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Reportagem Yes no Coliseu dos Recreios
Nov 5th
Casa praticamente lotada a 3 de Novembro no Coliseu dos Recreios em Lisboa, para o primeiro espectáculo da tour europeia dos britânicos Yes. Pela segunda vez na história da banda sem Jon Anderson, Chris Squire conseguiu encontrar um substituto à altura em Benoît David, através de vídeos da sua banda de tributo aos Yes, Close To The Edge.
Início de luxo com "Yours Is No Disgrace", "Tempus Fugit", e "I've Seen All Good People", com o veterano Steve Howe a mostrar o seu virtuosismo na guitarra. Seguiu-se "Life On A Film Set", naquela que foi a primeira incursão pelo recentíssimo Fly From Here, para logo depois se regressar a um passado longínquo com "And You And I" da obra Close To The Edge, um dos álbuns mais marcantes da banda.
Mas nem todos os temas podem ser retirados da nostalgia do século XX. Como tal, após um belíssimo interlúdio com solo acústico de Steve Howe, altura de mergulhar profundamente no novo álbum com o tema que lhe dá nome, "Fly From Here". O concerto viria a terminar com "Owner Of A Lonely Heart",
"Machine Messiah" e "Starship Trooper", mas não sem que o quinteto regressasse ao palco para presentear a plateia lusa com "Roundabout", para fechar uma actuação de duas horas e meia.
Depois de mais de quarenta anos a fazer música, os Yes acumularam experiência, e sabem como ninguém organizar um alinhamento inteligente, que nos leva numa viagem interminável pelo rock sinfónico.
Foi um concerto para assistir sentado e aplaudir de pé.
Reportagem Sum 41 – Lisboa
Feb 18th
Após oito anos desde a primeira atuação em terras lusas, os Sum 41 voltam em nome próprio para um concerto explosivo num quase lotado Coliseu dos Recreios. Nostalgia é a palavra de ordem para os eternos adolescentes, que aproveitam para apresentar o seu novo esforço musical, Screaming Bloody Murder, com data de lançamento para este ano, aos fãs devotos do punk rock açucarado.
Porém, antes de isso coube aos Fitacola abrir a noite do espetáculo. Oriundos de Coimbra, os portugueses souberam entreter um público sedento de música, apesar das claras deficiências tanto da composição das suas criações, como da execução das mesmas. Os Fitacola são constituídos por 4 elementos, presos no género há mais que estagnado do pop punk com “ambições” – e se à plateia recheada de jovens tudo lhes agrada, para os mais graúdos fica clara a falta de originalidade da bagagem musical destes artistas. Estes não apresentam nada que não se tenha ouvido vezes sem conta, nem compensam, infelizmente, com o brio técnico do manuseamento dos instrumentos, falhando várias vezes nos solos de guitarra emotivos de uma juventude perdida. “Nós só queremos tocar”, afirmava o vocalista - fica para uma próxima oportunidade.
Entre os clássicos do hard rock, como os de AC/DC, e os gritos apaixonados dos fãs entusiastas, dá-se a entrada dramática da banda canadiana. Liderados pelo pequeno em estatura, mas grande em chefia da hoste, Deryck Whibley, os Sum 41 não hesitaram em abrir um concerto impetuoso com poucas pausas para respirar. A divertida ‘My Direction’ foi a escolhida para começar, seguindo-se de um tema novo, intitulado de ‘Skumfuk’, e a agressiva ‘We’re All To Blame’, temas que agitaram prontamente os inúmeros jovens que se faziam apertar nas filas dianteiras. Tamanha é a sede de tudo o que tenha a ver com os seus ‘heróis’ que os fãs não são capazes de conter o seu entusiasmo quando Whibley escolhe alguns sortudos para assistirem ao concerto no palco.
Porém, um defeito que podemos apontar à música dos canadianos é a inconsistência na abordagem da sua sonoridade. Aparecendo no panorama musical comercial americano no início dos anos 0, os Sum 41 destacavam-se de uns Green Day ou uns Blink 182 por um charme característico de serem incapazes de se levarem a sério, o charme de quatro miúdos patetas que adoravam a música metal. A partir do momento em que largaram esta abordagem e decidiram enveredar pelos caminhos sinuosos de um pop punk mais agressivo, acompanhados por uma ‘integridade’ musical, o conjunto deixou à vista as carências musicais de um género que se tornou célebre não pela competência e qualidade musical, mas sim pela possibilidade de identificação com a imagem de jovens incompreendidos e rebeldes. Ora, despidos de carisma, é possível ver que os Sum 41 são pouco memoráveis, apesar de eficazes a animar e entreter. ‘Walking Disaster’, ‘Over My Head’ e a recente ‘Screaming Bloody Murder’ são alguns exemplos de temas explosivos e bem executados tecnicamente, mas que não têm muita substância.
Apesar de alguns clichés na performance dos artistas, nomeadamente nos pedidos de um entusiasmo ainda maior dos fãs, e do pequeno interregno metal (‘Metal Mayhem’) que viu o mostruário das habilidades do guitarrista Tom Thacker na interpretação de temas de Metallica e Iron Maiden, o concerto decorreu com fluidez, passando por vários dos maiores hits da banda, como ‘Underclass Hero’ e ‘Still Waiting’. No entanto, é em ‘In Too Deep’ que os portugueses se agitam de forma notória, saltando, esbracejando e vociferando em plenos pulmões as letras de um tema com quem todos se identificam, certamente.
Não é de estranhar, então, que quando se dá a pausa do encore, os admiradores portugueses entoem o nome da banda, com uma ansiedade contagiante pelo retorno dos artistas. Whibley volta, então, pouco depois, para interpretar a emocional ‘Pieces’ – talvez o tema mais Coldplay do seu repertório. O momento alto da noite ficou-se por ‘Fat Lip’, um dos hinos mais ouvidos do pop punk do início do século, que mostrou sobreviver ao teste do tempo pela adesão com todo o coração de quem a ouvia. Por último, os Sum 41 ficaram-se por ‘Pain for Pleasure’, um tema que serve de paródia aos temas clássicos de metal dos anos 80, cantado pelo baterista Steve ‘Stevo32’ Jocz.
Foi, então, um concerto animado dos canadianos que, apesar de já estarem quase na casa dos trinta, se mostram tão jovens como os adolescentes que ainda os idolatram.
Reportagem Rise Against – Lisboa
Jul 7th
Num abrasador 6 de Julho, o Coliseu abriu as portas para um espectáculo intensamente esperado. Rise Against eram o nome principal e Fitacola a banda de abertura.
Às 21h em ponto, o grupo português pisou o palco sob uma chuva de aplausos e gritos entusiásticos do nome da banda. Seguiu-se meia hora de alguns moshpits, saltos e muitas palmas. Mas eram Rise Against por quem o público aguardava. É inegável o grande número de fãs que existe em Portugal: até o vocalista dos Fitacola confessou já ter o bilhete comprado quando lhe ligaram a fim de lhe propor a actuação na primeira parte.
O número de presentes crescia. Os Rise Against não conseguiram encher o recinto, mas estiveram perto. Pelas 22h, as luzes apagaram-se e o Coliseu (pelo menos a parte que estava sentada a guardar e recuperar energias) levantou-se e a euforia tomou conta do espaço. Corpos semi-nus abriam caminho para chegar à frente, onde o calor se tornava quase insuportável. Aplausos e palmas receberam a banda de Chicago, que já puxava pelo público, aos saltos.
Passaram-se 7 anos. É demasiado tempo, afirmou o vocalista Tim McIlrath. Apesar disso, Portugal não foi esquecido pela banda, assegurou. Desde a primeira e última vez em Portugal, em 2003, os fãs passaram por mais três álbuns que certamente contavam ver ao vivo. E assim foi, já que não houve qualquer vestígio do álbum de estreia de 2001, The Unraveling.
Collapse (Post-Amerika) fez as honras. O público reorganizava-se e por toda a parte se viam grupos de amigos a dançar, com uma alegria e energia contagiantes. State of the Union acelerou o ritmo ainda mais. Tim apanhou uma bandeira portuguesa em pleno voo, que colocou na guitarra, onde permaneceu até ao final. A empatia entre banda e público era evidente. Re-Education (Through Labor), a seguinte, foi uma entre muitas favoritas que se lhe seguiriam.
Espalhados pela plateia em pé e pelas bancadas laterais (quase cheias), os fãs entoavam as letras sem falhas e agitavam os punhos no ar. Gritavam “Rise”, a pedido da banda, após uma estimulante The Good Left Undone. Enquanto t-shirts voavam pela audiência, os moshpits não cessavam e os crowdsurfings abundavam, Zach Blair apresentou breves solos de guitarra capazes de contagiar qualquer um, como foi o caso durante Drones.
Audience of One foi dedicada ao público mas seria Savior uma das protagonistas. A letra não falhou a ninguém e as bancadas esvaziaram um bocadinho, numa espécie de êxodo cujo destino era o centro do recinto. Feliz por voltar a Portugal, Tim expressou a admiração da banda relativamente ao historicismo da cidade lisboeta, em oposição à falta do mesmo na sua cidade. O desagrado perante as centenas de McDonald’s e Starbucks por ela espalhados era evidente e o facto de a nossa história ter sobrevivido encantava-o. E foi mesmo Surviver que seguiu na lista.
Prayer of The Refugee assinalou outro ponto alto, antes de um breve encore. O Coliseu tremia e abanava debaixo de centenas de pés aos saltos e palmas vigorosas, mas por momentos pareceu transformar-se num estádio, recheado de cânticos em homenagem ao Benfica. Gostos e clichés culturais postos de lado, a audiência recebeu de novo Tim, desta voz sozinho. O vocalista cantou Swing Life Away – que lhe trazia recordações de Verão – perante um mar de corpos que balouçavam ao som da música, com isqueiros a acompanhar aqui e ali. O tom mais calmo do concerto manteve-se com Hero of War – durante a qual os restantes membros entraram – interpretada com uma emoção que se fez sentir em todos e cada um dos presentes.
Antes de Entertainment, Tim agradeceu a todos os que ali se encontravam, a toda a lealdade ali demonstrada, sobretudo no cartaz gigante colocado nas grades em frente ao palco. O tema acelerou a multidão, mas foi Give it All que voltou a atingir novos picos de energia. Foi então que os primeiros tons da última música se fizeram ouvir. Ready to Fall entrou em cena sob luzes laranjas, em jeito de pôr-do-sol para um concerto que chegava ao fim.
Rise Against conseguiram esgotar saltos, assobios, gritos e aplausos e a promessa de um encontro em breve foi proferida por Tim.
Reportagem Joss Stone
Feb 16th
Pelas 21 horas do dia 15 de Fevereiro, o aniversariante Miguel Gameiro pisou o palco do Coliseu dos Recreios para fazer a primeira parte da actuação de Joss Stone. Depois de uns “Parabéns” cantados pelo público que crescia a cada minuto que passava, a actuação teve início.
Um público ansioso pela artista britânica entoou a plenos pulmões canções como “Lisboa” – que teve direito a uma repetição do refrão no final, graças à força dos lisboetas presentes – e “A Dança”, na qual o artista passeou pelo meio da plateia, onde dançou e mostrou a sua boa-disposição.
Às 22 horas foi altura da esperada britânica Joss Stone pisar o palco, literalmente. A artista apresentou-se descalça, simples e bem-disposta, como sempre. Desde a primeira palavra, a artista arrepiou com a sua voz, que ao vivo tem ainda mais vigor e deixa qualquer um de boca aberta perante tal força, alma e entrega com que entoa os temas.
Um Coliseu a rebentar pelas costuras dançou e cantou “Super Duper Love (Are You Diggin' On Me?)”, à qual se seguiu o novo single “Free Me”, que vinha bem estudado pelos fãs. Durante a “Tell Me What We're Gonna Do Now”, Joss recebeu dois pendentes de fãs devotos e que durante todo o espectáculo mostraram a sua fidelidade.
.A artista apresentou temas de todos os seus álbuns, deu conselhos, explicou letras. Em “Less is More”, a britânica, sempre de sorriso nos lábios, falou-nos – não, cantou-nos – de como por vezes se ama com força a mais e como temos de «chill out». Revelou-nos como por vezes adora apenas drum n’ bass e dançou com uma leveza impressionante. Antes de “Music”, confessou que o melhor namorado que já teve foi mesmo esse: a música. A sua paixão e a alma que coloca em cada um dos seus temas, desde a letra à forma como os canta nas suas actuações não passam despercebidas a ninguém e uniram o público e a banda de uma forma que só quem esteve presente consegue imaginar. Mesmo sem dizer uma palavra em português, Joss encantou e ninguém lhe conseguiu resistir.
Os ocasionais solos das cantoras de fundo deixaram os fãs de boca aberta e levaram-nos a aclamar e a aplaudir com uma força que fez estremecer o Coliseu. “Parallel Lines” foi um dos momentos altos da noite, confirmando o quão bem preparado pelos fãs estava o último álbum da cantora, demonstrando a óptima recepção que teve.
Em “Incredible”, o solo de saxofone fez todos dançarem e “Tell Me 'Bout It” trouxe um solo de cada membro da banda, espalhando boa energia por todo o recinto, antes do encore.“Chokin’ Kind” e “Big Ole Game” foram os dois temas escolhidos para o final do espectáculo, quando Joss atirou rosas brancas ao público e recebeu ainda mais presentes dos fãs, sempre pulseiras ou pendentes.
Reportagem Air – Coliseu dos Recreios
Jan 17th
Passados que estão agora quase quatro anos desde a última vez que assentaram pé em terras lusas, estão de volta ao palco que haviam partilhado com os Fischerspooner e os Digitalism em 2007.
À entrada de George Pringle, o Coliseu estava quase preenchido. Não nos deixemos levar por nomes, Georgina Richards-Pringle, é uma performer londrina que se serve do GarageBand para mostrar a sua música. Para o público presente, esse básico foi bastante evidente. As músicas eram de uma coerência particular, às vezes confusa e não fizeram com que o Coliseu se movesse muito.
Infelizmente foi também a situação em que os Air viram a sua actuação. Ao entrar em palco, sem necessidade de apresentações, deram início ao concerto com aquilo que parecia ser Space Maker, masque se transformou em Do the Joy, em jeito de apresentação do último álbum. Ainda com Love 2, seguiu-se So Light is Her Footfall e o “samba” de Love. O concerto revestia-se já de uma pequena aposta em fundos suaves, quando foi a altura de Venus, surgiu a imagem do grande planeta, e tornaram-se desnecessárias apresentações de Talkie Walkie. Jean-Benoît Dunckel afemininava a sua voz.
Cherry Blossom Girl e Playground Love (em intrumental, a adquirir o nome de Highschool Lover) fizeram também parte uma setlist morna.
Não seria de surpreender que os lisboetas escolhessem estes franceses como a banda sonora de uma vida. Be a Bee foi um dos pontos mais mexidos de toda a noite, e ainda assim, era difícil arrancar colaboração do mar de gente que se juntou nos Recreios.
Depois de How Does it Make You Feel?, Nicolas Godin passou a um registo bilingue com Alpha Beta Gaga. Mesmo que quiséssemos acompanhar os assobios, o som demasiado alto impedia que os lisboetas se fizessem ouvir.
A encerrar uma primeira parte, Kelly Watch the Stars saída de Moon Safari (álbum cuja falta se fez sentir) fez o Coliseu explodir em palmas. De regresso, SexyBoy e Heaven’s Light foram o adeus.
Skunk Anansie @ Col. Recreios
Nov 4th
Nove anos depois Skunk Anansie estão de volta e o Coliseu dos Recreios foi pequeno para tanta gente nesta noite de 3 de Novembro em que a Everything is New nos trouxe mais um concerto simplesmente inesquecível.
Esta banda britânica separou-se há 8 anos mas voltou agora com um greatest hits “Smashes and Trashes”, álbum que contem as músicas mais emblemáticas da banda mas também três novos temas. Para acompanhar o lançamento estão a fazer uma tour europeia e Portugal foi o país escolhido para a estreia hoje em Lisboa e amanhã no Porto.
Para abrir esta noite a primeira parte coube aos Chemists, que estiveram bem e foram um bom preparativo para o que vinha a seguir.
A espera para este concerto foi de anos e a expectativa era grande. A diferença de idades e de estilos presentes era imensa. É bastante interessante como a música desta banda chega a tão diferentes pessoas. Para fazer crescer a tensão um poderoso drum’n’bass serviu de introdução ao concerto. Os músicos entraram finalmente em palco, dão os primeiros acordes e Skin aparece, num pulo, com um fato no mínimo invulgar.
Desde o início que a energia era gigante, a vocalista tem uma presença em palco brilhante e deixa qualquer um cansado. É incrível como consegue manter a mesma energia do princípio ao fim e ter uma performance de voz tão perfeita, cheia de variações, com registos completamente diferentes e complicados afinadíssimos. Pode-se dar ênfase, também, à comunicação com o público e de como é bom ver como conseguimos fazer chegar o nosso carinho pela banda à mesma.
Todos os músicos são muito bons e fazem com que fiquemos colados às suas performances: Ace, na guitarra, com uma performance sem falhas onde os efeitos reinam e fazem o seu som ser perfeito para esta banda; Cass, no baixo, é simplesmente um monstro, quando começa a tocar deixa todos sem palavras, é muito bom mesmo; Mark Richardson, na bateria, é bastante sólido, tem muito poder sendo um baterista de rock excelente; Skin, na voz, é inexplicável, é muito boa, uma voz excelente, performance muito energética.
As músicas tocadas fizeram o público ficar ao rubro. Pode-se ouvir temas como: “Selling Jesus”; “Charlie Big Potato”; “I can dream”; “Weak and Twisted”; “Brazen”; e “Squander” e “Because of you” do novíssimo album. Nos dois encores, pode-se ouvir, por vezes mais cantadas pelo público que por Skin, “Hedoism (just because you feel good)” e “You’ll follow me down”, numa versão mais calma para acabar. Tanto o palco como o vestido da vocalista mostravam bem a busca pelo futuro, um desejo da banda.
O som estava bastante bom e para completar o espectáculo, as luzes estiveram muito bem.
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Esperamos vê-los em breve para mais um concerto memorável.





































