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Reportagem Jameson Urban Routes – 22 de Outubro
Oct 24th
Mais uma noite do festival Jameson Urban Routes, que já conta com cinco edições, na qual fomos presenteados com uma noite promissora: os portugueses Throes + The Shine abriram o palco do Musicbox, seguidos pelos muito esperados HEALTH, numa noite explosiva de qualidade musical. No entanto, se o cartaz era apetecível, não foi total a comparecência dos portugueses na sala da baixa lisboeta. Sinais da crise, possivelmente.
Comecemos com os grande entertainers da noite: os The Throes + The Shine, com a sua ultra fórmula especial, transformaram o Musicbox numa sala de dança, durante pouco mais de meia hora. Uma combinação e aliança algo improváveis, se podemos afirmar: por um lado, os The Throes, atiram-se de cabeça num rock puro e duro electrificante, por outro, os The Shine trazem os ritmos e versos do kuduro de Angola aos lisboetas. Se em papel certamente soa estranho, ao vivo a conversa é outra, pois os dois géneros musicais funcionam de forma excelente, sempre em harmonia. O público também foi facilmente convencido, guiado por Diron Romão e André do Poster, os dois vocalistas que nunca paravam, nem deixavam parar. Um público bem entusiasmado que dançou bué e até "cuiou" é sempre bom sinal e, depois da actuação bem conseguida no festival Milhões de Festa, estes audazes rapazes bem podem dizer que a missão, no Musicbox, foi cumprida.
Uma boa primeira parte geralmente antecede uma excelente segunda parte, e nesta noite, não houve excepção. Ora, os HEALTH de Los Angeles são tudo menos entertainers, mas o que lhes falta em interacção com o público, compensam com a sua música: é uma descarga destrutiva de noise rock bem intercalado com o electrónico que gerou o caos no público. "Nice Girls" é o primeiro tema escolhido e a distorção barulhenta é tanta que se sente no estremecer do peito e dos ouvidos, apenas suavizadas pela voz etérea de Jupiter Keyes. Assim, lança-se a euforia dos portugueses.
Não são estranhos a Portugal, já tendo passado pelo Santiago Alquimista no passado ano, no entanto, a qualidade das suas performances nunca é diminuta. A experiência e a técnica no manuseamento dos seus instrumentos, especialmente a bateria infecciosa de BJ “SexFace” Miller, impressiona e é certamente a base dos concertos dos HEALTH. São estóicos, mas balanceiam-se ao som das músicas: o baixista John Famiglietti parece impenetrável ao bambolear os seus longos cabelos, e é, definitivamente, uma enorme presença em palco, tanto literal como figurativamente. Numa noite recheada de momentos memoráveis, o primeiro foi certamente a versão de "Crimewave", mas "Die Slow", "Death+" e "Triceratops" não desiludiram, sendo catalisadores de uma turbulência crescente no público. Sim, porque euforia nunca lhes faltou, recorrendo ao crowd-surfing e mosh controlado para fazer do concerto dos americanos uma autêntica festa – juntou-se até Famiglietti, já em "USA Boys", que se lançou para os portugueses como adorado entre os adoradores.
"Courtship" marcou o final de um concerto explosivo, mas marcou também a impressão de uma crescente qualidade musical na banda de Los Angeles. Com ::Disco2 e até com Get Color, os HEALTH encontram-se mais definidos, mais concentrados na melodia e na estrutura dos temas, e arriscamos mesmo a dizer mais calmos qb – é certamente uma mudança que se aplaude entusiasticamente.
Espera-se, então, um rápido retorno para uma repetição do noise rock no seu real expoente máximo.
Texto: Teresa Silva
Reportagem Isis @ Teatro Sá da Bandeira
Dec 1st
No passado dia 29 de Novembro, o Teatro Sá da Bandeira serviu de palco para um dos concertos mais aguardados dos últimos anos. Os norte-americanos Isis fizeram crescer um burburinho sobre eles próprios no decorrer da última década, atingindo já um estatuto de culto. Não é portanto de estranhar que a sala de espectáculos da baixa portuense tenha ficado muito bem preenchida. Contudo, a abertura do palco coube a dois projectos menos mediáticos, mais propriamente aos finlandeses Circle e aos americanos Keelhaul.
Os Keelhaul entraram em palco por volta das 21h30, e libertaram uma grande descarga de um metal voltado para o stoner e para o progressivo. Actuando durante cerca de 30 minutos, conseguiram captar a atenção das fileiras já presentes no teatro.
Em seguida foi a vez dos finlandeses Circle tomarem de assalto o palco para uma actuação completamente extravagante. Estando a aproximar-se da segunda década de existência, este quarteto apresenta uma actuação planeada e teatral, revelando bastante à-vontade e experiência. Contudo, os seus contornos mais avant-garde e virados para o krautrock e para o progressivo provaram ser um pouco demais para grande parte do público, que não parecia muito satisfeito com o que estava a ver.
Finalmente, a encerrar a noite deu-se o verdadeiro começo. O quinteto californiano que dá pelo nome de Isis entrou no palco de forma humilde e relaxada. A primeira música que se fez ouvir foi a “Hall of The Dead”, que acabou por servir de mote para a apresentação do seu mais recente trabalho, intitulado Wavering Radiant. Seguiram-se então mais seis músicas intensas e avassaladoras, retiradas maioritariamente dos seus últimos dois álbuns. No entanto, o clímax foi atingindo no encore. Começando com “Carry” (do seu já clássico Oceanic) e acabando com uma “Altered Course” extremamente alongada.
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Aaron Turner e companhia despediram-se do palco e de hora e meia que provou ser o suficiente para um dos concertos mais poderosos que se fez sentir nos últimos tempos.









