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Reportagem Com Truise no Porto
Nov 29th
Os últimos dois domingos do mês de novembro ficaram marcados por dois concertos matiné muito agradáveis e surpreendentes. A Lovers & Lollypops deu uso aquele que por muitos é visto como um dia enfadonho e aborrecido.
A música ambiente que se fazia ouvir nos Maus Hábitos quase se confundia com The Festmen, que entrou em palco muito discretamente. De repente, começam a a surgir vídeos quase aleatórios desde publicidades, desenhos animados ao programa O Preço Certo – com momentos e situações cómicas que se enquadravam com a sonoridade 8 bit extremamente dançável. Escusado será dizer que a setlist foi indecifrável, mas isso mostrou-se o menos importante, quem lá estava, e por poucos que ainda fossem, gostaram do que ouviram e não faltaram aplausos.
João Chaves é o sonhador de Dreams que através das suas músicas chillwave nos faz lembrar das mais belas memórias do verão, os tempos quentes e os dias repletos de sol. Acompanhado, ao vivo, pela guitarra de Ricardo Barbosa e pelos sintetizadores de Paulo Catumba, João e a sua voz afundada em reverberações já é bastante conhecido e falado pelas redondezas do nosso país.
Com a maior das honras, antecipa o concerto do projecto americano Com Truise. Uns sentados e outros de pé, cada vez com mais gente, mas ainda sem se aproximarem muito do palco, ouviram e aplaudiram as músicas que por lá se foram ouvindo "Step 1", "Step 3", "Interlude", "In Dreams" e "Don't Leave Me".
Com Truise é o nome do projecto musical de Seth Haley, músico electrónico de Oneida, Nova Iorque.
O nome, que muitas vezes é confundido com o de Tom Cruise, surge de um spoonerism, ou seja, de um erro ou um propósito deliberado, na expressão oral, onde as consoantes ou as vogais de uma palavra são trocadas. Seth Haley, com Com Truse, cria o estilo experimental que intitula de "mid-fi synth-onda, funk slow-motion", onde se consegue encontrar alguns fragmentos de Joy Division, New Order e Cocteau Twins.
Mal se começa a ouvir "Sundriped" o público aproxima-se instantaneamente e os seus corpos começam a dançar e a balançar ao som electrónico em slow-motion. Pouco tempo ouve para aplausos, música atrás de música, Seth e a sua ginástica musical feita à base de ajustes e reajustes nas mesas de misturas e processadores de efeitos, era acompanhado por um baterista, ainda que jovem, bastante dedicado e preciso nas batidas electrónicas dominadas por Seth. Algo inovador, diga-se, pois não é todos os dias que se assiste a um concerto electrónico com instrumentos como baterias, que tornam os ritmos mais genuínos trazendo a este estilo musical a ideia de criação sonora in loco.
Pela tarde ainda se ouviu "Slow Peels", "IWYWAW", "BASF Ace" entre outras. Não importou muito a setlist, o concerto foi tão contagiante que no fim só se queria mais. A Lovers & Lollypops comprovou, mais uma vez, que seja a que hora for, os bons músicos não desiludem e fazem a festa seja ou não em dia de descanso.
Esperamos assim que 2012 se torne mais certo e traga com ele mais alguns domingos como este.
Reportagem Três Cantos @ Coliseu do Porto
Nov 5th
Depois de duas noites completamente esgotadas no Campo Pequeno em Lisboa, foi a vez de os "Três Cantos" chegarem ao Coliseu do Porto para dois concertos igualmente esgotados. E foi assim, num ambiente de enorme expectativa que se aproximou a hora de apagarem as luzes da sala e por momentos se sentir no silêncio da sala uma inquietação prestes a ser saciada.
Os 22 músicos que os acompanham nesta aventura entram em palco e começa "Guerra e Paz", de Sérgio Godinho. É então chegada a hora de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias entrarem juntos e cada um anunciar a sua chegada recebida em plena apoteose. Muita emoção num público sedento de boa Música Portuguesa e para quem este concerto tinha logo à partida um significado muito especial pela força da reunião dos três mestres, também eles emocionados.
Emoção foi aliás uma das palavra-chaves deste concerto que há já muitos anos tinham vontade de realizar e que desde Maio prepararam com todo o cuidado este espectáculo único. Todo este tempo de preparação resultou numa actuação coesa em que os espaços deixados para os momentos a solo de cada um dos protagonistas ou para os duetos não fossem de forma nenhuma sentidos como forçados. O próprio alinhamento foi capaz de conduzir o público por uma viagem inevitavelmente saudosista, mas de forma nenhuma preso num passado distante, muito pelo contrário, pretende-se deste encontro revisitar o passado sim, mas sempre de olhos postos no que há-de vir.
Zé Mário é o primeiro a ficar sozinho e a dirigir-se ao público, salientando a unidade da diferença de cada um e deixando o aviso "contem com isto de nós, para cantar e para o resto". Pouco depois era Fausto a pedir atenção à actualidade de temas escritos há já alguns anos mas que parecem fazer cada vez mais sentido, como por exemplo "Eis Aqui o Agiota". Por fim, Sérgio Godinho, protagonizou um dos momentos da noite com "O Primeiro Dia" na voz de um Coliseu repleto.
Ao contrário do que muitos esperariam, o público não era de forma nenhuma homogéneo. Não eram pessoas de meia-idade, que ali procuravam o reviver de tempos onde o termo "intervenção" aparecia ligado a estes autores, fosse pelas suas composições ou pelas suas acções. Muita gente jovem, de idade e de espírito encheu o coliseu e de todas as idades, de todas as motivações e das mais variadas expectativas, o Coliseu ganhou uma voz uníssona em quase todas as músicas. Temas como "Cuidado Com as Imitações", "Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades", "Maré Alta", "Inquietação", "Adeus Orelhas de Abano", "Que Força é Essa", "Se tu fores ver o mar (Rosalinda)", "Onofre", "A Nova Brigada dos Coronéis" e "Ser Solidário" fizeram as delícias de um público que no fim, comentando a falta deste ou daquele tema que gostava de ter ouvido, se mostrava satisfeito e nada desiludido.
E não podia de facto estar desiludido. Momentos como "Não Canto Porque Sonho", cantada numa magnifica versão a 3 vozes, fazendo inevitavelmente lembrar a já de si belíssima versão gravada com Fausto e Zeca Afonso em 1974. Zeca que "não podia deixar de estar presente" numa homenagem com a interpretação de "De Não Saber o que me Espera" num dos momentos a trio.
Houve ainda espaço para um prometido inédito intitulado "Faz Parte" ou se preferirmos "O Retorno das Audácias". Ainda a 3 vozes, ouvimos "Charlatão" com Fausto a protagonizar um momento divertido, demonstrando a sua alegria de vitória sobre o kazoo que mostrou já praticamente dominar (ou mais ou menos).
Para terminar, e porque tinha mesmo que acabar, tivemos direito a dois encores, o último dos quais com todos os músicos na frente de palco de bombos, adufes e baquetas para uma interpretação de "Na ponta do cabo" que fechou definitivamente a noite.
Foi uma noite mágica, carregada de emoção e que certamente ficará na memória de todos os presentes. Para ajudar a manter essa memória viva foi gravado um DVD e CD que já pode ser comprado em pré-venda na FNAC e estará disponível a partir de 10 de Dezembro.
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Se dúvidas houvesse, a música e os músicos portugueses têm público e estarão cá ainda por muito tempo "para cantar e para o resto".
Reportagem Três Cantos @ Coliseu do Porto
Nov 5th
Depois de duas noites completamente esgotadas no Campo Pequeno em Lisboa, foi a vez de os "Três Cantos" chegarem ao Coliseu do Porto para dois concertos igualmente esgotados. E foi assim, num ambiente de enorme expectativa que se aproximou a hora de apagarem as luzes da sala e por momentos se sentir no silêncio da sala uma inquietação prestes a ser saciada.
Os 22 músicos que os acompanham nesta aventura entram em palco e começa "Guerra e Paz", de Sérgio Godinho. É então chegada a hora de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias entrarem juntos e cada um anunciar a sua chegada recebida em plena apoteose. Muita emoção num público sedento de boa Música Portuguesa e para quem este concerto tinha logo à partida um significado muito especial pela força da reunião dos três mestres, também eles emocionados.
Emoção foi aliás uma das palavra-chaves deste concerto que há já muitos anos tinham vontade de realizar e que desde Maio prepararam com todo o cuidado este espectáculo único. Todo este tempo de preparação resultou numa actuação coesa em que os espaços deixados para os momentos a solo de cada um dos protagonistas ou para os duetos não fossem de forma nenhuma sentidos como forçados. O próprio alinhamento foi capaz de conduzir o público por uma viagem inevitavelmente saudosista, mas de forma nenhuma preso num passado distante, muito pelo contrário, pretende-se deste encontro revisitar o passado sim, mas sempre de olhos postos no que há-de vir.
Zé Mário é o primeiro a ficar sozinho e a dirigir-se ao público, salientando a unidade da diferença de cada um e deixando o aviso "contem com isto de nós, para cantar e para o resto". Pouco depois era Fausto a pedir atenção à actualidade de temas escritos há já alguns anos mas que parecem fazer cada vez mais sentido, como por exemplo "Eis Aqui o Agiota". Por fim, Sérgio Godinho, protagonizou um dos momentos da noite com "O Primeiro Dia" na voz de um Coliseu repleto.
Ao contrário do que muitos esperariam, o público não era de forma nenhuma homogéneo. Não eram pessoas de meia-idade, que ali procuravam o reviver de tempos onde o termo "intervenção" aparecia ligado a estes autores, fosse pelas suas composições ou pelas suas acções. Muita gente jovem, de idade e de espírito encheu o coliseu e de todas as idades, de todas as motivações e das mais variadas expectativas, o Coliseu ganhou uma voz uníssona em quase todas as músicas. Temas como "Cuidado Com as Imitações", "Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades", "Maré Alta", "Inquietação", "Adeus Orelhas de Abano", "Que Força é Essa", "Se tu fores ver o mar (Rosalinda)", "Onofre", "A Nova Brigada dos Coronéis" e "Ser Solidário" fizeram as delícias de um público que no fim, comentando a falta deste ou daquele tema que gostava de ter ouvido, se mostrava satisfeito e nada desiludido.
E não podia de facto estar desiludido. Momentos como "Não Canto Porque Sonho", cantada numa magnifica versão a 3 vozes, fazendo inevitavelmente lembrar a já de si belíssima versão gravada com Fausto e Zeca Afonso em 1974. Zeca que "não podia deixar de estar presente" numa homenagem com a interpretação de "De Não Saber o que me Espera" num dos momentos a trio.
Houve ainda espaço para um prometido inédito intitulado "Faz Parte" ou se preferirmos "O Retorno das Audácias". Ainda a 3 vozes, ouvimos "Charlatão" com Fausto a protagonizar um momento divertido, demonstrando a sua alegria de vitória sobre o kazoo que mostrou já praticamente dominar (ou mais ou menos).
Para terminar, e porque tinha mesmo que acabar, tivemos direito a dois encores, o último dos quais com todos os músicos na frente de palco de bombos, adufes e baquetas para uma interpretação de "Na ponta do cabo" que fechou definitivamente a noite.
Foi uma noite mágica, carregada de emoção e que certamente ficará na memória de todos os presentes. Para ajudar a manter essa memória viva foi gravado um DVD e CD que já pode ser comprado em pré-venda na FNAC e estará disponível a partir de 10 de Dezembro.
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Se dúvidas houvesse, a música e os músicos portugueses têm público e estarão cá ainda por muito tempo "para cantar e para o resto".









