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Archive for August, 2009
Reportagem Noites Ritual
Aug 31st
A comemorar o 18º aniversário do Noites Ritual, o Porto contou este ano com um dos melhores cartazes das últimas edições. Para palcos nacionais, nomes fortes como Mão Morta, Dead Combo, Deolinda e Foge Foge Bandido constam do cartaz e fazem fila à entrada do Palácio de Cristal, ainda antes da hora prevista para o início dos concertos. Seis bandas por dia, divididas por dois modestos palcos foi aquilo que por 18 vezes vimos nos Jardins.
28 de Agosto
A inauguração deste ano ficou a cargo de One Man Hand, a abrir o Palco Ritual para o ainda pouco e quieto público. O The Legendary Tiger Man vindo directamente de Esmoriz contou com algum rock e blues à mistura em temas como “We’re All In The Same Boat” e mais 20 minutos de outros, a contar com a participação de Xinas dos The Chargers no contrabaixo para finalizar.
Sobe-se a rampa até Manel Cruz. Depois do concerto em Paredes de Coura, os Foge Foge Bandido participam em mais um festival da terra natal. Distribuída entre “O Amor Dá-meTesão” e “Não Fui Eu Que Te Estraguei”, a setlist levou ao rubro os muitos fãs que ocupavam a primeira fila. "A Dor de Ter de Errar", "Fartos do Que Não Tens", "A Cisma" e "Tirem o Macaco da Prisão" foram alguns dos temas que o ex-Ornatos Violeta trouxe ao Palco Principal. De notar também o apelo à preservação do lado dos Jardins do Palácio de Cristal, atitude que se viria a repetir por outras bandas.
Num constante sobe e desce, o vasto público do Noitesdirigiu-se à “concha” para ver David Santos sob a forma de Noiserv. Um concerto demasiado curto mas bom, a ter a ajuda já assídua da amiga Diana Mascarenhas que montava o pano de fundo ao longo das músicas. Ao longo de “Tokio Girl”, “Melody Pop”s, “Bullets on Parade”, “Consolation Prize” e “Bontempi” (sendo esta a setlist completa do pequeno concerto), cresciam desenhos por trás de David que acompanhavam a calma das músicas que já caracterizam o projecto.
De volta ao palco principal, encontramos rosas, telefonias e os Dead Combo. O projecto conjuntode Tó Trips e Pedro Gonçalves, já são conhecidos dos nortenhos. Vestidos a rigor mostraram um pouco de todo o repertório com “Sopas de Cavalo Cansado”, “Cuba1970”, “A menina dança”, “Rodada”, “Eléctrica Cadente” e ainda tempo para covers de Queens of the Stone Age e Tom Waits, com “Like a Drug” – que consta do último álbum, Lusitânia Playboys – e “Temptation”. O sentimento nos concertos de Dead Combo não tende para a dança, ou para sequer um pequeno movimento. Apesar das músicas não serem propriamente paradas, o recinto encheu-se de espanto e muita atenção, sendo, ao fim ao cabo, considerado um dos concertos da noite.
De volta às traseiras pela última vez no primeiro dia, fomos ouvir o electro nortenho dos Peltzer.Ao som de Superstar, o Porto quase dançou ao som dos senhores, mas não se mostravam muito entusiasmados.
Os Deolinda, pelo contrário, foram a banda que trouxe mais gente ao Noites Ritual. Com apenas um disco lançado, a banda de Ana Bacalhau entreteve o Porto e arredores com um fado diferente do tradicional – mais animado e dançável. Com “O Teu Bem Faz-me Tão Mal” e “Fado Toninho” aqueceram o Palácio de Cristal e encheram-no de ternura com “Eu não sei falar de Amor” e “Lisboa”. Para um final explosivo, houve tempo para a repetição de “Fado Toninho” e “Fon Fon Fon”. Foi desta maneira, com a banda que fez renascer o gosto pelo fado, que se encerrou o primeiro dia.
29 de Agosto
Para a segunda noite, o recinto estava surpreendentemente mais vazio. Era de admirar uma vez que actuavam os grandes Mão Morta. O alinhamento anterior, provavelmente por ser pouco conhecido, fez com que os portuenses se atrasassem para a última noite da 18ª edição do Noites Ritual.
Para inaugurar a noite começou por se ouvir Hot Pink Abuse. Pela voz de Miss Tish,um electro pouco convincente ecoou pelo recinto, fazendo-se ouvir no palco principal onde a multidão se aglomerava.
É a vez d’Os Pontos Negros. Antónimos dos The White Stripes, em todos os sentidos, os sintrenses trouxeram ao norte o seu Magnífico Material Inútil. ”Doutor Preciso de Ajuda”, “Triunfo dos Porcos” e “Salomé” fizeram as delícias dos fãs da primeira fila e de mais alguns mais atrás. Verdade é que não lhes falta energia, mas não tiveram a suficiente para se destacarem no festival.
Mais abaixo, seguiu Paul da Silva a actuar pela primeira vez em Portugal. Apenas com um pequeno EP editado, por mais vontade que a banda tivesse que os portuenses se mexessem, não aconteceu.
Onze anos depois, os Blind Zero voltam a tocar no Noites Ritual, desta feita num palco maior. Demasiado tempo, para uma banda já senhora de si, com tantos anos de existência e responsável pela famosa “Shine On”. Por entre esta e outras do novo álbum como "Skull", sob um fundo de feira em que se lia “Luna Park” escrito em lâmpadas, Miguel Guedes tentou uma não tão bem sucedida cover de “Where is My Mind” dos Pixies. A animação em palco, que atirou o vocalista ao chão na primeira música, passou também para o público, mas o melhor ainda estaria para vir.
A encerrar o Palco Ritual até ao próximo ano, os Andrew Thorn mostraram o seu quase electro, a fazer concorrência aos que tinham estado ali, uma banda antes. O norte não se convencia muito com eles e a relva cobria-se de pessoas sentadas.
Chega, assim, o fim do festival. E que melhor fim, do que oque veio de 50 km ao lado? Os Mão Morta são indubitavelmente uma das maiores bandas portuguesas, desde sempre. Com Adolfo Luxúria Canibal a contribuir para outros projectos menos desejáveis, os Mão Morta nunca perderam a força e começam com "Aum" e "Budapeste (Sempre a Rock & Rollar)" que meteu o Palácio a gritar. Ele, melhor que ninguém, voltou a apelar à protecção dos jardins, enquanto contava a história do Palácio desde o séc. XIX, ouviu-se “As Tetas da Alienação” e “E Se Depois”. Entre um alinhamento quase perfeito, onde faltou “Vertigem”, ouviu-se “Tu Disseste”, “Bófia”, “Em Directo (Para a Televisão)” e, infalível “1º de Novembro”. A dar de romantismo - se é que é possível – “Quero Morder-te as Mãos” e “Vamos Fugir”. Àquilo que se pensava ser o fim, deram-nos “Cão da Morte” e um adeus, mas não tardou um encore. Para surpresa de muitos, “Chabala”e “Charles Manson”, a par de “Anarquista Duval”, fizeram um final brilhante, como é costume nos concertos dos bracarenses, tanto para o concerto como para o Noites Ritual.
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Reportagem Maré de Agosto
Aug 28th
Todos os anos, a Praia Formosa, na Ilha de Santa Maria - é palco do mais antigo festival dos Açores, realizado pela primeira vez em 1984 e, que este ano, comemorou o seu 25º Aniversário. O Festival Maré de Agosto que decorreu nos dias 20, 21, 22 e 23 de Agosto de 2009.
Ao longo destes 25 anos, o Festival Maré de Agosto tem contribuído, sem sombra de duvida, para uma ampla divulgação de vários géneros musicais e sonoridades dos vários cantos do Mundo, fundindo e unindo culturas num idioma único e universal: a música!
O “Spirit” da Maré, expressão eleita para definir o magnífico ambiente que envolve este festival tem conquistado, cada vez mais, a simpatia de todos fazendo com que milhares de pessoas, na sua esmagadora maioria jovens, oriundas dos mais diversos pontos do país, visitem Santa Maria.
Num palco situado apenas a escassos metros do mar actuaram nomes de destaque do panorama musical nacional e internacional.
Além dos espectáculos musicais que se dividiram entre palco principal e palco TMN, anteriormente conhecido como “Espaço Castelo”, o festival reuniu actividades dia e noite: espectáculos, exposições, lançamento de livros, animação infantil, workshops e DJs.
A energia contagiante dos Portugueses Wok abriu o Palco Principal na quinta-feira. A banda conquistou o público do inicio ao fim da sua actuação. Se existem espectáculos que não se podem perder. Este é um deles. Música, ritmo, coreografia e muita animação, marcaram a passagem dos Wok em Santa Maria.
O público responde à chamada com a entrada do DJ Click, francês conhecido, pelos seus mixes eletro-balcânicos que combina a modernidade e tradição. A sua boa disposição e interacção com o público traduziram-se num alto grau de satisfação por parte deste.
Sob um sol abrasador e um mar calmo, que convidava a um mergulho, a banda revelação doismileoito, vencedores do TMN Garage Sessions em 2006 animou a tarde de sexta-feira no palco TMN. Nem o calor foi impeditivo às centenas de pessoas que permaneceram no recinto a desfrutar de bom Rock cantado em português. Mais tarde, iniciou-se o workshop de percussão sob a responsabilidade dos Tocá Rufar. Muito ritmo e animação fecharam a tarde no Palco TMN.
E porque a “Prata da Casa” vale ouro, a actuação dos Bey Já’ Tum, orquestra de percussão da Ilha de Santa Maria abriu a noite num cortejo que percorreu toda a marginal da magnifica Praia Formosa até ao recinto do palco principal A energia da sua percussão é única e rica e vem marcando presença com sua vitalidade e alegria contagiante.
No palco principal estava tudo a postos para a abertura de mais uma noite de bons espectáculos. Pelas 22h30, Lura, numa voz doce e grave ao mesmo tempo e um timbre estampado “Cabo Verde”, seduziu o público.
No Palco Principal, Wolfstone, da Escócia, cuja performance abraça um “folk rock no sentido mais autêntico e verdadeiro”, agraciou os presentes com um concerto repleto de vitalidade e ritmos bem ao jeito da Maré!
Para fechar a noite, a presença do DJ Nuno Forte no palco principal animou os festivaleiros presentes.
Edu Miranda Trio traz ao palco e ao público, um show com uma sonoridade sui generis do Brasil, Portugal e África. O DJ Sargento Zundap encerrou a programação de sexta-feira no palco secundário. O espectáculo de fogo levado a efeito pela “Trupe Hilariante” conferiu uma dinâmica e ambiente muito peculiar ao “Espaço Castelo”.
As expectativas para o terceiro dia cresceram. E pode-se dizer que relativamente às actuações das bandas valeu bem a pena marcar presença.
O fenómeno Açoriano “ Os Tunalhos” trazem o humor e boa disposição ao Festival no Palco TMN. A interacção com o público, imagem de marca destes jovens irreverentes, animara a tarde de sábado.
Seguiu-se o workshop de beatbox pelo MC Zani e a continuação do workshop de percussão da responsabilidade dos Toca Rufar.
O Hip-hop de Kumar sobe ao palco principal conseguindo animar e divertir o bastante público presente deixando-o fascinado pela sua atitude, a sua intensidade e, claro, as suas músicas directamente relacionadas com o seu percurso de vida. Entra em palco a banda mais aguardada da noite, Fiction Plane, banda liderada por Joe Sumner, o filho de Sting. Logo na abertura, o incontornável “Two Sisters” levou o público ao rubro. Um espectáculo, ao qual, é impossível ficar indiferente.
Com uma sonoridade verdadeiramente relaxante e cativante, o Jazz, fez-se representar por André Fernandes Quarteto que inaugurou o palco TMN no terceiro dia do Festival.
O fecho da noite em ambos os palcos, ficou a cargo de dois DJs Portugueses. O palco principal contou com a presença do DJ Rui Da Silva e o Palco TMN a animação esteve a cargo do DJ Zé Amaral.
O entusiasmante projecto de Rock nacional, um misto de rock e blues foi-nos trazido pela banda Murdering Tripping Blues fez da tarde de domingo um verdadeiro convite à diversão em que a energia e emoção foram as palavras de ordem.
Chegada a última noite do Festival Maré de Agosto, a música tradicional polaca, fez-se representar, e muito bem, pela banda Warsaw Village Band. Nem os fortes aguaceiros conseguiram assustar os já muitos festivaleiros preparados para o último dia.
É chegada a tão esperada hora. O alemão Gentleman que dispensa apresentações agarrou a multidão numa celebração de boas vibrações e uma entrega total ao reggae.
No palco TMN a música tradicional, sempre muito apreciada, fez-se representar pelos Roncos do Diabo, sempre animadíssimos. Uma actuação com muita cumplicidade, energia e alegria conquistando facilmente o público.
O DJ Sargento Zundap fecha em grande o último dia de concertos no palco TMN. No Palco Principal, um nome sonante do djing em Portugal, DJ Xinobi.
De ressalvar o excelente empenho e profissionalismo da Associação Cultural Maré de Agosto, a força motriz deste festival sem a qual um festival desta qualidade não seria possível! Visitar Santa Maria é deixar-se contagiar pela simplicidade de um povo… É esse o desafio que te lançamos, e, acredita, não te vais arrepender… Em 2010 cá estaremos!
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Reportagem Super Bock Surf Fest
Aug 16th
Nos dias 13 e 14 de Agosto, Sagres encheu-se de muitas pulseiras azuis vindas do Sudoeste TMN acabado na semana passada para assistir a mais um evento Música no Coração.
Dia 13 de Agosto
Para provar que este ano só a cerveja é que mudou, os portugueses Kumpania Algazarra pisam o palco à (quase) beira-mar plantado, pouco antes das 19 horas. Com o ritmo contagiante a que nos têm habituado, animaram um recinto ainda vazio. A expressão “poucos mas bons” encaixa perfeitamente na actuação da banda de Sintra – os poucos espectadores dançaram até ao último minuto. A pedido do público, o último tema a ser tocado foi “Wild Zone”, para deleite da multidão que se começava, então, a formar.
Os franceses Babylon Circus entram em palco com um pôr-do-sol magnífico que serviu na perfeição como pano de fundo à música que o grupo trouxe ao Algarve.
Com expressões em português à mistura, foram apelando ao público que explorava o pequeno recinto que se juntassem à enérgica festa. Alguns fãs tiveram o privilégio de subir ao palco em “Envol” e dançar com os membros da banda, enquanto Biloul e David pediam que o público os seguisse, juntando-se dois a dois. A energia dos vocalistas e a boa disposição da banda em geral garantiram uma actuação animada com temas sobre o amor, a amizade e as oportunidades da vida, de entre as quais, “Perdu”, “J’aurai Bien Voulu” e “Sur la Tete”. O franceses saíram do palco com um público que os aplaudia, cada vez mais efusivo.
É chegada a hora dos Asian Dub Foundation, a trazerem a multiculturaliedade à Praia do Tonel e ao palco do Surf Fest. O público presente era já bastante e dançou durante a actuação enérgica que começou com “Rise to the challenge” e “Take back the Power”. O som, reminiscente de Prodigy com reggae à mistura proporcionou uma hora de dança com “Speed of Light”, “Flyover” (esta conhecida dos fãs de Blasted Mechanism) e “Super Power” entre outras. Os londrinos deixam, agora, um recinto cheio de vontade de continuar a mexer.
Contudo, é a calma e boa onda de Gentleman que ocupa o palco, abrindo em grande com o single “Superior”. Num festival de peace & love, era agora complicado chegar-se à primeira fila. Os fãs de Gentleman entoavam “Pursuit of Happiness”, “Runaway”, “Leave us Alone” e, claro, “Intoxication”, do fundo dos pulmões ao mesmo tempo que o espírito de Bob Marley pairava pelo ar. O alemão despediu-se, deixando o recinto pronto para o último concerto da noite.
O aclamado Nitin Sawhney, produtor e compositor, ocupou a fácil tarefa de encerrar o primeiro de dois dias do Super Bock Surf Fest. Nitin senta-se à guitarra e ouve-se “Sunset”. O microfone é de Natacha Atlas, colaboradora regular nos concertos de Nitin Sawhney.
A encerrar a primeira noite, ficam, na tenda electrónica, João Maria e João Araújo, a dar música aos que não queriam voltar ao acampamento.
Dia 14 de Agosto
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Fotos: Raquel Silva
Reportagem Sudoeste TMN
Aug 12th
No terceiro dia do festival era esperada casa cheia. X-wife abriram as hostes do palco principal levando bastante público a manter-se até ao final do concerto ao som do rock’n’roll. A banda originária do porto tocou temas do novo álbum com o público a reagir sempre muito bem.
O recinto ia-se compondo para os aguardados Faith no More. Mas a banda que se seguiu foram os também portuenses Blind Zero, com um palco alusivo ao novo álbum “Luna Park”. O alinhamento continha músicas dos álbuns anteriores e o novo single “Slow Time Love” . Ainda houve tempo de cantarem uma música dos Pixies "Where Is My Mind?" e, já que Miguel Guedes “não estava lesionado em nenhuma perna”, “Enjoy The Silence” dos Depeche Mode.
Os Jet, que se seguiram, deram um belíssimo concerto conseguindo entusiasmar o público, que na sua grande maioria esperava o cabeça de cartaz do dia. Os autralianos apresentaram-se com um fundo preto com o seu nome a dourado. Com "Are you gonna be my girl” o público esqueceu por momentos o concerto que se seguia e cantaram e dançaram ao som da música.
E é então que os mais aguardados Faith No More sobem ao palco começando com “Reunited” com o público a entrar logo em êxtase e não parando até ao final do concerto. Na zona de público em frente ao palco principal via-se uma nuvem de pó enorme. Mais uma vez, uma das forças deste concerto foi a interacção e comunicação com o público. Um dos pontos altos foi sem dúvida “Evidence” em que Mike Patton surpreendeu o público cantando em português. O concerto terminou após o segundo encore com “We care a lot“. O público que se deslocou à Herdade da Casa Branca foi recompensado com um grande concerto do qual certamente ninguém saiu desiludido!
Oioai, banda confirmada à última hora, no palco secundário anunciaram o novo álbum “Vem Em Segredo” com lançamento previsto para Setembro. Os quatro elementos mostraram-se bem dispostos e em sintonia nas novas músicas. Entre as músicas do primeiro álbum “Oioai”, o público presente ia correspondendo ao que se passava em palco, neste espaço que se mostrou o menos atraente para a maior parte dos festivaleiros e que pecou pela proximidade com o espaço electrónico.
Era notória a pouca afluência de público neste último dia do festival, pois muitos dos festivaleiros regressavam a casa neste dia. Anaquim abriu o Palco Planeta Sudoeste onde já havia público à sua espera. Passaram por temas de Ornatos Violeta e ainda dedicaram uma música “Pobre Velho Louco” ao actor Raul Solnado falecido no dia anterior.
Gomo começou entretanto no palco principal com muita animação e bastante ironia à mistura dizendo-se surpreendido com a quantidade de público presente visto não estarem anunciados no cartaz do festival e avisando que “Nós não somos o Marcelo d2 somos os Gomo”. Referiu ainda que o facto de estarem no palco principal deve-se ao êxito de “Felling Alive” do anterior disco. Neste concerto vieram apresentar o recentemente editado “Nosy” cujo single “Final Stroke” “já roda em algumas rádios de bom gosto”. Os seguintes foram Marcelo d2 trazendo o hip-hop e levando o público a não abandonar o espaço do palco principal num concerto onde ainda contou com um tema de White Stripes e outro de Eurythmics.
No palco secundário já se fazia ouvir Virgem Suta, uma banda vinda de Beja com um sucesso recente. Com “Ressaca” e "Tomo Conta Desta Tua Casa" colocaram o público a dançar.
De volta ao palco principal, a escocesa Amy Macdonald apela a que sendo este o seu primeiro concerto em Portugal, gostava que fosse memorável, conseguindo cativar o público que assistia a esta actuação e que estranhou mas cantou bem alto "Mr. Brightside" dos The Killers.
Lily Allen, seguiu-se com muita cumplicidade e irreverência com o público que sempre correspondeu ao que a artista ia pedindo, tendo sido um dos momentos mais participados a dedicatória a todos os homofóbicos e racistas presentes, com o tema “Fuck You”.
Para encerrar o 13º Festival Sudoeste TMN, no palco principal tocaram os também britânicos Basement Jaxx que iniciaram o concerto com “Scars”, perante uma plateia bem composta. Todos dançavam quase a jeito de gastar as últimas forças e encerrar em grande mais um festival. Já se sentia a nostalgia mas a banda não deixou ninguém descansar. Teve tempo de dedicar "Romeo" a todos "os portugueses sexy" da plateia. “Rendez-Vu”, um dos seus maiores sucessos foi o tema escolhido para finalizar um espectáculo onde luz e o som estiveram em plena harmonia.
E foi assim a edição de 2009 que com um cartaz que não convenceu os mais reticentes, garantiu a animação nos diversos stands promocionais para a recolha de brindes e prémios de participação nas diversas actividades, umas mais originais que outras, mas que mantiveram sempre o público bastante interessado.
O menos positivo prende-se com as condições do campismo. Os reparos feitos em relação á proximidade do espaço electrónico das tendas no ano passado foram tidos em conta, afastando estes dois espaços tanto quanto possível, não se compreende porem a existência de um bar situado em plena zona de campismo com música mais que excessivamente alta, demasiado repetitiva e de forma incessante, desde o fim da tarde de dia 5 até meio da manhã de dia 10 não deixando descansar quem queria recuperar forças para os dias seguintes.
Ainda assim, nesta manhã de dia 10 à medida que o espaço ia ficando cada vez mais despovoado, o que se ouvia eram as despedidas ...
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Review Jazz em Agosto
Aug 10th
O Jazz em Agosto é daqueles eventos incomparáveis por mais que tentemos. Os artistas de renome internacional, o espaço da Fundação Calouste Gulbenkian e o sabor musico-cultural que nos aguça o paladar auditivo assim que chegamos a um concerto deste evento é sem dúvida inigualável.
Chegamos cedo à entrada da Gulbenkian e a fila já era longa. Não que se tenha notado muito porque a entrada foi simples, rápida e organizada, escoando os presentes para as cadeiras do Anfiteatro numa questão de minutos. Chegar cedo a este local é sem dúvida um privilégio. A movimentação das pessoas na busca do melhor lugar possível, a vegetação circundante e a iluminação do palco ainda vazio, criam um ambiente invulgarmente íntimo.
O dia 06 de Agosto apresentou-nos o concerto de Dave Douglas & Brass Ecstasy. Pouco depois das 21h30, hora definida no programa para o início do espectáculo, os músicos entram em palco e não perdendo tempo algum, começam de imediato a deixar o Anfiteatro da Gulbenkian com os olhos e ouvidos presos ao palco. Estive durante todo o dia a ouvir jazz de forma a chegar ao Jardins da Gulbenkian com os meus ouvidos treinados e o ultimo álbum que ouvi, foi precisamente de Dave Douglas. O início deste concerto parecia tudo menos o que eu tinha ouvido poucas horas antes. O primeiro tema que Douglas ofereceu ao público teve inicio com um swing totalmente soul que fez com que muitas pessoas começassem de imediato a bater o pé. Com o desenrolar do tema ia-mos notando cada vez mais um aproximar ao que se ouve deste compositor em álbum. De uma forma repentina, o bater de pé do comum mortal começa a ficar descoordenado com a velocidade rítmica que estes músicos imprimem em algumas das suas peças.
Douglas e os Brass Ecstasy funcionam de tal forma em equipa que a dada altura, devido ao vento que se fazia sentir nesta noite, houve um trabalho de grupo em busca de partituras que teimavam em voar como que a fugir do palco com medo da multidão. Estamos de qualquer forma a falar de uma banda fantástica com elementos que até na aparência mostram que são músico de jazz. Vincent Chancey, homem da trompa, parecia que tinha acabado de sair de um bar de jazz norte-americano ainda nos anos 50, ou o próprio Dave Douglas. Douglas é sem dúvida uma figura incontornável do jazz internacional, e consegue coordenar os restantes músicos quando estes já estão de tal forma livres a tocar que alguém tem que dizer “basta” ou então o mesmo tema duraria até que todos se fartassem de estar naquela espécie de transe musical improvisado. Como em qualquer equipa aqui sentimo-nos no dever de dar destaque a um elemento em especial. Nasheet Waits, baterista do colectivo, é inquestionavelmente um músico excelente, mas não corremos risco nenhum em dizer o que ele realmente é, um fora de série. Waits teve momentos de liberdade tal que chegou a parecer que estava em sua casa sozinho simplesmente a tocar sem qualquer pressão ou preconceito.
Tecnicamente perfeito e com uma destreza rítmica que o separou sem margem para dúvidas dos restantes membros, não tirando qualidade a nenhum deles. Como qualquer fora de série Nasheet Waits revelou ser, ele sim, merecedor de uma transferência superior a 95 milhões de euros no mundo do jazz. Juntamente com Waits outro destaque deve ir para o tubista Marcus Rojas. Depois de ter ficado sem a sua tuba que ficou retida no aeroporto de Munique, Rojas a tocar com uma tuba emprestada, mostrou que quem sabe não tem preferências sobre o instrumento que lhe cai nas mãos e toca o que sabe com o que pode. Quando uma tuba preenche na perfeição a secção rítmica de uma banda podemos dizer que o propósito está cumprido, mas quando esta tuba nos brinda com rasgos sonoros a fazer lembrar, baixo, contrabaixo ou até dijiridoo (instrumento tribal australiano) tem que ser destacada.
Se a tudo isto juntarmos as dezenas e dezenas de cabeças fixas no sentido do palco sem emitir um som ou fazer um gesto, as fotos que respeitaram o pedido inicial da não utilização de flash ou os telemóveis que em nenhuma altura se ouviram, de forma a não distrair os músicos, temos o prazer de dizer que tivemos na presença de um concerto fabuloso e cheio de significado sobre o que é o jazz e as sensações que nos provoca. Podemos simplesmente concluir com o seguinte: um final de concerto com os 5 elementos a agradecer uma ovação de pé de quase todas as pessoas presentes na Gulbenkian. Para recordar.
Sexta-feira dia 7 de Agosto tivemos um dia repleto de experimentalismo. Penso que é justo dizermos que no jazz há experimentalismo e experimentalismo. Um músico de jazz da qualidade dos que vimos neste festival, a dada altura da sua carreira não consegue ficar unicamente pelas “simples” notas, escalas e tudo aquilo que lhe é ensinado durante os anos de instrução. Este músicos chegam a uma altura das suas carreiras e têm que pensar que há algo mais para criar do que aquilo que aprenderam. É nesse momento que se definem os mestres do jazz. Com esse objectivo o experimentalismo não só é (bem) aceite como bem-vindo.
Buffalo Collision foi a banda que nos deu o que analisar no palco do Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Calouste Gulbenkian neste dia de 7 de Agosto. Experiência atrás de experiência, o concerto de Tim Berne e seus pares pecou unicamente pelo excesso. Poucos foram os momentos em que se sentiu a banda actuar como um todo e a singularidade foi sobressaindo ao longo da actuação. Individualidades algo impressionantes como o violoncelista Hank Roberts que parece descobrir novos sons no violoncelo a cada segundo que passa. Roberts fosse a tocar com arco, com os dedos ou utilizando os pedais de efeitos que tinha ao seu dispor no chão, desencantou sons de um violoncelo que alguns músicos mais conservadores de jazz teriam classificado como pecado. Facto é que funcionou e Roberts foi dando um toque de equilíbrio aos Buffalo Collision. De assinalar também o baterista Dave King que só pela expressão corporal ganha um espaço de destaque. Num estilo misto entre o tosco e a constante procura de sons diferentes, Dave King foi abafando o som estridentes dos pratos, fez uso de contratempos inesperados e mostrou o porquê de pertencer a este projecto.
Chegamos a Domingo dia 9 e à actuação final do Jazz em Agosto com Bill Dixon e a Exploding Star Orchestra. Voltando um pouco ao dia anterior este apontamento tem que ser feito. Quem disse um dia que o jazz experimental é somente entendido pelos apaixonados, pelos técnicos e pelos próprios músicos enganou-se. Dixon, ainda que seja uma figura com peso no mundo do jazz é alguém que já não demonstra o vigor de outras épocas é claro. Estamos a falar de um trompetista com 84 anos que mantém a presença mas deixa as despesas musicais para a Orquestra que o acompanha. Note-se que não estamos a falar de um trio, quarteto nem sequer de uma Big Band, estamos a falar de uma Orquestra que tem momentos de experimentalismo hipnóticos que culminam ao fim de alguns minutos numa convergência total em uníssono e totalmente enquadrados como se estivessem a tocar o mesmo tema há horas. Vimos muito daquilo que pode ser feito com uma banda desta craveira. Não só pelos solos de alguns dos músicos do colectivo mas também por algumas vozes que se iam ouvindo da parte de Nicole Mitchell, dona da flauta transversal e de Damon Locks que nos mostra que a poesia é conjugável com o jazz. Num recital de palavras com histórias do submundo do boxe por alturas de Cassius Clay, Locks leva-nos numa viagem no tempo em breves instantes só por intermédio das suas palavras. Mostra de igual forma ao público que um rasgo de groove intenso da Exploding Star Orchestra pode ser aproveitado para um momento de diversão, dançando vibrantemente com os sons que por ali se iam ouvindo. Temos também que colocar uma luz sobre a cabeça de Jason Adasewicz que aos comandos do vibrafone foi debitando sons que não só preenchiam muitas das músicas como em algumas alturas lhes dava significado. Como se não bastasse, também integrou a precursão a dada altura, quando já existiam dois bateristas e um percussionista, e conseguiu dar mais um toque de ritmo sem nunca destoar.
Numa análise global a este concerto podemos seguramente dizer que Dixon, dá origem a um projecto com músicos fabulosos e que a sua presença e os seus dotes de compositor fazem a diferença, mas temos que ser justos e dar destaque aos outros doze elementos que se encontravam em palco coordenados pelo trompetista e também compositor Rob Mazurek que nos proporcionaram um final de luxo neste Jazz em Agosto 2009.
Mais uma vez os olhos dos espectadores presentes no Anfiteatro da Gulbenkian estiveram fixos no palco de forma constante. Ainda que não possamos dizer que a ovação foi igual à que Dave Douglas e os Brass Ecstasy tiveram direito, podemos seguramente dizer, que houve pessoas de pé a aplaudir Dixon e seus pares e os comentários de agrado à saída não se fizeram esperar, e passamos a citar: “muito bom, espectáculos assim deviam acontecer mais vezes não só nestes eventos”. Concordamos e gostaríamos de ver mais artistas desta qualidade, mas o facto de estarmos um ano a aguardar um evento destes faz com que o Jazz em Agosto continue a ser um acontecimento ímpar.
Texto: Bruno Farinha
Passatempo Festival Ilha do Ermal
Aug 8th
O Festivais de Verão em associação com a Dream Seduction têm para te oferecer 5 passes para o Festival Ilha do Ermal que decorre de 27 a 30 de Agosto.
Desde o seu início em 1999, o Festival Ilha do Ermal sempre se destacou dos demais pela sua programação mais "extrema" e por se realizar num dos pontos de maior beleza do país, a Ilha do Ermal.
Muitos são os nomes "pesados" que vão passar por este festival: Sepultura, Obituary, Blind Guardian, Firewind, Pestilence, Angra, Disbelief e muitos outros.
O passe de 3 dias custa 60 euros e o bilhete diário 30 euros, mas participa e pode ser que tenhas sorte.
Passatempo Surf At Night
Aug 6th
O Festivais de Verão em associação com a Comunikate têm para te oferecer 10 entradas para o Festival Surf at Night que decorre a 14 de Agosto na Praia de Cortegaça, Ovar.
O Surf At Night é um acontecimento em que a fusão entre o desporto e a música se cruzam como forma de arte. Uma noite onde serão criadas todas as condições para a prática do surf, bodyboard e longboard, ao som das melhores bandas e djs nacionais de reggae. Na SURF ZONE estará montada uma grua com holofotes (20000 watts) suspensos sobre o mar, formando assim um gigante candeeiro de luz sobre a praia.
Algumas das bandas que poderás ouvir são OliveTreeDance, One Love Family e Atitude Sound System.
O bilhete diário é de 6 euros (venda antecipada) ou 8 euros (no dia).
Reportagem Festival Paredes de Coura
Aug 3rd
29 de Julho
Desde 1992 que Paredes de Coura tem sido o festival de verão com uma identidade mais definida, dedicando-se maioritariamente à projecção de bandas associadas aos experimentalismos ou a esse termo tão vasto chamado “música alternativa”.
Felizmente, a perda da Heineken como patrocinador principal não impediu que este ano se vissem as bandas certas nos momentos certos – The Horrors, Howling Bells ou The Pains of Being Pure at Heart são bons exemplos – nem se traduziu numa ausência de nomes de peso como os Nine Inch Nails ou os Franz Ferdinand.
Os fracos aguaceiros não conseguiram assustar os já muitos festivaleiros preparados para o primeiro dia. Com o palco principal ainda a receber os últimos retoques, tudo se passou no melhorado Palco After Hours (este ano quase em formato tenda), estreado pela country-folk dos conimbricenses Sean Riley and The Slowriders.
Sim, eles podem ser portugueses mas toda a sonoridade tem raízes na América profunda. A americana e Bob Dylan transpiram nas guitarras e teclados da banda, com a actuação a atingir o auge no bem recebido “Houses and Wives”.
A chegada dos Strange Boys indica que o espírito de Dylan não saiu de palco com os portugueses. Também se encontram pormenores de country e blues nestes putos texanos mas com um ligeiro toque punk, incutido pela voz rouca de Ryan Sambol, algures entre os tons adolescentes de Alex Turner dos Artic Monkeys e Ray Davies dos Kinks.
Os pormenores de garage rock em “Woe is You and Me” e os woo-hoos de “No Way For a Slave to Behave” foram dos momentos mais deliciosos de um concerto que reflectiu a experiência de uma banda de miúdos que anda pela estrada há 4 anos.
Percebe-se que nas primeiras filas há fãs ansiosos de Patrick Wolf, em contraste com alguns comentários jocosos mais atrás. Com um fato de abutre e acessórios à personagem do Mad Max, Wolf dá inicio a uma actuação que varia entre a folk depressiva dos primeiros álbuns – em “The Libertine” e “Wind In The Wires” - e a pop de cabaret tecnicolor dos mais recentes “The Magic Position” e “The Bachelor”.
Acompanhado por uma violinista, um baixista, um baterista e sons electrónicos, o espectáculo carnavalesco de Wolf torna-se visualmente mais interessante quando celebra a sua pop, seja no melhor, transformando-se numa diva que tem tanto de David Bowie como de Kate Bush, seja no pior quando se assemelha a um número moldavo do Festival da Eurovisão. Para o final ficaram “The Magic Position” e “Hard Times” acompanhados com riffs de violino, e a quase new-rave de “Battle” sem esquecer uma curta tentativa de “Gigantic” dos Pixies.
30 de Julho
Ao segundo dia, boas noticias: Aparentemente já não há salmonelas no Tabuão, permitindo mergulhos no rio. Pelo recinto de campismo, o efeito de Pavlov dos gritos de “f*d*-se!” até pode perder rapidamente piada, mas dão azo a reacções interessantes em palco. Enquanto os Supergrass respondem com “what? what? what?”, o inocente vocalista dos Pains of Being Pure at Heart entende-os como elogios.
O segundo dia acaba por ser o dia com o alinhamento mais certinho, pautando-se pelo indie rock britânico. A abrir o palco principal, os australianos The Temper Trap não escondem as suas influências: rock com pretensões para encher estádios na linha dos Coldplay e U2 onde não faltam os obrigatórios crescendos e refrões épicos. Raramente os australianos saíram do insosso, criando apenas algum interesse com “Sweet Disposition”.
Com a certeza de serem uma das bandas com maior hype para a edição do festival deste ano, os The Pains of Being Pure at Heart falharam ligeiramente as altas expectativas que traziam. Raramente os nova-iorquinos fizeram sentir que estávamos a ver algo de especial. Uma das possíveis explicações terá sido o volume sonoro não estar suficientemente alto para que a muralha sonora que polvilhava uma doçura pop - típica dos My Bloody Valentine - se pudesse experienciar.
As três guitarras não escondem as influências dos Jesus & Mary Chain, The Smiths e até mesmo da shoegaze dos Ride num concerto que teve o momento alto em “Young Adult Friction”. Talvez num espaço mais fechado soe melhor.
Após o brilhante concerto dos The Horrors, poucos se teriam lembrado que os recentemente nomeados para o Mercury Prize estavam presentes como banda de substituição. Com um visual que não tira nada a uns The Cure, liderados pelo vocalista Faris Badwan (um “if they mated” entre Bruno Nogueira e Peter Murphy) a banda tem se libertado lentamente de uma sonoridade garage em direcção a terrenos mais psicadélicos. Prova cabal: nenhuma música do primeiro álbum “Strange Hous”e fez parte do alinhamento.
Deste modo, “Primary Colours”, álbum onde o psicadelismo convive com o gótico e com o shoegaze, foi apresentado quase na íntegra. A muralha sónica de “Mirror’s Image” e de “Do You Remember” são bons exemplos desta sonoridade. Mas foram os desnorteantes 8 minutos de “Sea Within a Sea”, a finalizarem com sintetizadores hipnotizantes, que imortalizaram os Horrors como uma das melhores performances a passar pelo palco de Paredes de Coura.
É um pouco estranho chamar os Supergrass de veteranos, mas a verdade é que apesar de terem entrado há pouco na casa dos 30 anos, já andam nisto há quase 15. A estreia tardia da banda dos irmãos Coombes em Portugal foi recebida entusiasticamente por poucos mas bons conhecedores da sua discografia, apesar do esforço comunicativo do vocalista Gaz.
Com mais blues rock do que britpop, os Supergrass visitaram praticamente todos os álbuns, desde a já antiguinha “She’s So Loose” até o que foi um dos grandes momentos do festival: “Rebel In You” do mais recente Diamond Hoo Ha. Pelo meio não faltaram clássicos como “Moving”, “Grace” e “Pumping On Your Stereo” que mereciam um cantarolar mais entusiasta por parte do publico.
Mas todo o alvoroço estava aparentemente guardado para os Franz Ferdinand. Não é preciso muito para a banda de Glasgow arrebatar um público. Tudo sai natural ao carismático duo Kapranos/McCarthy. A máquina de fabricar singles até pode ter perdido algum gás no último álbum Tonight: Franz Ferdinand, mas isso não é nada que possa deter uma banda com uma colecção invejável de êxitos.
“The Dark of the Matinée”, “Do You Want To” e “This Fire” conseguiram levantar literalmente o pó do chão e durante o refrão de “Take Me Out” até se conseguiu vislumbrar um very light vermelho aceso no meio da multidão. Para o encore sobraram os la-la-las de “Ulysses”, e ainda “Michael” que contagiou todo o recinto excepto um jovem que sentado na encosta à esquerda do palco preferia ler o seu horóscopo.
Após a celebração épica dos Franz Ferdinand, coube ao synth-pop dos Chew Lips e aos Holy Ghost! da DFA de James Murphy continuarem a festa no Palco After Hours, com concorrência do já lendário DJ do Windows Media Player fora do recinto.
31 de Julho
Afirmar que os Nine Inch Nails foram a banda mais aguardada da história de Paredes de Coura talvez seja um exagero, mas a verdade é que o dia de sexta-feira bateu o recorde de assistência do festival registando oficialmente 22 000 pessoas. Já às 17h30 se fazia sentir alguma ansiedade, quando após se abrirem as portas do recinto, vários fãs dos NIN corriam pela encosta abaixo na esperança de conseguirem um lugar na primeira fila.
Comprovando que nem em tudo que Adolfo Luxúria Canibal toca é transformado em ouro, os Mundo Cão viajaram entre o assombro e o ridículo, tentando por vezes um stoner rock. Palavra chave: “tentando”.
Apenas “Morfina” conseguiu no final alguma reacção dos poucos presentes, mas ficou a sensação que a maioria dos aplausos surgiu por o concerto ter finalmente terminado. O resto do alinhamento só provou que há já muito tempo que nesta latrina o ar se tornou irrespirável.
Logo de seguida, os Portugal, The Man não arrancaram muito mais interesse ao publico. Os artistas mais conhecidos de Wasilla, no Alasca, a seguir à comediante Sarah Palin, destilaram prog-rock dos anos 70 não escondendo também a influência dos Led Zeppelin e um falsete do vocalista John Gourley bastante colado ao de Andrew VanWyngarden dos MGMT. Tudo soa tão épico quanto aborrecido.
Também conhecidos por serem os White Stripes dos pobres, os Blood Red Shoes não adiantaram muio à festa. O indie rock do duo de Brighton, na linha de uns The Kills ou The Subways, falhou em contagiar uma assistência que obviamente apenas ansiava pelos Nine Inch Nails, apesar de ter surpreendido em alguns momentos. Pelo menos, não são tão insossos ao vivo como em disco.
Depois de Juliette Lewis em 2005 e de Maja Ivarsson dos The Sounds no ano passado, coube a uma ex-professora primária preencher o papel de “fresca” do festival deste ano. Não, não estamos a falar da taróloga Maya, mas de Peaches.
Com uma performance sexualmente explícita, a canadiana não chocou propriamente ninguém, mas conseguiu criar um bom espectáculo ao exigir ao público que despisse as t-shirts, ao simular relações sexuais com um andaime ou através dos 83 fatos que usou durante todo o concerto. Quanto à música propriamente dita: uma nulidade. Um electropunk ao nivel de vários outros projectos menores que apenas não merecem honras de palco principal por não terem o número de circo de Peaches.
E finalmente, o momento mais esperado. É certo que ainda em 2007 os Nine Inch Nails deram 3 concertos em Lisboa, mas a aparição deste ano revela uma maior ansiedade já que foi dramaticamente anunciada como a última tour da banda de Trent Reznor. Infelizmente, não é o regresso nem a despedida que se desejaria. Sem os carismáticos Josh Freese na bateria e Aaron North na guitarra, a actual incarnação dos NIN foi reduzida a quatro elementos. A saber: o retornado Robin Finck na guitarra, Justin Meldal-Johnsen no baixo e o ex-lostprophets Ilan Rubin na bateria. A ausência de um teclista também obrigou todos os membros a dividir tarefas pelos sintetizadores.
Quanto ao alinhamento, nada a apontar já que a discografia da banda de Reznor permite sempre uma excelente setlist. A destacar: as excelentes interpretações de clássicos como “Terrible Lie”, “March of the Pigs”, “Head Like a Hole” ou “Wish”. Infelizmente, parte do público demonstrou ser pouco tolerante com momentos mais calmos como numa “La Mer” com contrabaixo e xilofone. Para o final, a banda dedicou-se a temas mais recentes como “Survivalism” e a uma “The Hand That Feeds” ainda mais rock fm que a versão de estúdio, até fechar com a intemporal “Hurt”.
É mais do que certo que um concerto dos Nine Inch Nails nunca defrauda ninguém, porém, para uma tour que se quer de despedida, exigia-se uma composição de palco superior à assistida. Quando comparada com os muros luminosos da Fragility Tour de 1999 ou com o ecrã interactivo da Lights in the Sky Tour do ano passado, os strobes e holofotes que estiveram presentes em Paredes de Coura parecem lanternas. No entanto, quem viu os Nine Inch Nails pela primeira vez não se pode sentir desiludido.
A fechar a noite no palco After Hours, e acompanhados pelos primeiros chuviscos a sério, os franceses Kap Bambino – synth-pop regada a cocaína, na linha dos Crystal Castles – e os Punks Jump Up fizeram parca concorrência ao já citado DJ do Windows Media Player.
1 de Agosto
Após a tempestade dos NIN na noite anterior, era natural que tudo estivesse mais calmo no dia seguinte. Na praia fluvial, os campistas relaxavam ao sol enquanto se dava uso ao megafone para pedir um saca-rolhas. Megafones que são a melhor moda do festival deste ano, cuja capacidade para criar loops vocais permitiu imortalizar frases como “o segurança do Ecomarché tem a mania que é grande.” Porque em loop tudo tem piada.
Quando o projecto Foge Foge Bandido de Manel Cruz pisou o palco principal às 19h havia ainda menos público do que num jogo do Belenenses no Restelo. A maior curiosidade prendia-se em como Cruz iria transpor O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu que Estraguei para o palco. A resposta: com uma banda de cinco elementos onde se destacavam guitarras, bateria, banjo, xilofone, violino e sintetizadores. Apesar do lado mais experimental, canções como “As Nossas Ideias” contagiaram os mais atentos, apesar da maioria permanecer sentada.
No final, um momento inédito em Paredes de Coura. Pela primeira vez, uma banda teve direito a encore aceitando o pedido do público, apesar de não aceitarem uma solicitação para tocarem “Borboleta”. Ao invés, Manel e companhia responderam com os 11 segundos de “Mau Hálito”. Após o encore ainda aconteceu uma breve sessão de autógrafos ao lado do palco, onde uma fã demasiado ansiosa julgou estar prestes a desmaiar.
Existem várias bandas do indie rock espanhol a precisar de ser urgentemente descobertas pelos palcos nacionais. Nomes como os Nosoträsh, Los Planetas ou El Columpio Asesino. Os The Right Ons não são um desses nomes. Quem estava na frente bem celebrou com o seu retro rock – os bop-bop de “Thanks” são contagiantes - principalmente quando lhes foram distribuídas maracas, mas cá para trás ainda havia muito povo refastelado.
Os Howling Bells até poderiam ser a banda mais desinteressante de sempre que encontraríamos sempre um interesse em ver a banda em palco: a serpenteante dança da vocalista Juanita Stein, detentora do prémio para rapariga indie mais gira a pisar o palco de Paredes de Coura desde sempre. Mas a banda de Sydney via Londres também tem os seus interesses musicais.
Com um indie rock com toques de blues e electro dos anos 80 na linha dos The Duke Spirit ou de uns Black Rebel Motorcycle Club, os australianos apresentaram temas dos seus dois álbuns com destaque para os pa-pas de “Treasure Hunt”, para o riff descomunal de “Cities Burning Down” e para uma “Low Happening” que poderia se tornar num dos hinos do festival se a assistência não estivesse cansada/desencantada com a banda.
Pejado de um humor tipicamente britânico, Jarvis Cocker dava-nos as boas vindas ao espectáculo em bom português. Ironia foi o tom da actuação do maestro dos Pulp que começou por fazer erguer os braços do público através de uma aula de step, num concerto com uns pózinhos de stand-up comedy. Entre temas como “Further Complications” ou “Angela”, Cocker ainda nos conseguiu convencer que o saxofone não é um instrumento do demo com um rock à Blues Brothers de “Homewrecker!”
Pelo meio, Jarvis despiu o fato para gáudio das meninas presentes (uma das meninas chegou a oferecer umas cuequinhas ao senhor, que elegantemente colocou na sua lapela) enquanto se passeava por vários estilos, chegando mesmo a terminar a melhor actuação da noite com o disco sound de “You’re In My Eyes (Discosong)”. Certamente dedicado a todas as senhoras presentes.
Depois de um concerto dos The Hives só podemos nutrir dois sentimentos pelos suecos: ou se ama ou se odeia. Independentemente do julgamento, não há duvidas que a banda sabe montar um espectáculo e que o vocalista Howlin’ Pelle Almqvist sabe o que faz. Durante o concerto, Pelle ameaça incendiar a metade da plateia que não gosta de rock’n roll com o fogo que deitaria pela boca; responde a insultos com “está ali um tipo que quer fazer amor comigo”; faz alusões à rivalidade ibérica. Tudo isto tem piada da primeira vez, mas à segunda ou terceira torna-se estagnante.
E por mais energia que consigam libertar com o seu rock nostálgico, “estagnação” é a palavra de ordem no alinhamento dos The Hives. “Walk Idiot Walk”, “Main Offender” e “Hate to Say I Told You So” chegam a fazer alguém ao nosso lado questionar: “Mas já não tocaram esta?” ou “outra vez este riff?”. Todos os clichés do rock ‘n roll estão impregnados nos suecos. Sempre os mesmos acordes e sempre a mesma voz galinácea de Howlin’ Pelle Almqvist. O correspondente de Peaches para o rock ‘n roll.
Com o palco principal encerrado, os últimos sobreviventes rumaram ao Palco After Hours para testemunhar que há por aí bandas de rock interessantes no nosso país. Os Sizo prometem ser grandes, basta ouvir “Liar”. A finalizar, foi a vez de Nuno Lopes fazer concorrência ao DJ do Windows Media Player. Consta que não passou Animal Collective.
O Festival de Paredes de Coura regressa em 2010 entre 28 e 31 de Julho e já com uma não-confirmação: os Radiohead.
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Aug 2nd
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