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Reportagem Every Time I Die em Lisboa
Dec 15th
Foi na passada terça-feira (13/12/2011) a estreia absoluta dos nova-iorquinos Every Time I Die em Portugal. A banda é há muito tempo uma das referências mais marcantes e carismáticas no rock pesado do novo milénio, a remar contra a corrente emo com a rijeza típica do sul dos EUA. Apresentaram-se finalmente num Santiago Alquimista bastante cheio pela mão da Oh Damn! Productions.
Os franceses Vera Cruz, banda de abertura, podem ser um pouco style over substance mas é fácil de perdoar, quando o estilo é tanto. A energia em palco foi provavelmente a mais implacável da noite, com o vocalista (brilhantemente apelidado de Black Flav na página da banda no Facebook) a ocupar a clareira em frente ao palco e a preenchê-la com a fúria de quem quer a todo o custo justificar a viagem até Lisboa. Mesmo com o relativo desconhecimento da parte do público, a dinâmica com que o hardcore dos Vera Cruz foi despejado não se perdeu ao longo dos 30 minutos do concerto. Esta força vai com certeza recompensá-los com novos seguidores.
Preparados para lançar o segundo álbum estão os Hills Have Eyes, de Setúbal. Embora já andem a dar cartas desde meados da década passada, a banda ganhou sem dúvida uma nova vida com o álbum de estreia Black Book, de 2010. Para o comprovar está o alinhamento do concerto de hoje, todo ele em torno deste álbum e do segundo álbum Strangers, a ser lançado em 2012. À formação actual, que integra ex-membros de Twentyinchburial e One Hundred Steps, juntou-se para este concerto o Vitor Teixeira, dos Before The Torn, na guitarra.
O público, já mais aconchegado à frente do palco, acompanhou com emoção os temas mais fortes de Black Book como “Daydreaming...” e “Hey Hater!”, com os refrões melódicos enormes a surgir no meio de riffs que os próprios Every Time I Die não desdenhariam. No entanto, o tema mais celebrado foi mesmo o novíssimo “Strangers”, o que nos diz não só que é importante investir nos clips musicais, mas também que os Hills Have Eyes continuam a crescer e a chegar a novos públicos.
Com a entrada em palco um pouco adiada por problemas técnicos, foi já a caminho da meia noite que se deu início à banda do dia, com “Apocalypse Now And Then”, tema que abre o álbum Gutter Phenomenon de 2005. Alimentados a Sagres e com muitas semanas de estrada em cima, a actuação dos Every Time I Die teve toda a sujidade e a pujança que se ansiava. Um infeliz degrau numa zona crítica de acção impedia a ocorrência dos circle pits que surgiriam naturalmente em músicas como “Bored Stiff”, por isso o público amontoou-se violentamente junto ao separador de palco, que foi não só uma plataforma de interacção com a banda mas também de stage dive constante.
Os menos corajosos e mais velhos juntaram-se em torno do palco no balcão de cima, o que só ajudou a tornar o concerto ainda mais caloroso. Algumas horas antes, no Curto Circuito, Nuno Silva dos Hills Have Eyes prometeu ao vocalista Keith Buckley que no Santiago Alquimista as pessoas saltavam dos balcões, e assim foi – Keith agradeceu ao público a noite excepcional, dizendo que estavam a ver muitas coisas “fixes” pela primeira vez. Em momentos incendiários como os singles “Ebolarama”, “We'rewolf” e “Floater”, a fechar a noite, o público deu trabalho e irritações aos seguranças, que foram afastados do palco pela banda desde o princípio. Talvez se esperasse um concerto mais longo de uma estreia tão aguardada, mas há voos para apanhar e aulas no dia seguinte.
Fica, como sempre, a esperança de um regresso em breve, num recinto que obrigue a que se desçam as escadas e se levem uns estalos de amizade.
Lenny Kravitz e Maroon 5 no Rock in Rio Lisboa 2012
Dec 13th

Foram hoje anunciados mais quatro nomes para o festival Rock in Rio Lisboa: Lenny Kravitz, Maroon 5, Ivete Sangalo e Expensive Soul.
A actuação de todos estes grupos será no dia 1 de Junho no Palco Mundo, completando o cartaz para este palco neste dia.
Estes nomes juntam-se assim aos já confirmados Bruce Springsteen e Xutos & Pontapés.
O Rock in Rio Lisboa 2012 irá decorrer nos dias 25, 26 de Maio, 1, 2 e 3 de Junho no Parque da Bela Vista em Lisboa. Os bilhetes exclusivos para este dia vão ser colocados à venda já no dia 16 de dezembro, dando a possibilidade dos interessados os adquirem ainda a 58 Euros, já que com o aumento do valor do IVA a partir de 1 de janeiro de 2012 passarão a custar 61€.
Passatempo Christmas Club no Hard Club
Dec 11th
O Festivais de Verão em parceria com o Hard Club tem convites simples para te oferecer para dia 17 de Dezembro para o Christmas Club.
O Christmas Club decorre de 16 a 18 de Dezembro.
A 16 podes contar com We Trust, PAUS, doismileoito, The Doups, Iconoclasts e Rui Maia (X-Wife) e o preço do bilhete é de 16 Euros.
No dia 17 é a vez de Amor Electro, Peixe:Avião, Norton, Salto, Mustard Pimp e Crisis e o bilhete custa 18 Euros.
No dia 18 conta com Jorge Palma e o preço do bilhete é de 20 Euros.
O passe para os 3 dias custa 40 Euros.
Para além dos concertos irá decorrer uma Feira da Solidariedade e Beneficiência, a exibição do documentário "Meio Metro de Pedra", uma Feira de Artesanato e muito mais.
Passatempo Christmas Club no Hard Club
Dec 11th
O Festivais de Verão em parceria com o Hard Club tem convites simples para te oferecer para dia 17 de Dezembro para o Christmas Club.
O Christmas Club decorre de 16 a 18 de Dezembro.
A 16 podes contar com We Trust, PAUS, doismileoito, The Doups, Iconoclasts e Rui Maia (X-Wife) e o preço do bilhete é de 16 Euros.
No dia 17 é a vez de Amor Electro, Peixe:Avião, Norton, Salto, Mustard Pimp e Crisis e o bilhete custa 18 Euros.
No dia 18 conta com Jorge Palma e o preço do bilhete é de 20 Euros.
O passe para os 3 dias custa 40 Euros.
Para além dos concertos irá decorrer uma Feira da Solidariedade e Beneficiência, a exibição do documentário "Meio Metro de Pedra", uma Feira de Artesanato e muito mais.
Reportagem Smashing Pumpkins em Lisboa
Dec 11th
Apesar do frio ser muito, os fãs de Billy Corgan não foram minimamente dissuadidos a voltar para casa, já que a noite prometia o regresso de uma das bandas mais aclamadas dos anos 90.
Onze anos após o último concerto dos Smashing Pumpkins em nome próprio pelos nossos lados, sendo hoje a primeira de duas actuações no Campo Pequeno, em Lisboa para o encerramento da tournée, Corgan, o único elemento fundador da banda optou por arriscar e apresentou o novo álbum Oceania, desconhecido pela parte do público que tem lançamento previsto para o início do próximo ano.
Responsáveis pela primeira parte ficaram os Ringo Deathstarr, habituados a partilhar o palco com bandas como Johnny Foreigner e Built To Spill e acompanhantes de tournée de Smashing Pumpkins. Influenciados por bandas como My Bloody Valentine, The Cure e Fugazi, os Ringo Deathstarr apresentaram na noite de hoje o EP homónimo e o seu primeiro álbum Colour Trip.
Ao som de guitarras distorcidas, chegando ao ponto de causar uma leve comichão no ouvido, tocaram músicas rápidas que tomavam gradualmente uma intensidade exuberante, intensificadas pelo jogos de luzes electrocutantes que nos cegavam gradualmente. Recuperada a visão era nítido a enchente que preenchia o que restava do espaço vazio da sala e que esperava ansiosamente para o típico back to the 90’s com que o VH1 nos aborrece de vez em quando.
Pouco passava das 21h quando a sala explodiu ao ouvir "Quasar" e "Panopticon", com as guitarras frenéticas e impacientes de Corgan e Jeff Schroeder no que seria o primeiro levantar a cortina do Oceania. Apesar de ser possívelmente a primeira vez que grande parte dos presentes na esgotada Praça de Touros escutava os temas, não foi por tal que Corgan e os restantes elementos da banda deixaram de ser aplaudidos. De volta ao passado ouvimos "Starla" seguida de "Geek U.S.A", onde somos arrastados por solos prolongados e distorções de guitarras completamente notáveis que enchem a sala de ovoções, "Gish", "Siva", "Siamese Dream" foram mais uma passagem pelos primeiros álbuns que decerto conseguiram agradar às primeiras gerações de fãs da banda.
De volta às novidades demasiado prolongas que Oceania teve para nos oferecer, o público demonstrou-se impaciente, para não dizer desapontado, para o que esperava em parte ser uma jornada pelos êxitos dos anos de ouro do grupo norte americano. O facto de Corgan não ter dirigido uma única palavra aos presentes durante quase duas horas acabou por gerar uma ligeira apatia no público que apesar de aplaudir esperava um alinhamento com maior coerência, comunicação e acima de tudo espontaneadade. Claro que ninguém tenciona pagar um bilhete para ter conversas banais sobre a metereologia e afins com Corgan, no entanto seria preferível que este estimulasse o público e que fomentasse a necessidade deste se encontrar presente.
Entretanto e já mais para o final do concerto foi com os primeiros acordes de "Tonight, Tonight" que o público acordou para ouvir e cantar o single de 1995 capaz de agradar a pais e filhos e às mais diferentes faixas etárias que passado mais de uma década continuam com as letras na ponta da língua. É também ao fim de duas horas de concerto que Billy Corgan decide trocar umas palavras com os presentes.
De volta ao palco para o que seriam as últimas três músicas, a banda decide presentear o público com uma canção que diz não tocar frequentemente, neste caso referindo-se a "Today" que indubitavelmente acordou quem ainda não se encontrava desperto e que foi recebida com grande entusiasmo. Seguiram-se dois grandes êxitos, nomeadamente "Zero" e "Bullet With Butterfly Wings" fortemente aplaudidas e cantadas por todos os que preenchiam a sala.
Um concerto que desmonstrou diversas passagens e facetas de Corgan, que terminou de uma forma distinta e que será para repetir amanhã por uns e para os que não conseguiram bilhete para esta primeira noite.
Reportagem Vodafone Mexefest 2011
Dec 5th
Este ano, o festival que conhecíamos como Super Bock em Stock voltou sob o nome de Vodafone Mexefest, resultado de alterações de patrocínios. O conceito, esse, manteve-se: 40 bandas em 2 dias, espalhadas por vários palcos. Já se conhece bem a correria pela Avenida da Liberdade, de sítio em sítio, prioridades bem definidas ou é impossível ver-se o que se quer. Para ajudar à sobreposição de bandas e diferentes localizações, o festival esgotou.
2 de Dezembro:
A fila que se viu para entrar em James Blake era, no mínimo, ridícula. Sim, há outras bandas para ver, mas é possível ver-se um pouco de todas e pagar o tal «euro por artista» em vez de se ver apenas meia dúzia. Coisas boas: a ponte pedonal sobre a Avenida da Liberdade que evitava esperas nos semáforos, castanhas de oferta em frente ao Tivoli e carrinhas de transporte de espectadores pela avenida (alguns deles com direito a concertos no Vodafone Bus), a ajudar a combater uma noite fria, que não demoveu os lisboetas de irem, neste primeiro dia de festival, ver e ouvir Handsome Furs, John T. Pearson, PAUS, Fanfarlo e S.C.U.M. entre tantos outros.
Asterisco Cardinal Bomba Caveira foram os escolhidos para abrir o cartaz e para iniciar a primeira noite de espectáculos, actuando na sala 2 do São Jorge. Não foram recebidos por uma grande audiência, talvez por ainda ser cedo, no entanto, não deixaram de entretê-la com alguns temas do EP homónimo de estreia com Salão Paroquial, Leões e Tigres e Passeio de Bicicleta. Dizem gostar de dançar e as influências tradicionais da música portuguesa são notáveis originando assim canções rápidas de adolescentes que sofreram com o amor, escola, borbulhas e salões paroquiais.
Quase ao mesmo tempo, a simpática Luísa Sobral apresentava o seu The Cherry on My Cake, na Igreja de São Luís dos Franceses.
Julie & the Carjackers foram os responsáveis pela abertura do terraço do Hotel Tivoli. A banda soube cativar o público com a sua simpatia, à-vontade e músicas que se encaixaram na perfeição para dar ainda início a um desfile de bandas. Um concerto que se esperava bom e acabou por ser óptimo. A energia dos músicos em palco era contagiosa e cada um sabia bem o que fazia, quer fosse o guitarrista que parecia estar no seu mundo de acordes ou o baixista lá atrás cujo som passava tudo menos despercebido.
Os coros femininos aquecem os temas, que remetem para influências de Bossa Nova. Apesar de cordas partidas e algum pânico por parte do vocalista a dada altura, o concerto decorreu na perfeição, com uma setlist bem pensada e cativante que incluiu Mr Williams, Chain on My Swing (também foram assoberbados pelo espírito natalício com este tema?) e a última e fabulosa Wait by the Telephone.
A Sociedade de Geografia de Lisboa serviu de pretexto para a actuação de Josh T. Pearson pelas 21h15, concerto que prometia grandes enchentes. Espaço que habitualmente não recebe concertos e que depois de três lances de escadas a subir nos levavam para uma sala centenária, com escadarias e varandins de ferro e cortinas vermelhas que dispersavam por momentos a atenção do palco da personagem barbuda e estimada de Pearson, um contador de histórias de melodias sofridas a cada nota e verso. Com um sentido de humor notório, o músico texano embalou os presentes com temas dignos de silêncio como Sweetheart I Ain’t Your Christ.
Rumamos, então, em direcção a Eleanor Friedberger, já atrasados e a falhar a actuação de Bebe, por causa da fila para os dois elevadores do Hotel (e as escadas?). Na belíssima casa do Alentejo, lá estava ela. Metade dos Fiery Furnaces, desta em nome próprio com um trio de rapazes de cabelo encaracolado. A voz é inconfundível e os temas também. Ouvia-se Heaven ainda antes de entrarmos. A sala, a transbordar (vão perceber que isto foi recorrente em todos os locais durante todo o festival), vibrava ao som dos temas de Last Summer, o primeiro álbum a solo da cantora. Estava a ser um bom concerto, mas era tempo de Handsome Furs no Tivoli. Subimos a avenida de novo e entrámos numa sala que se ia enchendo. Para ver o duo/casal de Montreal, Lisboa preferiu sentar-se, mas às primeiras notas já se encontrava de pé a dançar aos sons intensos de When I Get Back.
A pessoa mais energética da sala era, de longe, Alexei Perry, nas teclas e descalça. All We Want Baby is Everything seguiu-se e os ânimos continuaram ao rubro. O vocalista Dan Boeckner revelou estar contente por estar de volta enquanto falava sobre os temas e aquilo em que se baseavam. Serve the People, para a polícia, mas foi o What About Us o tema mais esperado.
Enquanto Capitão Fausto e You Can’t Win, Charlie Brown, dois projectos bem nacionais e em emergência neste ano, actuavam nas respectivas salas, na sala 2 do São Jorge, os londrinos S.C.U.M davam início a um concerto influente do post-punk e garage rock onde as influências de The Horrors ou Bauhaus não foram postas de parte.
Temas que oscilavam entre a voz depressiva de Thomas Cohen e um psicadelismo luminoso, com distorções de guitarras a puxar para o noise foram o suficiente para encher a sala e envolver os presentes num ambiente energético e tenebroso onde diferentes estados de espírito são impressos nas composições cavernosas. Com temas do EP Amber Hands e do álbum Again Into Eyes, S.C.U.M seduziram o público num concerto arrebatador onde ficou claro e registado o protagonismo que têm vindo a ganhar por todos como uma banda a seguir, sem dúvida.
Curiosidade pela explosão na internet da celebração universal ‘do coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe o que não cabe na despensa’ passamos pela ilustre sala da Casa do Alentejo para conhecermos a Oração, d’A Banda Mais Bonita da Cidade que cantou e encantou milhares de internautas. Entre a música tradicional brasileira e baladas rock, os temas tocados são feitos de histórias ternurentas capazes de esboçar sorrisos na multidão.
Fanfarlo já começava no S. Jorge. A sala encheu rapidamente para ver a banda de Londres, que chegou tímida com a sua panóplia de instrumentos. Melhor e com mais personalidade ao vivo que em estúdio (lembra Beirut demais, por vezes), a banda exibiu os seus dotes no saxofone e no trompete, entre tantos outros, em temas como Replicate ou I’m a Pilot. O público apreciou mas não saiu totalmente convencido pela tímida banda. Nem com a bela “Luna” lá foi. Mas o esforço valeu e em relação ao álbum foi uma boa surpresa.
No Tivoli de novo para uma breve passagem, assistia-se aos canadianos Junior Boys e à sua música electrónica. O público estava mais que cativado e continuava a entrar gente.
A caminho do metro dos Restauradores, e já sem tempo para nos estrearmos no Cabaret Maxime, reaberto para os Spank Rock, revelou-se uma aventura encontrar o local onde os PAUS iriam tocar. Vários grupos de pessoas estavam com o problema comum de saltar de entrada em entrada (são 5, no total) sem conseguir encontrar a correcta para o concerto. Por fim, no sítio certo, viu-se uma enchente de gente rumo à música do quarteto português. Uma vez lá em baixo, o pensamento era comum: pior sítio de sempre para um concerto. Na verdade, o pensamento mais comum deve ter sido: os Blood Red Shoes vão tocar aqui?! Mas isso era só no dia seguinte, uma preocupação de cada vez.
No meio da multidão, amaldiçoava a minha altura quando percebi que o problema de não ver o palco era partilhado por todos os presentes a partir da… bom, da terceira fila, provavelmente. O palco não podia estar mais alto de qualquer maneira ou os músicos tocavam com a cabeça no tecto. Por isso não vos posso dizer como eram as t-shirts especiais deles mencionadas pelo Hélio. Posso dizer-vos que foi um belo concerto e que até pediram às filas da frente que se sentassem um bocadinho durante Deixa-me Ser e apenas levantar quando o Hélio pedisse. Correu bem. Malhão, Mudo e Surdo e Tronco Nu («dedicada ao Malato») foram alguns dos temas que por ali passaram. O pedido foi de Hélio - «ajudem-nos esta noite» - e assim foi. Vissem o palco ou não, todos ouviam a música e foi essa que deslumbrou todos os presentes.
Finda um noite cansativa, a recuperação para o dia seguinte era mais que necessária.
3 de Dezembro:
Mais uma noite de concertos na Avenida com o Vodafone Mexefest. Neste segundo dia, assim como no anterior, nada demoveu os festivaleiros de se deslocarem livremente para verem nomes como Filho da Mãe, EMA, Oh Land, Toro y Moi, Blood Red Shoes e o sempre procurado James Blake.
Desta vez começamos a viagem na Igreja S. Luís dos Franceses, pelas 20h30 com a actuação do Coro Africano, constituído por 25 pessoas com uma extensa variedade de cânticos e dialectos aliados a ritmos tradicionais africanos. Capazes de se adaptarem ao ambiente e à acústica da Igreja, o Coro Africano foi uma surpresa agradável para os presentes que pareciam entretidos.
No segundo e último dia, Filho da Mãe fazia as honras na Sociedade Geográfica de Lisboa. A sala, já sabíamos, era linda, e digna de Palácio, o álbum de estréia de Rui Carvalho, membro dos If Lucy Fell ou I Had Plans. Tanto que uma senhora foi receber o público com um discurso de orgulho por terem recebido alguns concertos do festival naquele local e pedir para que o barulho durante o concerto fosse reduzido ao mínimo. Apesar disso, houve palmas para Rui Carvalho e a sua guitarra. Devido ao atraso no concerto, apenas vimos o primeiro tema e o segundo, Eusébio no Deserto.
Ali ao lado começava Old Jerusalem que também sofreu um pequeno atraso. A banda portuguesa mostrou-se contente por tocar na Igreja de S. Luis dos Franceses e falou sobre os temas que ia tocando, como Tyndale and Augustines, sobre William Tyndale, o primeiro homem a traduzir a Bíblia para inglês, o que lhe causou alguns “problemas”. O tema foi referido pela banda como «político». Saímos a meio do segundo tema, rumo ao Teatro Tivoli que se preparava para receber os portugueses Dead Combo.
O duo entrou num palco decorado como a banda nos tem vindo a habituar: a lâmpada solitária por cima das cabeças dos artistas balouçava amplamente depois de uma pequena ajuda por parte de Pedro Gonçalves. Ao fim dos dois temas iniciais, o contrabaixo foi trocado por uma guitarra eléctrica, tocada sublimemente nos temas Lisboa Mulata e Cachupa Man. A sala estava composta mas muitos estavam já a caminho de outras paragens.
EMA, uma das revelações da música alternativa do ano de 2011 apresentou-se na sala 2 do Cinema São Jorge num registo cativante e intenso, do ponto de vista da sala bastante satisfatório. Cria-se um duelo de guitarras e violino electrónico com sons ríspidos e crus adicionados à voz lúgubre de Erika M. Anderson que olha o amor e a vida como uma tragédia digna de uma broken heart girl com uma forte atitude e presença em palco.
Entretanto demos um salto à estação de metro dos Restauradores onde nos cruzamos com doismileoito, capazes de estimular uma enchente de pessoas à entrada e de colocar os presentes a par de uma dança com o single Quinta Feira. O quarteto apresenta-se com raízes entre o rock e o pop com umas breves passagens pelo ska. Apesar de curto foi uma experiência agradável e animada que não deixou ninguém ficar parado e onde o quarteto se desdobrou facilmente nas suas funções e instrumentos. A diversidade entre o público presente era enorme e inquietos, não chegaram a ter os Pés Frios.
Seguimos para o Terraço do Hotel Tivoli onde Warren Hildebrand ou se preferirem, Foxes in Fiction deu início à sua actuação utilizando-se apenas de uma guitarra e um teclado num registo experimental a desvanecer suavemente para o dream pop. Elogiado pela Pitchfork, Warren cria e reiventa novas técnicas de abordagem electrónica capazes de cativar os presentes. Será de referir no entanto um som de fundo anteriormente gravado e demasiado marcado que, ao vivo acaba por não resultar.
A banda dinamarquesa Oh Land chegou com algum atraso, mas rapidamente tal foi esquecido. Muitos já estavam de pé dançando ao som de Perfection, que deu início ao concerto. Com uma bandelete a lembrar um chifre de unicórnio, Nanna Øland Fabricius mostrou desde o início que a sua missão da noite era conquistar o público português. Não foi difícil. Não sei se houve alguém que saiu daquela sala sem se ter apaixonado pela cantora. O seu passado na dança é perceptível nos seus movimentos e os temas são facilmente digeridos.
O teclista e o baterista que a acompanham são bons no que fazem e ela também. Sempre a puxar pelo público, a energia e simpatia da dinamarquesa não deixaram ninguém imune e temas como Sun of a Gun, Voodoo ou mesmo Wolf & I fizeram o resto – a sala estava quase toda de pé e as primeiras filas mais que rendidas aos encantos da banda.
Nanna contou que tiveram a sorte de ter 3 dias para conhecer e passear por Lisboa, bem como comer Pastéis de Belém e invejou os portugueses por terem sol até tão tarde, ao contrário do seu país. Temas como Rainbow, Lean ou Deep-Sea (dedicado especialmente ao público português) deram a conhecer o lado mais emocional e romântico dos álbuns Fauna e Oh Land e fizeram as delícias dos espectadores.
Um dos pontos altos da noite teve lugar no Cabaret Maxime por volta das 23h quando os dinamarqueses When Saints Go Machine entraram em palco. Um pop sintético que nos traz à memória Animal Collective, com ritmos orientais e viagens sonoras diversificadas acompanhadas por luzes avermelhadas que aqueciam o espaço e que fazem a sala encher aos poucos. São as composições clássicas do sintetizador a intersectarem a voz mística do vocalista pausadamente que nos fazem arregalar os olhos e que nos hipnotizam criando ritmos envolventes que nos obrigam a ficar. Poderia muito bem ter sido a revelação da noite se não soubessemos o que viria a seguir.
De volta ao Terraço do Hotel Tivoli, desta vez para ouvir Beat Connection, que tocavam ao mesmo tempo que os Aquaparque. Podemos considerar, sem margens para dúvidas, que a banda de Seattle é uma das pérolas do lo-fi e chillwave da nossa geração. Escutamos In The Water e tornou-se visivél uma nostalgia presente em todos os cantos da sala, saudades do Verão ou de qualquer recordação aprazível. Por momentos podemos parece que nos encontramos numa discoteca ou num bar frequentado pela malta indie que de vez em quando gosta de fugir ao habitual apesar do teclado e da bateria que definem o ritmo apresentarem bases tipicamente pop. Os presentes das mais variadas faixas etárias dançaram eufóricos e pediram por mais à medida que viajavam entre os beats à anos 80 ou por sons mais minimalistas edificados por uma guitarra e um excelente kit de sintetizadores.
Era altura de James Blake. Pelo menos para alguns. Porque muitos ficaram na rua, numa fila que chegou ao Marquês (eu disse que tinha sido ridícula). O cantor inglês, que já tinha estado no festival Optimus Alive! em Julho levou ao teatro uma autêntica maré de fãs, curiosos e – infelizmente – simples admiradores da sua aparência. O recinto continuava a encher quando o músico entrou em palco. Unluck fez as honras e foi bem escolhida. Tep and the Logic seguiu-se-lhe e I Never Learnt To Share deixou-nos perplexos: como era possível estar quase toda a gente ainda sentada?
É inegável que o contraste entre os temas em estúdio e ao vivo é muito grande. As músicas ganham força, mais ritmo e uma energia que parece puxar por nós e não nos larga enquanto não nos deixarmos levar. CMYK foi uma das favoritas (mas também não houve propriamente nenhuma que não fosse) e o festival de gritinhos e “chiuuuu” que durava desde a primeira música continuou. Se alguém ganhou, foram os gritinhos. Infelizmente. Limit To Your Love provocou algum histerismo, bem como Wilhelms Scream e o encore com A Case of You.
Corremos para a sala principal do S. Jorge onde conseguimos ouvir Toro y Moi, ainda dentro da onda chillwave e dream pop a derrapar pelo rock a que tão bem nos habituou. Não podemos infelizmente considerar Toro y Moi como um concerto capaz de marcar a noite sendo a setlist espectável, não criando assim qualquer surpresa com os temas tocados. No entanto, o público chegou-se à frente para ouvir os temas do novo álbum Underneath The Pine e ficou hipnotizado por tais temas capazes de ganharem uma nova dimensão ao vivo.
No Cabaret Maxime, Lindstrøm enchia o local com a sua música electrónica. A fila para entrar era enorme, preenchida por aqueles que ainda iam a meio de uma noite de música e divertimento. Lá dentro, o clima era de dança.
Finalmente, rumamos pela última vez para a estação de metro dos Restauradores, pelo menos no contexto do festival, para ouvirmos os tão aguardados e célebres Blood Red Shoes que ainda não se cansaram de meter os sapatos por cá. Fãs de Fred Asteire ou apenas curiosos, como seria de esperar conseguiram transformar os pares de sapatos brancos que se encontravam na sala vermelhos de dançar frenéticamente ,saltar ou simplesmente sacudir a cabeça e bater o pé aos ritmos acelarados e imparáveis de Steven Ansell. Bandas influentes como Nirvana ou Pixies são reconhecidas nos acordes de Laura- Mary Carter que em Light It Up incendiou o pavimento e os presentes a começar nas filas da frente que gritavam em plenos pulmões as letras mais que decoradas da banda britânica.
Decerto que a estação nunca esteve tão abafada como na noite de hoje onde os já experientes Blood Red Shoes divagavam entre o primeiro e o segundo álbum tocando temas como Heartsink, It’s Getting Boring by the Sea, I Wish I was Someone Better, Keeping it Close e Say Something Say Anything que levou desde início a uma espécie de riot na multidão, algo comum nas actuações da banda. Um concerto impetuoso e arrebatador que só ficou a perder pelo espaço em questão, a pior aposta da organização em termos de localização mas que nem por isso impediu o público de apreciar o que terá sido o encerramento da primeira edição do Vodafone Mexefest.
O Porto, sabe agora com o que contar. Preparem os vossos melhores sapatos e em Março, não deixem de visitar a edição nortenha do festival possivelmente mais cansativo do país. Cansa, mas sabe bem.
O movimento no Porto vai-se centrar, pelo Coliseu, Maus Hábitos, Passos Manuel e outra série de salas onde, com certeza, passará boa música.
Reportagem Suuns no MusicBox
Dec 4th
Segundo dia do mês de Dezembro e terceira parte da rubrica Heineken a decorrer mensalmente na versátil caixa de música do Cais do Sodré, foi hoje a vez dos canadianos Suuns se estrearem em Portugal para a apresentação do seu primeiro álbum de longa-duração entitulado Zeroes QC, lançado no final do ano de 2010. Considerados uma das grandes revelações do ano, Suuns tocaram ontem na Casa da Música no Porto com os hiperactivos Battles, num concerto arrebatador e digno da exaltação do público.
Ivo Pacheco ou se preferirem, Ivvvo, editor do colectivo criativo portuense Terrain Ahead e parceiro de Trikk nos Baliac, é um jovem criador de beats densos e melancólicos que explora a música electrónia e as suas vertentes no submundo do post dubstep e witch house. A personagem melómana de Ivvvo invadiu o Musicbox com o EP Her e Four U | A R A S, trabalho a solo do artista que diz ser mais que um EP como explica na sua página de Facebook, "é um presente para alguém". Temas que diz serem resultado de semanas de isolamento sobre a sua persona e por reflexo desta, sobre alguém. São temas como "Near", "Better, In Two Says"," I Just Love You" e "ARAS" que nos transportam com intensidade para uma impenetrável neblina na qual ficamos imersos, como que as luzes psicadélicas e decandentes nos cegassem permitindo-nos apenas a audição.
A verdade é que pouco se sabe sobre Ivvvo, apenas que se move livremente sem barreiras por caminhos tenebrosos das cinzas do dubstep, criando propostas sobrecarregadas de sensações, a representação de uma consciência íntima que afirma previamente um conhecimento talentoso de sistemas digitais como o Fruityloops, uma capacidade notável de embrenhar uma sala nas suas melodias transcendentes frequentemente associadas a sonoriades saídas das caves de clubes berlinenses, aparentando ter fortes influências do post dubstep experimental e mais que soberbo de Burial, Ivvvo relembra-nos também as noites londrinas do dubstep old school, mais precisamente do evento FWD» (Foward), que veio a desenvolver e a alastrar as bases do dubstep.
É díficil dizer se a sala estaria de facto cheia para Suuns se para Ivvvo, foi no entanto com os primeiros acordes de "Red Song" que o público se chegou à frente para o que viria a ser um concerto notável. Cada vez com mais gente e a sala claramente abafada com um ambiente típico de aquário a que o Musicbox já nos habituou, Suuns foram fortemente aplaudidos e lá se foram ouvindo temas que não poderiam faltar como "Arena", "PVC", "Armed for Peace" e "Gaze".
Sons eufóricos com batidas minimalistas e guitarras psicadélicas que prolongam as músicas até à exaustão são a especialidade desta tão aclamada banda canadiana capaz de construir um concerto sem falhas onde as músicas se interligavam e onde Zeroes QC foi tocado do ínicio ao fim, impressionando o público que por sua vez se mostrava mais que conhecedor das letras, que dançava e oscilava ao som electrónico e mutável da banda em slow motion ou em ritmos dignos de um ataque epiléptico. Música atrás de música e sempre inovadoras foi em "Pie IX" que se tornou claro a preferência de quem enchia a sala quando ao som do teclado e sintetizador a multidão foi puxada para a frente para o que viria a ser o ponto alto da noite pelas constantes explosões de sons e pelo carisma de Ben Shemie, guitarrista e vocalista de Suuns que fazia questão de beijar o microfone e esmagar a guitarra sempre que tinha oportunidade.
O concerto tornou-se uma viagem para os inquilinos da sala, com ritmos crescentes e canções que se foram construíndo lentamente que não nos permitiram imaginar a explosão que se seguiria em "Up Past the Nursery" com distorções de guitarras como plano de fundo que surgem do nada, bateria acelarada e movimentos desconcertantes tanto no palco como na plateia.
Suuns criam com este primeiro álbum um estilo experimental com tendências nitidamente psicadélicas e electrónicas, com sonoridades a passarem levemente por ritmos mais agressivos associados ao Trance, e que apesar das diferentes influências musicais edificaram um concerto coeso com um público devoto que viaja entre os diferentes sons de uma forma confortável. "Mundslinger" foi a escolhida para o encerramento de um concerto negro e denso, sem falhas a apontar e com momentos de cortar a respiração.
Para o encerramento de mais uma noite da Heineken Series seguiu-se Señor Pelota em DJ Set e JPG From Daltonic Brothers em VJ Set para o final de mais uma noite da Heineken Series que promete voltar para o mês.
Foi um concerto agressivo, tanto pela sua sonoridade como a nível visual pelo jogo de luzes que nos transportava de música em música sempre acompanhados pela voz hipnotizante de Ben usada maioritariamente como uma secção rítmica e como se de um instrumento se tratasse.
Arch Enemy entre as novas confirmações do Vagos Open Air 2012
Dec 1st
Foram hoje conhecidos mais alguns nomes para o Vagos Open Air 2012!

Os suecos Arch Enemy vão estar finalmente de regresso a Portugal para encabeçar a IV Edição do Festival Vagos Open Air.
Aos já anunciados Overkill, Enslaved, Arcturus e Textures juntam-se agora também os espanhóis Northland e Twisted Sisters que garantem animação pela noite dentro.
O Festival Vagos Open Air 2012 realiza-se nos dias 3 e 4 de Agosto de 2012 em Vagos, na Lagoa do Calvão.
A partir do dia 1 de Dezembro será colocada à venda uma edição especial de passes, com o valor de 50,00 Euros, que inclui oferta de t-shirt oficial do festival. Esta edição especial só estará à venda até 31 de Dezembro.
RADIOHEAD no Optimus Alive 2012
Nov 30th
Durante toda a manhã de hoje o facebook do Optimus Alive lançou pistas sobre a banda que seria a grande confirmação. As pistas eram referentes a 9 digitos (Radiohead é composto por 9 letras): 2007, 10 e 160. A data de lançamento do álbum "In Rainbows", o sétimo álbum dos Radiohead, foi a 10 de Outubro de 2007.
Os Radiohead são a primeira GRANDE confirmação para o Festival Optimus Alive 2012, a 15 de Julho.
Os britânicos que surgiram em 1985 passaram pela última vez por Portugal em 2002. Os Radiohead vêm ao Passeio Marítimo de Algés apresentar o novo álbum “The King of Limb”.
Este álbum é o oitavo dos Radiohead e foi lançado a 18 de Fevereiro de 2011.
O Festival Optimus Alive 2012 realiza-se nos dias 13, 14 e 15 de Julho de 2012 em Oeiras, no Passeio Marítimo de Algés. O Fã Pack Fnac Optimus Alive 2012 encontra-se à venda, o de bilhete diário custa 55 Euros e o passe 99 Euros.
Os bilhetes (fora do Fã Pack Fnac) serão colocados à venda amanhã, dia 1 de Dezembro, nos locais habituais, pelo mesmo preço do ano passado: 50 euros o bilhete diário e 99 euros o Passe de 3 Dias. Devido a alteração da taxa do IVA, a partir de 1 de Janeiro de 2012 os bilhetes diários passam a custar 53 euros, enquanto os Passes de 3 Dias passam para 105 euros.



