelo reconhecimento notável de músicas dos álbuns anteriores e pela aceitação e intensidade com que o público recebeu com agrado "Ventriloquizzing".
Improvisos ensaiados que deixaram o público soberbo e em êxtase, onde mais uma vez, David Best divagou pelo Music Box com as suas distorções de guitarra. Com sintetizadores e teclados ligados, a banda despediu-se do público com "Electro Karaoke" e "16?" sendo que as últimas três músicas foram interpretadas com fragmentos umas das outras, intersectadas num ambiente mais intenso e de grande consideração que não deixou ninguém imune.
Para o encerramento de mais uma noite do Music Box Series seguiu-se Tiago Santos em DJ Set com passagens pelo soul e reggae que incitaram a sala para o encerramento da Heineken Series #2.
Mark Lanegan no Porto e em Lisboa
Nov 7th
O artista norte-americano Mark Lanegan vem a Portugal para apresentar o seu mais recente trabalho, "Blues Funeral".
O cantor irá actuar a 30 de Março no Hard Club e no dia seguinte, 31 de Março, na sala TMN ao Vivo.
Os bilhetes vão estar à venda a partir de amanhã, 8 de Novembro, pelas 10h00.
O concerto irá ter inicio pelas 21h00.
| Preços | Locais de Venda |
|
20€ |
Locais Habituais |
Reportagem The Antlers em Lisboa
Nov 6th
O Festivais de Verão assistiu, na passada quinta-feira (3 de Novembro), a uma noite estreante de sucesso para os The Antlers, que, na sua primeira atuação em Portugal, produziram um concerto coerente, envolvente e de enorme qualidade. Uma Lisboa assolada por condições climatéricas menos favoráveis não conseguiu forçar a mão da grande fila que esperava ansiosamente à porta do Lux pelos fantásticos nova-iorquinos, que acabaram por retribuir a boa fé portuguesa com boa música.
Sem banda de abertura, e apesar de um atraso considerável, Peter Silberman e companhia deram uma entrada silenciosa no palco do Lux, rodeado por uma sala cheia. "Parentheses" foi o tema escolhido de abertura, escolhido a dedo do mais recente Burst Apart, e assim começa a melancólica, mas reconfortante viagem musical, marcada por uma crescente influência electrónica do recente material dos artistas. Burst Apart demarca-se do aclamado Hospice (2009) não por ser menos deprimente (oxalá o fosse), mas sim por ser mais expansivo e harmonioso.
"No Widows" e "I Don't Want Love" são excelentes exemplos disto: é uma vertente pop que se associa ao indie rock intimista e sorumbático dos nova-iorquinos e que não deixa indiferente um público mais velho contidamente entusiástico. De facto, as letras e melodias do recente esforço, parte considerável da setlist do concerto, já pareciam estar na ponta da língua dos portugueses – o que é de louvar, visto sofrer um pouco do síndrome segundo álbum, especialmente por suceder a um álbum tão acalmado como Hospice.
Se a recepção agradou à banda nova-iorquina, esta pouco o demonstrou, mantendo a comunicação com o público num mínimo. Silberman, o porta-voz e alma torturada de excelência dos The Antlers, encantou com o seu falsetto emocional, ganhando toda uma nova presença em palco que não possui em disco – o que contribuiu para o impacto emocional da guitarrada quer metódica, quer assoladora, e para a construção de um ambiente íntimo que embalou e abarcou o público português. Os temas de Hospice não falharam: "Kettering" e a aplaudida "Bear" são suaves e imensamente tristes e aliadas à simbólica "Every Night My Teeth are Falling Out" fazem os momentos da noite.
"Queremos agradecer à British Airways por terem reavido metade do nosso material quinze minutos antes de vocês chegarem", brinca Darby Cicci, o multi-instrumentalista encarregue das teclas. Foi, de facto, um percalço que podia ter impedido esta fantástica noite de música de ter acontecido, mas ainda bem que não o fez, uma vez que fomos presenciados com momentos cada vez melhores à medida que esta terminava. "Putting the Dog to Sleep" é interrompida por um Silberman emocionado e espantado com a adesão dos seus fãs, "Corsicana" é devastadoramente bela, como um murro no estômago e "Sylvia" acaba por fechar a noite numa nota alta, que serve um testemunho à qualidade musical dos The Antlers.
Podem não ser os músicos mais criativos do panorama musical, mas o que fazem é honesto e vem de dentro – atributo que nunca passa despercebido. Daí que esta primeira experiência em Portugal tenha sido um absoluto sucesso... e esperemos que voltem em breve.
Reportagem Yes no Coliseu dos Recreios
Nov 5th
Casa praticamente lotada a 3 de Novembro no Coliseu dos Recreios em Lisboa, para o primeiro espectáculo da tour europeia dos britânicos Yes. Pela segunda vez na história da banda sem Jon Anderson, Chris Squire conseguiu encontrar um substituto à altura em Benoît David, através de vídeos da sua banda de tributo aos Yes, Close To The Edge.
Início de luxo com "Yours Is No Disgrace", "Tempus Fugit", e "I've Seen All Good People", com o veterano Steve Howe a mostrar o seu virtuosismo na guitarra. Seguiu-se "Life On A Film Set", naquela que foi a primeira incursão pelo recentíssimo Fly From Here, para logo depois se regressar a um passado longínquo com "And You And I" da obra Close To The Edge, um dos álbuns mais marcantes da banda.
Mas nem todos os temas podem ser retirados da nostalgia do século XX. Como tal, após um belíssimo interlúdio com solo acústico de Steve Howe, altura de mergulhar profundamente no novo álbum com o tema que lhe dá nome, "Fly From Here". O concerto viria a terminar com "Owner Of A Lonely Heart",
"Machine Messiah" e "Starship Trooper", mas não sem que o quinteto regressasse ao palco para presentear a plateia lusa com "Roundabout", para fechar uma actuação de duas horas e meia.
Depois de mais de quarenta anos a fazer música, os Yes acumularam experiência, e sabem como ninguém organizar um alinhamento inteligente, que nos leva numa viagem interminável pelo rock sinfónico.
Foi um concerto para assistir sentado e aplaudir de pé.
Reportagem Tom Vek e Old Jerusalem – Jameson Urban Routes 2011
Nov 1st
No quarto e penúltimo dia do destacado Jameson Urban Routes, festival com um cartaz ambicioso, a decorrer no Musicbox que inclui alguns dos mais importantes nomes da nova música de fusão/ urbana e por onde já passaram artistas como Jacques Green, Michachu e Health, foi dia 28 de Outubro, a vez de Thomas Timothy Vernon-Kell ou se preferirem Tom Vek dar vida ao Cais do Sodré com a apresentação do seu último álbum "Leisure Seizure", sucessor de "We Have Sound" do ano de 2005.
Já a primeira parte ficou nas mãos Old Jerusalem, projecto a solo de Francisco Silva que ao longo de 50 minutos deambulou pela sua curta mas aprazível discografia. One man band com uma guitarra acústica foram o suficiente para criar um ambiente modesto e inocente sem ornatos nem enfeites. Um contador de histórias, diz Francisco Silva que fez questão de indicar o príncipio e a matriz de todas as suas canções onde salientou o sexo e frades como é o caso de "Tyndale and Augustines". Old Jerusalem optou por finalizar o seu set com uma composição não da sua autoria mas sim de Francisca Cortesão (Minta) intitulada de "From the Ground".
É, infelizmente de referir que espaço foi tomado por uma sala de convívio por parte do público que não permitiu a apreciação total de um concerto que poderia ter sido tomado em maior consideração.
Seguiu-se Tom Vek fortemente aplaudido pelo público que mostrou o devido reconhecimento da discografia do londrino que pisou pela primeira vez os palcos portugueses. "C-C (You Set Me on Fire)", um dos singles do "We Have Sound" foi a escolhida para abrir um concerto repleto de energia tanto pela parte do público como do palco.
Vek focou o alinhamento no novo album, "Leisure Seizure" revendo algumas do anterior como é o caso da "If You Want" e "I Ain't Saying my Goodbyes" ao apresentar-se num registo impetuoso e dançável que atingiu o seu auge na "Someone Loves You". O ponto alto da noite foi já na expectável "Nothing But Green Lights" que provocou o arrebatamento e extâse pela parte do público.
A interacção na pequena sala do Cais do Sodré entre o artista e o público tornou-se óbvia sempre que Vek gesticulava de uma forma compulsiva e desordenada ao ritmo das suas próprias composições sem esquecer o sorriso na cara.
Para o encerramento de um notável concerto de uma hora, Tom Vek decidiu despedir-se português com "Aroused", num concerto que não deixou ninguém parado.
Ainda a noite não tinha terminado quando Joakim, Dj eclético oriundo de França e Rui Murka, Dj Residente, estimularam a sala para o fim de mais uma noite do Jameson Urban Routes.
Reportagem Festival Ecos do Sado 2011
Nov 1st
O Festival Ecos do Sado teve no passado fim de semana a sua segunda edição, dois anos após a edição de estreia.
O evento espalhou-se pelo que se pode considerar que sejam as três principais salas de concertos do underground setubalense neste momento. A Ecos tem sido uma das principais forças de organização de concertos em Setúbal, liderada pelo incansável João Miguel Fernandes, responsável também pelo recém estreado documentário "Setúbal Tem Alma Musical". Numa altura em que a afluência aos concertos na cidade tem ficado um pouco aquém da ambição, o momento de abertura deste festival passou o teste: Os Surveillance, duo composto por Tiago Martins (ex-Porn Sheep Hospital, Ella Palmer) e Inês Lobo, contaram com uma casa bem composta no bar ADN. O que se ouviu durante os 20 minutos do concerto foi um rock experimental maioritariamente conduzido pelo baixo – naturalmente simples e directo, apesar das referências noise e math. O verdadeiro descolar do concerto esteve no último tema, com o convidado Gonçalo Duarte dos Lydia's Sleep a acrescentar uma muito bem vinda camada de ruído de guitarra.
Aos Gato Por Lebre e aos Common Fluid, relativamente desconhecidos por estas bandas, coube a ingrata tarefa de evitar a debandada de um público desinteressado, lutando contra os problemas técnicos que foram surgindo. Os primeiros conseguiram entreter uma pequena parte do público com o seu indie-rock-tradicional-português (ver Diabo Na Cruz, Os Pontos Negros), ao passo que os segundos debitaram um rock alternativo à moda de Seattle.
Por último, e para uma plateia mais reduzida do que aquela que iniciou a noite, estiveram os Lydia's Sleep, uma banda que sofreu algumas metamorfoses ao longo do último ano. Os intercâmbios saudáveis com os portuenses Equations e os lisboetas I Had Plans trouxeram os setubalenses para longe do pós-rock melancólico da sua encarnação anterior, e para as praias do pós-hardcore e math-rock. Não é de admirar portanto que o reportório até agora conhecido, que os consagrou vencedores de ambos os prémios do Concurso de Bandas de Setúbal no princípio deste ano, tenha ficado de lado para este concerto.
Embora a duração do concerto tenha sido curta, por culpa de alguns atrasos, os rapazes mostraram que os novos temas estão sérios e vão dar que falar quando forem gravados.
Nota: A ausência da crítica ao concerto de Ella Palmer deve-se ao facto de o repórter ser elemento da banda.
A abrir as hostes do segundo dia, na Capricho Setubalense, estiveram os Wind Koala. Esta é uma das novidades no panorama setubalense, composta por membros dos defuntos Red Smoking Indians. Num concerto de apenas 15 minutos, os jovens apresentaram três temas de um indie pop barulhento e acelerado, actual e fresco, repleto de sintetizadores e ritmos dançáveis. Os Wind Koala tiveram a sua estreia ao vivo apenas uma semana antes deste concerto e contam com apenas 3 meses de existência, pelo que o caminho até agora se avizinha promissor.
Para os Deception Point, também de fora de Setúbal, temia-se uma debandada semelhante à do dia anterior, mas conseguiram combater a predisposição do público para a apatia. Apesar de alguns problemas com o som, entregaram de forma bastante sólida o seu rock duro com toques de prog.
Os Blame The Skies são uma das principais novas esperanças da cidade de Setúbal, e também os sucessores mais directos da escola dos More Than a Thousand e Hills Have Eyes. O que os destaca destes dois colossos do peso nacional são as guitarras virtuosas e um jogo de vozes mais elaborado – há duas variedades bastante distintas de grito e ainda os refrões melódicos do baterista Diogo Miguel a fazer lembrar Aaron Gillespie dos Underoath. Este é um dos pontos em que os Blame The Skies se destacam de outras bandas do género: a distribuição do trabalho vocal por três vocalistas (dois deles dedicados) faz com que nunca percam o fôlego. Os temas do EP "Home For Courage", produzido por Vasco Ramos (More Than A Thousand), podem ainda não ter uma diversidade à altura das capacidades da banda, mas as novas músicas apresentadas alargam o espectro estilístico dos Blame The Skies para extremos mais pesados e também mais leves. Haja dinheiro para gravar álbum.
Seguem-se os Moe's Implosion do Montijo, à beira do lançamento do primeiro álbum de originais, "Light Pollution" (a ser editado pela Raging Planet ainda este ano). Ao funk-metal de antigamente, os Moe's Implosion apuraram as sensibilidades melódicas e juntaram uma injecção de prog espacial, como o que se ouve na abertura do concerto com "Space Fado", mas também de riffs mais pesados a roçar o nu-metal (é bom ver que ainda existe quem apoie a causa). Num concerto que consistiu principalmente em músicas do álbum de estreia, ainda houve tempo para relembrar "Fat Phony Chicks" do EP Morning Wood, seguida de uma versão de "Feel Good Hit Of The Summer" dos Queens of the Stone Age. A energia em palco continua explosiva como sempre, e a interpretação das músicas foi a de uma banda muito coesa e segura. A fechar esteve o novo single "Tip Of The Tongue", com uma força superior à da gravação.
O último dia da segunda edição do Festival Ecos do Sado realizou-se à tarde no salão nobre do Club Setubalense e foi a derradeira surpresa do fim de semana, com uma casa muito bem composta. No início da tarde tocou Diogo Marrafa, um jovem habitué dos concertos da cidade por mão de várias bandas rock, mas desta vez em nome próprio. Apesar de alguma insegurança inicial terá conseguido estabelecer a empatia necessária com a sala para dar vida às canções acústicas que até agora eram um talento desconhecido do rapaz.
Por alteração de horários, Azevedo Silva, um dos dois nomes grandes do dia, actuou em segundo lugar, acompanhado de outro guitarrista e uma violinista. Directamente da linha de Sintra, a sua postura relaxada de comediante stand-up contrastou com o desfile de canções urbano-depressivas. O alinhamento, composto por temas fortíssimos dos três albuns a solo, não deixa margem para dúvidas: este é um artista cuja (injusta) ausência de apelo mainstream se deve apenas à negritude das canções. Como ele próprio comenta ao olhar para a setlist, o único título que evoca alguma pálida sugestão de alegria é "carrossel". Nem todas as pessoas que se deslocaram ao Club Setubalense nesta tarde de domingo esperavam ouvir refrões amargos como "sabe a pouco o que a vida nos reservou", de "A Morte", mas poucos terão ficado indiferentes. Os ânimos subiram com "Manel Cruz e a Canção da Canção Triste", perto do final, muito por culpa dos ritmos digitais acrescentados. Talvez seja esse o segredo para o eventual sucesso comercial do cantautor – uma secção rítmica para disfarçar um bocadinho a tristeza.
Em seguida actuaram os Kalafate, um projecto jovem de Setúbal que estava inicialmente programado para dar início ao espectáculo. Os temas envolviam experiências entre o blues e a música tradicional portuguesa, com uma interpretação simples e nem sempre certa. No final, o concerto incluiu ainda uma colaboração com o Charroco da Profundura (uma espécie de Zé Povinho de Setúbal, sustentado pelo Facebook), com gravações vocais que acompanhavam um instrumental da banda. Sendo um projecto tão verde, o concerto pecou pelo enquadramento entre dois artistas de nível – talvez a abrir o dia pudessem ter sido uma surpresa mais agradável.
Por fim, aquela que foi provavelmente a jóia da coroa do Festival Ecos do Sado, Rui Carvalho, também conhecido por Filho da Mãe. O guitarrista dos If Lucy Fell que em nome próprio se faz acompanhar apenas por uma guitarra clássica é neste momento um dos maiores virtuosos do país. Como é que um concerto em que a única voz é uma guitarra clássica é suficiente para prender a atenção de um salão nobre repleto de jovens e velhos nos dias que correm? Com um álbum verdadeiramente genial como é o "Palácio" (Rastilho, 2011), recheado de músicas épicas, que cruzam o clássico com o novo. No final do concerto, após um aplauso que parecia nunca mais acabar, o Filho da Mãe disse não ter mais músicas para tocar, e ameaçou "vocês não sabem onde é que se meteram", antes de se lançar num improviso noise carregado de loops e reverberação, para trazer o punk de volta à guitarra.
O aplauso voltou e o festival terminou em beleza, marcando pontos pelo ecleticismo que foi, em boa parte, recebido de braços abertos pelo público.
É de altos e baixos que se fazem as experiências culturais para remar contra a crise neste sector.
Fica a organização de parabéns, Setúbal vive.
Panda Bear no Porto
Oct 31st
Panda Bear regressa a Portugal para um concerto no Porto, a 4 de Dezembro.
O local escolhido será a Casa da Música e o Noah Lennox vem ao nosso país apresentar o seu mais recente trabalho, "Tomboy", editado em Abril deste ano.
Os bilhetes já se encontram à venda e o espectáculo terá inicio pelas 22h00.
| Preços | Locais de Venda |
|
20€ |
Locais Habituais Casa da Música |
Xutos & Pontapés no Campo Pequeno
Oct 31st
Os Xutos & Pontapés voltam a actuar no Campo Pequeno, no dia 10 de Dezembro.
Este concerto marca um regresso a este local depois de, em 2007, terem celebrado o 20º aniversário do álbum "Circo de Feras" com dois concertos.
A actuação está prevista para as 21h30 e os bilhetes já se encontram à venda.
| Preços | Locais de Venda |
|
20€ |
Locais Habituais |
Reportagem The Get Up Kids em Lisboa
Oct 22nd
O concerto dos The Get Up Kids foi o primeiro – pelo sim, pelo não – grande concerto a acontecer depois do anúncio do aumento do IVA no sector da Cultura. Pelos vistos, os portugueses começam já a fazer os seus próprios cortes e poupanças para o próximo ano, e deixaram a República da Música quase a um quarto da lotação para receber os americanos. Há escolhas e escolhas.
Para a primeira parte, os Moe’s Implosion mostraram que a música da margem sul vai além de Setúbal, vai pelo menos até ao Montijo. Apesar do público tímido, o quinteto não se deixou amansar. De forma bastante energética e com uma cumplicidade bastante particular daquele – claro – grupo de amigos, apresentaram “Light Pollution” o primeiro de longa duração que sucede o EP “Morning Wood”, ainda a estrear, mostrando-se bastante entusiasmados e divertidos em palco. Não podia faltar a única música até agora conhecida, Tip of the Tongue, e Doctor, dedicada com a maior sinceridade às pequenas organizadoras e pessoas que se esforçam por trazer música em que os grandes não pegam – por maior que essa música seja, como foi o caso dos The Get Up Kids.
À entrada, Matthew Pryor pediu desculpas pelo atraso de 16 anos em pisarem terras lusas, como se a culpa fosse deles.
Apesar dos anos de casa, os The Get Up Kids não têm uma discografia exorbitante, pelo que lhes foi bastante simples mostrar um pouco de tudo, não se focando unicamente à mostra do mais recente “There Are Rules”.
Começou-se um concertos que se sabia de antemão que seria nostálgico para muitos, reconfortante para outros, com Holiday e I’m a Loner Dottie, a Rebel de “Something to Write Home About”. Regent’s Court dá a conhecer os americanos de agora, e surpreendentemente ou não, parece que os fãs deixam o sing-along para o som mais antigo, não se mostrando totalmente a par das últimas novidades. A situação altera-se em No Love, do primeiro “Four Minute Mile”. Continuamos tímidos no entanto, muito levados pelo vazio da sala, pelo cansaço de uma quinta-feira à noite, ou demasiado focados nos anos 90 da banda e contentes por finalmente terem chegado até nós.
Por entre Red Letter Day e Woodson, o single Shatter Your Lungs, usado até à exaustão pelas rádios, volta a trazer uma acalmia. O crowdsurf foi deixado mais para o final, pela altura de um encore pouco esperado. Estávamos absolutamente rendidos à simpatia dos The Get Up Kids, que agradeciam constantemente. Shorty, Pararelevant e Holy Roman fizeram parte da lista das escolhidas, antes de Jim Suptic, o Mr. Kansas como Pryor o cognomeou, dar início à acústica Campfire Kansas, levando os irmãos Pope (Rob no baixo, e Ryan na bateria) a trocarem os seus instrumentos, um pela bateria e outro, a par de Pryor, pela pandeireta. James Dewees, teclista, ficou-se pelo seu canto.
Um momento bonito, ajudado pelo público quase emocionado. Para o final, Rememorable, Oh Amy e Walking on a Wire fizeram as despedidas, os votos de um regresso em menos de 16 anos, e as palmas para um encore não planeado.
De volta ao palco, os cinco reservaram-nos I’ll Catch You, Coming Clean e Ten Minutes dos dois primeiros álbuns. Mas a noite não ficava por aqui.
Prometida que estava a dança, voltam ao palco para um segundo encore, mais inesperado a outro nível. Quando Rob começa a dedilhar o baixo, em toda a sala se esboçaram sorrisos, com os acordes de Boys & Girls, dos Blur. Um fim de noite bastante animado, assim como tinha começado, com um público certeiro a acompanhar a voz de Suptic.
Agrada ver gente com vontade. Como disse João Sancho dos Moe’s Implosion, este concerto foi um risco que nem todos estão dispostos a correr.
Apesar da sala meia, os The Get Up Kids pareceram satisfeitos com o pequeno público que os acompanha, puxaram pessoas para o palco e nunca deixaram cair o seu concerto.
Esperamos que não falte outra década.
